Desgosto intelecual

Estou profundamente chateado com o fato de que neste país atrasado, em especial nesta arrogante e presunçosa cidade, não temos nada (ou quase isso…).

Sinto-me agastado/enfadado ao deparar-me com a dificuldade em obter informações para aprender coisas novas. Para um autodidata, a carência de boas fontes é muito desagradável. Sempre que procuro conhecimento ou boas referências sobre assuntos “alternativos”, só acho em inglês. E coisas nos EUA. Eu realmente não consigo encontrar (com a facilidade esperada) informação fidedigna vinda de terras tupiniquins.

A exceção foi marcenaria, que realmente dispõe de informação muito boa em português. Mas de resto, é lixo em demasia. Tem que garimpar muito para achar algo que preste. Oásis no deserto intelectual de mediocridade e/ou vulgaridade chamado Brasil… A quantidade de gente que resolve colocar um inútil vídeo que se resume a “Fala, galera! Beleza?” é enorme. Alcunhar a produção de conteúdo intelectual ou informativo como deficitária é elogio. O nível de analfabetismo funcional específico é assustador.

Por hora, estou aprendendo programação de computadores.  Daí descobri um sujeito que diz ensinar Python e chama ‘*’ de “Astrelisco”. Apenas um exemplo dentre os incontáveis que há na rede. Pessoas que nem ao menos dominam seu próprio idioma, querendo ensinar o que também não entendem.

Não espero que tais “programadores” chamem o símbolo “&” de eitza (pronúncia: “éitssa”), ou que reconheçam o “¬” como negação lógica. Já concluí que isso seria pedir demais. Mas, ao menos que entendam minimamente do que estão falando, ou estudem um pouco o assunto antes de se exporem como ignorantes perante o resto do mundo.

Quer aprender sobre ciência? O sujeito tenta “lacrar” (verbo da moda) falando de política.
Quer aprender como se trabalha com Arduino? Não tem.
Quer aprender como se trabalha com Rapsberry? Não tem.
Quer aprender a personalizar seu teclado mecânico? Não tem.
Quer aprender algo de alguma comunidade legal? Não tem.
Quer aprender mais sobre artes clássicas (pintura, escultura, música)? Não tem.
Quer aprender mais sobre caravanas e rulotes? Muito pouco.
Quer aprender mais sobre esportes que não sejam futebol? Praticamente não tem.
Levantamento de peso? Nem pensar!
Levantamento básico? O que é isso?!

Quer aprender mais sobre qualquer coisa? Procure em inglês.

Antes de criticar-me: é claro que há conteúdo. E há fontes realmente muito boas, saliento. Minha queixa é ao fato de esse conteúdo ser muito escasso e/ou pouco aprofundado se comparado ao conteúdo em inglês. Em português, a didática também peca em vários pontos. Cogito isso ser reflexo da inópia de nosso sistema educacional…

A falta de cultura deste país me enoja. E ainda pior é a invisível barreira quase metafísica para obter os recursos, caso eu queira experimentar algum desses “inusitados” projetos. Entenda isso como entraves ou empecilhos para descobrir uma nova afecção (ou se preferir o termo em inglês: hobby). Simplesmente “não tem no Brasil”. E “se tiver no Brasil, só em São Paulo”. E “se tiver no Rio de Janeiro, só nos confins da cidade”.

Meu breve contato com o Levantamento de Peso findou infrutuoso em parte por causa disso. Encontrei um treinador que estava disposto a me treinar gratuitamente, mas não segui no esporte pela distância física até os centros de treinamento.

Não sendo isso bastante, se você se interessar por qualquer coisa que não faça parte da vidinha comum, da mesmice em que a sociedade chafurda e em que o homem comum se contenta, além de ter de aprender a lidar com os olhares de menoscabo / curiosidade / desdém / repúdio (caso dê valor à opinião alheia) e com a ignorância coletiva previamente mencionada, também terá de lidar com a imperante escassez de acesso a recursos e o exorbitante preço das ferramentas/materiais.

Uma ou outra marca por aqui ou acolá comparado com dúzias de dúzias de marcas variadas no exterior. Preços surrealmente aleatórios, completamente desvinculados do valor de uso das mercadorias, capazes de enrubescer o mais avarento dos atravessadores. Isso se tem e quando tem. Na maior parte das vezes, terás de aprender como funciona o maravilhoso processo de importação e fiscalização alfandegária.

Conheci uma empresa americana que exporta para o mundo todo. Menos para o Brasil. Alegam que o mercado consumidor daqui é prejudicial aos negócios de lá. As taxas são abusivas e para eles não vale a pena comercializar. Eles até fazem, mas você, caro brazuca, precisa aceitar termos especiais.

Informações, produtos e serviços. Parece que nada que procuro tem fácil acesso!

Normal indagar a partir de minha personalíssima dificuldade em lidar com a sociedade a que involuntariamente pertenço se o problema estaria em mim… Por minha vida até o presente momento já fui surpreendido por questões vindas doutrem que demonstram minha estranheza a seus olhos. Já me perguntaram se eu era testemunha de jeová, rabino, japonês, autista e tantas outras coisas que nem lembro!

No que pergunto: será que sou tão diferente assim? Será que o problema sou eu? Por várias vezes, em relação a outros temas, cheguei à mesma conclusão e, em ato por sinal satisfatoriamente benéfico à minha saúde, mudei de hábitos. Porém, neste caso é diferente. O problema não está em mim. Está na anestesia coletiva que enfrento diariamente. Que seja: mesmo com todas as dificuldades, não deixarei de lado as coisas de que gosto para adequar-me à deplorável exigüidade dos demais.

A máfia da Academia 2 – Relações de poder no mundo acadêmico.

Finalmente, após tanto tempo garimpando, consegui reencontrar o vídeo do professor Clóvis de Barros Filho que segue nesta postagem.
Este é um excerto de 20 minutos extraídos do vídeo original “O começo das relações políticas”, aula com mais de 2h30min.
Eu perdi a conta de quantas e quantas vezes eu coloquei este vídeo em meu site. Ocorre que TODAS as vezes o vídeo é removido das plataformas de compartilhamento. Youtube, Dailymotion, Vimeo, até o extinto Videolog. Eu não sei qual o motivo por que este vídeo especificamente foi removido de tantos canais, enquanto que os demais vídeos do mesmo curso são amplamente divulgados. Então resolvi eu mesmo enviar uma cópia em meu canal particular e ver o que acontece.

Em tempo, repetindo-me: não sou fã do autor, não concordo com muitas de suas propostas. Mas o conteúdo (teor) deste excerto reflete a quarta parte do motivo pelo qual optei por não seguir pelo mundo acadêmico.

A primeira questão é a imposta falta de liberdade de escrita;
A segunda questão é minha defesa de um direcionamento mais amplo da produção acadêmica (funcionalidade, curiosidade, afetividade) em lugar da produção para cumprir requisitos burocráticos;
A terceira questão é o melindre dos brios dos membros da academia;
A quarta questão é exatamente a relação de poder que o vídeo explica com clareza.

Em resposta a: “O homem mediano assume o poder”

Novamente inspirado pelo amigo Veber, que sugeriu a leitura do texto de Eliane Brum¹, tive a oportunidade de ler algo oriundo de uma visão diametralmente oposta à minha. É sempre bom ler algo que o seu oposto escreve, isso te força a reanalisar suas próprias defesas e posturas. Independentemente de mudá-las ou reafirmá-las, rever sempre o que se pensa é uma forma de permanentemente autoavaliar-se e tomar consciência se estamos ou não seguindo no caminho ”correto”.

Ainda que eu tenha discordado do texto em quase tudo, ele foi ”legível” até o momento nos últimos parágrafos quando a autora recorre ao ataque à personalidade.

Em Filosofia, temos que esse ataque sempre ocorre quando o oponente do debate já não pode mais contra-argumentar e tem como último recurso o ataque direto ao interlocutor/opositor, numa forma inversa ao recurso da autoridade. Isto é, inverso ao modo em que se procura atribuir peso a argumentos referenciando como defensor especialista renomado, tenta-se desvalorizar o outro como se isso invalidasse determinada proposta ou defesa dele.

O ataque à personalidade parte do pressuposto de que a Verdade depende de quem fala, o que é um erro. Ao fazê-lo, o autor sai do campo dos argumentos e envereda irretratavelmente no campo da opinião. Haja vista que não há opiniões certas ou erradas, a contra-fala sai do campo do debate e entra no da discussão. Considero que expor a opinião é sempre válido, mas saliento o preço do Argumentum ad hominem (que vez ou outra também pago – cientemente).

O principal problema que vejo é na mescla de argumentos e opiniões. O texto começa argumentativo (tendencioso, mas ainda assim argumentativo) e paulatinamente o entretecido alinhamento ideológico da assim chamada ”esquerda” (típico do do El País) vai se sobrepondo até que a autora, parece-me, não se contém mais e reduz seu rebuscado (e bem escrito) trabalho a reles ofensas. Ironicamente arroga-se a mesma ”pecha” de ”criança mimada” a que alcunhou o ”coiso” e seus familiares. Ela praticamente usa todos os níveis de diálogo da pirâmide de Graham num só texto!

Pirâmide de Graham - Fonte: wikicommons
A Pirâmide de Graham é uma forma de analisar os argumentos e falas de um oponente no debate. Quanto mais próximo da base, menos valor construtivo o enunciado possui. – Fonte da imagem: wikicommons

No que Veber me responde:

“Quanto ao Ad Hominem, vá lá, é difícil não atacar o autor quando seus argumentos se misturam na sua pessoa. Não li NADA na imprensa, de esquerda ou direita, que se ativesse apenas ao conteúdo.”

Touché! E talvez tenha sido exatamente isso que o beneficiou tanto. Já dizia a vovó: não discuta com pessoas de baixo calão, pois elas têm mais experiência em fazer barraco e vão vencer você no grito. Bolsonaro foi eleito exatamente por meio do discurso ad hominem, voltado contra a ”esquerda”. ”Eles contra nós”, pois ”tudo o que vem da esquerda não presta”. Marina Silva, num dos debates, já afirmava isso, que ele queria ganhar no grito. E tal entidade da floresta não contava que ele iria ganhar mesmo, pois ele manifestou em si o grito que estava entalado na garganta de (em tese) 58 milhões de cidadãos que não querem mais a ”esquerda” e o que ela passou a representar. (Ad hominem funcionando ad partidum esquerdopatum).

“O Olavo de Carvalho vive fazendo isso em um nível muito mais Hardcore e é considerado guru…”

Ora, porra: não é à toa que é guru de Bolsonaro. Falam o mesmo dialeto, têm a mesma etiqueta, elegância e eloqüência. Quase um Chiquinho Scarpa…

Quando faço meus textos, eu procuro diferenciar o que é argumento do que é opinião. Basta ler a série ”Brasil – Pátria achacadora” para ver que minha capacidade de ofender os outros é quase ilimitada. E que os textos são puramente opinativos, despidos de argumentos ou da defesa de algo. Já o texto ”A Falácia da Educação” é bastante argumentativo, e minha opinião fica apenas nas entrelinhas da posição que defendo.

Interessante ela considerar que a expressão ”feminista mal comida” ”se tornou comentário inaceitável de um neandertal”, mas é aceitável que o presidente e seus ”principezinhos” sejam ”crianças mimadas”, homens medíocres esperando aprovação das excelências ”adultas”. Significa que precisamos apenas dosar os adjetivos de nossos antagonistas para nos mantermos politicamente corretos… Ao menos, até um próximo medíocre decreto.

(texto escrito às 3h da manhã – não me cobre muito) Texto revisado, ampliado e final (ver. 05/01/2019)


Crítica propriamente:

PARTE 1  – ARGUMENTOS TENDENCIOSOS

Desde 1 de janeiro de 2019, o Brasil tem como presidente um personagem que jamais havia ocupado o poder pelo voto. Jair Bolsonaro é o homem que nem pertence às elites nem fez nada de excepcional.

Ele ocupou o poder por 27 anos na Câmara Legislativa. Sabe, a ”casa do povo” é onde o verdadeiro poder (em teoria) deveria se encontrar num regime assim declarado ”democrático”. Correção: ele não ocupou o poder Executivo antes, tal como Dilma e Lula. Mas parece que para estes não foi cobrada pela imprensa experiência prévia.

Esse homem mediano representa uma ampla camada de brasileiros. É necessário aceitar o desafio de entender o que ele faz ali. E com que segmentos da sociedade brasileira se aliou para desenhar um Governo que une forças distintas que vão disputar a hegemonia.

Num regime autodeclaradamente democrático, não se disputa ”hegemonia”. Faz-se valer o que foi decidido em eleição. A hegemonia sempre é do povo. Quem quis usurpar dessa hegemonia foi o governo anterior.

[…] a configuração encarnada por Bolsonaro é inédita. […] Mesmo que seja uma difícil de engolir para a maioria dos brasileiros que não votou nele […] O “coiso” está no poder. O que significa?

Que o Lula VAI CONTINUAR PRESO. E que vocês perderam. E feio. (não resisti – huehue)

Ela então escreve longos parágrafos elogiando Lula.

O Lula que conquistou o poder pelo voto era excepcional. […]. Um líder brilhante, que comandou as greves do ABC Paulista […] e se tornou a figura central do novo Partido dos Trabalhadores […] Lula era o melhor entre os seus, o melhor entre aqueles que os brancos do Sul discriminavam com a pecha de “cabeça chata”. […]

Mas comete erro falho ao afirmar que:

”Não se escolhe um qualquer para comandar o país, mas aquele ou aquela em que se enxergam qualidades que o tornam capaz de realizar a esperança da maioria.”

Ora, é exatamente isso o que aconteceu! A única diferença é que pela primeira vez em quase 30 anos o escolhido não foi aquele que a ”esquerda” apontou. E haja vista que a esmagadora maioria da imprensa tradicional é cooptada pelos ideais da ”esquerda”, encontramos textos como este que ora critico.

Daí ela fala de Marina Silva, como se sofrimento de vida fosse automaticamente convertido em algo louvável. Acredito que Marina só entrou no texto para fazer cota para mulheres.

Jair Bolsonaro, filho de um dentista prático do interior paulista, oriundo de uma família que poderia ser definida como de classe média baixa, não é representante apenas de um estrato social. Ele representa mais uma visão de mundo. Não há nada de excepcional nele. Cada um de nós conheceu vários Jair Bolsonaro na vida. Ou tem um Jair Bolsonaro na família.

Observe aqui a contraposição que ela fez: Lula excepcional (em vários parágrafos), Jair comunzinho (em nota). Logo após ela afirma que exatamente essa diferença fez com que Bolsonaro vencesse, pois

[…] quase 58 milhões de brasileiros escolheram um homem parecido com seu tio ou primo. Ou consigo mesmos. [guarde isso, comentarei depois, quase ao final]

O que considerei interessante nesse argumento foi o caminho que a autora percorreu para fundamentá-lo: elogiando Lula (o adjetivo ”excepcional” intencionou dupla interpretação – ”que é brilhante” X ”que foge ao padrão”); citando Bolsonaro; equivalendo ambos como fenômenos eleitorais; mas enfim desmerecendo a origem do segundo, porque não teve um início paupérrimo. Isto é bastante arraigado no imaginário popular brasileiro: para fazer sucesso, você tem que sofrer bastante, senão não tem valor. Esse pensamento absurdo e infundado é estimulado até na teledramaturgia.

PARTE 2 – OS MESMOS JÁ BATIDOS ATAQUES DA IMPRENSA A BOLSONARO E SEUS ELEITORES

Neste ponto o texto pára a construção argumentativa e parte para os já batidos ataques a Bolsonaro que saturaram as mídias nos últimos 6 meses…

Essa disposição dos eleitores foi bastante explorada pela bem sucedida campanha eleitoral de Bolsonaro, que apostou na vida “comum”, falseando o cotidiano prosaico, […]

  • Argumento que insiste que a vida comum de Bolsonaro foi jogada eleitoral, devidamente orquestrada para fazer-lhe parecer um homem comum.
  • Contra-argumento: o sujeito é genuinamente e visivelmente um cavalo (que a Michelle conseguiu amansar). Não precisa fingir. Ele é aquilo mesmo.

Como militar, ele só se notabilizou por quebrar as regras ao dar uma entrevista para a revista Veja reclamando do valor dos soldos.

  • Argumento: Bolsonaro não se notabilizou ao público por sua vida militar.
  • Contra-argumento: A idéia é essa. Militares não devem se notabilizar ao público fora da caserna. Eles fazem parte de um corpo que atua em conjunto, representam uma corporação (daí o nome). Entregam a vida (literalmente) à pátria. Quem quiser fazer próprio nome que siga a vida civil.

Como parlamentar por quase três décadas, conseguiu aprovar apenas dois projetos de lei.

  • Argumento: a produção de um deputado se mede pela quantidade de leis aprovadas.
  • Contra-argumento: isso demonstra total desconhecimento do que é uma câmara legislativa e do que se faz lá dentro. Se 513 deputados aprovassem duas leis por ano, seriam 1026 leis novas a cada ano. As principais discussões são sobre orçamentos e mudanças de leis que já existem.

Era mais conhecido como personagem burlesco e criador de caso.

  • Qualquer um que enfrente o status quo é assim chamado.

Quando Tiririca foi eleito, […]

  • Tiririca foi eleito como voto de protesto. Assim como o Macaco Tião ou o Rinoceronte Cacareco. Bolsonaro foi eleito pelo repúdio ao status quo. São dois eventos distintos.

Bolsonaro não. O grande achado foi se eleger deputado e conseguir continuar se elegendo deputado. Em seguida, colocar todos os filhos no caminho dessa profissão altamente rentável e com muitos privilégios.

1 – Bolsonaro não se elegeu. Ele foi eleito. Uma pessoa não se elege, ela é posta lá pelos outros. Isso não foi um erro de expressão da autora. A sintaxe utilizada torna completamente diferente o que é dito e teve fundamento. Observemos: a autora já defendeu previamente no mesmo texto Lula. Argumentos ad personam foram exaustivamente citados. Na entrelinha, identificamos o culto à personalidade, marca indelével e talvez onipresente em todas as experiências com regimes socialistas. ”Lula se elegeu”, ou seja, ele, por sua grandeza, pôs-se à frente do povo. O voto é mero detalhe no processo.

Essa retirada do valor do voto e de quem vota é interessante para regimes autoritários. Vejamos os exemplos dos contínuos plebiscitos na Venezuela. E até mesmo o plebiscito sobre armas no Brasil. O voto do povo só tem valor quando alinhado com os interesses do governante naquele tipo de regime. Fazem-se então tantos plebiscitos quantos necessários até se obter a resposta desejada. E se for indesejada, friamente ignora-se a vontade popular. Daí o discurso ”de esquerda” de que fulano ”se elegeu”. O uso da palavra nesta estrutura é exemplo dos conceitos arraigados na mentalidade da defesa de idéias socialistas.

2 – ”Privilégios”. Palavra central e entretecida em muitos argumentos da autora, os quais não discriminei individualmente. Esse velho discurso batido de ”grupo privilegiado na sociedade”, em que estereótipos de todo tipo qualificam miríades de classes privilegiadas ou oprimidas, tem como base teórica o marxismo e sua divisão da sociedade em classes. Confesso que todas as vezes em que sou rotulado como privilegiado sinto-me irritado. Mas isso é tema para outro texto.

Quando disputou a presidência da Câmara, em 2017, só obteve quatro votos dos mais de 500 possíveis.

  • Pela enésima vez: Bolsonaro disputou a presidência da câmara apenas com o intuito de poder usar a tribuna. Há regras para se usar a tribuna e naquele contexto ele somente poderia discursar caso fosse candidato. Ele usou esse tempo para discursar contra a candidatura de outro congressista. Não teve intenção de se eleger. Nem seu filho votou nele.

As redes sociais permitiram “desrecalcar” os recalcados, fenômeno que tanto beneficiou Bolsonaro.

Ou seja, todos aqueles que não concordam com as mudanças deletérias impostas pelos regimes de ”esquerda”, em especial com as ideologias subjacentes a ações afirmativas, são os ”recalcados”, ”reacionários” etc. etc. Nos (vários) parágrafos seguintes, a autora segue o que já havia sido anunciado nas redes ”de direita”.

”A tática da esquerda no segundo turno será atacar não Bolsonaro, mas os eleitores dele, fazendo-os passar por autoritários, intolerantes e radicais violentos.”

Arthur do Val 9 de out de 2018

Resumindo de forma bem resumida o resumo: ”Nós da esquerda sabemos o que é o melhor para vocês. Se vocês não concordam estão errados e não querem perder seus privilégios numa sociedade tirânica burguesa judaico-cristã patriarcal heteronormativa”.

Aqui começa uma ”sub-seção” do texto, na qual vários parágrafos são dedicados a apontar os supostos privilégios sociais e a suposta importância das ações sociais dos últimos tempos.

[milhões de mimimis depois…] É esse brasileiro “acorrentado” que votou para retomar seus privilégios, incluindo o de ofender as minorias, como seu representante fez durante toda a carreira política e também na campanha eleitoral. Para muitos, o privilégio de voltar a ter assunto na mesa de bar – ou o de não ser reprimido pela sobrinha empoderada e feminista no almoço de domingo.

E isso é pedir muito?

[ainda mais mimimis…] Os direitos de gênero, classe e raça estão conectados.

Quem divide o povo em sexo, classe e raça é a ”esquerda”. A ”direita” só se importa com os direitos do indivíduo, não de um grupo (”a coletividade”). Por que determinado grupo deveria ter mais direitos que outros? Não somos todos iguais perante a lei? Há desigualdades sim, mas isso se resolve criando ainda mais desigualdades?

O reconhecimento destes direitos […] teve grande impacto no resultado eleitoral e também no antipetismo. O ódio dos bolsonaristas se expressa não na ação, mas na reação […] sentem ser legítimo lançar as piores e mais violentas palavras contra o outro. Acreditavam – e ainda acreditam – estar apenas se defendendo, o que na sua visão de mundo justificaria qualquer violência. Também por isso o outro é inimigo – e não opositor.

[aqui retomo o que guardamos antes] Novamente o ataque aos eleitores. Mas nisto encontro uma contradição no texto. Ora, o eleitor bolsonarista é o homem comum, ”do povão”, e o mesmo é cheio de ódio, recalcado por ter perdido privilégios do homem branco heterossexual burguês de elite? Ela segue por vários parágrafos se aprofundando ainda mais essa contradição. Como pode a maioria da população (representada pelos eleitores bolsonaristas) ser privilegiada? Se assim for, então não são privilégios: é a própria natureza de nosso ordenamento social.

Bolsonaro torna-se então aquele que “não tem medo de dizer o que pensa” ou “aquele que diz a verdade”. Bolsonaro se torna herói porque enfrenta o “politicamente correto” e liberta os sentimentos reprimidos de seus iguais.

Ah…! Isto desopila o fígado: a autora usando o termo ”reprimido”! Ao aceitar que o que ocorreu nos últimos anos é percebido pela maioria da população como repressão, uma repressão imposta por um governo de minoria de ”esquerda” sobre uma maioria de ”direita”, a autora cai na contradição do palavrório decorado ostensivamente proferido pelos militantes socialistas: que foram/são reprimidos pelos regimes com os quais não concordam! Parece-me que para ela quando a repressão é contra a minoria, deve ser combatida, mas quando é contra a maioria é um movimento libertário social…

Como sentiam-se oprimidos por conceitos que não compreendiam, os bolsonaristas descobriram que poderiam dar às palavras o significado que lhes conviesse porque o grupo os respaldaria. E, graças às redes sociais, o grupo os respalda. O significado das palavras é dado pelo número de “curtir” nas redes sociais. Esvaziadas de conteúdo, história e consenso, esvaziadas até mesmo das contradições e das disputas, as palavras se tornaram gritos, força bruta.

Trocando uma palavra fica.

”Como se sentiam oprimidos por conceitos que não compreendiam, os esquerdistas descobriram que poderiam dar às palavras o significado que lhes conviesse porque o grupo os respaldaria. E, graças às redes sociais, o grupo os respalda. O significado das palavras é dado pelo número de “curtir” nas redes sociais. Esvaziadas de conteúdo, história e consenso, esvaziadas até mesmo das contradições e das disputas, as palavras se tornaram gritos, força bruta.”

É sempre mais fácil ver nos outros as próprias falhas do que em si mesmo.

PARTE 3 – ARGUMENTOS AD HOMINEM

A partir daqui, os demais parágrafos se limitam a argumentos ad hominem e sobre isso já escrevi acima…

 


Texto comentado: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/02/opinion/1546450311_448043.html

Por que eu pus ”direita” e ”esquerda” sempre entre aspas?: https://www.youtube.com/watch?v=5xekqWxzHbc

 

Pequenos comentários acerca da faculdade e de Olavo de Carvalho

Publiquei alguns textos em meu site falando sobre a situação depreciável em que se encontra o ensino de pedagogia (e de um modo geral todas as cadeiras universitárias). As universidades se tornaram fábricas de militantes. Não se aprende quase nada.

Na verdade a gente aprende que ”não devemos permitir que a faculdade atrapalhe o curso”. O 9º andar da UERJ (onde estudei) é um antro de maconheiros, rola putaria e degeneração, até terreiro de macumba tem (uma sala tomada para isso). Os professores (metade, sejamos justos, trabalha muito bem) se preocupam mais com seus brios do que com as aulas.

Recordo-me de quando abertamente dizia que era de direita, capitalista neoliberal e apoiava o regime militar. Para o pessoal dos cursos locais (filosofia, sociologia, assistência social, maconhologia e puteirismo) eu era tipo um monstro. E meu humor acidamente afro-descendente*, associado ao gosto por Charles Bronson também não ajudaram…Ir estudar com a roupa do trabalho (terno e gravata) contribuiu para eu ser um estranho no ninho.

Já à época, sempre me perguntavam o que eu achava de Olavo de Carvalho. E eu sempre respondia a verdade: nunca me interessei pelo pensamento de autores específicos, sempre das correntes que eles seguem. Sempre considerei que essa ”estima” exacerbada, praticamente culto aos autores clássicos ou contemporâneos é um empecilho ao desenvolvimento de um pensamento livre.

Considero que essa necessidade de afirmação pelo argumento da autoridade é boba. O que Sócrates, Platão e Aristóteles têm de tão especial assim? Não são pessoas como nós? Nós também não somos capazes de pensar e questionar por nós mesmos? Na faculdade (e muitos egressos dela) tomam determinados autores como verdadeiros gurus, estudam e reestudam o trabalho do sujeito como se fosse um livro sagrado.

De meu ponto de vista isso é reflexo da adequação das ciências humanas ao sistema de pesquisa das ciências exatas. A produção acadêmica assim o exige. Não se tem liberdade para escrever o que quiser, você é obrigado a escrever o que eles querem ler. Assim, seu trabalho tem mais citações do que seu próprio pensamento. E o que deveria ser apenas uma formalidade acadêmica torna-se o padrão de pensamento: o sujeito precisa citar outrem, senão o que diz não tem validade…

Com o propósito de criticar abertamente essa limitação auto-imposta por meus pares, sempre ofendi abertamente os patronos da filosofia: ”Kant introduziu a maconha na Alemanha.”, ”Platão já usava LSD.”, ”Hegel é o cracudo da filosofia…”. Essa tentativa deliberada de mostrar aos meus companheiros de estrada que autores clássicos são apenas pessoas como nós que tiveram a oportunidade de ter seus pensamentos e seus trabalhos entalhados na História resultou infrutífera. Ninguém me entendeu.

E fiquei com a fama de boca-suja…. |:^/

Voltando ao tema: se me perguntam de Olavo de Carvalho, respondo a verdade: nunca estudei seu trabalho a fundo. Não me debrucei noites inteiras de insônia e obsessão, introjetando em minha alma as gotas de sabedoria do mestre dos mestres, ó guru do pensamento liberal brasileiro contemporâneo… Mas se quiserem falar sobre as vantagens do Liberalismo em detrimento do Socialismo, bem como dos defeitos do primeiro e as qualidades do segundo, aí temos campo aberto para muita coisa boa conversar.

*Se disser que é humor negro, posso ser processado nestas terras e tempos de mimimi…

Paulo Freire, o patrono do fracasso educacional brasileiro

Paulo Freire, o patrono do fracasso educacional brasileiro
Rogério Marinho 04/11/2017

Infelizmente, segundo numerosas pesquisas nacionais e internacionais, o sistema de ensino brasileiro é um dos mais ineficientes do planeta. Crianças e adolescentes sabem muito pouco do que deveriam saber: dominam precariamente a língua portuguesa e não possuem habilidades básicas em matemática. A falta de aprendizado é o nosso maior obstáculo educacional. Tal precariedade é resistente e subsiste à revelia das questões fiscais e de investimento público. É um ensino ruim quando o dinheiro é farto ou escasso.

As raízes da precariedade do ensino brasileiro podem ser encontradas na formação de nossos professores. Há muito, cursos universitários, públicos e privados, foram invadidos pela demagogia política mais abjeta. De fato, o ensino pedagógico de nível superior furtou-se a ensinar aos jovens mestres técnicas de aulas, metodologias baseadas em evidências científicas e conhecimento de como as pessoas aprendem. Ademais, há professores que também não dominam os conteúdos de suas próprias disciplinas.

O estudante de pedagogia forma-se sem conhecer os elementos fundantes de sua futura profissão e muitos sequer desfrutam de estágios profissionais sérios e sistemáticos. No Brasil, abandonou-se a pedagogia em prol de discursos políticos e formação de militantes. O maior símbolo desse tipo de educação é o famoso, muito comentado e pouco lido, Paulo Freire.

O tema não é novo. Desde que estreou no cenário público e político, Paulo Freire causou polêmicas e motivou inúmeros intelectuais brasileiros a denunciar suas artimanhas revolucionárias. Em setembro de 1963, por exemplo, o jornal Estado de São Paulo endossou a análise demolidora de Dulce Salles Cunha Braga, na época vereadora em São Paulo, sobre o “método de alfabetização” do intelectual comunista: “esse método, em si, apresenta sérias lacunas, sendo passível de críticas fundamentais no que se refere à sua oportunidade e eficiência. O mais grave, porém é que segundo depoimentos de pessoas de ilibada idoneidade, o método em causa tem sido veículo de doutrinação marxista, sob pretexto de alfabetização.” A professora Dulce foi a primeira senadora paulista, vereadora por três vezes e deputada estadual também por três vezes.

A Pedagogia do Oprimido, livro mais famoso de Paulo Freire, é obra recheada de elogios a Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tsé-Tung, Lenin e às revoluções comunistas. Freire ignora o sangue de inocentes derramado por esses tiranos e assassinos, responsáveis por genocídios covardes e produz um panfleto socialista com quase nada de pedagogia. Seu objetivo, coberto por um manto de palavras confusas e desconexas, é estabelecer as bases de uma revolução socialista no Brasil por meio da subversão cultural de estudantes em prol do velho e refutado materialismo marxista.

Prega em seu livro sinuoso a revolta dos alunos diante da autoridade do professor e da família. O patrono da educação brasileira esforçasse-se, utilizando uma linguagem tosca e truncada, em demonizar a família e a autoridade paterna: “as relações pais-filhos, nos lares, refletem, de modo geral, as condições objetivo-culturais da totalidade de que participam. E, se estas são condições autoritárias, rígidas, dominadoras, penetram nos lares que incrementam o clima da opressão”. Tudo para ele é opressão, exploração e domínio.

De 1989 a 1991, Freire teve a oportunidade de pôr em prática suas ideias copiadas da tradição teórica marxista. Foi secretário de educação de São Paulo na gestão de Luiza Erundina. O legado do idolatrado militante foi a promoção automática dos estudantes. Freire considerava a autoridade do professor em avaliar os alunos como algo opressor. A libertação é promover estudantes mesmo que não tenham aprendido a contento o conteúdo programado. É a perpetuação da falta de qualidade do ensino.

Precisamos urgentemente promover uma profunda revisão na formação de nossos professores. Jamais poderemos superar nossas dificuldades sem introduzir no ensino superior pedagogias realmente científicas e calcadas em evidências empíricas. Não podemos continuar apenas com a politização canhota e que tanto mal faz ao ensino nacional. Precisamos de mais ciência e menos ideologia barata e mistificadora.


Fonte: http://www.ilisp.org/artigos/paulo-freire-o-patrono-do-fracasso-educacional-brasileiro/

Abate de criminosos: crime contra humanidade ou retaliação necessária?

A discussão do plano das idéias em contraposição com a realidade factual vem desde o ideologismo de Platão contra a materialidade de Aristóteles.

Uma coisa é o que discutimos filosoficamente. No campo das idéias, podemos falar de tudo, questionar tudo e interpretar livremente numa hermenêutica infinda acerca daquilo que seria o melhor ordenamento político ou a melhor linha de ação frente a um problema social. Outra coisa é o que é possível na realidade, quais ações são realmente factíveis e eficientes dentro do campo das ações em políticas públicas.

Indago, portanto: na realidade e no contexto em que vivemos, as outras opções efetivamente resolvem o problema? Nas últimas décadas desde Brizola, as outras opções têm sido utilizadas (diálogos, programas públicos, conscientização etc.) e não funcionaram. E enquanto não funcionam, dezenas, centenas, milhares de pessoas inocentes são penalizadas pela teimosia míope de continuar insistindo no que não está funcionando.  ”Porque é filosoficamente correto.” ”Porque é ético.” ”Porque é juridicamente legal.”

O que é belíssimo no campo das idéias nem sempre funciona na vida real.

É como a visão do Batman que se recusa a matar o Coringa. Batman, vigilante louco duma cidade em que a lei não funciona. Coringa, assassino imprevisível e irrecuperável. Mas Batman mantém-se convicto de que quer ”ajudar” o Coringa. De que ele tem salvação. De que pode ser recuperado. E a cada fuga, mais tragédias. Assim, ao não tomar uma solução eficiente, Batman torna-se o maior cúmplice do Coringa.

Filosoficamente a vida é santa em todas as suas formas, da concepção ao fim natural. Ninguém tem o direito de tirar a vida de outrem em hipótese alguma. Do aborto à pena de morte, toda supressão da vida doutrem é hedionda. Isso chama-se ”razão”. E numa guerra, a primeira coisa que morre é a razão.

Abater criminosos é um crime contra a humanidade? Que seja, então.

Na realidade em que estamos, é possível resolver de outra forma? Não agüentamos mais a vida em barbárie que já vivemos. Quanto tempo mais temos que esperar para que as outras ”soluções” comecem a surtir efeito? Quantas mães mais precisam chorar? Quanto mais medo precisamos ter? Até quando?

Por 22 anos morei na favela do Jacarezinho, uma das mais violentas e imundas favelas do Rio de Janeiro. Eu bem sei como é: eu vivenciei. E a insatisfação minha e da maioria das demais pessoas chegou ao ponto máximo. Não queremos mais condescendência. Os tempos de tolerância e de belos discursos só nos trouxeram tristeza, medo e dor. Já não falamos mais com a razão. Falamos agora com nossos corações partidos e ressentidos, magoados com tudo o que sofremos, clamando por uma solução não bela ou ética, mas que resolva.

Não queremos banho de sangue. Não queremos chacina. Não queremos o mal alheio. Não queremos mais mortes. Queremos apenas que ao menos os homens de bem possam lutar em iguais condições. Que os soldados dessa guerra saibam que ao menos podem revidar. E que os homens de bem possam continuar vivos. É simplório defender que os homens de bem não possam revidar, usando a força necessária para tanto, bem como as mesmas armas de nossos algozes.

Se a situação continuar, em breve nos tornaremos um narco-país. As facções criminosas, numa nova FARC (ou melhor, FARB).  A perspectiva absolutamente utilitarista afirma que é melhor o abate de 100 do que uma guerra civil.


 

Conversa entre o Demolidor e Justiceiro – DEMOLIDOR

Parte 1

Parte 2

 

Eleições presidenciais 2018

E assim, em 2018, tal como em 1964, por anseio popular e seguindo as leis vigentes, mais uma vez o povo brasileiro retira do alto comando do poder a ameaça socialista que outra vez pairava sobre a nação.

Bolsonaro ganhou, talkey!

https://web.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/videos/945681038957259

Bolsominion?

E eu nem ao menos vi esse tal filme de ”minions”…

Na realidade, não concordo com boa parte do que Bolsonaro defende. Meu voto nele tem como função tirar o PT do poder. Sou declaradamente contrário ao Marxismo e seus derivados, por todo o mal que essa ideologia já causou e pelo posicionamento filosófico detrimental¹ ao indivíduo, tal como expressei nesta minha página na internet.

De Bolsonaro, sou contrário ao livre mercado absoluto e independência do Banco Central, tal como ocorre nos EUA. Primeiro, porque nosso sistema bancário é diferente, temos uma casa da moeda diferente. Segundo, porque tal como Enéas Carneiro, defendo um Estado forte, técnico e intervencionista, no qual o Estado regula o mercado por meio de duas ferramentas: o controle da taxa de juros e a tributação.

Sou favorável à idéia de Enéas de instituir o sistema de 4 tributos (2 federais, 1 estadual e 1 municipal), o que é inviável num sistema de absoluto livre mercado, tal como defende Paulo Guedes².

Também sou contrário a unificar os Ministérios da Agricultura e Meio Ambiente (ação da qual ele já demonstrou que não implementará) e sou contrário a manter o Ministério da Agricultura não vinculado ao da Economia: a agricultura é um dos pilares iniciais da cadeia de produção, juntamente com a extração de minério³ e geração de energia. Tratá-lo separadamente dos dois seguintes não me parece boa idéia, pois você dá maior atenção a um setor que não produz tanta tecnologia de ponta. Observe: a agricultura gera divisas imediatamente (e está evitando que nosso país quebre), mas é na indústria secundária, terciária e quaternária que temos a produção de tecnologia de ponta, na qual as matérias-primas têm seu valor dezenas (centenas) de vezes incrementada. O ganho de capital que podemos ter na indústria é muito superior ao do consumo direto estimulado na agropecuária.

Quanto ao Andrade (huehue):

  • O sujeito é marmita de presidiário: termo pejorativo referindo-se ao fato de que ele apóia e pede conselhos a Lula, réu condenado em 2ª instância (sem direito a recurso reversivo) por corrupção comprovada em mais de 200 páginas de provas testemunhais, documentais e periciais. Mesmo sua campanha dizia que votar nele era votar em Lula.
  • Tem uma campanha camaleônica: mudou as cores da campanha, tirou a foto de Lula, mudou o lema, mudou o plano de governo 3 vezes (que eu saiba), demonstrando que está disposto a dizer e desdizer o que for para angariar votos.
  • Defende a Venezuela: país que hoje vive uma ditadura socialista na qual milhões de pessoas assoladas pela fome fogem para países vizinhos.
  • Tem 32 processos nas costas: sendo réu em 2, motivo suficiente para sofrer o processo de impedimento (impeachment) logo no primeiro semestre de seu possível mandato.
  • Mente descaradamente: disparando uma série de notícias falsas contra o outro candidato.
  • E faz parte da maior organização criminosa instalada num governo já noticiada na história mundial.

Votar no Andrade significa manter no poder o PT, que está sendo investigado. Ora, como votar em alguém que, em ganhando, irá se auto-investigar-se investigando-se a si mesmo? Em um homem que anseia por foro privilegiado e já disse que quer conceder indulto a Lula, réu condenado? Como manter no poder o mesmo grupo que está envolvido nos maiores escândalos de corrupção já vistos? Que indicou para os cargos máximos do judiciário pessoas de caráter duvidoso?

Importante ressaltar que não sou defensor de Bolsonaro. Se fizer besteira, tem que pagar. ”Não tenho bandido de estimação.” A fé cega que os fanáticos têm em Lula&Cia não se aplica a mim (e à parte considerável dos eleitores da assim chamada ”direita”). Creio que cabe ao povo a vigilância perpétua sobre seus governantes.

Eu até posso me decepcionar com o Bolsonaro, mas votar no representante de um grupo criminoso representa desconhecer a realidade em que o país vive, ou manifestar em si mesmo o resultado da alienação cultural que esse grupo promoveu nos últimos 30 anos.


1 – Neologismo. Achei que soa bem.

2 – Sem o controle centralizado da taxa de juros para o tipo de crédito, qualquer tributação torna-se mais complexa. Como estipular a alíquota de único imposto para cada Estado da federação, sem controlar a qual taxa de juros os créditos serão oferecidos?

3 – Incluso petróleo. Gás é energia.

 

Em resposta a ”Eleições: diálogo entre um professor e um estudante de Direito”

Atualizado em 15-09-2019

”A tática da esquerda no segundo turno será atacar não Bolsonaro, mas os eleitores dele, fazendo-os passar por autoritários, intolerantes e radicais violentos.”

Arthur do Val 9 de out de 2018 ¹

Disso posto, vi uma postagem no Facebook que sagazmente me convidou indiretamente a ler um texto dissociado de minhas convicções e conceitos prévios…

Dos meus amigos, eleitores do Bolsonaro, ninguém vai ler.

Argumentum ad hominem, portanto falso.

Li e resolvi postar minha crítica, ponto a ponto, do texto em questão. Faz-se necessário ler o texto em escopo antes. Enumeremos destaques:

1º”mulheres de direita são mais bonitas e higiênicas”

A assim chamada ”esquerda” reclamar da objetificação da mulher é falsídia. Feministas, que autocraticamente se autodeclararam representantes da mulher, protestam nuas, demonstrando que a única coisa que podem oferecer para chamar atenção são seus corpos, em lugar de suas palavras. Defendem aborto como se a vida humana fosse uma coisa, um objeto o qual pode ser descartado, incluindo as meninas no ventre materno. Urram contra uma cultura de estupro que não existe e ladram contra quem quer lhes dar armas para se defender em posição de igualdade de forças ou castrar seus algozes.

Podem não ser vadias incomíveis, mas são hipócritas comunistas (como Manuela D’Ávila).

2º ”minha empregada já não mais vai levar 13º”

a) Bolsonaro foi contra a CLT para domésticas porque acreditava que incluir tal lei naquele momento ocasionaria demissões e dificultaria a criação de novos postos de trabalho. O resultado não foi outro: 70% das domésticas são diaristas, conforme dados oficiais.

Desde outubro de 2015, quando passou a ser obrigatório o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), as domésticas sem carteira assinada passaram de 4,2 milhões para 4,4 milhões, segundo dados do IBGE.²

b) Mourão pode reclamar do que quiser. O artigo 5º inciso IV e o artigo 220 da nossa constituição são garantida da liberdade de expressão. O sujeito pode reclamar que a bandeira é verde, que há direitos de mais, que há direitos de menos, com a mesma liberdade que a gente reclama que o governo é uma bagunça. Concordar ou não é outra história. Muito menos estar certo. Agora, quem quer controlar a mídia e o que se fala é o outro lado…

c) Esclarecendo:

O 13º é garantido em cláusulas pétreas e não pode ser retirado.
O 13º não é benefício. É pagamento de mês devidamente trabalhado, calculando a diferença de dias no mês. O pagamento nos EUA é por semana trabalhada, por isso, lá não existe 13º.

3º ”esse país já tem direito trabalhista demais.”

Não só trabalhista, mas também do consumidor, tributário, civil. O emaranhado de leis dificulta em muito a abertura de novos negócios. As pessoas se esquecem de que o governo não gera empregos. Ou realmente não conseguem entender isso… O governo tão somente estabelece um ambiente de negócios. Se o ambiente é propício, os investimentos vêm. Se é inviável, os investimentos vão. E com os investimentos, seguem os empregos.

Quem gera emprego é o empresário, que investe e cria novos postos de trabalho. Se os empresários não investem, não há novos empregos. Se para cada empregado, você paga o custo de 3; se para cada produto, você tem 50 regulações; se para cada venda, você tem dúzias de impostos; se para cada ato, você tem 10 papéis, você abre seu negócio em outro lugar.

Lamento, amigo Veber, os únicos que se beneficiam com burocracia são os advogados.

4º ”Respeito é bonito. E vai tirar esse boné de fanqueiro.”

Respeito ao professor é das mais básicas atitudes esperadas por parte de um aluno. Todo mundo se emocionou no filme ”Meu mestre, minha vida”. O professor transformou aqueles jovens dançando hip-hop? Não: foi incutindo neles respeito à autoridade constituída e disciplina dentro e fora de sala.

5º ”férias também é coisa de vagabundo. No campo principalmente.”

A proposta de Bolsonaro de flexibilizar as férias e descansos do trabalhador rural se dá pela realidade diferente do trabalho no campo, em muito vinculada à necessidade de colheita. A natureza não espera ninguém. Tem época certa, tem período certo, e depende da planta, não do patrão. Se os trabalhadores da fazenda tirarem férias no período da safra, perde-se a mesma. Se o amadurecimento estiver previsto para o feriado, não dá para esperar a volta. Sol e chuva não conhecem sábado, domingo ou feriado.

6º ”que excludente de ilicitude pressupõe autorização prévia para policial matar à vontade.”

Não.
Excludente de ilicitude pressupõe autorização prévia para policial não morrer.
Excludente de ilicitude pressupõe autorização prévia para o cunhado da Ana Hickman não ser torturado psicologicamente pela ”Justiça” durante todo este tempo.
Excludente de ilicitude pressupõe autorização prévia para o VAGABUNDO ter medo. Não nós.

Basta ver o caso do PM de São Paulo que, com a arma na mão, NÃO disparou, muito provavelmente por medo de processo. Tomaram sua arma e o mataram com a mesma.³

7º ”E não tem nada de melhorar as condições dos presídios. Isso é que nem coração de mãe: sempre cabe mais”

”É só você não estuprar, não seqüestrar, não cometer latrocícino que tu não vai pra lá, porra.”

Jair Messias Bolsonaro, demonstrando toda sua elegância e eloqüência perante a imprensa. (4)

8º ”Se for filho de mãe solteira, já pode marcar: é desajustado. Se for meio pretinho-mulatinho então… o Mourão disse muitíssimo bem: o branqueamento da raça é importante.”

Assim corroboram Michael Jackson e seus filhos.
(não resisti, huehuehue)

9º ”Portanto, não podemos ter essa frescura toda. Na época da ditadura, era muito melhor. Aliás, meu jovem, os militares já erraram ao não matarem mais. O candidato disse: o erro deles foi só torturar e não matar!”

A primeira frase alude ao item 8. Há uma diferença, mesmo que sutil, entre honra e melindre. (ambos sob meu ponto de vista inúteis, pois derivam de orgulho descabido) Perdemos a alegria de contar uma piada, de nos exprimir livremente: tudo é politicamente incorreto. E se um dia eu usar o adjetivo maquiaveliano ”efeminado”, imediatamente será ouvido ”afeminado”. E sou processado.

Se Geisel tivesse mandado matar mais, não teríamos passado quase 20 anos sob o comando de ex-guerrilheiros e terroristas extorquindo em favor próprio o povo que os elegeu.

Sim, a frase acima é para ser pesada mesmo. Por quê? Porque, lamentavelmente, é verdadeira. E porque sou politicamente incorreto.

10º ”Você é esquerdopata!”

Neste ponto devo concordar com o texto. Tem muita gente que perdeu a noção por aí…
De ambos os lados.

11º”já não precisa estudar para a prova da OAB. Isso vai acabar.”

Ao menos você pára com essa história de que a faculdade é um lixo e tem que fazer cursinho para passar na prova para não continuar sendo office boy de luxo.

A OAB tem poder demais. Interfere demais. É politizada demais. É praticamente uma hierarquia feudal, com vassalos e suseranos. Sentem-se muito importantes. Lamento, amigo Veber, os únicos que se beneficiam com burocracia são os advogados.

12º”Urnas eletrônicas são fraude.”

No Japão até a latrina é eletrônica, mas o voto é em cédula. Desde a Grécia, quando se votava com conchinhas, os eleitores podiam auferir a contagem dos votos. Num país onde na Loteria Federal saem os números 50-51-56-57-58-59, e até agora não tem vídeo do concurso, não espere que eu acredite em urna eletrônica.

13º ”Poxa, eu sou mulatinho e pretendia entrar pelas cotas no serviço público.”

Se não tem capacidade para entrar pelo mérito próprio, pelo esforço próprio, que não entre.
Negar emprego a um homem pela cor de sua pele é imoral. Portanto, conceder-lhe emprego por isso também o é.
Cor de pele não é currículo, tampouco certificado de competência.

14º ”Portanto, o professor nada inventou.”

Mas nosso nobre hermeneuta, autor do texto criticado aqui, bem como o professor, assim o interpretaram.

Afinal:

Pois é. Em tempos em que se pode dizer qualquer coisa sobre qualquer coisa, onde x pode ser lido como y porque, bem, interpretar é um ato de vontade mesmo e não tem jeito… é isso que acontece. (5)

 


Fonte:

1 –

2 – https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,tres-anos-depois-de-lei-70-das-domesticas-estao-na-informalidade,70002444821

3 – https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/10/pm-e-baleado-com-a-propria-arma-apos-briga-de-transito-na-grande-sp-veja-video.shtml

4 –

Texto criticado:

5 – https://www.conjur.com.br/2018-out-11/senso-incomum-eleicoes-dialogo-entre-professor-estudante-direito

Não gosto de conversar sobre política.

Não gosto de conversar sobre política. Ânimos exaltados, vesículas biliares opiladas, opiniões confundidas com argumentos, argumentos confundidos com opiniões. As pessoas tratam política como partidas de futebol: uma festa na qual torcidas organizadas digladiam desorganizadamente, enquanto os (verdadeiros) donos da bola lucram, sem se importar com seus meros espectadores/eleitores.

Não gosto de conversar sobre política. As pessoas ou tratam o assunto com distanciamento, apoliticamente apolitizadas, como se o tema não lhes dissesse respeito, mesmo que as decisões daqueles a quem outorgamos o poder sejam diretamente responsáveis pelo lodaçal em que ora chafurdamos; ou tratam o assunto com o aprofundamento minucioso de doutos doutores com doutoramento em ciências políticas, cujo diploma foi adquirido lendo revistas, jornais ou mensagenzinhas engraçadas nas redes sociais. Este último exemplo, espécime cada vez mais freqüente em nossa população, defende com todas as forças posições, teses e ideologias que nem ao menos compreende, e o faz com ímpeto e veemência invejáveis pelos mais cascudos coronéis do interior.

Não gosto de conversar sobre política. Explicar ideologias, apresentar proposições, discriminar conceitos, externar opiniões é muito bom e saudável QUANDO seu interlocutor não te interrompe a cada 5 segundos com quatro pedras na mão (e algumas vezes forcados e tochas), apresentando-se como o senhor absoluto do senso comum e da verdade construída (por outrem); ou menospreza com menoscabo e desdoiro seu esforço pedagógico em levar um pouquinho de luz/conhecimento/idéias à sua mente petrificadamente alienada. Você fala, explica, desenha e o sujeito não te entende nem dá a mínima atenção…

Não gosto de conversar sobre política. Tema que pode desfazer casamentos, arruinar famílias, colocar pais contra filhos. Ou seja: trama de novela mexicana. Se ainda tivéssemos a Thalia como presidente do país, ao menos saberíamos mais ou menos o que aconteceria nos próximos capítulos: chororô no planalto. Mas quem chora é o povo mesmo. Nas tramas e tramóias do poder planáltico, são os tele*-espectadores/eleitores que lamentam o desenrolar da trama, muito mal escrita, possivelmente inspirada por um dos atuais teledramaturgos da Globo.

Não gosto de conversar sobre política. Mas é um tema que não dá para não falar. Ao menos não na época em que estamos. As próximas eleições definirão o caminho que este país tomará. Se continuaremos como meros espectadores, placidamente às margens do Ipiranga, vendo o comunismo enfiar cada vez mais fundo o Brasil no buraco sem fundo em que afundamos, ou se expulsamos essa corja que lá está.

Já sabendo que poderei perder algumas amizades (não tão amigas), que levantarei algumas sobrancelhas, que serei cobrado no devido tempo pelo posicionamento que ora tomo, opto por tornar pública minha orientação política, tema que sempre considerei como sendo privado. Não há mais hodiernamente lacuna para acomodar melindres alheios. Incomodarei? Dane-se! Quero dizer o que penso assim mesmo.

Declaro-me publicamente contrário ao marxismo em todas as suas formas: comunismo/socialismo/trotskismo/gramscismo e todos esses “ismos” hegelianos. Isso não me torna de ”direita”, haja vista que não aceito sobre mim desse tipo de rotulamento. As diferenças entre ”direita” e ”esquerda” já são obsoletas, incompatíveis com a natureza política atual pós-grandes guerras. (mais informações, vide vídeo abaixo)

Independentemente do que sou, prefiro concentrar-me no que não sou: marxista. Considero essa ideologia e suas derivadas um gravíssimo mal social, que ludibria os ignorantes na esperança de uma vida melhor como forma de exploração e controle.

Há apenas dois tipos de marxistas.

O primeiro é aquele que não entende o que realmente é o marxismo. Não o estudou a fundo. Não conhece a história. Vai pelo ”ouvir falar”. Este ignorante defende o que não entende porque realmente acredita, de coração, que esta é a melhor forma de ajudar a sociedade. É a massa-de-manobra: escravos que acreditam estar livres.

O segundo é aquele que entende de verdade o que é o marxismo. Conhece os textos, a história, os reais motivos por detrás da ideologia e suas conseqüências. Estes X**.

Não explicarei aqui o que é marxismo. Não explicarei o que defendo. Apenas externo minha opinião: não dá mais. Este país não agüenta mais tanta roubalheira, tanta corrupção, tanta cara-de-pau.

Sei que corro o risco de dar com a cara na parede, sei que posso estar fazendo algo incorreto, sei que também posso estar sendo enganado. CONTUDO faço aqui propaganda eleitoral aos candidatos em quem votarei este ano, abdicando de meu direito ao voto secreto.

Não votarei em Jair Messias Bolsonaro porque acredito que ele é o melhor candidato, o mais preparado, o salvador da pátria. Votarei nele e em seus apoiadores SOMENTE porque é o único que não está metido em corrupção. Ele aparenta ser honesto de facto. Tudo leva a crer que ele realmente não é corrupto. E somente por isso, meu voto é dele.

Peço aos senhores, que porventura lerem estas letras, também votem nele e, em sendo do Rio de Janeiro, nos candidatos abaixo. Esta é a única forma (não revolucionária) de termos alguma mudança do quadro que aí está.

Deputado Federal: 17 (legenda do presidente)
Deputado Estadual: 28 (legenda do governador)
1º Senador: 177 (Flávio Bolsonaro)
2º Semador: 281 (Mattos Nascimento do PRTB)
Governador: 28 (Bope – André Monteiro)
Presidente: 17 (J.M. Bolsonaro)


*- ”tele” é prefixo que designa ”aquilo que está longe”. Aqui me refiro tanto aos eleitores estarem longe abstratamente (no campo das idéias e ações), quanto fisicamente (Brasília fica no fim do mundo).
** – Não há liberdade de expressão no Brasil. Escrever PUBLICAMENTE o que realmente quero seria considerado crime. Não sendo tolo, calo-me. PRIVADAMENTE porém, sou livre para falar o que bem entender. Quem me conhece pessoalmente, sabe o que penso.