Elaborando planos de ensino – Parte 2

Fonte: http://www.almanaqueliterario.com/planejamento-de-ensino-curso-unidade-e-aula

adaptado


RESUMO

PLANEJAMENTO DE ENSINO: Plano de Curso / Plano de Unidade / Plano de Aula

Tecnologias e Técnicas de Ensino

Antes de um professor pensar em como dar uma boa aula, ele precisa ter clareza sobre suas idéias acerca da educação, do papel da escola, das relações que ela abriga, dos saberes que nela se entrechocam. Afinal, o método é um caminho para se chegar a um determinado lugar. Desse modo, não é possível pensar em metodologias de ensino desconsiderando os contextos onde são aplicadas e os fins a que servem. A escolha da metodologia de trabalho e das técnicas/estratégias a serem utilizadas é orientada pelos princípios da aprendizagem e deve considerar vários fatores. Atualmente, as técnicas de ensino são muito variadas.

A preparação da “aula”

Toda aula precisa ser planejada. Mesmo que situações inesperadas ponham por terra todo o nosso plano de trabalho, definir objetivos e prever as estratégias mais adequadas para alcançá-los nos permite ter mais chances de sucesso. Antes de começar a aula, é preciso separar os recursos e organizar os espaços que vão ser utilizados. Criar um ambiente propício de modo a mobilizar a atenção e o interesse dos alunos.

PLANO DE CURSO

Definição: É um instrumento de trabalho, amplo, genérico, que serve de marca de referência às operações de ensino-aprendizagem que se desencadearão durante o curso, derivadas dos fins a ser alcançados. É a previsão de um período letivo para as atividades de uma determinada disciplina. Ex: Didática

CARACTERIZAÇÃO DO PLANO DE CURSO

Descrição geral de todos os meios de ensino. Conteúdos, procedimentos, recursos que serão utilizados no desenvolvimento das operações educativas em função dos objetivos pretendidos; e flexibilidade – adaptado às necessidades dos alunos durante o progresso do curso.

CRITÉRIOS PARA ELABORAR UM PLANO DE CURSO:

Íntima relação com o Planejamento Curricular de modo a assegurar a coerência nas ações da escola.

OBJETIVOS NO PLANO DE CURSO

Para traçar objetivos, deve-se levar em conta as características da disciplina e as características dos alunos para garantir o alcance do objetivo geral.

Exemplos de comportamento esperado até o final do curso de “Didática”:

  • Compreensão do papel do professor;
  • Habilidade de analisar, relacionar, avaliar e sintetizar os dados obtidos nas leituras, nas exposições do professor e dos colegas de classe, nas discussões e debates;
  • Habilidade de comunicação oral e escrita;
  • Atitudes objetivas frente à situações de ensino-aprendizagem;
  • Habilidade nas fontes indicadas como complementação e enriquecimento das atividades de classe;
  • Atitude crítica diante de argumentos apresentados em textos, pelos colegas e professor;
  • Atitude de envolvimento nas atividades individuais e grupais;
  • Visão crítica sobre a docência.

PLANO DE UNIDADE

Definição: É um instrumento de trabalho mais pormenorizado que o Plano de Curso, e se desenvolve ao redor de um tema central ou assunto significativo para o aluno; reúne temas ou conteúdos listados no plano de curso.
Objetivo do Plano de Unidade: Garantir a aprendizagem dos conteúdos mais importantes de acordo com o Plano de Curso e interesse da clientela.

CARACTERIZAÇÃO DO PLANO DE UNIDADE/CRITÉRIOS PARA ELABORAR UM PLANO DE UNIDADE:

  • A escolha do tema ou assunto central;
  • Clientela;
  • Validade;
  • Tempo;
  • Flexibilidade;
  • Cooperação dos alunos (sugestões);
  • Coerência com o plano de curso; Utilidade.

ETAPAS / NA PRÁTICA

1ª Apresentação: As atividades são essencialmente introdutórias, de exploração, de orientação do que vai ser tratado ao longo do curso; despertar interesse e motivação; criar compromisso; criar um clima para aprendizagem; solicitar que os alunos escrevam o que sabem sobre determinado assunto e verificar as possíveis falhas que ficaram do ano anterior; falar dos conteúdos que poderão ser estudados e da importância de cada um; comunicar verbalmente os objetivos pretendidos e o desempenho esperado de cada aluno no final da unidade Ex: Planejamento.
2ª Desenvolvimento: São as atividades propriamente ditas para atender o objetivo (Ex: Didática/Planejamento)
3ª Integração: O aluno mostrará o que aprendeu. Como?

PLANO DE AULA

Definição: É um instrumento de trabalho que especifica os comportamentos esperados do aluno e os meios (conteúdos, procedimentos e recursos da aula); é mais restrito que o Plano de Unidade. OBS: A sala de aula é o lugar onde o professor desempenha o papel da mais alta relevância.
Caracterização do Plano de Aula /critérios:

  • Detalhamento;
  • Harmonia entre as partes (toque, cortada, saque);
  • Tempo, recursos disponíveis, flexibilidade, ordenação.

Objetivo do Plano de Aula: Garantir o alcance dos objetivos

ETAPAS / NA PRÁTICA

1ª Apresentação: Preparação da classe pelo professor para a realização da tarefa, chamando atenção do aluno para o valor e importância do conteúdo a ser estudado; Formular uma pergunta problematizadora.
2ª Desenvolvimento: O professor orienta a aprendizagem do aluno (Ex: Didática/Planejamento/elaboração).
3ª Integração: É o momento em que o professor verifica o resultado obtido pelos alunos, na realização das atividades propostas na etapa de desenvolvimento.

COMO ELABORAR UM PLANO DE AULA

  • DADOS DE IDENTIFICAÇÃO: (Universidade: + Curso: + Turno: + Período: + Disciplina: + Professor: + Tema Central:)
  • OBJETIVOS EDUCACIONAIS: (1.Geral + 2.Específico)
  • FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:
  • CONTEÚDOS DE ENSINO:
  • PROCEDIMENTOS DE ENSINO/METODOLOGIA:
  • RECURSOS DIDÁTICOS:
  • AVALIAÇÃO:
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
  • CRONOGRAMA:

ALGUNS EXEMPLOS:

Língua Portuguesa
TEMA DE AULA: Orações subordinadasCONTEÚDOS DE ENSINO:
– Adjetivas: Restritivas e Explicativas
– Substantivas: Subjetiva; Objetiva direta; Objetiva indireta, Completiva nominal, Predicativa, Apositiva
– ALGUNS EXEMPLOS: Língua Portuguesa
– OBJETIVOS EDUCACIONAIS:
– ESPECÍFICOS: – classificar as orações subordinadas; aplicar corretamente as orações subordinadas.
– GERAL: Valorizar a linguística, a expressão e comunicação; instrumentalizar o aluno para o uso correto da língua culta; refletir sobre a adequação da língua em determinado contexto; aperfeiçoar o potencial expressivo do aluno.
Ciências Biológicas
TEMA DA AULA: DSTs
CONTEÚDOS ESCOLARES:
– Tipos de DSTs;
– Sintomas;
– Tratamento
– Formas de Prevenção
– ALGUNS EXEMPLOS: Ciências Biológicas
– OBJETIVOS EDUCACIONAIS:
– ESPECÍFICOS: – diferenciar as DSTs; listar formas de prevenção; identificar os sintomas e formas de tratamento.
– GERAL: Preservação da saúde; valorizar a vida; conhecer o próprio corpo, seus limites e potencialidades
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Elaborando planos de ensino – Parte 1

ELABORAÇÃO DO PLANO DE ENSINO E DO PLANO DE AULA
Daniela Spudeit

Muitos professores na Biblioteconomia ou mesmo em outros cursos desde o ensino infantil até o superior apresentam dificuldades e algumas dúvidas ao planejar suas aulas, selecionar conteúdos e metodologias, formas de avaliar os alunos perante a diversidade de estratégias, mas principalmente pela multiplicidade de caminhos a seguir em um contexto tão fluído como Bauman (2003) se refere ao falar da sociedade atual.
Anastasiou e Alves (2009) explicam que durante muito tempo as ações dos professores eram organizadas a partir dos planos de ensino que “tinham como centro do pensar docente o ato de ensinar; portanto, a ação docente era o foco do plano” (2009, p. 64). Atualmente as propostas ressaltam a importância da construção de um processo de parceria em sala de aula com o aluno deslocando o foco da ação docente e do ensino para a aprendizagem, ou seja, o protagonista para a ser o aluno conforme defendem as teorias construtivistas e sociointeracionistas.
Dentro desse contexto, o planejamento assume tamanha importância a ponto de se constituir como objeto de teorização e se desenvolve a partir da ação do professor que envolve: “decidir a cerca dos objetivos a ser alcançados pelos alunos, conteúdo programático adequado para o alcance dos objetivos, estratégias e recursos que vai adotar para facilitar a aprendizagem, critérios de avaliação, etc.”

Texto completo: elaboracao do plano de ensino e do plano de aula


Fonte: http://www.unirio.br/unirio/cchs/eb/arquivos/licenciatura/ELABORACAO%20DO%20PLANO%20DE%20ENSINO%20E%20DO%20PLANO%20DE%20AULA.pdf

Planejamento e Projeto Político Pedagógico – Parte 8

Centro de Estudos de Avaliação Educacional da UFRJ

O Centro de Estudos de Avaliação Educacional da UFRJ tem por objetivo realizar atividades nas áreas de pesquisa e de assessoria e capacitação no campo da avaliação educacional e de áreas correlatas, bem como a oferta de cursos de pós-graduação. Assim, o CEAE atua preocupado com a formação de recursos humanos especializados e com a disseminação e utilização de conhecimentos pelos sistemas educacionais. As instalações do CEAE foram financiadas pela CAPES no âmbito do PROAV – Programa de Apoio à Avaliação Educacional, e seus recursos são provenientes da Fundação Ford e da Fundação Universitária José Bonifácio.

http://www.race.nuca.ie.ufrj.br/ceae/

Dentro dessa página, constam muitos módulos de estudo na área “Assessoria e Capacitação“:

  • Capacitação de Diretores de Escola
  • Capacitação em Projeto Pedagógico
  • Capacitação de Secretários de Escola
  • Capacitação em Gestão Colegiada
  • Capacitação em Gestão de Pessoal
  • Capacitação em Gestão Financeira
  • Capacitação em Gestão de Contratos
  • Capacitação em Sistemas de Informação

O conteúdo é muito bom e vale a pena baixar.

Planejamento e o Projeto Político Pedagógico – Parte 7

REVISTA EDUCAÇÃO E LINGUAGEM – PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO
Bruna Barbosa
Cleide Medeiros
Claudilayne Siva
Lilia Figueiredo

Apresenta-se o resultado de nossa análise crítica, esclarecedora e criativa que foi desenvolvido e fundamentado em pesquisa bibliográfica, com objetivo de mostrar o que a escola precisa fazer para realizar sua intencionalidade, qual o processo e formas de trabalho. Destacamos as principais características e atividades que levam a realização desses ideais na prática, com foco na formação do cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo. Analisamos o projeto político pedagógico, que permite diretrizes aos educadores, a gestão da escola, aos alunos, pais, funcionários e mantenedoras saberem para onde devem ir aonde chegar, e qual objetivo a ser alcançado. É uma ferramenta para que se possa facilitar aos indivíduos envolvidos um processo democrático social em que possam crescer, construir o que há de melhor para todos, aproveitando este melhoramento para se alcançar patamares maiores. Se uma escola não tem ideal, não tem objetivo não vai lutar para concretização do projeto. É necessário ter sentido, pois assim todos irão se fortalecer, com um compromisso definido na construção coletiva do conhecimento. Por isso, o projeto está vinculado ao planejamento e a gestão escolar, sendo que a principal questão do planejamento é expressar a capacidade de se transferir o que se planejou para a ação. Ainda possa fazer do planejamento um método de trabalho dos educadores, tendo uma visão concreta da prática educativa, transformando-a, rumo a um ensino mais significativo. Assim sendo, demonstraremos a operacionalização do projeto e como ele se torna eficaz mediante um movimento constante de reflexão e ação-reflexão.

Texto completo: revista educação e linguagem


Fonte : http://www.ice.edu.br/TNX/storage/webdisco/2012/12/26/outros/0e7ebd60a126eca78d1e69b36948b026.pdf

Planejamento e o Projeto Político Pedagógico – Parte 4

INOVAÇÕES E PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: UMA RELAÇÃO REGULATÓRIA OU EMANCIPATÓRIA?
Ilma Passos Alencastro Veiga

O presente artigo discute o significado de inovação e projeto político-pedagógico sob duas perspectivas: como uma ação regulatória ou técnica e como uma ação emancipatória ou edificante. A inovação regulatória significa assumir o projeto político-pedagógico como um conjunto de atividades que vão gerar um produto: um documento pronto e acabado. Nesse caso se deixa de lado o processo de produção coletiva. A inovação de cunho regulatório nega a diversidade de interesses e de atores que estão presentes. Sob a perspectiva
emancipatória, a inovação e o projeto político-pedagógico estão articulados, integrando o processo com o produto porque o resultado final é não só um processo consolidado de inovação metodológica, na esteira de um projeto construído, executado e avaliado coletivamente, mas um produto inovador que provocará também rupturas epistemológicas.

Texto completo: material_web_inovacoes_projeto_politíco_pedagogico


Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a02v2361.pdf

 

Planejamento e o Projeto Político Pedagógico – Parte 3

Excerto de:

Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Coordenação Pedagógica | Escola de Gestores da Educação Básica | CEAD UFPE

Fonte: http://coordenacaoescolagestores.mec.gov.br/uft/file.php/1/coord_ped/sala_3/mod03_2unid_12_123.html

Material complementar pertinente Texto completo em: sala_3_projeto_politico_pedagogico_e_a_organizacao_do_ensino (ppp)


Sala Ambiente Projeto Político Pedagógico e a Organização do Ensino

O Projeto Político-Pedagógico na perspectiva do planejamento participativo

Elaboração do PPP

1.2.3. Marco Referencial

O marco referencial refere-se ao posicionamento político da escola ao planejar sua intervenção e ou transformação da realidade. Conforme Vasconcellos (2000), o marco referencial é “a tomada de posição da instituição que planeja em relação à sua identidade, visão de mundo, utopia, valores, objetivos, compromissos” (p. 182). É sonho da escola, o quê ela deseja ser.

Nele buscamos expressar o sentido da ação educativa, do fazer pedagógico e as expectativas em relação a uma realidade desejada e ao caminho necessário para alcançá-la.

Marco referencial nasce como busca de resposta a um forte questionamento que nos colocamos […] Tem como função maior tensionar a realidade no sentido da sua superação/transformação e, em termos metodológicos, fornecer parâmetros, critérios para a realização de diagnóstico

(VASCONCELLOS, 2000, p.182).

Na definição do marco referencial discutimos a escola que temos e como vemos a realidade. Assim, nesse momento, buscamos identificar o olhar coletivo sobre a realidade escolar pontuando os seus traços marcantes. Gandin (1995), Padilha (2001) e Medel (2008) sugerem algumas questões para a construção do marco referencial, tais como:

  • Dentre as tendências da sociedade, quais têm maior impacto na escola?
  • Qual o modelo de sociedade que deve servir como rumo para os passos dos envolvidos, elaboradores e executores do projeto?
  • Como se relaciona a escola com o processo transformador da sociedade?
  • Que alianças serão feitas?
  • Como se aumenta ou se diminui a força dos objetivos e da missão do projeto?
  • Em que consiste o educar e, em conseqüência, qual o ideal para a prática educativa da escola?
  • O que é qualidade de ensino?
  • O que quer dizer educação inclusiva?
  • O que significa ensinar para a diversidade cultural?
  • Em que consiste o atendimento às características individuais dos alunos e da escola?
  • Que princípios serão destacados para a avaliação da escola?
  • O que se entende por currículo?
  • Qual o currículo desejado?
  • Qual o papel das tecnologias educativas na escola?
  • Como é concebida a pesquisa na formação dos alunos?
  • Que tipo de relações interpessoais são buscadas no cotidiano escolar?
  • Como está a escola em relação aos resultados e processos desenvolvidos nas políticas públicas federais (e estaduais ou municipais) e nos programas em andamento pelo SEB/MEC e pela Secretaria Estadual de Educação (e ou Secretaria Municipal de Educação)?

É essencial que as perguntas levem a debates e às reflexões acerca de teorias e de opções. Nessa direção, Medel (2008) propõe perguntas interessantes:

  • O que é o ideal e o que temos deste ideal?
  • Que tipo de avaliação desejamos?  Qual praticamos?
  • Que tipo de currículo almejamos? Qual praticamos?
  •  Qual possuímos e como temos trabalhado com ele?

Tais questões podem, aliás, se referir a aspectos ligados à gestão.

  • Como desejamos a organização administrativa de nossa escola? Como ela é na realidade?
  • Como desejamos a comunicação na nossa escola?
  • Como ela é realizada no cotidiano?

A prática pedagógica é questão primordial na reflexão do PPP e isso nos remete à análise das concepções e práticas curriculares.  Medel (2008, p. 90) sugere a contraposição das questões no que tange à análise do currículo, conforme o quadro:

Qual é o currículo determinado? Qual é o currículo seguido pela escola?
O que deve ser ensinado? O que é realmente ensinado?
O que deve ser registrado? O que é realmente registrado?
O que deve ser socializado? O que realmente é socializado?
O que deve ser privilegiado? O que é realmente privilegiado?
O que deve ser avaliado? O que é realmente avaliado?

 

Por meio desses questionamentos são obtidos subsídios para discussões e debates com vistas à definição dos grandes temas/temáticas e eixos centrais constituintes do PPP. Tais temas geradores e ou questões devem ser debatidas em grupo. Medel (2008) sugere a elaboração de oficinas para se identificar as percepções iniciais dos integrantes do grupo /comunidade escolar.

Outra questão importante na construção do marco referencial, composto pelas partes situacional, filosófico, operativo, é a definição dos princípios norteadores do projeto político-pedagógico. Nesse sentido, a articulação entre teoria e prática é fundamental. O PPP será mais viável quanto mais bem fomentada estiver a articulação teoria-prática e a coerência entre as falas e as práticas.

Por sua vez, os princípios norteadores a serem contemplados no PPP são também os princípios consagrados na legislação federal (na Constituição Federal de 1988 e na LDB 9394/96) que versam sobre a gestão democrática e a pluralidade cultural e pedagógica, quais sejam:

  • democratização do acesso e da permanência com sucesso, do aluno na escola;
  • autonomia escolar;
  • relação entre a escola e a comunidade;
  • qualidade de ensino para todas as escolas;
  • valorização dos profissionais da educação;
  • gestão democrática.

Vale lembrar que tais princípios devem ser percebidos e analisados de maneira interligada, por serem interdependentes. Devem ser relacionados à realidade de cada escola, fazendo uma identificação de como eles têm sido discutidos, compreendidos e desenvolvidos pelos diversos segmentos.

Lembramos que o marco referencial é composto pelos marcos: situacional, político/filosófico e operativo. É, então, importante explicitar os seus desdobramentos.

Primeiramente, o marco situacional, que é caracterizado por indagações que levam a identificação de uma visão geral da realidade na qual está inserida a instituição escolar: que escola é a nossa? Onde estamos? Como percebemos a realidade?  Assim, o marco situacional expressa a compreensão do grupo que planeja, o seu olhar sobre uma realidade mais ampla, seus traços marcantes, suas forças e fragilidades.

O marco político ou filosófico refere-se ao ideal geral da instituição. Perguntas como: que escola desejamos? Que valores sociais e políticos nos orientarão? No marco filosófico são expressos, pois, os valores éticos, os ideais, as concepções e opções da comunidade, enfim, as suas utopias, os seus sonhos. Propriamente, o marco político ou filosófico requer, assim, a definição da filosofia político-pedagógica que irá nortear o caminhar da escola e de seus sujeitos, os protagonistas. Nele, devem ser explicitadas as concepções de sociedade, homem, mundo, educação, trabalho, conhecimento/cultura, pois expressará as concepções teóricas que o grupo assume.

O marco operativo refere-se à forma de ação e ou operacionalização dos ideais identificados no marco político/filosófico. Como alcançar o que desejamos? De que maneira pensamos o horizonte de nossas ações? Podemos dizer que o marco operativo define-se com a proposta de ação para os diversos aspectos relevantes da instituição em relação às suas finalidades e ao que se deseja para a mesma. Esse marco expressa, assim, o ideal específico da instituição. Nas palavras de Gandin (1991):

O Marco Operativo expressa a utopia instrumental do grupo. Expõe as opções (em termos ideais) em relação ao campo de ação e à instituição e fundamenta essas opções em teoria.[…] Assim, o marco operativo refere-se à realidade desejada do campo de ação e (sobretudo) da instituição em processo de Planejamento (p. 28).

Nesse sentido, torna-se imprescindível, na elaboração do marco operativo, estabelecer compatibilidade com o marcos situacional e o Filosófico. Nesse sentido, é preciso seguir oprincípio da exequibilidade, ou seja, a capacidade de se tornar realidade, de não ficar apenas no sonho. É estabelecer um sonho possível de ser realizado, a partir das condições concretas de cada escola. Isso é importante para que não se desarticule o PPP da realidade geral (e as representações que temos dela) em busca da realidade que desejamos e acreditamos ser possível vivenciar.

Vasconcellos (2000) também alerta que o marco operativo não é mera programação de ações concretas a serem executadas, pois é um plano de ação nas três dimensões do trabalho escolar: pedagógica, comunitária e administrativa.

Nessa ótica, temos uma relação estabelecida entre marco situacional e o marco filosófico e, como mediador, o marco operativo que pode ser concebido com uma espécie de síntese. O marco operativo, à luz dos elementos estruturais da realidade, remete às finalidades e concepções filosóficas, encaminhando para a elaboração de um diagnóstico da situação particular da escola.

Planejamento e o Projeto Político Pedagógico – Parte 2

Excerto de:

Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Coordenação Pedagógica | Escola de Gestores da Educação Básica | CEAD UFPE

Fonte: http://coordenacaoescolagestores.mec.gov.br/uft/file.php/1/coord_ped/sala_3/mod03_2unid_12.html

Material complementar pertinente disponível em:

 http://coordenacaoescolagestores.mec.gov.br/uft/file.php/1/coord_ped/sala_3/pdf/sala_3_Projeto_Politico_Pedagogico_e_a_Organizacao_do_Ensino.pdf


Sala Ambiente Projeto Político Pedagógico e a Organização do Ensino

O Projeto Político-Pedagógico na perspectiva do planejamento participativo

Elaboração do PPP

Em linhas gerais, podemos fazer uso de diferentes termos/expressões para identificarmos as distintas fases do processo de elaboração, implementação e avaliação de um projeto político-pedagógico. Já vimos que Veiga (1996) propõe os Atos Conceitual, Situacional e Operacional.

Danilo Gandin (1991) e Celso Vasconcellos (2000), por sua vez, destacam três etapas constituintes do projeto político pedagógico: o estabelecimento do Marco Referencial, composto pelo Marco Situacional, o Marco Político-Filosófico e o Marco Operativo; a constituição de um Diagnóstico, e o estabelecimento da Programação. Nesta Sala Ambiente vamos seguir as orientações de Gandin e Vasconcellos, mas destacamos que elas apresentam relações com a proposta de Veiga.

A seguir, utilizamos um quadro elaborado por Vasconcellos (2000, p.170), para detalhar as partes constituintes do processo de elaboração e implementação de um projeto político-pedagógico.

Quadro 1 – Marcos do PPP, segundo Gandin e Vasconcellos

PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO PPP
MARCO REFERENCIAL DIAGNÓSTICO PROGRAMAÇÃO
O que queremos
alcançar?
O que nos falta para ser o que desejamos? O que faremos concretamente para suprir tal falta?
É a busca de um posicionamento:

  • Político: visão do ideal de sociedade e de homem;
  • Pedagógico: definição sobre a ação educativa e sobre as características que deve ter a instituição que planeja.

Estabelecimento do sonho ideal.

  É a busca das necessidades da escola feita a partir da análise da realidade e/ou o juízo sobre a realidade da instituição em comparação com aquilo que desejamos que a escola seja.

Nossa prática atual, definição do sonho possível.

É a proposta de ação.
O que é necessário e possível para diminuir a distância entre o que vem sendo e o que deveria ser.

O que vamos fazer para atingir o sonho possível?

Antes de tratar especificamente de cada uma dessas etapas do processo de elaboração do PPP, vamos discutir dois momentos importantes que antecedem essa construção, que são a metodologia de trabalho e a mobilização da comunidade escolar.

Planejamento e o Projeto Político Pedagógico – Parte 1

A IMPORTÂNCIA DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E A SUA CONSTRUÇÃO
Não consegui identificar o autor.

Tudo o que é planejado contribui para um melhor aproveitamento das ações que se desempenham no dia-a-dia. Neste aspecto, o Projeto Político-Pedagógico (PPP), entendido primeiramente como um planejamento, tem como uma das prioridades possibilitar ao gestor escolar o caminho certo na concretização de seus principais objetivos em relação à instituição escolar. “Contempla desde as dimensões mais específicas da escola (comunitárias, e administrativas, além da pedagógica), até às mais gerais (políticas, culturais, econômicas, etc).” (VASCONCELLOS, 2000, p.169).
Sendo assim, é o Projeto Político-Pedagógico o responsável por nortear toda a ação do diretor e demais membros da comunidade escolar (alunos, pais, professores e demais funcionários), em busca de um melhor ensino-aprendizagem e de um ambiente interativo e, sobretudo, transformador da realidade imediata em prol do bem-estar de todos e da comunidade. Daí sua fundamental importância de estar associado a uma gestão democrática e participativa na escola, eliminando, sobretudo, a competitividade, o autoritarismo e as relações verticais de poder no interior da instituição de ensino. Essa gestão democrática e participativa será abordada mais amplamente no próximo capítulo.

Texto completo: a importÂncia do projeto polÍtico-pedagÓgico e a sua construÇÃo


Fonte: http://www.fbvcursos.com.br/online/aluno/trabalhos/136589102728.docx