Quebrei meu dente comendo pão.

Estou muito chateado por esses dias. Resolvi escrever para desabafar. Quando escrevi sobre meu problema de coluna ou sobre meu problema de próstata, escrevi para incentivar os parcos leitores que por aqui passem a serem mais positivos com relação aos reveses que a vida por vezes nos traz. Talvez escrevendo eu também encontre uma forma de organizar meus próprios pensamentos.

Desde que eu era bem pequeno, eu sempre tive dentes muito (muito) sensíveis. Comida quente ou fria sempre me machucou a boca. Aftas sempre foram freqüentes também. Para trocar os dentes de leite foi um sacrifício. Cada dente que caía era um suplício. Meu canino direito foi o mais difícil, ficou acavalando até que foi tirado na marra. Sofri de bruxismo por um tempo, e até hoje, quando tenho febre alta por alguma doença, durmo roçando os dentes.

Mas o bruxismo não tem como ser a causa do meu principal problema. Nada se compara a ter dentes fracos e quebradiços. Meu primeiro dente quebrado foi um molar, que quebrei comendo maçã. Ao morder a semente, um pedaço do dente foi embora. Eu era muito pequeno, mas me lembro do susto. Passei a ter medo de mastigar corretamente. Mesmo se tentasse, meus dentes são tortos e não consigo fazer a oclusão. Há apenas um ponto de contato. E sobre esse ponto de contato está a outra obturação. Após certo tempo, outro molar quebrou, do outro lado, exatamente onde as duas mandíbulas contactam. Também foi uma experiência infantil ruim ao escutar da dentista que eu não cuidava bem dos meus dentes. Nessa época, havia o comercial na TV do ”Pedrinho que não escovava os dentes”. Ninguém deve se lembrar disso, era um comercial do governo promovendo higiene bucal. Mas também ficou marcado na minha memória.

Com as obturações veio também a neurose. O medo de quebrar meus dentes tomou conta de mim. Mesmo com dentes tortos e sem oclusão correta, nunca coloquei aparelho com medo de danificar os dentes. Além disso:
a) Fui uma criança que não chupou bala, pirulito ou doces, por medo de ter cáries. Biscoitos, só os macios.
b) Nunca masquei chiclete para não danificar as obturações dos dentes quebrados.
c) Nunca mordi picolé para não danificar os dentes da frente.
d) Sempre evitei comidas duras para não danificar os dentes.
e) Sempre evitei cítricos (laranja, limão) para que os ácidos não danificassem o esmalte.
f) Passei a intencionalmente dormir de boca aberta. Quando dormindo percebo que fechei os dentes, acordo assustado e abro a boca.
g) Passo o dia inteiro conscientemente de boca aberta. Eu nunca faço a oclusão. Passo o dia inteiro com a língua entre os dentes, ou pressionada contra o céu da boca (como agora enquanto escrevo), para que os dentes de cima não encostem nos de baixo.
h) Escovo os dentes com delicadeza e religiosamente antes de dormir passo o fio dental. Ao ponto de não conseguir dormir se não passar o fio dental. O tempo despendido em escolher o fio, as escovas (uso duas, uma para cada parte da boca) e a pasta não é saudável.
i) Eu não mastigo a comida: eu esmago a comida no céu da boca com a língua. Só como alimentos facilmente pastosos e de fácil digestão.
j) Corto todos os alimentos, incluindo pão, para não forçar os dentes.
k) Não durmo de bruços ou em posição que exerça pressão nos dentes.
l) Bebo ao menos um litro e meio de leite por dia para ter bastante cálcio.

São praticamente 30 anos de cuidado assíduo, neurótico, fanático com minha dentição. Então um dos dentes da frente quebrou usando fio dental. Passei o fio com o cuidado de sempre e a ponta simplesmente voou pelo banheiro. Fiquei muito chateado, mas pensei comigo mesmo: ”faz parte do processo natural de envelhecimento”. Algum tempo depois tive um febrão e com o bruxismo também a ponta de outro dente quebrou. Fiquei muito chateado, mas pensei comigo mesmo: ”não foi minha culpa, é seqüela de ter ficado doente, tal como tenho seqüela do acidente no meu pé, ou seqüela na coluna pelo envelhecimento/excesso de peso. Não sou mais um garotinho…”.

Então, anteontem fui comer pão. Não pão francês, mas aquele pão de forma super macio e fofinho. E a ponta de outro dente quebrou. No início achei que havia ficado com alguma aveia presa entre os dentes, e ao olhar no espelho lá estava o estrago.

Não importa se é pouca coisa (para mim não é), não importa se é só a ponta, não importa se é pela idade, não importa qualquer que seja o motivo. É revoltantemente frustrante para mim isso acontecer. Com todo o cuidado que eu tenho, com todo o esforço que faço, por todas as coisas que deixei de fazer, por uma vida inteira de preocupação em não quebrar os dentes, com todas as fantasias de ”e se um acidente acontecer?”, ”e se eu cair no chão de boca?”, ”e se eu levar um soco?”, ”e se eu bater em algum lugar?”, quebrar o dente comendo pão? Comendo pão?

Indignação não adianta nada. Revolta não adianta. A frustração não vai restaurar o dente. A idéia é aceitar que tenho dentes fracos e que provavelmente não estarão aqui até meus 80 anos. Optei por desistir. Se é para quebrar, que quebrem. Isso não significa deixar de cuidar deles. Continuarei cuidando exatamente tal como faço hoje, com o mesmo afinco, mas não espero mais preservá-los até a minha idade avançada.

Optei por finalmente procurar um ortodontista. Verei se me é possível colocar aparelho. Se for, tentarei alinhar a dentição. Se não, continuo mordendo a língua.


Notícias do fronte:

Dia 21/05, domingo, a estrepada da minha mãe estrepou-se, estrepando-se estrepadamente na escadaria do prédio. Por algum motivo, ela achou que estava fazendo teste prático para o Cirque du Solei e fraturou o joelho. Emergência de hospital, chapa, tomografia, gesso. E um monte de consultas médicas desmarcadas.

Mas isso não vai me impedir de ver se dá para dar um jeito nos dentes.

Fui pela última vez em janeiro fazer a manutenção. Foi a última consulta com a dentista com quem me trato há vinte anos. Ela decidiu fazer curso nos EUA e duvido que volte para o Brasil. Então eu fui a outra clínica (literalmente na esquina da rua de casa) para ver o dente quebrado, fazer a limpeza e perguntar do aparelho. Do nada surgiu uma cárie, e ele queria fazer a limpeza com raspagem e anestesia. Já a ortodontista queria lixar meus dentes e sugeriu arrancar o siso se necessário.

Não.

E fui me consultar com a dentista (Dra. Débora) que substituiu minha dentista (Dra. Bruna). Além de o atendimento ser muito bom (e humanizado), não tem cárie, é o mesmo selamento que tenho desde pequeno, e ela me indicou que procurasse a chamada ”ortodontia invisível” (de que nunca havia ouvido falar). Procurei, descobri e fiquei bastante motivado, pois não tem risco de quebra de dentes com os brackets. Daí fui fazer a bateria de exames hoje, 23/05.

E que vergonha. Achei que seria paciente modelo, pois em todo médico a que vou não dou trabalho (exceto dentista). Até exame de próstata faço numa boa. PQP. Tive de repetir a chapa várias vezes porque toda hora me mexia, na hora de fazer o molde quase vomito em cima do médico, e volto para tirar mais chapas, e quase vomito de novo umas três vezes, e saio para tomar uma água e me recompor. Até para tirar fotos dos dentes foi um custo colocar os separadores de bochecha, ou sei lá como se chama aquilo. A única coisa que não deu trabalho foi tirar foto da minha cara de marrento.

Ao menos descobri que meu 4º siso é dorminhoco. Dia 05/06 pego o resultado e marco com essa ”ortodontia invisível”.


Eu deveria ter escrito antes. Deveria?

Pressa é uma coisa que a gente gasta com a vida. Já tive muita pressa. Agora aceito as coisas quando elas vêm, no tempo em que elas vêm. E também só ajo no momento oportuno. Só escrevo quando vem a vontade de escrever. Após as surpresas ortopédicas (fratura na perna) e ginecológicas (microcirurgia) da minha mãe, chegou o tempo de escrever e contar como está sendo minha aventura odontológica.

Falei que iria à clínica pela primeira vez após pegar o resultado dos exames. Atrasei um dia por conta de outro compromisso. Lá no Méier (06/06), apresentei a identidade e peguei os laudos em minutos. E não precisei passar vexame outra vez… De lá, fui para meu local de trabalho. Com os resultados em mão, eu e minha mãe fomos pessoalmente à clínica fazer a marcação e conhecer o lugar.

https://www.adrianarangel.com.br/

https://www.invisalign.com.br/

Para começar, é um lugar limpo. Parece estranho dizer, mas eu reparo na higiene de toda clínica a que vou (sou chato com isso) e aquela clínica é bem higienizada. Fizemos a marcação (11/07) e o famigerado Pica-Pau veio fazer uma visita: peguei uma gripe horrorosa e fiquei uma semana de molho. Tive de desmarcar e remarcar. Não tinha como ir com febre alta e coriza para ficar tossindo na cara dos outros.

Uns dias depois (28/07), já recobrado, lá fui fazer a primeira consulta ortodôntica. Se você, parco leitor, resolver se guiar por minhas impressões, elas seguem:

1º) Antes de fazer a marcação, eu já havia pesquisado sobre a clínica. Além de ter boas referências e ser num lugar decente, é devidamente cadastrada na empresa que fabrica o tal ”aparelho invisível”.

2º) Todo o atendimento foi humanizado: deu para sentir que eu estava sendo tratado como uma pessoa, não como mais um cliente. É algo para além da educação, como dizer… ”empatia” creio ser a palavra adequada.

3º) Todo o procedimento foi minuciosamente explicado para não ficar dúvida alguma. Você sai de lá sabendo exatamente como será feito o trabalho. Acho que isso é muito bom, pois tem gente que gosta de fantasiar expectativas. Como minha família tem inúmeras vivências com médicos de todo tipo, por vezes me surpreendo com o que acreditam pessoas que não estão acostumadas com questões de saúde…

4º) O preço está de acordo com a complexidade do serviço. Pensei que seria muito mais caro, mas as parcelas cabem no orçamento. Parcelei no cartão de crédito sem maiores dificuldades.

Disso posto, voltando ao fronte.

No dia 28 mesmo fiz o exame de digitalização em 3D dos meus dentes. Não dura nem 5 minutos e alimenta o computador com uma cópia fiel da minha dentição (melhor que o molde do vídeo acima). O próprio programa calcula quantas placas serão necessárias e o tempo do tratamento. Essa estimativa inicial ainda precisaria ser corroborada com os cálculos finais. Tudo feito para a primeira consulta, depois os demais funcionários, minha mãe e eu ficamos conversando sobre casos de outros pacientes. Todos foram muito simpáticos lá.

Hoje, dia 25/08, chegou o resultado dos cálculos finais. A doutora ficou esperando minha autorização para iniciar a confecção das placas. Acontece que os cálculos iniciais sugeriram que fosse realizado um lixamento em meus dentes. Um desbastamento de alguns milímetros entre os dentes para que a dentição pudesse ser deslocada para a posição padrão.

E meu âmago sentiu. Como escrevi na primeira parte desta saga, eu tenho muitos (muitos) traumas com relação aos meus dentes. O motivo pelo qual eu finalmente resolvi colocar aparelho depois de burro velho foi a quinta quebra. Só a idéia de eu tirar ainda mais me deu ânsia.

Sim, eu estou ciente de que são milímetros.
Sim, eu estou ciente de que é indolor.
Sim, eu estou ciente de que não causa danos futuros.
Sim, eu estou ciente de é a melhor opção estética.
Só que o instinto me disse na hora que não. Então é não.

Além do mais, se ao final do tratamento eu sentir que preciso, posso fazer o lixamento e colocar os dentes na posição padrão. Não é uma decisão irreversível. Lixar é.

Está previsto para eu receber o primeiro conjunto de placas em setembro. Eu não tenho pressa alguma para começar ou para terminar. Como disse no começo desta parte, não tenho mais pressa de nada. Tudo só acontece no momento em que deve acontecer, nem cedo, nem tarde.


Ficou marcado então para o dia 22 de setembro o recebimento das placas. Para me preparar para o dia, fui novamente até a Dra. Débora fazer limpeza nos dentes, preparando-os para o procedimento a ser realizado pela Dra. Adriana. Como sempre, eu estava com minhas gengivas inflamadas. Toda a dor e todo o suplício que passo em dentista sempre foram por conta das minhas gengivas. Meus dentes não doem, mas as gengivas doem bastante. A Dra. Débora receitou Malvona, que comprei brevemente e passei a usar diariamente. Feita a limpeza, dia 22 fui até o consultório da Odonto7.

Cheguei um pouco mais cedo, esperei alguns minutos e logo fui atendido. No consultório, fui direto para a cadeira de dentista, pois “havia muito trabalho a ser feito”. Particularmente eu achei que tudo foi feito em menos de 5 minutos. Já minha mãe disse que foi mais de uma hora de preparação. Minha percepção de tempo demonstra que o trabalho feito é indolor.

Claro, eu senti dor em minhas gengivas. Colocar os afastadores na bochecha doeu nas gengivas, e a sucção da saliva me deixou com duas marcas de machucado embaixo da língua. É importante que não haja salivação durante o procedimento, então machucou um pouco. Pense numa espinha estourada: foi mais ou menos esse o tamanho.

Esse procedimento foi para colocar os fixadores em meus dentes. Tem quem chame de attachments, tem quem chame de brackets. Eu chamo de fixadores porque é o que eles fazem. São minúsculas resinas feitas para segurar os aparelhos nas arcadas. Elas ficam coladas nos dentes e não são retiráveis por alicates, como em aparelho fixo (meu temor em colocar aparelho era por conta disso). Para remover, elas são desbastadas pelo aparelho rotor, aquele que faz o temido barulhinho de obturação de cárie.

É seguro? Sim. Essa resina é mais frágil que o dente, então a ponta usada para removê-la não consegue danificar o dente em que ela fica grudada.

Feito o procedimento, gosto salgado e azedo na boca, recebo o primeiro conjunto de placas. No momento em que as recebi, foi muito fácil colocá-las e retirá-las. Indicativo de que tudo seria muito tranqüilo. Então a Dra. ensinou como cuidar das placas, ganhei livrinho, caixinha bonita etc. Naquela hora, a única coisa que me deixou feliz foi pela primeira vez em minha vida poder encostar as arcadas ao fechar a boca. Após tanto tempo conseguir fazer isso foi como uma pessoa surda escutar pela primeira vez.

E saí de lá feliz, ditoso e venturoso, acreditando que tudo deu certo. Só me esqueci de combinar com a vida, pois nada (nada) que faço dá certo de primeira. Absolutamente nada. Por que acreditei que com aparelho seria diferente?

Vamos lá: as placas são feitas sob o formato dos dentes. O formato exato. Milimetricamente. Cada reentrância, cada ponta, mesmo as quebras, tudo é copiado pelo computador exatamente conforme a arcada do sujeito, no caso, eu. As placas se encaixam sem nenhuma sobra, e isso inclui o formato dos fixadores.

Como meus dentes são bastante tortos (conforme vídeo acima), os fixadores dos dentes da frente estavam segurando com tanta pressão as placas que eu fiquei com medo de os dentes quebrarem. E isso foi suficiente para a ansiedade me vencer. Todos os traumas vieram à mente ao mesmo tempo e fiquei completamente travado. Simplesmente não consegui colocar o aparelho novamente em casa.

E volta o cão arrependido para o consultório. Situação explicada para a Dra., fixadores dos incisivos retirados. E finalmente pude colocar e tirar as placas sem medo de quebrar os dentes. Assim, desde o dia 26/09 estou usando os aparelhos conforme o figurino e já posso contar mais ou menos como é a experiência de usar esse tipo de aparelho:

1) É invisível mesmo? Não. Mas é transparente e não chama a atenção, ao ponto de que meus colegas de trabalho não perceberam que eu estou usando aparelho. Ninguém vê se você não contar para eles.

2) Dói? Sim e não. Na hora de tirar e colocar de volta, parece que você está parindo um bezerro pelo buraco da cárie (que não tenho). Ao menos nos primeiros dias. Mas também não tive bons primeiros dias, então não tenho como dizer como será para outra pessoa. E também depende da posição dos dentes de cada um. Mas depois você se acostuma com a dor de tirar e botar passa a ser um incômodo momentâneo.

Durante o dia, não. Não apenas não incomoda como é bastante confortável. Como eu disse, as placas têm o formato exato dos dentes, então é como se estes estivessem usando uma ”roupa colante”. Pense em dentes usando roupa apertada e imaginará a sensação. Eu até esqueço que as estou usando.

3) Pode beber e comer? Depende do momento e do que vai comer. Eu fui fazendo os testes. Para não ficar tirando e botando, optei por fazer refeição líqüida no lugar do almoço e retirar as placas só para jantar comida sólida. Para limpar a boca, bochecho com bastante força e fica tudo razoavelmente limpo. Já para o jantar, no começo, a dor de tirar e colocar as placas me impedia de comer direito. Agora já não incomoda tanto.

Também fiz o teste e tentei comer com eles, mas faz tanta sujeira que acaba não sendo vantajoso. Como precisa escovar os dentes do mesmo jeito, então é melhor tirar as placas e fazer a limpeza completa depois (escova, fio, Malvona).

Hoje 10/10 já estou com o princípio de formação de tártaro novamente nos dentes de baixo. Essa praga me acompanha porque meus dentes são tão apinhados que não há escova ou fio que chegue aonde o tártaro se forma…

Benefício adicional: por estes dias tenho acordado assustado por conta de bruxismo mas as placas estão protegendo meus dentes. Se não fossem por elas, teria quebrado os dentes de cima dessa vez. Agora estou dormindo confiante de que não terei problemas por causa do bruxismo. Isso é tranqüilizador.


Notícias do fronte: 27/01/2024
Não há muita coisa nova a comentar sobre o tratamento. As semanas passam e tudo se repete: ir à dentista, pegar novas placas, ver se algum fixador caiu, trocar as placas a cada 10 dias, repetir.

Mas com fins de mero registro, gostaria de salientar que

1) A quantidade de tártaro que normalmente se acumulava em meus dentes diminuiu bastante. Mesmo estando apenas na metade do tratamento, os dentes já estão razoavelmente separados, o que me permite passar o fio dental com muito (muito) mais facilidade do que era antes.
2) Meus dentes ficaram manchados. Não faço idéia do motivo, mas os dois dentes incisivos estão com manchas escuras. Muito provavelmente pelo fato de eu passar o dia inteiro com as placas e só trocar à noite. As manchas devem ser por causa dos shakes que tomo. Seria o mesmo para quem bebe bastante café.
3) Por algum motivo, as placas 09 e 10 doeram demais. Todo o tratamento está sendo indolor, não sinto as placas durante o dia, só sinto na hora de tirar para escovar os dentes e na hora de colocá-las de volta. Nesse momento dói. É preciso esperar alguns minutos para poder comer. Mas as placas 09 e 10 doeram durante os vinte dias em que as usei. Só elas foram diferentes das demais. Abaixo seguem fotos reais referentes ao período.

Fotos reais, sem efeitos especiais.

Assim sendo, semana que vem já tenho dentista marcada para fazer limpeza (remoção de tártaro). Nada de novíssimo no fronte.


Notícias do fronte: 28/05/2024

Terminada a primeira etapa. Após 270 dias de tratamento, os resultados preliminares já podem ser vistos claramente. Mesmo não tendo feito a raspagem nos dentes para dar espaço, o alinhamento já é bastante visível. Embora continue não encostando as arcadas, isso não ocorre mais por impossibilidade, mas por hábito. Hoje, já me é possível encostar a arcada de cima na de baixo com três pontos de contato entre elas. Isso me era impossível alguns meses atrás.

Meus dentes estão como os do Tom Cruise. Só me falta agora fama, beleza e dinheiro.

Como era esperado, parto agora para a segunda fase do tratamento. Já está tudo incluído no preço original, caso alguém tenha alguma dúvida. Fiz uma nova digitalização dos dentes e foi enviado para análise, para fazer as novas placas e prosseguir com o alinhamento.

Quais são as principais mudanças que notei até agora:

  1. Graças ao aparelho, evitei quebrar meus dentes 5 vezes neste período. Devido ao bruxismo e ao bater de dentes durante o dia, o aparelho protegeu os dentes. Seja acordando assustado com os dentes batendo uns nos outros, seja um movimento brusco com a boca, o aparelho salvou o dia 5 vezes.
  2. A higiene está muito melhor. Graças ao alinhamento, posso passar fio dental com muito mais facilidade. A quantidade de tártaro diminuiu muito, não tem nem comparação. Mudar a alimentação por conta do aparelho também ajudou bastante. Meus dentes nunca estiveram tão limpos e saudáveis.
  3. Descobri um selamento (uma cárie que se curou sozinha). Graças ao alinhamento, os dentes se afastaram uns dos outros e pude encontrar um selamento entre dois dentes que jamais teria visto se não fosse por isso. A cárie ficou oculta exatamente porque os dentes estavam tão colados uns nos outros que não dava para ver. Agora a dentista consegue ver e podemos monitorar mais um selamento que tenho (são vários, provavelmente o tenho desde criança).

Agora é só aguardar a segunda leva de placas alinhadoras para continuar o tratamento. Tenho placas de contenção por mais 30 dias.


Notícias do fronte: 06/08/2024

Nada de excepcionalmente novo, o tratamento continua normalmente. No dia do recebimento do novo jogo de placas mês passado, coloquei mais fixadores nos dentes. Agora praticamente todos os dentes têm fixadores, o que faz com que ao tirá-los eu sinta como se estivesse com a boca cheia de areia grudada nas bochechas. Uma chatice.

Um dos fixadores nos molares caiu logo no começo e voltei lá para recolocá-lo. Uns dois ou três dias atrás caiu de outro molar, mas não voltarei por causa dele. A doutora explicou que os fixadores não são essenciais, embora ajudem a manter a placa presa no lugar. As placas estão bem mais apertadas desta vez, e parece que esta segunda etapa durará o mesmo tempo da primeira (também são 270 dias). As placas mais apertadas, desta vez, doem um pouco, mas nada impossível de agüentar. A dor passa no terceiro dia, em lugar de passar logo no primeiro como durante a primeira etapa.

Não tem realmente nada de mais importante. Só duas coisas:

  1. Minha mãe disse que esta madrugada mesma eu tive um bruxismo muito forte. Não senti nada e as placas, mais uma vez, protegeram meus dentes.
  2. Amanhã tenho dentista para tirar tártaro. Como desta vez têm muito mais fixadores, estou com dificuldade para passar fio dental. E tem tártaro nos fixadores…

Notícias do fronte: 05/11/2024

Estou de férias do trabalho. De molho em casa, minha mãe resolve que temos que resolver um monte de coisas na rua e me carrega para todo canto. É a síndrome de Jaque:  “já que você está aí, vem resolver isso aqui”.

Mas esta postagem não é sobre isso, é sobre o tratamento dentário, então vamos lá. Apenas duas coisas diferentes para relatar. Em minha ida à dentista em agosto para fazer a limpeza, ela suspeitou de que o tratamento ortodôntico poderia estar danificando a estrutura de minhas arcadas, pois as gengivas estavam muito avermelhadas e haveria sinais clínicos de perda de massa óssea. Ela sugeriu que eu interrompesse o tratamento ortodôntico e consultasse a ortodontista.

Nisso já se pode ver a diferença deste tratamento para o tradicional: bastou não usar as placas durante o dia. Eu mantive o uso das placas para dormir por conta do bruxismo, mas passei aquela semana sem elas. Se fosse o tratamento tradicional, com os ferrinhos fixos, não teria essa possibilidade.

A ortodontista solicitou exame de raios-x e constatou que era alarme falso. Minhas gengivas estavam mais vermelhas e sensíveis por causa da maior pressão nesta fase final. Ocorreu perda óssea mínima em dois pontos apenas para dar espaço para os dentes descerem à posição correta. Lembra que no começo do texto eu falei que não quis lixar os dentes? Então, o espaço teria que vir de algum lugar…

Está tudo indo bem, as placas são bem mais apertadas, mas nada que incomode mais do que um ou dois dias. Só para colocar e tirar que dói um pouco, mas passa rápido.

Minha única reclamação é a segunda coisa: tártaro. Esse troço parece atrair tártaro como um ímã. Tem 90 dias que fui fazer limpeza de tártaro e já está cheio de novo. E a pior parte é que não é o ”mesmo” tártaro de antes! Já explico. Antes do tratamento, havia pontos onde se acumulava (bastante) tártaro por não ter espaço para fazer a limpeza. Ou a escova não chegava ou o fio não alcançava. Pois bem, com os dentes mais alinhados, isso acabou, a limpeza entre os dentes está muito mais fácil. Porém no entorno os fixadores parecem estalactites saindo da minha boca. E passa palito, e passa fio, e passa escova… Um horror. E toca fazer limpeza de novo…

Mas olhe o lado positivo: até minha dicção melhorou um pouco! Quem me conhece sabe que eu não sou um excelente orador, mas mesmo assim dá para perceber que a voz e a pronúncia das palavras melhoraram após acertar os dentes. Interessante, não?


Notícias do fronte: 19/01/2025

Estou me aproximando da etapa final do tratamento. Nos últimos três meses a única coisa diferente que aconteceu foi que meus dentes passaram a usar suspensórios. Ocorre que meus dentes superiores não baixaram conforme o esperado e foi necessário fazer um ajuste especial. Pequenos elásticos foram postos para forçá-los a descer para a posição correta.

O procedimento consiste em colar um pino incolor nos dentes que precisam descer. É feito um corte na placa para poder segurar o elástico. Assim, o elástico puxa o dente na direção da placa e esta o apara. Inicialmente eu fiquei com bastante receio. Afinal, se o dente não desceu em um ano e meio, não seria arriscado demais forçá-lo a descer em semanas? O medo de danificar as raízes por conta da força de tração fez-me pensar bastante antes de iniciar a correção.

E ao colocar o elástico percebi que era completamente infundado. A tração é tão leve que é imperceptível. E para minha surpresa, no meu caso, desceu a metade do que deveria descer na primeira noite. Duas semanas depois, retornei para mais uma consulta e sugeri fazer o mesmo com o segundo dente que não estava descendo. Agora os dois lados tem “suspensórios”. Os elásticos e os pinos onde eles ficam presos são incolores e não dá para ver, mesmo se eu sorrir. Eles ficam presos na própria placa removível.

Ficar com os elásticos permanentemente deixava os dentes doloridos, então passei a colocá-los somente para dormir e tirá-los pela manhã. Ainda que seja pouco, um elástico puxando o dente para baixo o tempo todo vai causar desconforto. Estou passando os dias sem os elásticos e não sinto absolutamente nada. Os dentes já estão praticamente alinhados na posição padrão.

A playful and cartoon-style illustration of a smiling tooth character wearing blue suspenders. The tooth has a friendly and cheerful expression, with suspenders.

Notícias do fronte: 29/06/2025

Notícias do fronte: 29/06/2025

Já faz bastante tempo que não atualizo esta postagem sobre o andamento do tratamento ortodôntico que estou fazendo. Várias coisas aconteceram e acho importante compartilhar aqui para dar mais informações caso alguém esteja interessado neste tipo de tratamento.

No mês de maio, minha mãe sofreu um infarto. Foram dias horríveis em que estivemos internados em hospital, ela como paciente e eu como acompanhante 24hs. Por praticamente um mês nossa rotina foi completamente alterada. Ela, acamada e eu, à disposição, resolvendo todas as outras coisas.

Além da dieta do biscoito maizena, obviamente eu não tinha como proceder às trocas das placas no prazo correto. Eu precisava estar em 100% de eficiente o tempo todo, não podia me dar ao luxo de me preocupar com a troca de placas. Fiquei com as mesmas placas por praticamente um mês, antes de marcar uma nova consulta e remanejar as datas para as trocas subseqüentes.

Nisto eu posso demonstrar mais uma vantagem deste tipo de tratamento, em oposição ao tratamento tradicional com aparelho fixo: não havia a preocupação de passar o prazo. O tratamento com aparelho fixo exige que você esteja no ortodontista toda semana para reajustar a pressão dos ferros. Eu vi um caso em que a paciente até perdeu um dos dentes por ter deixado passar muito tempo o retorno. Esse perigo não existe com o tratamento por placas removíveis, pois ele pode ser interrompido e retomado a qualquer tempo.

Conforme o tratamento continuou, mais uma vez um dos dentes não quis encaixar direito na placa. Desta vez foi um dos dentes de baixo. Por estarmos nos encaminhando para o final do tratamento, a Dra. Adriana salientou a importância de consertar isso tão breve quanto possível. Os dentes precisam se encaixar perfeitamente nas placas para um melhor resultado final.

Lá atrás, eu tive dor em duas placas específicas, por causa do tipo de movimento que os dentes estavam fazendo. Os movimentos principais para colocá-los na posição correta. Desta vez foi diferente, a dor ocorreu porque o fixador preso ao dente não estava se encaixando no recesso da placa. Conseqüentemente a placa estava fazendo continuamente força contra o dente, causando dor.

À esquerda, imagem sem aparelho. No meio, quando você coloca um aparelho que não encaixa, é igual um soco na boca. À direita, a afta sangrando. (E sim, Baki, the Grappler é uma bosta tão ruim quanto dor de dente).

Mais uma vantagem com relação ao tratamento tradicional, bastou-me cortar o pedacinho da placa que estava me machucando com uma tesoura comum para aliviar a pressão.

Então decidimos mais uma vez colocar um prendedor para elásticos no dente, tal como fizemos nos dentes superiores. Eu os chamo de “anteninhas”, porque parece que os dentes ficam com antenas. Acabei não colocando foto das anteninhas nos dentes superiores, mas resolvi colocar uma foto do dentinho de baixo com a antena.

Como você pode ver, não dá para ver nada. O aparelho é transparente, os elásticos e todos os apetrechos não chamam atenção alguma. Mais uma vez, o corte que foi feito originalmente não foi suficiente para o prendedor do elástico passar e eu mesmo tive que fazer uma pequena “cirurgia” na placa. Só cortar um pouco mais e passar uma lixa de unhas para tirar as rebarbas. É realmente muito simples para você mesmo ajustar caso se sinta desconfortável.

Também ganhei uma cerinha odontológica para passar, caso surgisse alguma afta. O lábio inferior é mais próximo aos dentes e mais requisitado durante a mastigação, então eu tive uma pequena afta no primeiro dia, mas já passou. A cera ajuda bastante em alguns casos. No meu, foi só no primeiro dia e já não preciso mais.

A causa da afta não foi o prendedor do elástico, mas uma rebarba que tirei com lixa de unha.

No mais, agora é só aguardar as próximas placas e torcer para que o dentinho de baixo suba um pouco. Diferentemente dos dentes superiores, que desceram logo nos primeiros dias, este é teimoso e não quer subir. Por mim, não faz diferença, não estou fazendo este tratamento por questões estéticas, mas pela saúde bucal.

A limpeza dos meus dentes nunca foi tão boa. Mesmo depois de toda a dieta do biscoito, houve pouquíssimo tártaro. O fio dental passa tranqüilamente onde antes nem entrava. Posso usar escova interdentária, posso vigiar melhor as reentrâncias dos dentes para ver se há alguma cárie.

Está tudo indo bem.

E quanto à minha mãe, já voltou à sua rotina quase normal. Um pouco diferente, algumas restrições, mas ela está feliz por ter voltado para casa. E eu também.


13:24 13/12/2025 Notícias do fronte: o tratamento acabou.

Não há realmente notícias novas com relação ao tratamento em si, tudo o que era para ser discutido já foi escrito nas atualizações acima. As únicas coisas diferentes são relacionadas às peculiaridades do meu tratamento em particular.

Ao finalizar o tratamento, é necessário usar placas de contenção. Essas placas, assim como as do tratamento, são feitas sob medida segundo a posição final dos dentes do paciente. Elas são mais duras, mais grossas e feitas para durar.

Porém, antes de encomendar as placas, era necessário resolver o problema dos meus dentes quebrados. Afinal, foram essas quebras que me trouxeram até aqui. Como eu relatei há vários meses, eu sou todo traumatizado com relação aos meus dentes e o medo de realizar obturações que precisassem desbastar os dentes também foi levado em consideração.

O Dr. Matheus da equipe profissional da Inovier fez o trabalho de restauração dos dentes, assegurando que não haveria nenhum tipo de desbaste. Agora os meus dentes que antes eram quebrados são exatamente os mais fortes por conta da proteção que receberam.

Uma coisa importante de salientar: se eles quisessem realmente fazer somente por dinheiro, teriam feito também o reforço de outros dois dentes que não precisavam. O Dr. Matheus disse que seria melhor que eu NÃO fizesse, pois a estética natural deles é bem melhor que a da resina. Nisso já se vê que eles priorizam o paciente, não o que é melhor para a clínica.

Depois de ter feito a restauração, fiz novamente a moldagem digital dos dentes para encomendar as novas placas de contenção. Eu continuei usando a última plaquinha de ajuste, para não ficar sem nada. Quando as novas placas chegaram, finalmente chegara a hora de tirar os fixadores dos dentes.

Que horror.

Uma dica: tome paracetamol ANTES do procedimento. O procedimento em si não dói nada, mas o vento da broca é horrível. E o cheiro ruim de “resina queimada” (não queima, mas tem cheiro). Não dá para tirar tudo numa sessão só, então você precisa voltar uma ou duas vezes, dependendo do seu caso. Pequenos “preços a pagar” pela segurança desse sistema.

Procedimento de retirada de fixadores dentários.

No procedimento de ortodontia normal, os fixadores são grudados nos dentes de modo que para retirá-los, utiliza-se um alicate especial. Embora seja raro, existe um risco real de quebra do dente durante a retirada do fixador. Já no modelo Invisalign, os fixadores são feitos de uma resina menos resistente que o dente. Desse modo, com uma broca especial, ela é desbastada tal como uma obturação. Porém, diferentemente de uma obturação, cuja resina é tão forte quanto o osso, essa resina do fixador é fraca (às vezes cai sozinha). A broca usada para retirá-la é flexível e não há como danificar o seu dente (mesmo se o dentista tentasse, não conseguiria).

Essa segurança no final do tratamento foi um dos principais motivos de eu ter escolhido essa opção. Todo o tratamento foi feito segundo minhas peculiaridades. Não houve extrações, não houve desbastamento dos dentes, as obturações restauraram o que havia sido quebrado e no final ainda ganhei uma limpeza.

Agora tenho uma dentição normal. E estou devendo um vídeo-depoimento que prometi para enviar para a clínica. Quando estiver pronto, coloco por aqui. E a postagem se encerra de vez.

O vídeo que estava devendo. Agora sim, esta postagem acabou. 05/05/2023 – 13/12/2025

Por que o Brasil tem a população mais ansiosa do mundo?

Por que o Brasil tem a população mais ansiosa do mundo? BBC News Brasil
Especialistas apontam para estresse causado por isolamento na pandemia, índice elevado de desemprego, recorrentes mudanças no rumo da economia e falta de segurança pública como principais fatores. Ouça áudio de reportagem de Rone Carvalho.

Destaque da matéria: Tipos de transtornos ansiosos

Transtorno de ansiedade generalizada: tem como principal característica a preocupação excessiva e generalizada sem motivos óbvios em situações do dia a dia. Ou seja, o paciente fica sempre antecipando que algo de ruim vai acontecer, permanecendo em um estado de constante preocupação.

Transtorno de pânico: tem como principal característica uma sensação de medo intensa e repentina seguida por sintomas físicos (aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração, suor frio, falta de ar, tontura, tremores, entre outros). Esses episódios podem acontecer a partir de qualquer momento, durando até 30 minutos.

Veja mais: Como ajudar alguém que sofre de Síndrome do Pânico/Ansiedade

Transtorno de ansiedade social: quem tem transtorno de ansiedade social, ou fobia social, tem intensa dificuldade em interagir com outras pessoas. Isso pode se referir desde a uma conversa com um grupo ou até mesmo a apresentação de um trabalho para a turma em ambiente de ensino. Dessa forma, o gatilho para o surgimento dos sintomas típicos da ansiedade costuma transitar na área da socialização. Dessa forma, a fobia social contribui pra que o paciente busque se isolar cada vez mais, evitando as suas fontes de angústia.

Agorafobia: é o transtorno de ansiedade relacionado a estar em situações ou locais sem uma maneira fácil de escapar. Em geral, trata-se de casos sem um perigo iminente óbvio, mas, mesmo assim, a pessoa se sente angustiada em busca de uma saída. Um dos casos mais comuns de agorafobia costuma ser o de não suportar ficar em locais lotados ou muito fechados, como dentro de um ônibus ou avião. Quem sofre com esse transtorno também costuma não se sentir bem em elevadores e demais espaços pequenos.

Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): tem como principal característica as lembranças recorrentes e intrusivas de um acontecimento que foi altamente angustiante para o paciente. Esse episódio traumático pode ser desde um acidente até a morte de um ente querido. O que diferencia o TEPT de um quadro de choque ou tristeza convencional é a prevalência dos seus sintomas, que vão de dificuldades para dormir até hipervigilância.

Veja mais: Aprenda sobre o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) (PTSD)

Transtorno de estresse agudo: a principal diferença do transtorno de estresse agudo para os demais tipos de ansiedade é que ele geralmente ocorre a partir da vivência ou testemunho de um evento traumático específico. Assim, o paciente fica revivendo aquele acontecimento e se angustiando com ele de maneira constante. Por ser um quadro agudo, ele não costuma durar muito tempo. Em até um mês, os sintomas geralmente se amenizam. No entanto, ainda assim é válido obter o diagnóstico de um especialista para avaliar o caso e contar com o tratamento adequado.

Mutismo seletivo: se caracteriza principalmente pela incapacidade de se comunicar verbalmente em situações sociais. O caso é diferente da fobia social, ou transtorno de ansiedade social, porque geralmente costuma cessar antes da adolescência ou vida adulta.

Transtorno de ansiedade de separação: aquela sensação de ter saudades de casa pode se manifestar de maneira muito mais grave na forma do transtorno de ansiedade de separação. Nesse caso, o paciente passa por sensações de angústia e desespero ao se separar de um ambiente que considera familiar e agradável.

Transtorno de ansiedade induzido por substância: o uso de substâncias específicas também pode ocasionar quadros de transtorno de ansiedade. Isso vale desde o caso de medicamentos convencionais até drogas perigosas, como é o caso de cocaína, heroína, maconha, entre outras.

Por que a representação do autismo na ficção é tão problemática?

Por que a representação do autismo na ficção é tão problemática? | PSICOLOGIA | Minutos de Sanidade
No vídeo de hoje, o psicólogo Ricardo Chagas vai opinar sobre como a síndrome do espectro autista é retratada na ficção, em séries de TV e filmes de hollywood. Seriam o autismo e os autistas representados de maneira fidedigna?
Psicólogo Ricardo Chagas, CRP: 06112895

Tecnologia, inclusão digital e inclusão social – Parte 2

CULTURA, EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS EM DEBATE VOLUME 1
Organizadores: Gustavo Fernando Almeida 
Luciana Lima Torrezan
Rosana Elisa Catelli
PUC-SP; CETIC.br; NIC.br; CGI.br; Sesc São Paulo, 2019

Educação, cultura, currículo, pesquisa e tecnologias foram os assuntos discutidos no “Cultura, Educação e Tecnologias em Debate”, evento realizado, entre outubro e novembro de 2018, pelo Sesc São Paulo em seu Centro de Pesquisa e Formação (CPF), em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Os encontros desafiavam-nos a refletir sobre o atual momento social e sobre a necessidade de criamos novos meios que nos possibilitem entender a interconexão entre as três áreas – cultura, educação e tecnologia –, as quais constituem o que podemos chamar de “a santa trindade” do século XXI.

Qualquer abordagem sobre desenvolvimento e democracia passa por essa discussão, pois a tríade educação, cultura e tecnologia ocupa um lugar central enquanto preocupação progressista para a construção do novo e para a formação de cidadãos conscientes e dotados de humanidade e senso crítico. Tratam-se de temas vinculados om o nosso presente e imprescindíveis na construção de um futuro próspero, diverso e solidário.

Texto completo: Cultura_educação_e_tecnologias_em_debate VOLUME 1

Fonte: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/1/SESC_CETICbr-Cultura_educação_e_tecnologias_em_debate.pdf


CULTURA, EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS EM DEBATE VOLUME 2
Organizadores: Gustavo Fernando Almeida 
Luciana Lima Torrezan
Rosana Elisa Catelli
PUC-SP; CETIC.br; NIC.br; CGI.br; Sesc São Paulo, 2019

O ciclo “Cultura, Educação e Tecnologias em Debate” é proposto pelo Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc SP), por meio do seu Centro de Pesquisa e Formação (CPF Sesc), pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Essa parceria busca refletir sobre aspectos estratégicos na interface entre cultura, educação e tecnologias na sociedade contemporânea.

A fim de ampliar o debate público sobre o momento social e a importância de articular ou criar conexões entre as três áreas neste início de século XXI, convidamos pensadores e pesquisadores para apresentarem reflexões sobre as configurações atuais em que estamos enredados.

Texto completo: Cultura_educacao_e_tecnologias_em_debate_VOLUME 2

Fonte: https://www.cgi.br/media/docs/publicacoes/116363420191105/Cultura_educacao_e_tecnologias_em_debate_volume2.pdf

Tecnologia, inclusão digital e inclusão social – Parte 1

O seguinte vídeo trata dos seguintes tópicos: a importância das diversas tecnologias de educação à distância (do rádio à internet) para suprir a repentina necessidade durante o tempo em que houve a quarentena; as competências socioemocionais em ambientes mediados por tecnologia de comunicação; a importância do smartphone como principal meio de acesso à internet (em especial para entretenimento e comunicação); a importância da tecnologia de comunicação como instrumento de transformação social; a importância da orientação aos jovens para um melhor uso da tecnologia; a importância de uma melhor distribuição da tecnologia; as mudanças curriculares em conseqüência da necessidade da educação à distância; as mudanças curriculares em conseqüência das mudanças sociais causadas pelo uso maciço da tecnologia; a necessidade de flexibilização dos currículos; as exclusão social derivada da exclusão digital; a necessidade de incluir na formação do professor o uso das tecnologias digitais.

TECNOLOGIA, INCLUSÃO DIGITAL E INCLUSÃO SOCIAL: ESTAREMOS PREPARADOS? | Aprendizagem Remota
Mediador: Bárbara Sabadin Bueno
Debatedores: Alexandre Martins dos Anjos, Rita Maria Lino Tarcia e Carlos Alberto Oliveira
Sessões abertas:
O cenário da educação mundial, diante da pandemia de Covid-19, experimenta, neste momento, uma realidade totalmente nova, trazendo, a reboque, desafios enormes para toda a sociedade.
No Rio de Janeiro, o grupo de especialistas se organiza, no sentido de prover aos alunos da rede de Educação Pública Estadual a aprendizagem remota, por meio de mediação tecnológica, sem deixar de lado a importância da relação professor-aluno.
Esse grupo estará disponível para empreender, junto às equipes da rede de Educação Pública Estadual, debates relacionados a temas aderentes ao mote que rege as ações do estado, de acordo com a Unesco.

Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – Parte 3

Minhas críticas à BNCC:

1) Primeiro de tudo, o texto é mal escrito. Demasiadamente enfadonho e prolixo, há momentos em que o texto segue, segue e não se desenvolve. De pernóstico já basto eu, mas ao menos procuro resumir o que tento dizer.

2) Nas 600 páginas desse calhamaço, não há uma única vez sequer a palavra ”autismo”. A palavra ”deficiência” aparece 4 vezes em menção à lei de inclusão, mas a palavra ”deficiente” não aparece. A BNCC não é inclusiva às crianças que mais precisam de ajuda, apenas finge ser por questões políticas. Não estão previstos na BNCC, de forma explicitamente designada, parâmetros para lidar com crianças com dificuldades de aprendizagem. (A palavra ”dificuldade” aparece somente 2 vezes e sem relação com o processo de aprendizagem).

Também não aparece a palavra ”demência” (mas esta eu ainda posso relevar por ser um assunto do campo de saúde).

3) A BNCC tenta ser um guia geral, e, por isso, é tão generalista que não propõe algo concreto. Sua contribuição fica num campo muito abstrato, como que numa ”carta de intenções”. Ela diz o que fazer, não como fazer. Se, em lugar de ser um guia geral, fosse uma matriz curricular prática, teria sido um trabalho muito mais útil.

4) Em nenhum momento se mencionam as ”janelas de aprendizagem” (”windows of opportunities”), períodos de tempo específicos na vida da criança (já bem conhecidos e determinados) onde o cérebro está em condições ótimas de aprender/apreender certas coisas. Pelo contrário, a BNCC explicita claramente não haver ordem hierárquica ou temporal para a implementação das aprendizagens essenciais. Perde-se a oportunidade de institucionalizar melhores práticas pedagógicas como o padrão esperado a ser implementado na primeira infância, e em lugar disso, mantém-se a discricionariedade possivelmente sub-ótima dos entes educacionais no planejamento pedagógico dessa fase.

Fonte: http://achievepoa.com.br/2020/11/11/janelas-de-aprendizagem-ou-janelas-de-oportunidades/

5) A BNCC trata o ensino em escolas como sendo prioritário: “[…] ingresso e permanência em uma escola de Educação Básica, sem o que o direito de aprender não se concretiza.” (p.15) Ou seja, homeschooling não é abarcado pela BNCC. Não apenas a questão da instrução obtida por meio do ensino doméstico é omitida, mas também a importância das creches na educação pré-escolar é superestimada, como se a permanência da criança com a família nesse período não fosse muito mais importante do que a função meramente auxiliar do Estado.

Bebê é para ficar com a família. Creche é o último recurso quando os pais e família não podem/conseguem cuidar do bebê. Essa idéia de entregar os bebês para serem criados por agentes do Estado tem origens repudiáveis e faz parte da ideologia que hoje corrompe a sociedade ocidental.

O que seria correto era a BNCC/Estado chamar as famílias para participar ativamente da educação infantil, orientando que essa educação se dá desde a primeira infância, ensinando aos pais tanto as técnicas para o desenvolvimento cognitivo dos bebês quanto as técnicas para aferir se a criança tem algum tipo de problema de desenvolvimento.

6) O choque que ocorre quando da passagem da primeira para a segunda fase do ensino fundamental (da professorinha do ano para os 500 professores de matérias) é similar ao choque sobre o qual escrevi em meu TCC de docência, quando saímos do ensino médio (os professores e a escola te ajudam) para o ensino superior (se vira aí). Esse choque é discriminado na BNCC, que orienta “Realizar as necessárias adaptações e articulações, tanto no 5º quanto no 6º ano, para apoiar os alunos nesse processo de transição, pode evitar ruptura no processo de aprendizagem, garantindo-lhes maiores condições de sucesso.“. (p.59)

Mas como? O choque se dá exatamente pela mudança brusca de metodologia pedagógica (tal como no caso do ensino superior). Em meu TCC, minha proposta de ”alfabetização acadêmica” consiste exatamente em acolher e orientar os ingressantes no novo método de ensino-aprendizagem no qual estarão inseridos. Mas não encontrei nada parecido na BNCC, deixando a cargo das escolas definirem como isso será implementado. Ou seja, reconhece-se um problema já conhecido, desconhece-se a solução, e passam a batata-quente para os professores na ponta da linha. ಠ_ಠ

7.a) O uso de tecnologias de comunicação pelos jovens é estimulado juntamente com o desenvolvimento de sua autonomia. Do meu ponto de vista, criança não deveria ter acesso a telefone celular, muito menos computador com internet. A humanidade está encantada com as telinhas coloridas, mas nada substitui o hábito de ter um bom livro nas mãos, de escrever à mão, de desenhar mapas à mão, fazer resumos à mão, de procurar em enciclopédias físicas e dicionários à mão. A tecnologia é inventada para facilitar as coisas, mas na ânsia de dar aos filhos o que não tivemos, por vezes esquecemos de dar aquilo de bom que tivemos.

Para saber mais: Psicólogo vê risco de retrocesso para humanidade com vício em telas

7.b) Parece-me demasiadamente precoce que, na realidade brasileira, sobre crianças de 6 a 14 anos seja imputada a responsabilidade de decidir autonomamente sobre certas questões. O estímulo à independência das crianças é interessante, mas não é uma questão restrita ao contexto escolar. Para que a criança tenha autonomia, é necessário todo um contexto sociocultural, que envolve desde o núcleo familiar, passando pela sociedade como um todo, até chegar à função do Estado. Colocar a escola como força motriz dessa complexa transformação social sem engajar ativamente e ponderadamente os demais componentes sociais está fadado ao fracasso. No Japão, por exemplo, crianças são praticamente autônomas em totalidade logo aos 10 anos, mas isso é possível graças a todo um contexto cultural na qual ela está inserida. Já no Brasil:

A criança acima e pensa e age de forma autônoma e independente, tal como muitas mulheres adultas que agem sem pensar nas conseqüências de suas ações. Até que ponto, qual é a linha demarcatória, qual é o limite? Defendo que não pode ser assim: criança é criança e deve ser guiada por adultos responsáveis. Ela ainda não tem maturidade (que somente é adquirida com experiência de vida) para decidir por conta própria o que é melhor para si. Por isso sou contrário a experiências tais como a da Escola da Ponte, onde crianças e jovens decidem o que querem estudar. Criança não tem que ter sobre si o peso de decidir essas coisas. Essa responsabilidade é dos adultos. Criança só tem que se preocupar em brincar e aprender.

8) Educação Física (esportes) está posta juntamente com Idiomas e Artes. Compreendo que sejam três formas de expressão humanas, logo são vinculadas semanticamente entre si. Mas são três áreas tão diversas que me parece forçado que tenham sido especificadas conjuntamente (o que difere de uma abordagem/um trabalho transdisciplinar). Cada qual possui conhecimentos próprios, metodologia de trabalho própria, funções sociais próprias. Ainda que possam ser trabalhadas interdisciplinarmente, suas peculiaridades as tornam campos distintos de saberes, ainda que todos pertinentes ao campo maior da expressão humana.

Para saber mais: Gosto se discute, sim.

Para saber mais: Um resumo sobre musculação

9) Por fim, gostaria de ressaltar a ideologia política que permeia trechos do texto. Embora reconheça que a maior parte do texto seja totalmente isenta de vieses políticos, é possível encontrar segmentos onde certas narrativas ideológicas aparecem. Não abordarei a BNCC em sua integralidade, pois seria um extenuante trabalho infrutífero, mas posso exemplificar com uma das passagens em que vi.

Observe o texto da página 68 que segue a seguir:

As práticas de linguagem contemporâneas não só envolvem novos gêneros e textos cada vez mais multissemióticos e  multimidiáticos, como também novas formas de produzir, de configurar, de disponibilizar, de replicar e de interagir. As  novas ferramentas de edição de textos, áudios, fotos, vídeos tornam acessíveis a qualquer um a produção e disponibilização de textos multissemióticos nas redes sociais e outros ambientes da Web. Não só é possível acessar conteúdos variados em  diferentes mídias, como também produzir e publicar fotos, vídeos diversos, podcasts, infográficos, enciclopédias  colaborativas, revistas e livros digitais etc. Depois de ler um livro de literatura ou assistir a um filme, pode-se postar  comentários em redes sociais específicas, seguir diretores, autores, escritores, acompanhar de perto seu trabalho; podemos  produzir playlists, vlogs, vídeos-minuto, escrever fanfics, produzir e-zines, nos tornar um booktuber, dentre  outras muitas possibilidades. Em tese, a Web é democrática: todos podem acessá-la e alimentá-la continuamente. Mas se  esse espaço é livre e bastante familiar para crianças, adolescentes e jovens de hoje, por que a escola teria que, de alguma  forma, considerá-lo? Ser familiarizado e usar não significa necessariamente levar em conta as dimensões ética, estética e  política desse uso, nem tampouco lidar de forma crítica com os conteúdos que circulam na Web. A contrapartida do fato de que todos podem postar quase tudo é que os critérios editoriais e seleção do que é adequado, bom, fidedigno não estão  “garantidos” de início. Passamos a depender de curadores ou de uma curadoria própria, que supõe o desenvolvimento de  diferentes habilidades. A viralização de conteúdos/publicações fomenta fenômenos como o da pós-verdade, em que as  opiniões importam mais do que os fatos em si. Nesse contexto, torna-se menos importante checar/verificar se algo  aconteceu do que simplesmente acreditar que aconteceu (já que isso vai ao encontro da própria opinião ou perspectiva). As fronteiras entre o público e o privado estão sendo recolocadas. Não se trata de querer impor a tradição a qualquer custo,  mas de refletir sobre as redefinições desses limites e de desenvolver habilidades para esse trato, inclusive refletindo sobre  questões envolvendo o excesso de exposição nas redes sociais. Em nome da liberdade de expressão, não se pode dizer qualquer coisa em qualquer situação. Se, potencialmente, a internet seria o lugar para a divergência e o diferente  circularem, na prática, a maioria das interações se dá em diferentes bolhas, em que o outro é parecido e pensa de forma  semelhante. Assim, compete à escola garantir o trato, cada vez mais necessário, com a diversidade, com a diferença.

A princípio, tudo soa muito bem. Porém há, do meu ponto de vista, um gravíssimo problema: “Em nome da liberdade de expressão, não se pode dizer qualquer coisa em qualquer situação.” Isso é verdade. Incitação ao suicídio ou perjúrio são crimes, por exemplo. Mas essas exceções não estão discriminadas no texto. Literalmente, o que há é a defesa da relativização da liberdade de expressão. E liberdade de expressão é irrelativizável: ou você tem, ou não tem. Ou você pode se expressar livremente ou não pode.

É preciso saber reconhecer os discursos de ódio, refletir sobre os limites entre liberdade de expressão e ataque a direitos, […]” (p. 69) Donde surge o grave problema: quem decide o que pode e o que não pode ser dito? Onde se demarca o limite? Quem define o limite?

Isso foi resolvido em 1791 nos EUA. Ninguém tem esse poder:

Congress shall make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof; or abridging the freedom of speech, or of the press; or the right of the people peaceably to assemble, and to petition the Government for a redress of grievances.

O Congresso não fará nenhuma lei a respeito do estabelecimento de uma religião ou proibindo o livre exercício dela; ou cerceando a liberdade de expressão ou de imprensa; ou o direito do povo de se reunir pacificamente e de solicitar ao governo a reparação de suas queixas.

A suprema corte americana também reafirmou há pouco tempo a inexistência da figura jurídica de ”discurso de ódio”. Já no Brasil, a liberdade de expressão não é assegurada de facto, ainda que haja legislação pertinente. Embora os cidadãos sejam amparados pela constituição brasileira em seus artigos 5º e 220, na prática essa liberdade é relativizada consoante a interesses políticos ou ideológicos. Do mesmo modo, representantes legislativos que são especialmente amparados pelo artigo 59 da referida constituição (exatamente para poderem bem exercer suas funções) são punidos dependendo do que disserem e conforme for o caso.

Incluir esse viés ideológico de relativização da liberdade de expressão na Base Nacional Comum Curricular, mascarando-o, embutindo-o dentro de um discurso favorável à independência de pensamento e ao amplo debate, além de incoerente (e hipócrita) é corroborar com a manutenção do controle social: ”você pode falar o que quiser, desde que seja o que eu deixar”.

Encerrando, deixo ao leitor a seguinte tarefa: enquanto há interesse em cercear a plena liberdade de expressão por um lado, observe logo abaixo uma das abordagens preconizadas a serem inseridas dentro do contexto de língua portuguesa pelo outro lado. Qual foi o parâmetro utilizado para sopesar essas decisões? No caso abaixo, é realmente necessário que esses gêneros sejam matéria de estudo dentro de sala de aula?

Analisar as diferentes formas de manifestação da compreensão ativa (réplica ativa) dos textos que circulam nas redes sociais, blogs/microblog, sites e afins e os gêneros que conformam essas práticas de linguagem, como: comentário, carta de leitor, post em rede social, gif, meme, fanfic, vlogs variados, political remix, charge digital, paródias de diferentes tipos, vídeos-minuto, e-zine, fanzine, fanvídeo, vidding, gameplay, walkthrough, detonado, machinima, trailer honesto, playlists comentadas de diferentes tipos etc., de forma a ampliar a compreensão de textos que pertencem a esses gêneros e a possibilitar uma participação mais qualificada do ponto de vista ético, estético e político nas práticas de linguagem da cultura digital. (p.73)

Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – Parte 2

Acesso em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf

O QUE É BNCC? COMO SE ORGANIZA? (Resumo da Base Nacional Comum Curricular) | Aline Supino

6 DIREITOS DE APRENDIZAGEM – Saiba quais são e como colocá-los em PRÁTICA!! | Aline Supino

Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – Parte 1

O seguinte vídeo trata do processo de criação da BNCC; a diferença entre a BNCC e os antigos Parâmetros Nacionais Curriculares (PNC); a relação entre a federação e os estados e municípios na constituição da matriz curricular escolar; as diferenças entre a BNCC para o ensino fundamental e a para o ensino médio; as dificuldades de implantação; os novos paradigmas de formação humana e construção de conhecimento; a ligação da BNCC com o avanço tecnológico e o uso de TIC’s como ferramenta de educação; a conseqüente necessidade de preparar tanto os professores quanto os livros didáticos para os novos parâmetros (considerando as grandes diferenças regionais atuais); as 10 competências previstas na BNCC; as dificuldades em fornecer acesso igualitário à necessária inclusão digital para o sistema escolar brasileiro composto por instituições de infra-estruturas díspares; o papel do Ministério da Educação na implementação da BNCC.

Competências e aprendizagem remota: um olhar sobre a BNCC | Aprendizagem Remota
“Mediadora: Aline Amorim
Debatedores: Thérèse Hofmann, Fabiano Farias de Souza e José Henrique Paim
Sessões abertas
No Rio de Janeiro, um grupo de especialista se organiza, no sentido de prover aos alunos da rede de Educação Pública Estadual a aprendizagem remota, por meio de mediação tecnológica, sem deixar de lado a importância da relação professor-aluno.
Esse grupo estará disponível para empreender, junto às equipes da rede de Educação Pública Estadual, debates relacionados a temas aderentes ao mote que rege as ações do estado, de acordo com a Unesco.”

Quais são as diferenças entre Língua, Linguagem, Idioma e Dialeto?

Língua: sistema de comunicação verbal que permite a pessoas se exprimirem e compreenderem umas às outras. Normalmente se dá pela fala, mas no caso da Libras (língua brasileira de sinais) é uma língua puramente corporal e visual.

Linguagem: qualquer conjunto de símbolos, verbal ou não verbal, que permita comunicar conceitos e idéias. Signos, sinais, linguagem de programação, dança, artes plásticas etc.

Idioma: código verbal estruturado identificado como vinculado a um povo, ou seja, é diretamente relacionado à organização política de uma sociedade. No Brasil, o idioma é o português, embora haja uma enorme quantidade de línguas de povos nativos, bem como haja comunidades descendentes de imigrantes que ainda falem as línguas de seus países de origem, como japonês ou alemão. O Canadá possui dois idiomas, o inglês (na maioria de suas províncias) e o francês (em Quebec); a Suíça possui quatro idiomas (alemão, italiano, francês e romanche).

Dialeto: é a variação da língua própria de uma região. Essa variação necessariamente tem relação com a estrutura gramatical, isto é, o modo de construção das expressões utilizadas, as palavras propriamente utilizadas (vocabulário) e a forma de pronunciá-las. Variações somente na forma de pronunciar a palavra são chamadas de sotaque, um subconjunto do dialeto, e não constituem dialetos completos.

As variações lingüísticas podem ser:

a) “Variação diatópica (variação regional)”: é a variação lingüística que ocorre por conta da distância geográfica. Por exemplo, a forma de falar coisas no Sul do Brasil difere da forma de falar as mesmas coisas no Nordeste. A diferença no uso de palavras entre Brasil e Portugal torna o dialeto brasileiro uma variação diatópica da Língua Portuguesa (que, obviamente, pertence à Portugal).

b) “Variação diastrática (variação social)”: é a variação lingüística que ocorre dentro dos nichos sociais. Pessoas que trabalham com Tecnologia de Informação tendem a falar de um modo, juristas se expressam de outra forma, médicos usam outro vocabulário, filósofos se comunicam também de forma própria. Esse conceito não é apenas relacionado à profissão ou nicho social, mas também ao substrato social em que o falante se encontra. Pessoas com maior acesso à educação falam de uma forma, pessoas com baixo nível cultural se comunicam com outras palavras, usam outros termos, se expressam diferentemente.

c) “Variação diacrônica (variação histórica)”: é a variação lingüística que ocorre naturalmente pela passagem do tempo. O português que falamos hoje não é o mesmo que se falava no início do século XIX. Nem é necessário irmos tão longe, basta procurar propagandas antigas das décadas de 1960 ou 1950 e é possível notar claramente a diferença no modo como as pessoas falavam.

d) “Variação diamésica (variação midiática)”: é a variação lingüística que ocorre segundo o meio de transmissão. Falamos de uma forma, porém escrevemos de outra. Do mesmo modo, onde se escreve também faz diferença. A escrita em um manual de instruções, numa bula de remédio, em um e-mail profissional ou numa conversa no messenger com os amigos são diferentes entre si. Quem comunica, para quem e com que propósito causam essa variação.

O novo professor – parte 3

texto com foco em alunos infanto-juvenis

Continuando a postagem anterior sobre este tema, nesta postagem gostaria de ressaltar algumas diferenças entre a educação infanto-juvenil portuguesa e a brasileira. Considero ser importante que profissionais da área de pedagogia comparem o que está sendo feito na nossa realidade com o que está sendo feito em outros países. Aqui seguem algumas coisas que achei interessantes:

A ANQEP (link)
”A Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional, I.P. (ANQEP, I.P.) é um instituto público integrado na administração indireta do Estado, com autonomia administrativa, financeira e pedagógica. […]
No âmbito do Sistema Nacional de Qualificações, a ANQEP I.P. tem as seguintes atribuições:
* Conceber e atualizar em permanência do Catálogo Nacional de Qualificações, instrumento que regula as qualificações de dupla certificação de nível não superior;
* Regular e dinamizar a oferta de educação e formação profissional de dupla certificação destinada a jovens e adultos, a oferta de ensino artístico especializado e o sistema de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC), de âmbito escolar e profissional, destinado a adultos; […]”

Ou seja, por lá eles têm um ”SEBRAE” totalmente público que ajuda a inserir jovens e adultos no mercado de trabalho.

Este é o catálogo de cursos que eles oferecem: https://catalogo.anqep.gov.pt/


Domínios de Educação para a Cidadania

A Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania de Portugal exige que os alunos sejam expostos a uma série de temáticas para além da instrução formal. Sem entrarmos no mérito da escolha dos temas, é interessante observar que o governo está tentando prover uma educação integral e constitutiva de cidadania. A página principal é https://www.dge.mec.pt/estrategia-nacional-de-educacao-para-cidadania

1.º GRUPO – Obrigatório para todos os níveis e ciclos de escolaridade:
Direitos humanos (civis e políticos, econômicos, sociais e culturais de solidariedade);  igualdade de gênero; interculturalidade (cultural e religiosa); desenvolvimento sustentável; educação ambiental; saúde (promoção da saúde, saúde pública, alimentação e exercício físico).

2.º GRUPO – Trabalhado pelo menos em dois ciclos do ensino básico:
Sexualidade; mídia; instituições e participação democrática; educação financeira e educação para o consumo; segurança rodoviária; risco.

3.º GRUPO – Com aplicação opcional em qualquer ano de escolaridade:
Empreendedorismo (vertentes econômica e social); mundo do trabalho; segurança, defesa e paz; bem-estar animal; voluntariado;

Veja aqui um plano de distribuição desses grupos curriculares num grupo de escolas portuguesas: AEJA-Plano

Fonte: https://aeja.pt/ficheiros/d13624211vK5mNOZGyZ.pdf


HypatiaMat (link)

”O desempenho escolar na Matemática é uma preocupação crescente junto da comunidade educativa: estamos todos preocupados com o elevado insucesso escolar e o correspondente abandono escolar precoce. Sabemos que a literatura educacional aponta a promoção do sucesso na Matemática e a utilização corrente das TIC na sala de aula como dois grandes desafios que a educação enfrenta na atualidade. Respondendo a estes desafios, a presente investigação organiza-se em torno da seguinte questão: Como podem as novas tecnologias, nomeadamente aplicações hipermédia utilizadas nos IWB (interactive whiteboards), contribuir para a promoção do sucesso escolar a Matemática?

Para responder a esta questão, investigadores da Universidade do Minho, da Universidade de Coimbra e de outras proveniências construiram este site com muitas aplicações hipermédia centradas nos conteúdos de Matemática do 1.º ano até ao 9.º ano.

Disponibilizamos esta ferramenta à comunidade educativa, na expetativa que a mesma possa contribuir para a promoção do sucesso neste domínio do conhecimento.

Esperamos que alunos, professores e encarregados de educação tirem o melhor partido.”


Rede de Bibliotecas Escolares de Portugal

Sendo eu funcionário de biblioteca, não poderia deixar de mencionar a Rede de Bibliotecas Escolares de Portugal. Procure na parte Suporte >> Recursos. Lá tem vários projetos que podem ser perfeitamente adaptados para as bibliotecas escolares daqui. Um especial é o Manual de Instruções de Literacia Digital, que ensina o passo-a-passo sobre como usar os recursos da rede de computadores. A página é https://mild.rbe.mec.pt/

Website: https://www.rbe.mec.pt/np4/home.html