Deficiência de aprendizado infantil

Minha postagem sobre demência infantil teve quase nenhum acesso. Praticamente não há informações de qualidade sobre demência infantil em português.

Veja: Demência infanto-juvenil

Recapitulando aquela postagem, desta vez segue um documentário em escopo similar: deficiência de aprendizado infantil. Transtornos como défict de atenção, dislexia e outros são conhecidos há décadas, e a forma de remediá-los também.

Não há motivos para que nem todas as crianças sejam educadas e auxiliadas segundo suas necessidades.


1960s Documentary on Learning Disabilities. (ADHD, dyslexia & more) | ArchiveMC

The film describes symptoms such as hyperkinesis, poor balance, perseveration, and language disorders. For a historical perspective on learning disabilities see “The Incomplete Child: An Intellectual History of Learning Disabilities”

Tradução:

Deficiências de aprendizagem específicas assumem muitas formas e uma criança pode ser muito diferente de outra.

Jan é de fala mansa, conscienciosa, um modelo de bom comportamento. Sua leitura e escrita são boas. Mas uma deficiência de linguagem torna difícil lembrar até mesmo instruções simples.

— Jan, você me faria um favor? Vá até o armário e traga três folhas de papel, uma tesoura e um pouco de cola.
— Okay.
— Agora, o que eu pedi para você trazer?
— Hã… cola.
— Que outras coisas eu pedi? Você cconsegue lembrar?
[sinal negativo]

Este menino também é agradável, discreto e meticuloso em seu trabalho. Mas ele muitas vezes fica preso a uma única idéia, preocupado com uma palavra ou frase, e sua deficiência pode ser negligenciada; às vezes, é apenas em uma atividade casual como esta que sua tendência a perseverar se torna óbvia.

— A próxima palavra é through: go through the door.
[crianças trabalham]

Se crianças com leves deficiências são muitas vezes negligenciadas, as crianças com deficiências graves são muitas vezes excluídas. É claro que a criança hiperativa e distraída quase não tem sido ignorada. Seu comportamento era intolerável, ele pode ter sido excluído de uma escola após a outra.

— David, você está conosco?
[David move-se inquieto em sua carteira]

Esse nervosismo, o movimento constante é o que os neurologistas chamam de “comportamento hipercinético”. Para essas crianças, apenas sentar-se quietas é uma provação.

— Tudo bem, David, fique de olho seu próprio papel!
[David olha para os lados]

David tem mais de uma dificuldade: sua percepção auditiva parece ampliar cada som. É como se ele ouvisse as coisas “bem demais”. Ele não consegue bloquear os ruídos de fundo e se concentrar na voz da professora.

— Mantenham seus papéis organizados.

O estudo de deficiências de aprendizagem específicas levou a descobertas sobre toda a aprendizagem. Estamos começando a apreciar a complexidade dos atos que há tanto tempo tomamos como certos. A coordenação de mãos e olhos, o julgamento do espaço, o senso de equilíbrio, ritmo. Aprendemos que o que para uma criança pode parecer instintivo e espontâneo para outra é um esforço consciente, um problema que ela deve superar.

— Agora fiquem em um pé e inclinem-se para a frente.
[as crianças apresentam dificuldades]

Às vezes um problema que não é detectado na sala de aula torna-se dramaticamente aparente no parque infantil ou no ginásio.

— Agora feche os olhos e tente manter o equilíbrio. Toque a ponta do nariz com o dedo. Está bem!

Disfunções neurológicas podem afetar o equilíbrio e a coordenação. Confusão entre esquerda e direita são dificuldades de aprendizagem freqüentes. Não há um sintoma universal de deficiência. Todas as crianças devem ser entendidas como um indivíduo, mas algumas coisas são verdadeiras em geral. Todas as crianças, sejam suas deficiências leves ou graves, são mais fáceis de serem ajudadas se forem encontradas cedo, e quase inevitavelmente crianças que sofreram anos de fracasso escolar desenvolvem problemas emocionais que complicam ainda mais o processo de aprendizagem.

Felizmente, muitos professores estão aprendendo a cuidar das crianças com problemas especiais. Um professor pode pedir para crianças olharem para desenhos como este e reproduzi-los em seus próprios papéis. Com algumas crianças, a dificuldade perceptiva é imediatamente aparente. Uma disfunção neurológica pode confundir o senso de posição e direção de uma criança e as palavras que descrevem a posição interna, externa, superior e inferior têm pouco significado para essa criança.

— Agora à direita do quadrado, você desenhará dois círculos. Agora no canto superior direito do quadrado você desenhará um triângulo. A partir do triângulo, você desenhará uma linha até o canto inferior esquerdo do quadrado.
[o aluno erra o comando e desenha uma linha para o canto inferior direito]

Escrever letras e palavras ao contrário é um problema bastante comum.

— Escreva a letra ”d”. Agora abaixo dela escreva a palavra ”cachorro”. Faça suas letras lindas e grandes.
[a menina apresenta dificuldades e escreve a palavra ao contrário]
— Tudo bem.

Uma corrida para colocar os prendedores de roupa no varau pode mostrar problemas no controle muscular, desajeição incomum e movimentos espelhados da mão livre mostram desenvolvimento imaturo. Professores podem observar a disritmia na maneira como uma criança pula corda. Eles podem verificá-la além com um exercício como este.

[No exercício, o professor solicita que a criança repita o ritmo musical, mas o menino não reproduz corretamente.]

Um professor que suspeita de uma deficiência de linguagem pode pedir a uma criança para recontar uma piada ou repetir uma lista de palavras.

— patos ovelhas pombos galinhas. Robbie, você pode dizer isso?
— patos ovelhas po-po-pombos e porcos.
— Desta vez eu vou perguntar a Susie uma lista. carpinteiros pintores moleiros soldados.
— carpinteiros pintores soldados [se autocorrige] moleiros soldados
— Muito bom! Aqui outra para você Susie: carta martelo xícara de chá pá de neve.
— Eu não sei.
— Tente esta: estrela travesseiro garrafas de leite.
— [pronuncia com dificuldade] estrela travesseiro sem garrafa e mesa.
— Okay.

Observação em sala de aula não é diagnóstico, mas professores observadores ajudam a identificar aquelas crianças cujos problemas precisam de um estudo diagnóstico completo.

— Olhe para essa palavra.

Este é Blake Carner. Na quarta série ele ainda estava lendo no nível da primeira série e ele estava começando a ficar para trás em todas as suas matérias. Todos os professores deram uma explicação. Um professor disse:” oh, Blake vai superar isso”, outro disse que ”isso é apenas um retardo mental geral” e ainda outro achava que Blake tinha um bloqueio emocional para aprender. O que Blake realmente precisava era de um extensivo estudo diagnóstico, um processo envolvendo profissionais de várias áreas.

— Mais uma vez: um, dois, três, quatro.

A avaliação de Blake começou com uma checagem física completa. Quando deficiências de visão, audição e outros problemas de saúde foram descartados, ele fez um exame neurológico. Dra. Elena Boater é especialista em neurologia pediátrica.

— Ponha o dedo no seu nariz, agora no meu dedo, nariz, dedo… Muito bom! Coloque a mão direita na orelha esquerda. Vá em frente, tudo bem.
[Blake erra]
— Coloque agora sua mão direita na orelha direita. Vá em frente, a mão direita a orelha direita.
[Blake acerta com dificuldade]
— Bom! Olhe através da lente desta outra luneta com um olho e olhe para um de seus dedos e veja se você consegue ver suas impressões digitais.

Mão esquerda, mas olho direito é uma indicação de dominância mista. Este teste revela um padrão de fala imaturo:

— I like to gather seashells on the seashore.
— I like to get shores… “seashares”…  and “shesure”.
— Muito bem! Vamos tentar estes…

Dra. Boater avalia a leitura não para determinar o nível de série, mas para avaliar os tipos de erros que uma criança comete, Blake freqüentemente transpõe letras ou as vê de cabeça para baixo, lê algumas palavras da direita para a esquerda. Esses erros são freqüentemente cometidos por crianças mais novas que estão começando a ler, mas na idade de Blake eles sugerem um distúrbio neurológico.

Em outro estágio no estudo de diagnóstico, Blake é examinado por um psicólogo. Dr. Helmut Burstin.

— Pode marcar onde está?
[Blake marca com caneta um dos copos de vidro à sua frente]

Como parte de seu estudo, Dr. Burstin observa por sinais de distúrbio emocional. Embora Blake ocasionalmente mostre alguma ansiedade e frustração, quaisquer problemas emocionais parecem ser o resultado de seu fracasso na escola e não a causa de sua dificuldade de aprendizado.

— Você pode me dizer o que está faltando neste? [teste com bloco de figuras, em que parte das figuras está faltando]
[Blake aponta para o que falta nas figuras]

Dr. Burstin também descobre que Blake tem uma inteligência de brilho normal. Mas suas dificuldades em alguns testes de percepção e linguagem apoiaram os achados do exame neurológico.

— Carpinteiros se ajoelham?
— Sim.
— Os microscópios aumentam?
— Não.
— As seringas meditam?
[risos]
— As latas iluminam?
— Eu não sei.
— A lixa é áspera, o vidro é…
— Afiado.
— Três é um número ímpar, seis é…
— Par.
— O oceano é profundo, um lago é…
— É… curto?

Ajudar os pais a entender o problema é uma parte essencial da ajuda à criança. Dra. Boater explica os resultados do teste para a mãe de Blake.

Dra. Boater: “Agora em resumo. Blake apresenta uma variedade de sintomas aparentemente não relacionados, como dominância mista: ele é canhoto, olhos destros e pés destros. Ele também é ambidestro: às vezes ele usa a mão direita em vez da esquerda. Ele tem alguns problemas de articulação de fala infantil, que são característicos da fala de uma criança muito mais nova. Na sala de aula, sua capacidade de atenção tende a ser curta e ele tende a ser um pouco hiperativo, também um comportamento de uma criança muito mais jovem. Então o que estamos lidando aqui, na verdade, em uma análise mais detalhada, todos esses sintomas e manifestações caem em um padrão muito distinto de atraso de desenvolvimento ou atraso maturacional, que nos leva a fazer o diagnóstico de disfunção mínima cerebral com algum atraso específico de linguagem e, além disso, a triagem para um problema de deficiência de leitura mostrou que ele realmente tem um problema de deficiência de leitura ao qual nos referimos clinicamente como dislexia específica do desenvolvimento. Em outras palavras, não é apenas um retardo de leitura que pode melhorar com mais prática, mas é um problema de deficiência de leitura para o qual técnicas de leitura corretivas são imperativas.” [termos usados em 1960]

Quando os pais entendem as deficiências da criança, há muitas coisas que eles podem fazer para ajudar. Dra. Boater enfatiza a importância de rotinas regulares e bons hábitos de saúde e, ao encorajar Blake, seus pais podem ajudá-lo a evitar problemas emocionais. Mas diagnóstico e encorajamento não vão longe o suficiente: agora depende da escola.

Os resultados do teste escolar de Blake são estudados pelo comitê de admissões, incluindo o diretor da escola, um psicólogo, um pediatra, uma enfermeira, e um professor de educação especial. O comitê considera as alternativas. Uma vez que a disfunção neurológica de Blake é relativamente leve e ele não apresenta problemas de comportamento em sala de aula, sugere-se que ele permaneça no programa da escola regular e receba ajuda de um tutor. Mas Blake já está muito atrasado e ansioso e com medo de cometer erros. A tutoria não será suficiente.

O comitê decidiu em favor de um programa de tempo integral, uma turma especial para deficientes educacionais. A escola é Rancho Vista em Palos Verdes, Califórnia. Seu programa para deficientes educacionais foi um dos primeiros nas escolas públicas da Califórnia. O novo professor de Blake é Jerry Gibson. Ele já sabe algo sobre Blake. Para Blake a importância de tal classe não é simplesmente que ele receberá trabalho mais fácil ou mais atenção individual: ele aprenderá de uma nova maneira.

Existem apenas 11 crianças na classe especial. Blake terá suas próprias atribuições. Ele trabalhará da maneira em que aprender melhor. Sozinho, com um parceiro ou em um grupo. Durante parte do tempo, ele terá o professor todo para ele.

— Okay Blake, vamos examinar algumas palavras. ”n-u-m-b-e-r” ”number”. Okay, farei isso mais uma vez e eu quero que você faça, tudo bem? Toque no ritmo da palavra ”number”. ”n-u-m-b-e-r” ”number” Agora você faz,  usando essa mão.
— m-u [o professor pára Blake]
— Como é que começa?
— ”n-u-m-b-e-r” ”number” 
— Okay, mais uma vez.
— “m-u-m”

Há mais de uma maneira para ensinar a grafia de uma palavra. Se Blake tem problemas com configurações visuais, ele pode aprender o ritmo de uma palavra e o som das letras.

— Agora eu quero que você trace as letras e me diga as letras enquanto você as traça, okay? Bom.

Ele ele traça as letras em uma superfície áspera, e a palavra toma forma através de seus sentidos táteis e cinestésicos.

Sr. Gibson: “Como professor, eu tenho que encontrar o melhor padrão de trabalho para cada criança e o padrão que desenvolvemos é baseado tanto nas necessidades emocionais da criança, quanto em seus problemas acadêmicos.”

Nesta turma, as crianças podem escolher onde trabalharão. Algumas preferem um cubículo particular.

Sr. Gibson: “Essas crianças têm um nível de frustração mais baixo; são mais facilmente distraídas de seu trabalho; muitas vezes, são perturbadas pela competição; e precisam de mais encorajamento do que a maioria das crianças. É muito importante ajudá-las a se sentirem bem-sucedidas, e, claro, quando uma criança começa a ter sucesso na escola, muitas vezes vemos uma melhora notável no comportamento.”

Gail é uma boa ilustração disso. No início, ela tinha certeza de que ela era um fracasso. Ela até riscava as respostas corretas e tentava adivinhar, mas se cometesse um erro, ela começaria a chorar.

Sr. Gibson: “Por um tempo, dei a ela apenas as palavras que sabia que ela não poderia errar. Mas ela fez um progresso real. Agora, é claro, é importante para ela ter alguns desafios.”

— O que ele fez com o nariz do pônei?
— Colocou na água.
— Qual foi a outra palavra que significa colocar?
— Hum…
— A [palavra] que tivemos um pequeno problema e que significa ”colocar”? Eu posso dizer ”eu coloquei o cartão aqui”. Outra forma de dizer é…
— Place.
— Bom. Você encontrar a palavra ”placed” naquele parágrafo para mim?
[Gail aponta]
— Soletre.
— p-l-a-c-e-d

Esta turma permite que uma criança se levante e se mova se ela precisar, ou vá para outra tarefa por um tempo.

Sr. Gibson: “Essas crianças estão nesta turma porque elas precisam de considerações especiais. Você considera uma criança que é extremamente distraída e hiperativa. Cinco minutos pode ser o limite absoluto que você consegue se concentrar. Em um dia ruim, pode ser menos. Você o coloca em uma turma normal e lhe pede para fazer aritmética por 20 minutos e ele provavelmente vai explodir. Mas é importante para a criança perceber que dar-lhe maior latitude não significa que removemos a responsabilidade. Temos de ajudá-lo a aprender que seus problemas especiais não devem se tornar uma desculpa para não tentar. Na verdade significa que ele deve se esforçar mais. Apenas tentamos manter os objetivos realistas. Se ele só pode trabalhar cinco minutos, não pedimos a ele para trabalhar dez, mas pedimos a ele que faça o melhor esforço de cinco minutos que ele pode.”

— Na terceira linha de círculos, colorir o terceiro círculo de verde.
[meninos pintam]

O professor aumenta os períodos de concentração por etapas fáceis. Os meninos devem estar atentos para seguir as instruções do professor e não lhes é permitido voltar. Mas o gravador também ajuda: os fones de ouvido desligam os sons [externos] e vencer a máquina torna-se  um jogo.

— Na segunda linha encontre o quarto círculo. Pinte a metade superior do quarto círculo de azul.
[meninos pintam]

— Tim, olhe para mim. Faça este som: [som].
— [Tim reproduz o som]
— Agora olhe para mim, okay. [professor reproduz o som] Que letra faz esse som?

Porque essa turma exige muito do professor, a escola fornece uma assistente. Enquanto o Sr. Gibson dedica tempo a um problema especial, a assistente ajuda a manter a rotina.

— Você sabe o que fazer aqui?
— Sim.
— Tudo bem. Quatro vezes zero é?
— Zero.
— Tudo bem, e o resto você pode fazer.

— Olhem para este desenho com muito cuidado. Agora, quando eu esconder o desenho, vocês devem fazer o mesmo desenho em seus papéis.
[grupo de crianças trabalham em classe]

Muitas crianças em turmas especiais como esta acabarão voltando para um programa escolar regular. De 11, 4 já estão passando uma parte do dia em outras turmas. Aprender a trabalhar com um grupo regular faz parte de seu treinamento aqui.

Sr. Gibson: “O trabalho em grupo é muito difícil para algumas crianças. Elas estão sob mais pressão, há mais distrações e elas estão mais conscientes de seus próprios erros. Eu não coloco uma criança no grupo até que ela e eu sintamos que ela está pronta, mas uma vez que ela está dentro, as regras são rígidas. Quando ela se junta ao grupo, ela concorda em seguir em frente.”

— Okay, vamos ver como nos saímos.
[John muda o desenho]
— Não mude, não faça nenhuma mudança. Ninguém é perfeito nessas coisas. O que você deve fazer é olhar cuidadosamente para os desenhos.

John Boyle odeia cometer um erro, e se ele estiver tendo problemas ele pode se recusar a trabalhar completamente. Ou ele lida com suas frustrações atrapalhando o grupo.

— Da próxima vez você desenhará o que vê mais as partes que faltam. Há duas figuras, okay. Olhem com cuidado. Desenhem.
[John apresenta problemas]
— Não se preocupe com isso.
[John amassa sua folha de papel]
— John, por que você não tira uma nova folha de papel? Tente com uma nova folha de papel.
[John continua com problemas]
— John, John, olhe para mim. Por favor, John. Ninguém é perfeito em fazer isso é por isso que estamos fazendo isso. É prática. Então eu não quero que você se preocupe com isso, okay? Você tentaria mais uma vez? Tentaria outra folha de papel? Temos muito tempo, okay? Não se preocupe com isso. Temos muito tempo. Tente novamente, okay? Pronto? Tudo bem, olhe com atenção para este desenho. Conseguiu? Bem, faça esse desenho.
[John continua apresentando problemas]
— John, John, se você não puder trabalhar conosco você terá que deixar o grupo. John, eu disse que você teria que deixar o grupo se você não puder trabalhar conosco. O que você está fazendo é atrapalhar a mim e está atrapalhando o resto das crianças no grupo.
[John derrubou o lápis]
— Você vai pegar seu lápis, John. Pegue seu lápis.
[John se recusa a obedecer]
— Sinto muito, você precisa deixar o grupo. John, você terá que deixar o grupo se não puder trabalhar conosco. Isso não está ajudando ninguém, muito menos você. Vamos, sente-se aqui, abaixe a mão, fique bem aí.
[John é removido do trabalho em grupo]

Sr. Gibson: “John, percorreu um longo caminho. Há um ano, sempre que estava chateado, ele fugia da sala de aula e eu tinha que ir procurá-lo. Quase todos os dias havia um problema. Mas conversar sobre isso ajuda.”

— Então, você não estava chateado comigo?
[sinal negativo]
— Você não estava chateado com nenhum dos outros meninos?
— Não.
— Com o que você estava chateado?
— Eu.
— Com você? Porque você cometeu um erro? Oh, ouça, agora, olhe. Deixe-me dizer uma coisa, okay? Você acha que eu esperava que você fosse capaz de fazer aquele trabalho?
— Não, não, não.
— Bem, espere um minuto, se eu pensei que você poderia fazer aquele trabalho perfeitamente, então por que eu deveria pedir para você fazê-lo?
— Para me ajudar, eu acho. Eu não sei.
— Para ajudar você. Mas se você não precisasse desse trabalho, se você não cometesse erros, então eu não pediria para você fazer. Eu espero que você cometa erros. Agora, ouça, John, todos nós cometemos erros, eu cometo erros. Lembra-se da vez em que mandei um trabalho para casa e eu marquei o problema errado? Eu estava certo? Eu cometo erros. A única vez em que eu enviei o trabalho para casa eu escrevi uma palavra errada. Eu cometo erros. Todos nós cometemos. O motivo para essa tarefa, John, foi ajudá-lo. Agora, quando você cometer erros, o que você vai fazer?
— Tentar fazer de novo.
— Tentar fazer de novo. Se nós estivermos fazendo algo como estávamos fazendo no quadro, você vai tentar novamente. Okay, você vai dizer ”esqueça!”, okay, apenas continue, okay, você quer tentar?
— Okay.
— Então, amigos?
— hum-hum.
— Okay, vamos trabalhar.

Ensinar crianças como John é um esforço cooperativo que envolve os pais e também a escola. Sem essa cooperação, o que é realizado na sala de aula pode ser desfeito em casa. Jerry Gibson acredita que ganhar o apoio dos pais é uma parte importante de seu trabalho de ensino.

Mãe de John: “Você sabe, tantas reuniões de pais e mestres podem ser realmente horríveis. O professor geralmente chama os pais porque o filho deles fez algo errado. Mas o Sr. Gibson liga ou às vezes vem apenas para nos dizer quando o John fez bem algo. Isso é muito importante para os pais de crianças com deficiência educacional; às vezes você está prestes a desistir de ter esperança. É claro que nenhum professor é mágico, ele não pode simplesmente fazer os problemas desaparecerem. Mas falar sobre eles desse jeito os impede de se tornarem uma crise. Tem sido bom para o John fazer parte disso também, ele pode contar a sua versão, e eu acho que falar sobre seu próprio comportamento parece ser um grande passo para lidar com isso e aprender o autocontrole. A autoconfiança de John e seu controle emocional melhoraram notavelmente. Olhando para trás alguns anos, eu percebo que ele é um garoto diferente agora.”

Como John Boyle muitas crianças matriculadas em turmas especiais gradualmente voltarão à escola regular, esquecendo que alguma vez tiveram problemas de aprendizagem. Outras crianças cujas deficiências são mais graves podem sempre ser limitadas, mas as escolas públicas podem ajudar a todos e nesses programas especiais não há uma medida única de sucesso.

Mãe de Carrey: “Este é meu filho Carrey. Como as outras crianças neste filme ele é deficiente educacional. No caso dele a deficiência é mais severa. Carrey não é capaz de freqüentar aulas regulares. Antes do programa especial, ele foi totalmente excluído da escola pública. Felizmente agora há uma aula para Carrey. É claro que seu professor o ajuda com seus problemas, mas ele faz outra coisa que é muito importante também: ele procura as coisas que Carrey faz bem. Esta é uma das primeiras pinturas de Carrey, feitas quando ele tinha oito anos. Você pode ver as distorções perceptivas e marcações descontroladas. A distorção visual provavelmente sempre estará lá, mas em seus trabalhos posteriores você pode ver o crescente controle e auto-confiança. Este aqui é Noé enviando a pomba. É claro que nem todas as crianças são especialmente talentosas ou dotadas, mas todas as crianças podem fazer algo com sucesso e elas têm o direito de descobrir o que podem fazer de melhor.