Protesto contra decisão da UERJ em exigir passaporte sanitário.

Novembro de 2021.

Meu nome é Pedro Figueira, sou servidor do Estado do Rio de Janeiro vinculado à UERJ.
Estou gravando este vídeo com o propósito de registrar meu protesto público contra aquilo que acredito ser uma violação aos meus direitos individuais.

O Conselho Universitário da UERJ decidiu que vai exigir o passaporte da vacina para os servidores: só entra para trabalhar quem foi vacinado. Quem não foi vacinado, é proibido de trabalhar e deve ser registrada falta não abonada. No meu entender, não é uma falta, porque o funcionário foi impedido de entrar, ele não se negou a ir. E não abonar a suposta falta, no meu entender, é punir o servidor que não se vacinou antes mesmo de um processo administrativo.

Eu entrei em contato com o RH, e a resposta que eu tive por escrito foi um copia e cola da nota da reitoria dizendo que é obrigatório ou vai ser dada falta.

Eu acredito que isso é uma irregularidade administrativa, possivelmente talvez até uma ilegalidade, mas não cabe a mim dispor sobre isso, isso é atribuição das autoridades competentes. O fundamento do meu argumento está por escrito no meu site. pedrofigueira.pro.br para quem quiser ver mais a fundo.

Ainda assim eu quero deixar meu protesto. Eu defendo que meu empregador, seja ele quem for, não tem o direito de interferir nas escolhas que faço em minha vida pessoal, em minha vida privada. A própria reitoria da UERJ já havia reconhecido em janeiro deste ano não ter competência jurídica para definir isso. Só que agora ela me obriga a escolher entre a vacina ou o desemprego. E eu acho que isso não é certo nem justo.

Outro assunto.

Disso posto, eu também gostaria de deixar registrada minha frustração com relação aos mandatários do executivo federal. Nestes últimos dois ou três anos, cotidianamente vi nossa liberdade de opinião, liberdade de expressão, liberdade de locomoção, liberdade de trabalho, nossas liberdades individuais serem… restringidas.

Gente foi presa por “falar o que não devia”, controlam o que a gente diz, apagam conteúdo ”impróprio” sobre remédios… Para mim está sendo só uma vacina. Mas e quem teve suas lojas fechadas? Quem viu seu ganha pão sendo tomado do dia para a noite? Quem foi arruinado durante esse período?

Eu quero registrar minha frustração com o governo federal, que não se impôs como eu acredito que podia e deveria. Eles juraram proteger e defender a constituição e as leis, proteger e defender nossos direitos e nossas liberdades, mas foram omissos. Viram o que estava acontecendo e permitiram. Foram coniventes com tudo o que aconteceu.

Eu não aceito o argumento, “não fui eu quem mandou fechar”, “me tiraram a responsabilidade”. Um líder toma a responsabilidade para si. Se os demais estão (e ainda estão) agindo fora dos limites, se o legislativo federal é omisso, cabia ao executivo impedir que essas coisas tivessem acontecido e proteger os mais fracos..

Ele tem o povo e as leis ao seu lado. Se não faz, lamento concluir, é por covardia. E isso custou carreiras… e vidas… Para mim é só uma injeção. Para a nação é a falta de alguém que EFETIVAMENTE defenda sua liberdade. Não só no discurso, mas na ação.

É obrigação moral de todo homem de bem rejeitar a injustiça, vindo ela de onde for, e usar o que estiver ao seu alcance para combatê-la. Eu só tenho minha palavra. Então tudo o que posso fazer aqui é registrar o meu protesto e minha frustração.

Passaporte sanitário

Atualizado em 26/11/2021: inserida imagem.

O que pode um único homem contra o poder coercitivo do Estado?

De meu caso particular.

Conforme previ em {meu último texto}, as atividades regulares retornariam brevemente quando do fim do inquérito investigativo realizado pelo Senado Federal. À semana passada, recebi com todos os servidores do Estado do Rio de Janeiro a convocação para o retorno ao trabalho presencial a partir de 1º de dezembro de 2021.

O órgão de Estado a que estou vinculado, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, preparando-se para o retorno às atividades presenciais, optou por exigir de todos o chamado ”passaporte sanitário”, algum documento que comprove que o indivíduo vacinou-se contra a COVID-19. Os funcionários que se recusarem a tomar a vacina não poderão entrar para trabalhar e suas ”faltas” não serão abonadas. Veja o anúncio público: {PS1}

Tendo sido um dos que optaram por não se vacinar, temendo efeitos colaterais, neste momento vejo-me constrangido a fazer a escolha: vacina ou desemprego.

Por que optei por não me vacinar? 

Que conste: eu fui contaminado duas vezes nesta pandemia pelo coronavírus. Estou naturalmente imunizado. Mas nada disso conta: o que vale é o papel, a vacina e a burocracia. (E será que a vacina interfere na imunização natural? Ninguém sabe ao certo.)

1) Não posso escolher a vacina: dentre todas as vacinas, a Coronavac é que a que se apresentou mais segura; porém os responsáveis pela distribuição e imunização não permitem que os cidadãos escolham qual vacina tomar; tenho justificados temores quanto a possíveis efeitos colaterais dos demais imunizantes, embora não apresente neste momento os sintomas das doenças congênitas de meus familiares;

2) Faço uso continuado de remédios (alguns pesados) que afetam o sistema motor, e há casos reportados de vacinados que foram acometidos pela síndrome de Guillan-Barré (veja o próximo tópico). Até que ponto o uso concomitante da vacina e dos medicamentos que uso pode influenciar ou aumentar o risco de problemas motores futuros? Não há dados estatísticos ou estudos acerca disso.

3) Meu pai faleceu em dezembro do ano passado por problemas cardíacos, tal como meu avô paterno. Minha mãe tem problema cardíaco congênito e sua prima faleceu esta semana pelo mesmo problema. Essa prima aparentemente apresentou complicações derivadas da vacinação. Há sabidamente casos de desenvolvimento de miocardite em jovens adultos sem prévio diagnóstico. Embora eu tenha 35 anos e não apresente problemas cardíacos evidentes, qual é a possibilidade de isso acontecer comigo? Não há estudos acerca disso também.

4) E finalmente o risco de trombose. Trombose após a vacinação foi um dos primeiros efeitos colaterais relatados. Eu sofro de má circulação nos membros inferiores e estou acabando de me recuperar de uma úlcera venosa. O risco existe, ainda que pequeno, e é inegável mesmo para o maior defensor da vacinação em massa. Por que eu devo me submeter a esse risco, se minha não vacinação é negligenciável para os vacinados?

Veja mais: MORTES_APOS_VACINA

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Veja mais: EFEITOS_COLATERAIS_GRAVES_VACINA_COVID

Veja mais: MAIS_PESSOAS_MORRERAM_COM_A_VACINA_DO_COVID_EM_10_MESES_DO_QUE_COM_TODAS_AS_OUTRAS_EM_30_ANOS

Contra fatos não há argumentos

Ainda que eu seja criticado por ter medo em excesso com relação à vacinação, ninguém está em meus sapatos para saber como é minha vida. Todos os meus parentes faleceram. Nesta vida, sou somente eu e minha mãe com sua saúde frágil. Se eu faltar, como ela faz? Seguro de vida e de casa bastarão? Eu aprendi uma vida inteira a nunca correr riscos, por vezes, mesmo os necessários.

Da questão jurídica

A UERJ não tem competência jurídica para exigir a vacinação de seus funcionários. Ela não é órgão participativo da Secretaria de Saúde, a quem compete definir as políticas sanitárias. Essa falta de competência jurídica já foi examinada pela Reitoria em 31 de janeiro deste ano, conforme o arquivo a seguir: Nota de esclarecimento à comunidade acadêmica da Uerj  – UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro 

A UERJ também não tem competência jurídica para declarar antecipadamente faltas não abonadas a quem não se vacinar. Não houve o devido processo administrativo. Não há previsão legal dentro do regulamento dos servidores públicos do Estado (Decreto Estadual 2479/1979). Impedir o acesso ao local de trabalho é o mesmo que uma suspensão, punição prevista, porém não aplicável sem os devidos trâmites. E em quê se baseia essa punição antecipada?

Ao observarmos o emaranhado de leis que em que este país vive, devemos partir do decreto do Governo do Estado, responsável por determinar o retorno às atividades presenciais. Nele:

Decreto Estadual 47.801/21, Art. 6 § 1º:

Observado o disposto no caput, os agentes públicos integrantes da Administração Direta e Indireta, que não tenham optado pela vacinação […] deverão retornar às atividades de trabalho presencial.

Há, portanto, previsão legal do Governo do Estado sobre a conduta dos não vacinados, uma vez que ele reconhece explicitamente que a vacinação é uma opção.

Porém, segundo divulgado no site da UERJ, o retorno às atividades presenciais ocorrerá seguindo o Decreto Municipal 49.335/21 da prefeitura do Rio de Janeiro, que exige o chamado ”passaporte sanitário”:

“O uso de máscara e a apresentação do passaporte de vacina serão obrigatórios para todos que circularem nas dependências da Universidade. A comprovação de imunização contra a Covid-19 poderá ser feita pelo cartão de vacinação ou pelo aplicativo Conecte SUS.”

Entretanto, o próprio 49.335/21, não abrange em seu texto instituições de ensino, pertencentes a qualquer esfera governamental. Aderir ao decreto é, pois, discricionariedade administrativa interna da UERJ. Convém também lembrar que decretos não têm força de lei e às leis Federais e Estaduais são submetidos.

Tal matéria não foi examinada pelo plenário do STF e, conforme os dispositivos legais seguintes, a exigência de ”passaporte sanitário” é uma atividade ilegal:

a) Lei 6.259/75 art.3º: Cabe ao Ministério da Saúde a elaboração do Programa Nacional de Imunizações, que definirá as vacinações, inclusive as de caráter obrigatório.

b) Lei 10.406/02 art.15: Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.

c) Constituição Federal art.5º II, XV, LIV;

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

XV – é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;

d) DUDH/1948 art. 7, 12, 13.1, 23.1.

Artigo 7 Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 12 Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo 13 1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.

Artigo 23 1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.

e) Portaria MTP 620/21

Art. 1º É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal, nos termos da Lei nº 9029, de 13 de abril de 1995.

  • 1º Ao empregador é proibido, na contratação ou na manutenção do emprego do trabalhador, exigir quaisquer documentos discriminatórios ou obstativos para a contratação, especialmente comprovante de vacinação, certidão negativa de reclamatória trabalhista, teste, exame, perícia, laudo, atestado ou declaração relativos à esterilização ou a estado de gravidez.

E, por fim, o princípio da autonomia universitária (CF88 art. 207) garante que sua administração interna é autônoma, porém não é soberana. O Estado não pode dizer como a Universidade deve se administrar, mas a mesma não pode violar direitos e deveres a todos impostos por força das leis. Sua autonomia restringe-se às atividades internas, não à vida particular de seus funcionários ou usuários.

Da derrota consumada antes do pleito

A lei e o bom senso estão evidentemente ao meu lado. Todos os argumentos estão bem cobertos e, definitivamente, eu estou com a razão.

E o quê isso importa? De quê isso vale? O que pode um único homem contra o poder coercitivo do Estado? O que pode um servidor público fazer para se proteger de seu empregador?

Façamos uma experiência mental. Suponhamos que eu siga os protocolos, que eu impetre um mandado de segurança para garantir meu direito de trabalhar, de ingressar em meu local de trabalho, de me permitir cumprir o que foi decretado pelo Governador do Estado. A análise deste pleito dependerá do juiz que for designado para apreciá-lo e, quem vive no mundo jurídico, sabe que mandados de segurança contra o Estado raramente são acatados. Eu sei, já passei por isso duas vezes antes, mesmo tendo ganhado os processos.

Suponhamos que eu decida processar meu empregador. Um servidor público na defensoria pública processando um órgão público. Sem garantia de que eu ganharei a ação, pelas mesmas razões apresentadas: o Estado Brasileiro é corporativista e se defende de seus cidadãos.

Contratar um advogado? Veja você mesmo, é mais do que meu salário: https://www.oabrj.org.br/sites/default/files/tabela_11_2021_site.pdf

Se eu optar pela batalha, será uma luta praticamente perdida. Talvez o mais razoável seja abaixar a cabeça e aceitar o poder dos poderosos. Mas aí eu entro em outro conflito interno: e os princípios? Ou nos apoiamos em princípios, ou não nos apoiamos em nada.

// Aqui inicia-se o escopo de um texto crítico à UERJ, conforme permitido em lei.1

Da questão política

O atual Magnífico Reitor da UERJ, Ricardo Lodi Ribeiro, foi advogado de Dilma Vana Rousseff durante seu processo de impedimento e remoção da Presidência da República. Essa senhora foi posteriormente convidada a ministrar a aula magna do novo período de reitoria. Rogo ao leitor perscrutar as matérias selecionadas pelo ”CLIPPING UERJ”, bem como o conteúdo dos simpósios e convenções ministrados à distância nos canais das redes sociais da UERJ, como Youtube e Facebook.

Do modo como essa exigência do passaporte sanitário está sendo feita, qualquer homem médio pode vir a suspeitar que uma possível motivação ideológica possa estar subjacente a essa postura da UERJ, o que não condiz com os princípios democráticos que ela defende. Por que uma ação tão enérgica (e a priori ilegal) para obrigar a vacinação, se o Governo Federal já se manifestou contrário a essa obrigatoriedade?

Tal como assinou o reitor, “Até porque, o interesse na proteção à saúde de todos prevalece sobre o direito individual de não se vacinar, pois a saúde pública deve se sobrepor ao obscurantismo.” Colocar os direitos individuais abaixo dos direitos coletivos não apenas não é uma interpretação unânime no mundo jurídico, como tem exemplos históricos profundamente questionáveis em que foi aplicada. Tem a UERJ direito de impor tal entendimento jurídico sobre seus funcionários? Quem lhe outorgou tal autoridade?

E quanto ao termo ”obscurantismo”? Esse termo foi freqüentemente utilizado durante a última Comissão Parlamentar de Inquérito, em que a população viu diariamente senadores utilizarem-no para referirem-se contra o Governo Federal. O uso desse termo em um comunicado público pode levantar questionamentos quanto à imparcialidade das decisões tomadas e à transparência das motivações das mesmas.

// Aqui encerra-se o escopo do texto crítico.

Do fim da liberdade

Eu sou um libertário. Defendo a liberdade. Defendo o indivíduo frente ao Estado.

Mas o que pode um único homem contra o poder coercitivo do Estado?

O que pode um único homem quando aqueles que deveriam protegê-lo se abnegaram de seu juramento?

O que ora ocorre comigo, esta invasão em minha vida particular, essa imposição da vontade de outrem sobre minha vida, sob escusas mil, é exatamente tudo o que eu sou contra.

De que adianta defender o Governo Federal, se o mesmo não nos protege? Não protege nossa liberdade?

Liberdade… O mais sagrado de todos os direitos, que é o de que ninguém mais forte que você te obrigará a fazer o que você não quer.

Não há liberdade neste maldito país socialista.

Ou nos apoiamos em princípios, ou não nos apoiamos em nada.

E este país não se apóia em nada além da luta pelo poder.


  1. Este texto está de acordo com as restrições que tenho enquanto servidor público de escrever e publicar artigos críticos aos órgãos de Estado.
    DECRETO Nº 2479 DE 08 DE MARÇO DE 1979
    APROVA O REGULAMENTO DO ESTATUTO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS CIVIS DO PODER EXECUTIVO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
    CAPÍTULO III
    Das Proibições
    Art. 286 – Ao funcionário é proibido:
    I – referir-se de modo depreciativo, em informação, parecer ou despacho, às autoridades e atos da Administração Pública, ou censurá-los, pela imprensa ou qualquer outro órgão de divulgação pública, podendo, porém, em trabalho assinado, criticá-los, do ponto de vista doutrinário ou da organização do serviço; 

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Conteúdo

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Ingratidão

Imagine que você nasceu em 1900.
Aos 14 anos, começou a Primeira Grande Guerra.
Aos 18 anos, ela termina com 22 milhões de mortos.
Logo após, uma pandemia, a Gripe Espanhola, mata 50 milhões de pessoas.
Você sobrevive.
Você tem 20 anos.
Então, aos 29 anos, você sobrevive a uma crise econômica mundial que começou com o colapso da Bolsa de Valores de Nova Iorque, causando inflação, desemprego e fome.
Aos 33 anos, o Partido Nacional Socialista Alemão chega ao poder.
Aos 39 anos, se inicia a Segunda Grande Guerra.
Aos 45 anos, ela termina com 85 milhões de mortos, 3% da humanidade à época.
Também começa a Guerra Fria, um estado não declarado de conflito por procuração, fundado em medos, incertezas, suspeitas e inseguranças.
Aos 52 anos, começa a Guerra da Coréia.
Aos 64 anos, começa a Guerra do Vietnã, que termina em seus 75 anos.
Você viu o homem inventar o avião aos 6 anos e chegar ao espaço aos 60 anos.
Você viu o socialismo chegar ao poder na Rússia aos 17 anos e cair aos 91 anos com mais de 60 milhões de mortos.
Você viu o socialismo chegar ao poder na China aos 49 anos e ocultar o real número de mortos, os massacres e o canibalismo.
Você viu a fissão nuclear ser descoberta aos 38 anos e ser usada como arma aos 45 anos.
Você viu nascer o disco de vinil, a fita cassete, o fax, os primeiros computadores.
Viu a televisão se tornar o centro do lar, a viu ganhar cores, controle remoto, se tornar digital.
Viu tecnologias se tornarem obsoletas em pouco tempo, viu o advento da rede de informações.
Viu computadores saírem de prédios inteiros para a palma da mão.

Quem nasceu de 1980 para cá não tem idéia de como a vida de seus avós e bisavós era difícil. Mas eles sobreviveram a diversas guerras e desastres. Quem nasceu de 2000 para cá acha que o fim do mundo é quando a entrega de uma compra da internet leva mais de 3 dias para chegar ou quando não consegue mais de 15 likes na foto do Facebook ou Instagram. Em 2020, vivemos confortavelmente, temos acesso a diferentes formas de entretenimento. Coisas que não existiam antes, como antibióticos, são tratadas com banalidade. Você, leitor, vive mais confortavelmente que um rei absolutista europeu.

O século XX mudou o mundo muito mais do que todos os outros juntos. Foi o mais sangrento e o mais inovador. E as novas gerações, vivendo as benesses conquistadas com esforço, não demonstram gratidão pelo que têm. Tomam a liberdade por garantida, vivem imaturamente, dispensam limites e responsabilidades.

Será que se eles soubessem que o futuro seria assim, teriam lutado por ele?

Eles morreram para que fôssemos livres, não para gente imatura ”se sentir ofendida”.

Veja também: A geração que baixou o QI

Veja também: Gosto se discute, sim.

Veja também: Sentimentos mais duradouros

Veja também: Cinco de novembro de 2020

 

Mensagem nº 355

A felicidade é uma habilidade que se desenvolve por meio das escolhas que fazemos em nossas vidas e por meio de como lidamos com o mundo ao nosso redor. É um hábito, não um estado de espírito.

Todos os ateus são pessoas más?

1ª Parte

— Você acredita em Deus?
— O que você quer dizer com isso?
— Como assim?
— Em nossa sociedade, essa pergunta pode assumir três contextos:
saber se fulano acredita na existência de divindades;
saber se fulano acredita na existência de um deus único criador;
ou saber se fulano é cristão.

E, se partindo dessa simples pergunta, a maioria esmagadora de interlocutores não entende a multiplicidade de interpretações, como esperar que possam debater racionalmente um tema tão subjetivo? Embora tenha interesse pessoal em Filosofia da Religião, minha formação se deu em Filosofia Política e Militar. Nunca tive a oportunidade de discutir religião de forma saudável e construtiva. Optei, então, por estudar por conta própria e jamais discutir o assunto. Vamos à minha história.

— Quero saber se você é cristão?
— Não, não sou…
— Então você é ateu e todo ateu é uma pessoa ruim.

Não me recordo exatamente como se deu, mas desde que eu era bem pequeno eu tinha uma certa repulsa quanto à religiosidade cristã. Criado em família católica e estudante de colégios católicos, sempre achava as missas algo muito estranho: rituais que eu não entendia, palavras que eu não conhecia, e uma artificialidade que eu sentia (muito bem). O ambiente me desagradava, a sensação era ruim. Aquele lugar e aquelas coisas não pareciam estar certos para mim.

Eu fazia perguntas que ninguém sabia me responder. Como é esse Deus? Por que tanta cerimônia? Por que tanto medo? Eu via as pessoas rezando, pedindo coisas e com medo de serem punidas. Nada daquilo fazia sentido para mim. Mas me diziam que a gente ia para o céu depois que morremos. ”— E porque a gente não morre logo?“. Sorrisos amarelos e nenhuma resposta.

Eu nunca acreditei verdadeiramente naquelas coisas, mas seguia os rituais e rezava de vez em quando. Devia ter Tinha por volta de 6 ou 7 anos, não mais do que isso. (mamãe confirmou!) Tínhamos uma cadelinha, a Lilica, que havia se acidentado há pouco. Lembro claramente do episódio do acidente, mas não me recordo do relato a seguir. Minha mãe disse que nessa época eu perguntei para o padre se as almas dos cachorros também vão para o céu e ele teria me respondido que os cachorros não têm alma.

Nesse dia eu repudiei completamente a Igreja Católica e o Cristianismo de forma geral. Aos sete seis anos (? mamãe confirmou!), declarei-me ateu. Minha família demorou a entender. Nem meus avós, nem meus tios, nem minha mãe reagiram bem. Meu pai não se importou muito. Quando eu recusei fazer a primeira comunhão foi um escândalo familiar. Por anos tive de enfrentar a pressão familiar e somente por pura teimosia consegui me manter firme. “— Eu não acredito nessas coisas. Por que eu tenho que mentir só para agradar vocês?“.

— O fantasma de São Francisco de Paula vai bater em você.
— Isso não é coisa de católico.
— Não estou muito católico hoje. (quando estava doente)
— Você tem que respeitar a Virgem Maria.
— Deus está vendo tudo isso.

O desapontamento de minha avó mais as insinuações de meus tios alimentaram minha repulsa contra o Cristianismo. Meus primos paternos diziam que eu não era ateu, mas ”à toa”. Do lado materno, não ser católico era sinônimo de ser ruim. E na escola era exatamente igual: nunca sofri intolerância, mas incompreensão. Os colegas achavam estranho, mas não discutiam muito. Os professores nada de mais falavam: ética profissional. Mas os pais dos alunos que por vezes eu encontrava eram bastante incisivos. Em suma, eu era o pária que mais se destacava. O ”do contra”. Faziam perguntas para mim, questionando meu ateísmo, para as quais eu ficava sem respostas. Isso me levou a estudar religião, a interessar-me por religião, a estudar a lógica e os argumentos religiosos e contra-religiosos. Cresci e continuei não acreditando no Cristianismo, só que agora eu tenho as respostas para as perguntas que me faziam quando eu era pequeno.

Como a toda ação se põe contra uma reação, durante décadas fui o que hoje chamo de ”ateu afetado”. Não contente em apenas repudiar a fé alheia, também passei a fazer todo tipo de chacota, grosseiramente interpelando cristãos caso me sentisse importunado. Reconheço que fui bastante ofensivo e que estava errado ao agir assim. Levou bastante tempo para eu amadurecer e aprender a respeitar a fé das outras pessoas, a colocar-me no lugar delas e compreender seus sentimentos, a entender o motivo pelo qual me tratavam daquela forma. Levou tempo para eu ver que nem tudo na religião cristã é ruim. Que embora muitos dos seus seguidores não sigam os mandamentos da própria fé, parte dos argumentos e instruções apresentadas podem sim ensinar uma forma justa de viver. Hoje já estou em paz com o Cristianismo. Porém alguns cristãos não estão em paz comigo ou com os ateus de forma geral.

O texto de hoje teve como inspiração mais um pastor evangélico fanático que em sua pregação instila em sua congregação preconceito contra os ateus, imputando-lhes crimes contra a humanidade e a pecha de serem inerentemente maus. Eu acreditei que havia superado essa questão: sempre que escuto tais preconceitos, simplesmente olho para o outro lado. Porém desta vez ao escutar tamanhas difamações minha repulsa reaflorou e precisei fazer algo. Denunciei-o e aqui desabafo.


2ª Parte

The Heretic! (as originally told by Emo Philips) | JokeToons

O grande problema que vejo nas religiões abraâmicas é a auto-intitulação de serem ”detentoras da verdade”. Somente minha religião está certa, todas as demais estão erradas. Mais ainda, somente meu deus único é verdadeiro, todos os demais deuses únicos são falsos. Mais ainda, somente tais e tais escrituras são válidas, todas as demais são inválidas. Mais ainda, somente determinada intepretação é correta, todas as demais intepretações são errôneas. Assim, as religiões abraâmicas têm por natureza fundamental separar as pessoas entre crentes e não crentes. Entre ”salvos e ”não salvos”. Entre certos e errados. Entre nós, os ”bons”, e todos os outros, os ”maus”. “Esses que não acreditam em nossa fé são os ateus/gentios/infiéis. Todos eles são maus, perigosos e capazes das piores atrocidades. Não têm religião, não tem moral. Vão todos para o inferno.”

Uma das principais falácias que escuto de cristãos é a de que ”todas as religiões levam ao mesmo deus” (no caso, o deus em que eles acreditam). Dessa afirmação eu depreendo algumas coisas. A primeira é que demonstram total ignorância específica acerca das demais religiões do mundo. Não sabem ou não compreendem que sua religião não é a única manifestação possível de fé. Também não entendem que a humanidade cultuou e cultua muitos deuses, muitas entidades, e que a questão acerca do sobrenatural não é exclusiva de sua cultura.

Do grande deus dragão Quetzacoatl, aos deuses irmãos Izanagi e Izanami. Nos nove mundos seguros pela grande Yggdrasill, Thor, filho de Odin, este filho de Börr, este filho Búri, este criado por Ymir, a vaca primordial mãe de todos os Aesir. Oxum, Xangô e tantos orixás que foram pessoas como nós, mas diferentes dos santos, pois os orixás vieram do criador de todo o axé, Olorum. Urano desposou Gaia, que concebeu os titãs, donde vieram os deuses, dentre eles Zeus, Poseidon e Hades. Tupã e Iara, filhos de Nhanderuvuçu, controlam a natureza e protegem os homens. Brahma cria, Vishnu mantém, Shiva destrói… dependendo da tradição, pois Ganesha também faz parte da ”administração celeste”. Krishna fez milagres durante o grande Mahabharata, a hedionda guerra fratricida entre os Kaurava e os Pandava, e personificou-se como o universo, segundo o Baghavad Gita. Amon, Osíris, Hathor, Ptah, Anúbis vivem conforme as cheias do Nilo. Cada Xamã, cada Pajé, cada Alquimista que viveu neste mundo teve sua fé, sua crença, sua história.

Afirmar que somente você está certo e que todos os outros estão errados é muitos mais do que egocentrismo aos meus olhos: é arrogância. Acreditar que faz parte de um povo escolhido? Delusão de prepotência.

Se você, leitor, for cristão, e chegou até aqui, deve estar se perguntando o que eu penso sobre o Cristianismo, sobre os milagres, sobre Jesus? É fácil explicar: do mesmo modo que você considera que os deuses acima são mitologias, para mim, as escrituras bíblicas também são mitológicas. São tão críveis e verossímeis como as façanhas de Héracles (ou Hércules, se quiser usar o nome romano).

Moisés abriu o mar vermelho com seu cajado, tanto quanto Héracles abriu o Estreito de Gibraltar com a força de seus braços. Noé construiu a arca, tanto como Héracles navegou com os Argonautas atrás do Velocino de Ouro. Davi matou o gigante Golias, o Filisteu, tal como Héracles matou Gerião, o gigante de três cabeças. Jesus tornou água em vinho, tal como Héracles limpou os estábulos de Áugias, desviando o curso de dois rios. E quanto a trazer de volta os mortos? Bem, nesse caso Héracles não fez nada. Mas Krishna trouxe de volta à vida várias pessoas, incluindo os seis filhos de Devaki e Vasudeva. Attis (Grécia) e Mithra (Pérsia) também ressuscitaram ao 3º dia.

O que torna uma história verdadeira e a outra falsa? Por que acreditar que uma é verídica e a outra fantasiosa? Por não acreditar no Cristianismo, eu sou chamado ateu, embora eu mantenha minha mente aberta ao extraordinário e não negue o transcendental. (O termo técnico seria, portanto, agnóstico). Eu creio no mundo espiritual, ainda que eu não faça idéia de como ele funciona. E acredito que ninguém sabe ao certo como ele é, embora todo mundo goste de dar palpites… Eu, portanto, aprendo e apreendo o que há de bom de todas as religiões do mundo, mas não venero nenhum deus tampouco nenhum homem. É isso que me torna ateu aos olhos das congregações.

NOTA: ”Ateu” é uma alcunha dada por religiosos monoteístas para identificar quem não adora sua divindade. Apóstata: que nome feio! Ninguém se apresenta como ”não-futebolista” ou ”não-pianista”.

A idéia de um deus único criador não faz sentido para mim. Também não acredito que ética e moralidade sejam derivadas de religiões, mas sim do reconhecimento do conceito transcendental de justiça. Acredito que devemos fazer o bem por ser o certo e não devemos fazer o mal por ser errado. Não espero recompensa por fazer o bem, nem evito o mal por temer punições. Acredito que isso é tão evidente por si mesmo que procurar agir bem por ”temor a deus” é em si uma falha de caráter.

Eu acredito que devemos deixar os deuses resolverem os assuntos divinos e cuidarmos nós dos assuntos mundanos. Se eles quisessem mudar o mundo, já o teriam feito. Cabe a nós resolvermos nossos próprios problemas (a maioria deles, criados por nós mesmos). Em lugar de olhar para o céu, olhe para o lado: você vai encontrar alguém que pode ajudar. Se cada um de nós ajudar um pouquinho, fazendo só a própria parte, podemos tornar este nosso próprio mundo no paraíso prometido.


3ª Parte

Há uma separação entre a vida pública e a vida privada dos indivíduos. O que é privado não é público, não concerne à sociedade (às outras pessoas). E dentre as coisas privadas, a religião é matéria de foro íntimo, isto é, é algo que diz respeito somente ao próprio indivíduo. É uma decisão subjetiva, emotiva, afetiva, intuitiva. Não é passível de argumentação racional, mas sim é um ”salto de fé”.

O proselitismo inerente às religiões/ideologias monoteístas abraâmicas é um caso sui generis na história das religiões. Enquanto cristãos, judeus e muçulmanos esforçam-se para converter outras pessoas à sua crença, budistas, hindus, animistas e xamanistas tão somente seguem sua fé, convidando quem quiser conhecê-la e pedindo que lhes deixem em paz. Não catequizam, nem proscrevem do seu meio quem não tem a mesma crença.

A intolerância religiosa, o fanatismo, essa falta de consideração com o coração do próximo é bastante comum entre os monoteístas. Querer impor algo tão pessoal a outrem é sintoma de pequenos proto-ditadores sem poder, pessoas que querem dominar o mundo, moldá-lo segundo sua própria vontade, escondendo-se covardemente atrás de seletas escrituras. E todo tolo que quer dominar o mundo tão somente quer forçar os outros a fazer o que ele mesmo não pode. São pessoas que não aceitam que o mundo não gira ao redor delas, que não são especiais, que não têm importância neste vasto universo. E que podem estar erradas.

Um dos mais importantes sutras (texto sagrado) dentro do budismo é o Sutra do Diamante, que abaixo segue. Além dele sugiro também considerar uma máxima do Hinduísmo: ”se quiseres apoio, apóia-te em ti mesmo”. Afinal, a prece vem do coração, e este nunca te faltará.

Kalama Sutra – O Sutra do Diamante (adaptado)

Tenha confiança não no mestre, mas no ensinamento.
Tenha confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.
Tenha confiança não na teoria, mas na experiência.
Não creia em algo simplesmente porque ouviu.
Não creia nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.
Não creia em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.
Não creia em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados.
Não creia no que imagina, pensando que um deus lhe inspirou.
Não creia em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.

Mas após contemplação e reflexão, quando perceber que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para você quanto para os outros, então o aceite e faça disto a base de sua vida.

Sidarta Gautama, príncipe dos Shakyas. Venceu todos os males do mundo e despertou para a verdade do universo: a morte não é o fim de tudo; a morte não é mais do que outra transformação.

Comunicação com crianças deficientes (cegas e surdas)

A comunicação verbal e o desenvolvimento da linguagem é uma das marcas fundamentais da espécie humana. Todo o raciocínio lógico é moldado conforme e segundo a linguagem aprendida. É, portanto, um grave problema a ser enfrentado pelos pais, deficiências que prejudiquem o aprendizado da linguagem pelas crianças. Crianças surdas precisam desde cedo aprender a se comunicar por meio de sinais básicos. Mas o que acontece quando uma criança é surda e cega?

Veja mais: Como a linguagem modela a maneira como nós pensamos?

Há muito tempo, foram desenvolvidos métodos para o ensino de linguagem para essas crianças. O método TADOMA permite que surdos-cegos possam aprender a compreender o que outra pessoa fala por meio do tato. Nesse método, a pessoa coloca a mão sobre o rosto do falante e por meio do tato reconhece as vibrações da fala. É possível que o surdo-cego aprenda a falar, reproduzindo em seu aparelho fonador as vibrações que sente, ainda que não escute propriamente a própria voz. É um método complicado, mas é uma alternativa válida para ensinar a criança a se comunicar. Esse método recebeu seu nome em homenagem às duas primeiras crianças que aprenderam a falar com ele, Tad e Oma.

Helen Keller & Anne Sullivan (1928 Newsreel Footage with Open Captions and Audio Description) | Described and Captioned Media Program

Helen Keller’s loss of vision and hearing in infancy made comprehension of the outside world next to impossible—or so it seemed. When teacher Anne Sullivan agreed to work with Keller, that world opened up, especially when Keller comprehended the function and purpose of language. Keller and Sullivan appear in this newsreel footage from 1928, in which Sullivan explains and then demonstrates the methodology used to teach Keller language, most elements of which are still used worldwide with students who are deaf-blind. This full-length version is brought to you by the Described and Captioned Media Program (www.dcmp.org) with the permission of the copyright holder, the University of South Carolina Newsreel Library (www.sc.edu/library/newsfilm/). It has been described for the blind and captioned for the deaf. To learn more about description and captioning, visit the following websites: http://www.dcmp.org/description and http://www.dcmp.org/captions.

Tradução:
A perda de visão e audição de Helen Keller na infância tornava a compreensão do mundo exterior quase impossível – ou assim parecia. Quando a professora Anne Sullivan concordou em trabalhar com Keller, esse mundo se abriu, especialmente quando Keller compreendeu a função e o propósito da linguagem. Keller e Sullivan aparecem neste noticiário de 1928, no qual Sullivan explica e, em seguida, demonstra a metodologia usada para ensinar linguagem a Keller, a maioria dos elementos da qual ainda é usada em todo o mundo com alunos surdo-cegos. Esta versão completa é fornecida a você pelo Programa de Mídia Descrita e Com Legendas (www.dcmp.org) com a permissão do detentor dos direitos autorais, a Biblioteca Newsreel da Universidade da Carolina do Sul (www.sc.edu/library/newsfilm/) . Foi descrito para cegos e legendado para surdos. Para saber mais sobre descrição e legenda, visite os seguintes sites: http://www.dcmp.org/description e http://www.dcmp.org/captions.


O caso de Helen Keller (1880-1968) é o mais famoso pelo impacto sociocultural que Helen teve após aprender a falar. Surda-cega desde os 19 meses de idade, foi aluna da professora deficiente Anne Sullivan (1866-1936), que por sua vez era parcialmente cega. Helen Keller tornou-se ativista política e palestrante internacional, foi a primeira surda-cega formada bacharel em Belas Artes da Universidade de Harvard. Publicou 12 livros e numerosos artigos. Teve uma vida plena e até um noivado secreto.

Sua vida é alvo de vários filmes e adaptações animadas. Quanto ao seu posicionamento político, é necessário considerar o contexto histórico em que sua trajetória se deu. Independentemente disso, ela é um exemplo de que, com o tratamento adequado, deficientes físicos podem se desenvolver intelectualmente de forma plena e contribuir normalmente para a sociedade.

Educação especializada para deficientes não é um ato de comiseração: é um direito natural que lhes assiste e um dever da sociedade. O desenvolvimento infantil possui etapas muito bem conhecidas e discriminadas. É importante que o tratamento comece o mais cedo possível para que a janela de tempo de cada fase de desenvolvimento seja respeitada.

A seguir, uma animação direcionada para crianças:

A História Animada de Helen Keller | Carlos Eduardo Vilela


Mais sobre o assunto:

A educação do surdo-cego – Diretrizes básicas para pessoas não especializadas
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
Shirley Rodrigues Maia

Essa pesquisa consiste no levantamento das necessidades e dificuldades de famílias e de pessoas não especializadas para o atendimento da pessoa surdocega nas cidades de: Juiz de Fora (Minas Gerais), Dourados (Mato Grosso do Sul), Angra dos Reis (Rio de Janeiro), São José (Santa Catarina) e Alagoinhas (Bahia). Através de questionários e entrevistas foram coletados dados que permitiram arrolar os recursos básicos necessários para orientação de pais e de pessoas não especializadas para o atendimento à pessoa surdocega, e a disseminação de informações, implantações de serviços e formação continuada.

Palavras-chaves: surdocegueira, educação, surdocego, diretrizes básicas.

Acesso em: https://perkinsglobalcommunity.org/lac/wp-content/uploads/2021/02/A-Educacao-do-Surdocego-–-Diretrizes-Basicas-para-Pessoas-nao-Especializadas_autor-Maia-Shirley.pdf

 

 

Ferrorama! (2) Grandes projetos ferroviários do passado e do futuro.

Veja mais: Ferrorama! Documentários sobre a história das locomotivas. 

O primeiro vídeo mostra um projeto antigo (e hoje obsoleto) de gigantes e luxuosos trens de passageiros. O segundo trata dos futuros e rapidíssimos trens de levitação magnética e explica seu funcionamento.

The Insane Giant Nazi Railway – The Breitspurbahn | Found And Explained

O trem mais rápido já construído | A física completa disso | Lesics português

Quais são as diferenças entre o Hinduísmo e o Cristianismo?

Na tabela abaixo, seguem algumas comparações primárias e diferenças fundamentais entre o Hinduísmo e o Cristianismo.

Importante notar que o Espiritismo é uma autodenominada “doutrina filosófica e científica” avessa ao dogma e, portanto, não se enquadra na tabela abaixo. Podemos considerá-lo uma derivação do Cristianismo, tal como este a é do Judaísmo.

Ver também: Chico Xavier – Bibliografia completa

Ver também: Espiritismo, Umbanda e Candomblé

Ver também: Jesus e o Judaísmo

Ver também: O perigo do Islamismo no Brasil e no mundo – parte 1 (primeiro de série)

Ver também: O crescimento do criacionismo no Brasil – Parte 1 (1 de 2)

Hinduísmo

Cristianismo

Tempo

O Hinduísmo surgiu há 8.000 anos. É a mais antiga tradição religiosa ainda em prática. O Cristianismo surge com Jesus de Nazaré, a partir do Judaísmo, há pouco mais de 2.000 anos.

Seguidores

Pouco mais de 1 bilhão e 200 milhões. (16% da humanidade) Mais de 2 bilhões e 500 milhões. (31% da humanidade)

Fundador

O Hinduísmo não tem fundador. As escrituras são compilações de incontáveis sábios ao longo do tempo. Filosofia, Mitologia e História se mesclam com a vivência prática do dia-a-dia das pessoas. O Cristianismo foi fundado por Jesus e seus discípulos formaram sua primeira igreja. Após diversos concílios, um determinado conjunto de textos foi selecionado para ser considerado sacro. Parte provém da Torá (livros judaicos) e parte são os relatos de apóstolos selecionados. Os demais textos são considerados apócrifos.

Conceito

O Hinduísmo por si mesmo é um estado de espírito; uma forma de interpretar o homem, a vida e o universo; uma forma de viver. O Cristianismo é o culto ao Messias, o salvador da humanidade, que se dá ao se observar e seguir seus ensinamentos. Nasce como religião.

Princípio fundamental

O princípio fundamental do Hinduísmo é o bem-viver. O princípio fundamental do Cristianismo é a Trindade: O deus criador, Jeová, seu filho, Jesus de Nazaré, e o Espírito Santo.

Proposição

O Hinduísmo aproxima-se da máxima grega ”conhece-te a ti mesmo”. Os textos sagrados, as inúmeras divindades, o conhecimento popular e os diversos mestres são ferramentas nessa empreitada. O Cristianismo prega o culto à Trindade e a prática dos ensinamentos de Jesus Cristo. O estudo dos textos sagrados, os ritos e as proposições não-fundamentais variam conforme a ramificação eclesiástica.

Divindade

Depende da linhagem e não há consenso. Ateísmo, monoteísmo, politeísmo e panteísmo se mesclam. Não há um deus único. A Realidade Suprema é chamada Bhraman, ao que pode ou não ser atribuída uma personalidade. Deus é o criador e o governador de todas as coisas. Ele criou a humanidade conforme sua vontade à sua imagem e semelhança. Apesar da rebeldia dos homens, propôs repetidas alianças. Com a família de Noé, com Abraão e sua descendência, com Moisés e seu povo, e finalmente por meio de seu próprio filho, o Messias, que teve sua vida sacrificada e por seu sangue constituiu-se a última aliança e o meio de salvação dos homens.

Criação

No Hinduísmo, Bhraman (enquanto realidade) é desconhecido e não é adorado. O universo é constante e perpétua transformação. Tudo é Bhraman e emana de Bhraman. Não há dualidade. Não existe o conceito de criação. No Cristianismo há um deus criador, Jeová, com personalidade, livre-arbítrio e vontade, responsável pela existência de todas as coisas. Há uma separação clara entre criador e criatura, entre o transcendente e o imanente. E a conexão entre os dois é Jesus Cristo.

Sobre o homem

O Hinduísmo une a humanidade: independentemente se o seguidor é politeísta, monoteísta ou ateu, os hindus se consideram como uma grande comunidade. O Cristianismo, assim como as demais religiões abraâmicas, divide a humanidade entre crentes e não-crentes. Mesmo dentro do Cristianismo, há divisões internas entre igrejas e interpretações. Cada variante abraâmica admite somente uma única verdade.

Vida após a morte

Parte essencial do Hinduísmo é a crença na reencarnação, nas múltiplas vidas e em um universo cíclico, sem começo tampouco fim. Parte essencial do Cristianismo é a crença na única vida e na Ressurreição, isto é, na promessa de que o Messias ressuscitará os mortos no fim dos tempos.

Salvação /libertação

De acordo com o Hinduísmo, todos os seres atingirão a libertação. Segundo o Cristianismo, apenas algumas pessoas serão salvas, os seguidores de Jesus.

Pecado

No Hinduísmo, todas as pessoas nascem divinas. No Cristianismo, todas as pessoas nascem pecadoras.

Inferno

No Hinduísmo, há a crença em vários planos de existência, todos transitórios. Mesmo os desviados que renascem em mundos de sofrimento um dia escaparão, se purificarão e ascenderão a planos mais elevados. No Cristianismo, os pecadores são levados ao Inferno após a morte e não mais podem sair de lá. A punição pelos seus maus feitos é eterna.

Escatologia

Por sua natureza, o Hinduísmo não tem começo ou fim. O Cristianismo começa com o nascimento de Jesus e termina com seu retorno profetizado. Seus seguidores esperam o dia em que Jesus Cristo retornará e fundará um reino perpétuo onde seus seguidores estarão salvos.

Baseado em https://www.quora.com/Is-Hinduism-better-than-Christianity por Sivanandan Chetty, Mumbai, Maharashtra, Índia.

Jesus e o Judaísmo

JESUS E O JUDAÍSMO
Henry Sobel em Aquino, M. F. (Org) Jesus de Nazaré. Profeta da liberdade e da esperança. São Leopoldo: Editora Unisinos, 1999, pp. 89-104.

Confesso que hesitei antes de aceitar o convite da Editora Unisinos para escrever este artigo. Afinal, Jesus é a figura máxima da cristandade e tive receio de penetrar em seara alheia. Mas, pensando bem, a seara não é de todo alheia, como veremos em seguida. Mesmo assim, traço estas linhas com profunda humildade, pisando em ovos, ciente de que a relação entre Jesus e o Judaísmo é das mais delicadas.

Jesus era judeu, nascido de mãe judia. Foi circuncidado no oitavo dia, de acordo com a lei judaica (Lucas 2,21), e se considerava um judeu fiel às suas origens. Seus ensinamentos derivam das leis e das tradições judaicas com as quais Jesus se criou e que jamais negou. Ele era chamado de “rabino” (João 1,49; 9,2) e frequentava o Templo de Jerusalém, junto com seus discípulos. É uma pena que as divergências posteriores entre Igreja e Sinagoga tenham resultado num processo de obliteração das origens judaicas do cristianismo.

Texto completo: Jesus e o Judaísmo. Artigo de Henry Sobel – Instituto Humanitas Unisinos – IHU


Fonte: https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/594732-jesus-e-o-judaismo-artigo-de-henry-sobel

Em tempo: como em tudo, qualquer ponto de vista contrário ao judaísmo, recebe automaticamente a alcunha de anti-semitismo. Mas é possível pescar informações sobre religião comparada nesse mar de vitimismo e lamentações…

Metodologia russa para resolução de divergências políticas

Os russos têm sua própria forma de resolver divergências políticas. Quando há rixas insolúveis entre os poderes constituídos em seu país, ela é resolvida de forma prática, simples e higiênica. Trazendo esse conhecimento para o Brasil, sugiro repensarmos quem é o verdadeiro poder moderador por estas terras.

O jeito russo de resolver divergências com o Congresso | Hoje no Mundo Militar

Em tempo: não tenho vínculos com o apresentador, tampouco aprovo, recomendo ou incentivo a aquisição de seus produtos e serviços.

Bandeira nacional

Publicado originalmente em 02/02/2017 (revisado, adaptado e ampliado em 02/02/2021)

Você sabia que as letras são escritas com a mesma cor verde-oliva?

Neste país de analfabetos funcionais, em que doutos apedeutas julgam o universo ao seu redor com a propriedade de magistrados da mais alta corte e a onisciência infalível de repórteres de TV, volta e meia a proposta para alteração do pavilhão nacional instiga os mais primitivos instintos cívico-tribais e falaciosa verborragia contra a ”evidente” afronta à pátria…

Veja mais: Discussão e debate no país dos analfabetos

Vamos com calma…

Embora a bandeira nacional seja símbolo do país, protegido pela Constituição Federal (que hoje é apenas um conjunto de rabiscos com meras sugestões), a apresentação em si da bandeira é objeto de lei ordinária. Basta o Congresso decidir e vai para a sanção presidencial. Como nosso Congresso Nacional aparenta não ter muito trabalho a fazer, tampouco palpite para dar, uma simples iniciativa deveria ser suficiente. Mas nem tudo nestas terras sul-americanas é como ”deveria” ser.

1º – a proposta é antiga;

Há muito tenta-se colocar a palavra ”amor” na bandeira. Há projetos de lei tramitando há décadas (e arquivados também) para tal fim. Essa proposta não é nova e não deveria surpreender. Mas, como se diz, o povo brasileiro não tem memória, tem apenas uma vaga lembrança.

2º – a proposta tem fundamento;

O lema desta República vem da frase ”Amor por princípio, ordem por base e progresso por fim.”, lema positivista. Gostem ou não, esta republiqueta foi fundada com base na ideologia positivista e até hoje a máquina pública é permeada por ela. Não se está criando nada novo, apenas completando a frase original.

3º – a proposta faz sentido.

Nosso país precisa mesmo de mais amor (fé, esperança e caridade — as três virtudes teologais — se considerarmos que é um país eminentemente cristão). Além do mais, os símbolos nacionais devem simbolizar (desculpe a redundância) a nação. E essa bandeira não simboliza o que almejamos para a nação: simboliza um país que não queremos mais, simboliza a burro-cracia que é esta República, simboliza nosso fracasso enquanto sociedade, simboliza a orgia pós 1988.

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Veja mais: O povo no poder – Uma crítica ao governo de Jair Bolsonaro

Ora, essa nova versão com 27 estrelas (e vários erros astronômicos) foi legalizada em 1992. Já tivemos 9 constituições, a última mais remendada que as minhas meias! Não vejo mal algum em colocar um pouco mais de amor neste país. Talvez assim, mudar a bandeira deixe de ser um assunto mais importante do que sanear a cultura pervertida desta sociedade.

A geração que baixou o QI

Para saber maisPreconceito, medo e aversão. A crise da comunicação no século XXI.

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A geração que baixou o QI | Visão Libertária