Dia 12/06/2023 fui expulso do Vimeo. Minha conta foi cancelada e todos os vídeos removidos. Isso significa que muitas (muitas) postagens aqui ficaram quebradas (sem vídeo). Nesta página eu tenho postagens que embarcam três plataformas de vídeos, o Tumblr para vídeos curtos, o Facebook para alguns vídeos mais antigos e o Vimeo para vídeos longos. Estes não aparecem mais. Já fiz uma conta no BitChute e, aos poucos, estarei colocando os vídeos do Vimeo de volta.
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Eu odeio os textos produzidos com inteligência artificial. E odeio ainda mais o fato de que os textos produzidos por seres humanos estão sendo contaminados pelos vícios de discurso da inteligência artificial.
Nossa forma de pensar reflete a forma como falamos (e vice-versa), isto é, ela é diretamente influenciada pela estrutura gramatical da língua utilizada para raciocinar. Do início:
a estrutura que organiza o pensamento é a razão, o logos;
a estrutura do pensamento (a razão) se dá pela estrutura da linguagem (o raciocínio);
a estrutura da linguagem (o raciocínio) determina como e quais idéias são transmitidas;
logo ao controlar a linguagem, controla-se o pensamento (como se pensa e o que se pensa).
A linguagem é a ferramenta do pensamento usada para compartilhar idéias entre as pessoas. Se todo mundo fala de um jeito, a gente tem que usar esses termos para se fazer compreender. Daí o interesse de atores escusos. Controlar a língua é controlar o discurso; controlar o discurso é controlar o pensamento; controlar o pensamento é escravizar a alma. E a liberdade começa já no campo das idéias. Se esse for tolhido, todo o resto é inconseqüente.
No parágrafo anterior, tentei resumir grosseiramente o argumento principal da defesa da liberdade de expressão, bem como do ataque ao compelled speech (discurso obrigatório). Quando outrem exige que você não fale determinados termos ou quer obrigá-lo a falar de algum modo, seja por que motivo alegar, na verdade está em tentativa direta de controlar seu pensamento para que se conforme aos interesses dele.
Isso se observa claramente na prática gramsciana de cooptação e corrupção da cultura. Infiltrando-se em posições de controle do discurso como a academia e a imprensa ao longo das décadas, a ideologia marxista tornou ponto comum termos como ”classe” (ao se referir a grupos trabalhistas), ”alienação”, ”burguesia” (termo hoje em declínio), e outros termos em ascensão recente como hegemonia cultural (Gramsci), dinâmica de poder (Foucault), desconstrução (Derrida), interseccionalidade, identitarismo etc.
Mas não é necessariamente algo que acontece de forma pré-planejada. O modo como uma pessoa se expressa é resultado da soma da cultura (literária, inclusa) acumulada ao longo de toda a sua vida. A forma de escrever e de falar muda com o tempo, aprimorando-se ou degradando-se, conforme o indivíduo é exposto a textos de autores diferentes e de qualidades diferentes. Alguém acostumado a ler grandes obras de literatura acaba introjetando o modus dos escritores consagrados, assim como alguém que lê exclusivamente textos acadêmicos e científicos tem uma forma de raciocínio e de expressão influenciada diretamente pelo linguajar acadêmico corrente.
Vivemos numa sociedade que despreza a própria língua. Raros são os repórteres da imprensa que se prestam a usar o corretor ortográfico antes de publicarem seus lixos redigidos a toque de caixa. Jovens não lêem a literatura clássica. Praticamente ninguém mais fala bem. Entre gírias, neologismos torpes e estrangeirismos, a decadência cultural e o analfabetismo funcional marcham lado a lado em afronta à Língua Portuguesa.
Numa sociedade de analfabetos funcionais retardados, ao que carinhosamente chamamos de Brasil (ou Bostil para os íntimos), não é de se admirar que pessoas sejam incapazes de falar coerentemente, de se expressar compreensivelmente. Vejo situações em que a criatura mais parece estar gemendo grunhidos bestiais do que tentando simular a comunicação humana. Temos de lidar diuturnamente com sujeitos incapazes de fazer operações mentais simples a partir de informações pré-fornecidas, ou seja, gente estúpida (Bostileiros).
E para piorar ainda mais, soma-se a isso tudo o advento da inteligência artificial. Incapaz de produzir algo genuinamente autêntico, a inteligência artificial apenas tenta disfarçar sua produção com o verniz da alma humana, porém sem sua substancialidade. É sensível quando um texto é produzido por I.A., pois o mesmo é… ”artificial”.
Eu consumo muitos vídeos sobre os mais variados temas, e a quantidade de vídeos produzidos por inteligência artificial, além de me enojar, causa-me espécie. Evito sempre esse tipo de conteúdo, raso, repetitivo, enfadonho, feito com o propósito de que o espectador assista-o durante o máximo de tempo possível. A torrente de vídeos produzidos por inteligência artificial está inundando todas as redes sociais, aos poucos suplantando o conteúdo produzido por pessoas, como eu e você. O que antes era uma ferramenta para que pessoas pudessem trocar informações e idéias está se tornando uma vitrine para vídeos ”enlatados” de péssima qualidade, imprecisos (por vezes até incorretos), feitos com o único e exclusivo propósito de disputar engajamento e vendê-lo aos anunciantes.
Se antes a atenção do espectador era o objetivo a alcançar, agora ela é o produto a ser comercializado. Como boa parte do conteúdo já é produzido por I.A. ela se retroalimenta, deteriorando-se exponencialmente em produções com qualidade cada vez pior. Não sendo ela o produto, e sim você, não é necessário aperfeiçoá-la, desde que você continue fornecendo sua atenção.
Mamãe lamentavelmente consome esse tipo de conteúdo e eu não agüento mais escutar as palavras ”profundo”, “silencioso”, “poderoso”, “invisível”, “revelar” usadas à exaustão numa tentativa capciosa de atribuir importância ou solenidade à cada meia frase monotonamente repetida. Se isso tudo já não bastasse, minha repulsa agora encontra outro inimigo.
Criadores de conteúdo que sigo também consomem conteúdo produzido por inteligência artificial. É direito deles consumir o que quiserem. E como a linguagem que se consome influencia a forma como se pensa e como se fala, eles também passaram a revelar poderosas verdades profundamente silenciosas e invisíveis.
Putaqueopariu.
Sendo eu alguém que trabalha primariamente com texto, tive o privilégio de não ter sido atingido pelo AI Slop (lixo produzido por I.A.) por um período de tempo maior do que o das pessoas que lidam com imagens e sons. Mas a produção audiovisual é uma forma de linguagem que invariavelmente também influencia a produção escrita.
Quando alguém assiste, escuta ou lê o conteúdo massificado da I.A. sem uma recepção crítica daquilo, acaba trazendo para seu próprio vocabulário, e conseqüentemente para seu pensamento, os jargões e modismos incessantemente cuspidos pela máquina para cumprir as métricas do algoritmo.
É desagradável, mas é a realidade. A I.A. faz parte da humanidade e continuará crescendo. Cada vez mais interagiremos com máquinas em nossas vidas. Em breve robôs caminharão pelas ruas e, quem sabe, em nossas casas. E essas máquinas têm sua própria forma de ”falar”. Mesmo se eu nunca utilizar a I.A. e nunca ”conversar”’ com robôs, as outras pessoas assim o farão e serão afetadas por isso, seja em seus hábitos, seja em seu modo de falar, seja em seu modo de pensar.
E ao me comunicar com elas…
Agora basta descobrir: quanto tempo vai levar até que também eu, sem perceber, comece a replicar a estrutura do discurso desalmado de um computador?
Google AI Overview
comunicar
A palavra comunicar vem do verbo em latim communicare, que significa “tornar comum”, “partilhar” ou “dividir algo com alguém”. Essa base latina vem de communis, que quer dizer “comum”, a mesma origem da palavra comunhão.
Este texto é um adendo à minha série “O perigo do Islamismo no Brasil e no Mundo“. Caso você não a tenha lido anteriormente, eu tomo alguns de seus minutos para explicar alguns pontos-chave antes de prosseguir com o tema de hoje.
Eu venho há longa data denunciando o perigo que os muçulmanos representam para a sociedade ocidental, talvez em muito maior ameaça do que a China Comunista ou os sectos judaico-talmúdicos. O comunismo chinês bem como o neomarxismo pós-moderno são problemas com os quais a sociedade ocidental pode lidar por meio do amplo debate, das pressões econômicas e da evolução natural do mercado. Governos corruptos sempre houve e isso não é novidade.
Já o racismo etnocêntrico judaico fortemente amparado e instrumentalizado pelo cartel político-econômico sionista tende a perder poder no futuro conforme as atrocidades perpetradas por Israel forem sendo evidenciadas e o público finalmente vier a entender que a cultura judaica é inerentemente contrária à cultura cristã. Creio que conforme houver mais informação, menos censura e a população for mais bem educada, os argumentos evangélicos, em especial os neopentecostais, em defesa daquele Estado finalmente serão repelidos em favor de doutrinas tradicionais, como a de algumas linhas da Igreja Católica Romana.
Porém o Islamismo é um inimigo completamente diferente.
Conforme explicitei em minha série, o Islamismo não é uma religião: é uma ideologia político-teocrática absolutamente incompatível e antagônica aos valores greco-romano-cristãos ocidentais. De natureza totalitária e expansionista, tem como objetivo a conquista político-militar e imposição de um califado único sobre todos os povos do mundo. Esse regime de governo se dá por meio de uma lei própria, a Sharia, que muçulmanos pretendem impor a todos. Valores caros ao ocidente, como liberdade de expressão e de crença, ou democracia, são rejeitados em favor de uma doutrina de submissão.
Hoje esses agentes são recebidos de braços abertos pelo ocidente, enfraquecido, autocastrado e ingrato por todos os esforços de séculos de combate cristão. O pernicioso ideário pós-guerra da segunda metade do Século XX conseguiu erodir os fundamentos da civilização ocidental. Subitamente, o nacionalismo, o amor à pátria e o valor à cultura ancestral tornaram-se motivo de polêmica social. Gerações foram educadas, ensinadas, condicionadas mesmo a acreditar que a cultura branca européia seria ruim e que não deveria ser estimada.
Ora longe dos valores cristãos tradicionais, estão permitindo o ingresso desenfreado de uma massa de imigrantes que desejam abertamente destruir a cultura ocidental para impor sua própria. Essa cultura muçulmana baseia-se na figura de seu fundador Muhammad.
Se é que realmente existiu (pois sua existência é motivo de controvérsia), Muhammad trata-se de um falso profeta, adorador de um falso deus. Conforme os próprios textos islâmicos, Muhammad era homossexual, pedófilo, racista, escravagista, torturador e belicista. E para os muçulmanos é considerado o ”exemplo perfeito de homem”, em que todos devem procurar se espelhar.
Segundo sua doutrina, seus seguidores são ensinados a mentir, a dissimular e a se infiltrar nos territórios a ser conquistados. Também são ensinados a matar e a estuprar quem não segue sua doutrina, a quem chamam de ”infiéis”. Quando em menor número, clamam por igualdade e direitos; quando em maior número, porém, as minorias não têm direito algum. Não há muçulmanos moderados. Todos os adeptos dessa ideologia ou agem conforme ou apóiam essa doutrina deletéria e repugnante.
No texto abaixo, segue um dos exemplos de como essa doutrina maligna é incompatível com o ocidente e como as vidas de animais inocentes são há séculos acometidas.
‘==
As origens homossexuais do ódio muçulmano por cães: um falso profeta, um amante homossexual e um filhote de cachorro.
Autor: Raymond Ibrahim
14/06/2025
Tradução adaptada.
Qual é a questão com o Islã e os cães? Se você tem prestado alguma atenção, certamente já deve ter suspeitado que os muçulmanos simplesmente não gostam daquilo que é conhecido como o melhor amigo do homem. Eu já escrevi sobre esse fenômeno ao longo dos anos. Mas, caso você não saiba do que estou falando, aqui vão algumas notícias.
Em maio de 2025, há apenas alguns dias, o proprietário muçulmano de um abrigo de resgate de cães no Reino Unido chamado Save-a-paw foi preso após os restos mortais de 37 cães mortos serem encontrados em suas instalações. Aparentemente, seu golpe consistia em receber os animais de donos que não podiam mais mantê-los, sob a promessa de que os realocaria mediante pagamento.
Em janeiro de 2025, foi relatado que cães estavam sendo abatidos nas ruas de Marrocos, com uma estimativa de 3 milhões programados para extermínio como parte dos preparativos dessa nação muçulmana para sediar a Copa do Mundo de 2030.
Em agosto de 2024, nas palavras do jornalista turco Uzul, a lei de massacre de cães aprovada pelo governo da Turquia em 30 de julho está provocando uma onda de crueldade por pessoas perversas no país. As municipalidades agora estão caçando e massacrando cães de rua, às vezes incluindo animais de estimação amados e cuidados, encontrados nos bairros de seus donos.
Notícias horríveis vêm não apenas das autoridades locais, mas também de cidadãos privados. Aqueles que odeiam cães estão envenenando, atirando e até decapitando cães. Alguns são enterrados vivos. Em novembro de 2022, e nas palavras de outro jornalista local, o prefeito de Hebron, uma cidade palestina, ofereceu 20 shekels a qualquer pessoa que matasse um cão em sua cidade. Palestinos foram às ruas torturando e matando dezenas de cães. O relatório é acompanhado por uma imagem do que parece ser palestinos espancando um cão com bastões. Em julho de 2022, autoridades iranianas invadiram abrigos de cães e abateram 1.700 animais que haviam sido recolhidos das ruas. Segundo o relatório, imagens comoventes mostravam uma voluntária chorando enquanto segurava os cães.
Poderíamos continuar indefinidamente com histórias semelhantes, e elas estão nos meus artigos, mas creio que você já entendeu o ponto. Em resumo, o mundo muçulmano extermina cães como se fossem pragas. A hostilidade muçulmana contra cães chegou inclusive ao Ocidente e está causando problemas. Relatos de motoristas muçulmanos de táxi e de aplicativos como Uber nos Estados Unidos, Europa, Canadá e Austrália se recusando a transportar passageiros cegos por estarem acompanhados de seus cães-guia são extremamente comuns, especialmente naquele “bastião da diversidade e do multiculturalismo”, o Reino Unido. No Reino Unido, placas proibindo a presença de cães não são incomuns em regiões com grande presença muçulmana.
Certo, então o ódio muçulmano por cães é um fenômeno bem documentado. É algo muito real. Mas de onde isso vem? Como em todas as questões relativas ao que é ou não islâmico, devemos recorrer ao fundador da religião, Maomé. Não é segredo que, de acordo com muitos hadiths autênticos (sahih), incluindo os dois mais autênticos de todos, Sahih Bukhari e Sahih Muslim, ele literalmente demonizou e ordenou a morte de cães. Nas palavras de Sahih Muslim número 1572:
“O mensageiro de Alá nos ordenou matar os cães, e cumprimos essa ordem tão rigorosamente que chegamos a matar até o cão que acompanhava uma mulher do deserto.”
Ele se refere ao cão de guarda de uma viúva idosa. Depois que esse genocídio de cães durou algum tempo — e note que isso foi antes da pólvora, o que significa que os seguidores do profeta mataram esses cães com facas, pedras, por estrangulamento, afogamento etc. — após algum tempo, Maomé revisou sua ordem e limitou as mortes apenas aos cães pretos. O hadith de Sahih Muslim continua:
“Então o mensageiro de Alá proibiu sua matança, e disse: ‘Vocês devem matar o cão totalmente preto com duas manchas acima dos olhos, pois ele é um demônio.’”
Até aqui, tudo bem. Pelo menos agora sabemos de onde vem toda a hostilidade moderna dos muçulmanos contra cães: do profeta do Islã.
Agora, o que é interessante, porém, é se colocarmos nosso chapéu de detetive e juntarmos todas as razões pelas quais Maomé odiava cães. Chamo sua atenção para a premissa A, outro hadith autêntico. Segundo ele, o anjo Gabriel marcou um encontro com Maomé. O anjo disse que o visitaria muito tarde, em uma noite específica. Maomé esperou e esperou, mas Gabriel nunca apareceu, deixando o mensageiro de Alá bastante frustrado. O hadith canônico narrado por uma das esposas de Maomé, Aisha, também está em Sahih Muslim — dependendo da versão, número 2104 ou 5244 — e diz o seguinte. Lembre-se de que é Aisha quem narra:
“Gabriel marcou um encontro com o mensageiro de Alá, mas a hora chegou e ele não veio. O profeta tinha um bastão na mão, jogou-o ao chão com frustração e disse: ‘Alá e seus mensageiros não quebram suas promessas.’ Então, olhando ao redor, viu um pequeno filhote debaixo de sua cama. ‘Aisha, quando esse cão entrou?’, exclamou. ‘Por Alá, eu não sei’, respondeu a menina assustada. Então ele ordenou que o cão fosse retirado. Em seguida, Gabriel veio. E o mensageiro de Alá disse: ‘Você me prometeu e eu esperei por você, mas não veio.’ Gabriel respondeu: ‘Foi o cão em sua casa que me impediu. Nós não entramos em uma casa que contém um cão.’”
Certo, então, de acordo com esse hadith autêntico, que os muçulmanos aceitam, Gabriel marcou um encontro com Maomé à noite. Mas, por algum motivo, a presença de um filhote impediu esse anjo poderoso de entrar na casa de Maomé. Isso, para começar, é um comportamento bastante estranho para um anjo. Na Bíblia, por exemplo, os anjos não parecem ter tanto medo de animais. Por exemplo, quando Satanás tentou Jesus no deserto por 40 dias, aprendemos que ele estava “com os animais selvagens, e os anjos o serviam” (Marcos 1:13). Tampouco a presença de rebanhos de ovelhas e outros animais considerados impuros impediu que anjos — literalmente as hostes celestiais — aparecessem e anunciassem o nascimento de Cristo em seu meio (Lucas 2:8–20). Há muitos outros exemplos, incluindo do Antigo Testamento, como o jumento de Balaão, que interage e reconhece a presença de um anjo antes do humano (Números 22:21–35). Então, o que teria assustado Gabriel a ponto de evitar um filhote debaixo da cama de Maomé? Poderia ser que o anjo temesse que o cão começasse a latir, como os cães costumam fazer, e causasse um alvoroço, acordando os vizinhos a uma hora tão imprópria? Talvez — se Gabriel não fosse Gabriel. E é aqui que a trama se complica.
Entra em cena Dihya al-Kalbi, premissa B, um companheiro próximo de Maomé e 22 anos mais jovem que ele. Não apenas fontes islâmicas antigas e hadiths enfatizam obsessivamente a beleza incomparável desse homem — “Dihya era o homem mais belo que já vi”, declarou certa vez a jovem Aisha — como também aparentemente o anjo Gabriel tinha o hábito de assumir a forma de Dihya durante seus encontros noturnos com Maomé. Soa familiar? Isso aparece claramente em vários hadiths autênticos. Assim, segundo outro hadith de Sahih Muslim, número 601, certa noite,
enquanto Maomé estava na casa de outra de suas esposas, alguém apareceu para visitá-lo tarde da noite. Ao espiar, ela disse: “Por Alá, este não é outro senão Kalbi.” [Estou citando o hadith literalmente.] Quando Maomé voltou, ela perguntou: “Ó mensageiro de Alá, quem era aquele?” Ao que Maomé respondeu: “Era Gabriel, trazendo ensinamentos da sua religião.”
Certo, então vamos juntar tudo e ler, por assim dizer, nas entrelinhas. E, por favor, tenha em mente que, assim como no caso de outras figuras mencionadas, estas não são minhas deduções ou conclusões. Estou apenas relatando o que ex-muçulmanos em várias partes do mundo árabe afirmam em suas críticas ao Islã. A alegação tem sido feita há muito tempo de que, assim como em outros casos, Maomé teria tido um relacionamento homossexual com Dihya al-Kalbi, esse homem extremamente belo. Mas, como a homossexualidade era malvista entre os árabes da época de Maomé — especialmente por alguém que afirmava ser profeta de Deus — eles teriam que se encontrar em segredo, muitas vezes à noite. Assim, teriam elaborado um plano: se alguém os visse juntos, Dihya fingiria ser Gabriel, sob a idéia de que o anjo assumia a forma daquele homem bonito ao se manifestar para encontrar Maomé. Isso levanta a questão: por que Gabriel não assumiria uma forma independente, ainda mais bela, de um homem? Por que escolher sempre a aparência já pré-existente de Dihya? É algo que faz pensar, embora também funcione como uma explicação conveniente sempre que as esposas de Maomé vissem Dihya com o ”profeta” à noite em suas casas.
De qualquer forma, agora voltemos e apliquemos todas essas informações ao importante hadith de Aisha sobre o filhote. Você se lembrará de que ela disse que Gabriel havia marcado um encontro com Maomé naquela noite. No entanto, por mais que Maomé esperasse, nenhum anjo apareceu. Olhando ao redor, visivelmente frustrado, Maomé viu um pequeno cão em sua casa, que prontamente ordenou que fosse retirado. Feito isso, Gabriel finalmente apareceu, confirmando que havia se recusado a se aproximar por causa do cão na casa. O significado, como muitos ex-muçulmanos insistem, seria claro: essa visita noturna não seria de Gabriel, mas de Dihya al-Kalbi. Ao perceber que havia um cão na casa, ele teria evitado se aproximar para que o animal não começasse a latir, criando uma cena no meio da noite e despertando os vizinhos. Quando Maomé percebeu isso, teria suspeitado que o filhote era o motivo do atraso e mandou retirá-lo. E, para evitar que esse problema se repetisse — e talvez até por raiva vingativa contra esses “animais barulhentos” — teria ordenado a matança ritual de todos os cães em Medina. Que triste pensar que, por essa razão, até hoje, quase 14 séculos depois, muçulmanos ainda odeiem e matem cães. Sem questionar, muitos aprendem que anjos não entram em casas com cães e que alguns cães, como os pretos, seriam possuídos por demônios. Assim, eles os desprezam e, como vimos, os matam.
Se você não acredita, considere as palavras de uma fatwa no respeitado site islâmico Islam Q&A:
“Devemos assegurar que os muçulmanos continuem a ter aversão aos cães, mesmo diante do que os não muçulmanos fazem e do que alguns muçulmanos adotaram de seus hábitos. E Alá sabe melhor.”
Em outras palavras: muçulmanos vivendo no Ocidente poderiam se adaptar e suavizar sua posição em relação aos cães — e, quem sabe, até começar a gostar deles? Não, diz essa fatwa: “é preciso garantir que continuem aversos aos cães”. Talvez o ponto mais triste de todos seja que, por temas como esse serem politicamente incorretos e não poderem ser reconhecidos no Ocidente, o próprio Ocidente acaba sendo cúmplice no abuso de cães.
Segundo um relatório intitulado “Os EUA gastam milhões treinando cães farejadores de bombas doados a países árabes que os maltratam”, muitos dos países que recebem esses cães altamente treinados — incluindo Bahrein, Líbano, Egito, Indonésia, Marrocos e Síria — têm histórico bem documentado de abuso e morte de cães.
Antes de encerrar, eu seria negligente se não apontasse que há ainda outra interpretação por trás da animosidade de Maomé em relação aos cães, uma ainda mais antiga e, segundo alguns, mais diabólica. De acordo com essa versão, Gabriel seria de fato um anjo, mas um anjo caído — um demônio, senão o próprio Satanás. Daí seu medo e ódio por cães, que, segundo muitas tradições ao redor do mundo — incluindo, especialmente, tradições cristãs — são capazes de perceber e latir para espíritos malignos à espreita na noite. Assim, esse ser teria possuído seu veículo Maomé para ordenar a morte dos cães e ensinar seus seguidores a fazer o mesmo. O fato de que o sobrenome de Dihya al-Kalbi, que indica sua tribo, significa literalmente “o cão”, de forma perturbadora, quase valida essa interpretação. De qualquer forma, agora você sabe de onde viria a animosidade muçulmana contra os cães.
Fonte: The Queer Origins of Muslim Hate for Dogs: A Prophet, a Gay Lover, and a Puppy |
Raymond Ibrahim
Hoje foi um dia especialmente pesado para meu cotidiano suburbano. Embora nada de maior gravidade tenha acontecido comigo, os ambientes que freqüento estavam bem mais tensos que o habitual.
Hoje de manhã cedo ocorreu um princípio de incêndio na UERJ. Na biblioteca do quinto andar, a servidora foi ligar um condicionador de ar. O aparelho soltou uma faísca. Imediatamente ela desligou aquele aparelho e seguiu o dia para ligar os demais (a biblioteca é bem grande). Até aí, nada de mais. Um ou outro aparelho elétrico que pife não é novidade para ninguém. Era só o tempo de chegar a chefia para reportar o ocorrido e abrir ordem de serviço para a manutenção.
Só que ela não teve como ver que do lado de fora a faísca havia iniciado a queima da espuma e da armação de plástico que se usa para vedar o buraco na parede. Sem ter visto anormalidades, ela voltou para o balcão. Mas como a UERJ tem olhos em todos os lugares, rapidamente o segurança que estava do lado de fora viu e correu para avisar. Prontamente o nosso curso de combate a incêndio foi posto em prática e em poucos minutos foi tudo contido.
Ninguém se feriu, o acervo não foi danificado e o único prejuízo foi plástico de proteção. Porém a queima do plástico solta muita fumaça e o cheiro ruim dentro da biblioteca ficou muito forte. Soube que o segurança que foi ajudar acabou inalando fumaça e se sentiu mal, mas já passa bem. Eu acompanhei uma inspeção nesta mesma tarde e, mesmo após tantas horas e varandas abertas, o cheiro de plástico queimado estava impregnado em tudo. Fuligem cobria o acervo, todas as mesas e até as salas fechadas de suporte administrativo. Como algo tão pequeno pode causar tanta poluição?! A mancha de fogo não tem mais de um metro de largura, mas mesmo assim tornou impossível o funcionamento da biblioteca hoje.
Acidentes acontecem. Agora seria apenas chamar a Manutenção, a Elétrica, depois o time de limpeza e voltar o expediente. Mas algum engraçadinho sem graça resolveu transformar o caso em causo. O sujeito gravou um vídeo da movimentação dos funcionários e usou a inteligência artificial para montar uma cena. Nela, o bloco D do campus, que nada tem a ver com o ocorrido, estaria sendo tomado pelas chamas.
E o sujeito envia o vídeo para a Rede Bandeirantes.
E a BandNews, SEM VERIFICAR A AUTENTICIDADE, divulga o vídeo falso.
Eu sabia que não dava para confiar na imprensa, mas deixar essa passar foi dose.
E corre a Comunicação Social (porta-voz) da UERJ entrar em contato com os jornais para desmentir o vídeo. Que vergonha alheia…
Até onde isso foi motivo para terem enviado 3 carros do Corpo de Bombeiros para a UERJ, não sei. Mas estavam lá, como se tivesse ocorrido uma hecatombe. Bem, melhor ter do que não ter, não é?
Isso foi uma das coisas de hoje. Durante a inspeção que mencionei, um dos socorristas estava passando no corredor, fazendo a ronda rotineira e parou para conversar com a gente. Papo curto, quando então recebeu o aviso que a gente mais teme por lá (mais do que incêndio): tinha mais uma pessoa doente, desta vez, no 11º andar.
Nossa equipe de administração de bibliotecas se dirigiu imediatamente para lá, para saber se este segundo incidente também seria em uma das varandas de nossas bibliotecas, mas parece que foi em outra varanda daquele andar. Desta vez tivemos sorte, a pessoa pôde ser socorrida rapidamente e foi encaminhada para atendimento médico. Mas e se não tivesse acontecido o incidente com o condicionador de ar? E se não tivéssemos equipes dos bombeiros hoje? Nossos socorristas são treinados para lidar com essas coisas, mas elas não deveriam acontecer em primeiro lugar.
Em suma, meu ambiente de trabalho hoje estava pesado. Não podemos esquecer que a UERJ está em período de greve dos professores e, após a última assembléia do sindicato, a greve dos técnicos começa quinta-feira agora (eu nunca participo de greve – eu cubro o expediente, caro leitor contribuinte).
Meu ambiente de trabalho está bem pesado para uma segunda pós-Páscoa.
Em tempo:
Ontem errei na internet e comprei um remédio por um preço muito, muito, muito mais caro do que do outro site…
Resolvi acertar o meu sono, parando de ir para cama de madrugada: dormi pessimamente.
Mudei o lado de dormir para ver se resolvia meu torcicolo: piorou bastante e acho que terei de fazer fisioterapia.
Gente chata me parou na rua hoje, querendo forçar amizade. Não gosto de intrometidos.
Comprei pão-de-queijo para comer no trabalho: chegaram frios. |:^/
Na volta, de noite, quatro vagabundos tentaram assaltar o ônibus em que eu estava. O motorista arrancou, salvando nossos celulares.
Autismo: o que é crise meltdown e shutdown | Mayra Gaiato | Desenvolvimento Infantil e Autismo
Você sabia que existem tipos diferentes de crise no autismo?
As crises de meltdown e shutdown podem acontecer pelos mesmos motivos, mas a forma como elas se dão é completamente diferente.
Enquanto o meltdown é uma crise “externa”, o shutdown acontece de forma “interna”.
A violência justa é a única resposta para o mal demoníaco.
Eis a verdade sobre os cristãos pacifistas contemporâneos:
Eles pregam a paz por detrás de muralhas construídas por guerreiros e mantidas por policiais.
Todo pacifista é um parasita sobre a violência de homens melhores.
Eles condenam a espada enquanto dormem sob sua proteção.
Eles chamam a polícia quando ameaçados, invocando homens armados para exercer a violência em seu favor.
Eles demandam proteção militar, depois alegam superioridade moral sobre os soldados que puxam os gatilhos das armas que aqueles mesmos decidiram carregar.
Eles não são contra a violência. Eles são contra sujar as próprias mãos.
Eles querem os benefícios da força sem o peso moral de empunhá-la.
Salmo 144.1
Bendito seja o Senhor, minha rocha, que treina as minhas mãos para a batalha e os dedos para a guerra.
Embora Blade Runner (1982) seja reconhecido (hodiernamente) como um dos filmes mais importantes e influentes da história, eu nunca o havia assistido. Sempre me recusei. Ocorre que ao longo das décadas cerca de um milhão de versões diferentes do filme foram editadas, cada qual mudando alguma coisa na história. E eu me recusei a fazer parte dessa bagunça. Eu havia decidido que somente iria assisti-lo quando fosse feita uma versão definitiva da obra. Assim, em 2007, após décadas de entreveros com os estúdios da famigerada indústria cinematográfica, o diretor Ridley Scott finalmente teve permissão para criar sua própria versão com total liberdade artística. Finalmente eu poderia assistir ao filme.
“— A estrela do espetáculo é o diretor! Neste caso, o Seu Madruga” Brux Srta. Clotilde.
Só faltou combinar com minha precariedade conectiva. À época com linha discada e depois (até hoje) com 3G, eu assisto Youtube em 144p ou 240p, caro leitor. Tive, portanto, o privilégio de poder assistir recentemente The Gift (2000), The Dead Zone (1983) e O Crepúsculo das Baratas (Gokiburi-tachi no Tasogare, 1987) com mais pixels que um Tamagotchi. Baixar qualquer coisa é um tormento. Lá se foi o tempo em que eu tinha a paciência de deixar o computador baixando o filme “300 de Esparta” no eMule por duas semanas, para ele vir com piadinhas nas legendas. Havendo tantas diferentes versões, e sendo tão difícil encontrar a versão correta, correr o risco de baixar o filme errado por meio de uma conexão cara e lenta ficou fora de cogitação.
Foi somente graças à compaixão e conectividade da amiga Tamiris que pude finalmente, após 19 anos, pude assistir Blade Runner Final Cut 2007.
Pude finalmente apreciar a visão do diretor!
Pude finalmente inteirar-me de uma das mais aclamadas obras cinematográficas já feitas! E minha reação ao filme foi…
Teria eu caído na “armadilha da expectativa”? Deixe-me explicar o que é isso. Que eu lembre, a primeira vez em que a armadilha da expectativa fisgou o grande público foi com a série Lost (2004). Essa série foi um grande fenômeno de audiência, milhões de pessoas ao redor do mundo ansiosamente esperando pelo próximo episódio, tal como aqui em terras tupiniquins o povão queria saber quem matou Odete Roitman. Incontáveis teorias, previsões e fofocas fervilhavam nas incipientes redes sociais. E, num grande puxão de tapete, a série terminou abruptamente, sem resolver o mistério da ilha, deixando nos espectadores o gosto da decepção. Foi este o primeiro exemplo da armadilha da expectativa capturando audiência em massa (que recordo). O mesmo aconteceu posteriormente com Game of Thrones (2011). Enquanto as primeiras temporadas foram aclamadas pela crítica e pelo público, o desfecho da série foi duramente criticado, levando novamente fãs pelo mundo afora a se decepcionarem com uma história à qual dedicaram sua atenção e afeto por tanto tempo.
Conforme a produção artística foi mudando ao longo das últimas décadas, mais e mais exemplos dessa armadilha foram aparecendo. Antes os estúdios produziam a obra, lançavam-na ao público e, após isso, vinha a reação deste. Mas agora o público leigo acompanha desde a pré-produção até a meta-análise crítica. Os estúdios anunciam com bastante antecedência o que estão gravando, anunciam quais atores foram escalados (por vezes até liberam as audições de teste), e mostram os bastidores da produção. Os atores também mudaram suas atitudes frente à platéia. Engajados em redes sociais, estreitaram e imediatizaram sua relação com o público/os espectadores/a audiência. Este, agora transformado em “seguidores”, acompanha o making of ao vivo, interage e reage a cada postagem pessoal das ”celebridades”, e decide se assiste ou não a uma obra dependendo do quão simpático lhe é o ator principal; de quais são suas posições políticas; de como é sua vida particular.
Rachel Zegler, Brie Larson, Amber Heard e Erza Miller destruíram seus próprios filmes e suas carreiras ao se tornarem personae non gratae fora da grande tela. O oposto também é verdade. Atores e produtoras muito bem quistos pelo público, ou a boa e velha propaganda (enganosa), levam ao que a gíria contemporânea chama de hype (lê-se “ráipi”). E quanto maior o hype, maior o risco do flop (gíria contemporânea para dizer que o filme mixou). Por vezes pessoas vão ao cinema apenas para ver os atores queridos, ainda que os filmes em que atuem sejam ruins. Existe a piadinha que, se Keanu Reeves and Brendan Fraser fizerem um filme que seja só os dois jogando conversa fora, seria um grande sucesso.
Essa realidade não é restrita ao mundo dos filmes. Música, jogos, teatro, literatura, ou seja, a indústria de entretenimento em geral sofre com exatamente o mesmo problema: não se produzem mais clássicos, não se produz mais arte; produz-se material de consumo para fins imediatos. E tal como num restaurante, onde o consumidor pode não gostar de pizza de atum com banana, novas obras são descartadas ao lixo antes mesmo de serem lançadas.
E quanto a mim? Terei eu caído na armadilha da expectativa com relação a Blade Runner? Hmm… Não.
Não porque o assisti sem nenhuma expectativa. Eu não sabia nada da história, nem do enredo, nem ao menos sabia quem eram os atores. Fiz questão de manter-me totalmente ignorante quanto ao filme antes de assisti-lo, pois queria uma experiência autêntica. Assisti “para ver se era bom mesmo”. Como não esperava nada, não fiquei frustrado. Pelo contrário, achei o filme razoavelmente bom.
A história de Blade Runner se passa no futuro cyberpunk distópico (pois todo futuro tem que ser distópico) de 2019. Visto do ponto de vista de 1982, até que o pessoal da época tinha boas esperanças quanto à nossa realidade do século XXI… Seja como for, ele reflete as grandes preocupações sociais que estudei na minha época de escola: a superpopulação, a poluição, a precariedade das condições de trabalho. Enquanto que hoje em dia a gente discute cota legal para homossexuais em empresas privadas e modinhas TikTok, o pessoal de 1980 tinha questões mais prementes a pensar…
Nesse futuro distópico a engenharia biológica teve um grande avanço e humanóides com super-habilidades passaram a ser fabricados para trabalhar para os humanos. Esses ”replicantes” são escravos e, para evitar revoltas, a expectativa de vida deles é reduzida a apenas 4 anos. Quando algum replicante se revolta e foge, agentes especiais, os Blade Runners os caçam e os ”aposentam”, isto é, os matam.
O filme levanta duas questões: a primeira é “o que é ser um ser humano?”; a segunda é “o que é ser um escravo?”. A primeira questão é muito mal trabalhada nesta obra.
O que significa ser humano?
Somos definidos por nossos corpos humanos, por nosso código genético?
Ser humano reside na diferença entre ter nascido ou ter sido fabricado?
Ser humano é ser dotado de emoções?
E se uma inteligência artificial puder emular/imitar emoções?
Pode uma inteligência artificial vir a ter emoções verdadeiras? Pode uma máquina amar?
Nossa humanidade, ou melhor, nossa identidade é definida por nossas memórias?
São as memórias o que nos distingue enquanto indivíduos?
E se nossas memórias puderem ser implantadas, modificadas, apagadas?
O que é o fenômeno da consciência?
O que é a alma?
Essas questões sobre a natureza da humanidade foram muito melhor exploradas em outras obras como Ghost in the Shell (1995) e Dark City (1998). Portanto podemos dizer que elas apenas compõem o enredo e subjazem-no, mas não são seu foco. A principal questão em Blade Runner está entre a liberdade e a escravidão de seres sencientes. Temos nós, humanos, o direito de escravizar outros seres sencientes? Nós já fazemos isso com bois, cavalos, cachorros, elefantes, camelos. Todo tipo de animal de trabalho é um escravo. E isso levanta uma série de questões morais.
É moral usar animais para trabalho forçado?
É moral clonar animais?
É moral fabricar animais?
É moral fabricar humanóides?
É moral escravizar humanóides?
Até onde pode o homem ”brincar de deus”?
Onde precisamente se define a linha que separa o que é moral do que é imoral?
Qual é o limite ético da manipulação genética?
O que é certo e errado na manipulação da vida?
O que é a vida?
Essas profundas questões são o mote para o desenvolvimento do enredo, porém elas não são respondidas, são apenas levantadas. E isso é muito bom. Se fosse feito hoje em dia, seriam duas horas de propaganda ideológica para defender uma tese. Deixar as questões abertas para que a própria audiência reflita sobre esses assuntos é uma demonstração de respeito à autonomia do público e reconhecimento por parte do diretor que ninguém tem todas as respostas. O filme é muito bom enquanto film noir de ação e de detetive. Tem tiroteio, tem o vilão que não é vilão, tem investigação, tem o plot twist (o detetive também é replicante) e o detetive fica com a garota bonita no final. Tudo o que se espera de um bom filme. Contudo, eu esperava mais do ponto de vista filosófico. Esse é um assunto tão complexo e profundo que, creio, merecia ser explorado mais minuciosamente.
Cata-pulga
Terminada a digressão acerca da profundidade filosófica do filme, está na hora de esmiuçar certas coisinhas que me encafifaram. Há certos eventos e conceitos no filme que não fazem muito sentido se a gente pensar bem.
Mas antes preciso falar sobre Harrison Ford. Preciso tirar o elefante da sala. Como posso dizer… Harrison Ford tem o que considero um rosto socável. Eu não sei porque, mas não tenho simpatia pelo sujeito (em tela). Seja em Indiana Jones, seja em Star Wars, cada vez que ele aparece em cena quero socá-lo. Não gosto da atuação inexpressivamente entediante dele. Dizem as más línguas que ele é uma pessoa desagradável na vida real, mas isso pouco me importa. Eu não simpatizo com outros artistas na vida real, mas admiro o trabalho deles. A mim só interessa o trabalho em cena. Foi uma surpresa descobrir que ele interpreta o personagem principal em Blade Runner e isso pode ter contribuído para minha reação ao filme. Afinal, assistir durante 2 horas um sujeito que você quer socar e abstrair a situação para aproveitar o filme foi um esforço cognitivo pelo qual não queria ter passado.
Agora sim, catando pulgas:
.) Como León conseguiu entrar com uma arma no QG da Tyrell Corporation? Ainda mais aquele canhão de mão capaz de fazer um homem atravessar a parede… Isso não faz sentido algum! Eles estavam sob segurança reforçada exatamente pela suspeita de que replicantes rebeldes poderiam se infiltrar ali! E eles tinham a foto dele! E como ele conseguiu escapar?!
.) Por que replicantes recebem nomes? Ora, se são produtos, o máximo que deveriam receber são números de série. E por que têm rostos diferentes? Não deveriam ter um rosto padrão, facilmente reconhecível? Não deveriam ter marcas no corpo, como código de barras ou algo do tipo?
.) Por que replicantes não saem de fábrica com bombas implantadas? Ou ao menos rastreadores? No momento em que saírem de controle, podem ser ”aposentados” à distância.
.) Por que a construção de replicantes é feita em pedaços separados? Chew faz os olhos (ou ao menos fornece o código genético aprimorado para eles), Sebastian faz outra parte… Se Tyrell é tão esperto assim, por que deixa pedaços dessa tecnologia nas mãos de outras pessoas? Compreendo que é um mundo em que até camelôs têm acesso à tecnologia de bioengenharia, mas se presume que a construção de replicantes é um processo restrito. A quem mais Chew ou Sebastian poderiam vender seus serviços?
.) Por que Zhora fugiu? Ela poderia ter primeiro matado Deckard ali mesmo e depois ter fugido. Ela sabia que o Blade Runner continuaria caçando-a. Não faz sentido nenhum essa cena!
.) Ao menos preciso concordar que Sebastian ter doença genética faz sentido. É estabelecido que nesse universo código genético de um indivíduo não pode ser mudado. O que não faz (muito) sentido é Roy não saber isso. Ele pesquisou bastante sobre o assunto e sabe os detalhes da manipulação genética. E ele conversou com o Sebastian, descobrindo que ele não pôde ir para as colônias extraterrenas exatamente por ter deficiência genética. Ora, se alguém que trabalha com replicantes não pode se curar alterando seu próprio código genético, que chance ele, como replicante teria de se curar?
.) Pris poderia ter matado Deckard com facilidade. Nesse ponto, o escudo de enredo (plot shield) foi aplicado duas vezes. Vai ver, esse é o superpoder do Deckard enquanto replicante… ಠ~ಠ
.) O nome “Blade Runner”…
Origem do Termo
Curiosamente, o termo veio de um livro anterior chamado The Bladerunner (1974), de Alan E. Nourse, onde “blade runner” referia-se a contrabandistas de instrumentos cirúrgicos no mercado negro. Ridley Scott comprou os direitos apenas para usar o nome, pois soava “legal” e distópico, mas o enredo não tem relação com o livro de Nourse.
Bônus: Blade Runner 2049
A piedade internética de Tamiris também me concedeu acesso à continuação, feita por outro diretor, mas ambientada no mesmo universo. Embora as legendas estivessem em russo e eu não tenha entendido algumas cenas, não foi nada que atrapalhasse. Blade Runner 2049 acontece, ora pois, 30 anos após os eventos do primeiro filme, 35 anos na vida real (1982~2017). Ryan Gosling interpreta um replicante Blade Runner chamado [K]. Diferentemente dos filmes contemporâneos que alimentam o vício em dopamina com gritaria e cenas que mais parecem um pisca-pisca, Blade Runner 2049 toma seu tempo para contar a história. Uma obra de arte contemporânea, respeitosamente expande as questões levantadas no universo do filme anterior. Porém há muitos desenvolvimentos de enredo que não fazem o menor sentido dentro daquele universo.
.) O avanço tecnológico permitiu a criação de replicantes mais dóceis e obedientes. Entretanto, também lhes concedeu emoções, memórias e autonomia. Será que ninguém vê que isso é um risco para a estrutura social? Em um mundo arrasado pela superpopulação, com programas governamentais de emigração para colônias extraterrenas, fabricar ainda mais indivíduos (geneticamente superiores) não parece absolutamente contraditório? Se replicantes são realmente necessários nesse futuro ainda mais distópico, não seria melhor remover completamente sua autonomia?
.) Agora a inteligência artificial é muito mais avançada comparada a do primeiro filme. Não muito diferente do que estamos vivenciando na realidade, o salto tecnológico da I.A. é sensível. Complacente, obediente e com um botão liga-desliga, é muito mais confiável do que um replicante. Então, qual é a vantagem de se construir replicantes, se já é perfeitamente possível construir robôs que façam o trabalho muito melhor do que humanóides? (E que não precisam ser substituídos a cada quatro anos.)
.) Por que cargas d’água replicantes têm direito a ter um apartamento próprio, a salário e a comprar coisas por si mesmos? Como replicantes saem andando por aí, tomando decisões por conta própria? Não são eles escravos (ou ao menos uma casta inferior)? Não há a idéia de que eles não têm alma? Por que estão inseridos na sociedade? A idéia de que, após tantos problemas com replicantes, seja-lhes dada (alguma/qualquer) autonomia não faz sentido algum.
.) Exceto os antigos modelos Nexus 7 e 8, replicantes continuam tendo expectativa de vida de 4 anos. Que raios de rebelião eles pretendem? Que exército eles pretendem montar? Qual objetivo pretendem atingir? Mesmo se a rebelião der certo, basta esperar uns 5 anos, todos estarão mortos e uma nova safra de replicantes escravos será produzida.
.) A cena de Ana Stelline (interpretada por Carla Juri) é muito, muito, esquisita. Eu não sei se foi proposital, ou se a atuação dela foi aquém (muito ruim), ou sei lá o quê, mas a Dra. Stelline caiu no vale da estranheza (uncanny valley) para mim. Considero a cena muito forçada, muito artificial. Em um filme de ficção científica, isso diz muito.
.) [K] morre no final. Só que eu não percebi que ele morre no final, eu achei que ele só estava descansando na escada. Muita gente também não entendeu o que levou o roteirista a confirmar que ele morre. A morte dele é importante para o desenvolvimento do personagem, deveria ser um evento não ambíguo.
.) O personagem Dr. Wallace, interpretado por Jared Leto, não faz sentido algum. Ou melhor dizendo, seu objetivo não faz sentido. Diferentemente dos replicantes que querem liberdade, Dr. Wallace quer o segredo da reprodução de replicantes para produzir uma força de trabalho ainda maior. Que idéia estúpida! Um bebê leva 9 meses para nascer e mais 20 para se tornar apto ao trabalho. Replicantes são fabricados já em formato adulto, prontos para o serviço. Não há vantagem alguma na gravidez de um replicante!
Basta procurar em fóruns ao redor da internet que você poderá encontrar ainda mais questões sobre o universo de Blade Runner. (um exemplo nos “Extras” abaixo).
E assim foi meu carnaval 2026. Enquanto que esbórnia corre solta na sociedade, eu alimento minha mente com questões filosóficas e artísticas.
Why did Dr. Ana Steline implant Replicants with her own memories? What purpose would that serve?
2. Was Dr. Steline aware of her own past? (If so, implanting others with her memories is about the dumbest and riskiest action possible).
3. Why in the world would Replicants be allowed again after the Nexus-6 models from the original movies? If the actions of Luv (especially) and the rebel Replicants are any indication, the newer models aren’t any safer than the prior generation.
4. Why did Freysa want Deckard dead? She knows that he has no ability or desire to seek out Ana.
5. Joe just kind of said to Deckard “yeah, don’t worry I told them you’re dead” after the final fight scene. Really? With no evidence/body, except for Luv’s, Wallace will just believe that the most valuable person on earth is dead? From an off-baseline Blade Runner gone rogue and known to be helping Deckard? Yeah….ok.
6. It’s illogical Joe to take Deckard to a Wallace facility, expose his survival, expose his daughter, and then die on the doorstep. Yeah, let’s pretend Wallace doesn’t have cameras around one of his price assets.
7. Why isn’t Freya more interested (like Wallace) in unlocking the secret of Replicant reproduction? It’s literally the only way their race can survive.
8. Why does Wallace think that allowing Replicants to naturally reproduce is actually faster than growing them?It appears to take Replicants as much time (decades) and resources as humans to reach maturity, making that a far inferior means of reproduction vs. being made in a test tube. Looks like they can be made quickly…they were all over society by 2019 with 2 newer generations widespread by 2049. No problem there. .
9. Why is Joe even getting a salary and living a middle class life? It’s not a very good “slave force” if you are paying your slaves, letting them buy toys and apartments. Other Replicants appear to be living independent lives as well with no “master”.
Does Blade Runner make any sense? | Pictures in Motion
Blade Runner is an influential masterpiece of the sci-fi genre. But rarely do people praise its script. Are there plot holes in Blade Runner and does the movie even make any sense?
Recentemente, em outubro de 2025, a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil elaborou um relatório atualizado com as mais recentes descobertas e parametrizações de tratamento referentes ao autismo em crianças. Aqui tenho que ser pedante e dizer que o relatório está cheio de erros de português… Independentemente disso, é de muito valor divulgar essas informações para auxiliar pais que tiveram seus filhos recentemente diagnosticados com o transtorno, ou que suspeitam que suas crianças sejam autistas.
A primeira e mais importante informação a você, pai/mãe que caiu por estas páginas, é a de que internet não é médico. Doutor Google não serve para tratar ninguém. É necessário procurar ajuda profissional, um psicopedagogo, um psiquiatra ou neurologista infantil, alguém que possa efetivamente diagnosticar o autismo e orientar como iniciar o tratamento. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento (intervenções), melhores são os resultados na qualidade de vida e desenvolvimento da criança.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que se manifesta nos primeiros anos de vida por comportamentos que incluem: dificuldades na interação social/comunicação e presença de comportamentos repetitivos e interesses restritos. A última atualização do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais — 5.ª Edição (DSM- 5) aboliu vários subgrupos existentes e simplificou o diagnóstico com o termo Transtorno do Espectro Autista [não se trabalha mais com síndrome de Asperger, por exemplo — agora tudo é um grande espectro, desde o retardo mental gravíssimo e incapacitante até os comprometimentos mais sutis, que levam à depressão ou suicídio]. Adicionalmente, estabeleceu níveis de gravidade de acordo com a necessidade de suporte do indivíduo, variando de pouco suporte (nível 1) até muito suporte (nível 3).
Para o diagnóstico, as características clínicas devem estar presentes desde o início do desenvolvimento, em diversos contextos sociais, com uma clara evidência de prejuízo na adaptação ou na qualidade de vida da criança. Além disso, os sintomas não podem ser mais bem explicados pela deficiência intelectual (Transtorno do Desenvolvimento Intelectual) ou pelo atraso global no desenvolvimento neuropsicomotor (ADNPM).
Talvez esse seja o principal fator para corretamente diagnosticar o autismo: o evidente prejuízo cognitivo e social. Com sua banalização e romantização oriunda de filmes e séries, parece que o autismo perdeu no grande público o significado de ser um transtorno, passando a ser vinculado a pessoas ”inteligentes e anti-sociais”. Não é o caso. O autismo é um problema psiconeurológico de largo espectro e ainda não totalmente compreendido. Não se sabe ao certo o que o causa e por que há tanta diferença entre os acometidos. A escala varia desde aqueles que podem passar despercebidos aos que precisarão de suporte integral a vida toda.
O autismo é caracterizado por acometer duas características humanas: a habilidade de comunicação social e a forma de interação com o ambiente. Pessoas normais também podem apresentar comportamentos parecidos, “sintomas” à primeira vista, o que dificulta o diagnóstico e causa falsos positivos. Não basta ler a tabela abaixo e achar que tal indivíduo tem autismo. São necessários vários testes e acompanhamento profissional por meses antes de se estabelecer o diagnóstico. Existem por volta de 50 marcadores que caracterizam o autismo e a maioria da população apresentará ao menos 25 deles. Porém só quando esses sintomas tornam-se incapacitantes para a vida ou clinicamente prejudiciais para o bem-estar geral do paciente, pode-se definir que está estabelecido o quadro autista.
Independentemente do diagnóstico, aproveitar a janela de plasticidade neuronal da primeira infância para proceder às intervenções é essencial para minimizar os prejuízos. Tão breve você ou o pediatra que acompanha seu filho note que a criança tem algum atraso no desenvolvimento, é preciso iniciar a abordagem terapêutica correta.
Dificuldades Sociais e de Comunicação
Dificuldade para iniciar e manter conversação
Dificuldade para iniciar ou responder uma interação social
Dificuldade em demonstrar e reconhecer corretamente as emoções
Isolamento social
Pouco contato visual ou contato visual pouco sustentado
Expressão e compreensão empobrecida da linguagem corporal e expressão facial.
Ausência ou dificuldade em estabelecer amigos ou pouco interesse pelos pares
Inabilidade em ajustar o comportamento aos contextos sociais
Dificuldade para entender ironia, metáforas ou piadas
Dificuldade em se colocar no lugar do outro (teoria da mente)
Dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas
Interesses Restritos e Repetitivos
Estereotipias motoras e/ou vocais
Alinhar, girar ou demais movimentos repetidos com objetos
Sofrimento ou desconforto frente às mudanças
Dificuldade com transições de ambientes ou atividades
Padrões rígidos de pensamento e comportamento
Rituais de saudação e outros contextos
Necessidade de fazer o mesmo caminho ou outros padrões de rigidez
Interesse extremo ou restrito a um assunto
Apego incomum a determinado objeto
Hiporreatividade ou hiper-reatividade aos estímulos sensoriais (por exemplo, texturas ou barulhos)
Cheirar ou manipular objetos
Seletividade alimentar em padrões atípicos.
Como diagnosticar?
O diagnóstico somente pode ser dado por um profissional especializado com experiência clínica prática no atendimento a crianças autistas. Há uma miríada de problemas no desenvolvimento de crianças e o autismo é apenas mais um deles. Por exemplo, pouco se fala na demência infantil, que você pode conferir aqui: Demência infanto-juvenil
A avaliação é feita por uma série de testes que irão mensurar a escala e rastrear os sintomas. É necessário identificar e distinguir os sintomas de autismo de outras morbidades, tais como TDAH, TOC, TOD etc. Esses testes estão em constante aprimoramento e não há um teste “unificado”, “definitivo” ou “infalível”. Uma vez comprovada a suspeita, passa-se então a estabelecer qual é o nível de suporte necessário ao autista. Esse nível de suporte pode variar com o tempo, dependendo de como o paciente reaja ao tratamento psicoterapêutico.
Embora haja uma certa relação entre gravidade de sintomas observados nas duas esferas de sintomatologia do TEA, a diferenciação entre os níveis reflete mais a ideia de prognóstico, por consistir em avaliar a necessidade que o paciente requer para as atividades da vida cotidiana e a sua independência funcional. Para tanto, vale ressaltar que os níveis de suporte requerem, pelo menos, uma certa idade e tempo de evolução para serem estabelecidos, devido às próprias características inerentes ao desenvolvimento infantil. Portanto, não é recomendável classificar crianças recém- diagnosticadas ou muito pequenas, pois a gravidade dos sintomas pode variar com a abordagem terapêutica e a maturidade do cérebro.
Não se espante se o seu médico solicitar uma bateria de exames complementares, pois é necessário afastar a suspeita de várias outras possibilidades. Embora não haja marcadores genéticos conhecidos para o autismo, várias síndromes apresentam sintomas parecidos. Também serão solicitados exames neurológicos, oftalmológicos, auditivos etc.
Como tratar?
Não há cura. Então, se alguém lhe prometer “curar o autismo”, ou “reverter o quadro”, ou “remédio para autismo”, ou “dieta para autismo”, ou qualquer coisa parecida, está tentando tirar seu dinheiro. Lidar com charlatões fará parte de sua rotina como pai/mãe de autista.
O tratamento consiste em abordagens e intervenções psicoterapêuticas individualizadas sob medida para cada paciente. A freqüência, a carga e a intensidade das sessões variam de paciente para paciente. E como você que está lendo este texto muito provavelmente é brasileiro, saiba que são poucos os profissionais especializados nestas terras atrasadas. Você vai sim precisar participar ativamente do tratamento da criança. Vai precisar aprender algumas técnicas, participar de treinamentos etc. E vai sim precisar de acompanhamento médico. Não tente aprender sozinho alguma técnica que viu na internet e fazer em casa: você precisa de treino especializado. Sua função é ajudar os parcos médicos especialistas, não é prejudicar ainda mais a criança.
Atualmente as abordagens com maior evidência de eficácia e benefício são baseadas na ciência da Análise do Comportamento Aplicada (ABA – Applied Behavior Analysis), associada a terapias eficazes, como fonoterapia, terapia ocupacional com integração sensorial e outras […]
E os remédios?
Os médicos muito provavelmente receitarão vários remédios que podem auxiliar a minimizar os inconvenientes sintomas. Eles não tratam o autismo em si, mas os sintomas que aquele paciente específico pode apresentar, como irritabilidade, distúrbios do sono (muito comum em autistas), hiperatividade etc. Antipsicóticos são úteis nesses casos mais graves e, como em qualquer caso psiquiátrico, precisam ser usados sob supervisão médica. Por vezes, apenas suplementação de melatonina pode ajudar.
Canabidiol?
O canabidiol ainda é objeto de muita especulação e tem sido investigado em vários estudos, com resultados ora positivos, ora negativos ou inconclusivos, ainda sem a qualidade metodológica necessária para aprovação das agências regulatórias e indicação de prescrição. Possivelmente, novos estudos que estão por vir poderão indicar ou não a eficácia do canabidiol e outros derivados da cannabis para uso em pacientes com TEA. Indicar uso de canabidiol em indivíduos com TEA deve ser considerado, até o momento, experimental e sem garantia de eficácia, baseado na relação do médico-paciente-família, preferencialmente após assinatura de termo de autorização e consentimento.
Para saber mais a fundo sobre o assunto, eu deixo aqui o relatório da SBNI (tanto o hyperlink quanto o arquivo) e um vídeo. Procure fontes confiáveis e lembre sempre que “médico não é casamento”. Se você estiver insatisfeito com a abordagem de um especialista, procure uma segunda ou terceira opinião. Sempre busque as fontes, sempre questione se aquele conteúdo é verídico ou não. E fuja de curas milagrosas, que não existem.
Eu particularmente não gostei de algumas partes do vídeo a seguir, porém seu autor procura deixar claro que o autismo é um transtorno que causa prejuízos importantes ao seu portador. É uma condição limitante, que não deve ser romantizada.
Você Conhece os 12 Padrões de Comportamento e Interesses no Autismo? | Luna ABA
Quais são os comportamentos e interesses restritos mais comuns em crianças autistas? Neste vídeo, Lucelmo Lacerda explica de forma clara e objetiva os 12 padrões mais frequentemente descritos na literatura científica, ajudando pais, professores e profissionais a entenderem o que de fato caracteriza o Transtorno do Espectro Autista. Ao longo do vídeo, ele aborda desde prejuízos na comunicação social, movimentos repetitivos e sofrimento diante de mudanças, até hiperfocos intensos, padrões rígidos de pensamento, seletividade alimentar e alterações na sensibilidade sensorial. Lucelmo também esclarece por que esses comportamentos não devem ser interpretados como “manias”, “birra” ou falha na educação, mas sim como manifestações clínicas do desenvolvimento neurológico. Um guia direto, baseado em ciência, para reconhecer esses padrões com mais precisão, reduzir julgamentos equivocados e promover intervenções mais adequadas e respeitosas.
Em tempo: não tenho vínculos com o apresentador, tampouco aprovo, recomendo ou incentivo a aquisição de seus produtos e serviços.
*Condicionador de ar é o nome do aparelho. Ar condicionado é o que sai de dentro dele. Nesta terra em que eu tenho que explicar isso para os outros, não se admire de me ler escrevendo ”isopor”.
Natal.
Calor.
Emputecimento por conta do calor.
Então, passado pouco mais de um ano, é chegada a hora de novamente religar o condicionador de ar, que passa a maior parte do ano na proteção de isopor em que veio. (Isopor é marca registrada, mas se eu falar, poliestireno quase ninguém sabe o que é…).
Gordo como uma porca prenhe, suando como toicinho na brasa, pego o pesadão condicionador de ar com a pouca coluna que me resta e coloco-o novamente na janela. Janela? Claro! Você realmente acha que eu vou fazer obra para ter ar condicionado em casa? As infinitas gambiarras em minha casa demonstram de forma inequívoca e categórica minha nacionalidade brasileira. E para sobreviver ao calor carioca, nada melhor que uma boa gambiarra refrigerativa.
Primeiro você manda fazer um tablado de metal para apoiar o aparelho em cima, de forma que não esmague os trilhos da janela de correr. Em seguida você apóia o telhadinho que comprou para ele não enferrujar por conta de chuva. Mas o telhadinho bloqueia a entrada de ar de cima dele. Então você coloca um tijolo (de isopor) para dar altura e o aparelho não fritar.
Aparelho “instalado”, você precisa bloquear o resto da janela que ficou toda aberta, para o ar não escapar. Afinal, você não vai pagar para esfriar a vizinhança toda, só sua sala. Após anos de experimentações constantes, com papelão e fita adesiva, lona e outros materiais, o método científico me levou a bloquear com toalha plástica e pregadores de roupa decorativos (que recebi de presente da Dona Rose).
Para a toalha não ficar voando com o vento quente da rua, eu coloco um peso em cima dela. No caso de hoje, o secador de cabelos que, com esse calor, não terá uso por algum tempo… Já as laterais são bloqueadas com algum tecido (algo que não falta na minha casa e que a Sophia está fazendo questão de mudar). Toalhas de banho ou de mesa etc. Desta vez foi um lençol.
Ótimo! Aparelho instalado e vento quente bloqueado. Vamos ligar! Assim, após pouco mais de um ano, religo o aparelho. Em dezembro! E ele não explode!
Quinze minutos e o cheiro de queimado começa a subir. Minha casa com sua fiação de 1950 torna difícil ter aparelhos elétricos. A única tomada por recinto acaba tendo que ser multiplicada por extensões e benjamins. E, com este calor, a extensão derreteu… Pior foi na hora de tirar o adaptador da extensão derretida: o pino de cobre ficou preso. Daí eu tive que usar um alicate de corte para quebrar a extensão e salvar o pino de cobre do adaptador e reimplantá-lo à força com a ajuda de uma parede e de minha pança.
Toda essa saga devidamente supervisionada nos mínimos detalhes pela Sophia e seu focinho gelado. E ficamos sem ar condicionado no primeiro dia.
No segundo dia (hoje) ainda mais calor. Minha mãe, que já não é uma pessoa paciente, hoje está para me matar. (Ela me pôs no mundo, então tem o direito de me tirar dele a chineladas). Ela trouxe todas as extensões que há aqui em casa. Afinal, o filho de suas entranhas pode sofrer com a agonia oriunda do Sol escaldante, mas a Sophia, a cachorrinha nova, não pode ficar neste calor.
Então, para me certificar de que desta vez a sala vai ficar ainda mais fresca do que o esperado, resolvo fazer uma nova gambiarra. Graças ao meu grandiosíssimo intelecto que habita este telencéfalo altamente desenvolvido, pego um dos lençóis velhos que servem para Sophia treinar sua habilidade de rasgar coisas e improviso uma cortina entre a sala e a cozinha, devidamente afixada com fita crepe. Às vezes surpreendo-me com minha própria genialidade. (e mendigaria tenacidade para não fazer obra)
Tudo pronto: nova extensão, cortina na cozinha, até “consertei” a tomada que estava solta dentro parede há 15 anos! Liga-se a máquina! E o vento fresco invade a sala, como uma brisa de alento aos sofredores deste mundo.
Now I know how it FEELS!
“— Olha, Sophia! Vento fresquinho! Você vai adorar!”.
Faltou combinar com a cachorra… O mais novo membro da família é resgatada e ela tem medo de quase tudo. Quando eu mexo em qualquer fiação, ela se esconde. Certamente deve ter apanhado de fio também. Conforme o tempo vai passando, ela vai perdendo os medos. Já perdeu medo de sapato, medo de chinelo, medo de vassoura, medo de rodo… Teve pesadelo com o foguetório de Natal*.
Como ela ficava ao relento, é natural que tenha medo de vento e chuva, embora ela tenha mais medo do barulho da chuva do que da água em si. Ela não gosta de se molhar, mas não deixa de ir lamber minha mãe quando chega embaixo de uma garoa. (Comigo não, ela só olha de longe, como quem diz: “— Você acha que eu vou molhar meus pés, seu serviçal? Entra logo e me dá comida.”).
Com isso é bastante difícil esfriar essa criatura que não pára quieta um minuto.
1) Molhar? Nem pensar. Ela não gosta de água (e o borrifador é usado para repreender quando faz algo errado, como comer lagartixa).
2) Vento? Não dá. Ela foge de ventilador, não fica nem perto. Nestes dias em que estamos ligando o ventilador ela faz o possível para se esconder do vento.
3) Gelo? Até agora a única coisa que aceitou foram cubinhos de gelo, que a gente põe para ela lamber. Ajuda a esfriar um pouco a cachorra e dá a ela alguma coisa para fazer que não seja correr desvairada pela casa.
E tentamos o ar condicionado. Ela fugiu dele, preferindo ficar no quintal. Até a peguei no colo para ficar um pouco na sala, mas foi mais tempo de quintal do que de ar condicionado… Espero que com o tempo ela se acostume, afinal, ar condicionado no Natal desta cidade de ruas sem árvores não é luxo, é questão de sobrevivência! Se não, já sabe:
Filme alemão de 1977. Resultado do que acontece quando os produtores emendam um filme de terror pelas costas de um diretor que queria que fosse uma comédia. Um retrato do carioca médio no fim de ano.
* Em nota: se você gosta de soltar fogos nesses festejos, sem se preocupar com animais, idosos, bebês e autistas, faça o favor de, da próxima vez, explodi-los em seu cú.
Minha recomendação de hoje é um filme do cinema independente da República Dominicana.
Eu considerei interessante por se tratar do que acontece com um homem quando é levado para além de seus limites.
Abaixo segue o filme e após um comentário sobre os eventos retratados.
Baseado em uma história real.
El Ebanista | Codigo de Barrio
SE CANSOU DOS ROUBOS E DECIDIU CAÇAR OS LADRÕES DO SEU BAIRRO | Não Adivinho
Daniel Román Guerrero era um marceneiro respeitado em seu bairro, mas após anos sendo ignorado pela polícia e assediado por uma gangue local, decidiu fazer justiça com as próprias mãos. Em 2022, protagonizou um massacre que terminou com cinco mortos e sete policiais feridos. A história chocou a República Dominicana e virou até filme. Neste vídeo, revelamos todos os detalhes desse caso que dividiu opiniões e levantou questionamentos sobre justiça, abandono e limites humanos.
Eu achei bastante interessante a iniciativa de fazer uma luta de uma hora em uma única tomada, sem cortes. É possível ver os erros de coreografia, a dificuldade de colocar a câmera em um ângulo que não faça sombra ao Sol, e o esforço do ator principal. Colocar uma luta final com técnicas tradicionais (cortes, tomadas de câmera lenta, efeitos etc.) salientou ainda mais a audácia do projeto.
Eu recomendo o filme. É um exemplo de que é possível sim fazer coisas novas num meio tão saturado.
Crazy Musashi marks the latest pairing between Tak Sakaguchi and Yuji Shimomura, and producer Ota Takayuki who now (re-)launches the project via his newly established WiiBER production banner, thanks in large part to the aid of up to 1000 crowdfunding donors last year. Sakaguchi leads the project, billed as a 77-minute single-take actioner, which sought its long-endured development through a series of changing hands and the actor’s own career troubles with management. (filmcombatsyndicate.com)
Released: 2020-08-21
Genre: Action
Casts: Kento Yamazaki, Tak Sakaguchi,
Duration: 93 min
Country: Japan