A máfia da Academia

Este post foi refeito mais de uma vez. Todas as vezes que reencontro os vídeos eles são removidos. Desisto. Farei eu mesmo um post discriminando ponto a ponto minhas considerações acerca, baseados no conteúdo dos vídeos abaixo removidos. Abaixo, seguirá link para o novo post. Aguarde, por favor.

Finalmente, o vídeo: https://pedrofigueira.pro.br/2019/02/01/a-mafia-da-academia-2-relacoes-de-poder-no-mundo-academico/


Não sou fã do Clóvis de Barros, mas concordo com o vídeo. Sua apresentação exprime com clareza minha frustração com relação à Academia e um dos motivos pelos quais optei por não obter titulação: recuso-me a fazer parte do jogo.

https://youtu.be/OZxcQC0A8JA?t=1h
Fonte:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLtdLxIYz0JjBAQeOqX2J7PDgJVvjt03kH

Truth, Tolerance and Justice.

Esses foram os primeiros ”mandamentos” do Homem de Aço em 1948. Mesmo depois usado como propaganda ideológica estadunidense, Kal-El sempre foi um símbolo de moralidade, de fazer o certo e nunca desistir frente às adversidades. Um símbolo de ”esperança”, que depois fizeram ser seu nome. Imaculado. Incorruptível. Invencível.

Estou farto desse novo Superman. Quero o Big Blue Scout de volta.

Justiça brasileira

Uma questão filosófica: Pena de morte é uma punição válida?

Dentro do Budismo, não. Nenhum ato, por pior que seja, merece ser punido com a morte, pois a matar o criminoso resulta num crime ainda maior: lhe tirar o direito de se arrepender.

Dentro do Cristianismo, não. Segundo a bula da misericórdia de 1500 e alguma coisa, criminosos devem ser punidos com compreensão. Haja vista boa parte da filosofia cristã derivar de Platão, afirma-se que o sujeito comete o Mal por não conhecer o Bem.

Dentro do Batmanismo, não. Batman nunca mata porque senão ele se igualaria aos criminosos que persegue.

Daí eu vejo uma notícia dessas: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/07/presos-fingem-ser-medicos-ligam-e-pedem-dinheiro-para-exames.html

E cogito profundamente até que ponto é válido combater o Mal com compaixão e misericórdia. De fato, não se combate trevas senão com a luz. Não é coerentemente possível fazer o bem, praticando o mal. Não é coerente buscar a paz e a vida por meio de guerra e morte.

Mas até que ponto é válido permitir-se que homens de bem e pessoas mais fracas sofram nas mãos dos maus? Qual é o limite da compaixão? Será a auto-preservação? Há limite?

Estou insorto nessa questão há algumas semanas e não cheguei ainda a uma conclusão nem formulei uma posição a defender.

Uma breve crítica à Academia.

E mais uma vez deparo-me com a Academia e sua estupidez.

Em tendo o dom natural para o magistério, e desejando bem preparar-me para seu ofício, obtendo conhecimento teórico e metodológico, tão como refletindo sobre o ensino e a aprendizagem em si, resolvi fazer especialização em Docência. O motivo de escolher Docência em lugar de Pedagogia/Licenciatura é minha inépcia em lidar com o caos que ora se apresenta no Ensino Médio e na Educação pública em geral de nossa estimada nação.

Em meu curso de docência, verifico que muito do que eu proponho como prática andragógica possui sim fundamentos. Postura essa em grande parte derivada de minha própria experiência enquanto estudante. Com vistas à obtenção do grau, cogitei escrever sobre as críticas que freqüentemente faço acerca do Ensino Superior no Brasil.

Afirmo que as más práticas magisteriais no Ensino Superior se devem a problemas estruturais de grande escala, como a “fábrica de diplomas”; o despreparo ou a inaptidão vocacional dos docentes, cujo único pré-requisito é a titulação; a “síndrome do barranco”, em que o professor público fica “encostado” no cargo, sabendo que não vai perdê-lo, e não faz nada; ou as “panelinhas” de doutores que regozijam sobre os próprios títulos, controlam feudalmente as concessões de bolsas (eles suseranos; bolsistas, vassalos) e, muitas vezes, possuem capacidade intelectual duvidosa; todos assuntos sobre os quais já escrevi anteriormente.

Segundo as regras da Academia, não é possível escrever sobre um amplo tema, tendo que delimitá-lo, cerceá-lo, cortá-lo, recortá-lo até que se torne tão específico quanto possível. Assim é a Academia e sua cientificidade. Eu compreendo a necessidade de que os artigos sejam delimitados, pois sua produção visa alimentar de forma padronizada o acervo informacional da própria comunidade científica. Entretanto uma coisa é pesquisar sobre a condutibilidade elétrica do grafeno no zero absoluto em campos gravitacionais extremos, outra coisa é falar de Filosofia.

Se a Filosofia for cerceada, ela deixa de ser Filosofia. Críticas¹, enquanto posições de pensadores, podem se formar empiricamente. Ainda que isso não constitua uma defesa, pois defesa exige argumento, é válido, pois convida a pensar e refletir.

Ainda segundo essas regras, para que eu possa fundamentar essa crítica, que aos meus olhos e possivelmente aos olhos vistos de muitos é evidente, faz-se necessária uma ampla e extensiva pesquisa de dados estatísticos, o que demanda tempo e recursos de que ora não disponho. E sem a produção de provas que fundamentem minha crítica, ela não se torna uma defesa, logo inviabiliza a produção de um artigo científico acerca do tema delimitado.

Descartando esse tema, cogitei em seguida dissertar sobre a discrepância entre as exigências andragógicas contemporâneas do Ensino Superior e a formação pedagógica de jovens estudantes em um sistema tradicional no Ensino Médio, ou seja, questionar o choque didático que o aluno sofre ao sair de um sistema de ensino em que a padronização exige dele submissão e condicionamento ao modelo para outro sistema de ensino que lhe exige protagonismo, pró-atividade, independência e auto-regulação.

E novamente deparo-me com as exigências da Academia. Pois tu, caríssimo aluno de humanas, és incapaz de pensar por conta própria ou criar algo do zero, logo, precisas de referências de outros autores, pessoas que possivelmente escreveram qualquer coisa só para colar grau ou ter o número de artigos exigidos, esses sim com competência para fundamentar o TEU trabalho.

E sinto-me constrangido a novamente citar fontes que não usarei, apenas para cumprir a formalidade de ter referências em meu trabalho. Mais uma vez restritamente restrito, opto mais uma vez a mais uma vez restringir-me restritivamente ao material fornecido pelos próprios professores e a temas previamente debatidos em aula. Minha monografia do 3º grau foi assim, dissertando sobre um recorte temático de um dos cursos da própria graduação².

Sugiro, portanto, a todos os alunos de graduação e educação continuada, que procurem mais informações sobre como publicar independentemente da academia. Paralelamente ao trabalho acadêmico, é possível produzir com liberdade e expressar-se autenticamente (Valeu Gilmar! |:^D)³, sem ter de cumprir os compromisso exigidos por uma comunidade por um lado acorrentada em suas próprias engrenagens, e por outro lado infectada por ranços e brios de um orgulho vazio.

1 Escreverei no futuro minha conceituação dos 5 tipos de críticas.
2 Ter saído de “O Pequeno Príncipe” para “O Príncipe” foi inefável…
3 SANTOS, G. N. dos. Liberdade e individualismo no pensamento de J. S. Mill. Rio de Janeiro, 2015.

Brasil, Pátria Achacadora – Epílogo.

Porra!

Eu tive o trabalho de escrever um texto, de madrugada, para dar um voto de confiança ao novo governo, e eles conseguem fazer mais besteira em 13 dias do que o PT fez em 13 anos…
Achei que o Temer tivesse mais colhões (afinal ele até embuchou a Miss), que fosse dar a cara a tapa e tentar conter a situação, claro, com vistas a permanecer no poder, mas suas decisões são ainda piores para a nação!
Abrir capital dos Correios? Fundir MinC e MEC, mas não CC e SG?
Cunha semi-protegido, bandidos contra a lava-jato no poder, tirar ainda mais os direitos dos trabalhadores?

E o PT, fora do governo, continua fazendo merda, mostrando agora de forma ainda mais escancarada sua megalomania.

Por favor, quem tiver tempo, leia na íntegra a seguinte matéria:

“Marinha, Aeronáutica e clubes militares repudiam resolução do PT” http://bit.ly/1XPgp90

Nem as forças armadas agüentam mais aquela vadiagem!

A descarga foi dada, mas parece que a privada entupiu…

Brasil, Pátria Achacadora VI – O alívio

Brasil, Pátria Achacadora VI – O alívio

Enfim chegamos à última parte desta série, com o governo puxando a descarga e palidamente se recompondo da cagada federal. Tivemos uma grave constipação, depois veio a disenteria e agora, mesmo que momentaneamente, o alívio: aquele breve período de leveza e ardência que se pospõe ao fato. O que não significa que acabou…

Lamentavelmente esse alívio, isto é, o afastamento de Dilminha e sua corja de petralhas, induzido forçosamente (tal como um clister de ferro fazendo lavagem em quem está com diarréia), sujou mais do que limpou.

O processo de Impedimento foi conduzido por Patinho Cunha, que desde a época da Telerj tem uma conduta duvidosa. Nosso condutor diz que “o povo mereeeece respeitooo!”, mas aparenta não respeitar as regras. Réu em vários processos, cercado de outros réus em outros processos, reinou monarquicamente e de forma imperialista em nosso reino de faz-de-conta, que é o Congresso Nacional.

Pela vida, pela família…. Eduardo Cunha, deputado federal 1530!

Nosso Rei-Patinho e seus nobres futuros colegas de cela, Excelências brasileiras, homenagearam a nação que os elegeu com o Espetáculo do Impeachment. Num belo dia de domingo, o povo brasileiro parou para ver a banda passar, o circo chegar e no picadeiro brasiliense palhaços aproveitarem seus 10 segundos de fama (por vezes mais de minutos) para nos entreter com suas mais ridículas piadas.

Ah, perdão, o palhaço oficial foi o único que teve algum juízo:

Tiririca ironiza dedicatória de voto de colegas deputados

“Mas aí, num momento daquele não dá pra brincar.”

E o povo, claro, não ficou para trás. Afinal, se aqueles são os legítimos representantes da nação, o povo também se manifestou como os palhaços que são. Vestiram camisa de futebol, afinal, era dia de domingo. E foram torcer em frente a telões, levando suas quentinhas e cervejas, como em final de Copa do Mundo. Como se o que estivesse em jogo fosse a decisão de um campeonato, onde um lado ganha e o outro perde. Não perceberam que aquela decisão afeta a vida de todo mundo, independentemente do que acreditam ou defendem e que não há lados na vida pública. Há apenas o bem de todos. Não é possível viver bem se seus concidadãos vivem mal.

Mas ao que parece, a vontade de estar com a razão, ou de estar no lado “vencedor” é maior que o bom senso.

Boçalidade brazuca

Somente após a votação, Sua Majestade Patinho Cunha foi retirado de seu trono-privada. Numa interferência questionável do Supremo Tribunal Federal, o que eles mesmos entenderam, reconheceram e definiram como uma exceção excepcionalmente excepcional, suspenderam o mandato soberanamente eleito de um Deputado Federal. Em nosso sistema de três poderes independentes, parece que o Judiciário está ganhando vestes de Moderador, o que é temerário para o bom exercício da máquina pública proposta.

Removido de seu trono-privada, entra em seu lugar o clone do Cumpadi Washington e consegue fazer uma cagada ainda maior, anulando o processo. Depois anula sua anulação. Como alguém com rabo preso consegue soltar tanta merda? Um anão inexpressivo posto por acaso ou destino no centro do picadeiro consegue se tornar o maior palhaço do circo…

“Sabe de nada, inocente!”

Voltando ao Impeachment, saindo da Câmara, indo ao Senado. Foca Calheiros, tão sujo ou mais do que Patinho Cunha, tão somente ignora o ignorável e prossegue com o processo. E claro, os petralhas inconformados apelam para tudo. Numerosas tentativas de barrar o processo, das mais descabidas. Desde chamar o prêmio Nobel para dizer que é golpe até pedir ajuda aos políticos de Portugal dizendo que é golpe. Cara, a independência dos Gajos já tem algum tempo…

E nas vésperas das Olim-piadas o mundo vê o Brasil como a bagunça generalizada. Uma presidAnta dizendo que é vítima de um golpe, seu Advogado Particular da União repetindo como um mantra que é golpe e que não há acusação. A acusação é clara: “abertura de créditos suplementares sem autorização”. Está na capa do processo… Basta ser alfabetizado…

Mas numa Pátria Educadora que corta bilhões de financiamento estudantil, não investe em programas educacionais, em que a educação de base é menos do que básica, não se pode esperar que o Presidente seja alfabetizado. (Lula – ex-Presidente de fato).

Então, depois de décadas, finalmente temos um presidente que sabe se expressar. Tudo bem, ele engasga e tudo, mas ao menos sabe falar. E com ele vêm ares de renovação. Pena que são apenas ares e ares são apenas gases. E gases mal-cheirosos. Michelito Temer nunca foi grandes coisas. Como jurista, passa bem, mas como político, sempre esteve em segundo escalão. Seus mandatos foram por sobra de votos ou foi levado na garupa de outrem. E nossa última experiência com alguém desse naipe não foi muito boa…

Será que recebe auxílio-desemprego?
“Será que recebe auxílio-desemprego?”

Seja como for, Michelito aparenta saber o que faz. E só por aparentar saber alguma coisa já mexeu com a Bolsa e o Dólar. Ou seja, a situação está tão ruim que só de parecer saber o que está fazendo já é ótimo. Todo mundo agora está confiando nele. E como todo mundo sabe que a ruma de bosta é grande, também sabe que a limpeza é demorada. Ele está com tudo para dar certo: uma população esperançosa, um mercado esperançoso, especuladores esperançosos, políticos esperançosos (em novos cargos) e com isso tem gás (ou gases) para dar uma geral na casa.

Pena que ele também é investigado num monte de coisas e parece estar tão sujo quanto o Patinho. E não nos esqueçamos do processo que o PSDB abriu contra a chapa dele e de Dilma. Ainda está para ser julgado no TSE. Se sua candidatura for reprovada, ele cai também, mesmo que o PSDB agora depois de poucos meses tenha mudado de lado. De novo. (Eles são piores que a Marina Silva.)

E pena também que sempre tem um espírito-de-porco para encontrar defeito em tudo. (Nisso eu também me incluo |:^p) Governo novo, ministros apresentados, discurso bonitinho, já encontraram defeito, dizendo que todos os ministros são homens brancos e que não há mulheres ou negros por lá. Gilberto Gil como ministro da Cultura e Benedita da Silva como ministra de coisa nenhuma são provas de que ter negros ou mulheres no governo não quer dizer nada. Ter negros e mulheres COMPETENTES faz a diferença. Botar gente no governo só para agradar um ou outro é pedir para dar errado.

Ora, se no círculo político de Michelito ele achou melhor montar o governo assim, que seja. É o que deu para fazer com o que ele tinha em mãos. Formar uma base política e ter um espaço mínimo para governar. O que importa é tirar o país do buraco! Ou evitar que afunde mais…

Mas o povão com seu pensamento raso dá mais valor a coisas inúteis do que ao que realmente pode aliviar sua própria situação deplorável em que se encontra.

O mundo inteiro vendo nossa bagunça, estrangeiros zombando nossos assuntos internos, somos motivo de piada internacional. E mesmo assim, as fotos nuas da primeira-dama são mais importantes que a ameaça de terrorismo durante os jogos, as cores de pele dos ministros são mais importantes que seus currículos, e um palhaço tem mais vergonha na cara que os homens que se dizem sérios.

Tiririca tira o bigode para não ser comparado a Waldir Maranhão

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“Que deus tenha misericórdia desta nação”.

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Para saber mais:
http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-04/nobel-da-paz-que-diz-que-impeachment-de-dilma-e-golpe-de-estado
http://oglobo.globo.com/brasil/senadores-buscam-apoio-contra-impeachment-em-portugal-19306376
http://www.tecmundo.com.br/ataque-hacker/104743-hacker-invade-celular-marcela-temer-ameaca-vazar-nudes-preso-sp.htm
Abin confirma ameaça do Estado Islâmico ao Brasil

Enquanto isso:
Esse sargento tem meu respeito

Brasil, pátria achacadora V – A diarréia contínua continua.

O governo de Dilma Rousseff chegou ao fim. Não, o impeachment ainda não foi votado e, mesmo se tivesse sido votado, não creio que ela seja destituída por tal processo. Refiro-me à indicação do Excelentíssimo Senhor Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República e Presidente de Honra do Partido dos Trabalhadores para assumir o cargo de Ministro da Casa Civil.

Dilma Vana Rousseff

Numa República que pela primeira vez tem uma presidente mulher, vemos a incongruência de a Chefe de Estado ter MEDO de fazer um pronunciamento público no Dia Internacional da Mulher. Medo de panelaços, medo de protestos, medo de ser mal interpretada ou outro medo qualquer. Seja qual for a razão, a inexistência de um pronunciamento oficial de Dilma no Dia da Mulher demonstra que a “Mulher Guerreira” não é tão corajosa assim. E coragem é uma qualidade necessária aos Chefes de Estado, independentemente da situação política em que estejam. Não possuí-la se traduz como ingovernabilidade.

Outra mostra da inviabilidade do governo Dilma ocorreu poucos dias após milhões de pessoas marcharem nas ruas pedindo o impedimento da Presidência, bradando palavras de ordem contra a própria Presidente, contra Lula e o Partido a que são filiados. Como é possível ao mesmo tempo um governo afirmar estar dialogando com as ruas e contraditoriamente empossar num ministério curinga exatamente aquele que uma parcela significativa da população rejeita veementemente?

Minha opinião é clara: ou isso significa total descaso com a opinião pública, ou é evidente uma manobra política para seja dificultar o impedimento da Presidência, seja proteger o próprio nomeado. Não há, em meu ver, benefícios em inflamar ainda mais a já acalorada altercação política que o Planalto enfrenta há dois anos e meio. Nomear Lula é, para Dilma, assumir que não consegue mais governar por conta própria, não é capaz de dialogar com a oposição, não é capaz de lidar com os movimentos populares e seus anseios, não é capaz de ser Chefe de Estado.

Dilma está incapacitada para governar o país. Não possui o apoio político necessário para realizar qualquer mudança ou ação que vise encerrar a estagnação em que o país está mergulhado. Com a chegada de Lula a esse Ministério, na prática o país tornou-se um parlamentarismo e ele o Primeiro-Ministro de fato. Agora suas ações possuem legitimidade: ao atuar como o principal articulador político, ele assume uma das funções da Presidência da República, e Dilma torna-se oficialmente testa-de-ferro, ficando em segundo plano, limitando suas próprias ações a ratificar o que seu subordinado assim decidir.

Antes apenas cogitávamos/deduzíamos que Dilma era testa-de-ferro dos reais governantes do país, mas agora temos certeza disso por causa dos movimentos institucionais que ela acaba de fazer. Tal escolha de Lula como Ministro evidencia de forma clara e inequívoca a inépcia governamental do grupo que ora está no poder, liderados de forma simbólica (ou não) por Dilma.

Bóris Casoy fez um comentário bastante pertinente sobre o caso: um ministro é alguém que pode ser nomeado e destituído de seu cargo segundo discricionariedade da presidência, porém, no caso de Lula, é impensável que Dilma exonere-o de seu cargo. Torna-se, portanto, “ministro permanente”, uma anomalia política.

A terceira evidência da inviabilidade do governo de Dilma é o modo como instâncias inferiores estão agindo. Os governos de Estados e Municípios estão atuando descompassadamente, sem demonstrar qualquer orientação política. O caos que se originou e se alojou no Governo Federal desestabilizou ainda mais o já fragilizado sistema político infra-estatal. O mau uso de recursos, a recessão econômica e a ineficiência dos governantes refletem-se diretamente na perda da qualidade de vida das famílias, retrocedendo as conquistas sociais dos grupos mais pobres e dilapidando o patrimônio dos mais abastados.

Mas a economia em frangalhos é o menor dos problemas dentro de uma visão institucional. O que realmente ilustrou a ausência de liderança e respeito à hierarquia de Estado foi o vazamento do grampo telefônico no qual se envolveu diretamente a Presidência. Não interessam quais sejam os motivos, nem quais sejam os objetivos. Não importa. O fato é que a Presidência da República teve uma ligação grampeada e divulgada.

Disso infere-se que:
a) Um juiz de primeira instância pôde autorizar tal ato;
b) A Presidência e sua assessoria não foram consultadas/informadas;
c) As ligações PUDERAM ser grampeadas. E ainda mais: divulgadas.

Como é possível que a Chefe de Estado e das Forças Armadas tenha tido um telefonema grampeado e ninguém soube disso? Essa é a mais pura evidência de que não há segurança da informação dentro do Estado Maior, mesmo após termos sido alvos de espionagem internacional.
E mais, como pôde ter sido autorizada a divulgação de tal ligação? A insubordinação neste caso é inadmissível, pois todo ato do Chefe de Estado é revestido de especiais prerrogativas supra-legais. Um juiz de primeira instância jamais poderia ter agido de tal modo.

Sem condições de governar, sem ter sua autoridade respeitada e transferindo o poder de fato para outro, o governo de Dilma Rousseff acabou.

Luiz Inácio Lula da Silva

Lula fez uma péssima escolha ao aceitar assumir o Ministério da Casa Civil. Analisemos.

O Ministério da Casa Civil é, por si, um cabide-de-empregos. É uma função curinga, um auxiliar à Presidência da República, sem função específica definida. Uma forma de os assessores diretos da Presidência terem poderes equivalentes aos de Ministros. Em nosso país, temos três instituições com funções equivalentes: o Ministério da Casa Civil, a Secretaria de Governo e o Gabinete Pessoal da Presidência. Para quê alguém precisa de tantos assessores?

Assumir tal função que “nada” faz, função já desempenhada por Dilma Rousseff, significa neste caso usar a máquina pública para recolocar-se dentro do governo, retornar ao poder usando meios burocráticos e não o voto popular. Usar a inchada e saturada máquina estatal que ele próprio ajudou a construir para voltar a fazer parte diretamente dela, uma estrutura viciada de governo, que hoje é severamente contestada pela exaltada e desgostosa parte da população pró-impeachment.

Ao assumir o Ministério, Lula também indiretamente assumiu a culpa no caso da Lava-Jato. Não há qualquer motivo premente para Lula assumir esse Ministério neste momento. Se o objetivo fosse auxiliar a desenlaçar a crise política, poderia ter assumido ano passado, quando começaram a delinear os argumentos de impedimento contra Dilma. Lula, à época, preferiu manter-se longe dos holofotes, com vistas a preservar sua própria imagem e desvinculá-la da podridão que infecta o PT, e dos escândalos de corrupção que estão sendo desvelados.

Agora, logo no momento em que as vozes das ruas já estão contra ele, para que usar tal subterfúgio? O motivo mais crível é fazer uso do foro privilegiado que tal função lhe proporciona para ser julgado em instâncias especiais. Disso também podemos concluir que o Supremo Tribunal Federal, instituição maior do Judiciário, seria, portanto, um tribunal mais “fácil” de lidar. Ora, pois se Lula preferiu não ser julgado em alçadas inferiores, isso seguramente indica que no STF Lula pode melhor se defender das suspeitas de corrupção.

Do sistema Judiciário, Sérgio Moro e Polícia Federal

Considerando que ministros do STF foram indicados pelo PT e que juízes do STJ também foram indicados pelo PT, os assomos verborrágicos dos magistrados contra as imputações de fraqueza não passam de chiliques por brios feridos. Nosso sistema judiciário caiu frente ao que no âmbito do Direito chamamos de “Síndrome do Holofote”. Basta que haja interesse da imprensa para que os operários jurídicos comportem-se como formigas assopradas.

As desmedidas, erros e arbitrariedades no processo da Lava-Jato são uma cornucópia de estudos jurídicos sobre os quais os alunos de Direito se debruçarão pelos próximos anos (ao menos até outro processo famoso conseguir fazer algo ainda pior). O processo tem tantas falhas que nem ao menos se entende como avançou tanto. Chegou-se ao ponto de a faculdade de Direito da USP fazer uma manifestação para chamar a atenção da necessidade de preservar a legalidade e a formalidade nos processos jurídicos, ainda mais em um processo de tamanha repercussão.

O cúmulo foi o grampo telefônico da Presidência da República e sua divulgação, assunto que tratei anteriormente. O fato de um juiz de baixo escalão ter autonomia e audácia para interferir diretamente em matéria de segurança nacional expressa a megalomania do sistema judiciário brasileiro.

Não estou questionando as intenções do juiz Sérgio Moro, tampouco me importa se tal divulgação das escutas seria matéria de interesse nacional. O Chefe do Executivo tem prerrogativas especiais que não poderiam ter sido violadas desse modo. Ocorre que o afã da população sedenta por um Judas a ser malhado, de certo modo, permite e aprova controversas deliberações de um judiciário que, supostamente, está combatendo as irregularidades de nosso país. Concedem, portanto, de forma anômala, poderes extraordinários ao juízo, autorizando-o a olvidar a formalidade do processo, valendo-se da máxima: “os fins justificam os meios”.

Essa conduta é temerosa, pois nesse cenário as leis, em especial as processuais, podem ser interpretadas e aplicadas da forma que melhor convier ao juiz, desde que aprovada pela opinião popular. Perdem-se, portanto, as garantias jurídicas de ampla defesa, de dubiedade pró-réu, de presunção de inocência e outras. Até que ponto um juiz pode agir fora dos parâmetros legais, fundamentando suas ações no interesse público?

A “Síndrome do Holofote”, comumente vista em casos de crimes de grande repercussão, atrapalha em muito o andamento do processo judicial. Defendo que é necessário ao juiz sobriedade durante todo o curso do processo, bem como defendo que todas as decisões judiciais devam ser examinadas para evitar excessos como os que ora se vêem. A interferência do judiciário em matéria de competência exclusiva do executivo é prova disso.

No Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza (Pezão) enfrenta mandos e desmandos do Ministério Público, que exige que seus salários sejam pagos antes de todo mundo. No Município do Rio de Janeiro, Eduardo da Costa Paes não pode decidir nada que logo vem o Ministério Público revogar sua decisão. Afinal, quem administra? Os governadores ou os juízes? Até que ponto o judiciário pode interferir nas decisões administrativas? Não cabe a um juiz determinar o que o Governo deve fazer. Para isso há divisão dos poderes. Os governantes foram nomeados para seus cargos por eleições e suas ações são legítimas.

Agora o aparelho judiciário embebido em polêmica quer impedir a todo custo a posse de Lula. Ora, a única pessoa a quem compete essa decisão é a Presidente Dilma Rousseff. Ninguém pode proibi-la de nomear alguém legalmente. É uma manobra? É um descabimento? É moral? Nada disso interessa. É legal, é discricionariedade dela, e deve ser cumprida enquanto ela estiver no poder.

Isto é um Estado de Direito. Há regras. Muitas das quais a gente não gosta, mas mesmo assim são as regras. Não foi declarado Estado de Exceção (previsto na Constituição de 1988 em duas variações, o Estado de Defesa e o Estado de Sítio). Defendo que se há regras, elas devem ser respeitadas. Ou há regras, ou não. Ou o Estado é de Direito ou não. Se for declarado um golpe, se o regime político mudar, se o Estado cair, aí é outra coisa. Mas se existem regras elas devem ser respeitadas. O que vale para um, vale para todo mundo, em qualquer situação. Se não for assim, então que se declare que as regras mudaram. Eu não defendo o Estado de Direito, nem sou legalista. Apenas não sou hipócrita.

Nem acovardado.

Quanto à Polícia Federal, escola de suicidas, ela nunca antes sofreu tanta pressão. Como é possível que um órgão de tamanha importância e função correcional seja vinculado e SUBORDINADO ao Ministério da Justiça? Como se espera que os policiais possam executar bem seu trabalho cercados de picuinhas, abusos de poder, troca de favores e influências políticas por todos os lados? Aqueles profissionais precisam imediatamente de orçamento próprio e desvinculação do Ministério; precisam da formação de uma autarquia absolutamente independente, de modo a garantir a liberdade necessária para bem trabalhar em prol da segurança nacional, e bem combater os crimes federais.

Já quanto aos excessos dos policiais, a função de policiais investigativos é investigar e, no que depender deles, eles revirarão cada detalhe da vida dos suspeitos. Cabe ao judiciário limitar e fiscalizar as ações dos delegados e de seus agentes, evitando assim os excessos. Se há excessos, eles principiam na permissividade do sistema jurídico.

Eduardo Cosentino da Cunha

Eduardo Cunha foi esquecido, ou no mínimo deixado de lado. Outros protagonistas entraram em cena e se tornaram o foco do espetáculo. Conseguiu esconder-se bem e sair do centro das atenções. Agora tem como meta a celeridade dos processos na Câmara, algo bastante peculiar para quem não tem nem um pouco de pressa em ver seu próprio processo de cassação julgado.

O detalhe mais interessante no caso dele é que Eduardo Cunha está em seu direito. Pode ter cometido uma série de imoralidades dentro e irregularidades fora do Congresso, mas todo o processo de seu julgamento está seguindo os trâmites corretos. Suas manobras nada mais são do que o uso de suas próprias atribuições e influência política para se manter em seu cargo. Tudo o que ele está fazendo está de acordo com as regras da Casa, regras e regimentos feitos pelos próprios colegas que o colocaram no poder. Lembremos que Eduardo Cunha foi eleito diretamente pelo voto popular e eleito indiretamente para Presidência da Câmara pelos demais deputados. Ele não tomou o poder: colocaram-no lá. Duas vezes! Suas ações são perfeitamente legítimas, do ponto de vista jurídico e conceitual. Não o querem lá? Não tivessem votado nele, oras! Agora agüenta!

Impeachment

O rito do Impedimento é claro e confuso. Bem definido, deixa tantas questões que na prática não convence. Diferentemente do caso de Fernando Collor, não há unissonidade parlamentar nas duas Casas para destituir Dilma do cargo. Dificilmente ela cairá por esse processo. A forma mais segura é a impugnação da chapa eleitoral, processo que já vem se arrastando há um ano e parece que só terminará após as próximas eleições…

Como isso vai demorar, voltemos ao Impedimento. Dilma cai, quem entra? Michel Temer, um jurista com bons históricos na área legislativa, mas que já demonstrou querer sair do governo. Teremos um presidente que não quer ser presidente. Temer cai, quem entra? Eduardo Cunha. Não preciso dizer que não vão deixá-lo por muito tempo lá. Eduardo Cunha cai, quem entra? Renan Calheiros, do PMDB. Senador de Alagoas, feudo de Fernando Collor. Não preciso dizer que não vão deixá-lo por muito tempo lá. Renan Calheiros cai, quem entra? Enrique Ricardo Lewandowski, presidente do STF. Indicado por Lula.

Não tem para onde correr. A linha sucessória é péssima e os que entrariam não têm condições ou capacidade (ou até vontade) de fazer alguma coisa. Após a queda de Dilma, o país viverá semanas de comoção popular até novamente estabilizar-se no velho quadro de descontentamento popular. O impeachment servirá apenas para sossegar o ressentimento de agora e prometer o dissabor do futuro. E mesmo em delírios populares, se os demais candidatos das últimas eleições pudessem entrar, quem ficaria? Aécio Neves, um político cujo passado é tão suspeito quanto o de Lula, ou Marina Silva, uma pessoa que muda de opinião/posição quase aleatoriamente? A rejeição a um e a instabilidade da outra não trariam bem algum ao país.

De um modo ou de outro, sairemos da estagnação. Mas nada garante que será para águas mais tranqüilas. A tempestade ainda está por vir.

Concluindo

Quem leu os textos anteriores deve ter se perguntado por que desta vez optei por não usar sarcasmo, ironias, apelidos e frases de efeito na composição desta quinta parte. O motivo é bem simples. Num texto em que defendo os direitos de Dilma, defendo a legitimidade de Eduardo Cunha, defendo a liberdade de governança de Luiz Fernando Pezão e Eduardo Paes, defendo a posse de Lula; e em contrapartida critico Sérgio Moro e o sistema judiciário; ainda digo que não sou hipócrita… :-/

Estou do lado do que é certo. Se desta vez o certo está do lado de quem estava errado, não é minha culpa.
Além disso, quis ver como me sairia num tom de texto mais sério.

As Olimpíadas estão chegando. Depois escreverei sobre o quanto detesto o COI e o COB.

Para saber mais:

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/um-ano-apos-1-panelaco-dilma-evita-a-tv-no-dia-da-mulher
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/03/1751831-se-ajudar-impeachment-dilma-so-podera-culpar-a-si-mesma-diz-nyt.shtml
http://noticias.band.uol.com.br/jornaldanoite/boris-casoy/2016/03/15/15798639-boris-se-lula-assumir-ministerio-o-governo-dilma-acabou.html
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/03/pf-libera-documento-que-mostra-ligacao-entre-lula-e-dilma.html
http://www.conjur.com.br/2016-mar-16/ato-faculdade-direito-usp-legalidade-lava-jato
http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2016/03/faculdade-de-direito-da-usp-organiza-ato-hoje_pela-legalidade-na-lava-jato-6007.html
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/03/17/politica/1458235643_036428.html
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/01/1735114-justica-determina-bloqueio-de-conta-do-estado-do-rio-para-pagar-servidores.shtml
http://conectadoaopoder.com.br/eduardo-cunha-entre-a-legalidade-e-a-moral/
http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2015/Outubro/tse-decide-prosseguir-com-acao-que-pede-cassacao-de-dilma-rousseff-e-michel-temer

Brasil, Pátria Achacadora 4 – Uma nova cagada.

Brasil é um país que só começa após o Carnaval: festa da carne, regada a álcool e gravidezes indesejadas. Gringos de todo o mundo vêm para cá para ver (e consumir) o que temos de melhor a oferecer: bundas.

Então, vemos a grande mídia debruçar-se sobre a história de uma debruçada loira cavala que em si injetava anabolizante de cavalo em doses cavalares. Nossa protagonista, lamentavelmente vítima de sua própria vaidade, (ou melhor, seu cadáver) serve de banquete farto aos midiáticos carniceiros de nossa amada imprensa, obcecados por loiras e bundas. A trágica e evitável morte de nossa desassistida e desorientada irmã é o de menos: o que importa é encontrar suas fotos de biquíni, preferencialmente fio-dental, e mostrar sua generosa e metacrilada bunda.

Eu particularmente não admiro tanto mulher cavala, mas fazer o quê? Estampam capas de revista e aparecem em programas de TV porque essa é a preferência da grande maioria de nossos compatriotas, e, portanto, matéria (ou material) de interesse nacional por maioria de votos. Viva a democracia! Aliás, quem se importa com o sofrimento alheio, se podemos ter bundas, não é? E a irreparável perda da bunda da loira é sim motivo de concentrar toda a atenção pública sobre o que realmente importa: …

… não sei. Realmente não sei. (De verdade, durante a produção deste texto, neste parágrafo mesmo, travei. Eu não sei mais o que importa para o povo brasileiro.)

Durante todo o ano de 2015, a gente ficou reclamando de crise: que a crise isso, que a crise aquilo… Daí vieram as festas de fim de ano, e a crise não foi impedimento para o povão comprar um monte de tralhas no Natal e encher o rabo de comes e bebes. E continuamos a reclamar da crise, para fazer milionária festa de ano com milhões na praia, com direito a foguetório e mais comes e bebes no rabo. Duas semanas antes da festa pagã, o Brasil em polvorosa, preparando, e por vezes já consumindo, seus comes e bebes e bundas. Cadê a crise?

Janeiro, “período entre festas”, mês de férias e praia e aumento de encargos sagazmente enrabados no ora de porre contribuinte, já passou. Esquecemos completamente a crise, pois agora é Carnaval. Ou a crise não é tão grave assim, ou o povo e a imprensa não têm noção ou definição de prioridades. Ninguém mais se importa com impeachment, esqueceram o Eduardo Cunha, esqueceram a tragédia em Mariana, esqueceram as preparações para as Olim-piadas, esqueceram até que este é ano de eleição!

Sei bem que esse surto de amnésia seletiva coletiva passará após a ressaca da quarta-feira de cinzas, que só acontece na segunda-feira seguinte, após o desfile das campeãs. Mas e aí? Podemos realmente esperar alguma mudança?

Historicamente sabe-se que todos os países que sediaram tanto a Copa da FIFA, quanto os Jogos do COI, sofreram com graves recessões econômicas. O Brasil teve a brilhante idéia de sediar ambos em menos de dois anos. Já estamos em recessão, agravada pela Copa e que possivelmente piorará com os Jogos. Inflação galopante, preço do petróleo em queda livre, dívida externa impagável, desvalorização monetária humilhante, perda de lastro, isolamento econômico, contas públicas quebradas. O Brasil faliu. E ainda não chegamos ao fundo do poço!

Crise política anunciada: uma presidente incompetente, péssima gestora, gerindo uma equipe desequipada, durante um terceiro turno que está durando mais de um ano. “Nunca antes na história deste país” houve homem tão honesto quando o Santo Molusco, sua co-mandatária cara metade, hoje envolvida em escândalos fiscais. Já o Duduzinho está feliz da vida, pois o esqueceram por enquanto, e pode aproveitar o recesso do Congresso com sua esposa e o treinador de tênis.

Em nossa esburacada cidade, que se prepara para receber os Jogos, multam mijões e guimbeiros, enquanto flanelinhas extorquem em vias públicas; expulsam pobres e põem favelas abaixo para construir condomínios de luxo; o Favela-Bairro torna bairros em favelas; as UPP’s espalham bandidos pela cidade; a Lagoa está imunda (e o resto também).

Como é possível que tenham esquecido isso? Esqueceram até o Ebola! Mas isto tem um motivo: o Ebola está matando pretos pobres desnutridos na África. Eles lá que se danem. Já o Zika está fazendo crianças brancas ricas bem nutridas daqui nascerem com problemas. Aí é importante e por isso sai na manchete. Mas não precisamos mais nos preocupar: lembra quando o Ebola atingiu a Europa? Em dois meses criaram vacina. Pois se já nasceu uma criança seqüelada nos Estados Unidos, então a cura é próxima.

No que pergunto: quais são os valores e as prioridades da gente? Será que a dor humana está tão banalizada? Será que o sofrimento de um irmão desconhecido vale tão pouco? Estamos mesmo em crise ou não? Há clima para festa e Carnaval?

O que é importante, afinal?

Esqueceram o laudo da explosão em São Cristóvão, esqueceram do garoto que bateu com a cabeça na ambulância no Salgado Filho, esqueceram a enfermeira que morreu de piti, esqueceram o Palace 2, esqueceram a Cidade da Música, esqueceram as vigas da Perimetral, esqueceram a crise na saúde e, infelizmente, também esquecerão a bunda da loira cavala.

Nossa protagonista, até outrora próxima desconhecida, conseguiu a fama que almejava, pagando com sua própria vida. Mas ao que parece, sua tragédia não é mais importante que sua bunda. Teve seus 15 minutos. E sua curta e triste vida será em breve esquecida… “E vivas ao Carnaval!”…

Pelos céus… no que estamos nos tornando?

Brasil, Pátria Achacadora 3 – O tolete final

Brasil, Pátria Achacadora 3 – O tolete final

E a UERJ está paralisada. Com falta de pagamento dos terceirizados (serventes, seguranças e, rezam as más línguas, alguns professores…) a instituição fechou as portas neste dia 1º de dezembro. Num país cujo lema é “Pátria Educadora”, o ninho ou covil extra-oficial dos manifestantes anarco-esquerdistas ora encontra-se ocupado por estudantes que desejam, vejam só, estudar. E também que se paguem as bolsas, por vezes o único recurso de estudantes mais pobres. Futuros terceirizados. (Talvez seja proposital, para irem se acostumando…)

Esse troçulho governamental, um paradoxo entre o que se diz e o que se faz, mostra-se como reflexo da falta de planejamento em larga escala e do estabelecimento de diretrizes, metas, planos, parâmetros, valores, em suma: falta de noção ou vergonha-na-cara. DE AMBOS OS LADOS. Quem disse que a culpa é só do governo?

Não preciso dizer que os problemas brasileiros vêm piorando exponencialmente. Sentimos na pele cotidianamente. A inflação fora de controle, a violência fora de controle, a saúde (ou falta dela) fora de controle já são muito bem conhecidas por todos nós (infelizmente). Também não preciso dizer que o Congresso é um caos, que a roubalheira come solta nossos impostos, enquanto os congressistas comem pizza “à la magna carte de 88” e banqueiros comem bacalhau no xilindró*.

* Até aí nenhum problema. O problema foi ser liberado para isso antes de 30 dias. Se os outros 300 mil presos no país precisam esperar, porque a esposa dele, não?

Também não preciso repetir-me sobre a vergonha pública que nossa idolatrada, idealizada, maquilada nação passa à frente dos demais Estados Soberanos, a menos de 1 ano das Olim-piadas. A 5ª maior economia do mundo, em frangalhos, nem ao menos paga os terceirizados de uma universidade pública…

Ocorre que a inércia popular me irrita. O povo faz cara-de-bunda, os políticos continuam com cara-de-pau. Não há vaselina que chegue. E mesmo se houvesse, não dá para comprar: o dinheiro acabou. Esta semana o Jornal O Globo, máquina da propaganda ideológica do governo, que virou a casaca quando a casa começou a cair, continuou botando mais lenha na fogueira. A matéria de capa foi o corte de 10 bilhões que o governo foi obrigado a fazer para fechar as contas. Ou seja, será sem vaselina mesmo…

E enquanto o governo que quebrou o país decreta calote oficial, continuamos inertes a ver escândalos após escândalos como se fossem a coisa mais normal do mundo! É como se o povo, antes anestesiado com a inumerável seqüência de denúncias, ora estivesse em coma: nem ao menos questiona mais. Onde estão os movimentos de rua de 2013? Onde estão as manifestações pré-copa? Onde estão os políticos querendo aparecer? Caramba, onde estão os Black Blocs? Qualquer um!?!?!?!

Vamos falar de Mariana, o desastre ambiental do Rio Doce. A cada 2 horas ou menos o Ministério Público lança uma nota em que a Samarco tem que criar um plano de emergência para alguma coisa ou bolar uma solução mirabolante para a bola de lama que embolou Minas Gerais e o Espírito Santo. Cai uma casa, a Samarco tem que resolver. Sujou o rio, a Samarco resolve. Sujou a praia, a Samarco resolve. E ainda bloqueiam-se as contas da Samarco para que ela não tenha dinheiro. Mas ela tem que resolver assim mesmo…

Eu não estou defendendo a Samarco. Quero apenas apontar o absurdo da situação.

E O GOVERNO? Vai ficar parado? Este é o PIOR DESASTRE AMBIENTAL COM MINERAÇÃO DA HISTÓRIA!!! E o governo não faz nada? Vai ficar esperando a mineradora resolver tudo? Cadê o exército? Cadê as forças armadas? Cadê a ajuda internacional? O que importa se a culpa é da Samarco, dos EUA, do PT, minha, de um babuíno africano? Primeiro se resolve o problema, depois se procuram os culpados!!! São centenas de pessoas diretamente afetadas, numerosos municípios e incontáveis vidas da fauna e flora molestadas por essa catástrofe e o governo fica parado sem fazer NADA, esperando a Samarco resolver!?

Cadê a soberania de Estado? Ao que parece, só serve para bloquear as contas da Samarco… Não sei como esperam que a Samarco resolva sem dinheiro. Talvez contratem os Black Blocs.

E enquanto os Black Blocs não aparecem na foz do Rio Doce, os Petralhas não parecem muito contentes. “Nunca antes na história deste país” um Senador havia sido preso. Mais ou menos, né… Em 1963 o pai de Fernando Collor matou outro cara no congresso, mas ninguém se lembra porque o Brasil não tem memória. Mas não se preocupem! Logo, logo o Petralha estará solto!

Porque agora no Brasil criminoso é premiado! Ele rouba, rouba, rouba e se pegarem é só virar alcagüete que sai limpinho! Pode até escolher qual dedo vai deixar duro, e ainda ganha brinde! Uma bênção para os nossos estimados políticos! Mas essa história de dedo-duro virou dureza… A prisão de Sua Excelência Delzinho mexeu com os graúdos. Prenderam quem sabe demais e agora estão com medo do que pode acontecer com quem sabe de menos, a quimera Lula&Dilma, que nunca sabe de nada. Delzinho pode dizer que a Mônica Petista sabia de tudo… O que todo mundo já sabe.

Ha, ha, ha, até parece! Afinal, se a conversa para tirar o Cerveró do país foi “fora de contexto”, é tudo uma questão de interpretação, nobre leitor. Quando ele fala que Dilma sabia de tudo, está apenas ilustrando a douta capacidade intelectual de nossa ilustríssima presidanta. E mesmo se formos agraciados com a desgraça de termos a Presidente da República presa, é só ela fazer a delação premiada, dizendo que a culpa é dos Black Blocs, e tudo fica bem!

Voltando um pouco para meu umbigo carioca.

Esta semana a Rede Record, máquina da propaganda ideológica da IURD-SISAN, ofertou-nos a maravilhadora oportunidade de ver as maravilhas do Governo da Cidade Maravilhosa e do Estado do Rio de Janeiro de forma ainda mais explícita. Mesmo em casa de swing não rola tanta sacanagem quanto no Catete. Ao menos não tão imoral…

Nós moradores já sabemos que a situação local não é das melhores. Sabemos que Sérgio Cabrito é casado com a filha do graúdo da FETRANSPOR, que Pezão mete o pé (e outras coisas) no governo, que Eduardo Paes serve de bucha, e que quando a bomba estourar, no colo dele será. No que pergunto: por que cargas d’água essa gente continua no poder?

Nossa educação é um fiasco: a UERJ está parada por insalubridade, insegurança e falta de pagamento. As escolas não têm professores suficientes. 33000 alunos sem aulas; dezenas de bibliotecas paradas. E os Black Blocs, ‘tadinhos, ficaram sem reduto…

Eu tenho sorte por ser alfabetizado, ao menos dá para me virar lendo um jornalzinho, que hoje em dia mais parece as revistas da Turma da Mônica ( :-p ). Uma de vermelho brigando com o de língua presa, o outro sujismundo fugindo de lava-jato…

Nossa segurança é um fiasco: as escolas do Estado fecham, mas a escola do crime continua aberta e funcionando 24h por dia. As UPP’s são a prova de que o sistema de segurança atual não possui força suficiente para coibir de forma eficiente a criminalidade. PM mata e PM morre. Pta Mrda. Homens de bem caem dos dois lados. Eu disse “dois lados”? Deveríamos estar todos do mesmo lado, mas não é essa a sensação da população em geral… Apartaram a polícia da sociedade…

Eu tenho sorte por não ter o que ser roubado. Uma vez um ladrão foi me assaltar e no final ainda me deu dinheiro… E isso é verdade! o_0”

Nossa saúde é um fiasco: o HUPE está parado conjunto à UERJ. A UPP está no CTI. Policiais feridos e cidadãos baleados são encaminhados para as UPA’s. Mas as UPA’s são fábricas de Tylenol. Você chega com uma fratura exposta, dengue-zika-chikungunya, três tiros e em trabalho de parto: a enfermeira diz que é virose, te dá uma aspirina e manda de volta para casa.

Eu tenho sorte por ter uma amiga veterinária… Na hora do desespero…

Voltando para Brasília.

A trupe fluminense.

Mas na foto, Delzinho, o fiel escudeiro de Pezinho, Dudu, e o esquentado Carvalhinho Quebra-Dente, nosso futuro prefeito, sorriem, firmando pactos para nosso Estado. Pacto com quem (ou o quê), não sei. E no meio disso, o Excelentíssimo Senador do Rio de Janeiro, Sr. Romário, também começa a ser investigado. O Peixe, eleito com resultado extraordinário, parece estar na rede com os demais. Mas o povo não se importa muito, porque bem ou mal ele faz alguma coisa. Seja pelos deficientes, seja pelo esporte (leia-se futebol, o único esporte do Brasil). No que concluo que você até pode roubar um pouquinho, desde que faça algo pelo povo.

É isso! No Brasil, há uma justa medida para roubar! O motivo pelo qual estamos nesse turbilhão todo é porque os sacanas que nos roubaram desta vez fizeram menos do que o esperado pelo montante que roubaram! No Brasil, sempre teve roubalheira. Mas bem ou mal os governantes ainda davam migalhas para o povo, e todo mundo ficava satisfeito. Desta vez roubaram em desmedida!

Polícia neles! Ops, parece que o Japonês Bonzinho, que quase foi exonerado em 2003 por fazer merda está de novo envolvido no meio. Mas se nem a Polícia Federal escapa, quem poderá nos defender?

Eu não! Me inclua fora dessa, rapaz! Tô fora!

Talvez o herói que completou 45 anos seja o único que possa nos ajudar…
Pois se depender do povo, continuaremos a esperar que a cura para nossas mazelas venha da Uerjiana Terra do Nunca de Sininho e seus Meninos Perdidos…

Molotov é mais radical que Pirlimpimpim…

Para saber mais:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-11/uerj-interrompe-aulas-ate-dezembro-por-paralisacao-de-servicos-terceirizados
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2015-11-30/preso-na-lava-jato-banqueiro-andre-esteves-come-bacalhau-em-prisao-no-rio.html
http://oglobo.globo.com/economia/governo-vai-bloquear-107-bilhoes-servicos-serao-paralisados-18161294

A história do senador brasileiro que foi preso antes de Delcídio Amaral


http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/dilma-fala-pela-primeira-vez-sobre-prisao-do-senador-delcidio.html
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/11/30/apos-morte-de-5-jovens-pm-exonera-comandante-de-batalhao-no-rio.htm
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2015-11-27/japones-da-lava-jato-que-virou-piada-na-internet-ja-foi-preso-pela-propria-pf.html
http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/quem-e-o-japones-bonzinho-da-lava-jato-2766.html