Sempre que recebo intimação do governo, eu chamo de ”intimidação”. Meus amigos que trabalham com Direito não gostam, então eu chamo assim ainda mais. huehue
Mais uma vez fui contemplado com a subtração de pelo menos um domingo. O governo decidiu pelo meu arrebatamento e, após tantos anos, serei mesário de novo. Tenho certeza de que, se suas excelentíssimas eminências tivessem lido as coisas que escrevi sobre as urnas eletrônicas, não teria sido convocado. Provavelmente iria preso mesmo… |:^(
Fui mesário e presidente de seção quatro vezes no passado, ainda à época em que trabalhava no Banco do Brasil. Essa empresa chinfrim não me pagou os dias devidos. Sabe, quando você trabalha para a justiça eleitoral, além de você ganhar o vale-coxinha do dia, você ganha alguns dias de folga em seu trabalho. São dois dias para os mesários e quatro dias para os presidentes de seção. Isso é remanescência da época em que a votação era feita por cédulas em papel. Esses dias eram os usados para fazer a contagem manual das cédulas. Hoje a votação é eletrônica, não existe mais a contagem (se é que você me entende), mas os dias continuam sendo dados.
Acontece que o Banco do Brasil se recusou a dar meus dias como presidente de seção e só me deu os dias como mesário (metade). Primeiro emprego; vinte anos de idade; sabendo nada da vida; não reclamei. Não foi só isso que os patifes deixaram de me pagar, mas pararei por aqui mesmo: contar as peripécias que vivi naquele rendez-vous daria um livro inteiro. Só que a féria do livro não pagaria os calmantes para segurar a vontade de esganar uns e outros…
Voltando às eleições e à política brasileira (esta, outra patifaria e rendez-vous), até que trabalhar como mesário é tranqüilo. Eu reclamo que é uma chatice ficar com o bumbum quadrado de esperar o pessoal para votação, mas no fundo acho bacana a gente participar de alguma coisa cívica.
Eu também gosto de ficar vendo formiguinhas andando enfileiradas, então pode ter alguma coisa a ver.
Este ano mamãe e eu fomos fazer a tal da biometria. Eu não gosto nem um pouco dessa história de o governo, ou qualquer um, coletar meus dados biométricos. Darei um exemplo para explicar como penso. Você tem uma conta no banco e conseguem roubar sua senha. Você bloqueia a conta, muda a senha, problema resolvido. Você tem um cartão de crédito e conseguem clonar seu cartão. (Já aconteceu comigo. Três vezes. E, sim, no mesmo banco patife citado acima.) Eu pedi o bloqueio do cartão, mudei a senha, pedi segunda via do cartão, problema resolvido.
Você deu sua digital para o banco. Roubaram sua digital. Não tem segunda via. Acabou. Para o resto da sua vida sua informação personalíssima estará comprometida, pois sabe-se lá quem vai ter acesso a esse dado dali em diante? Por isso eu me recuso a dar meus dados biométricos para qualquer empresa. Hoje ela está com um dono, amanhã com outro… Funcionários vêm e vão… Eu não sinto segurança nenhuma nisso.
Agora responda: você crê ser seguro dar esse dado tão precioso para o governo? Nem me refiro ao governo brasileiro, refiro-me a qualquer governo no mundo. Será que, depois da Peste Chinesa e do caos que foi essa fase tão recente que escancarou a completa incompetência e prepotência de proto-ditadores, ninguém aprendeu nada?
Seja como for, fui obrigado (por aquele cujo nome não pode ser pronunciado versão brazuca) a fornecer minha digital, foto de meu lindo rostinho, minha assinatura… Faltou só o exame de fezes. Alguns meses depois de esse recadastramento ter sido feito, fui recapturado para ser mesário. Recebida a carta intimidatória, aproveitei que a UERJ está mais uma vez em estado de greve e que hoje não teve expediente para ir lá resolver.
Mais um típico dia tranqüilo e pacífico em meu local de trabalho.
Levei toda a documentação, até crachá do emprego. Não precisou de nada além do número do título e tudo foi resolvido em menos de cinco minutos. A atendente conferiu meus dados, pediu para eu repetir o número de telefone cadastrado e me incluiu no grupo de zapzap da zona eleitoral. E eu pensando com meus botões: “é sério isso?”.
Minha aversão ao zapzap se deve a vários fatores, que podem ser conferidos no texto acima. Porém, à parte de minha repulsa pessoal, essa foi uma decisão administrativa que me incomodou. Pois não apenas centenas de números de telefone ficaram disponíveis para mim, como também o meu número de telefone ficou disponível para centenas de pessoas. É só clicar em “informações do grupo” que aparecem fotos e números de telefone de todo mundo.
Eu fiz os cursos sobre a nova Lei de Proteção de Dados Pessoais. Em meu entender, essa decisão administrativa resultou no vazamento de dados pessoais (número de telefone e foto). No meu caso, meu número de telefone já é exposto. Está em meu cartão de visita, que mamãe sai distribuindo para todo mundo que encontra por aí na esperança que alguém leia meus textos… |:^p
Mas e para quem quer ter privacidade? Imagine seu número privado sendo distribuído para um monte de gente que você não conhece! Eu achei isso muito estranho e também penso que isso pode ser problemático…
Voltando à história: fui lá, puseram meu número no zapzap deles (e dum monte de gente) e me liberaram. Na prática, fui para perguntarem de novo qual é meu número de telefone. Daí era só aguardar que as instruções para terminar o processo seriam enviadas pelo celular.
Assim, chegando a casa, tive de entrar no zapzap para descobrir onde pegar a tal “Carta de Convocação” (a oficial, não a intimidatória). Segui as instruções, mas não deu certo. Descobri então outro caminho para o tal do “Convoca-e“, o novo sistema eletrônico de convocação de mesários. Nesse terceiro sistema, dei meus dados de novo. Ó, raios, quantas bases de dados esse povo tem?
E, para minha jovial alegria e ditosa felicidade, o treinamento também tem que ser feito por “aplicativo”.
Agora é aguardar a ”festa da democracia” e cumprir minha obrigação cívica. Ou o juiz da comarca ler o que escrevi sobre as eleições. O que vier primeiro.
Editado 24/08/2024: apenas um adendo.
Você sabia que todos são iguais perante a lei? Exceto quando você tem prioridade para votar (ou para qualquer outra coisa).
No caso das eleições, votam primeiro os candidatos, os juízes e os promotores eleitorais (qualquer servidor da justiça eleitoral, na verdade). Mas os mesários são os últimos a votar. Somos arrebatados para o serviço “democrático”, mas só votamos se não tiver mais ninguém na fila, às vezes, só no final do dia.
Os Amish são grupos fundamentalistas religiosos cristãos protestantes que moram nos Estados Unidos. Eles vieram emigrados da Alemanha e da Suíça em busca de liberdade religiosa. São muito conhecidos no mundo por rejeitarem a tecnologia e a cultura moderna.
A primeira vez em que tive interesse maior em estudar sobre os Amish foi quando me deparei com o comportamento da comunidade Amish após o fatídico massacre ocorrido em 2006 na escola West Nickel Mines. Foi o comportamento mais cristão de que havia tido notícia.
Os Amish não são perfeitos, no documentário bem é dito que eles têm seus problemas. Mas o fundamento sobre o qual sua comunidade é constituída é algo sobre o que se pensar: “Too much technology disrupts family life.”
The lives of the Amish in the US | DW Documentary
A life just as it was 300 years ago: the Amish in the US. They live according to their own rules, reject technological advances, wear old-fashioned clothing and drive horse-drawn carts. An encounter with the Amish is like traveling back in time. Originating from southern Germany and Switzerland, the Amish community brought its culture and language to the New World. Deeply rooted in their faith, the Amish adhere to strict codes and reject modern technology. For outsiders, these rules can sometimes appear strange. They traverse their rural communities in horse-drawn carts, but if a distance is too far, they’re allowed to use a shuttle service. They don’t use telephones unless it’s for business purposes and the device is located outside of the home. Children are expected to help with housework even when they’re attending school. But before they’re baptized as young adults and finally become part of the Amish community, they’re allowed to try what’s called the rumspringa: a period of time when they’re encouraged to behave like regular teenagers – before deciding on which lifestyle they prefer. But those who opt for a conventional, modern existence are exiled. The film sheds light on a fascinating world governed by tradition.
Cavando nas profundas minas digitais em meu computador, encontrei um artigo de 2012 falando sobre parte da origem da animosidade de muçulmanos (e outros povos orientais) para com o ocidente. Achei pertinente compartilhar.
Autor: Antônio Gonçalves Filho
27 de julho de 2012 Dois historiadores discutem origens e evolução do domínio europeu sobre o restante do mundo, propondo uma reflexão sobre o fim de uma era marcada pela supremacia da civilização ocidental.
A desconfiança de que estejamos chegando ao fim de 500 anos de supremacia ocidental fez com que dois historiadores da Grã-Bretanha publicassem simultaneamente dois livros que tratam do choque traumático entre duas civilizações, a ocidental e a oriental. Lançados no ano passado [2011], na Inglaterra, esses dois títulos – Guerra Santa, de Nigel Cliff, e Civilização, de Niall Ferguson – chegam agora traduzidos ao mercado brasileiro. No primeiro, seu autor, um jovem crítico inglês que trabalha para o jornal The Times, reconta a história das três viagens de Vasco da Gama ao Oriente no fim do século 15, retratando-o como um aventureiro ambicioso e cruel que buscou não só uma rota alternativa para as Índias. A mando do rei Manuel I, ele embarcou numa cruzada marítima que tinha como objetivo expandir o domínio português e massacrar muçulmanos, então senhores do comércio de especiarias.
No segundo livro, Ferguson afirma que o navegador português e seus homens, vivendo num mundo polarizado pela fé, se dedicaram a um espetáculo de violência inaudita – mutilação de tripulantes de navios capturados, incêndio de naus com fiéis a caminho de Meca – por acreditar que a melhor defesa é o ataque. Havia, segundo Ferguson, um traço de crueldade em Vasco da Gama e nos 170 homens que seguiram esse jovem de 28 anos na aventura de abrir uma rota marítima da Europa à Ásia. Atrás de um mítico rei cristão, que governaria um reino oriental e poderia servir de aliado, eles lutaram contra fortes correntes marítimas para torturar antípodas e banir o Islã, que havia bloqueado o acesso da Europa ao Oriente. Ferguson diz que os homens de Lisboa demonstraram uma brutalidade que até mesmo os chineses raras vezes manifestaram.
O troco pode vir agora, cinco séculos depois: Ferguson não só acredita como aposta no ocaso da supremacia ocidental. Para chegar a essa conclusão, a exemplo do colega Nigel Cliff, fez acurada pesquisa histórica, concluindo que o passado não está morto, mas vivo e atuante no presente. O verdadeiro significado da história, defende, vem justamente dessa justaposição. Cliff parece concordar. Em entrevista por telefone, de Londres, ele identifica certa semelhança entre a auto-imagem que Vasco da Gama alimentou de super-herói lutando contra “infiéis” muçulmanos e aquela que os fanáticos do Islã devem ter de si mesmos, ao declarar uma “guerra santa” contra o Ocidente cristão.
O livro de Cliff recebeu sérias críticas por isso lá fora. Eric Ormsby, numa resenha para o jornal The New York Times, refuta essa idéia de “choque de civilizações”, termo emprestado de um livro de Samuel P. Huntington (O Choque de Civilizações, Editora Objetiva, 1997). Para ele, o verdadeiro conflito do mundo contemporâneo não seria entre o mundo cristão e o Islã, mas entre nossa secular cultura consumista e um esquema mental rígido e absolutista como o muçulmano. O antagonismo entre cristãos e muçulmanos, na época de Vasco da Gama, teria sido puramente mercantilista, acrescenta Ormsby. Afinal, os portugueses, argumenta, caíram de joelhos diante da exuberância das cortes muçulmanas que visitavam. Os muçulmanos, ao contrário, desprezaram a cultura européia, por considerá-la “inferior”.
Nessa viagem em busca de aliados cristãos, os portugueses fizeram, portanto, mais inimigos que amigos. Os muçulmanos haviam penetrado o continente africano e a Índia de maneira mais profunda do que imaginavam Vasco da Gama e seus homens. Ainda assim, quando o navegador chegou ao Oceano Índico, fundando colônias e plantando igrejas em cada ponto do território, a supremacia do Islã foi posta em discussão. A vasta riqueza em recursos naturais – metais preciosos e especiarias -, ao cair nas mãos dos portugueses, diz Cliff, fez Vasco da Gama disparar o “tiro de partida nos longos e plenos séculos de imperialismo ocidental na Ásia”. O historiador classifica de “sonho louco” o da última cruzada – marítima, no caso -, mas diz acreditar que Vasco da Gama e seus seguidores foram movidos por “sincera” fé religiosa.
Essa crença, garante Cliff, era também a do jovem rei Manuel – “ele imaginava que a mão divina impelia as explorações portuguesas”. Portugal, por ser uma terra nascida das Cruzadas, teria injetado na veia messiânica do rei a crença de que o próprio Espírito Santo o tinha inspirado “a inaugurar uma nova era global do cristianismo” em pleno limiar do século 16. Conclusão: o rei expulsou os muçulmanos de Portugal, embora sem conseguir apagar os traços de sua passagem pelo país (que vão das muralhas do castelo de São Jorge às paredes caiadas de branco).
O livro de Cliff não trata apenas do espírito belicoso de Vasco da Gama. Há também passagens engraçadas. Os portugueses nunca tinham ouvido falar de hindus – nem de budistas ou jainistas – até pisar em solo indiano. Já na África, em Mombaça, a cidade queniana fundada por mercadores árabes, os emissários de Gama, segundo o livro, viram na figura de um deus pombo uma representação do Espírito Santo. Em Calcutá, o grupo de desembarque confundiu templos hindus com igrejas cristãs, mesmo com falos esculpidos nas paredes externas. O fato é que sabiam da abominação do culto à forma humana pelos muçulmanos – e respiravam aliviados por não serem aqueles indianos submissos ao Islã e adorar partes do corpo interditas à veneração no mundo islâmico. O resto era detalhe, até mesmo porque as autoridades indianas censuravam discussões sobre religião em Calcutá.
“A ignorância acabou levando os portugueses ao outro lado do mundo”, resume Cliff, descrevendo os horrores pelos quais passaram os homens de Vasco da Gama. O comandante não foi capaz de deixar a Índia quando decidiu partir. Seus homens morriam como gado, com pernas e coxas gangrenadas e gengivas infectadas. “Eles tiveram mortes terríveis, mas acreditavam, como o comandante do navio, que eram cruzados de Cristo”, conta. “Esse sacrifício os livraria da mancha do pecado”, lembra o autor, relatando o cotidiano nessas naus dos insensatos, em que fungos tóxicos contaminavam o pão, provocando vômitos e diarréia, e vermes corroíam os traseiros dos navegantes, que inutilmente tentavam se livrar dos bichos lavando o ânus com limão.
Ventos favoráveis, afinal, impediram que todos morressem nessa aventura atrás de especiarias como cravo, canela e gengibre, que esfregavam nas partes íntimas em busca de comichão erótico – se bem que é impossível imaginar tanto sacrifício por um Viagra natural. Não era o caso do comandante, que teve sete filhos.
“Vasco da Gama foi de fato um comandante respeitado, por ser intransigente, firme com o inimigo e astuto na hora de fazer barganhas comerciais com os estrangeiros”, define Cliff, revelando que o título Guerra Santa lhe foi imposto por seu editor. “O original era simplesmente As Viagens de Vasco da Gama, mas a editora considerou-o sem apelo”, diz o escritor, afirmando que o objetivo inicial de seu livro, mais que discutir fanatismo religioso, era o de colocar em discussão as diferenças culturais que provocam as grandes tragédias no mundo.
“Se você considerar a fundação de Roma, por exemplo, verá que há sempre a força do mito por trás da união de pessoas em torno de um causa.” Com os portugueses, acrescenta, não foi diferente. “Foi a procura de cristãos do outro lado do mundo que motivou Vasco da Gama a descobrir uma cultura diferente, mas foi também sua certeza religiosa que o levou à ruína”, conclui. De fato, o homem que elevou Portugal a um papel de liderança no comércio de especiarias, morreria longe de sua terra natal. Em Cochim. Na véspera de Natal, como convém a um cristão. E de malária, como era comum na Índia.
Editado em 26/06/2024: Muitas pessoas estão caindo aqui por conta de outros problemas não relacionados ao que escrevi. Se você estiver tendo problemas com o SISPATRI, tente o seguinte: sempre use o Microsoft Edge (o navegador padrão do Windows). Parece que o SISPATRI não funciona direito com Chrome ou Firefox. Use um PC com Windows 10 ou 11 e abra o MS Edge. Não use nenhum bloqueador de cookies, anúncios etc., use o Edge ”como veio de fábrica”. Para todas as coisas de governo (gov.br, Receita, RJ etc.) só consigo acessar direito com o MS Edge. Também tive muito problema com outros navegadores.
E na aventura de hoje, conto como consegui fazer a impressão de meu IR2. Do início:
Sou servidor público do Estado do Rio de Janeiro. Significa que o governo tira do contribuinte e paga meu salário (muito obrigado, caro leitor). Mas também me cobra imposto de renda, ou seja, imposto sobre o salário que me paga. Por isso, sou obrigado a declarar o imposto de renda, como todo brasileiro. Tenho que dizer ao governo que me pagou quanto me pagou e quanto me taxou. Duas vezes: uma para o governo federal e outra para o estadual.
Por que a gente tem que pagar pelo salário que recebe?
Seja como for, após fazer a declaração para a Receita Federal, fiz a declaração para o sistema Estadual. Só que na hora de imprimir meu comprovante, não foi possível. Diferentemente dos outros anos, não apareceu para mim a opção de imprimir o recibo da declaração de bens ao Estado. Tentei no dia seguinte e nada. Perguntei a colegas de trabalho que me disseram haver conseguido. Então fui até o RH da UERJ perguntar o que se passava. A atendente disse para eu seguir por outro caminho, segui o tal caminho e… nada.
Ó, raios! Eu declarei! Quero o comprovante de que eu declarei! Ainda mais por saber que houve casos de colegas que declararam e depois ouviram que não haviam declarado…
Então resolvi fuçar. E vejamos o que encontrei:
Fuçando o código fonte da página do SISPATRI, descobri que o Ronaldo tirou a opção de imprimir o recibo da declaração de bens. Quem é o Ronaldo? Não faço idéia. Por que ele tirou? Também não sei. Mas dá para consertar.
É só remover o estilo “oculto” do código fonte…
… que aparece a opção para imprimir!
Espero que isso possa ajudar algum colega desavisado que seja tomado de surpresa pelas travessuras do Ronaldo.
Saudações, meu caro gaijin. Esta é a segunda parte em que falo sobre a cultura japonesa de um modo geral. Na primeira parte, falei sobre as coisas que admiro na sociedade japonesa e exemplifiquei com alguns vídeos. Admiro o sentimento de ”pertencimento” (fazer parte de) a um corpo social, o que leva a um senso de responsabilidade e cooperação mútuo entre as pessoas.1 Admiro o respeito, a modéstia, a ordem. Porém, conforme escrevi, passando o tempo a gente vê que as coisas não são tão boas assim. Afinal, o que o Japão teria de ruim?
Os japoneses sabem bem onde seus próprios sapatos apertam. Não pretendo falar sob o ponto de vista japonês. Primeiro, porque não sou japonês; segundo, porque não estou lá. Só posso falar a partir da perspectiva de um estrangeiro. Já aí começam os problemas.
Você é um estrangeiro (gaijin)? Então você sempre será um gaijin. Você jamais será considerado um japonês, mesmo se naturalizando. Não interessa se você mora no Japão há cinqüenta anos, se seu japonês é fluente por ser professor de japonês e cultura japonesa, se sua esposa é japonesa, se seus filhos são japoneses. Você é um estrangeiro, sua mulher é aquela ”casada com um estrangeiro”, seu filho é aquele ”filho do estrangeiro”. Por mais que hoje em dia as coisas sejam muito mais brandas do que eram cem anos atrás, e que os jovens sejam muito mais receptivos, japoneses são ”veladamente xenofóbicos”.
Não interprete mal: os japoneses são bastante hospitaleiros e tratam muito bem os estrangeiros, desde que estes adiram à sua cultura. Você pode viver uma vida maravilhosa por lá seguindo as regras locais, embora no recôndito do nativo você sempre seja visto como um estrangeiro. É completamente diferente do Brasil, país formado pela mistura de gente de todas as partes do mundo. Por aqui, sabendo falar português do Brasil sem sotaque, não tem como saber se o sujeito é estrangeiro ou não. Mas o Japão é um país bastante homogêneo e salta à vista se você vem de fora. Não se esqueça de que o Japão é um arquipélago relativamente isolado no Oceano Pacífico.
Outra coisa que mencionei (duas vezes) no parágrafo acima é a adequação às normas locais. O modo de vida japonês, as relações sociais e o que se espera de você são bem definidos (embora inexplícitos). É extremamente deselegante querer impor seu modo de vida estrangeiro por lá. Eles não têm tolerância alguma com quem quer burlar as regras a todos impostas. Se você se comportar mal, principalmente em espaço público, não se assuste se alguém chamar a polícia para te deter por um ”pequeno desvio” como chamaríamos por aqui no Brasil. Se você vai para o Japão, vai ter que viver em público como um japonês. Ou então nem vá.
Os princípios básicos de boa educação, como não furar fila, manter-se do lado na escada rolante para que outra pessoa passe ao seu lado, colocar o lixo no bolso até encontrar uma lixeira, não falar alto ou tocar rádio no transporte público, cumprimentar respeitosamente quem lhe presta serviço, não se vestir como um mondrongo, todas essas coisas que não vemos no Brasil são o mínimo esperado do seu comportamento no Japão. Japoneses não gostam de pessoas rudes e são bem sensíveis quanto a isso.
Essa formalidade (que se apresenta até mesmo no idioma) cria uma certa barreira cultural, pois muitas coisas que consideramos normais, como abraçar, podem ser consideradas rudes dependendo do contexto. E você acaba ofendendo o nativo sem querer.
Outra coisa que o brasileiro faz é contar vantagem. É o mecânico de Chevette que diz saber consertar até avião a jato, ou o pedreirista que se mete a levantar prédio. Além disso ser muito mal visto, também vai lhe colocar em encrencas. Japoneses não têm esse péssimo hábito de dizer serem mais do que são, pelo contrário, tendem a se diminuir. Exemplifico: digamos que você faça pintura de quadros artísticos; quando perguntado como é o seu trabalho, você, por educação, deve responder que é mediano; assim, quando seu trabalho for apresentado, o cliente poderá se admirar com sua habilidade e com a obra. Se você disser que é um bom pintor, além de ser considerado bastante arrogante, o cliente realmente esperará uma obra-prima e você não será capaz de atender à expectativa dele.
Isso mesmo: se você disser que é bom em algo, japoneses esperam que você seja realmente muito bom naquilo. E você vai ter que mostrar serviço. Se no currículo você disser que seu japonês é bom, vai ter que ser realmente muito bom. Business level? Vai ter que ler e interpretar correspondência administrativa e contábil logo no primeiro dia. Fluency? Ai de ti se não entender o cliente com dialeto de outra ilha. Eles não aceitam quem conta vantagem e, se descobrirem que mentiu no seu currículo, você pode perder o emprego na hora. Nunca se vanglorie por lá e conheça o seu lugar.
Uma terceira coisa, falando mais a fundo sobre trabalho, é que o modo como o japonês lida com sua profissão é totalmente diferente do que fazemos por aqui. Por lá, seu trabalho não é uma extensão de sua vida, um adendo, ou uma coisa que você faz para sobreviver ou ganhar dinheiro. Ele é parte integrante de sua vida, é o que te define como membro da sociedade japonesa. Todo trabalho é valorizado e respeitado. Claro que quanto mais alta for sua posição na hierarquia econômica, mais bem visto você é. Mas do faxineiro ao deputado, todos têm um trabalho a realizar como parte do todo. Seu trabalho não é só para você, é para todos ao seu entorno. Se você faltar com suas obrigações, outra pessoa terá que assumir a carga por si.
Aquela noção de pertencimento de que falei faz parte de toda a estrutura social, incluindo o trabalho empresarial. No Japão, trabalhar numa empresa é fazer parte de um time. Não há espaço para individualidade. Você precisa estar sempre se comunicando, sempre participando da interdependência coletiva. Num país como o Brasil, onde só quem marca gol é ovacionado, isto é, em que membros da mesma equipe disputam picuinhas entre si, a cultura japonesa de ajuda mútua entre membros é um conceito alienígena. Apesar de parecer muito bom, isso tem um problema grave.
É a partir daí que surge o grande problema com as horas extras no Japão. O dia de trabalho termina quando a tarefa do dia termina, não quando o relógio marca a saída. Não são incomuns 12h, 14h, 18h de jornada de trabalho. Não é um ”extra”. É o que se espera de você. Isso é um problema gravíssimo no Japão. Muitas pessoas adoecem estafadas pela excessiva carga de trabalho. Burnout, depressão e suicídios. A expectativa e a cobrança são constantes e muita gente não consegue lidar com a pressão contínua que sofre diariamente. Sem férias, sem descansos, as poucas exceções são eventos como casamentos ou funerais. É comum dormir no local de trabalho por pura exaustão. Mortes acarretadas por excesso de trabalho não são incomuns.
Cronogramas e horários são obedecidos rigorosamente. Não se toleram atrasos de qualquer tipo, não há flexibilização. E o serviço deve ser bem realizado. Ou seja, o velho jeitinho brasileiro de postergar as coisas para a última hora e entregar um serviço medíocre é inaceitável. Se você disse que conseguiria levantar um muro em cinco dias, no quinto dia o muro tem que estar pronto e bem feito. Se não puder cumprir o prazo acordado, tivesse dado outro prazo.
Essa inflexibilidade japonesa frente às normas sociais é a principal causa dos problemas da sociedade japonesa. Espera-se que as pessoas cumpram determinados papéis e aqueles que não conseguem se adaptar a essa rigidez são ostracizados. Esse é o resultado do somatório de todas as coisas sobre que discorri até agora.
Japoneses têm uma visão de mundo que coloca o coletivo acima do particular;
Preocupam-se mais com não dar trabalho aos outros do que com a carga que isso impõe sobre si mesmos;
Dão mais valor à sua imagem social do que aos próprios sentimentos;
Vivem em altíssima competitividade, não aceitando que o trabalho não tenha sido feito da melhor forma possível;
Aqueles que não pensam dessa forma são ostracizados pelo coletivo, que não aceita o individualismo de livres pensadores.
Apenas o melhor, somente o melhor, o tempo todo, em tudo o que faz. Você tem que ser o melhor aluno da escola. Tem que passar no vestibular (Sentā Shiken) na primeira tentativa. Tem que entregar o melhor trabalho na empresa. Tem que ser o melhor artesão. Tem que ser o melhor artista. Tem que ser. E ainda tem que dizer que não é tão bom assim. E se não quiser pensar e agir assim, é ridicularizado, zombado, excluído e tratado como um perdedor. O resultado é uma sociedade doente. Uma de minhas postagens com certa procura é sobre os fenômenos hikikomori, kodokushi e manboo.
Hikikomori são os eremitas urbanos. Pessoas que se recusam a estudar e trabalhar, e passam a vida dentro de suas casas ou dentro de seus quartos em casos mais graves. Com a facilidade de fazer compras com entrega domiciliar, elas não precisam sair para nada. Essas pessoas são muitas vezes sustentadas por seus pais idosos aposentados. São pessoas que optaram por apartarem-se da sociedade. Os motivos são os mais diversos: uma decepção amorosa, não passar para a faculdade, perda de emprego. Em todos os casos, são aqueles que não conseguiram suportar a pressão da rígida e estrita sociedade japonesa e, numa ação de fuga, isolaram-se do mundo que os cerca.
Kodokushi é o fenômeno da morte solitária. Esse distanciamento afetivo de si mesmo e dos outros que a sociedade japonesa impõe com um sem número de regras de etiqueta e papéis esperados do indivíduo associados ao envelhecimento populacional faz com que pessoas idosas em cada vez maior número passem a morar sozinhas. São famílias que se afastam. São pais não querem dar trabalho aos filhos. São viúvos sem parentes. São pessoas que vivem sozinhas em suas casas até o último de seus dias, quando morrem vítimas de quedas ou de infartos, por exemplo. Com as contas sendo pagas no débito automático e recebendo suas pensões, ninguém, nem mesmo os vizinhos, dá falta delas. Passam-se semanas ou meses até que descubram o corpo já decomposto no chão de seus apartamentos ou pequenas casas.
Manboo é o fenômeno dos sem-teto que se abrigam em lan-houses (cyber cafes). Pessoas que pelos mais diversos motivos não têm onde morar e optam por alugar um computador numa lan-house para não terem que passar a noite nas ruas. No Japão, os computadores são ofertados nessas casas de forma individual, em cubículos de 2 metros quadrados. Ali os desabrigados podem pernoitar, deixar suas coisas durante o dia e usar o banheiro coletivo. Podem ser pessoas que têm muita vergonha da situação por que estão passando e não querem que suas famílias saibam. Podem ser jovens que fugiram de casa. Podem ser idosos que perderam tudo e não têm outro lugar para onde ir. Ou pode ser uma decisão pensada por conta da crise econômica japonesa.
Embora fugindo do escopo deste texto, creio ser importante registrar que a economia japonesa está horrível. Trabalha-se muito, mas os salários são baixos. O desemprego formal aumenta, com pessoas dependendo de empregos temporários de um ou dois dias. Há ainda uma grave crise habitacional. O preço dos aluguéis é impagável e o número de sem-teto está aumentando. Por vezes, a vida no manboo acaba sendo uma decisão necessária para sobreviver. Isso também pesa no psicológico das pessoas.
Não é à toa que a densidade demográfica da população japonesa encontra-se em queda livre. Quem em sã consciência teria filhos num lugar onde se vive para trabalhar; para atender às expectativas dos outros, alijando-se de si mesmo uma vida inteira; para no final morrer sozinho e esquecido num quarto de 3 metros quadrados? É muito bonitinho ver o Japão pela lente do guia turístico: casinhas bem ajeitadas, pessoas bem educadas, tudo bem limpinho, desenhos animados, artesanato, artes marciais. Enquanto isso, apenas o bosque de Aokihagara registra pelo menos 100 suicídios por ano.
Buda ensina que o caminho do meio é a chave para a felicidade. Se a permissividade brasileira é ruim, a austeridade japonesa também o é. É sim possível ter uma vida muito boa no Japão. Só é mais difícil se você for japonês…
Placa suplicando aos visitantes de Aokihagara que estejam pensando em cometer suicídio, que não se matem e que procurem ajuda.
Isolamento no Japão: A Crise de uma Sociedade Solitária | Japão No Asfalto
Neste vídeo, exploramos a crescente crise de isolamento social no Japão, um fenômeno que afeta milhares de pessoas e está intrinsecamente ligado a fatores culturais e sociais. Vamos abordar as causas dessa solidão, incluindo o hikikomori (isolamento extremo em casa), pressões sociais, a cultura de trabalho intensa e as conseqüências psicológicas para a saúde mental. O vídeo examina como essa crise molda a vida cotidiana dos japoneses e analisa as iniciativas e esforços para combater a solidão em uma sociedade que valoriza a reserva e o autocontrole. Descubra as histórias por trás dessa realidade e como o Japão está lidando com essa epidemia silenciosa.
Sentimento é algo mais subjetivo. Senso é algo mais racionalizado. ↩
Eu, assim como muitos e muitos brasileiros, admiro a cultura japonesa. Recordo-me de quando era menino e queria emigrar para o Japão. Até mesmo fui ao consulado algumas vezes quando adolescente para saber como era o ingresso em faculdade por lá. Não tive ainda a oportunidade de aprender adequadamente soroban, go ou nihongo, embora tenha noções rudimentares sobre essas coisas. Não tenho interesse no Japão por ser uma ”cultura exótica”, mas pela forma como seu povo se organiza. A boa educação das pessoas, o respeito à comunidade, a preservação dos espaços públicos sempre me cativaram. Mas será que a vida no Japão é tão boa assim?
Conforme os anos passaram e para lá não fui, observei também certas características que comumente passam despercebidas. Nesta primeira postagem, eu compartilho vídeos que falam das coisas boas relacionadas com a cultura e a vivência japonesa, exatamente aquilo que nos faz admirar o povo japonês.
O primeiro vídeo trata do assunto mais importante em voga na discussão da sociedade brasileira hodierna: a violência. Urbana ou rural, a violência é o principal assunto do dia-a-dia brasileiro. Temos uma quantidade muito grande de homicídios (boa parte deles jamais resolvida), furtos e assaltos, estupros e seqüestros. Mesmo considerando a imensa geografia e as disparidades demográficas, os números estão muito acima comparativamente a outras nações, mesmo as em nível de desenvolvimento similar.
Num país em que a criminalidade compensa (e compensa muito bem), e em que somos estimulados a não cumprir as regras sociais, sejam elas quais forem, o errado está certo e o certo está errado. É possível uma pátria prosperar quando seus filhos carecem de civilidade? De cidadania? Em que não é incomum haver seqüestro seguido de estupro e latrocínio? Vivemos sob a sombra constante da violência num país onde o homem ao lado é mais perigoso do que os grandes desastres naturais. Perigoso enquanto indivíduo, referindo-me aos casos de violência direta; e perigoso enquanto coletivo, referindo-me ao descaso frente a Brumadinho, a Mariana, a Maceió…
Nisso o Japão demonstra ser muito superior ao Brasil. A população japonesa é estimulada desde a mais tenra infância não apenas a ser honesta, mas também a repudiar a desonestidade. É estimulada a viver em comunidade (real), a se importar com o bem-estar de seus semelhantes. Conforme exemplificado nos vídeos seguintes, é o somatório de vários níveis de educação que forma o modo de viver japonês.
No primeiro vídeo, o autor fala sobre o funcionamento das associações de moradores japoneses. São os próprios moradores que se organizam e resolvem os assuntos pertinentes à sua localidade, sem depender (ou esperar a boa vontade) da prefeitura. O exercício direto da cidadania, sem intermediários, sem delegação de problemas a outrem demonstra ser muito mais eficiente do que o modelo brasileiro, no qual ansiosamente espera-se que o outro resolva as coisas por nós. (Vide: Edições Independentes). Recordo-me da época em que estudei kung fu por um curto período de tempo. Uma das atividades de todos os participantes era cuidar da manutenção do local de treino. Pintura, conserto de cadeiras, essas coisas. O motivo pelo qual se pedia para fazer isso é porque se você pinta a parede, não vai colocar o pé nela e sujá-la depois. Se você lava o banheiro, não vai sujar depois. Se você varre o chão, não vai sujar depois. Você preserva aquilo que lhe dá trabalho para cuidar. O senso de cooperação entre os membros e também o de fiscalização mútua são cultivados no dia-a-dia.
Isso é visto nas escolas japonesas, onde são as crianças as responsáveis pela limpeza, por fazer a comida, por organizar as coisas. Esse senso de preservar aquilo que é usado conjuntamente pela comunidade inexiste no Brasil. Eu trabalho na UERJ e vi o trabalhão que deu fazer a reforma de todos os banheiros da universidade. Gastaram-se rios de dinheiro e meses de trabalho para deixar tudo em novíssimo (e até luxuoso) estado. Em menos de duas semanas (duas semanas), todos os banheiros utilizados pelos alunos já estavam quebrados. Até sifão de pia roubaram.
Vivo numa sociedade em que o vizinho de cima varre sua varanda jogando a sujeira no quintal do vizinho de baixo. Em que importa apenas ter a vantagem nas coisas; não ser prejudicado; ser mais esperto. Como esperar cidadania e paz social, se é normal jogar sujeira pela janela do ônibus? Como esperar lisura administrativa nos altos escalões do governo, se é normal furar fila? Como esperar ruas limpas, se quem suja não é obrigado a limpar?
Como seria se adotássemos o modelo de associação de bairro no Brasil? (Se os alunos fossem obrigados a reparar os banheiros, estes ainda estariam inteiros.)
O terceiro vídeo que selecionei retorna ao tema da violência, mas o observando pela perspectiva do senso de comunidade visto no segundo. Eu discordo do autor do vídeo quando ele refuta a tese de que ”os japoneses são mais honestos do que os brasileiros”. Eu acredito que sim, que eles são. Compreendo o que ele quis dizer, que é o contexto social que leva as pessoas a serem desonestas, que é a cultura em que se está inserido que estimula certos comportamentos. Mas meu avô sofreu golpe financeiro, carregou estrume, viveu mal, e não virou bandido. Quem lutou contra a escravidão nasceu numa sociedade escravocrata. Quem lutou pela independência, nasceu numa sociedade conquistada. Índole é algo, em meu entender, inato. Tanto para o bem quanto para o mal. Se o sujeito tem uma índole ruim, ele vai fazer o mal de acordo com suas forças. Se for ignorante, tentará assaltos; se for instruído, tentará estelionatos. E me parece ser da natureza do japonês ser mais honesto do que o brasileiro, pois que, mesmo havendo criminosos no Japão, seu número é desproporcionalmente muito menor.
Os tópicos apresentados neste terceiro vídeo sobre as principais características do sistema japonês são os seguintes:
o sistema penal japonês não é ”reeducativo” (como no Brasil): é um sistema punitivo: criminosos são punidos por seus delitos;
há prisão perpétua e, nos casos extremos, pena capital;
o japonês confia em seu sistema judiciário (você confia na justiça do Brasil?);
as conseqüências da punição se estendem à família do criminoso;
absoluta intolerância à criminalidade, mesmo pequenos delitos;
alta taxa de resolução de crimes;
denúncias são estimuladas no Japão, enquanto que no Brasil são mal vistas;
pessoas são recompensadas por sua honestidade.
Parece tudo ser muito bom, não é? Nesta primeira parte falei sobre aquilo que o Japão faz muito melhor do que o Brasil. Já na próxima postagem, pretendo escrever sobre o que não é tão bom assim.
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Daí eu entro em contato com o síndico do prédio. Primeiro passo na loja do prédio, mas o rapaz não tinha o contato, pedindo que eu retornasse no dia seguinte. Dia seguinte, 20/10, outro funcionário da loja, muito solícito, nos ajuda, permitindo que eu entrasse em contato pelo próprio celular dele com o síndico, Sr. João. Como este não podia me atender por estar em seu trabalho, pede que eu converse com seu auxiliar, o Sr. Duarte. Explicando a situação para o Sr. Duarte, ele vem ao nosso quintal ver a situação, para poder melhor explicar ao Sr. João.
Dia seguinte, hoje, 21/10, é feita a verificação e descobrimos que o cupinzeiro do outro lado da parede é enorme. Acontece que a loja no térreo do prédio está fechada há bastante tempo. Sem ninguém para perceber a tempo, a praga infestou. E está na coluna do prédio, com a parede de 50 cm de espessura praticamente oca.
Esta madrugada estava estudando sobre a história da máquinas que mudaram o mundo. Como o surgimento da superfície plana permitiu a criação dos instrumentos de precisão. A história da precisão mecânica desde a unificação metrológica da Revolução Francesa até o surgimento dos blocos Johansson. O desenvolvimento dos sistemas de torno, desde os tornos medievais, o projeto renascentista de torno de Leonardo da Vinci que já incluía um volante inercial, até o surgimento do primeiro torno metálico em 1751, que possibilitou a Revolução Industrial no século posterior. O surgimento da prensa que, associada com a chegada da tecnologia chinesa de produção de papel, permitiu o surgimento do livro impresso, a mais importante ferramenta para o desenvolvimento da humanidade.
Estou muito chateado por esses dias. Resolvi escrever para desabafar. Quando escrevi sobre meu problema de coluna ou sobre meu problema de próstata, escrevi para incentivar os parcos leitores que por aqui passem a serem mais positivos com relação aos reveses que a vida por vezes nos traz. Talvez escrevendo eu também encontre uma forma de organizar meus próprios pensamentos.
Desde que eu era bem pequeno, eu sempre tive dentes muito (muito) sensíveis. Comida quente ou fria sempre me machucou a boca. Aftas sempre foram freqüentes também. Para trocar os dentes de leite foi um sacrifício. Cada dente que caía era um suplício. Meu canino direito foi o mais difícil, ficou acavalando até que foi tirado na marra. Sofri de bruxismo por um tempo, e até hoje, quando tenho febre alta por alguma doença, durmo roçando os dentes.
Mas o bruxismo não tem como ser a causa do meu principal problema. Nada se compara a ter dentes fracos e quebradiços. Meu primeiro dente quebrado foi um molar, que quebrei comendo maçã. Ao morder a semente, um pedaço do dente foi embora. Eu era muito pequeno, mas me lembro do susto. Passei a ter medo de mastigar corretamente. Mesmo se tentasse, meus dentes são tortos e não consigo fazer a oclusão. Há apenas um ponto de contato. E sobre esse ponto de contato está a outra obturação. Após certo tempo, outro molar quebrou, do outro lado, exatamente onde as duas mandíbulas contactam. Também foi uma experiência infantil ruim ao escutar da dentista que eu não cuidava bem dos meus dentes. Nessa época, havia o comercial na TV do ”Pedrinho que não escovava os dentes”. Ninguém deve se lembrar disso, era um comercial do governo promovendo higiene bucal. Mas também ficou marcado na minha memória.
Com as obturações veio também a neurose. O medo de quebrar meus dentes tomou conta de mim. Mesmo com dentes tortos e sem oclusão correta, nunca coloquei aparelho com medo de danificar os dentes. Além disso:
a) Fui uma criança que não chupou bala, pirulito ou doces, por medo de ter cáries. Biscoitos, só os macios.
b) Nunca masquei chiclete para não danificar as obturações dos dentes quebrados.
c) Nunca mordi picolé para não danificar os dentes da frente.
d) Sempre evitei comidas duras para não danificar os dentes.
e) Sempre evitei cítricos (laranja, limão) para que os ácidos não danificassem o esmalte.
f) Passei a intencionalmente dormir de boca aberta. Quando dormindo percebo que fechei os dentes, acordo assustado e abro a boca.
g) Passo o dia inteiro conscientemente de boca aberta. Eu nunca faço a oclusão. Passo o dia inteiro com a língua entre os dentes, ou pressionada contra o céu da boca (como agora enquanto escrevo), para que os dentes de cima não encostem nos de baixo.
h) Escovo os dentes com delicadeza e religiosamente antes de dormir passo o fio dental. Ao ponto de não conseguir dormir se não passar o fio dental. O tempo despendido em escolher o fio, as escovas (uso duas, uma para cada parte da boca) e a pasta não é saudável.
i) Eu não mastigo a comida: eu esmago a comida no céu da boca com a língua. Só como alimentos facilmente pastosos e de fácil digestão.
j) Corto todos os alimentos, incluindo pão, para não forçar os dentes.
k) Não durmo de bruços ou em posição que exerça pressão nos dentes.
l) Bebo ao menos um litro e meio de leite por dia para ter bastante cálcio.
São praticamente 30 anos de cuidado assíduo, neurótico, fanático com minha dentição. Então um dos dentes da frente quebrou usando fio dental. Passei o fio com o cuidado de sempre e a ponta simplesmente voou pelo banheiro. Fiquei muito chateado, mas pensei comigo mesmo: ”faz parte do processo natural de envelhecimento”. Algum tempo depois tive um febrão e com o bruxismo também a ponta de outro dente quebrou. Fiquei muito chateado, mas pensei comigo mesmo: ”não foi minha culpa, é seqüela de ter ficado doente, tal como tenho seqüela do acidente no meu pé, ou seqüela na coluna pelo envelhecimento/excesso de peso. Não sou mais um garotinho…”.
Então, anteontem fui comer pão. Não pão francês, mas aquele pão de forma super macio e fofinho. E a ponta de outro dente quebrou. No início achei que havia ficado com alguma aveia presa entre os dentes, e ao olhar no espelho lá estava o estrago.
Não importa se é pouca coisa (para mim não é), não importa se é só a ponta, não importa se é pela idade, não importa qualquer que seja o motivo. É revoltantemente frustrante para mim isso acontecer. Com todo o cuidado que eu tenho, com todo o esforço que faço, por todas as coisas que deixei de fazer, por uma vida inteira de preocupação em não quebrar os dentes, com todas as fantasias de ”e se um acidente acontecer?”, ”e se eu cair no chão de boca?”, ”e se eu levar um soco?”, ”e se eu bater em algum lugar?”, quebrar o dente comendo pão? Comendo pão?
Indignação não adianta nada. Revolta não adianta. A frustração não vai restaurar o dente. A idéia é aceitar que tenho dentes fracos e que provavelmente não estarão aqui até meus 80 anos. Optei por desistir. Se é para quebrar, que quebrem. Isso não significa deixar de cuidar deles. Continuarei cuidando exatamente tal como faço hoje, com o mesmo afinco, mas não espero mais preservá-los até a minha idade avançada.
Optei por finalmente procurar um ortodontista. Verei se me é possível colocar aparelho. Se for, tentarei alinhar a dentição. Se não, continuo mordendo a língua.
Notícias do fronte:
Dia 21/05, domingo, a estrepada da minha mãe estrepou-se, estrepando-se estrepadamente na escadaria do prédio. Por algum motivo, ela achou que estava fazendo teste prático para o Cirque du Solei e fraturou o joelho. Emergência de hospital, chapa, tomografia, gesso. E um monte de consultas médicas desmarcadas.
Mas isso não vai me impedir de ver se dá para dar um jeito nos dentes.
Fui pela última vez em janeiro fazer a manutenção. Foi a última consulta com a dentista com quem me trato há vinte anos. Ela decidiu fazer curso nos EUA e duvido que volte para o Brasil. Então eu fui a outra clínica (literalmente na esquina da rua de casa) para ver o dente quebrado, fazer a limpeza e perguntar do aparelho. Do nada surgiu uma cárie, e ele queria fazer a limpeza com raspagem e anestesia. Já a ortodontista queria lixar meus dentes e sugeriu arrancar o siso se necessário.
Não.
E fui me consultar com a dentista (Dra. Débora) que substituiu minha dentista (Dra. Bruna). Além de o atendimento ser muito bom (e humanizado), não tem cárie, é o mesmo selamento que tenho desde pequeno, e ela me indicou que procurasse a chamada ”ortodontia invisível” (de que nunca havia ouvido falar). Procurei, descobri e fiquei bastante motivado, pois não tem risco de quebra de dentes com os brackets. Daí fui fazer a bateria de exames hoje, 23/05.
E que vergonha. Achei que seria paciente modelo, pois em todo médico a que vou não dou trabalho (exceto dentista). Até exame de próstata faço numa boa. PQP. Tive de repetir a chapa várias vezes porque toda hora me mexia, na hora de fazer o molde quase vomito em cima do médico, e volto para tirar mais chapas, e quase vomito de novo umas três vezes, e saio para tomar uma água e me recompor. Até para tirar fotos dos dentes foi um custo colocar os separadores de bochecha, ou sei lá como se chama aquilo. A única coisa que não deu trabalho foi tirar foto da minha cara de marrento.
Ao menos descobri que meu 4º siso é dorminhoco. Dia 05/06 pego o resultado e marco com essa ”ortodontia invisível”.
Eu deveria ter escrito antes. Deveria?
Pressa é uma coisa que a gente gasta com a vida. Já tive muita pressa. Agora aceito as coisas quando elas vêm, no tempo em que elas vêm. E também só ajo no momento oportuno. Só escrevo quando vem a vontade de escrever. Após as surpresas ortopédicas (fratura na perna) e ginecológicas (microcirurgia) da minha mãe, chegou o tempo de escrever e contar como está sendo minha aventura odontológica.
Falei que iria à clínica pela primeira vez após pegar o resultado dos exames. Atrasei um dia por conta de outro compromisso. Lá no Méier (06/06), apresentei a identidade e peguei os laudos em minutos. E não precisei passar vexame outra vez… De lá, fui para meu local de trabalho. Com os resultados em mão, eu e minha mãe fomos pessoalmente à clínica fazer a marcação e conhecer o lugar.
Para começar, é um lugar limpo. Parece estranho dizer, mas eu reparo na higiene de toda clínica a que vou (sou chato com isso) e aquela clínica é bem higienizada. Fizemos a marcação (11/07) e o famigerado Pica-Pau veio fazer uma visita: peguei uma gripe horrorosa e fiquei uma semana de molho. Tive de desmarcar e remarcar. Não tinha como ir com febre alta e coriza para ficar tossindo na cara dos outros.
Uns dias depois (28/07), já recobrado, lá fui fazer a primeira consulta ortodôntica. Se você, parco leitor, resolver se guiar por minhas impressões, elas seguem:
1º) Antes de fazer a marcação, eu já havia pesquisado sobre a clínica. Além de ter boas referências e ser num lugar decente, é devidamente cadastrada na empresa que fabrica o tal ”aparelho invisível”.
2º) Todo o atendimento foi humanizado: deu para sentir que eu estava sendo tratado como uma pessoa, não como mais um cliente. É algo para além da educação, como dizer… ”empatia” creio ser a palavra adequada.
3º) Todo o procedimento foi minuciosamente explicado para não ficar dúvida alguma. Você sai de lá sabendo exatamente como será feito o trabalho. Acho que isso é muito bom, pois tem gente que gosta de fantasiar expectativas. Como minha família tem inúmeras vivências com médicos de todo tipo, por vezes me surpreendo com o que acreditam pessoas que não estão acostumadas com questões de saúde…
4º) O preço está de acordo com a complexidade do serviço. Pensei que seria muito mais caro, mas as parcelas cabem no orçamento. Parcelei no cartão de crédito sem maiores dificuldades.
Disso posto, voltando ao fronte.
No dia 28 mesmo fiz o exame de digitalização em 3D dos meus dentes. Não dura nem 5 minutos e alimenta o computador com uma cópia fiel da minha dentição (melhor que o molde do vídeo acima). O próprio programa calcula quantas placas serão necessárias e o tempo do tratamento. Essa estimativa inicial ainda precisaria ser corroborada com os cálculos finais. Tudo feito para a primeira consulta, depois os demais funcionários, minha mãe e eu ficamos conversando sobre casos de outros pacientes. Todos foram muito simpáticos lá.
Hoje, dia 25/08, chegou o resultado dos cálculos finais. A doutora ficou esperando minha autorização para iniciar a confecção das placas. Acontece que os cálculos iniciais sugeriram que fosse realizado um lixamento em meus dentes. Um desbastamento de alguns milímetros entre os dentes para que a dentição pudesse ser deslocada para a posição padrão.
E meu âmago sentiu. Como escrevi na primeira parte desta saga, eu tenho muitos (muitos) traumas com relação aos meus dentes. O motivo pelo qual eu finalmente resolvi colocar aparelho depois de burro velho foi a quinta quebra. Só a idéia de eu tirar ainda mais me deu ânsia.
Sim, eu estou ciente de que são milímetros.
Sim, eu estou ciente de que é indolor.
Sim, eu estou ciente de que não causa danos futuros.
Sim, eu estou ciente de é a melhor opção estética.
Só que o instinto me disse na hora que não. Então é não.
Além do mais, se ao final do tratamento eu sentir que preciso, posso fazer o lixamento e colocar os dentes na posição padrão. Não é uma decisão irreversível. Lixar é.
Está previsto para eu receber o primeiro conjunto de placas em setembro. Eu não tenho pressa alguma para começar ou para terminar. Como disse no começo desta parte, não tenho mais pressa de nada. Tudo só acontece no momento em que deve acontecer, nem cedo, nem tarde.
Ficou marcado então para o dia 22 de setembro o recebimento das placas. Para me preparar para o dia, fui novamente até a Dra. Débora fazer limpeza nos dentes, preparando-os para o procedimento a ser realizado pela Dra. Adriana. Como sempre, eu estava com minhas gengivas inflamadas. Toda a dor e todo o suplício que passo em dentista sempre foram por conta das minhas gengivas. Meus dentes não doem, mas as gengivas doem bastante. A Dra. Débora receitou Malvona, que comprei brevemente e passei a usar diariamente. Feita a limpeza, dia 22 fui até o consultório da Odonto7.
Cheguei um pouco mais cedo, esperei alguns minutos e logo fui atendido. No consultório, fui direto para a cadeira de dentista, pois “havia muito trabalho a ser feito”. Particularmente eu achei que tudo foi feito em menos de 5 minutos. Já minha mãe disse que foi mais de uma hora de preparação. Minha percepção de tempo demonstra que o trabalho feito é indolor.
Claro, eu senti dor em minhas gengivas. Colocar os afastadores na bochecha doeu nas gengivas, e a sucção da saliva me deixou com duas marcas de machucado embaixo da língua. É importante que não haja salivação durante o procedimento, então machucou um pouco. Pense numa espinha estourada: foi mais ou menos esse o tamanho.
Esse procedimento foi para colocar os fixadores em meus dentes. Tem quem chame de attachments, tem quem chame de brackets. Eu chamo de fixadores porque é o que eles fazem. São minúsculas resinas feitas para segurar os aparelhos nas arcadas. Elas ficam coladas nos dentes e não são retiráveis por alicates, como em aparelho fixo (meu temor em colocar aparelho era por conta disso). Para remover, elas são desbastadas pelo aparelho rotor, aquele que faz o temido barulhinho de obturação de cárie.
É seguro? Sim. Essa resina é mais frágil que o dente, então a ponta usada para removê-la não consegue danificar o dente em que ela fica grudada.
Feito o procedimento, gosto salgado e azedo na boca, recebo o primeiro conjunto de placas. No momento em que as recebi, foi muito fácil colocá-las e retirá-las. Indicativo de que tudo seria muito tranqüilo. Então a Dra. ensinou como cuidar das placas, ganhei livrinho, caixinha bonita etc. Naquela hora, a única coisa que me deixou feliz foi pela primeira vez em minha vida poder encostar as arcadas ao fechar a boca. Após tanto tempo conseguir fazer isso foi como uma pessoa surda escutar pela primeira vez.
E saí de lá feliz, ditoso e venturoso, acreditando que tudo deu certo. Só me esqueci de combinar com a vida, pois nada (nada) que faço dá certo de primeira. Absolutamente nada. Por que acreditei que com aparelho seria diferente?
Vamos lá: as placas são feitas sob o formato dos dentes. O formato exato. Milimetricamente. Cada reentrância, cada ponta, mesmo as quebras, tudo é copiado pelo computador exatamente conforme a arcada do sujeito, no caso, eu. As placas se encaixam sem nenhuma sobra, e isso inclui o formato dos fixadores.
Como meus dentes são bastante tortos (conforme vídeo acima), os fixadores dos dentes da frente estavam segurando com tanta pressão as placas que eu fiquei com medo de os dentes quebrarem. E isso foi suficiente para a ansiedade me vencer. Todos os traumas vieram à mente ao mesmo tempo e fiquei completamente travado. Simplesmente não consegui colocar o aparelho novamente em casa.
E volta o cão arrependido para o consultório. Situação explicada para a Dra., fixadores dos incisivos retirados. E finalmente pude colocar e tirar as placas sem medo de quebrar os dentes. Assim, desde o dia 26/09 estou usando os aparelhos conforme o figurino e já posso contar mais ou menos como é a experiência de usar esse tipo de aparelho:
1) É invisível mesmo? Não. Mas é transparente e não chama a atenção, ao ponto de que meus colegas de trabalho não perceberam que eu estou usando aparelho. Ninguém vê se você não contar para eles.
2) Dói? Sim e não. Na hora de tirar e colocar de volta, parece que você está parindo um bezerro pelo buraco da cárie (que não tenho). Ao menos nos primeiros dias. Mas também não tive bons primeiros dias, então não tenho como dizer como será para outra pessoa. E também depende da posição dos dentes de cada um. Mas depois você se acostuma com a dor de tirar e botar passa a ser um incômodo momentâneo.
Durante o dia, não. Não apenas não incomoda como é bastante confortável. Como eu disse, as placas têm o formato exato dos dentes, então é como se estes estivessem usando uma ”roupa colante”. Pense em dentes usando roupa apertada e imaginará a sensação. Eu até esqueço que as estou usando.
3) Pode beber e comer? Depende do momento e do que vai comer. Eu fui fazendo os testes. Para não ficar tirando e botando, optei por fazer refeição líqüida no lugar do almoço e retirar as placas só para jantar comida sólida. Para limpar a boca, bochecho com bastante força e fica tudo razoavelmente limpo. Já para o jantar, no começo, a dor de tirar e colocar as placas me impedia de comer direito. Agora já não incomoda tanto.
Também fiz o teste e tentei comer com eles, mas faz tanta sujeira que acaba não sendo vantajoso. Como precisa escovar os dentes do mesmo jeito, então é melhor tirar as placas e fazer a limpeza completa depois (escova, fio, Malvona).
Hoje 10/10 já estou com o princípio de formação de tártaro novamente nos dentes de baixo. Essa praga me acompanha porque meus dentes são tão apinhados que não há escova ou fio que chegue aonde o tártaro se forma…
Benefício adicional: por estes dias tenho acordado assustado por conta de bruxismo mas as placas estão protegendo meus dentes. Se não fossem por elas, teria quebrado os dentes de cima dessa vez. Agora estou dormindo confiante de que não terei problemas por causa do bruxismo. Isso é tranqüilizador.
Notícias do fronte: 27/01/2024
Não há muita coisa nova a comentar sobre o tratamento. As semanas passam e tudo se repete: ir à dentista, pegar novas placas, ver se algum fixador caiu, trocar as placas a cada 10 dias, repetir.
Mas com fins de mero registro, gostaria de salientar que
1) A quantidade de tártaro que normalmente se acumulava em meus dentes diminuiu bastante. Mesmo estando apenas na metade do tratamento, os dentes já estão razoavelmente separados, o que me permite passar o fio dental com muito (muito) mais facilidade do que era antes.
2) Meus dentes ficaram manchados. Não faço idéia do motivo, mas os dois dentes incisivos estão com manchas escuras. Muito provavelmente pelo fato de eu passar o dia inteiro com as placas e só trocar à noite. As manchas devem ser por causa dos shakes que tomo. Seria o mesmo para quem bebe bastante café.
3) Por algum motivo, as placas 09 e 10 doeram demais. Todo o tratamento está sendo indolor, não sinto as placas durante o dia, só sinto na hora de tirar para escovar os dentes e na hora de colocá-las de volta. Nesse momento dói. É preciso esperar alguns minutos para poder comer. Mas as placas 09 e 10 doeram durante os vinte dias em que as usei. Só elas foram diferentes das demais. Abaixo seguem fotos reais referentes ao período.
Fotos reais, sem efeitos especiais.
Assim sendo, semana que vem já tenho dentista marcada para fazer limpeza (remoção de tártaro). Nada de novíssimo no fronte.
Notícias do fronte: 28/05/2024
Terminada a primeira etapa. Após 270 dias de tratamento, os resultados preliminares já podem ser vistos claramente. Mesmo não tendo feito a raspagem nos dentes para dar espaço, o alinhamento já é bastante visível. Embora continue não encostando as arcadas, isso não ocorre mais por impossibilidade, mas por hábito. Hoje, já me é possível encostar a arcada de cima na de baixo com três pontos de contato entre elas. Isso me era impossível alguns meses atrás.
Meus dentes estão como os do Tom Cruise. Só me falta agora fama, beleza e dinheiro.
Como era esperado, parto agora para a segunda fase do tratamento. Já está tudo incluído no preço original, caso alguém tenha alguma dúvida. Fiz uma nova digitalização dos dentes e foi enviado para análise, para fazer as novas placas e prosseguir com o alinhamento.
Quais são as principais mudanças que notei até agora:
Graças ao aparelho, evitei quebrar meus dentes 5 vezes neste período. Devido ao bruxismo e ao bater de dentes durante o dia, o aparelho protegeu os dentes. Seja acordando assustado com os dentes batendo uns nos outros, seja um movimento brusco com a boca, o aparelho salvou o dia 5 vezes.
A higiene está muito melhor. Graças ao alinhamento, posso passar fio dental com muito mais facilidade. A quantidade de tártaro diminuiu muito, não tem nem comparação. Mudar a alimentação por conta do aparelho também ajudou bastante. Meus dentes nunca estiveram tão limpos e saudáveis.
Descobri um selamento (uma cárie que se curou sozinha). Graças ao alinhamento, os dentes se afastaram uns dos outros e pude encontrar um selamento entre dois dentes que jamais teria visto se não fosse por isso. A cárie ficou oculta exatamente porque os dentes estavam tão colados uns nos outros que não dava para ver. Agora a dentista consegue ver e podemos monitorar mais um selamento que tenho (são vários, provavelmente o tenho desde criança).
Agora é só aguardar a segunda leva de placas alinhadoras para continuar o tratamento. Tenho placas de contenção por mais 30 dias.
Notícias do fronte: 06/08/2024
Nada de excepcionalmente novo, o tratamento continua normalmente. No dia do recebimento do novo jogo de placas mês passado, coloquei mais fixadores nos dentes. Agora praticamente todos os dentes têm fixadores, o que faz com que ao tirá-los eu sinta como se estivesse com a boca cheia de areia grudada nas bochechas. Uma chatice.
Um dos fixadores nos molares caiu logo no começo e voltei lá para recolocá-lo. Uns dois ou três dias atrás caiu de outro molar, mas não voltarei por causa dele. A doutora explicou que os fixadores não são essenciais, embora ajudem a manter a placa presa no lugar. As placas estão bem mais apertadas desta vez, e parece que esta segunda etapa durará o mesmo tempo da primeira (também são 270 dias). As placas mais apertadas, desta vez, doem um pouco, mas nada impossível de agüentar. A dor passa no terceiro dia, em lugar de passar logo no primeiro como durante a primeira etapa.
Não tem realmente nada de mais importante. Só duas coisas:
Minha mãe disse que esta madrugada mesma eu tive um bruxismo muito forte. Não senti nada e as placas, mais uma vez, protegeram meus dentes.
Amanhã tenho dentista para tirar tártaro. Como desta vez têm muito mais fixadores, estou com dificuldade para passar fio dental. E tem tártaro nos fixadores…
Notícias do fronte: 05/11/2024
Estou de férias do trabalho. De molho em casa, minha mãe resolve que temos que resolver um monte de coisas na rua e me carrega para todo canto. É a síndrome de Jaque: “já que você está aí, vem resolver isso aqui”.
Mas esta postagem não é sobre isso, é sobre o tratamento dentário, então vamos lá. Apenas duas coisas diferentes para relatar. Em minha ida à dentista em agosto para fazer a limpeza, ela suspeitou de que o tratamento ortodôntico poderia estar danificando a estrutura de minhas arcadas, pois as gengivas estavam muito avermelhadas e haveria sinais clínicos de perda de massa óssea. Ela sugeriu que eu interrompesse o tratamento ortodôntico e consultasse a ortodontista.
Nisso já se pode ver a diferença deste tratamento para o tradicional: bastou não usar as placas durante o dia. Eu mantive o uso das placas para dormir por conta do bruxismo, mas passei aquela semana sem elas. Se fosse o tratamento tradicional, com os ferrinhos fixos, não teria essa possibilidade.
A ortodontista solicitou exame de raios-x e constatou que era alarme falso. Minhas gengivas estavam mais vermelhas e sensíveis por causa da maior pressão nesta fase final. Ocorreu perda óssea mínima em dois pontos apenas para dar espaço para os dentes descerem à posição correta. Lembra que no começo do texto eu falei que não quis lixar os dentes? Então, o espaço teria que vir de algum lugar…
Está tudo indo bem, as placas são bem mais apertadas, mas nada que incomode mais do que um ou dois dias. Só para colocar e tirar que dói um pouco, mas passa rápido.
Minha única reclamação é a segunda coisa: tártaro. Esse troço parece atrair tártaro como um ímã. Tem 90 dias que fui fazer limpeza de tártaro e já está cheio de novo. E a pior parte é que não é o ”mesmo” tártaro de antes! Já explico. Antes do tratamento, havia pontos onde se acumulava (bastante) tártaro por não ter espaço para fazer a limpeza. Ou a escova não chegava ou o fio não alcançava. Pois bem, com os dentes mais alinhados, isso acabou, a limpeza entre os dentes está muito mais fácil. Porém no entorno os fixadores parecem estalactites saindo da minha boca. E passa palito, e passa fio, e passa escova… Um horror. E toca fazer limpeza de novo…
Mas olhe o lado positivo: até minha dicção melhorou um pouco! Quem me conhece sabe que eu não sou um excelente orador, mas mesmo assim dá para perceber que a voz e a pronúncia das palavras melhoraram após acertar os dentes. Interessante, não?
Notícias do fronte: 19/01/2025
Estou me aproximando da etapa final do tratamento. Nos últimos três meses a única coisa diferente que aconteceu foi que meus dentes passaram a usar suspensórios. Ocorre que meus dentes superiores não baixaram conforme o esperado e foi necessário fazer um ajuste especial. Pequenos elásticos foram postos para forçá-los a descer para a posição correta.
O procedimento consiste em colar um pino incolor nos dentes que precisam descer. É feito um corte na placa para poder segurar o elástico. Assim, o elástico puxa o dente na direção da placa e esta o apara. Inicialmente eu fiquei com bastante receio. Afinal, se o dente não desceu em um ano e meio, não seria arriscado demais forçá-lo a descer em semanas? O medo de danificar as raízes por conta da força de tração fez-me pensar bastante antes de iniciar a correção.
E ao colocar o elástico percebi que era completamente infundado. A tração é tão leve que é imperceptível. E para minha surpresa, no meu caso, desceu a metade do que deveria descer na primeira noite. Duas semanas depois, retornei para mais uma consulta e sugeri fazer o mesmo com o segundo dente que não estava descendo. Agora os dois lados tem “suspensórios”. Os elásticos e os pinos onde eles ficam presos são incolores e não dá para ver, mesmo se eu sorrir. Eles ficam presos na própria placa removível.
Ficar com os elásticos permanentemente deixava os dentes doloridos, então passei a colocá-los somente para dormir e tirá-los pela manhã. Ainda que seja pouco, um elástico puxando o dente para baixo o tempo todo vai causar desconforto. Estou passando os dias sem os elásticos e não sinto absolutamente nada. Os dentes já estão praticamente alinhados na posição padrão.
A playful and cartoon-style illustration of a smiling tooth character wearing blue suspenders. The tooth has a friendly and cheerful expression, with suspenders.
Notícias do fronte: 29/06/2025
Notícias do fronte: 29/06/2025
Já faz bastante tempo que não atualizo esta postagem sobre o andamento do tratamento ortodôntico que estou fazendo. Várias coisas aconteceram e acho importante compartilhar aqui para dar mais informações caso alguém esteja interessado neste tipo de tratamento.
No mês de maio, minha mãe sofreu um infarto. Foram dias horríveis em que estivemos internados em hospital, ela como paciente e eu como acompanhante 24hs. Por praticamente um mês nossa rotina foi completamente alterada. Ela, acamada e eu, à disposição, resolvendo todas as outras coisas.
Além da dieta do biscoito maizena, obviamente eu não tinha como proceder às trocas das placas no prazo correto. Eu precisava estar em 100% de eficiente o tempo todo, não podia me dar ao luxo de me preocupar com a troca de placas. Fiquei com as mesmas placas por praticamente um mês, antes de marcar uma nova consulta e remanejar as datas para as trocas subseqüentes.
Nisto eu posso demonstrar mais uma vantagem deste tipo de tratamento, em oposição ao tratamento tradicional com aparelho fixo: não havia a preocupação de passar o prazo. O tratamento com aparelho fixo exige que você esteja no ortodontista toda semana para reajustar a pressão dos ferros. Eu vi um caso em que a paciente até perdeu um dos dentes por ter deixado passar muito tempo o retorno. Esse perigo não existe com o tratamento por placas removíveis, pois ele pode ser interrompido e retomado a qualquer tempo.
Conforme o tratamento continuou, mais uma vez um dos dentes não quis encaixar direito na placa. Desta vez foi um dos dentes de baixo. Por estarmos nos encaminhando para o final do tratamento, a Dra. Adriana salientou a importância de consertar isso tão breve quanto possível. Os dentes precisam se encaixar perfeitamente nas placas para um melhor resultado final.
Lá atrás, eu tive dor em duas placas específicas, por causa do tipo de movimento que os dentes estavam fazendo. Os movimentos principais para colocá-los na posição correta. Desta vez foi diferente, a dor ocorreu porque o fixador preso ao dente não estava se encaixando no recesso da placa. Conseqüentemente a placa estava fazendo continuamente força contra o dente, causando dor.
À esquerda, imagem sem aparelho. No meio, quando você coloca um aparelho que não encaixa, é igual um soco na boca. À direita, a afta sangrando. (E sim, Baki, the Grappler é uma bosta tão ruim quanto dor de dente).
Mais uma vantagem com relação ao tratamento tradicional, bastou-me cortar o pedacinho da placa que estava me machucando com uma tesoura comum para aliviar a pressão.
Então decidimos mais uma vez colocar um prendedor para elásticos no dente, tal como fizemos nos dentes superiores. Eu os chamo de “anteninhas”, porque parece que os dentes ficam com antenas. Acabei não colocando foto das anteninhas nos dentes superiores, mas resolvi colocar uma foto do dentinho de baixo com a antena.
Como você pode ver, não dá para ver nada. O aparelho é transparente, os elásticos e todos os apetrechos não chamam atenção alguma. Mais uma vez, o corte que foi feito originalmente não foi suficiente para o prendedor do elástico passar e eu mesmo tive que fazer uma pequena “cirurgia” na placa. Só cortar um pouco mais e passar uma lixa de unhas para tirar as rebarbas. É realmente muito simples para você mesmo ajustar caso se sinta desconfortável.
Também ganhei uma cerinha odontológica para passar, caso surgisse alguma afta. O lábio inferior é mais próximo aos dentes e mais requisitado durante a mastigação, então eu tive uma pequena afta no primeiro dia, mas já passou. A cera ajuda bastante em alguns casos. No meu, foi só no primeiro dia e já não preciso mais.
A causa da afta não foi o prendedor do elástico, mas uma rebarba que tirei com lixa de unha.
No mais, agora é só aguardar as próximas placas e torcer para que o dentinho de baixo suba um pouco. Diferentemente dos dentes superiores, que desceram logo nos primeiros dias, este é teimoso e não quer subir. Por mim, não faz diferença, não estou fazendo este tratamento por questões estéticas, mas pela saúde bucal.
A limpeza dos meus dentes nunca foi tão boa. Mesmo depois de toda a dieta do biscoito, houve pouquíssimo tártaro. O fio dental passa tranqüilamente onde antes nem entrava. Posso usar escova interdentária, posso vigiar melhor as reentrâncias dos dentes para ver se há alguma cárie.
Está tudo indo bem.
E quanto à minha mãe, já voltou à sua rotina quase normal. Um pouco diferente, algumas restrições, mas ela está feliz por ter voltado para casa. E eu também.
13:24 13/12/2025 Notícias do fronte: o tratamento acabou.
Não há realmente notícias novas com relação ao tratamento em si, tudo o que era para ser discutido já foi escrito nas atualizações acima. As únicas coisas diferentes são relacionadas às peculiaridades do meu tratamento em particular.
Ao finalizar o tratamento, é necessário usar placas de contenção. Essas placas, assim como as do tratamento, são feitas sob medida segundo a posição final dos dentes do paciente. Elas são mais duras, mais grossas e feitas para durar.
Porém, antes de encomendar as placas, era necessário resolver o problema dos meus dentes quebrados. Afinal, foram essas quebras que me trouxeram até aqui. Como eu relatei há vários meses, eu sou todo traumatizado com relação aos meus dentes e o medo de realizar obturações que precisassem desbastar os dentes também foi levado em consideração.
O Dr. Matheus da equipe profissional da Inovier fez o trabalho de restauração dos dentes, assegurando que não haveria nenhum tipo de desbaste. Agora os meus dentes que antes eram quebrados são exatamente os mais fortes por conta da proteção que receberam.
Uma coisa importante de salientar: se eles quisessem realmente fazer somente por dinheiro, teriam feito também o reforço de outros dois dentes que não precisavam. O Dr. Matheus disse que seria melhor que eu NÃO fizesse, pois a estética natural deles é bem melhor que a da resina. Nisso já se vê que eles priorizam o paciente, não o que é melhor para a clínica.
Depois de ter feito a restauração, fiz novamente a moldagem digital dos dentes para encomendar as novas placas de contenção. Eu continuei usando a última plaquinha de ajuste, para não ficar sem nada. Quando as novas placas chegaram, finalmente chegara a hora de tirar os fixadores dos dentes.
Que horror.
Uma dica: tome paracetamol ANTES do procedimento. O procedimento em si não dói nada, mas o vento da broca é horrível. E o cheiro ruim de “resina queimada” (não queima, mas tem cheiro). Não dá para tirar tudo numa sessão só, então você precisa voltar uma ou duas vezes, dependendo do seu caso. Pequenos “preços a pagar” pela segurança desse sistema.
Procedimento de retirada de fixadores dentários.
No procedimento de ortodontia normal, os fixadores são grudados nos dentes de modo que para retirá-los, utiliza-se um alicate especial. Embora seja raro, existe um risco real de quebra do dente durante a retirada do fixador. Já no modelo Invisalign, os fixadores são feitos de uma resina menos resistente que o dente. Desse modo, com uma broca especial, ela é desbastada tal como uma obturação. Porém, diferentemente de uma obturação, cuja resina é tão forte quanto o osso, essa resina do fixador é fraca (às vezes cai sozinha). A broca usada para retirá-la é flexível e não há como danificar o seu dente (mesmo se o dentista tentasse, não conseguiria).
Essa segurança no final do tratamento foi um dos principais motivos de eu ter escolhido essa opção. Todo o tratamento foi feito segundo minhas peculiaridades. Não houve extrações, não houve desbastamento dos dentes, as obturações restauraram o que havia sido quebrado e no final ainda ganhei uma limpeza.
Agora tenho uma dentição normal. E estou devendo um vídeo-depoimento que prometi para enviar para a clínica. Quando estiver pronto, coloco por aqui. E a postagem se encerra de vez.
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O vídeo que estava devendo. Agora sim, esta postagem acabou. 05/05/2023 – 13/12/2025
Em meu texto Guia da pandemia: o vírus corona no Brasil e no mundo.aponto para o que já começa a se tornar público hoje. Mesmo a altamente politizada mídia hoje já está percebendo que a verdade não pode ser oculta do público por muito tempo, exceto se houver um grande esforço de guerra. A quarentena foi inútil, as máscaras também. Em breve, o mundo tomará ciência do erro da vacinação obrigatória em massa, que já está causando incalculável número de ”mortes súbitas”.
Teste da realidade: vírus saiu de laboratório e máscaras foram inúteis
Reconhecer fatos e mudar de ideia são características de quem quer pensar bem – até quando isso parece, equivocadamente, “premiar negacionistas” Por Vilma Gryzinski Atualizado em 6 mar 2023, 10h37 – Publicado em 3 mar 2023, 07h51
É dura a vida de quem pelo menos tenta não ser engolfado por opiniões ideologizadas, um fenômeno que contaminou até cientistas que deveriam ser a última linha de defesa contra a politização de sua atividade. Alguns acontecimentos dos últimos dias dá um certo alívio para os que mantiveram a independência e são algo duros de engolir para quem acreditou firmemente que os “negacionistas” seriam punidos por seus múltiplos pecados durante a pandemia. Obviamente, os fatos não têm nada a ver com opiniões formadas com base em posições políticas – progressistas, em geral, louvando a ciência, essa coitada tão abusada, e conservadores insurgindo-se contra a obrigatoriedade de medidas como máscaras, lockdowns e vacinas. No olho do furação, a maioria de nós quis acreditar que uma camadinha de pano ou de papel na frente do rosto nos protegeria do vírus e que ficar em casa era o preço a pagar pela sobrevivência a uma praga incontrolável saída da natureza para, como sempre, punir os humanos por invadir habitats animais. No fundo, era nossa culpa e precisamos expiá-la.
Fato: o Departamento de Energia dos Estados Unidos e o FBI fizeram declarações apontando uma razoável convicção de que o vírus da Covid-19 escapou por acidente do laboratório chinês onde era estudado.
Parecia um absurdo lógico imaginar que o vírus aflorado na cidade de Wuhan, onde funciona um laboratório de estudos desse tipo de agente patológico, tivesse saído por acaso de um morcego que infectou um animal intermediário que infectou humanos. Mas quem disse isso chegou a ser chamado de racista. Outro tijolinho recente: a revelação de que a França havia encerrado a colaboração com o laboratório de Wuhan e avisado que ele estava sendo usado para fins militares.
Fato: uma instituição chamada Cochrane Library, considerada a mais respeitada na análise de intervenções médicas em escala mundial, concluiu que máscaras comuns ou as usadas por profissionais de saúde, as N95, “provavelmente zeram pouca ou nenhuma diferença” na propagação da doença.
Antes da pandemia, serviços médicos de diferentes países e a Organização Mundial de Saúde não consideravam as máscaras efetivas para conter o contágio de doenças respiratórias.
Fato, ou fatos: uma montanha de e-mails provenientes do ex-secretário da Saúde do Reino Unido Matt Hancock comprova o que muita gente já tinha concluído. Ou seja, que o governo na época chefiado por Boris Johnson tomava providências com base em pesquisas de opinião e não na mais pura e elevada ciência.
Não é exatamente uma surpresa — e todos os políticos precisam realmente levar em consideração o que o povo está pensando. Mas ver a manipulação nua e crua desse conceito é chocante. Um exemplo, no mar de mensagens: as crianças das escolas inglesas para alunos a partir dos onze anos foram obrigadas a usar máscaras sem nenhum embasamento científico, mas sim um puro cálculo político. A primeira-ministra da Escócia na época, Nicola Sturgeon, havia determinado a restrição e Boris concluiu que não valia a pena “comprar essa briga”. Não queria parecer menos durão do que a rival escocesa.
O primeiro-ministro também se deixou convencer a não reabrir as escolas fechadas — com grandes prejuízos para os alunos, como está acontecendo até hoje — porque “os pais já achavam mesmo que não haveria volta às aulas” até o início do ano letivo, em setembro. Hancock e outros funcionários ironizaram as pessoas que precisavam voltar ao país e fora, durante um certo período, obrigadas a aceitar — e pagar — para ficar dez dias em isolamento em hotéis perto de aeroportos, “trancadas em caixas de sapato”. “Hilário”, diz um deles.
Os exemplos de decisões sem motivos sólidos são inúmeros — e provavelmente seriam similares se outros governos pudessem ser vasculhados de forma tão denitiva. Um dos raros países que já fizeram isso foi a Suécia, que se distinguiu de todos os outros países desenvolvidos por não mandar a população se trancar em casa e manter abertas as escolas para jovens e crianças. Foi uma decisão “fundamentalmente correta”, concluiu a Comissão do Coronavírus.
Outra conclusão: vários outros países que implantaram o lockdown “tiveram resultados significativamente piores” do que os da Suécia. As autoridades médicas, únicas responsáveis pelas medidas oficiais, pecaram por demorar muito para alertar a população e houve aglomerações que deveriam ter sido restringidas, criticou a Comissão. Em resumo, muitas das orientações e das consequências do combate à Covid-19 só estão sendo estudadas agora, enquanto autoridades médicas e governamentais tiveram que reagir no calor dos acontecimentos, em meio a um estado mundial de pânico e prognósticos cataclísmicos. Quanto mais a ciência verdadeira — e jornalistas inquisitivos — perscrutarem de onde se originou a pandemia, como se propagou, o que funcionou e o que não funcionou no seu combate, mais teremos a ganhar.
Reconhecer fatos não é “premiar” os negacionistas — uma palavra odiosa, por evocar uma horrível comparação com os degenerados que rejeitam as conclusões sobre o genocídio dos judeus pelos nazistas. É jogar a favor de toda a humanidade. Escrevendo na Spectator com sua inteligência brilhante e seu pendor para a polêmica, Rod Liddle anotou sobre a situação na Inglaterra: “Eu não tinha — e não tenho — grandes objeções ao primeiro lockdown ou mesmo às primeiras recomendações para usarmos máscaras ou esfregarmos as mãos com álcool a cada poucos segundos. Não sabíamos o que estávamos enfrentando”.
Liddle obviamente é um conservador e escreve que “muito do que fomos proibidos de dizer, sob pena de sermos banidos das redes sociais ou demitidos de nossos empregos, revelou ter considerável substância”. Só mesmo um intelecto superior para usar a expressão “considerável substância” no lugar de “estão vendo só, nós tínhamos razão”. Quem preferir, pode ignorar essa parte e se ater aos fatos que estão contando uma história à qual não deveríamos fechar nossos ouvidos.