Wolf Guy – Ookami no Monshou, Elfen Lied e outros títulos.

Caro parco leitor, as linhas a seguir podem ser sumamente desconsideradas. Nos próximos parágrafos vossa senhoria encontrará palavras de baixo calão e conteúdo escatológico que em nada lhe acrescentarão algo. Esta página serve para mim, dentre outras coisas, como uma terapia. Sem ter uma vivência social considerada saudável, (seja por vontade própria, seja por maioria de votos) encontro aqui um lugar para vomitar todas as coisas ruins que vez ou outra ficam entaladas na garganta e, em ato de catarse, tiro o que não presta de dentro do peito e o jogo fora.

A mim agradam temas relacionados ao oculto, dentre eles a criptozoologia (um nome rebuscado para folclore). Fascinam-me essas histórias populares. Como culturas tão diferentes e não inter-relacionadas conseguem convergir para os mesmos arquétipos? Em especial dragões, gigantes e monstros marinhos. Também há o caso do homem-fera (wendigo, sasquatch, yeti, licantropo, kitsune, kurtadam…) que inicia o escopo deste texto. Como, tanto na América pré-colombiana, quanto na antigüidade européia e também na Ásia, são recorrentes os relatos de feras humanóides? E por que essas histórias normalmente as tratam como perigosas? Trazendo isso para a atualidade, esses mitos atemporais continuam inspirando a arte contemporânea.

Já fui consumidor ávido de histórias de terror em todo tipo de mídia (escrita, desenhada, animada ou cinematográfica). Porém em certo ponto de minha vida simplesmente enfastiei-me. A cultura perdeu a elegância, o carisma e a criatividade dos ”bons tempos” (Ver também: mother!). Optei por rejeitar trazer para mim a vulgaridade alheia travestida de arte. Infelizmente as histórias de terror hodiernas não trazem mais o símbolo do heroísmo, do bem vencendo o mal. Ora temos meramente cópias de cópias da visão lovecraftiana de desesperança e desalento humanos frente a um mal inefável, impassível e invencível. Decidi repudiar todas essas coisas. Só quero em minha vida aquilo que traga algo de bom, algo que promova o belo, algo que incite à justiça. Ou ao menos que instigue a uma boa reflexão sobre a vida.

Houve uma época em que eu fazia questão de ver uma obra inteira antes de criticá-la. Considero que, para criticar algo, é necessário conhecer bem o que será criticado, conhecer seu inteiro teor para poder bem exercer o juízo de valor. No caso de uma obra artística seriada, como quadrinhos, ler a história toda. Mas isso mudou com o título Shingeki no Kyojin. A história começou de um jeito e, quando o personagem principal mudou sua bússola moral de herói para vilão, desagradou-me e parei de ler. Não senti falta de continuar lendo ”para saber o fim da história” pela primeira vez. Cansei e larguei. Foi uma vitória contra o TOC de complecionismo.

Leitor de quadrinhos dos mais diversos gêneros, recentemente em minhas andanças ouvi falar de um título que chamou minha atenção: Wolf Guy – Ookami no Monshou. O título se apresenta com a premissa de ser o reboot (reinício) das “aventuras de um lobisomem” (título original Wolf Guy). O título original fez grande sucesso na década de 1970, ao ponto de terem sido produzidos dois filmes e seis animações nas décadas posteriores, demonstrando seu importante impacto cultural. Acreditei então que essa adaptação à ”nova geração” (2007) seria um bom ponto de partida para conhecer a coisa.

E cometi o erro de iniciar a leitura. Minha paciência esgotou-se na metade da ”história”.

Que merda é essa? Esse é único termo técnico existente adequado para qualificar Wolf Guy – Ookami no Monshou: é uma M-E-R-D-A. Não há absolutamente nada nesse título que possa redimi-lo do status de ser uma bosta. Este é o motivo de toda minha raiva: pela primeira vez em minha vida decidi não terminar de ler uma obra por tão ruim que ela é. (E, olha, eu já vi coisas horríveis…)

Tenho raiva do fato de que alguém teve a petulância de escrever o roteiro;
tenho raiva de que alguém teve a audácia de desenhar esse troço;
tenho raiva de que alguém teve o atrevimento de publicar essa coisa;
e tenho ainda mais raiva de que haja quem tem a desfaçatez de dizer que gosta de DOZE volumes dessa joça.
Já disse que estou com raiva?

E por que tanto ódio em meu coraçãozinho? Deixe-me colocar no microscópio e fazer o exame de fezes.

Da arte

Pequenos erros de proporção e perspectiva existem em todos os quadrinhos. Sempre há algo que escapa, não tem jeito. Wolf Guy – Ookami no Monshou não tem erros grosseiros de tridimensionalidade. Quem desenha sabe que a parte mais difícil de desenhar são as mãos e os pés dos personagens, e mesmo nisso há pouquíssimos equívocos. Há também algumas falhas de continuidade, mas nada grave.

O principal problema estético em Wolf Guy – Ookami no Monshou é a altíssima flutuação da qualidade da arte. Ora de excelente qualidade, em poucos quadros (frames) decai para um amontoado de rabiscos incompreensíveis, para logo depois retornar a alto nível de qualidade. A arte é suja: há muitas tentativas de efeitos visuais, uso excessivo de onomatopéias sobrepostas às composições (subjects), exagero no uso de hachuras e inarmonia no uso de texturas (background)… Há a sensação de sujeira visual (noisy visuals), desproporcionalidade e desnecessariedade no uso de aproximações (close-up) e, especialmente, repetições, repetições, repetições… Voltarei a falar dessas repetições na parte do enredo, mas na questão da arte ela demonstra pobreza na composição visual, pois não é usada com qualquer efeito estratégico, mas sim apenas para preencher espaço.

Esses problemas são ainda mais graves nas cenas de ação. Essas, que deveriam ser claras para o leitor acompanhar o movimento dos personagens, são tão ofuscadas pelo ”ruído visual” que, confesso, houve momentos em que eu não consegui distinguir o que estava acontecendo. Isto mesmo: eu olhei, olhei e não conseguir entender o que eu estava vendo. Isso numa cena de luta é equivalente ao camera shaking (edição com câmera trêmula mais 50 cortes por minuto) que a franquia Bourne lamentavelmente trouxe para o cinema.

Há páginas que se parecem com testes de Rorsharch, como se coubesse ao leitor imaginar, descobrir ou supor o que estava acontecendo. Isso até poderia ser um recurso visual usado para ocultar a verdadeira imagem do monstro e fazer suspense. Esse argumento é inválido, pois o problema continuou mesmo após o monstro (que é bonitinho ಠ_ಠ) ter sido revelado em alta definição no primeiro volume. Essa péssima qualidade contrasta tanto com a alta qualidade e detalhamento das cenas de tranqüilidade que não seria difícil crer que, apresentando a quem não leu, a pessoa diria se tratar de obras ou até de autores diferentes.

Do desenvolvimento do enredo

O nome deveria ser Wolf Guy – Encheção de lingüiça. 90% do enredo consiste em rechear lingüiça com preenchimento sem valor (fillers) e erotização apelativa (fan service) que em nada contribuem para o avanço da história (que não há). Há apenas motes para situações de violência sem sentido. Esses motes (repetidos) se dão em capítulos enfadonhos com demasiada repetição de quadros (acima mencionado), ao ponto de páginas inteiras serem repetidas em plano de fundo para preencher espaço onde não há o que colocar. Os personagens são sempre exibidos nas mesmas posições de efeito, de retrato ou de perfil, contribuindo para a sensação de repetição e ausência de progressão na história.

Os capítulos são desconexos entre si, não há linearidade no compasso. Há momentos em que mil coisas acontecem ao mesmo tempo, enquanto que em outros há apenas morosa exposição (recurso usado quando você precisa explicar algo ao leitor). Os personagens são apenas exibidos ao leitor, mas não são desenvolvidos, não evoluem. São tão somente cascas vazias com sentimentos superficiais. Não possuem motivos reais para suas ações incoerentes, nem os eventos que os envolvem contribuem para contar uma história coesa no geral.

Há sim uma suposta linha condutora central, que seria o desolamento lovecraftiano frente à tragédia inevitável (maldição). (A obra do autor Lovecraft trata da impotência e da pequenez humanas frente a poderosas e inescapáveis forças incompreensíveis.) Porém todas as tragédias do enredo envolvendo tal ”maldição” são facilmente evitáveis e são culpa exclusiva das ações voluntárias dos próprios personagens. A ”maldição do lobisomem” é só uma expressão temática empregada para indultar/relevar/transigir/contemporizar/condescender/justificar as péssimas escolhas das pessoas e as funestas conseqüências negativas dessas escolhas. Conseqüências perfeitamente evitáveis se não tivessem feito besteira em primeiro lugar.

Ou seja, a história não ensina nada, não agrega nada, não soma nada. É uma história de pessoas imbecis que se lascam por sua própria estupidez, eximem-se de responsabilidade e culpam o metafísico por seu infortúnio. E quem são essas pessoas? Quais são suas histórias?

Dos personagens

Ainda que sejam personagens, caracteres fictícios, como em toda obra de arte, eles são facetas da psique humana. Uma forma de vermos, no outro, outro aspecto de nós mesmos. É a idéia do teatro, do cinema, da literatura: mostrar, no outro, outra face de nós, ou melhor, daquilo que poderíamos ser. Em uma boa história, nós nos identificamos com os personagens, nos colocamos em seu lugar, vivemos com eles suas aventuras e emoções. Quem não chorou quando morreu Artax, o cavalo de Atreyu (História sem fim)? Quem não ficou feliz quando Babe, o porquinho, venceu o concurso de cães de pastoreio? Nós acompanhamos a jornada dos personagens a seu lado, nos colocamos em seu lugar, pensamos no que faríamos diferentemente. Os personagens são um recurso que os autores usam para tomar o leitor pela mão e conduzi-lo adentro da trama. Identificar-se com os personagens é ponto essencial para a constituição de uma boa história.

Mas é impossível se identificar com qualquer um numa história com enredo tão ruim quanto a de Wolf Guy – Ookami no Monshou. A história se passa com jovens de 14~15 anos que se comportam e vivem como adultos em uma escola pública japonesa para onde decide ir o personagem principal. Antes de falar do personagem principal, quero falar da coadjuvante. Creio que se eu explicitar a história dela primeiro você entenderá porque eu tenho tanta raiva desse título.

Akiko Aoshika é apresentada como uma jovem professora divorciada. O motivo do divórcio? Não se sabe e em nenhum momento tem qualquer relevância para a história. Não faz diferença. Por que adulta? Somente para se encontrar com o personagem principal na primeira cena de violência, que se passa de madrugada, pois jovens normais de 15 anos não caminham de madrugada sozinhos na rua. Apenas por causa dessa cena ela precisa ser caracterizada como adulta. Fora isso, não faz diferença alguma, ela poderia perfeitamente bem ser apenas mais outra adolescente. E por que professora? Foi a forma (conveniente para o enredo) de pô-la na mesma escola para onde vai o personagem principal. Ela não existe por si mesma, existe em função da história.

Ela é vítima de estupro quando adolescente, sua família (que não aparece) não a apóia, ela se casa e se divorcia (motivo não revelado) e vai trabalhar como professora. Daí num período de dois meses (dois meses) ela:
……a) na mesma noite presencia um linchamento seguido de dezenas de mortes brutais, e é molestada sexualmente;
……b) em outra noite é molestada sexualmente (de novo), e atacada por um leão;
……c) a escola em que trabalha é vítima de um adolescente atirador: 82 mortos e dezenas de feridos;
……d) na semana seguinte a mesma escola é vítima de um segundo atentado: 30 e tantos mortos e sei lá quantos feridos;
……e) a imprensa torna a vida dela um inferno e repórteres a assediam sexualmente (de novo);
……f) na semana seguinte é seqüestrada e molestada sexualmente (de novo).

E parei de ler. Porra, que merda é essa? Ela existe só para ser estuprada? A desculpa é a de que ela estaria sob ”a maldição do lobisomem”, por culpa do personagem principal. Não, isso se chama: ”a maldição do roteirista taradão”. E ela não apresenta nenhum sinal de trauma psicológico! Pelo contrário, ela nutre tensão sexual para com seu aluno (o personagem principal), menor de idade. É como se ser uma pedófila estuprada fosse totalmente normal. Cara, se em dois meses (antes mesmo do seqüestro) esses eventos acontecerem com um ser humano de verdade, uma pessoa normal tem que parar numa sala de terapia, no mínimo. A pior parte nisso tudo é ela ser apresentada no início como o alívio cômico* do enredo! (*toda história pesada precisa de um alívio cômico, normalmente usado no entre-atos)

O desgraçado do personagem principal, Akira Inugami, 15 anos. Teoricamente ele é amaldiçoado por ser um lobisomem. Sim, isso deveria ser uma história de lobisomem. Só que:
……a) seus pais são mortos quando ele tem 5 anos e ele não faz nenhum esforço para investigar o assassinato, mesmo sabendo que tem ligação com o fato de serem lobisomens e ele ser obcecado com o tema;
……b) ele dedica sua vida a estudar lobisomens, mas não conseguiu encontrar um que mora na mesma cidade em que ele;
……c) ele afirma que as tragédias que acontecem ao seu redor se referem à ”maldição do lobisomem”, se sente culpado e deprimido por isso, mas não faz absolutamente nada para evitá-las (pelo contrário, instiga as coisas a ficarem ainda piores);
……d) ele tem parentes milionários que nunca aparecem, o que resolve todo o problema com dinheiro (conveniente para o enredo);
……e) ele mora sozinho aos 15 anos e ninguém liga para isso.

Até aí, é só um personagem incoerente. Porém ele tem uma grave falha de caráter, que é o pacifismo. Ele não é pacífico, isto é, aquele que não procura conflito; ele é pacifista, isto é, aquele que mesmo quando o conflito vem a ele, ele não age, não revida, permitindo que o mal se torne cada vez maior. Pelo contrário, sua apatia travestida de orgulho e pretensão de superioridade alimenta os ímpetos de conflito. É exatamente sua inação frente ao mal que causa todos os problemas que acontecem. Cada vez que ele se recusa a revidar, as forças do mal se tornam mais e mais fortes, ao ponto de afetar os inocentes ao seu redor.

Além disso, ele, com pena de si mesmo, reiteradamente afirma que quer ficar sozinho e se afastar da humanidade. Então por que diabos fica mudando de uma escola para outra, instigando agitações por cada lugar que passa? Ele afirma que não quer lutar. Então por que diabos enfrenta delinqüentes com arrogância e desdém? O discurso do personagem é completamente díspar de suas ações e posturas. Em última análise, é culpado de tudo de ruim que acontece ao seu redor não por uma ”maldição”, mas por suas próprias atitudes. Não passa de um autocomiserante irresponsável.

E o enredo trata de eventos desconexos ligados a esse sujeito apenas para justificar cenas violência e sexo explícito.

Da história

A professora bêbada (Akiko) sai à noite e encontra Inugami caminhando. Ela se apaixona pelo adolescente e o segue. Então uma gangue aparece do nada e o lincha enquanto molesta a professora. Daí ele vira lobisomem, mata todo mundo e deixa a Akiko desmaiada lá mesmo. Ele tem super-força mesmo na forma humana, então poderia ter evitado tudo isso. No dia seguinte vai para a escola como se nada tivesse acontecido. Akiko chega com os policiais à escola para trabalhar, vindo direto da delegacia (quem é que vai trabalhar depois de uma noite dessas?) e reconhece o garoto, mas fica por isso mesmo.

Daí aparece uma garota pervertida que passa o tempo todo usando roupa erótica. Essa guria é chama-se Ryuuko, 15 anos. Ela também foi estuprada, mas foi quando era criança. Depois ela foi vendida de mão em mão para mercadores de escravos sexuais até ser comprada pela Yakuza. E por alguma razão vai para a escola estudar (não sei o quê). Diferentemente da professora, ela ficou viciada em sexo e fica sexualmente excitada com violência. Ela aparece várias vezes no roteiro apenas para ter relações sexuais, mostrar nudez aleatória ou masturbar-se vendo outros sendo agredidos. Não serve em absolutamente nada para a história e está lá somente para ”cenas de sexo explícito com uma adolescente pervertida”.

No primeiro dia de escola, Inugami já arruma confusão com a gangue local. Levam-no para tomar uma surra perto de outro aluno que estava sendo estuprado. Nos dias seguintes, a escalada da violência toma proporções exponenciais. Você percebe claramente que o roteirista perdeu o controle da própria história quando (ainda no primeiro volume) traz de volta um personagem que estava para morrer. Aparece ”seu irmão gêmeo” que agora quer vingança. Esse gêmeo aparece como um atirador escolar descontrolado, não após um capítulo inteiro dedicado à sua masturbação.

Também há o recorrente mote de pessoas se urinando nas calças. Por algum motivo, o autor resolveu que todo mundo deveria se urinar nas calças de vez em quando. Akiko se mija quando vê o lobisomem pela primeira vez, o diretor se mija quando vai ser morto, uma aluna se mija quando é molestada pelo atirador da escola que também é mijão, tal como seu irmão gêmeo, ambos com fimose (sim, isso está descrito e é parte do enredo).

No meio dessa bagunça, é construído o real vilão da história, que é o filho do chefe da Yakuza, Harugo. Ele tem 15 anos, mas mostra o porte atlético de adulto olímpico, aleijou um campeão adulto de MMA, é especialista em armas, explosivos, táticas de combate urbano, praticamente um Rambo. E a cada dois ou três capítulos tem uma cena de sexo com a pervertida. (na primeira cena em que ele aparece eles estão transando) Daí Haguro descobre que Inugami é lobisomem e passa a caçá-lo. Não o encontrando, ele mutila, estupra e defeca sobre um amigo de Inugami. Esse amigo morre no hospital e vira lobisomem-zumbi. O tal zumbi mata um monte de bandidos da Yakuza, mas (conveniente para o enredo) perde seus poderes logo antes de matar Haguro.

Nada disso teria acontecido se Inugami tivesse revidado Harugo e sua gangue. Sua incoerência é evidente, pois durante isso tudo ele mata aleatoriamente outros vagabundos. Não precisava nem matar, eu já disse que ele tem super-força, uma surra já ‘tava bom. Não há qualquer motivo para não revidar a gangue de Haguro, exceto ser conveniente para o enredo.

No meio disso tudo tem um jornalista, que também é lobisomem, mas não faz diferença alguma para a história, então eu não o mencionei, mesmo tendo uns dez capítulos só para ele. Depois de toda essa confusão, Inugami resolve fugir para viver sozinho em sua autodepreciação. Ele se muda para outra cidade e resolve cortar contato com todas as pessoas. E o que ele faz? Vai fazer compras perto de um ponto turístico cheio de gente. Raios, afinal quer viver sozinho ou não? O que está fazendo no meio da cidade? Vai para a montanha, para o meio do mato, vai capinar um roçado. Ele é o típico Emo (aqueles insuportáveis adolescentes melodramáticos).

Nesse ponto turístico cheio de gente para onde ele foi se isolar (ಠ_ಠ), ele reencontra uma garota que estava gostando dele e a maltrata sem motivo. Daí a professora é seqüestrada e parei de ler.

O único termo técnico existente adequado para qualificar o personagem principal é babaca. O sujeito é um babaca, só faz merda e ainda se tem a presunção de maltratar os outros que lhe querem bem. Tem mais é que se foder mesmo.

Para sanar sua curiosidade, eu posso resumir o resto da história, pois li a sinopse completa. Procurei saber se algo que presta aconteceria e se valeria a pena continuar lendo essa bosta, antes de atirá-la pela janela.

Só depois de a professora ser estuprada (de novo), Inugami resolve salvá-la. Ele cata a mulher em todo lado, mas não a acha em lugar algum. Enquanto isso ela vai sendo estuprada e vídeos disso sendo postos na internet. Um tempo depois ele entra em contato telepático com a mulher e (conveniente para o enredo) descobre sua localização. (De onde ele tirou telepatia? Do cú? Desde quando lobisomem tem telepatia? Por que não podia ter feito isso antes?)

Daí ele vai atrás dela e é atacado por tudo possível e imaginável, mas consegue sobreviver (conveniente para o enredo) graças ao ”real poder do lobisomem”, uma aura dourada que salva ele e a mulher. Ou seja, ele vira super-sayajin Dragon Ball. E morre no final. Daí a professora se muda para o Alaska para viver isolada com lobos. (Com que dinheiro? No primeiro capítulo ela era uma pé-rapada e agora pode custear férias infinitas?) E o Inugami ressuscita, porque é lobisomem, mas ficou com amnésia de tudo o que aconteceu e vira cobaia dos militares. Fim da história.

Pela puta que pelo cú pariu o diabo: que merda é essa? Em quê que essa história pode ser considerada boa? Nem ao menos final feliz tem. Em quê essa história eleva o leitor? Em quê essa história traz esperança? Em quê essa história mostra o mal sendo vencido? O quê de bom você pode aprender com isso? Que raios o autor quis passar? Alguém pode me explicar o que leva pessoas a gostarem disso? E tem fãs! O que mais me dá raiva é que há mercado consumidor para esse lixo. Não é só o troço ser ruim, é também haver quem goste… Ah, se me fosse possível estapear telepaticamente os outros…

O problema com a telebasura (Ver também: Gosto se discute, sim.), é que ela só existe porque há quem a consuma. Se não houvesse mercado consumidor, o editor não a teria publicado. Cada vez mais e mais somos saturados com todo tipo de lixo, chafurdando cada vez mais profundamente numa torrente de esgoto intelectual. Essa não é a primeira vez que me decepciono com uma grande bosta, mas é a primeira vez que ela é tão ruim que sou obrigado a parar no meio.

Crítica comparativa

Sobre outros títulos que também foram uma bosta, um dos que eu tenho em péssima conta é Elfen Lied. E, refletindo agora, ambos apresentam um traço em comum, que é a ”tortura dos personagens”. De forma sádica, o autor impõe a seus personagens situações de grande sofrimento físico ou psicológico. Ele deleita-se com o cruel martírio contínuo a que são lançados os personagens. E, creio, a única explicação para que tais títulos sejam apreciados, seja a de que os leitores também compartilhem do mesmo sadismo e crueldade.

Em Elfen Lied, porém, o autor faz uso de ganchos de enredo (cliffhangers), isto é, a cada capítulo ou fase ele cria uma situação que atiça a curiosidade do leitor para continuar querendo saber mais. Entre as seqüências de ondas de tragédias, o autor não destrói o fio de esperança de que algo bom aconteça. O grande problema em Elfen Lied é que isso nunca acontece. Até o final, até o último capítulo, nada de bom acontece. Todos sofrem (especialmente dor psicológica). Sempre que uma situação aparenta se encaminhar para a resolução, um inesperado revés surge do nada e tal situação fica ainda pior. E, sim, Elfen Lied também é carregado de violência sem sentido, erotização apelativa e gente se urinando nas calças.

Eu li Elfen Lied integralmente e foi uma grande decepção. O autor conseguiu me reter com os ganchos de enredo, tal como iludiu os personagens com a falsa esperança, com a expectativa a ser frustrada, de tempos melhores. A frustração em ver que, naquela horrível história, os personagens não encontram paz nem mesmo após suas mortes é revoltante.

Essa é a mesma sensação que tenho com Wolf Guy – Ookami no Monshou. Parece-me que esses autores expressaram seus sadismos, e seus consumidores aprouveram-se com esses sadismos, numa mórbida cumplicidade. Não tenho outra explicação para esses títulos fazerem algum sucesso, a não ser a de que essa gente, mais do que anestesiada frente ao mal, está mentalmente corrompida, degenerada, pervertida. E não tendo como, em agir, expressar essa psicopatia /sociopatia no mundo real, seja por covardia, seja por incompetência, contentam-se em encontrar na ficção o prazer com o sofrimento alheio.

Esse tipo de título não traz nada de bom para o leitor. Apenas contribui para a doentia apatia frente às mazelas do mundo. É diferente de outros títulos dos quais eu não gostei por questões técnicas ou de desenvolvimento do enredo. Por exemplo, Doragon Kuesuto: Dai no Daibōken. Dragon Quest – A grande aventura de Fly é uma história amável do bem vencendo o mal. Trata do amor, da amizade, do perdão, da superação, da perseverança. Eu não gostei tão somente do desenvolvimento, pelo excessivo uso dos recursos deus ex machina (artifício de enredo) e cliffhangers. Ou seja, minhas divergências são apenas técnicas e não com o teor da obra (muito boa por sinal). Já Death Note é exatamente o contrário: o uso dos recursos de enredo é a chave para fazer a história funcionar, pois o enredo é horrível, partindo de uma premissa impossível e inviável. Os personagens em Death Note são densos, coerentes, podemos nos identificar dentro da história por conta da genialidade como o autor a conta, mesmo partindo de uma idéia estúpida.

Mas Wolf Guy – Ookami no Monshou não tem nada. Não tem arte, não tem enredo, não tem personagens, não tem premissas, não tem desenvolvimento, não tem final feliz. Só tem público… Mas mesmo uma ruma de bosta na estrada também atrai moscas, então… cada qual com seu igual.

Eleições 2022 – parte 7 (Neste ano, Brasília vai pegar fogo…)

Neste ano, prevejo que as eleições serão o caos. Requisitei em minha repartição que minhas férias fossem para o mês de outubro, justamente para evitar ter que estar na UERJ durante a época do sufrágio. Temos dois candidatos à presidência da república: um pinguço ladrão e um frouxo canastrão. Biroliro vencerá no primeiro turno, se não houver fraude. Qualquer pessoa que enxergue e tenha ao menos meio neurônio reconhece que sua popularidade é muito superior à do Molusco.

Eu ficarei quietinho em casa, vendo a briga das torcidas organizadas, turbas ensandecidas com forcados e tochas, torcendo para ainda ter um lugar de trabalho no mês seguinte…

Enquanto isso:
JORNALISTAS ASSUMIRAM PAPEL DE ATIVISTAS POLÍTICOS RADICAIS, DIZ DANIEL PENNA-FIRME | Cara a Tapa
Daniel Penna-Firme conta que jamais abriu mão de seus ideais e por isso paga um alto preço ao seguir por um caminho contrário da maioria dos jornalistas, que já lhe agrediram e até deram cusparadas
Veja a entrevista completa: https://youtu.be/t28k0BXiPGQ
Apresentação: Rica Perrone
Produção: Estúdio Century
Contato: rica@ricaperrone.com.br

E também, como não poderia faltar, meu querido e estimado Duduzinho! Não tem eleição sem o Dudu! “Porque o povo mereeece respeitô!” Esse nunca vai ter o meu voto, mas não tenho como não simpatizar com ele… Você pode chamar o sujeito do que quiser, mas ele é muito (MUITO) inteligente. Tem resposta para tudo, sabe onde pisa e aonde pisar, e é a prova viva de que se meter em política é um vício: pode passar o que for, eles não largam o osso.

Cara a Tapa – Eduardo Cunha | Cara a tapa
Um dos políticos mais polêmicos do Brasil, Eduardo Cunha não fugiu de assuntos polêmicos como corrupção, impeachment, Sergio Moro e Lava a Jato. Não dá pra perder esse Cara a Tapa.
Apresentação: Rica Perrone
Produção: Estúdio Century
Contato: rica@ricaperrone.com.br

Minicarros

Meus gostos são diferentes dos da maioria das pessoas. Tenho interesse por aquilo que é inusitado e incomum. Esses nichos estão espalhados por todo tipo de assunto, não há um tema especial sobre o qual me debruço obcecadamente. Não se trata de querer ser diferente, apenas tenho curiosidade sobre o que me chama atenção.

Recordo-me de quando divergi de uma professora de História na UERJ. Ela insistiu (veementemente) que eu deveria (obrigação) escolher uma especialização, um assunto bastante específico para pesquisar e trabalhar na Academia (o que é verdade). Logo me desinteressei de trabalhar na Academia, pois o mundo é grande, pujante e plural demais para que eu restrinja minha vida a uma coisa só.

Em lugar de ter muito conhecimento sobre uma coisa só, prefiro saber um pouco sobre todas as coisas que eu puder.

Com carros não é diferente. Não ligo muito para os carros de passeio, eles não me interessam nem me chamam a atenção, mas veículos incomuns me atraem. Eu gosto dos esportes a motor. Não gosto muito de Fórmula1, mas as demais me interessam, especialmente as corridas de resistência (endurance), como o ícone máximo dos esportes motorizados, As 24 Horas de Le Mans. Também gosto bastante das corridas de carros de passeio (stock cars), tendo como maior representante a NASCAR. Certamente esse gosto deve vir de minha infância, onde os videogames que jogava eram todos com esse tipo de carro!

Eu sou uma pessoa bastante pragmática. Tenho interesse na funcionalidade das coisas, não em seu apelo estético. Acredito que um carro deva cumprir seu papel como ferramenta e, se o cumpre, me é suficiente. Por exemplo, gosto de ver as novidades tecnológicas e de conforto nos carros de luxo, embora eu jamais pagaria seu preço mesmo se tivesse dinheiro para isso. Por que pagar R$ 500.000,00 num carro se outro de R$ 50.000,00 me levará ao mesmo lugar? Por que pagar mais caro num carro que chega a 800 Km/h em meio segundo se no engarrafamento da cidade é mais rápido ir a pé?

Eu gosto de ver aquilo que é diferente: Gurgel, Lada, Fusca, DKW, FNM e por aí vai. Porsche, Cadillac, Rolls Royce, Bentley. Caminhões, furgões e os rulotes, sobre os quais já escrevi. Mas dentre todos os tipos, nada é tão fofinho e bonitinho quanto os minicarros!

Um pouco de história.

Com o final das Grandes Guerras, a economia global estava arrasada. Houve muito empenho na indústria bélica, muita tecnologia foi desenvolvida, mas nada disso conseguiria retomar o equilíbrio econômico em curto prazo. As pessoas precisavam se deslocar, precisavam de veículos automotivos, mas os modelos de carros de 1930 e 1940 eram caros para ser produzidos, e o mercado consumidor não tinha dinheiro para comprar aquelas unidades.

Assim, nas seguintes décadas de 1950, 1960 e 1970, surgiram como solução de comutação diária os minicarros. Pequenos veículos de um ou dois lugares, de baixo custo de fabricação e manutenção. Uma forma rápida e eficiente de revitalizar a indústria quaternária.

Diversos modelos apareceram e com eles a comunidade de entusiastas. Até hoje, clubes ao redor da América do Norte e Europa mantêm os veículos remanescentes, permitindo que grupos de pessoas com esse interesse em comum se encontrem e façam novos amigos.

Para mim, dentre os modelos que conheço, o mais carismático é o Messerschmitt. A Messerschmitt foi uma fabricante de aviões militares alemã, produzindo centenas de unidades para a Luftwaffe. Com o fim da guerra e a proibição de fabricação de aviões militares, ela se reinventou como produtora de minicarros. Sua resposta foi a de aproveitar a construção de um avião, tirar as asas e pô-lo na estrada! O resultado é um cativante triciclo com motor de duas válvulas, no formato de um aviãozinho, para deslizar pela estrada.

O apaixonante carrinho tem uma comunidade fiel há décadas. Até aqui no Brasil tem uma empresa na Região Sul que produz réplicas dele. (São feitos manualmente, como os Bugres daqui do Rio de Janeiro). E para a surpresa de todos, o Messerschmitt recentemente voltou à produção oficial. Um entusiasta conseguiu os direitos de marca e está fabricando na garagem de sua casa novos modelos do carrinho.

Para saber mais sobre minicarros e essa entusiasmada comunidade, veja os vídeos abaixo.

Microcars in Scotland|MyClassicCarTV

Fun, Funky, & Rare Micro Cars! World’s Smallest Vintage Cars! | Jim Waltz

Huge collection of tiny cars|CNN

Old Top Gear 1992 – Messerschmitt Bubble Cars|celticmadliam

Messerschmitt “bubble” car rally|mrsheenv8s

Messerschmitt Kabinenroller Treffen Remagen 2011|Rollermobil

Messerschmitt KR200: Quirky Bubble Car Reborn Electric!
| DW REV – Cars & Mobility

Ferrorama! (2) Grandes projetos ferroviários do passado e do futuro.

Veja mais: Ferrorama! Documentários sobre a história das locomotivas. 

O primeiro vídeo mostra um projeto antigo (e hoje obsoleto) de gigantes e luxuosos trens de passageiros. O segundo trata dos futuros e rapidíssimos trens de levitação magnética e explica seu funcionamento.

The Insane Giant Nazi Railway – The Breitspurbahn | Found And Explained

O trem mais rápido já construído | A física completa disso | Lesics português

Postagem número 1000.

Hora de fazer algumas recapitulações.

Sempre tive vontade de ter meu próprio espaço na internet. Um lugar que fosse meu, que não dependesse da boa vontade de provedores. Mas ter meu próprio servidor, com redundâncias e conexão com IP fixo é muito caro para um passatempo. Em lugar de reinventar a roda, acabar na bancarrota, mas ainda ter meu website, optei por baixar a cabeça, dizer amém e ter minha página num dos serviços já existentes.

Meu primeiro espaço foi no extinto Geocities, na época em que o Yahoo! ainda prestava para alguma coisa, donde saí nos idos tempos de 2008. Com internet discada e o próprio Yahoo! como provedor, num ínfimo espaço para a página, lá estava eu todo prosa em meu espacinho.

Com o Yahoo! me irritando e degradando seus serviços ao longo do tempo, optei por migrar para o Blogger em 31/08/2009, seguindo o fim do Geocities. E fui lidando com a plataforma, os mandos e desmandos do Google, razoavelmente satisfeito por ter um lugar mais adequado para postar mensagens motivacionais.

Já para 2011 eu tinha de tudo na rede. Multiply (extinto), Orkut (extinto), Blogspot (na época meu weblog tinha o nome Mensagem do dia), Twitter, Facebook. Tudo menos visualizações. |:^/

E, em maio de 2014, o Yahoo! conseguiu me enraivecer mais do que nunca. Um aborrecimento em cima de outro. O serviço de correio-eletrônico estava tão ruim, que mudei oficialmente para o Hotmail e até experimentei contratar meu próprio servidor de e-mail. Detestando o serviço do Google, chutei o balde. Fiz tudo: registrei domínio (noctuam.com/.net/.com.br) pelo IG, contratei o Hostnet, aprendi html. Isso mesmo, aprendi programação html para fazer minha própria página eu mesmo! (eis meu nível de descontentamento)

O serviço de e-mail do Hostnet conseguiu ser pior ainda… Funcionou por apenas um (1) dia de 2014. Obviamente cancelei o contrato na mesma semana. Mas não foi uma experiência de toda inútil. Ao menos tive o website escrito por mim mesmo no ar por um mês, tinha adquirido um nome de domínio próprio e considerável conhecimento.

Não me recordo muito bem, mas lembro que estava insatisfeito com o Blogger (Google de um modo geral) e migrei para o WordPress, com a primeira postagem aqui em 14/04/2014 (Mensagem nº 206). Passado certo tempo, Tiago Caridade me incentivou a começar a escrever meu próprio conteúdo, em lugar de me limitar somente a enviar mensagens motivacionais.

Fui surpreendido com parcos visitantes <post 500> e comecei a dar mais atenção ao conteúdo publicado. Passei a compartilhar o material que uso ao longo dos anos para estudar. Em 11/09/2016 troquei a ”marca” noctuam para meu nome e assim ficou. Uma celebração à minha formação como professor. Minha página então se tornou um repositório para estudantes de docência, pessoas que buscam informações sobre autismo, quem precisa de informações sobre depressão, quem pesquisa sobre halterofilismo e também quem cai de pára-quedas por aqui. rsrsrs |:^p)

É um trabalho singelo. Fico satisfeito em saber que posso estar contribuindo com alguma coisa, mesmo que pouca. Sim, fico chateado porque os meus textos mesmo praticamente ninguém lê (alguns realmente nunca foram lidos). Mas quem sabe se no futuro eu passo a ser conhecido pelas minhas idéias em lugar de minhas excentricidades?

O número de visitantes aumenta e diminui conforme os semestres letivos das faculdades. Com isso posso ver que esta página está sendo usada como repositório, tal como eu queria. Importante notar também que uma parcela das visitas são minhas próprias, pois o WordPress tem dificuldade para contabilizar visualizações.
O número de visualizações não é muito certo, então eu dou mais valor ao número de visitantes.
Fora os quase 3.000 cometários SPAM que recebi, de vendedores de viagra até uma herança que eu tenho para pegar num país africano, não tenho muita interação com os leitores.
Compartilho o conteúdo deste repositório com tudo o que vejo pela frente. Também tenho Tumblr, Twitter, Facebook e LinkedIn.

A Verdadeira História de BOLSONARO | Documentário COMPLETO – Partes I e II

Ainda estou esperando esse presidente frouxo peitar o STF e soltar os presos políticos. Afinal, ele jurou defender a Constituição, não é?

A Verdadeira História de BOLSONARO | Documentário COMPLETO – Partes I e II

Mundo Polarizado | Olimpio Araujo Junior

É tudo boato, mesmo quando não é.

mother!

Desde 2004 eu não vou ao cinema. Antes cinéfilo contumaz, devorador assíduo de cinedramaturgia em seus vários gêneros, vi-me completamente enfadado pelos novos títulos. Nada mais me chamava a atenção. Sinto que desde Matrix (1999) não há mais filmes, apenas efeitos especiais maquilados por um enredo ”necessário”. O primeiro caso que me vem à mente é Another Earth (2011). É realmente necessário enfiar artificialmente ficção científica num enredo dramático? Quando o efeito é o protagonista e o enredo apenas coadjuvante, qual o intuito da obra?

O cinema se tornou escatológico. Human Centipede (2009), A Serbian Film (2010), Melancholie Der Angel (2009). Travestidas de ”provocação”, obras (se é que podem se chamar assim) que apenas provocam repugnância são catarse coletiva de mentes coletivas, sem indivíduo, individualismo ou individualidade, sem criação ou criatividade, feitas com o propósito de chocar por chocar, sem mensagem a passar.

Ou o cinema se tornou autofágico. Incapazes de criarem coisas novas, estúdios abraçaram as velhas fórmulas, dissimulando o novo ao repetir enredos batidos, ou descaradamente relançando filmes consagrados (remakes). De Total Recall (2012) a Rei Leão (2019) exploram o saudosismo e a memória afetiva do público cativado de outrora. Ao menos os romances Hallmark não escondem o que são…

Ou ainda o cinema se tornou comercial. Filmes feitos para o rápido consumo de adolescentes ou chineses (Anthony Mackie, 2017, MCM London Comic Con). Não são mais produzidos filmes com o ator A, ou diretor B. São produzidos super-heróis computadorizados, franquias (o nome representa o modelo comercial) que começaram em livros e que viraram filmes e jogos, ou qualquer coisa para agradar o governo chinês.

Anthony Mackie Explains Why Hollywood Movies Suck Now | Red Carpet News TV

Além disso tudo, temos a corrupção da cultura passada. Vemos ícones consagrados da cultura popular sendo infiltrados e depravados por uma clara agenda ideológica neomarxista pós-moderna que os submete às suas pautas. Feminismo, homossexualismo, racismo e outros temas em nada relacionados com o enredo original são inseridos sem contexto ou necessidade, tão somente para consonar a um público-alvo específico. E, quando os aficionados manifestam seu descontentamento, quando dizem que não gostaram do resultado, ou tão somente desaprovam o conteúdo, são automaticamente intitulados retrógrados ou acusados de crimes contra a humanidade.

Pelo que entendi, sugerir que personagens fictícios não afro-descendentes sejam representados segundo suas etnias originais é crime. Mas Rei Arthur Negão pode…

Nestas duas décadas não acompanhei mais a grande mídia cinematográfica. Restringi-me a assistir pequenos trechos de filmes que porventura chamassem minha atenção. Cenas de ação, aventura, comédia etc. Os chamados ”clips”. Para mim me bastam somente esses curtos segmentos mais importantes, tal como uma criança que come somente o recheio do biscoito. Foram raríssimos os filmes que vi. A Órfã (2009) foi brilhante. A Dama de Ferro (2011), decepcionante. Prefiro curta-metragem: curtos filmes em que a mensagem é passada o mais rapidamente possível e sobre ela posso imediatamente exercer juízo de valor.

Em lugar de assistir e perder o precioso tempo em que poderia estar olhando para uma parede, optei por algo muito mais simples: ler. Passei a não mais assistir a filmes, mas a ler suas sinopses na Wikipédia. E nestes últimos vinte anos li todo tipo de filmes, esperançosamente aguardando algo que me agradasse, sem muitas satisfações.

Assisti muitas (muitas) animações, em muito admirado pelo trabalho e dedicação para produzi-las, mas também decepcionado pelo enredo lamentável que elas apresentam. ”Award Winning” é quase sinônimo de ”final ruim” ou ”historieta melancólica”. Mostrando que são laureados/recompensados aqueles que produzem as histórias mais infelizes, estimulando o cultivo de mais tristeza no mundo… Eu tomei a decisão em minha vida pessoal de rejeitar o que não é belo. Repudio os finais tristes. Para entrar em minha vida, só aceito o que é bom. Só que parece que violentar a psiquê dos personagens em um enredo depressivo é ponto comum entre os animadores contemporâneos.

Recentemente o Youtube vem permitindo os chamados ”recaps”, sumários em que um narrador conta o filme em pouco mais de dez minutos. Em lugar de perder de uma (1) a três (3) horas vendo um filme, o espectador pode ver o sumário de toda a narrativa. Assim é possível saber o conteúdo de seis ou sete filmes no período em que assitiria a apenas um (1) em sua integralidade. E comecei a encontrar algumas coisas interessantes, outras nem tanto. Até que me deparei com o filme mother! (2017), de Darren Aronofsky.

O fato de a Academia Americana de Cinema ter agraciado The Shape of the Water (2017), também conhecido como “O monstro da lagoa negra taradão“, e não ter ao menos cogitado mother! para nomeação demonstra a tendência dos estúdios e não surpreende. Os críticos de arte gostaram bastante, mostrando a dissonância entre a arte cinedramatúrgica e a academia (leia-se: grande mídia).

O grande público também não gostou de mother!. Eu também esperava por isso, por conta do enredo. Mas o que me chamou a atenção, a minha surpresa, foi que o teor do enredo não foi a causa de o público não ter gostado. O público não gostou porque não entendeu o filme!

Neste mundo em que toda a informação precisa ser pacientemente mastigada e vomitada na garganta do passivo espectador, em que a pessoa não tem mais que fazer o mínimo esforço para obter a informação superficial que busca, em que o indivíduo tem preguiça de pensar, em que o quoeficiente intelectual médio da humanidade está caindo, eu vi as pessoas pedirem para que outros lhes expliquem do que o filme se trata. E os que explicam ainda dizem que também não entenderam e apresentam somente suas ”suposições”.

O filme é uma alegoria ao egocêntrico deus bíblico e ao homem, um feito à imagem e semelhança do outro, uma crítica ao mal que a humanidade faz ao mundo e à perversidade em cada ser humano. Uma crítica à futilidade do esforço de uma minoria bem intencionada frente às hordas ensandecidas. Considerando que a população ocidental é majoritariamente cristã, o filme é evidentemente uma provocação ética e moral sobre os preceitos religiosos. Mas as pessoas não entenderam a metáfora… Como que não entenderam a metáfora???

A atuação de Jennifer Lawrence foi brilhante, ela entrega a emoção na dose perfeita conforme o texto. Do egoísmo divino e mundano à transubstanciação, o filme está bem costurado. Toda comunicação exige dois lados. O que fala e o que escuta. É lamentável ver que os parcos brilhantismos da cinedramaturgia hodierna recaem sobre a estéril mente de espectadores alienados.

E assim percebo que não é a arte que foi ”corrompida”. Ela tão somente está de acordo com o público que a consome.

You never loved me, you just loved how much I love you. I gave you everything. And you gave it all away.

Mas nem tudo está perdido. Ao menos todos concordamos que Cats (2019) é uma aberração…

Teste de personalidade

Compartilhado originalmente em 12/09/2017.

Este é um interessante teste de personalidade gratuito que encontrei. Meus resultados foram precisos na descrição de como eu sou, como me sinto e como vejo o mundo.

https://www.16personalities.com/

Teste de personalidade
Fonte: https://static.neris-assets.com/images/personality-types/headers/analysts_Logician_INTP_personality_header.svg

 

IVES GANDRA MARTINS – DIRETO AO PONTO – 30/08/21

IVES GANDRA MARTINS – DIRETO AO PONTO – 30/08/21 | Jovem Pan News

Ver também: Discussão e debate no país dos analfabetos