Ninjutsu – análise a partir da visão de um leigo.

Eu acompanho o canal de Marco Gimenez no Youtube já há algum tempo e recentemente surgiu uma discussão a partir de um teste de graduação dentro da escola Bujinkan. Ele afirma que o teste é fraudulento, os integrantes da escola afirmam que Marco não o compreendeu. Considerei interessante ver como dentro do meio marcial é possível ainda encontrar tanta divergência frente a opiniões contrárias e sectarismo em prol da própria escola e em detrimento a quem está fora.

Seguem os dois vídeos e logo em seguida meus comentários.

Sakki Test desvendado? Habilidade Ninja ou Maracutaia???

Respostas NINJA para haters mal educados!

Eu vi a discussão, tanto no Facebook, quanto aqui. Aguardei para escrever, pois esperava que alguém mencionasse, mas algo não foi mencionado esse tempo todo. A Bujinkan possui, dentre suas bases, o que chamam ”refinamento espiritual”.

1 – Há sim um conteúdo que (de certo modo) reflete a religiosidade xintoísta japonesa. Meditação, culto, honra etc. mesclam-se com a arte marcial. Eu não sei exatamente como estão abordando isso agora, mas quando me aproximei havia a clareza por parte dos instrutores de que era uma organização marcial e filosófica (não mística). Uma escola de luta e de pensamento.

2 – Sua informação está correta, a Bujinkan é a única organização com reconhecimento do governo japonês a atribuir a si própria a ”preservação da arte ninja”. Mas e o que isso significa? Equivale a aqui apresentar-se como curador de obra imaterial tombada ou algo do tipo.

3 – A Bujinkan é imensa, conta com escolas por todo o mundo. Ao apresentar algo contra seu líder, você afetou a credibilidade da escola como um todo. E como toda grande organização, seus integrantes são orientados a preservar a marca e a imagem da empresa.

4 – Em adendo, Masaaki Hatsumi chegou a esse posto todo por ser o último sucessor do Budo Taijutsu. Resumindo uma longa história, ele é o líder sucessor (SOKE) de 9 (sim, nove) escolas de artes marciais e as unificou sob um nome só. Daí seu grande prestígio, inclusive no meio internacional.

5 – Nomenclaturas:
SOKE – Líder sucessor.
SHIHAN – Mestre graduado líder local.
SHISHO – Mestre graduado, instrutor.
SENSEI – Professor, de um modo geral.
BUDO – ”Caminho do guerreiro”, a parte filosófica da coisa.
KOBUDO – Antiga arte da guerra (uso de armas)
KARATE – Luta com mãos nuas.

6 – Minha contribuição:
Creio que se as informações que apresentei agora tivessem sido elencadas, a discussão teria sido mais fértil: a Bujinkan preza muito por seu nome não apenas pelo lado comercial, mas também por representar oficialmente o Ninjutstu HISTÓRICO (patrimônio cultural japonês), também por sua FILOSOFIA (xintoísta) interna e também pela imagem do mestre (seu representante).

Houve maracutaia? Não sei. O que esperei que dissessem era: “O objetivo do SAKKI é detectar a intenção de ataque do oponente por seu KI (energia interna). Ao perceber que seus alunos não estavam conseguindo detectar, o SOKE percebeu que não havia intento maligno em sua espada. Ele mesmo não tinha intenção de matar em seu golpe. Portanto decidiu aumentar o uso de KI e fazer-se simular como um agressor real. O salto seria então um mero ato reflexo não intencional ao impor mais energia ao golpe. Aos olhos externos ele deveria ter dado nova oportunidade aos primeiros alunos, mas como é uma cerimônia tradicional, possui regras e etiqueta próprias, logo naquele momento não foi possível.”

Mas não vi nada disso partindo dos integrantes.
Lamento que não tenha havido um diálogo construtivo.
E lamento a Bujinkan ter manchado sua reputação dessa forma…


Editado: 15/06/2019

Esta é a melhor resposta contrária:

Sakki-Test: A polêmica do ninjutsu

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Lula e a Filosofia

A Filosofia é a ciência do dissenso. É a aversão ao dogma. Se há consenso, não há Filosofia. Filosofia é a busca, não a resposta.

A última ”polêmica do momento” é o corte de gastos para os cursos superiores de ciências humanas que o Governo Federal pretende realizar. Afirma-se que os recursos devem ser destinados ou para a educação básica, ou para a formação científica e profissional superior (exatas, biomédicas) e média (técnicos).

Mais do que natural perguntarem a mim (ninguém perguntou, mas escrevo mesmo assim…), enquanto enveredado e meio perdido ao longo dos caminhos de Direito, Filosofia, Sociologia, Antropologia, História, Educação e afins: o que tenho a dizer sobre isso?

Creio que a análise de outro fato político relevante recente possa contribuir para minha resposta.

Assisti à entrevista de Lula dada à Folha de São Paulo e ao El País; e ela mostra:

Oratória esplêndida, carisma carismaticamente carismático, respostas para todos que quiserem ouvi-las. Pérolas de sabedoria de um homem com trajetória sem igual na história deste país. Sua capacidade política ímpar capta a atenção de seus ouvintes e seu amor inato pelo povo, o afeto de nossos corações. Descobrimos que mesmo a morte de seus familiares e toda a perseguição política influenciada pela ingerência americana não demovem o inabalável líder do partido que mais fez pelos pobres. Pelo contrário, ele, o homem que recuperou o orgulho e a auto-estima dos brasileiros, escolheu ser preso para provar sua inocência e lutar para que nossa pátria seja um lugar melhor…     ಠ_ಠ

Ou é mitômato ao ponto de que realmente perdeu a noção da realidade, ou ”o chefe da quadrilha” ainda não mostrou todo ”o plano B”. ¹

A entrevista (ou discurso) é uma cornucópia para alimentar a fogueira do Planalto. Ele afirma que seu governo criou 100 milhões de pequenos empreendedores (mais do que toda nossa população adulta), que participou do Foro de São Paulo, que está ao lado da “democracia venezuelana” e de Maduro, que precisa reconstruir o país (quem destruiu?).

Em uma coisa, porém, sou obrigado a concordar: ele afirma que o PT é o único partido político de verdade do Brasil; os outros são apenas legendas com interesses difusos. Para mim isso demonstra não apenas a idéia marxista de hegemonia de partido único (como em Cuba, China e Coréia do Norte), mas também, como já escrevi, o PT ser muito bem organizado, com pautas bem definidas.

Ao afirmar que Bolsonaro não conseguirá governar se não criar um partido organizado para si como o seu próprio, ele externa seu modus operandi político, sua forma de pensar, trabalhar e governar. Parece não acreditar que possa haver outro modo, sendo coerente com seus ideais.

E o que tudo isso tem a ver com Filosofia e Humanas?

Certa vez escrevi brevemente sobre minha experiência no curso superior de Filosofia. Há muito mais para falar, mas creio ser adequado a outro momento. Indo direto ao ponto: tal como foi exposto pelo documentário acerca da Ditadura Militar, a metodologia gramsciana de hegemonia cultural para controle da sociedade vem sendo sistematicamente implementada nas universidades públicas brasileiras de longa data.

Em especial os cursos de ciências humanas estão ora evidentemente aparelhados não para a formação de profissionais, mas sim para a solidificação e reprodução irrefletida e acrítica do pensamento marxista, culminando na formação não de especialistas, mas sim de reprodutores de discursos e narrativas de um único viés. E esse aparelhamento partidário-ideológico é nutrido por dinheiro público (nosso dinheiro).

Neste momento, na UERJ, estou fazendo mais um curso: Ética e Filosofia do Direito. A interação e interesse (ou falta dele) demonstrados em sala de aula pelos alunos da casa (a maioria jovens em sua primeira formação acadêmica) indicam claramente a orientação de suas formações educacionais prévias.

Os discursos apresentam pessoas com pouca capacidade crítica e pouca compreensão da matéria em si. Possivelmente habituados a terem respostas prontas previamente construídas, alguns nem ao menos demonstram um esforço intelectual para tentar entender. Ou até, quem sabe, seja uma possível inabilidade de interpretação.

Pouca importância é dada à matéria. As questões levantadas são superficiais e um debate mais profundo mostra-se infértil ou inexistente. Sob essa perspectiva, a mentalidade da próxima safra de operadores do Direito é preocupante. Afinal, supõe-se que formandos em Direito deveriam ter grande interesse por Ética!

Isso exemplifica uma defesa minha muito criticada por meus pares: a de que Filosofia não é para todos. “Filosofia é algo com o qual e sem o qual se vive tal e qual.” Interessante ser apresentada; não exigida. Considero que o pensamento reflexivo, aquele que vai além do cotidiano, sem aplicação prática, advém de vocação. Pouco importa se ”a vida dos vivos é influenciada por filósofos mortos”, ou ”é a mãe da ciência”, ou ”a mais nobre atividade humana”. Se a pessoa não tem o coração voltado para o estudo de Filosofia, não adianta forçar. Ser ”amigo do saber” é, como o nome diz, questão de amizade. E não se força uma amizade, ela apenas se dá.

Mas esse problema é mais sistêmico do que o visto numa sala de aula suburbana. Os ”pensadores”, isto é, os filósofos de carteirinha, sociólogos, cientistas políticos e especialistas da TV são formados na academia. E essa academia é impregnada dos pensamentos pós-moderno, marxista e existencialista. E forma indivíduos para invariavelmente reproduzir especificamente essa narrativa. E focam em indivíduos não na área científica, mas exatamente nas áreas humanas: de artistas, passando por juristas, até jornalistas.

E formando jornalistas hipnotizados, qual o resultado? A entrevista de Lula supramencionada! Talvez nem entrevista, mas sim comício particular do Grande Líder a dois de seus asseclas. Aplaudido à distância por militantes formados em universidades públicas, como talvez parte dos alunos dos cursos de Ética e Filosofia do Direito da UERJ. Futuros advogados e juízes aplaudindo um bandido, entrevistado por jornalistas que, talvez, não estudaram Ética…

Nisto finalmente respondo a pergunta: o que acho de tudo isso? Acho que a estratégia de Bolsonaro está certa. Lamentavelmente o sistema educacional está muitíssimo comprometido, servindo a propósitos escusos à educação. Abordar frontalmente o problema teria muito desgaste e muito esforço. É mais viável repetir o feito em outras frentes: ”desidratando” ao ”fechar a torneira”; cortando a verba governamental. Destinando-a a cursos que preparem trabalhadores à abertura de mercado por que o Brasil intenciona passar nos próximos anos, dá-se um tiro para dois alvos.

Fico triste, mas creio ser um passo importante para combater o marxismo no país.


Em tempo, faço nota em justiça: em meu caso particular os professores de meu curso de Filosofia não trataram em momento algum de questões político-partidárias em sala de aula. Nenhum. Mas tenho ciência de que outros professores da casa, com os quais não tive aula, assim o fizeram. Reitero ainda que as manifestações ideológicas e políticas aconteciam rotineiramente por conta de alunos, centros acadêmicos e organizações estranhas à instituição.

¹ Creio Lula ser culpado por corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Ele alega que não há provas nos autos do processo que o condenou, mas há mais de 200 páginas de provas testemunhais, documentais e periciais em seu corpo aceitos em segunda instância. Há controvérsias quanto à forma do processo, porém seu teor indica culpabilidade.

2019 – O Brasil entre picuinhas e futricas

Continuando sintonizado no assunto do momento, seguem alguns pensamentos sobre o cenário político atual.

Finalmente chegamos ao centésimo dia de governo. Não foi implantada nova ditadura. ”Esquerdistas” não estão sendo torturados ou censurados. Não há tanques nas ruas. Não vivemos num estado de exceção. O novo presidente é aplaudido de pé por prefeitos e governadores¹. É bem quisto no exterior. Cumpriu promessa de campanha de não haver indicação política para ministérios. E de buscar abertura econômica sem viés ideológico. A bolsa de valores está otimista. Acordos bilaterais e propostas unilaterais para trazer recursos e investimentos estão surtindo efeito. Aumento imediato do interesse turístico e de investimentos estrangeiros. Perspectivas a médio e a longo prazo muito boas.

Pôs em prática diversas ações antes restritas às cartas de intenções. Obras emergenciais nas estradas, grande sucesso na concessão de aeroportos, revogação de decretos inúteis, bom exemplo de abordagem em casos de desastres, cortes de gastos e de cargos. A meta dos 100 dias será apresentada em breve com excelentes resultados a despeito de todos os empecilhos encontrados. E a caixa-preta do BNDES vem aí…²

Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, não obstante tudo isso, é impossível agradar todos. Quem tentou ”ou está preso, ou com processo nas costas, ou estocando vento em algum lugar”. Durante muitos dos mais recentes anos, a ”direita” e a ”falsa direita” foram a oposição do governo. E durante todo esse tempo, quase que diariamente algum escândalo surgiu. Mensalão, petrolão, mensalinho, petrolinho (talvez) um sem número de aberrações contábeis, jurídicas e jornalísticas invariavelmente inundando os noticiários com o descalabro dos governos de ”esquerda”.

E vemos exatamente nisso a principal diferença entre o governo atual e o anterior.

Partidos e seus políticos, a grande mídia e mais de “340 artistas” se calam quando:
1 – Battisti admite ser assassino;
2 – Descobrem quem matou Marielle;
3 – Haddad é condenado por irregularidade eleitoral;
4 – Temer (chamado golpista) é preso. E é solto logo em seguida;
5 – Lula confessa que é criminoso.

Mas gritam a plenos pulmões sobre:
1- Azul x Rosa;
2- Hino nacional;
3- Pessoas urinando;
4- Março de 1964;
5- Horário de verão.

Tais atitudes colocam a imagem da ”esquerda” ou ”resistência” numa pífia e ridícula posição de insignificância e irrelevância. Nenhum indivíduo que se declare pró-governo nem ao menos considera essas alegações. É o que chamamos ”mimimi”. Não estão apresentando ações que realmente façam diferença. Levantando questões que efetivamente contribuam com o progresso do país. Ao ponto de estarem sendo comparados a crianças mimadas que perderam a chupeta! Para ser um oponente de peso, é necessário obter respeito de seu adversário. Respeito que a ”esquerda” não tem mais. Perdeu-o por suas próprias ações indevidas (ou inatividade quando precisava agir).

Pois ao que parece, para eles esses são os assuntos realmente importantes para o país… Que resistência é essa que não reage nem resiste? Onde estão as passeatas contra os ”desatinos” do governo? Contra o racismo, homofobia, machismo, nazismo, fascismo etc. etc. etc.? Onde estão as propostas? Onde estão os argumentos? Estariam turistando na Europa? Ou talvez nos opressores Estados Unidos?

Isso demonstra a meus olhos a hipocrisia, a incompetência, a leviandade e a imoralidade do projeto de ”esquerda” neste país. Hipocrisia por mentirem abertamente, sem reservas ou pudores, e sem reconhecer seus próprios erros. Incompetência por não argumentarem sobre os possíveis defeitos do atual governo. Oposição incapaz de levantar argumentos contumazes, restringindo-se a bradar sobre amenidades como se isso representasse alguma ”resistência”. Leviandade por agirem sem nem ao menos perceber sua própria insensatez ou volubilidade; momentos que quem estiver em seu juízo minimamente perfeito chamará de ”vergonha alheia”. E imoralidade de um projeto em que agem por perfídia quando seus mentores traem o crédito depositado por seus apoiadores.

Entretanto, por mais que não haja espaço para eles no cenário político atual, e eu já tenha me declarado absolutamente contrário ao marxismo e seus movimentos, sou obrigado a convir que eles são bons em duas coisas: são muito bem organizados e são bastante barulhentos.

Além disso, há outra questão importante: e quanto à massa enganada? Afinal, sabemos muito bem que os mentores conseguiram gramscianamente convencer uma imensa quantidade de pessoas de bem de que a ”esquerda” é ”a solução”. E estão tão convencidos disso a tal ponto que mesmo com todas as provas, mesmo com todos os argumentos, mesmo com todas as evidências, não percebem o engano ao qual foram estrategicamente e maldosamente submetidos.

Cogitei sobre como utilizar a força das pessoas de bem cooptadas pela ”esquerda” para interesses que sejam, de fato, bons para todos (e não só para seus mentores, como estes assim o desejam e Lênin assim o diria). Pois bem, a solução é instigá-los a conhecer a Auditoria Cidadã da Dívida Pública.

Pesquise você também! São 6 trilhões em dívidas: https://auditoriacidada.org.br/

Esse movimento aponta vários fatos sobre modo como os governos anteriores lidaram perniciosamente com a dívida pública. Os papéis das dívidas são uma verdadeira caixa-preta e há claros indícios de que o dinheiro de nossos tributos é desviado por meio de papéis de mercado para bancos privados e não chega aos cofres públicos. Se os cálculos estiverem certos, a reforma da previdência seria absolutamente desnecessária, pois haveria recursos muito mais do que suficientes para cobrir todas as despesas públicas atuais e muito mais. Desvios no sistema financeiro interbancário em uma sucessão de acordos espúrios com os impostos do contribuinte. Seria isso verdade? Até que ponto o governo atual tem poder para fazer a devassa? Que restrições eles encontraram e não podem falar?

Neste ponto e deste modo, distribuindo esse tipo de informação para ambos os lados (governo e oposição), podemos alinhar eleitores em um objetivo comum. Se conseguirmos finalmente a devassa irrestrita das contas públicas, teremos uma bela vitória em prol de nosso país. Afinal, independentemente de se ”de esquerda” ou ”de direita”, todas as pessoas de bem concordam com isso: para onde vai nosso dinheiro?

Vamos nos unir para o bem de todos nós!

Fattorelli explica PLP 459/2017 ao programa Direto de Brasília.

Desgosto intelecual

Estou profundamente chateado com o fato de que neste país atrasado, em especial nesta arrogante e presunçosa cidade, não temos nada (ou quase isso…).

Sinto-me agastado/enfadado ao deparar-me com a dificuldade em obter informações para aprender coisas novas. Para um autodidata, a carência de boas fontes é muito desagradável. Sempre que procuro conhecimento ou boas referências sobre assuntos “alternativos”, só acho em inglês. E coisas nos EUA. Eu realmente não consigo encontrar (com a facilidade esperada) informação fidedigna vinda de terras tupiniquins.

A exceção foi marcenaria, que realmente dispõe de informação muito boa em português. Mas de resto, é lixo em demasia. Tem que garimpar muito para achar algo que preste. Oásis no deserto intelectual de mediocridade e/ou vulgaridade chamado Brasil… A quantidade de gente que resolve colocar um inútil vídeo que se resume a “Fala, galera! Beleza?” é enorme. Alcunhar a produção de conteúdo intelectual ou informativo como deficitária é elogio. O nível de analfabetismo funcional específico é assustador.

Por hora, estou aprendendo programação de computadores.  Daí descobri um sujeito que diz ensinar Python e chama ‘*’ de “Astrelisco”. Apenas um exemplo dentre os incontáveis que há na rede. Pessoas que nem ao menos dominam seu próprio idioma, querendo ensinar o que também não entendem.

Não espero que tais “programadores” chamem o símbolo “&” de eitza (pronúncia: “éitssa”), ou que reconheçam o “¬” como negação lógica. Já concluí que isso seria pedir demais. Mas, ao menos que entendam minimamente do que estão falando, ou estudem um pouco o assunto antes de se exporem como ignorantes perante o resto do mundo.

Quer aprender sobre ciência? O sujeito tenta “lacrar” (verbo da moda) falando de política.
Quer aprender como se trabalha com Arduino? Não tem.
Quer aprender como se trabalha com Rapsberry? Não tem.
Quer aprender a personalizar seu teclado mecânico? Não tem.
Quer aprender algo de alguma comunidade legal? Não tem.
Quer aprender mais sobre artes clássicas (pintura, escultura, música)? Não tem.
Quer aprender mais sobre caravanas e rulotes? Muito pouco.
Quer aprender mais sobre esportes que não sejam futebol? Praticamente não tem.
Levantamento de peso? Nem pensar!
Levantamento básico? O que é isso?!

Quer aprender mais sobre qualquer coisa? Procure em inglês.

Antes de criticar-me: é claro que há conteúdo. E há fontes realmente muito boas, saliento. Minha queixa é ao fato de esse conteúdo ser muito escasso e/ou pouco aprofundado se comparado ao conteúdo em inglês. Em português, a didática também peca em vários pontos. Cogito isso ser reflexo da inópia de nosso sistema educacional…

A falta de cultura deste país me enoja. E ainda pior é a invisível barreira quase metafísica para obter os recursos, caso eu queira experimentar algum desses “inusitados” projetos. Entenda isso como entraves ou empecilhos para descobrir uma nova afecção (ou se preferir o termo em inglês: hobby). Simplesmente “não tem no Brasil”. E “se tiver no Brasil, só em São Paulo”. E “se tiver no Rio de Janeiro, só nos confins da cidade”.

Meu breve contato com o Levantamento de Peso findou infrutuoso em parte por causa disso. Encontrei um treinador que estava disposto a me treinar gratuitamente, mas não segui no esporte pela distância física até os centros de treinamento.

Não sendo isso bastante, se você se interessar por qualquer coisa que não faça parte da vidinha comum, da mesmice em que a sociedade chafurda e em que o homem comum se contenta, além de ter de aprender a lidar com os olhares de menoscabo / curiosidade / desdém / repúdio (caso dê valor à opinião alheia) e com a ignorância coletiva previamente mencionada, também terá de lidar com a imperante escassez de acesso a recursos e o exorbitante preço das ferramentas/materiais.

Uma ou outra marca por aqui ou acolá comparado com dúzias de dúzias de marcas variadas no exterior. Preços surrealmente aleatórios, completamente desvinculados do valor de uso das mercadorias, capazes de enrubescer o mais avarento dos atravessadores. Isso se tem e quando tem. Na maior parte das vezes, terás de aprender como funciona o maravilhoso processo de importação e fiscalização alfandegária.

Conheci uma empresa americana que exporta para o mundo todo. Menos para o Brasil. Alegam que o mercado consumidor daqui é prejudicial aos negócios de lá. As taxas são abusivas e para eles não vale a pena comercializar. Eles até fazem, mas você, caro brazuca, precisa aceitar termos especiais.

Informações, produtos e serviços. Parece que nada que procuro tem fácil acesso!

Normal indagar a partir de minha personalíssima dificuldade em lidar com a sociedade a que involuntariamente pertenço se o problema estaria em mim… Por minha vida até o presente momento já fui surpreendido por questões vindas doutrem que demonstram minha estranheza a seus olhos. Já me perguntaram se eu era testemunha de jeová, rabino, japonês, autista e tantas outras coisas que nem lembro!

No que pergunto: será que sou tão diferente assim? Será que o problema sou eu? Por várias vezes, em relação a outros temas, cheguei à mesma conclusão e, em ato por sinal satisfatoriamente benéfico à minha saúde, mudei de hábitos. Porém, neste caso é diferente. O problema não está em mim. Está na anestesia coletiva que enfrento diariamente. Que seja: mesmo com todas as dificuldades, não deixarei de lado as coisas de que gosto para adequar-me à deplorável exigüidade dos demais.

A máfia da Academia 2 – Relações de poder no mundo acadêmico.

Finalmente, após tanto tempo garimpando, consegui reencontrar o vídeo do professor Clóvis de Barros Filho que segue nesta postagem.
Este é um excerto de 20 minutos extraídos do vídeo original “O começo das relações políticas”, aula com mais de 2h30min.
Eu perdi a conta de quantas e quantas vezes eu coloquei este vídeo em meu site. Ocorre que TODAS as vezes o vídeo é removido das plataformas de compartilhamento. Youtube, Dailymotion, Vimeo, até o extinto Videolog. Eu não sei qual o motivo por que este vídeo especificamente foi removido de tantos canais, enquanto que os demais vídeos do mesmo curso são amplamente divulgados. Então resolvi eu mesmo enviar uma cópia em meu canal particular e ver o que acontece.

Em tempo, repetindo-me: não sou fã do autor, não concordo com muitas de suas propostas. Mas o conteúdo (teor) deste excerto reflete a quarta parte do motivo pelo qual optei por não seguir pelo mundo acadêmico.

A primeira questão é a imposta falta de liberdade de escrita;
A segunda questão é minha defesa de um direcionamento mais amplo da produção acadêmica (funcionalidade, curiosidade, afetividade) em lugar da produção para cumprir requisitos burocráticos;
A terceira questão é o melindre dos brios dos membros da academia;
A quarta questão é exatamente a relação de poder que o vídeo explica com clareza.

Em resposta a: “O homem mediano assume o poder”

Novamente inspirado pelo amigo Veber, que sugeriu a leitura do texto de Eliane Brum¹, tive a oportunidade de ler algo oriundo de uma visão diametralmente oposta à minha. É sempre bom ler algo que o seu oposto escreve, isso te força a reanalisar suas próprias defesas e posturas. Independentemente de mudá-las ou reafirmá-las, rever sempre o que se pensa é uma forma de permanentemente autoavaliar-se e tomar consciência se estamos ou não seguindo no caminho ”correto”.

Ainda que eu tenha discordado do texto em quase tudo, ele foi ”legível” até o momento nos últimos parágrafos quando a autora recorre ao ataque à personalidade.

Em Filosofia, temos que esse ataque sempre ocorre quando o oponente do debate já não pode mais contra-argumentar e tem como último recurso o ataque direto ao interlocutor/opositor, numa forma inversa ao recurso da autoridade. Isto é, inverso ao modo em que se procura atribuir peso a argumentos referenciando como defensor especialista renomado, tenta-se desvalorizar o outro como se isso invalidasse determinada proposta ou defesa dele.

O ataque à personalidade parte do pressuposto de que a Verdade depende de quem fala, o que é um erro. Ao fazê-lo, o autor sai do campo dos argumentos e envereda irretratavelmente no campo da opinião. Haja vista que não há opiniões certas ou erradas, a contra-fala sai do campo do debate e entra no da discussão. Considero que expor a opinião é sempre válido, mas saliento o preço do Argumentum ad hominem (que vez ou outra também pago – cientemente).

O principal problema que vejo é na mescla de argumentos e opiniões. O texto começa argumentativo (tendencioso, mas ainda assim argumentativo) e paulatinamente o entretecido alinhamento ideológico da assim chamada ”esquerda” (típico do do El País) vai se sobrepondo até que a autora, parece-me, não se contém mais e reduz seu rebuscado (e bem escrito) trabalho a reles ofensas. Ironicamente arroga-se a mesma ”pecha” de ”criança mimada” a que alcunhou o ”coiso” e seus familiares. Ela praticamente usa todos os níveis de diálogo da pirâmide de Graham num só texto!

Pirâmide de Graham - Fonte: wikicommons
A Pirâmide de Graham é uma forma de analisar os argumentos e falas de um oponente no debate. Quanto mais próximo da base, menos valor construtivo o enunciado possui. – Fonte da imagem: wikicommons

No que Veber me responde:

“Quanto ao Ad Hominem, vá lá, é difícil não atacar o autor quando seus argumentos se misturam na sua pessoa. Não li NADA na imprensa, de esquerda ou direita, que se ativesse apenas ao conteúdo.”

Touché! E talvez tenha sido exatamente isso que o beneficiou tanto. Já dizia a vovó: não discuta com pessoas de baixo calão, pois elas têm mais experiência em fazer barraco e vão vencer você no grito. Bolsonaro foi eleito exatamente por meio do discurso ad hominem, voltado contra a ”esquerda”. ”Eles contra nós”, pois ”tudo o que vem da esquerda não presta”. Marina Silva, num dos debates, já afirmava isso, que ele queria ganhar no grito. E tal entidade da floresta não contava que ele iria ganhar mesmo, pois ele manifestou em si o grito que estava entalado na garganta de (em tese) 58 milhões de cidadãos que não querem mais a ”esquerda” e o que ela passou a representar. (Ad hominem funcionando ad partidum esquerdopatum).

“O Olavo de Carvalho vive fazendo isso em um nível muito mais Hardcore e é considerado guru…”

Ora, porra: não é à toa que é guru de Bolsonaro. Falam o mesmo dialeto, têm a mesma etiqueta, elegância e eloqüência. Quase um Chiquinho Scarpa…

Quando faço meus textos, eu procuro diferenciar o que é argumento do que é opinião. Basta ler a série ”Brasil – Pátria achacadora” para ver que minha capacidade de ofender os outros é quase ilimitada. E que os textos são puramente opinativos, despidos de argumentos ou da defesa de algo. Já o texto ”A Falácia da Educação” é bastante argumentativo, e minha opinião fica apenas nas entrelinhas da posição que defendo.

Interessante ela considerar que a expressão ”feminista mal comida” ”se tornou comentário inaceitável de um neandertal”, mas é aceitável que o presidente e seus ”principezinhos” sejam ”crianças mimadas”, homens medíocres esperando aprovação das excelências ”adultas”. Significa que precisamos apenas dosar os adjetivos de nossos antagonistas para nos mantermos politicamente corretos… Ao menos, até um próximo medíocre decreto.

(texto escrito às 3h da manhã – não me cobre muito) Texto revisado, ampliado e final (ver. 05/01/2019)


Crítica propriamente:

PARTE 1  – ARGUMENTOS TENDENCIOSOS

Desde 1 de janeiro de 2019, o Brasil tem como presidente um personagem que jamais havia ocupado o poder pelo voto. Jair Bolsonaro é o homem que nem pertence às elites nem fez nada de excepcional.

Ele ocupou o poder por 27 anos na Câmara Legislativa. Sabe, a ”casa do povo” é onde o verdadeiro poder (em teoria) deveria se encontrar num regime assim declarado ”democrático”. Correção: ele não ocupou o poder Executivo antes, tal como Dilma e Lula. Mas parece que para estes não foi cobrada pela imprensa experiência prévia.

Esse homem mediano representa uma ampla camada de brasileiros. É necessário aceitar o desafio de entender o que ele faz ali. E com que segmentos da sociedade brasileira se aliou para desenhar um Governo que une forças distintas que vão disputar a hegemonia.

Num regime autodeclaradamente democrático, não se disputa ”hegemonia”. Faz-se valer o que foi decidido em eleição. A hegemonia sempre é do povo. Quem quis usurpar dessa hegemonia foi o governo anterior.

[…] a configuração encarnada por Bolsonaro é inédita. […] Mesmo que seja uma difícil de engolir para a maioria dos brasileiros que não votou nele […] O “coiso” está no poder. O que significa?

Que o Lula VAI CONTINUAR PRESO. E que vocês perderam. E feio. (não resisti – huehue)

Ela então escreve longos parágrafos elogiando Lula.

O Lula que conquistou o poder pelo voto era excepcional. […]. Um líder brilhante, que comandou as greves do ABC Paulista […] e se tornou a figura central do novo Partido dos Trabalhadores […] Lula era o melhor entre os seus, o melhor entre aqueles que os brancos do Sul discriminavam com a pecha de “cabeça chata”. […]

Mas comete erro falho ao afirmar que:

”Não se escolhe um qualquer para comandar o país, mas aquele ou aquela em que se enxergam qualidades que o tornam capaz de realizar a esperança da maioria.”

Ora, é exatamente isso o que aconteceu! A única diferença é que pela primeira vez em quase 30 anos o escolhido não foi aquele que a ”esquerda” apontou. E haja vista que a esmagadora maioria da imprensa tradicional é cooptada pelos ideais da ”esquerda”, encontramos textos como este que ora critico.

Daí ela fala de Marina Silva, como se sofrimento de vida fosse automaticamente convertido em algo louvável. Acredito que Marina só entrou no texto para fazer cota para mulheres.

Jair Bolsonaro, filho de um dentista prático do interior paulista, oriundo de uma família que poderia ser definida como de classe média baixa, não é representante apenas de um estrato social. Ele representa mais uma visão de mundo. Não há nada de excepcional nele. Cada um de nós conheceu vários Jair Bolsonaro na vida. Ou tem um Jair Bolsonaro na família.

Observe aqui a contraposição que ela fez: Lula excepcional (em vários parágrafos), Jair comunzinho (em nota). Logo após ela afirma que exatamente essa diferença fez com que Bolsonaro vencesse, pois

[…] quase 58 milhões de brasileiros escolheram um homem parecido com seu tio ou primo. Ou consigo mesmos. [guarde isso, comentarei depois, quase ao final]

O que considerei interessante nesse argumento foi o caminho que a autora percorreu para fundamentá-lo: elogiando Lula (o adjetivo ”excepcional” intencionou dupla interpretação – ”que é brilhante” X ”que foge ao padrão”); citando Bolsonaro; equivalendo ambos como fenômenos eleitorais; mas enfim desmerecendo a origem do segundo, porque não teve um início paupérrimo. Isto é bastante arraigado no imaginário popular brasileiro: para fazer sucesso, você tem que sofrer bastante, senão não tem valor. Esse pensamento absurdo e infundado é estimulado até na teledramaturgia.

PARTE 2 – OS MESMOS JÁ BATIDOS ATAQUES DA IMPRENSA A BOLSONARO E SEUS ELEITORES

Neste ponto o texto pára a construção argumentativa e parte para os já batidos ataques a Bolsonaro que saturaram as mídias nos últimos 6 meses…

Essa disposição dos eleitores foi bastante explorada pela bem sucedida campanha eleitoral de Bolsonaro, que apostou na vida “comum”, falseando o cotidiano prosaico, […]

  • Argumento que insiste que a vida comum de Bolsonaro foi jogada eleitoral, devidamente orquestrada para fazer-lhe parecer um homem comum.
  • Contra-argumento: o sujeito é genuinamente e visivelmente um cavalo (que a Michelle conseguiu amansar). Não precisa fingir. Ele é aquilo mesmo.

Como militar, ele só se notabilizou por quebrar as regras ao dar uma entrevista para a revista Veja reclamando do valor dos soldos.

  • Argumento: Bolsonaro não se notabilizou ao público por sua vida militar.
  • Contra-argumento: A idéia é essa. Militares não devem se notabilizar ao público fora da caserna. Eles fazem parte de um corpo que atua em conjunto, representam uma corporação (daí o nome). Entregam a vida (literalmente) à pátria. Quem quiser fazer próprio nome que siga a vida civil.

Como parlamentar por quase três décadas, conseguiu aprovar apenas dois projetos de lei.

  • Argumento: a produção de um deputado se mede pela quantidade de leis aprovadas.
  • Contra-argumento: isso demonstra total desconhecimento do que é uma câmara legislativa e do que se faz lá dentro. Se 513 deputados aprovassem duas leis por ano, seriam 1026 leis novas a cada ano. As principais discussões são sobre orçamentos e mudanças de leis que já existem.

Era mais conhecido como personagem burlesco e criador de caso.

  • Qualquer um que enfrente o status quo é assim chamado.

Quando Tiririca foi eleito, […]

  • Tiririca foi eleito como voto de protesto. Assim como o Macaco Tião ou o Rinoceronte Cacareco. Bolsonaro foi eleito pelo repúdio ao status quo. São dois eventos distintos.

Bolsonaro não. O grande achado foi se eleger deputado e conseguir continuar se elegendo deputado. Em seguida, colocar todos os filhos no caminho dessa profissão altamente rentável e com muitos privilégios.

1 – Bolsonaro não se elegeu. Ele foi eleito. Uma pessoa não se elege, ela é posta lá pelos outros. Isso não foi um erro de expressão da autora. A sintaxe utilizada torna completamente diferente o que é dito e teve fundamento. Observemos: a autora já defendeu previamente no mesmo texto Lula. Argumentos ad personam foram exaustivamente citados. Na entrelinha, identificamos o culto à personalidade, marca indelével e talvez onipresente em todas as experiências com regimes socialistas. ”Lula se elegeu”, ou seja, ele, por sua grandeza, pôs-se à frente do povo. O voto é mero detalhe no processo.

Essa retirada do valor do voto e de quem vota é interessante para regimes autoritários. Vejamos os exemplos dos contínuos plebiscitos na Venezuela. E até mesmo o plebiscito sobre armas no Brasil. O voto do povo só tem valor quando alinhado com os interesses do governante naquele tipo de regime. Fazem-se então tantos plebiscitos quantos necessários até se obter a resposta desejada. E se for indesejada, friamente ignora-se a vontade popular. Daí o discurso ”de esquerda” de que fulano ”se elegeu”. O uso da palavra nesta estrutura é exemplo dos conceitos arraigados na mentalidade da defesa de idéias socialistas.

2 – ”Privilégios”. Palavra central e entretecida em muitos argumentos da autora, os quais não discriminei individualmente. Esse velho discurso batido de ”grupo privilegiado na sociedade”, em que estereótipos de todo tipo qualificam miríades de classes privilegiadas ou oprimidas, tem como base teórica o marxismo e sua divisão da sociedade em classes. Confesso que todas as vezes em que sou rotulado como privilegiado sinto-me irritado. Mas isso é tema para outro texto.

Quando disputou a presidência da Câmara, em 2017, só obteve quatro votos dos mais de 500 possíveis.

  • Pela enésima vez: Bolsonaro disputou a presidência da câmara apenas com o intuito de poder usar a tribuna. Há regras para se usar a tribuna e naquele contexto ele somente poderia discursar caso fosse candidato. Ele usou esse tempo para discursar contra a candidatura de outro congressista. Não teve intenção de se eleger. Nem seu filho votou nele.

As redes sociais permitiram “desrecalcar” os recalcados, fenômeno que tanto beneficiou Bolsonaro.

Ou seja, todos aqueles que não concordam com as mudanças deletérias impostas pelos regimes de ”esquerda”, em especial com as ideologias subjacentes a ações afirmativas, são os ”recalcados”, ”reacionários” etc. etc. Nos (vários) parágrafos seguintes, a autora segue o que já havia sido anunciado nas redes ”de direita”.

”A tática da esquerda no segundo turno será atacar não Bolsonaro, mas os eleitores dele, fazendo-os passar por autoritários, intolerantes e radicais violentos.”

Arthur do Val 9 de out de 2018

Resumindo de forma bem resumida o resumo: ”Nós da esquerda sabemos o que é o melhor para vocês. Se vocês não concordam estão errados e não querem perder seus privilégios numa sociedade tirânica burguesa judaico-cristã patriarcal heteronormativa”.

Aqui começa uma ”sub-seção” do texto, na qual vários parágrafos são dedicados a apontar os supostos privilégios sociais e a suposta importância das ações sociais dos últimos tempos.

[milhões de mimimis depois…] É esse brasileiro “acorrentado” que votou para retomar seus privilégios, incluindo o de ofender as minorias, como seu representante fez durante toda a carreira política e também na campanha eleitoral. Para muitos, o privilégio de voltar a ter assunto na mesa de bar – ou o de não ser reprimido pela sobrinha empoderada e feminista no almoço de domingo.

E isso é pedir muito?

[ainda mais mimimis…] Os direitos de gênero, classe e raça estão conectados.

Quem divide o povo em sexo, classe e raça é a ”esquerda”. A ”direita” só se importa com os direitos do indivíduo, não de um grupo (”a coletividade”). Por que determinado grupo deveria ter mais direitos que outros? Não somos todos iguais perante a lei? Há desigualdades sim, mas isso se resolve criando ainda mais desigualdades?

O reconhecimento destes direitos […] teve grande impacto no resultado eleitoral e também no antipetismo. O ódio dos bolsonaristas se expressa não na ação, mas na reação […] sentem ser legítimo lançar as piores e mais violentas palavras contra o outro. Acreditavam – e ainda acreditam – estar apenas se defendendo, o que na sua visão de mundo justificaria qualquer violência. Também por isso o outro é inimigo – e não opositor.

[aqui retomo o que guardamos antes] Novamente o ataque aos eleitores. Mas nisto encontro uma contradição no texto. Ora, o eleitor bolsonarista é o homem comum, ”do povão”, e o mesmo é cheio de ódio, recalcado por ter perdido privilégios do homem branco heterossexual burguês de elite? Ela segue por vários parágrafos se aprofundando ainda mais essa contradição. Como pode a maioria da população (representada pelos eleitores bolsonaristas) ser privilegiada? Se assim for, então não são privilégios: é a própria natureza de nosso ordenamento social.

Bolsonaro torna-se então aquele que “não tem medo de dizer o que pensa” ou “aquele que diz a verdade”. Bolsonaro se torna herói porque enfrenta o “politicamente correto” e liberta os sentimentos reprimidos de seus iguais.

Ah…! Isto desopila o fígado: a autora usando o termo ”reprimido”! Ao aceitar que o que ocorreu nos últimos anos é percebido pela maioria da população como repressão, uma repressão imposta por um governo de minoria de ”esquerda” sobre uma maioria de ”direita”, a autora cai na contradição do palavrório decorado ostensivamente proferido pelos militantes socialistas: que foram/são reprimidos pelos regimes com os quais não concordam! Parece-me que para ela quando a repressão é contra a minoria, deve ser combatida, mas quando é contra a maioria é um movimento libertário social…

Como sentiam-se oprimidos por conceitos que não compreendiam, os bolsonaristas descobriram que poderiam dar às palavras o significado que lhes conviesse porque o grupo os respaldaria. E, graças às redes sociais, o grupo os respalda. O significado das palavras é dado pelo número de “curtir” nas redes sociais. Esvaziadas de conteúdo, história e consenso, esvaziadas até mesmo das contradições e das disputas, as palavras se tornaram gritos, força bruta.

Trocando uma palavra fica.

”Como se sentiam oprimidos por conceitos que não compreendiam, os esquerdistas descobriram que poderiam dar às palavras o significado que lhes conviesse porque o grupo os respaldaria. E, graças às redes sociais, o grupo os respalda. O significado das palavras é dado pelo número de “curtir” nas redes sociais. Esvaziadas de conteúdo, história e consenso, esvaziadas até mesmo das contradições e das disputas, as palavras se tornaram gritos, força bruta.”

É sempre mais fácil ver nos outros as próprias falhas do que em si mesmo.

PARTE 3 – ARGUMENTOS AD HOMINEM

A partir daqui, os demais parágrafos se limitam a argumentos ad hominem e sobre isso já escrevi acima…

 


Texto comentado: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/02/opinion/1546450311_448043.html

Por que eu pus ”direita” e ”esquerda” sempre entre aspas?: https://www.youtube.com/watch?v=5xekqWxzHbc

 

Pequenos comentários acerca da faculdade e de Olavo de Carvalho

Publiquei alguns textos em meu site falando sobre a situação depreciável em que se encontra o ensino de pedagogia (e de um modo geral todas as cadeiras universitárias). As universidades se tornaram fábricas de militantes. Não se aprende quase nada.

Na verdade a gente aprende que ”não devemos permitir que a faculdade atrapalhe o curso”. O 9º andar da UERJ (onde estudei) é um antro de maconheiros, rola putaria e degeneração, até terreiro de macumba tem (uma sala tomada para isso). Os professores (metade, sejamos justos, trabalha muito bem) se preocupam mais com seus brios do que com as aulas.

Recordo-me de quando abertamente dizia que era de direita, capitalista neoliberal e apoiava o regime militar. Para o pessoal dos cursos locais (filosofia, sociologia, assistência social, maconhologia e puteirismo) eu era tipo um monstro. E meu humor acidamente afro-descendente*, associado ao gosto por Charles Bronson também não ajudaram…Ir estudar com a roupa do trabalho (terno e gravata) contribuiu para eu ser um estranho no ninho.

Já à época, sempre me perguntavam o que eu achava de Olavo de Carvalho. E eu sempre respondia a verdade: nunca me interessei pelo pensamento de autores específicos, sempre das correntes que eles seguem. Sempre considerei que essa ”estima” exacerbada, praticamente culto aos autores clássicos ou contemporâneos é um empecilho ao desenvolvimento de um pensamento livre.

Considero que essa necessidade de afirmação pelo argumento da autoridade é boba. O que Sócrates, Platão e Aristóteles têm de tão especial assim? Não são pessoas como nós? Nós também não somos capazes de pensar e questionar por nós mesmos? Na faculdade (e muitos egressos dela) tomam determinados autores como verdadeiros gurus, estudam e reestudam o trabalho do sujeito como se fosse um livro sagrado.

De meu ponto de vista isso é reflexo da adequação das ciências humanas ao sistema de pesquisa das ciências exatas. A produção acadêmica assim o exige. Não se tem liberdade para escrever o que quiser, você é obrigado a escrever o que eles querem ler. Assim, seu trabalho tem mais citações do que seu próprio pensamento. E o que deveria ser apenas uma formalidade acadêmica torna-se o padrão de pensamento: o sujeito precisa citar outrem, senão o que diz não tem validade…

Com o propósito de criticar abertamente essa limitação auto-imposta por meus pares, sempre ofendi abertamente os patronos da filosofia: ”Kant introduziu a maconha na Alemanha.”, ”Platão já usava LSD.”, ”Hegel é o cracudo da filosofia…”. Essa tentativa deliberada de mostrar aos meus companheiros de estrada que autores clássicos são apenas pessoas como nós que tiveram a oportunidade de ter seus pensamentos e seus trabalhos entalhados na História resultou infrutífera. Ninguém me entendeu.

E fiquei com a fama de boca-suja…. |:^/

Voltando ao tema: se me perguntam de Olavo de Carvalho, respondo a verdade: nunca estudei seu trabalho a fundo. Não me debrucei noites inteiras de insônia e obsessão, introjetando em minha alma as gotas de sabedoria do mestre dos mestres, ó guru do pensamento liberal brasileiro contemporâneo… Mas se quiserem falar sobre as vantagens do Liberalismo em detrimento do Socialismo, bem como dos defeitos do primeiro e as qualidades do segundo, aí temos campo aberto para muita coisa boa conversar.

*Se disser que é humor negro, posso ser processado nestas terras e tempos de mimimi…

Paulo Freire, o patrono do fracasso educacional brasileiro

Paulo Freire, o patrono do fracasso educacional brasileiro
Rogério Marinho 04/11/2017

Infelizmente, segundo numerosas pesquisas nacionais e internacionais, o sistema de ensino brasileiro é um dos mais ineficientes do planeta. Crianças e adolescentes sabem muito pouco do que deveriam saber: dominam precariamente a língua portuguesa e não possuem habilidades básicas em matemática. A falta de aprendizado é o nosso maior obstáculo educacional. Tal precariedade é resistente e subsiste à revelia das questões fiscais e de investimento público. É um ensino ruim quando o dinheiro é farto ou escasso.

As raízes da precariedade do ensino brasileiro podem ser encontradas na formação de nossos professores. Há muito, cursos universitários, públicos e privados, foram invadidos pela demagogia política mais abjeta. De fato, o ensino pedagógico de nível superior furtou-se a ensinar aos jovens mestres técnicas de aulas, metodologias baseadas em evidências científicas e conhecimento de como as pessoas aprendem. Ademais, há professores que também não dominam os conteúdos de suas próprias disciplinas.

O estudante de pedagogia forma-se sem conhecer os elementos fundantes de sua futura profissão e muitos sequer desfrutam de estágios profissionais sérios e sistemáticos. No Brasil, abandonou-se a pedagogia em prol de discursos políticos e formação de militantes. O maior símbolo desse tipo de educação é o famoso, muito comentado e pouco lido, Paulo Freire.

O tema não é novo. Desde que estreou no cenário público e político, Paulo Freire causou polêmicas e motivou inúmeros intelectuais brasileiros a denunciar suas artimanhas revolucionárias. Em setembro de 1963, por exemplo, o jornal Estado de São Paulo endossou a análise demolidora de Dulce Salles Cunha Braga, na época vereadora em São Paulo, sobre o “método de alfabetização” do intelectual comunista: “esse método, em si, apresenta sérias lacunas, sendo passível de críticas fundamentais no que se refere à sua oportunidade e eficiência. O mais grave, porém é que segundo depoimentos de pessoas de ilibada idoneidade, o método em causa tem sido veículo de doutrinação marxista, sob pretexto de alfabetização.” A professora Dulce foi a primeira senadora paulista, vereadora por três vezes e deputada estadual também por três vezes.

A Pedagogia do Oprimido, livro mais famoso de Paulo Freire, é obra recheada de elogios a Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tsé-Tung, Lenin e às revoluções comunistas. Freire ignora o sangue de inocentes derramado por esses tiranos e assassinos, responsáveis por genocídios covardes e produz um panfleto socialista com quase nada de pedagogia. Seu objetivo, coberto por um manto de palavras confusas e desconexas, é estabelecer as bases de uma revolução socialista no Brasil por meio da subversão cultural de estudantes em prol do velho e refutado materialismo marxista.

Prega em seu livro sinuoso a revolta dos alunos diante da autoridade do professor e da família. O patrono da educação brasileira esforçasse-se, utilizando uma linguagem tosca e truncada, em demonizar a família e a autoridade paterna: “as relações pais-filhos, nos lares, refletem, de modo geral, as condições objetivo-culturais da totalidade de que participam. E, se estas são condições autoritárias, rígidas, dominadoras, penetram nos lares que incrementam o clima da opressão”. Tudo para ele é opressão, exploração e domínio.

De 1989 a 1991, Freire teve a oportunidade de pôr em prática suas ideias copiadas da tradição teórica marxista. Foi secretário de educação de São Paulo na gestão de Luiza Erundina. O legado do idolatrado militante foi a promoção automática dos estudantes. Freire considerava a autoridade do professor em avaliar os alunos como algo opressor. A libertação é promover estudantes mesmo que não tenham aprendido a contento o conteúdo programado. É a perpetuação da falta de qualidade do ensino.

Precisamos urgentemente promover uma profunda revisão na formação de nossos professores. Jamais poderemos superar nossas dificuldades sem introduzir no ensino superior pedagogias realmente científicas e calcadas em evidências empíricas. Não podemos continuar apenas com a politização canhota e que tanto mal faz ao ensino nacional. Precisamos de mais ciência e menos ideologia barata e mistificadora.


Fonte: http://www.ilisp.org/artigos/paulo-freire-o-patrono-do-fracasso-educacional-brasileiro/

Abate de criminosos: crime contra humanidade ou retaliação necessária?

A discussão do plano das idéias em contraposição com a realidade factual vem desde o ideologismo de Platão contra a materialidade de Aristóteles.

Uma coisa é o que discutimos filosoficamente. No campo das idéias, podemos falar de tudo, questionar tudo e interpretar livremente numa hermenêutica infinda acerca daquilo que seria o melhor ordenamento político ou a melhor linha de ação frente a um problema social. Outra coisa é o que é possível na realidade, quais ações são realmente factíveis e eficientes dentro do campo das ações em políticas públicas.

Indago, portanto: na realidade e no contexto em que vivemos, as outras opções efetivamente resolvem o problema? Nas últimas décadas desde Brizola, as outras opções têm sido utilizadas (diálogos, programas públicos, conscientização etc.) e não funcionaram. E enquanto não funcionam, dezenas, centenas, milhares de pessoas inocentes são penalizadas pela teimosia míope de continuar insistindo no que não está funcionando.  ”Porque é filosoficamente correto.” ”Porque é ético.” ”Porque é juridicamente legal.”

O que é belíssimo no campo das idéias nem sempre funciona na vida real.

É como a visão do Batman que se recusa a matar o Coringa. Batman, vigilante louco duma cidade em que a lei não funciona. Coringa, assassino imprevisível e irrecuperável. Mas Batman mantém-se convicto de que quer ”ajudar” o Coringa. De que ele tem salvação. De que pode ser recuperado. E a cada fuga, mais tragédias. Assim, ao não tomar uma solução eficiente, Batman torna-se o maior cúmplice do Coringa.

Filosoficamente a vida é santa em todas as suas formas, da concepção ao fim natural. Ninguém tem o direito de tirar a vida de outrem em hipótese alguma. Do aborto à pena de morte, toda supressão da vida doutrem é hedionda. Isso chama-se ”razão”. E numa guerra, a primeira coisa que morre é a razão.

Abater criminosos é um crime contra a humanidade? Que seja, então.

Na realidade em que estamos, é possível resolver de outra forma? Não agüentamos mais a vida em barbárie que já vivemos. Quanto tempo mais temos que esperar para que as outras ”soluções” comecem a surtir efeito? Quantas mães mais precisam chorar? Quanto mais medo precisamos ter? Até quando?

Por 22 anos morei na favela do Jacarezinho, uma das mais violentas e imundas favelas do Rio de Janeiro. Eu bem sei como é: eu vivenciei. E a insatisfação minha e da maioria das demais pessoas chegou ao ponto máximo. Não queremos mais condescendência. Os tempos de tolerância e de belos discursos só nos trouxeram tristeza, medo e dor. Já não falamos mais com a razão. Falamos agora com nossos corações partidos e ressentidos, magoados com tudo o que sofremos, clamando por uma solução não bela ou ética, mas que resolva.

Não queremos banho de sangue. Não queremos chacina. Não queremos o mal alheio. Não queremos mais mortes. Queremos apenas que ao menos os homens de bem possam lutar em iguais condições. Que os soldados dessa guerra saibam que ao menos podem revidar. E que os homens de bem possam continuar vivos. É simplório defender que os homens de bem não possam revidar, usando a força necessária para tanto, bem como as mesmas armas de nossos algozes.

Se a situação continuar, em breve nos tornaremos um narco-país. As facções criminosas, numa nova FARC (ou melhor, FARB).  A perspectiva absolutamente utilitarista afirma que é melhor o abate de 100 do que uma guerra civil.


 

Conversa entre o Demolidor e Justiceiro – DEMOLIDOR

Parte 1

Parte 2

 

Eleições presidenciais 2018

E assim, em 2018, tal como em 1964, por anseio popular e seguindo as leis vigentes, mais uma vez o povo brasileiro retira do alto comando do poder a ameaça socialista que outra vez pairava sobre a nação.

Bolsonaro ganhou, talkey!

https://web.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/videos/945681038957259