Suicídio na adolescência – A morte evitável

SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA
A morte evitável
Mario Louzã
Fonte: Le Monde diplomatique Brasil, Edição 131, 04/06/2018

Detectar precocemente que uma pessoa está em risco de suicídio — ou seja, quando ela apresenta ainda “somente” idéias suicidas, mas nenhum plano concreto de executá-lo — é a principal “janela de oportunidade” para preveni-lo

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a cada quarenta segundos morre uma pessoa por suicídio, uma das principais causas de mortalidade no mundo, especialmente entre os jovens. Outro dado preocupante é o aumento significativo, cerca de 35% a 40%, das taxas de mortalidade por suicídio, especialmente na adolescência e idade adulta jovem nos últimos dez anos.

Enquadram-se no conceito de suicídio três situações de risco progressivo: o pensamento suicida, a intenção suicida (quando já há planos mais ou menos detalhados de como cometer o suicídio) e o ato suicida em si (resultando ou não em morte). Incluem-se também nesse conceito os atos de autoferimento [self-harm], com ou sem intenção suicida.

Embora muitos fatores biológicos, emocionais e sociais possam influenciar o risco de suicídio, o principal deles é a depressão. Depressão aqui deve ser entendida como algo muito diferente da tristeza normal. Trata-se de um transtorno mental caracterizado por tristeza profunda e contínua, dificuldade de sentir prazer nas atividades cotidianas, pensamento negativo, ansiedade e falta de esperança, além de sintomas físicos como insônia e diminuição do apetite e da libido. Nos casos graves, o pensamento negativo e de culpa e a falta de esperança desembocam no pensamento suicida; este pode evoluir para o planejamento e o ato em si.

Além da depressão, fatores de risco para suicídio incluem: tentativas prévias de suicídio, ser do sexo masculino, condições desfavoráveis do ponto de vista pessoal, familiar, social e econômico (separação dos pais, experiências adversas na infância, como abuso físico ou sexual, transtorno mental ou história de suicídio na família, bullying, dificuldades interpessoais, baixa auto-estima, impulsividade, abuso de álcool e drogas, entre outros). Estresse, competitividade e pressão por resultados e alto desempenho escolar parecem ter um impacto importante no risco de suicídio entre adolescentes.

A adolescência é um período de transformações significativas do ponto de vista biológico, psicológico e social. O adolescente é particularmente vulnerável às avaliações e aos julgamentos de seus pares, algo que se multiplicou com a internet e as mídias sociais. O cyberbullying tornou-se um fator a mais de risco para o jovem; em poucos minutos, mensagens, fotos ou vídeos “viralizam” e expõem o adolescente mais fragilizado de forma devastadora. Muitos se vêem sem saída, humilhados e expostos, e reagem com um ato suicida.

O suicídio é a morte evitável. Detectar precocemente que uma pessoa está em risco de suicídio — ou seja, quando ela apresenta ainda “somente” idéias suicidas, mas nenhum plano concreto de executá-lo — é a principal “janela de oportunidade” para preveni-lo. Esse é o momento ideal. Na situação já de planejamento suicida, é importante estar atento aos indícios de que a pessoa começa a procurar saber como cometer o suicídio, qual método usar. Ela pode ir em busca de armas de fogo ou começa a estudar quais são os venenos ou os medicamentos mais perigosos. Há nessa situação um aumento da impulsividade da pessoa, em parte pelo fato de que ela vê no suicídio a única saída para si, o que a leva a ter “forças” para o ato.

Alguns sinais de que a pessoa tem pensamentos suicidas são: falta de esperança, angústia, sentimentos de vergonha, humilhação e culpa, falta de perspectiva futura e sofrimento intenso (muitas vezes por algum fato marcante da vida, recentemente acontecido). Eventualmente a pessoa verbaliza “gostaria de dormir e não acordar mais”, “não vejo mais sentido em viver”, “a vida está muito difícil, insuportável”, “sou um peso para as pessoas, não quero mais isso”, “quero me livrar deste sofrimento todo”, “nada mais importa”, “a vida não vale a pena”. Nem sempre os sinais são claros; freqüentemente o adolescente busca o isolamento, reduz o contato com os familiares, busca a privacidade de seu quarto e substitui o contato com amigos e colegas “reais” por contatos “virtuais”. Esse isolamento muitas vezes pode ser confundido com a “crise da adolescência”, sendo relevado pelos familiares.

Em geral, familiares e amigos são os primeiros a perceber que a pessoa não está bem e tem pensamentos suicidas. Nessa situação, devem conversar com ela e levá-la a um médico psiquiatra para uma avaliação mais detalhada. O risco de suicídio é uma indicação formal para internação psiquiátrica. No hospital psiquiátrico, a pessoa é acompanhada 24 horas por dia, seus atos são monitorados e introduz-se o tratamento necessário para alívio do sofrimento psíquico. Em casa é muito difícil conseguir vigiar a pessoa o tempo todo; em contrapartida, é muito fácil o acesso a potenciais métodos de suicídio, que pode ser cometido de forma abrupta, sem que haja tempo de evitá-lo.

Vivemos numa época de grande influência das redes sociais na vida das pessoas. Muitos questionam sobre os prós e contras de falar ou não sobre suicídio. Alguns acham que isso encoraja o ato, outros dizem que é um meio de prevenção. A questão principal é a forma como o assunto é tratado. Muitas vezes a mídia aborda o tema com certo “glamour”, dando a impressão de algo parecido com um ato de heroísmo ou de conquista, que fará os outros admirarem a pessoa que se suicidou. Essa abordagem evidentemente é negativa e muitas vezes “incentiva” o suicídio (o chamado “contágio social”, ou “efeito Werther”, em referência ao personagem do romance Os sofrimentos do jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe). O tema deve ser tratado com um enfoque de prevenção, visando auxiliar o reconhecimento do risco de alguém cometer suicídio. Muitas pessoas com pensamentos suicidas se sentem constrangidas em falar sobre isso, pois receiam ser estigmatizadas por familiares ou amigos. Nesse contexto estão inseridas as campanhas do Setembro Amarelo e mesmo a divulgação do Centro de Valorização da Vida (CVV), que tem um papel importante no auxílio a pessoas com risco suicida. Do mesmo modo que há sites que abordam o suicídio de modo negativo, “ensinando” métodos e criando “jogos” que podem levar seus participantes à morte, estudos mostram que sites ou fóruns que promovem a prevenção do suicídio têm um papel importante no auxílio a pessoas em risco. Especialmente os jovens procuram apoio e aconselhamento com maior frequência entre seus pares do que com profissionais especializados.

O suicídio é um problema médico-social complexo e uma grande preocupação na atualidade. É importante estar atento e antever essa possibilidade diante de uma pessoa que apresente depressão e esboce pensamentos negativos, desesperança e outros. Agir nesse momento pode ser a diferença entre a vida e a morte.

*Mario Louzã é médico psiquiatra e psicanalista, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha. CRMSP 34.330. Site: <www.saudemental.net>.

Referências

Gustavo Turecki e David A. Brent, “Suicide and suicidal behavior” [Suicídio e comportamento suicida], Lancet, n.387, p.1227-1239, 2016.

Keith Hawton, Kate E. A. Saunders e Rory C. O’Connor, “Self-harm and suicide in adolescents” [Autoferimento e suicídio em adolescentes], Lancet, n.379, p.2373-2382, 2012.

Jo Robinson et al., “Social media and suicide prevention: a systematic review” [Mídia social e prevenção de suicídio: uma análise sistemática], Early Intervention in Psychiatry, n.10, p.103-121, 2016.

Magid Calixto Filho e Talita Zerbini, “Epidemiologia do suicídio no Brasil entre os anos de 2000 e 2010”, Saúde, Ética & Justiça, v.21, n.2, p.45-51, 2016.

World Health Organization, “Suicide prevention” [Prevenção de suicídio]. Disponível em: <www.who.int/mental_health/suicide-prevention/en/>.

 

Não só finais de ano, mas em todas as datas festivas.

Não faça sua alegria a partir da dor de outrem.

Entrevista com paciente afetado por esquizofrenia catatônica (1960)

O excerto da entrevista seguinte, em inglês, com áudio transcrito logo abaixo, exibe o diálogo entre um médico e um paciente afetado por esquizofrenia catatônica. Logo em seguida, sem citar nomes, um sobrinho comenta o que aconteceu com o paciente.

Psychiatric Interview No. 18: Evaluation for Diagnosis | Jujube Tutube
by University of California (System). Extension Media Center
Publication date 1961
Publisher Berkeley, Calif. : University of California, Extension Media Center

Outra fonte do vídeo: Interview: Catatonic Schizophrenic | ktrypy1111 https://www.youtube.com/watch?v=IehtMYlOuIk

Tom – 15/09/2022:
This is an old comment about this man that seems to have been lost: This man was my uncle. I’m not going to give any names, but for those of you who are concerned with how things turned out for him, not well. There’s so much to address here. First let me say that he was being treated in this video with meds. Without the medication his mood ranged from complete delusion to catatonic. As for being gay, I don’t think he had much of a sex drive at all. With or without meds. As for the idea that he was put here because he was gay by some unloving family, that’s ridiculous. I don’t have time to say all the things my family tried just to make his existence somewhat peaceful just for his own sake. My family had a couple of openly homosexual and lesbians in it even back in the sixties and with the exception of my mother’s father no one gave a shit. My uncle suffered with meds and even more without. After forty some odd years, most of which he spent in institutions, he took his own life by way of drug overdose. By the way, the comment about the plot twist, he never had a piano was funny because he didn’t. His seeming obsession with piano came and went as did obsessions with religion, especially the Catholic Church and government. As far as I know he couldn’t play a lick. He was very ill at his best and a living shell at his worst. I hope that answers some questions because that’s all I have to say on the matter. He’s been gone since the late eighties and I really hope that other members of my family don’t see this video, mostly because of the comments from people that somehow think they understand him better than the people who suffered with him. One last thing, I think people thought that he was talking about sitting or standing effeminately or something. No, he was talking about sitting or standing motionless for hours. Usually not even his facial expression would change but when it did it was usually related to something in his mind only. I really can’t begin to tell you all how heartbreaking the whole thing was. He did seem intelligent and with meds he did remind me of a high functioning guy with autism I once met.

Transcrição:

– How are you feeling?
… Well.
– How long have you been here?
… Three months. May 17th.
– And what brought you here?
… That’s difficult to answer.
– Could you give me some idea?
… Off hand, I can’t.
– Whose idea was it that you come here?
… My psychiatrist.
– And what happened that ended up with your being here in the hospital?
… The psychiatrist decided. That this was the situation for me.
– Did he tell you why?
… No, the psychiatrist did not.
– Has anybody told you why?
No.
– Have you any idea why?
Yes.
– And what is that?
I am not completely like… other people.
– What do you mean by that?
People dislike me because. I am not completely like them.
– And in what way are you different?
I am trying to do with my life something which… few people try to do.
And… this influences my thinking. And consequently my actions.
– What is it you’re trying to do with your life?
… Play the piano for people.
– I am not clear at…
– How is it that playing the piano for people has eventually resulted in your being here in the hospital?
… I sit differently. When I play the piano.
And when I am away from the piano I occasionally look differently. From other people.
And this has caused. Dislike. From people.
– They dislike you because you sit differently at the piano?
… Yes.
– In what way do you sit at the piano that people would dislike you?
… I cannot describe. An illustration. Of how I sit.
– And I can’t imagine it, that it would make people angry at you, or at least dislike you.
– How do you know they dislike you?
… My father does. And.
Doctors do. Because.
Of the way. I appear.
In relationship to the way I sit at the piano. And occasionally stand when I am away from the piano because of the way I sit at the piano.
– How do you stand when you’re away from the piano that they dislike you?
… I can’t describe. An illustration.
– Does it “feel” to you any different from the way other people stand?
… Yes it feels different.
– In what way?
It… this is becoming too involved to describe.
– Would I be right in assuming then that…
– you don’t feel that you belong in the hospital,
– but that other people did feel that?
… As soon as I express the belief that I do not belong in this hospital,
which is a mental hospital,
then…
those who dislike me want to find a worse place for me.
– I’m not sure I understand. Could you make that clearer for me?
… No.
– Is this a way of…
… A hosp—Yes, I can.
As soon as I express the belief that I do not belong in this mental hospital,
then those who dislike me want to find a hospital where the living conditions are not as good as this.
– But why are you in the hospital in the first place? I’m not clear.
… Because I am working to do something in my life which most people do not do…
This influences my thinking.
And occasionally my actions.
And… A psychiatrist has noticed this.
And dislikes…
– What has he noticed?
… the actions, and…
the thinking, and has decided that I should be here. To change them.
– What actions?
… How I talk. And how I look. Right at this moment.
– And how would you describe the way you’re talking and looking right at this moment?
… As other people talk, and that this moment however I’ve been told that it is not the way other people talk and look.
– Have you any idea in what way it’s not like others?
… No because I believe it IS as other people talk.
– So then from YOUR point of view, not from other people’s point of view, from YOUR point of view,
– You look, you talk, you think, you behave… as other people do.
– You’re very interested in learning to play the piano.
– You sit at the piano a little differently from the way someone else might and you stand somewhat differently.
… Occasionally I stand differently.
– Now that, uh… in itself, doesn’t seem on the surface to be sufficient reason for being in a hospital.
– So what other reasons have been given to you, or what other reasons do you understand are the causes of your being here?
… I’m supposed to not. Be mentally well.
– And what’s supposed to be wrong with you?
… No doctor has told me.
– That’s hard to believe.
… I tell the truth.
– What are your plans? If things should go well, and you were to leave the hospital, then what?
… I need financial help from my father to prepare.
Me.
For obtaining a job. As a piano instructor.
At a university.
Where I will be able to teach.
People how to play the piano.
And also play the piano. For people.
– Have you had the training yet to permit you to be an instructor?
No I have not.
– Have you tried?
I don’t understand what you mean by the…
– Have you tried to get the instruction?
… Yes I have tried.
– And what’s happened?
… I have not had. The correct environment. For the instruction.
Nor the correct financial help for the instruction.
Nor… the correct instruction.
– Have you been accepted for such instruction?
… By some teachers. Yes.
– And… by others no?
Yes. Again.
– Mhm.
It has been about half and half.
– Have you started any such instruction with those who did approve of it?
… Yes.
– And how has it gone?
… With some it has gone well. With some it has not gone well.
– Our time is up. Thank you for coming in to talk with me.
… It’s over.

Documentário: “Sou surda e não sabia”

Sou Surda e Não Sabia (França) | Verbo em Movimento Libras
Por anos, Sandrine não sabia que era Surda de nascença. Filha de pais ouvintes, frequentou a escola regular, e lá se perguntava como os outros compreendiam o que a professora estava tentando transmitir. O documentário olha para a questão da surdez pela perspectiva de Sandrine e sua história verídica. O filme ainda levanta a discussão sobre a conveniência do implante coclear, da oralização de crianças surdas e da língua de sinais.

FICHA TÉCNICA
Título original: Sourds et Malentendus
Ano produção: 2009
Dirigido por: Igor Ochronowicz
Estreia no Brasil: 2009
Duração 70 minutos

Mesmo vídeo, caso o hyperlink acima seja removido. https://www.youtube.com/watch?v=PymXMyz3nSk e https://www.youtube.com/watch?v=Vw364_Oi4xc .

Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS (curso online)

Curso de LIBRAS online, por Kelly Letícia

A primeira parte é bastante teórica, seguida pela parte prática. Também há certificado ao final.

 

Se doenças normais fossem tratadas como a depressão

Compartilhado originalmente em 16/01/2017


Comunicação com crianças deficientes (cegas e surdas)

Atualizado em 07-06-2022: reenviado vídeo.

A comunicação verbal e o desenvolvimento da linguagem é uma das marcas fundamentais da espécie humana. Todo o raciocínio lógico é moldado conforme e segundo a linguagem aprendida. É, portanto, um grave problema a ser enfrentado pelos pais, deficiências que prejudiquem o aprendizado da linguagem pelas crianças. Crianças surdas precisam desde cedo aprender a se comunicar por meio de sinais básicos. Mas o que acontece quando uma criança é surda e cega?

Veja mais: Como a linguagem modela a maneira como nós pensamos?

Há muito tempo, foram desenvolvidos métodos para o ensino de linguagem para essas crianças. O método TADOMA permite que surdos-cegos possam aprender a compreender o que outra pessoa fala por meio do tato. Nesse método, a pessoa coloca a mão sobre o rosto do falante e por meio do tato reconhece as vibrações da fala. É possível que o surdo-cego aprenda a falar, reproduzindo em seu aparelho fonador as vibrações que sente, ainda que não escute propriamente a própria voz. É um método complicado, mas é uma alternativa válida para ensinar a criança a se comunicar. Esse método recebeu seu nome em homenagem às duas primeiras crianças que aprenderam a falar com ele, Tad e Oma.

Helen Keller & Anne Sullivan (1928 Newsreel Footage with Open Captions and Audio Description) | Described and Captioned Media Program

Helen Keller’s loss of vision and hearing in infancy made comprehension of the outside world next to impossible—or so it seemed. When teacher Anne Sullivan agreed to work with Keller, that world opened up, especially when Keller comprehended the function and purpose of language. Keller and Sullivan appear in this newsreel footage from 1928, in which Sullivan explains and then demonstrates the methodology used to teach Keller language, most elements of which are still used worldwide with students who are deaf-blind. This full-length version is brought to you by the Described and Captioned Media Program (www.dcmp.org) with the permission of the copyright holder, the University of South Carolina Newsreel Library (www.sc.edu/library/newsfilm/). It has been described for the blind and captioned for the deaf. To learn more about description and captioning, visit the following websites: http://www.dcmp.org/description and http://www.dcmp.org/captions.

Tradução:
A perda de visão e audição de Helen Keller na infância tornava a compreensão do mundo exterior quase impossível – ou assim parecia. Quando a professora Anne Sullivan concordou em trabalhar com Keller, esse mundo se abriu, especialmente quando Keller compreendeu a função e o propósito da linguagem. Keller e Sullivan aparecem neste noticiário de 1928, no qual Sullivan explica e, em seguida, demonstra a metodologia usada para ensinar linguagem a Keller, a maioria dos elementos da qual ainda é usada em todo o mundo com alunos surdo-cegos. Esta versão completa é fornecida a você pelo Programa de Mídia Descrita e Com Legendas (www.dcmp.org) com a permissão do detentor dos direitos autorais, a Biblioteca Newsreel da Universidade da Carolina do Sul (www.sc.edu/library/newsfilm/) . Foi descrito para cegos e legendado para surdos. Para saber mais sobre descrição e legenda, visite os seguintes sites: http://www.dcmp.org/description e http://www.dcmp.org/captions.


O caso de Helen Keller (1880-1968) é o mais famoso pelo impacto sociocultural que Helen teve após aprender a falar. Surda-cega desde os 19 meses de idade, foi aluna da professora deficiente Anne Sullivan (1866-1936), que por sua vez era parcialmente cega. Helen Keller tornou-se ativista política e palestrante internacional, foi a primeira surda-cega formada bacharel em Belas Artes da Universidade de Harvard. Publicou 12 livros e numerosos artigos. Teve uma vida plena e até um noivado secreto.

Sua vida é alvo de vários filmes e adaptações animadas. Quanto ao seu posicionamento político, é necessário considerar o contexto histórico em que sua trajetória se deu. Independentemente disso, ela é um exemplo de que, com o tratamento adequado, deficientes físicos podem se desenvolver intelectualmente de forma plena e contribuir normalmente para a sociedade.

Educação especializada para deficientes não é um ato de comiseração: é um direito natural que lhes assiste e um dever da sociedade. O desenvolvimento infantil possui etapas muito bem conhecidas e discriminadas. É importante que o tratamento comece o mais cedo possível para que a janela de tempo de cada fase de desenvolvimento seja respeitada.

A seguir, uma animação direcionada para crianças:

A História Animada de Helen Keller | Carlos Eduardo Vilela
https://www.youtube.com/watch?v=NJAL9Bp0inQ

Heróis da Humanidade – Helen Keller – Completo – Dublado | Despertar

 


Mais sobre o assunto:

A educação do surdo-cego – Diretrizes básicas para pessoas não especializadas
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
Shirley Rodrigues Maia

Essa pesquisa consiste no levantamento das necessidades e dificuldades de famílias e de pessoas não especializadas para o atendimento da pessoa surdocega nas cidades de: Juiz de Fora (Minas Gerais), Dourados (Mato Grosso do Sul), Angra dos Reis (Rio de Janeiro), São José (Santa Catarina) e Alagoinhas (Bahia). Através de questionários e entrevistas foram coletados dados que permitiram arrolar os recursos básicos necessários para orientação de pais e de pessoas não especializadas para o atendimento à pessoa surdocega, e a disseminação de informações, implantações de serviços e formação continuada.

Palavras-chaves: surdocegueira, educação, surdocego, diretrizes básicas.

Acesso em: https://perkinsglobalcommunity.org/lac/wp-content/uploads/2021/02/A-Educacao-do-Surdocego-–-Diretrizes-Basicas-para-Pessoas-nao-Especializadas_autor-Maia-Shirley.pdf

 

 

Deficiência de aprendizado infantil

Minha postagem sobre demência infantil teve quase nenhum acesso. Praticamente não há informações de qualidade sobre demência infantil em português.

Veja: Demência infanto-juvenil

Recapitulando aquela postagem, desta vez segue um documentário em escopo similar: deficiência de aprendizado infantil. Transtornos como défict de atenção, dislexia e outros são conhecidos há décadas, e a forma de remediá-los também.

Não há motivos para que nem todas as crianças sejam educadas e auxiliadas segundo suas necessidades.


1960s Documentary on Learning Disabilities. (ADHD, dyslexia & more) | ArchiveMC

The film describes symptoms such as hyperkinesis, poor balance, perseveration, and language disorders. For a historical perspective on learning disabilities see “The Incomplete Child: An Intellectual History of Learning Disabilities”

Tradução:

Deficiências de aprendizagem específicas assumem muitas formas e uma criança pode ser muito diferente de outra.

Jan é de fala mansa, conscienciosa, um modelo de bom comportamento. Sua leitura e escrita são boas. Mas uma deficiência de linguagem torna difícil lembrar até mesmo instruções simples.

— Jan, você me faria um favor? Vá até o armário e traga três folhas de papel, uma tesoura e um pouco de cola.
— Okay.
— Agora, o que eu pedi para você trazer?
— Hã… cola.
— Que outras coisas eu pedi? Você cconsegue lembrar?
[sinal negativo]

Este menino também é agradável, discreto e meticuloso em seu trabalho. Mas ele muitas vezes fica preso a uma única idéia, preocupado com uma palavra ou frase, e sua deficiência pode ser negligenciada; às vezes, é apenas em uma atividade casual como esta que sua tendência a perseverar se torna óbvia.

— A próxima palavra é through: go through the door.
[crianças trabalham]

Se crianças com leves deficiências são muitas vezes negligenciadas, as crianças com deficiências graves são muitas vezes excluídas. É claro que a criança hiperativa e distraída quase não tem sido ignorada. Seu comportamento era intolerável, ele pode ter sido excluído de uma escola após a outra.

— David, você está conosco?
[David move-se inquieto em sua carteira]

Esse nervosismo, o movimento constante é o que os neurologistas chamam de “comportamento hipercinético”. Para essas crianças, apenas sentar-se quietas é uma provação.

— Tudo bem, David, fique de olho seu próprio papel!
[David olha para os lados]

David tem mais de uma dificuldade: sua percepção auditiva parece ampliar cada som. É como se ele ouvisse as coisas “bem demais”. Ele não consegue bloquear os ruídos de fundo e se concentrar na voz da professora.

— Mantenham seus papéis organizados.

O estudo de deficiências de aprendizagem específicas levou a descobertas sobre toda a aprendizagem. Estamos começando a apreciar a complexidade dos atos que há tanto tempo tomamos como certos. A coordenação de mãos e olhos, o julgamento do espaço, o senso de equilíbrio, ritmo. Aprendemos que o que para uma criança pode parecer instintivo e espontâneo para outra é um esforço consciente, um problema que ela deve superar.

— Agora fiquem em um pé e inclinem-se para a frente.
[as crianças apresentam dificuldades]

Às vezes um problema que não é detectado na sala de aula torna-se dramaticamente aparente no parque infantil ou no ginásio.

— Agora feche os olhos e tente manter o equilíbrio. Toque a ponta do nariz com o dedo. Está bem!

Disfunções neurológicas podem afetar o equilíbrio e a coordenação. Confusão entre esquerda e direita são dificuldades de aprendizagem freqüentes. Não há um sintoma universal de deficiência. Todas as crianças devem ser entendidas como um indivíduo, mas algumas coisas são verdadeiras em geral. Todas as crianças, sejam suas deficiências leves ou graves, são mais fáceis de serem ajudadas se forem encontradas cedo, e quase inevitavelmente crianças que sofreram anos de fracasso escolar desenvolvem problemas emocionais que complicam ainda mais o processo de aprendizagem.

Felizmente, muitos professores estão aprendendo a cuidar das crianças com problemas especiais. Um professor pode pedir para crianças olharem para desenhos como este e reproduzi-los em seus próprios papéis. Com algumas crianças, a dificuldade perceptiva é imediatamente aparente. Uma disfunção neurológica pode confundir o senso de posição e direção de uma criança e as palavras que descrevem a posição interna, externa, superior e inferior têm pouco significado para essa criança.

— Agora à direita do quadrado, você desenhará dois círculos. Agora no canto superior direito do quadrado você desenhará um triângulo. A partir do triângulo, você desenhará uma linha até o canto inferior esquerdo do quadrado.
[o aluno erra o comando e desenha uma linha para o canto inferior direito]

Escrever letras e palavras ao contrário é um problema bastante comum.

— Escreva a letra ”d”. Agora abaixo dela escreva a palavra ”cachorro”. Faça suas letras lindas e grandes.
[a menina apresenta dificuldades e escreve a palavra ao contrário]
— Tudo bem.

Uma corrida para colocar os prendedores de roupa no varau pode mostrar problemas no controle muscular, desajeição incomum e movimentos espelhados da mão livre mostram desenvolvimento imaturo. Professores podem observar a disritmia na maneira como uma criança pula corda. Eles podem verificá-la além com um exercício como este.

[No exercício, o professor solicita que a criança repita o ritmo musical, mas o menino não reproduz corretamente.]

Um professor que suspeita de uma deficiência de linguagem pode pedir a uma criança para recontar uma piada ou repetir uma lista de palavras.

— patos ovelhas pombos galinhas. Robbie, você pode dizer isso?
— patos ovelhas po-po-pombos e porcos.
— Desta vez eu vou perguntar a Susie uma lista. carpinteiros pintores moleiros soldados.
— carpinteiros pintores soldados [se autocorrige] moleiros soldados
— Muito bom! Aqui outra para você Susie: carta martelo xícara de chá pá de neve.
— Eu não sei.
— Tente esta: estrela travesseiro garrafas de leite.
— [pronuncia com dificuldade] estrela travesseiro sem garrafa e mesa.
— Okay.

Observação em sala de aula não é diagnóstico, mas professores observadores ajudam a identificar aquelas crianças cujos problemas precisam de um estudo diagnóstico completo.

— Olhe para essa palavra.

Este é Blake Carner. Na quarta série ele ainda estava lendo no nível da primeira série e ele estava começando a ficar para trás em todas as suas matérias. Todos os professores deram uma explicação. Um professor disse:” oh, Blake vai superar isso”, outro disse que ”isso é apenas um retardo mental geral” e ainda outro achava que Blake tinha um bloqueio emocional para aprender. O que Blake realmente precisava era de um extensivo estudo diagnóstico, um processo envolvendo profissionais de várias áreas.

— Mais uma vez: um, dois, três, quatro.

A avaliação de Blake começou com uma checagem física completa. Quando deficiências de visão, audição e outros problemas de saúde foram descartados, ele fez um exame neurológico. Dra. Elena Boater é especialista em neurologia pediátrica.

— Ponha o dedo no seu nariz, agora no meu dedo, nariz, dedo… Muito bom! Coloque a mão direita na orelha esquerda. Vá em frente, tudo bem.
[Blake erra]
— Coloque agora sua mão direita na orelha direita. Vá em frente, a mão direita a orelha direita.
[Blake acerta com dificuldade]
— Bom! Olhe através da lente desta outra luneta com um olho e olhe para um de seus dedos e veja se você consegue ver suas impressões digitais.

Mão esquerda, mas olho direito é uma indicação de dominância mista. Este teste revela um padrão de fala imaturo:

— I like to gather seashells on the seashore.
— I like to get shores… “seashares”…  and “shesure”.
— Muito bem! Vamos tentar estes…

Dra. Boater avalia a leitura não para determinar o nível de série, mas para avaliar os tipos de erros que uma criança comete, Blake freqüentemente transpõe letras ou as vê de cabeça para baixo, lê algumas palavras da direita para a esquerda. Esses erros são freqüentemente cometidos por crianças mais novas que estão começando a ler, mas na idade de Blake eles sugerem um distúrbio neurológico.

Em outro estágio no estudo de diagnóstico, Blake é examinado por um psicólogo. Dr. Helmut Burstin.

— Pode marcar onde está?
[Blake marca com caneta um dos copos de vidro à sua frente]

Como parte de seu estudo, Dr. Burstin observa por sinais de distúrbio emocional. Embora Blake ocasionalmente mostre alguma ansiedade e frustração, quaisquer problemas emocionais parecem ser o resultado de seu fracasso na escola e não a causa de sua dificuldade de aprendizado.

— Você pode me dizer o que está faltando neste? [teste com bloco de figuras, em que parte das figuras está faltando]
[Blake aponta para o que falta nas figuras]

Dr. Burstin também descobre que Blake tem uma inteligência de brilho normal. Mas suas dificuldades em alguns testes de percepção e linguagem apoiaram os achados do exame neurológico.

— Carpinteiros se ajoelham?
— Sim.
— Os microscópios aumentam?
— Não.
— As seringas meditam?
[risos]
— As latas iluminam?
— Eu não sei.
— A lixa é áspera, o vidro é…
— Afiado.
— Três é um número ímpar, seis é…
— Par.
— O oceano é profundo, um lago é…
— É… curto?

Ajudar os pais a entender o problema é uma parte essencial da ajuda à criança. Dra. Boater explica os resultados do teste para a mãe de Blake.

Dra. Boater: “Agora em resumo. Blake apresenta uma variedade de sintomas aparentemente não relacionados, como dominância mista: ele é canhoto, olhos destros e pés destros. Ele também é ambidestro: às vezes ele usa a mão direita em vez da esquerda. Ele tem alguns problemas de articulação de fala infantil, que são característicos da fala de uma criança muito mais nova. Na sala de aula, sua capacidade de atenção tende a ser curta e ele tende a ser um pouco hiperativo, também um comportamento de uma criança muito mais jovem. Então o que estamos lidando aqui, na verdade, em uma análise mais detalhada, todos esses sintomas e manifestações caem em um padrão muito distinto de atraso de desenvolvimento ou atraso maturacional, que nos leva a fazer o diagnóstico de disfunção mínima cerebral com algum atraso específico de linguagem e, além disso, a triagem para um problema de deficiência de leitura mostrou que ele realmente tem um problema de deficiência de leitura ao qual nos referimos clinicamente como dislexia específica do desenvolvimento. Em outras palavras, não é apenas um retardo de leitura que pode melhorar com mais prática, mas é um problema de deficiência de leitura para o qual técnicas de leitura corretivas são imperativas.” [termos usados em 1960]

Quando os pais entendem as deficiências da criança, há muitas coisas que eles podem fazer para ajudar. Dra. Boater enfatiza a importância de rotinas regulares e bons hábitos de saúde e, ao encorajar Blake, seus pais podem ajudá-lo a evitar problemas emocionais. Mas diagnóstico e encorajamento não vão longe o suficiente: agora depende da escola.

Os resultados do teste escolar de Blake são estudados pelo comitê de admissões, incluindo o diretor da escola, um psicólogo, um pediatra, uma enfermeira, e um professor de educação especial. O comitê considera as alternativas. Uma vez que a disfunção neurológica de Blake é relativamente leve e ele não apresenta problemas de comportamento em sala de aula, sugere-se que ele permaneça no programa da escola regular e receba ajuda de um tutor. Mas Blake já está muito atrasado e ansioso e com medo de cometer erros. A tutoria não será suficiente.

O comitê decidiu em favor de um programa de tempo integral, uma turma especial para deficientes educacionais. A escola é Rancho Vista em Palos Verdes, Califórnia. Seu programa para deficientes educacionais foi um dos primeiros nas escolas públicas da Califórnia. O novo professor de Blake é Jerry Gibson. Ele já sabe algo sobre Blake. Para Blake a importância de tal classe não é simplesmente que ele receberá trabalho mais fácil ou mais atenção individual: ele aprenderá de uma nova maneira.

Existem apenas 11 crianças na classe especial. Blake terá suas próprias atribuições. Ele trabalhará da maneira em que aprender melhor. Sozinho, com um parceiro ou em um grupo. Durante parte do tempo, ele terá o professor todo para ele.

— Okay Blake, vamos examinar algumas palavras. ”n-u-m-b-e-r” ”number”. Okay, farei isso mais uma vez e eu quero que você faça, tudo bem? Toque no ritmo da palavra ”number”. ”n-u-m-b-e-r” ”number” Agora você faz,  usando essa mão.
— m-u [o professor pára Blake]
— Como é que começa?
— ”n-u-m-b-e-r” ”number” 
— Okay, mais uma vez.
— “m-u-m”

Há mais de uma maneira para ensinar a grafia de uma palavra. Se Blake tem problemas com configurações visuais, ele pode aprender o ritmo de uma palavra e o som das letras.

— Agora eu quero que você trace as letras e me diga as letras enquanto você as traça, okay? Bom.

Ele ele traça as letras em uma superfície áspera, e a palavra toma forma através de seus sentidos táteis e cinestésicos.

Sr. Gibson: “Como professor, eu tenho que encontrar o melhor padrão de trabalho para cada criança e o padrão que desenvolvemos é baseado tanto nas necessidades emocionais da criança, quanto em seus problemas acadêmicos.”

Nesta turma, as crianças podem escolher onde trabalharão. Algumas preferem um cubículo particular.

Sr. Gibson: “Essas crianças têm um nível de frustração mais baixo; são mais facilmente distraídas de seu trabalho; muitas vezes, são perturbadas pela competição; e precisam de mais encorajamento do que a maioria das crianças. É muito importante ajudá-las a se sentirem bem-sucedidas, e, claro, quando uma criança começa a ter sucesso na escola, muitas vezes vemos uma melhora notável no comportamento.”

Gail é uma boa ilustração disso. No início, ela tinha certeza de que ela era um fracasso. Ela até riscava as respostas corretas e tentava adivinhar, mas se cometesse um erro, ela começaria a chorar.

Sr. Gibson: “Por um tempo, dei a ela apenas as palavras que sabia que ela não poderia errar. Mas ela fez um progresso real. Agora, é claro, é importante para ela ter alguns desafios.”

— O que ele fez com o nariz do pônei?
— Colocou na água.
— Qual foi a outra palavra que significa colocar?
— Hum…
— A [palavra] que tivemos um pequeno problema e que significa ”colocar”? Eu posso dizer ”eu coloquei o cartão aqui”. Outra forma de dizer é…
— Place.
— Bom. Você encontrar a palavra ”placed” naquele parágrafo para mim?
[Gail aponta]
— Soletre.
— p-l-a-c-e-d

Esta turma permite que uma criança se levante e se mova se ela precisar, ou vá para outra tarefa por um tempo.

Sr. Gibson: “Essas crianças estão nesta turma porque elas precisam de considerações especiais. Você considera uma criança que é extremamente distraída e hiperativa. Cinco minutos pode ser o limite absoluto que você consegue se concentrar. Em um dia ruim, pode ser menos. Você o coloca em uma turma normal e lhe pede para fazer aritmética por 20 minutos e ele provavelmente vai explodir. Mas é importante para a criança perceber que dar-lhe maior latitude não significa que removemos a responsabilidade. Temos de ajudá-lo a aprender que seus problemas especiais não devem se tornar uma desculpa para não tentar. Na verdade significa que ele deve se esforçar mais. Apenas tentamos manter os objetivos realistas. Se ele só pode trabalhar cinco minutos, não pedimos a ele para trabalhar dez, mas pedimos a ele que faça o melhor esforço de cinco minutos que ele pode.”

— Na terceira linha de círculos, colorir o terceiro círculo de verde.
[meninos pintam]

O professor aumenta os períodos de concentração por etapas fáceis. Os meninos devem estar atentos para seguir as instruções do professor e não lhes é permitido voltar. Mas o gravador também ajuda: os fones de ouvido desligam os sons [externos] e vencer a máquina torna-se  um jogo.

— Na segunda linha encontre o quarto círculo. Pinte a metade superior do quarto círculo de azul.
[meninos pintam]

— Tim, olhe para mim. Faça este som: [som].
— [Tim reproduz o som]
— Agora olhe para mim, okay. [professor reproduz o som] Que letra faz esse som?

Porque essa turma exige muito do professor, a escola fornece uma assistente. Enquanto o Sr. Gibson dedica tempo a um problema especial, a assistente ajuda a manter a rotina.

— Você sabe o que fazer aqui?
— Sim.
— Tudo bem. Quatro vezes zero é?
— Zero.
— Tudo bem, e o resto você pode fazer.

— Olhem para este desenho com muito cuidado. Agora, quando eu esconder o desenho, vocês devem fazer o mesmo desenho em seus papéis.
[grupo de crianças trabalham em classe]

Muitas crianças em turmas especiais como esta acabarão voltando para um programa escolar regular. De 11, 4 já estão passando uma parte do dia em outras turmas. Aprender a trabalhar com um grupo regular faz parte de seu treinamento aqui.

Sr. Gibson: “O trabalho em grupo é muito difícil para algumas crianças. Elas estão sob mais pressão, há mais distrações e elas estão mais conscientes de seus próprios erros. Eu não coloco uma criança no grupo até que ela e eu sintamos que ela está pronta, mas uma vez que ela está dentro, as regras são rígidas. Quando ela se junta ao grupo, ela concorda em seguir em frente.”

— Okay, vamos ver como nos saímos.
[John muda o desenho]
— Não mude, não faça nenhuma mudança. Ninguém é perfeito nessas coisas. O que você deve fazer é olhar cuidadosamente para os desenhos.

John Boyle odeia cometer um erro, e se ele estiver tendo problemas ele pode se recusar a trabalhar completamente. Ou ele lida com suas frustrações atrapalhando o grupo.

— Da próxima vez você desenhará o que vê mais as partes que faltam. Há duas figuras, okay. Olhem com cuidado. Desenhem.
[John apresenta problemas]
— Não se preocupe com isso.
[John amassa sua folha de papel]
— John, por que você não tira uma nova folha de papel? Tente com uma nova folha de papel.
[John continua com problemas]
— John, John, olhe para mim. Por favor, John. Ninguém é perfeito em fazer isso é por isso que estamos fazendo isso. É prática. Então eu não quero que você se preocupe com isso, okay? Você tentaria mais uma vez? Tentaria outra folha de papel? Temos muito tempo, okay? Não se preocupe com isso. Temos muito tempo. Tente novamente, okay? Pronto? Tudo bem, olhe com atenção para este desenho. Conseguiu? Bem, faça esse desenho.
[John continua apresentando problemas]
— John, John, se você não puder trabalhar conosco você terá que deixar o grupo. John, eu disse que você teria que deixar o grupo se você não puder trabalhar conosco. O que você está fazendo é atrapalhar a mim e está atrapalhando o resto das crianças no grupo.
[John derrubou o lápis]
— Você vai pegar seu lápis, John. Pegue seu lápis.
[John se recusa a obedecer]
— Sinto muito, você precisa deixar o grupo. John, você terá que deixar o grupo se não puder trabalhar conosco. Isso não está ajudando ninguém, muito menos você. Vamos, sente-se aqui, abaixe a mão, fique bem aí.
[John é removido do trabalho em grupo]

Sr. Gibson: “John, percorreu um longo caminho. Há um ano, sempre que estava chateado, ele fugia da sala de aula e eu tinha que ir procurá-lo. Quase todos os dias havia um problema. Mas conversar sobre isso ajuda.”

— Então, você não estava chateado comigo?
[sinal negativo]
— Você não estava chateado com nenhum dos outros meninos?
— Não.
— Com o que você estava chateado?
— Eu.
— Com você? Porque você cometeu um erro? Oh, ouça, agora, olhe. Deixe-me dizer uma coisa, okay? Você acha que eu esperava que você fosse capaz de fazer aquele trabalho?
— Não, não, não.
— Bem, espere um minuto, se eu pensei que você poderia fazer aquele trabalho perfeitamente, então por que eu deveria pedir para você fazê-lo?
— Para me ajudar, eu acho. Eu não sei.
— Para ajudar você. Mas se você não precisasse desse trabalho, se você não cometesse erros, então eu não pediria para você fazer. Eu espero que você cometa erros. Agora, ouça, John, todos nós cometemos erros, eu cometo erros. Lembra-se da vez em que mandei um trabalho para casa e eu marquei o problema errado? Eu estava certo? Eu cometo erros. A única vez em que eu enviei o trabalho para casa eu escrevi uma palavra errada. Eu cometo erros. Todos nós cometemos. O motivo para essa tarefa, John, foi ajudá-lo. Agora, quando você cometer erros, o que você vai fazer?
— Tentar fazer de novo.
— Tentar fazer de novo. Se nós estivermos fazendo algo como estávamos fazendo no quadro, você vai tentar novamente. Okay, você vai dizer ”esqueça!”, okay, apenas continue, okay, você quer tentar?
— Okay.
— Então, amigos?
— hum-hum.
— Okay, vamos trabalhar.

Ensinar crianças como John é um esforço cooperativo que envolve os pais e também a escola. Sem essa cooperação, o que é realizado na sala de aula pode ser desfeito em casa. Jerry Gibson acredita que ganhar o apoio dos pais é uma parte importante de seu trabalho de ensino.

Mãe de John: “Você sabe, tantas reuniões de pais e mestres podem ser realmente horríveis. O professor geralmente chama os pais porque o filho deles fez algo errado. Mas o Sr. Gibson liga ou às vezes vem apenas para nos dizer quando o John fez bem algo. Isso é muito importante para os pais de crianças com deficiência educacional; às vezes você está prestes a desistir de ter esperança. É claro que nenhum professor é mágico, ele não pode simplesmente fazer os problemas desaparecerem. Mas falar sobre eles desse jeito os impede de se tornarem uma crise. Tem sido bom para o John fazer parte disso também, ele pode contar a sua versão, e eu acho que falar sobre seu próprio comportamento parece ser um grande passo para lidar com isso e aprender o autocontrole. A autoconfiança de John e seu controle emocional melhoraram notavelmente. Olhando para trás alguns anos, eu percebo que ele é um garoto diferente agora.”

Como John Boyle muitas crianças matriculadas em turmas especiais gradualmente voltarão à escola regular, esquecendo que alguma vez tiveram problemas de aprendizagem. Outras crianças cujas deficiências são mais graves podem sempre ser limitadas, mas as escolas públicas podem ajudar a todos e nesses programas especiais não há uma medida única de sucesso.

Mãe de Carrey: “Este é meu filho Carrey. Como as outras crianças neste filme ele é deficiente educacional. No caso dele a deficiência é mais severa. Carrey não é capaz de freqüentar aulas regulares. Antes do programa especial, ele foi totalmente excluído da escola pública. Felizmente agora há uma aula para Carrey. É claro que seu professor o ajuda com seus problemas, mas ele faz outra coisa que é muito importante também: ele procura as coisas que Carrey faz bem. Esta é uma das primeiras pinturas de Carrey, feitas quando ele tinha oito anos. Você pode ver as distorções perceptivas e marcações descontroladas. A distorção visual provavelmente sempre estará lá, mas em seus trabalhos posteriores você pode ver o crescente controle e auto-confiança. Este aqui é Noé enviando a pomba. É claro que nem todas as crianças são especialmente talentosas ou dotadas, mas todas as crianças podem fazer algo com sucesso e elas têm o direito de descobrir o que podem fazer de melhor.

Amigo não se compra, se adota.

Compartilhado originalmente em 12/10/2017

Você sabe identificar os sinais?

Compartilhado originalmente em 11/10/2017.

Falta de autoestima, comportamento depressivo ou agressivo, isolamento social, silêncio fora do normal, falar sobre morte e suicídio. Estes são alguns sinais que você pode reconhecer para ajudar quem precisa. Vale a conversa. Para saber mais, acesse www.ccv.org.br ou www.saude.gov.br #SetembroAmarelo

Fonte: https://web.facebook.com/SaudenasRedesMS/posts/1326836077443429


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