Conhecimento – Parte 3

Em entrevista, autoras do livro Plágio falam sobre más condutas no meio acadêmico

Por Fernanda Marques/ Jornal Linha Direta

No prólogo do livro Plágio: palavras escondidas, publicado pelas editoras Letras Livres e Fiocruz, as autoras Debora Diniz e Ana Terra apresentam o texto e definem bem o seu tema: “Este livro é sobre o plágio, uma forma de enganação textual em que um pseudoatuor assume como suas as palavras de um autor. Intencional ou descuidado, o pseudoautor mente para o leitor: substitui assinaturas em um texto e não informa sobre a anterioridade da criação”. Na entrevista concedida ao Jornal Linha Direta, as autoras Debora Diniz e Ana Terra falam sobre más condutas no meio acadêmico e de alguns aspectos do tema tratados no livro.

LD – O problema do plágio tem sido suficiente e apropriadamente discutido entre pesquisadores, alunos e professores nas universidades e centros de pesquisa brasileiros? Se não, quais seriam os principais motivos desse silêncio?

R – O plágio é um daqueles temas que chamamos de tabu. Está por aí, mas conversamos pouco sobre ele. Quando ele vira assunto, é porque já houve um escândalo nas notícias, pois foi cometido por algum pesquisador de grande universidade, ou porque algum aluno plagiou e o professor descobriu. Aí o tom da conversa é pouco reflexivo e muito prescritivo — acredita-se que a “solução” seja censurar e punir. Há pelo menos dois motivos para esse silêncio. O primeiro é o próprio tabu. O tema do plágio causa incômodo, por isso parece que se evita falar dele. O segundo é uma falsa crença de que os saberes sobre como se comunicar academicamente já sejam conhecidos de todos. Isso não é verdade. A escrita acadêmica é difícil, tem uma série de convenções, e é em seu permanente exercício que a aprendemos. É preciso socializar-se a essas regras e isso requer que elas sejam expostas, discutidas, pra ticadas. Os professores universitários têm papel fundamental na quebra desse silêncio entre os estudantes, mas também precisamos de boas comissões de ética na escrita acadêmica.

LD – O plágio é considerado grande vilão no ambiente acadêmico, mas existem outros tipos de má conduta científica – talvez tão ou mais frequentes. Quais têm sido identificadas nas universidades e centros de pesquisa brasileiros?

R – Muitos equívocos éticos têm alguma interseção com o plágio, seja pela conduta desonesta, seja pelo desvio de autoria. Falhas como fabricação ou manipulação de dados — quando o pesquisador inventa dados ou os distorce —, ou mesmo conflitos de autoria fantasma (ghost authorship) ou convidada (guest authorship) têm sido noticiados. Há também casos de compra de trabalhos acadêmicos por estudantes e até fraudes no currículo Lattes. Um caso de má-conduta pode envolver tanto a fabricação de dados como o plágio, por exemplo. Isto é, pode ocorrer mais de um tipo de infração ética ao mesmo tempo. Nesse caso, o plágio costuma ser a primeira evidência de uma rota tortuosa. Outra questão ética textual é a autor-repetição indevida, que alguns chamam de autoplágio. Há um paradoxo no termo autoplágio, pois a definição de plágio envolve a apropriação do texto de outra pessoa, e não de si mesmo, mas de fato a publicação duplicada pode ser um problema em um contexto em que se valoriza o pesquisador pela quantidade de publicações. Não conhecemos pesquisas que mapeiem os equívocos éticos no país, mas talvez essa lacuna seja justamente o que reforce nossa ideia de que há um silêncio que precisa ser rompido.

LD – A cobrança por crescente produtividade científica pode estar entre as causas do plágio e de outras más condutas? Que outras causas poderiam ser apontadas?

R – A infração ética é multicausal. Não podemos dizer que o plágio decorra simplesmente da pressão por publicar. A ideia do publish or perish merece atenção, mas antes como um equívoco nos critérios de avaliação dos pesquisadores que como uma causa do plágio. Há pesquisadores produtivos que não são plagiadores. E alunos que plagiam estão manifestando desconhecimento, desinteresse ou preguiça, e não pressão por produtividade. Não conhecemos bons estudos sobre as motivações para o plágio — outra lacuna silenciosa, pois aqueles que copiaram indevidamente não costumam ser ouvidos —, mas as desculpas que mais encontramos são ignorância das regras de normalização, memória fotográfica e descuido nas notas de leitura.

LD – Softwares para detectar plágio e punição exemplar estão entre as formas de combate ao problema. Seriam as mais efetivas? Qual seria a melhor prevenção?

R – A patrulha tecnológica é uma ferramenta para comprovar a materialidade da cópia. Como professores e editores receosos de sermos enganados, recorrer aos caça-plágios pode trazer segurança, como um “selo de qualidade” daquilo que estamos lendo. Mas há problemas importantes no uso de softwares, como os falsos positivos e, principalmente no campo pedagógico, o pressuposto de que todo aluno vai errar. Se usado um caça-plágio, a cópia identificada terá sempre de passar por um bom leitor humano. E, comprovado o plágio, a punição será uma resposta ao caso particular, mas não a solução do problema. Antes, é preciso estabelecer uma cultura de troca de ideias sobre plágio: expor o tema, informar, debater. Sobretudo, ensinar como, quando e por que citar, ou ainda como, quando e por que parafrasear. A comunidade acadêmica deve estar em permanente diálogo sobre as formas de se comunicar. Simplesmente proibir e punir não é eficiente para gerar mudanças de comportamento.

LD – As diferentes áreas do conhecimento tratam o plágio da mesma maneira? O modo como a física e a biologia encaram o problema é similar ao das artes, por exemplo?

R – Há diferenças, sim. Os limites do que é repetição aceita ou indevida variam. Nas artes, uma imitação criativa, em que um artista se inspira no trabalho de outro, pode ser uma prática aceita e inclusive bem-vinda. É o que acontece com as paródias, por exemplo. Na culinária, posso acrescentar uma folhinha de manjericão a uma receita e terei um prato novo, sem ser acusada de plágio. Na comunicação acadêmica, os limites são menos generosos. Há um dever de reconhecer quem antecedeu nossas ideias, por isso atribuir as fontes, por meio de citações e referências, é tão importante. Ainda assim, há diferenças entre como cada área interpreta a repetição. O que é visto como plágio nas humanidades pode não ser ofensivo nas ciências biomédicas. Se estou replicando um experimento, por exemplo, é esperado que a seção de metodologia de meu artigo seja semelhante à do experimento original. Há uma discussão importante se essa repetição atinge os limites da cópia indevida, pois os dados serão originais.

LD – E quando o plágio e outras más condutas na ciência extrapolam o meio acadêmico, envolvendo disputas judiciais e ocupando as manchetes dos jornais? O que esses casos podem nos ensinar?

R – O plágio em si não é crime; porém, quando envolve infração a direito autoral, pode, sim, ser judicializado e é provável que seja também noticiado. Isso nos mostra que as consequências do malfeito podem ser muitas, mas sempre desastrosas para o pesquisador e para a ciência. O pesquisador pode sofrer processo judicial e passar vergonha, especialmente se o caso for divulgado na imprensa. Sem dúvida, haverá um abalo em sua carreira: ele poderá ter seu título de mestre ou doutor cassado, poderá perder o emprego e a bolsa de pesquisa. O ostracismo, para ele, será quase uma sentença. Para a ciência, o plágio e as demais más-condutas também são dramáticos: eles ameaçam a confiança das pessoas no fazer científico. Imagine um teste clínico de uma vacina: se for descoberta fraude no tratamento dos dados, como confiar na eficácia dessa vacina? Já ouvimos um caso em que um campo inteiro deixou deter adesão de pesquisadores por conta de um episódio anterior de fraude. É como se a reputação daquela área ficasse manchada e os pesquisadores se afastassem. E se ninguém se interessa por aquele campo, o conhecimento sobre ele ficará em atraso.


Fonte: https://portal.fiocruz.br/noticia/em-entrevista-autoras-do-livro-plagio-falam-sobre-mas-condutas-no-meio-academico

Anúncios

Desafios da avaliação – Parte 2

Biblioteca Virtual

– Dicionário da Educação

CRIADO EM: 11/06/2006
MODIFICADO EM: 11/06/2006
: AVALIAÇÃO DE CONTEÚDOS

Dimensão Conceitual

A dimensão conceitual do conhecimento implica que a pessoa esteja estabelecendo relações entre fatos para compreendê-los. Os fatos e dados, segundo COLL, C. et al. (2000) estão num extremo de um contínuo de aprendizagem e a retenção da informação simples, a aprendizagem de natureza mnemônica ou “memorística”. São informações curtas sobre os fenômenos da vida, da natureza, da sociedade, que dão uma primeira informação objetiva sobre o que é, quem fez, quando fez, o que foi. Os conceitos estão no outro extremo (desse contínuo da aprendizagem) e envolvem a compreensão e o estabelecimento de relações. Traduzem um entendimento do porquê daquele fenômeno ser assim como é.

As crianças, para aprenderem fatos, apenas os memorizam. Esquecem mais rápido. Para aprenderem conceitos precisam estabelecer conexões mais complexas, de aprendizagem significativa, identificada por autores como os citados acima. Quando elas constroem os conceitos, os fatos vão tomando outras dimensões, informando o conceito. É como se os fatos começassem a ser ordenados, atribuindo sentido ao que se tenta entender.

Como a escola teve, durante muito tempo, a predominância da concepção empirista de ensino como transmissão, a memorização era o referencial mais comum para a avaliação. Nesse sentido, os instrumentos e momentos de avaliação traziam a característica de um espaço em que as pessoas tentavam recuperar um dado de sua memória. Essa atividade, ainda segundo POZO (2000), pode ser feita por evocação (pergunta direta, com resposta certa ou errada) ou por reconhecimento, quando lhe oferecemos pistas e apresentamos alternativas para as respostas. Pode-se levantar a hipótese de que a avaliação foi, durante muito tempo, entendida com a recuperação dos fatos nas memórias. Essa redução do entendimento do que é avaliar vem sendo superada nas reflexões sobre a tipologia dos conteúdos, principalmente ao se diferenciar a aprendizagem e a avaliação de conceitos. A construção conceitual demanda compreensão e estabelecimento de relações, sendo, portanto, mais complexa para ser avaliada.

POZO (2000) e ZABALA (1998) apresentam algumas situações e técnicas que contribuem no levantamento de dados sobre a construção conceitual do aluno. É importante conhecer essa discussão, pois, ao decidir a legitimidade de um instrumento de avaliação, cada escola e cada professor precisam analisar seu alcance. POZO mostra que pedir ao aluno que defina um significado (técnica muito comum nas escolas), nem sempre proporciona boa medida para avaliação. É uma técnica com desvantagens, pois pode induzir a falsos erros e falsos acertos. É uma técnica que exige um critério de correção muito minucioso. Ele ainda propõe que, se a opção for por usar essa técnica, que se valide mais o que o aluno expuser com as próprias palavras do que uma reprodução literal. Se usarmos a técnica de múltipla escolha, o reconhecimento da definição, corre-se o risco de se cair na armadilha da mera reprodução de uma definição previamente estabelecida e mesmo de um conhecimento fragmentário, o que coloca esse tipo de instrumento e questão na condição de insuficiente para conhecer a aprendizagem de conceitos. Outra possibilidade é a da exposição temática na qual o aluno debate sobre um tema incluindo comparações, estabelecendo relações.

É preciso cuidado do professor para analisar se o aluno não está procurando reproduzir termos e idéias de autores e sim usando sua compreensão e sua linguagem. Evidencia-se, com isso, a necessidade de se trabalhar com questões abertas. Outra técnica, – a identificação e categorização de exemplos – por evocação (aberta) ou reconhecimento (fechada), possibilita ao professor conhecer como o aluno está entendendo aquele conceito. Na técnica de reconhecimento o aluno deverá trabalhar, em questão fechada, com a categorização. Pode ser incluída, portanto, num instrumento como a prova objetiva.

Outra possibilidade para avaliar a aprendizagem de conceitos seria a técnica de aplicação à solução de problemas. Deveriam ser situações abertas, nas quais os alunos fariam exposição da compreensão que têm do conceito, tentando responder à situação apresentada. Nesse caso, o instrumento mais adequado seria uma prova operatória. (ver verbete Instrumentos de Avaliação). É importante, no caso da avaliação de conceitos, resgatar sempre os conhecimentos prévios dos alunos, para analisar o que estiver sendo aprendido. Isso implica legitimar a avaliação inicial, o momento inicial da aprendizagem. A avaliação de aprendizagem de conceitos remete o professor, portanto, a instituir também a observação como uma técnica de levantamento de dados sobre a aprendizagem dos alunos, ampliando as informações sobre o que o aluno está sabendo para além dos momentos formais de avaliação, como momentos de provas ou outros instrumentos de verificação.

Dimensão Procedimental

A dimensão procedimental do conhecimento implica no saber fazer. Ex: uma pesquisa tem uma dimensão procedimental. O aluno precisa saber observar, saber ler, saber registrar, saber procurar dados em várias fontes, saber analisar e concluir a partir dos dados levantados. Nesse caso, são procedimentos que precisam ser desenvolvidos. Muitas vezes o aluno está com uma dificuldade procedimental e não conceitual e, dependendo do instrumento usado, o professor não identifica essa dificuldade para então ajudá-lo a superá-la. Por isso é importante diferenciar essas dimensões. Outros exemplos de dimensões procedimentais do conhecimento: saber fazer um gráfico, um cartaz, uma tabela, escrever um texto dissertativo, narrativo. Vale a pena, nesse caso, que o professor acompanhe de perto essa aprendizagem. O melhor instrumento para isso é a observação sistemática – um conjunto de ações que permitem ao professor conhecer até que ponto seus alunos estão sabendo: dialogar, debater, trabalhar em equipe, fazer uma pesquisa bibliográfica, orientar-se no espaço, dentre outras. Devem ser atividades abertas, feitas em aula, para o professor perceber como o aluno transfere o conteúdo para a prática.

Dimensão Atitudinal

A dimensão atitudinal do conhecimento é aquela que indicará os valores em construção. É mais difícil de ser trabalhada porque não se descola da formação mais ampla em outros espaços da sociedade, sendo complexa por seus componentes congnitivos (conhecimentos e crenças), afetivos (sentimentos e preferências) e condutuais (ações e declaração de intenção). Manisfesta-se mais através do comportamento referenciado em crenças e normas. Por isso, precisa ser amplamente entendida à luz dos valores que a escola considera formadores. A aquisição de valores é alcançada através do desenvolvimento de atitudes de acordo com esse sistema de valores. Depende de uma auto-persuasão que está sempre permeada por crenças que sustentam a visão que as pessoas têm delas mesmas e do mundo. E delas mesmas em relação ao mundo. As atitudes e valores envolvem também as normas.

Valores são princípios ou idéias éticas que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e seu sentido. Ex: a solidariedade, a responsabilidade, a liberdade, o respeito aos outros. Atitudes são tendências relativamente estáveis das pessoas para atuarem de certas maneiras: cooperar com o grupo, respeitar o meio ambiente, participar das tarefas escolares, respeitar datas, prazos, horários, combinados. Normas são padrões ou regras de comportamentos que as pessoas devem seguir em determinadas situações sociais. Portanto, são desenvolvidas nas interações, nas relações, nos debates, nos trabalhos em grupos, o que indica uma natureza do planejamento das atividades de sala de aula.

Os melhores instrumentos para se avaliar a aprendizagem de atitudes são a observação e auto-avaliação.

Para uma avaliação completa (envolvendo fatos, conceitos, procedimentos e atitudes), deve-se formalizar sempre o momento da avaliação inicial. Ela é um início de diagnóstico que ajudará aos professores e alunos conhecerem o processo de aprendizagem. O professor deve diversificar os instrumentos para cobrir toda a tipologia dos conhecimentos: provas, trabalhos e observação, para avaliar fatos e conceitos, observação para concluir na avaliação da construção conceitual; observação para avaliar a aprendizagem de procedimentos e atitudes; auto-avaliação para avaliar atitudes e conceitos.

Além disso, deve-se validar o momento de avaliação inicial em todo o processo de aprendizagem, usando a prática de datar o que está sendo registrado e propiciando ao próprio aluno refletir sobre o que ele já sabe acerca de um conteúdo novo quando se começa a estudar seriamente sobre ele.

SUGESTÕES DE AVALIAÇÃO INICIAL / CAMPO ATITUDINAL

Essa sugestão não substitui a avaliação inicial de cada conteúdo que é introduzido, pois, é a partir dela que se pode fazer uma avaliação do que realmente pode ser considerado aprendido.

Como são os alunos individualmente em grupos?
Que grupos sociais representam?
Como se comportam e se vestem?
O que apreciam?
Quais seus interesses?
O que valorizam?
O que fazem quando não estão na escola?
Como suas famílias vivem?
O que suas famílias e vizinhos fazem e o que comemoram?
Como se organiza o espaço que compartilham fora da escola?
Como falam, expressam seus sentimentos, seus valores, sua adesão/rejeição às normas, suas atitudes?

Feito isso, planeja-se como trabalhar as atitudes importantes para a formação dos alunos na adolescência. Para mudança de atitudes é que são feitos os projetos.

· Valores são princípios ou idéias éticas que permitem às pessoas emitir juízo sobre as condutas e seu sentido. Ex: a solidariedade, a responsabilidade, a liberdade, o respeito aos outros…
· Atitudes são tendências relativamente estáveis das pessoas para atuarem de certas maneiras: cooperar com o grupo, respeitar o meio ambiente, participar das tarefas escolares, respeitar datas, prazos, horários, combinados…
· Normas são padrões ou regras de comportamentos que a pessoas devem seguir em determinadas situações sociais.

Orientações para conhecer a aprendizagem de procedimentos

Anotar o que os alunos já sabem em relação às habilidades que a escola valoriza e ensina (e o que ainda não sabem). Levar em conta o que está destacando no Box:

As habilidades implicam “saber fazer”, “colocar em ação”, sendo identificados como conteúdos procedimentais. Esses conteúdos envolvem um conjunto de ações ordenadas com um fim, um objetivo. Por exemplo: ler, desenhar, observar, calcular, classificar, traduzir, recortar, saltar, inferir, propor, envolvendo operações motoras e cognitivas.

Envolvendo também a realização das ações, e exercitação múltipla e a reflexão sobre a ação, a atividade desenvolvida e a aplicação do conhecimento em situações e contextos diferenciados. Possibilitam aos alunos proceder (saber o que fazer) ao longo de uma construção conceitual.

Os professores precisam identificar as inúmeras habilidades que pressupõem estratégias cognitivas para a aprendizagem e torná-las objeto do (re) planejamento e conteúdo do registro na ficha/relatório. Desde que identificadas, os professores podem se organizar para ensinar, ou seja, criar situações orientadas para os alunos desenvolvê-las.

Ex: (baseado em COLL et al., 2000) Habilidades na busca de informação:

· Como e onde está armazenada a informação em relação a uma matéria?
· Como fazer perguntas?
· Como usar uma biblioteca?
· Como usar material de referência?

A cada grupo de habilidades (sociais, habilidades de comunicação, habilidades analíticas, habilidades inventivas ou criativas, habilidades organizativas, habilidades de assimilação e retenção da informação) correspondem as estratégias cognitivas para a aprendizagem. Os professores devem planejar o trabalho com base nessas estratégias cognitivas para a aprendizagem.

Quando uma intenção educativa for o “ posicionamento diante da informação”, os meios para se chegar onde se quer são importantes e precisarão ser ensinados. O planejamento dos professores deve envolver a possibilidade de posicionamento dos alunos.

Orientações para conhecer a aprendizagem de conceitos e fatos

Roteiro do professor: Que conceitos e fatos (próprios da escolaridade) os alunos já desenvolveram?

É preciso definir que fatos e conceitos serão objetos da observação dos professores para planejar a comunidade das aprendizagens. As referências são disciplinares (na perspectiva dos conteúdos curriculares), enquanto as habilidades e valores são transdisciplinares.

Uma boa maneira de avaliar conceitos é propor uma exposição temática escrita, ou realizar um debate, se a intenção for obter o conhececimento oral das idéias. Outra boa alternativa é propor aos alunos situações-problema para resolução. Através de suas respostas, fornecem dados para os professores analisarem como se encontram em relação à construção conceitual. Outro instrumento muito importante na avaliação, seguida de registros do professor sobre como a aprendizagem do conceito é manifestada pelo aluno: nos exercícios em sala, nas questões levantadas, nas dúvidas que persistem, nas interpretações inadequadas, no que parece ainda não saber. Só que a observação inicial; estende-se por todo o processo de aprendizagem e de avaliação, compondo com a avaliação final.

Depois de realizada a avaliação inicial, os professores terão dados para dar continuidade ao trabalho com a Avaliação Formativa: a serviço das aprendizagens.

Fatos ou dados devem ser “aprendidos” de forma reprodutiva: não é necessário compreendê-los. Ex: capitais de um estado ou país, data de acontecimento, tabela de símbolos químicos. Correspondem a uma informação verbal literal como vocabulários, nomes ou informação numérica que não envolvem cálculos, apenas memorização. Para isso se usa a repetição, buscando mesmo a automatização da informação.

Esse processo de repetição não se adequa à construção conceitual. Um aluno aprende, atribui significado, adquire um conceito, quando o explica com suas próprias palavras. É comum o aluno dizer que sabe, mas não sabe explicar. Nesse caso, eles estão num início de processo de compreensão do conceito. Precisam trabalhar mais a situação, o que vai ajudá-los a entender melhor, até saberem explicar com as suas palavras. Esse processo de construção conceitual não é estanque, ele está em permanente movimento entre o conceito espontâneo, construído nas representações sociais e o conceito científico. Dentro dos conceitos científicos, POZO (2000) ainda chama a atenção para a distinção entre os princípios, ou conceitos estruturadores, e os conceitos específicos.

Princípios são conceitos muito gerais, de alto nível de abstração, subjacentes, à organização conceitual de uma área, nem sempre explícitos. Atravessam todos os conteúdos das matérias, devendo ser o objetivo maior da aprendizagem na educação básica. Eles orientam a compreensão de noções básicas. Assim, por exemplo, se a compreensão de conceitos como sociedade e cultura são princípios das áreas de humanas, eles devem referenciar o trabalho nos conceitos específicos. Dentro de um conceito como o de sociedade, outros específicos como o de migração, democracia, crescimento populacional, estariam subjacentes. Portanto, ao definir o que referenciará o trabalho do professor, será muito importante uma revisão conceitual por área de conhecimento e por disciplina. Será preciso esclarecer as características dos fatos e dos conceitos como objetos de conhecimento.


PARA SABER MAIS…

COLL, C.; POZO, J. I.; SARABIA, B; VALLS, E. Os conteúdos na reforma. Porto Alegre: Artmed, 2000.
Os autores discutem a avaliação, o ensino e a aprendizagem de fatos, conceitos, procedimentos e atitudes. Trazem informações minuciosas para a compreensão do que significa aprendizagem e avaliação de fatos, dados e conceitos, fazendo o mesmo em relação à questão dos procedimentos e das atitudes. Possibilitam o aprofundamento da discussão iniciada com esse verbete.

VALLS, Enric. Os procedimentos educacionais: aprendizagem, ensino avaliação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
Traz uma discussão por disciplina, da aprendizagem procedimental e de formas de avaliação.

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ARTMED, 1998.
Trata-se de temas como: seqüências didáticas e de conteúdo, relações interativas na sala de aula, materiais curriculares, a organização social da classe, a organização dos conteúdos e a avaliação. Além disso, discute a função social do ensino e a compreensão sobre os processos de aprendizagem.

 


Fonte: http://crv.educacao.mg.gov.br/

Desafios da avaliação – Parte 1

Biblioteca Virtual

– Dicionário da Educação

CRIADO EM: 11/06/2006
MODIFICADO EM: 11/06/2006
: INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO

As provas objetivas (mais conhecidas como provas de múltipla escolha), as provas abertas / operatórias, observação e auto-avaliação são ferramentas para levantamento de dados sobre o processo de aprendizagem. São materiais preparados pelo professor levando em conta o que se ensina e o que se quer saber sobre a aprendizagem dos alunos. Podem ter diferentes naturezas. Alguns, como as provas, são instrumentos que têm uma intenção de testagem, de verificação, de colocar o aluno em contato com o que ele realmente estiver sabendo. Esses instrumentos podem ser elaborados em dois formatos: um de questões fechadas, de múltipla escolha ou de respostas curtas, identificado como prova objetiva; outro com questões abertas. Ambos são instrumentos que possibilitam tanto a avaliação de aprendizagem de fatos, como de aprendizagem de conceitos, embora, em relação à construção conceitual, o professor precisará inserir também instrumentos de observação.

Outra importante ferramenta é a observação: uma técnica que coloca o professor como pesquisador da sua prática. Toda observação pressupõe registros. É um bom instrumento para avaliar a construção conceitual, o desenvolvimento de procedimentos e as atitudes.

Outro instrumento é a auto-avaliação, que é muito importante no desenvolvimento das habilidades metacognitivas e na avaliação de atitudes.

Pode-se ainda utilizar questionários e entrevistas quando as situações escolares necessitarem de um aprofundamento maior para levantamento de dados.

Provas objetivas

São instrumentos de avaliação formulados com questões de múltipla escolha, normalmente de respostas curtas, para completar ou associar colunas, sempre referenciadas pelos objetivos educacionais. Exigem correta elaboração técnica e são de fácil correção. São rápidas para serem feitas pelos alunos e corrigidas pelo professor. Constituem bons instrumentos para avaliar aprendizagem de fatos e são também auxiliares na avaliação da aprendizagem de conceitos. Não são adequadas para avaliar procedimentos nem atitudes.

Para elaborá-las, o professor deve seguir princípios básicos, conforme os sugeridos pela professora Nelcy Ramos:

1. Considerar os objetivos do curso que será avaliado;
2. Abranger assuntos de real importância e não apenas a memorização de detalhes;
3. Eliminas assuntos controvertidos;
4. Evitar perguntas capciosas (ciladas);
5. Prever somente uma resposta certa, conforme o tipo da questão;
6. Colocar a questão centrada no conteúdo e não na forma de apresentá-la (evitar palavras difíceis, ordem indireta);
7. Construir as questões de modo que possam diferenciar os diversos graus de aprendizagem;
8. Evitar ambigüidade de sentido nas palavras usadas para formular as questões;
9. Evitar o emprego de palavras muito inclusivas como: sempre, todos, nunca, jamais, etc.;
10. Reduzir as negativas. Quando não for possível, deve-se grifar a negativa (geralmente estamos interessados em verificar o que é e não aquilo que não é) e usar não ou exceto com destaque;
11. Excluir dados inúteis para a resposta (evitar “enfeitar” a questão). Quando se tratar de verificar a habilidade de selecionar dados para a resposta, lembrar-se que os dados não usados devem ser pertinentes ou ter relação com o problema;
12. Evitar redações exatamente iguais às dos livros e apostilas, para não favorecer o hábito de “decorar” a matéria.

Os tipos de questões para as provas objetivas

Perguntas de resposta curtas, perguntas de preenchimento de lacunas, questões de associação, questões de escolha de falso ou verdadeiro, alternativas constantes ou escolha dupla, questões de múltipla escolha, questões de comparação quantitativa, alternativas múltiplas, análise de relações, relação de avaliação, compreensão de textos, mapas, figuras, questões de ordenação, etc. Todas têm vantagens e desvantagens e exigem cuidados na elaboração, aplicação e correção.

Exemplo de uma questão de comparação quantitativa:

Ex: No desenvolvimento do mundo moderno há uma relação entre:

1) Avanço da tecnologia;
2) Preservação do meio ambiente.

Responda (ou assinale)

Se 1 é maior que 2.
a) Se 2 é maior que 1.
b) Se 1 e 2 são iguais.
c) Se não é possível estabelecer a relação quantitativa.

As provas objetivas, desde que corretamente elaboradas e aplicadas, são Instrumentos que possibilitam desde a simples memorização até a avaliação de habilidades mais complexas do pensamento, como a generalização, a crítica, a interpretação, a análise, a síntese. O que definirá essa propriedade do instrumento será o objetivo estipulado e o cuidado técnico de sua elaboração. É importante refletir sobre essa assertiva, uma vez que a elaboração das provas objetivas foi modificadas por intenções muito seletivas, o que precisa ser revisto nas escolas. A intencionalidade do instrumento objetivo não pode ser de confundir e sim de lidar com a situação de evocação ou de reconhecimento na situação de avaliação.


PARA SABER MAIS…

RAMOS, Nely. Elaboração de provas objetivas (mimeog)
O texto estará disponibilizado no site do SIAPE, uma vez que se encontra apenas mimeografado. Trata, com clareza, da elaboração de questões para provas objetivas, descrevendo as vantagens e desvantagens de cada tipo.

MELCHIOR, Maria Celina. Avaliação Pedagógica: função e necessidade. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1994. (Séries Novas Perspectivas)
A autora coloca exemplos de teses, tipos de provas e orienta sobre elaboração e correções.


Fonte: http://crv.educacao.mg.gov.br/

Ensino, avaliação e aprendizagem – Parte 4

Resumo comparativo das principais Teorias de Aprendizagem: Behaviorismo, Cognitivismo e Construtivismo

Behaviorismo Cognitivismo Constructivismo
Bases principais Baseado em mudanças de comportamento.

Dá ênfase a mudanças de comportamento que de tão repetidamente ensaiadas se tornam automáticas.

Baseado no processo de pensamento de acordo com o comportamento. São observadas mudanças no comportamento, mas só como um indicador para o essencial da aprendizagem do aluno. Baseado na premissa que todos nós construímos a nossa própria perspectiva do mundo, em experiências individuais e “Schema” (1). Concentra-se na preparação do aluno para a resolução de problemas em situações ambíguas.
Formas de processar a aprendizagem O aluno adapta o comportamento a contingências de eventos e de objectivos.

Aprender é um fortalecimento gradual da relação instruída entre sugestão e comportamento, dirigido por um padrão de consequências (reforço). Com bastante prática, a ligação fica tão forte que o tempo entre sugestão e comportamento se esbate.

Todos nós temos uma história de reforço. Que é a soma de todas as nossas experiências passadas, com todas as ligações entre sugestões, comportamentos, e consequências.

Estes influenciam o que é provável que o aluno faça quando encontra um padrão de pistas observado antes.

O aluno fica em condições de praticar um comportamento novo, baseado em sugestões ” novas “, até que esse comportamento se torna automático.

São cuidadosamente estudadas as mudanças de comportamento, mas como indicadores para o que está a constituir-se como a aprendizagem do aluno.

O aluno reflecte a realidade objectiva, usando a realidade externa como um modelo mental.

O aluno processa símbolos e o significado dos símbolos. Ele pode distinguir entre o conhecimento de conceitos e o conhecimento dos passos processuais que envolveram esses conceitos.

O conhecimento é organizado no Schema (1) de dada um.

Primeiro há uma regra. Em seguida há uma acção.

Há uma ligação entre sugestões e comportamento, mas o comportamento é um indicador indirecto do estado da estrutura de conhecimento do aluno.

Este tipo de conhecimento sobre pensar e aprender, determina as estratégias a usar pelo aluno para a resolução de problemas.

O aluno interpreta a realidade externa com base na sua experiência individual.

A realidade é interiormente controlada. Isso dá ao aluno o controlo do que aprende e da forma como aprende.

A interpretação da realidade objectiva é feita por cada um, com base no seu próprio Schema (1).

Diferenças de base A instrução visa condicionar o comportamento do aluno.

O formador promove as mudanças de comportamento usando o reforço selectivo.

As realidades dos alunos são convergentes. Quer dizer, as suas várias realidades tendem a convergir para uma única realidade.

A aprendizagem está baseada naquela realidade.

A aprendizagem concentra-se na transmissão do processo de pensamento do estudante.

O formador manipula o processo de pensamento do aluno provendo um modelo mental que o aluno tem que seguir.

As realidades dos alunos são convergentes.

A aprendizagem promove a construção mental da realidade do aluno.

O formador facilita a modelação conceptual do aluno. O formador leva em linha de conta que o aluno “funciona” em estruturas cognitivas diversas, e fornece-lhe actividades de aprendizagem apropriadas, que ajudarão o aluno a construir o seu próprio conhecimento.

Usa múltiplos contextos, estratégias, e métodos de aprendizagem. Promove um conjunto diferenciado de ambientes de modo a permitir ao aluno raciocinar em moldes também diferenciados.

O resultado será um aluno que melhor preparado para controlar situações diferentes.

As realidades dos alunos são divergentes. Os alunos são encorajados a desenvolver realidades diferentes.

Dificuldades e forças da teoria O aluno poderá ser confrontado com situações a que precisa de dar resposta, mas as sugestões ” mentais ” que aprendeu poderão não dar resposta a essas situações.

O aluno concentra-se numa meta clara, e o seu comportamento responde automaticamente às sugestões daquela meta

O aluno aprende um modo para fazer as coisas, que poderá não ser, necessariamente, o melhor modo para as fazer.

A meta é treinar os alunos para fazerem algo, todos do mesmo modo. Como resultado, o comportamento deles será entre si consistente

Numa situação onde os alunos são treinados para pensar e responder exactamente da mesma maneira, é bastante produtivo conseguir abarcar diferentes realidades.

Dado que o aluno é treinado para interpretar realidades múltiplas, também fica melhor preparado para lidar com situações diversas da vida real.

O desenho do projecto Administra uma análise de tarefa.

Usa a informação da análise de tarefa para determinar as mudanças de comportamento necessárias para a gestão da tarefa.

A partir daí determina os objectivos para o aluno alcançar essas metas. Essas metas devem ser predeterminadas.

Prescreve pois uma sucessão de eventos para alcançar as metas. Dado que o aluno reage a sugestões mentais, essas sugestões terão que ser previstas e consideradas nas tarefas de aprendizagem, bem como a forma da sua sequência.

Esta sequência determinará o padrão de sugestões capaz de levar à resposta automática do aluno.

A avaliação deve ser fundamentada em critérios. Devem ser avaliados todos os alunos envolvidos através da predeterminação de critérios.

A instrução deve ser programada e controlada com uma única perspectiva. Esta perspectiva deverá estar baseado nas sugestões de comportamento envolvidas.

Administra uma análise de tarefa (CTA de tarefa cognitivo) para determinar a melhor sucessão de operações mentais.

Usa problemas complexos com metas bem definidas, bem como objectivos de desempenho básicos para as metas que se deseja alcançar.

Prescreve uma sucessão de actividades de aprendizagem que permitirão aos alunos alcançar as referidas metas.

A avaliação é baseada em critérios.

O estudante é dirigido pelos objectivos.

A instrução serve-se de simulações para reflectir as situações da vida real

Analise as ferramentas a ser usadas pelo aluno e o ambiente nos quais ele os usa.

Os objectivos da aprendizagem são negociados com o aluno.

Ele incorpora este conhecimento novo no seu Schema mental. A partir daí, ele ajusta a sua compreensão da realidade para fazer encaixar o novo conhecimento. Como resultado, o seu Schema mental passa a incorporar a nova realidade.

Os alunos têm que fazer duas perguntas a si próprios:

– O que é que eu preciso de saber?

– O que fazer para consegui-lo?

Avaliação está baseado no desempenho do aluno – avaliação e auto-avaliação.

A resposta a problemas deve ser feita em contextos reais.

Pode recorrer-se à narração como forma de aprendizagem ancorada, embutindo todas as respostas para as diversas questões, na própria narrativa.

O perfil do aluno O aluno é um participante passivo no processo de aprendizagem.

O aluno adapta o comportamento dele a contingências de eventos e a objectivos.

O aluno adopta as representações mentais de eventos e objectos.

Ele é passivo nesta interpretação de realidade, que é imposta e social e universalmente aceite. Mas é parte activa na decisão de adoptar novas formas de comportamento.

Com as novas práticas de comportamento o aluno absorve mentalmente novos conceitos e aprendizagens, e adapta-se a responder a novas sugestões mentais.

O aluno é mais activo, enquanto ser em constante construção e reestruturação do seu Schema, que tem que adaptar a novas realidades.

O aluno produz a sua própria concepção de eventos e objectos.

O seu comportamento adapta-se automaticamente para um novo e reestruturado Schema mental.

(1) Schema – uma estrutura de conhecimento interna. Cada pessoa ajusta o seu modelo mental para incorporar experiências novas e tornar compreensível essa nova informação. O Schema de cada pessoa está em constante reajustamento.

JAMA

21Jul04


Fonte: http://www.prof2000.pt/users/toalves/modulo1_actividade7_teorias_de_aprendizagem_analise_comparativa.htm

Ensino, avaliação e aprendizagem – Parte 3

TEORIAS DA APRENDIZAGEM
Ana Lúcia Portella Staub

ENFOQUES TEÓRICOS À APRENDIZAGEM E AO ENSINO

O ensino visa aprendizagem. Schimitz a descreve como sendo “um processo de aquisição e assimilação, mais ou menos consciente, de novos padrões e novas formas de perceber, ser, pensar e agir”. Alguns preferem definir aprendizagem como sendo a aquisição de novos comportamentos. Existem hoje muitas teorias sobre a aprendizagem.

Uma teoria é uma tentativa humana de sistematizar uma área de conhecimento, uma maneira particular de ver as coisas, de resolver problemas. Uma teoria de aprendizagem é, então, uma construção humana para interpretar sistematicamente a área de conhecimento que chamamos aprendizagem (Moreira, 1999). O conceito de aprendizagem tem vários significados não compartilhados. Algumas definições incluem: condicionamento, aquisição de informação, mudança comportamental, uso do conhecimento na resolução de problemas, construção de novos significados e estruturas cognitivas e revisão de modelos mentais. Estes conceitos de aprendizagem e ensino são expressos em três principais enfoques teóricos: Comportamentalista, Cognitivista e Humanista.

A familiarização com as principais teorias de aprendizagem, salientando principalmente a influência das mesmas no processo ensino-aprendizagem, pode auxiliar na compreensão das causas das dificuldades reveladas pelos alunos, identificando os fatores que para elas contribuem. Além disso, um melhor entendimento das teorias de aprendizagem pode contribuir com uma formação mais adequada de todos aqueles que participam do sistema educacional. É importante compreender o modo como as pessoas aprendem e as condições necessárias para a aprendizagem, bem como identificar o papel do professor nesse processo. Estas teorias são importantes porque possibilita a este mestre adquirir conhecimentos, atitudes e habilidades que lhe permitirão alcançar melhor os objetivos do ensino.

Na aprendizagem escolar, existem os seguintes elementos centrais para que o desenvolvimento escolar ocorra com sucesso: o aluno, o professor e a situação de aprendizagem. As teorias de aprendizagem buscam reconhecer a dinâmica envolvida nos atos de ensinar e aprender, partindo do reconhecimento da evolução cognitiva do homem, e tentam explicar a relação entre o conhecimento pré-existente e o novo conhecimento. A aprendizagem não seria apenas inteligência e construção de conhecimento, mas, basicamente, identificação pessoal e relação através da interação entre as pessoas.

ENFOQUE COMPORTAMENTALISTA – Jonh B. Watson (1878-1958) cunhou o termo behaviorimo para deixar claro que sua preocupação era com os aspectos observáveis do comportamento. O behaviorismo supõe que o comportamento inclui respostas que podem ser observadas e relacionadas com eventos que as precedem (estímulos) e as sucedem (conseqüências). São também chamadas teorias estímulo-resposta. Watson, Pavlov, Guthrie, Skinner e Thorndike, são os autores que mais se destacaram nesta linha de pensamento. O enfoque comportamentalista:

  • Provê uma base para o estudo de manifestações que produzem mudanças comportamentais;
  • Aprendiz é o ser que responde a estímulos fornecidos pelo ambiente externo;
  • Limita-se ao estudo de comportamentos manifestos e mensuráveis controlados por suas conseqüências;
  • Não considera o que ocorre dentro da mente do indivíduo durante o processo de aprendizagem;
  • Aprendiz é visto como objeto.

ENFOQUE COGNITIVISTA – As teorias cognitivas tratam da cognição, de como o indivíduo “conhece”; processa a informação, compreende e dá significados a ela. Dentre as teorias cognitivas de aprendizagem mais antigas, destacam-se a de Tolman, a da Gestalt e a de Lewin. As mais recentes e de bastante influência no processo instrucional são as de Bruner, Piaget, Vygotsky e Ausubel. O enfoque cognitivista:

  • Encara a aprendizagem como um processo de armazenamento de informações;
  • Auxilia na organização do conteúdo e de suas idéias a respeito de um assunto, em uma área particular de conhecimento;
  • Busca definir e descrever como os indivíduos percebem, direcionam a atenção, coordenam as suas interações com o ambiente;
  • Como aprendem, compreendem e reutilizam informações integradas em suas memórias a longo prazo;
  • Como os indivíduos efetuam a transferência dos conhecimentos adquiridos de um contexto para o outro;
  • Para Vygotsky (1896-1934), o desenvolvimento cognitivo é produzido pelo processo de interiorização da interação social com materiais fornecidos pela cultura. As potencialidades do indivíduo devem ser levadas em conta durante o processo de ensino-aprendizagem;
  • O sujeito é não apenas ativo, mas interativo, pois forma conhecimentos e constitui-se a partir de relações intra e interpessoais;
  • Para Piaget (1981), a construção do conhecimento se dá através da interação da experiência sensorial e da razão;
  • A interação com o meio (pessoas e objetos) são necessários para o desenvolvimento do indivíduo;
  • Enfatiza o processo de cognição à medida que o ser se situa no mundo e atribui significados à realidade em que se encontra;
  • Preocupa-se com o processo de compreensão, transformação, armazenamento e uso da informação envolvida na cognição.

ENFOQUE HUMANÍSTICO – A idéia que norteia esta teoria está baseada no princípio do ensino centrado no aluno. Este possui liberdade para aprender, e o crescimento pessoal é valorizado. O pensamento, sentimentos e ações estão integrados. O autor humanista mais conhecido é Rogers. A teoria humanista:

  • Vê o ser que aprende primordialmente como pessoa;
  • Valoriza a auto-realização e o crescimento pessoal;
  • Vê o indivíduo como fonte de seus atos e livre para fazer escolhas;
  • A aprendizagem não se limita a um aumento de conhecimentos, ela influi nas escolhas e atitudes do aprendiz;
  • O aprendiz é visto como sujeito, e a auto-realização é enfatizada.

DISCUSSÃO

O processo civilizatório e de humanização está em contínuo movimento, daí por que, de tempos em tempos, surgem novas idéias, novos conceitos que, não apenas representam esse movimento, mas também servem para impulsioná-lo. O ensino, que recebe a responsabilidade social de promover a formação para a cidadania dos membros da sociedade, defronta-se com a necessidade de promover sua própria reorganização. Por outro lado, os educadores também vêem a necessidade de superar a fragmentação do ensino, e buscar uma atuação mais humana. Dentro deste contexto agradeço a oportunidade de ter cursado a disciplina de prática educativa, que contando com o brilhantismo de seus organizadores, disponibilizaram momentos de reflexão acerca do papel de cada um de nós na (re)organização do ensino e a forma de praticá-lo.

Devo concordar com Moreira (1999) que as teorias de Ausubel, Novak e Gowin que propõe uma relação triádica entre aluno, materiais educativos e professor com objetivo de compartilhar significados, é um referencial para o dia-a-dia da sala de aula.

Referências Bibliográficas

– Zoboli, Graziela. Práticas de ensino. Ed Ática, 1991
– Gauthier, Chermont. Por uma teoria de pedagogia. Ed. Unijuí, 1998.
– Elkind, David- Crianças e adolescentes- ensaios interpretativos sobre Jean Piaget. Rio de Janeiro, Zahar, 1972.
– Moura, A. M.; Mohlecke, A. M. P. Q – As teorias de aprendizagem e os recursos da internet auxiliando o professor na construção do conhecimento. http://www.uel.br/seed/nte/as_teorias_de_aprendizagem_e_a_internet.htm
– Lück, Heloisa – Pedagogia interdisciplinar – Fundamentos teóricos- metodológicos. Ed. Vozes, 1999.


Fonte: http://pedagogiadidatica.blogspot.com.br/2008/11/teorias-da- aprendizagem.html

A didática no Ensino Superior – Parte 3

VIDA E OBRA DE COMÊNIO
João Amos Komensky, que se tornou mais conhecido pelo seu nome latinizado Comenius – que abrasileiramos em Comênio – nasceu em 1592, em Niwnitz, na Moravia. (Clique aqui para ver o mapa!)

 

1604 – Com a morte dos pais, passou aos cuidados de uma tia paterna e entrou na escola Unitas Fratrum.

Aos 18 anos entrou na Academia de Nassau, em Herbon.

1614 – Depois de passar um ano em Heidelberg, aos 22 anos, Comênio voltou à terra natal. Mas, não podia ordenar-se sacerdote antes dos 24 anos, ocupou o posto de professor na escola Irmandade Moravia, em Prerau.

1616 – Publicou seu primeiro livro: Gramatica facilioris preacepta (Preceitos para uma gramática facilmente ensinada)

1618 – Foi chamado para ser pastor de Fulneck no mesmo ano em que eclodiu a Guerra dos Trinta Anos. A partir de então, os anos que seguiam foram cheios de problemas, tanto para ele quanto para a Igreja à qual pertencia.

A Guerra dos Trinta Anos foi muito desfavorável para os protestantes, sobretudo na Boêmia. O imperador católico Fernando reprimiu duramente o protestantismo e as escolas de todos os grupos dissidentes na Áustria, Boêmia e Moravia, foram desenvolvidas às autoridades católicas, que começaram, sobretudo sob direção dos jesuítas, uma vigorosa campanha de recatolização forçada.

1628 – Comênio e a Irmandade foram levados a um exílio perpétuo na Polônia, onde passou os 14 anos seguintes. No entanto, apesar das adversidades, ele nunca abandonou inteiramente seus estudos educacionais. Na Polônia, viu-se obrigado a se dedicar ao ensino e, enquanto organizava o ginásio de Lissa, teve a oportunidade de colocar em prática suas idéias.

1630 – Conclui a redação de sua Didática Tcheca, iniciada em 1627.

1631 – Publicou em Leszno Janua Linguarum Reserata (Porta Aberta das Línguas). Tratava-se de uma enciclopédia simplificada sobre uma ampla variedade de temas – ao todo 98 – começando pela origem da Terra e, terminando com uma seção sobre os anjos.

1632 – Comênio foi eleito bispo da Unidade dos Irmãos; a partir de 1636, reitor das escolas dos Irmãos em Leszno.

1638 – Conclui a Didática Magna (tradução latina da Didática Tcheca).

1641 a 1650 – fez viagens com a finalidade de implantar reformas educacionais – Inglaterra, Holanda, Suécia, Hungria.

1654 – Retorno a Leszno.

1656 – Católicos incendeiam Leszno e Comênio perde seus pertences, inclusive sua biblioteca. Vai, então, para Amsterdã onde continua escrevendo livros importantes.

1658 – Publicou Orbis sensualium pictus (“O mundo em imagens”). Trata-se do primeiro texto ilustrado que aparece na Historia da Pedagogia.

1670 – 15 de novembro – morreu em Amsterdã aos 78 anos.


Fonte:
NARADOWSKI, Mariano. Comenius & a Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.


CONTEXTO HISTÓRICO DA CONSTITUIÇÃO DA DIDÁTICA COMENINA


A constituição da didática comeniana como uma expressão pedagógica da transição da Idade Média à Idade Moderna fundamenta-se, em ambos os períodos, ao mesmo tempo, traduzindo o término de um e o início de outro. Para sermos mais precisos, representa aquele momento especifico em que o velho modo de ensinar se passa ao novo. Não significa, todavia, que Comênio deixe o velho e se utilize somente do novo, mas que na essência constitutiva de sua arte de ensinar há princípios de um e de outro concomitante. Assim, a concepção de homem, por exemplo, subjacente à sua educação se traduz na idéia de um ser criado à imagem e semelhança de Deus e dependente dele, mais igualmente como ser que busca construir a si mesmo, pelo seu trabalho, sem dependência direta de Deus. Da mesma forma os princípios gerais da didática exprimem o espírito conservador e renovador do momento, ou seja, enquanto por um lado, na exposição docente do conteúdo, na passividade do aluno a quem cabe apenas ouvir, destaca-se, por outra parte, como nova forma de ensino, a imitação da natureza, a observação e experimentação, os processos das artes mecânicas, os métodos da nova forma de trabalho e da ciência.

Ainda que a didática de Comênio traga elementos de ambas as fases, os mais decisivos se encontram, sem dúvida, no período que está nascendo. O ponto de partida são os religiosos e o medievo, mas o desenvolvimento e a concretização ordenam-se pelos princípios prospectivos da nova sociedade. Há um movimento nítido em seu pensamento que vai do velho ao novo mundo, do religioso ao laico, do pequeno ao grande, do ensino à educação, do nacional ao internacional, numa evolução gradativa que apreende aquele precioso momento da passagem de uma fase histórica à outra e o traduz para uma nova forma de ensinar. Essa direção contudo, não é linear, mas um misto de idas e vindas e dependências recíprocas.


Fonte:
GASPARIN, João Luiz. Comênio ou da arte de ensinar tudo a todos. Campinas: Papirus, 1994. p. 41-42.


Fonte: http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo7/didatica/unidade1/enfoque2_comenio/vida_obra_comenio.htm

Projetos educacionais: material complementar – Parte 9

Invertendo a sala de aula invertida

por Mariana Fonseca e Patrícia Gomes 14 de agosto de 2013

Desde que Salman Khan colocou suas videoaulas pelo YouTube e se tornou um professor assistido mais de 280 milhões de vezes, a metodologia da sala de aula invertida tem se tornado cada vez mais popular. Afinal, podia ser uma boa ideia oferecer aos alunos recursos para que tivessem contato com a teoria primeiro, de casa, e deixar para a escola os momentos de discussão e de aprendizado mais profundo. Uma pesquisa realizada na Faculdade de Educação de Stanford, no entanto, mostra que a experiência educativa pode ser muito mais efetiva se, em vez de aprender de casa, o primeiro contato com determinada disciplina pode ocorrer a partir de atividades práticas, com experiência e investigação. É a reinversão da sala de aula invertida – ou, em inglês, “flip the flipped classroom”.

“Quando se tem uma intuição na educação, é preciso fazer uma pesquisa antes de defendê-la. Foi isso que fizemos com a sala de aula invertida. Ela é uma boa ideia, mas com mais uma inversão no início do processo, ela pode ficar melhor”, disse hoje o brasileiro Paulo Blikstein, professor assistente de Stanford, durante o seminário Estratégias para superar as desigualdades educacionais brasileiras, promovido pela Fundação Lemann. Blikstein é um dos responsáveis pela pesquisa, junto de seu aluno de doutorado Bertrand Schneider.

O recém-lançado estudo Preparing for Future Learning with a Tangible User Interface: The Case of Neuroscience (Preparando-se para a aprendizagem futura com uma interface tangível para o usuário: O caso da neurociência, em livre tradução) mostra que o aprendizado iniciado com a prática pode ser 25% maior do aquele que começa com conceitos abstratos.

Participaram do estudo 28 alunos de graduação, nenhum dos quais tinha tido aula de neurociência anteriormente. Eles foram divididos em dois grupos: metade foi submetido à metodologia da sala de aula invertida e metade ao método que reinverte a sala de aula. No início, todos fizeram um teste sobre conhecimentos de neurociência. Na sequência, o primeiro grupo leu sobre o assunto, enquanto o segundo teve contato com uma ferramenta digital interativa chamada Brain Explorer, que mostra como o cérebro humano processa imagens. No fim dessa etapa, os alunos fizeram uma prova e os que tiveram acesso à atividade exploratória obtiveram nota 30% superior à dos colegas que leram sobre o assunto.

Os grupos, então, trocaram de atividade. Os que tinham lido puderam manipular o Brain Explorer e os que haviam trabalhado com a ferramenta foram ler sobre o assunto. Quando um novo teste foi aplicado, o grupo que tinha sido introduzido ao assunto com uma proposta “mão na massa” voltou a ter nota maior, dessa vez 25% superior do que os outros colegas. Para tirar a prova dos nove, os pesquisadores fizeram todo o experimento novamente usando videoaulas em vez de textos e o resultado foi similar.

De acordo com Blikstein, o estudo não testou grupos de idades diferentes e em assuntos variados. No entanto, ao considerar experimentações semelhantes que chegaram à conclusão parecida, a pesquisa mostra um “forte indício” de que a prática antes da teoria tem um efeito melhor no aprendizado. “O que defendemos é a difusão do aprendizado por projeto, a oportunidade de aprender com mão na massa, de explorar um problema”, afirma o brasileiro, que comanda os FabLabs, um programa que leva laboratórios de ciência de ponta a escolas e permite que os alunos aprendam fazendo as mais diferentes disciplinas – o chamado aprendizado baseado em projeto. “Nós estamos mostrando que experiência, investigação e resolução de problemas não são apenas ‘coisas legais’ de se ter em sala de aula. São mecanismos de aprendizado poderosos que melhoram a performance dos alunos todas as vezes que medimos”, afirmou ele.

Em um editorial assinado no The Stanford Daily, Blikstein e outros dois colegas de pesquisa, Bertrand Schneider e Roy Pea, defendem que o uso de tecnologias educacionais ajuda a oferecer melhores oportunidades de aprendizado aos alunos. “Esses resultados invertem o modelo de sala de aula invertida. Eles sugerem que os estudantes estão mais bem preparados para entender e apreciar a elegância de uma teoria ou de um princípio quando exploram inicialmente a questão por eles mesmos. Novas tecnologias, particularmente ferramentas e interfaces tangíveis, servem bem a esse propósito”, disseram.

No texto, o trio defende a sala de aula invertida, mas faz um alerta: é preciso atentar para a forma como ela é usada. “Com esse estudo, estamos mostrando que a pesquisa em educação é importante porque, às vezes, nossas intuições sobre ‘o que funciona’ estão erradas. A sala de aula invertida vai na direção certa: precisamos de menos aulas expositivas e mais experiências práticas. No entanto, ao não prestar atenção a pesquisas, estamos usando o que é uma boa ideia de um jeito errado.” E concluem com uma alfinetada: “pesquisa em educação é vital para melhorar nossas escolas. Intuição é bom, mas ciência é melhor”.


Fonte: http://porvir.org/invertendo-sala-de-aula-invertida/

Paulo Freire, o patrono do fracasso educacional brasileiro

Paulo Freire, o patrono do fracasso educacional brasileiro
Rogério Marinho 04/11/2017

Infelizmente, segundo numerosas pesquisas nacionais e internacionais, o sistema de ensino brasileiro é um dos mais ineficientes do planeta. Crianças e adolescentes sabem muito pouco do que deveriam saber: dominam precariamente a língua portuguesa e não possuem habilidades básicas em matemática. A falta de aprendizado é o nosso maior obstáculo educacional. Tal precariedade é resistente e subsiste à revelia das questões fiscais e de investimento público. É um ensino ruim quando o dinheiro é farto ou escasso.

As raízes da precariedade do ensino brasileiro podem ser encontradas na formação de nossos professores. Há muito, cursos universitários, públicos e privados, foram invadidos pela demagogia política mais abjeta. De fato, o ensino pedagógico de nível superior furtou-se a ensinar aos jovens mestres técnicas de aulas, metodologias baseadas em evidências científicas e conhecimento de como as pessoas aprendem. Ademais, há professores que também não dominam os conteúdos de suas próprias disciplinas.

O estudante de pedagogia forma-se sem conhecer os elementos fundantes de sua futura profissão e muitos sequer desfrutam de estágios profissionais sérios e sistemáticos. No Brasil, abandonou-se a pedagogia em prol de discursos políticos e formação de militantes. O maior símbolo desse tipo de educação é o famoso, muito comentado e pouco lido, Paulo Freire.

O tema não é novo. Desde que estreou no cenário público e político, Paulo Freire causou polêmicas e motivou inúmeros intelectuais brasileiros a denunciar suas artimanhas revolucionárias. Em setembro de 1963, por exemplo, o jornal Estado de São Paulo endossou a análise demolidora de Dulce Salles Cunha Braga, na época vereadora em São Paulo, sobre o “método de alfabetização” do intelectual comunista: “esse método, em si, apresenta sérias lacunas, sendo passível de críticas fundamentais no que se refere à sua oportunidade e eficiência. O mais grave, porém é que segundo depoimentos de pessoas de ilibada idoneidade, o método em causa tem sido veículo de doutrinação marxista, sob pretexto de alfabetização.” A professora Dulce foi a primeira senadora paulista, vereadora por três vezes e deputada estadual também por três vezes.

A Pedagogia do Oprimido, livro mais famoso de Paulo Freire, é obra recheada de elogios a Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tsé-Tung, Lenin e às revoluções comunistas. Freire ignora o sangue de inocentes derramado por esses tiranos e assassinos, responsáveis por genocídios covardes e produz um panfleto socialista com quase nada de pedagogia. Seu objetivo, coberto por um manto de palavras confusas e desconexas, é estabelecer as bases de uma revolução socialista no Brasil por meio da subversão cultural de estudantes em prol do velho e refutado materialismo marxista.

Prega em seu livro sinuoso a revolta dos alunos diante da autoridade do professor e da família. O patrono da educação brasileira esforçasse-se, utilizando uma linguagem tosca e truncada, em demonizar a família e a autoridade paterna: “as relações pais-filhos, nos lares, refletem, de modo geral, as condições objetivo-culturais da totalidade de que participam. E, se estas são condições autoritárias, rígidas, dominadoras, penetram nos lares que incrementam o clima da opressão”. Tudo para ele é opressão, exploração e domínio.

De 1989 a 1991, Freire teve a oportunidade de pôr em prática suas ideias copiadas da tradição teórica marxista. Foi secretário de educação de São Paulo na gestão de Luiza Erundina. O legado do idolatrado militante foi a promoção automática dos estudantes. Freire considerava a autoridade do professor em avaliar os alunos como algo opressor. A libertação é promover estudantes mesmo que não tenham aprendido a contento o conteúdo programado. É a perpetuação da falta de qualidade do ensino.

Precisamos urgentemente promover uma profunda revisão na formação de nossos professores. Jamais poderemos superar nossas dificuldades sem introduzir no ensino superior pedagogias realmente científicas e calcadas em evidências empíricas. Não podemos continuar apenas com a politização canhota e que tanto mal faz ao ensino nacional. Precisamos de mais ciência e menos ideologia barata e mistificadora.


Fonte: http://www.ilisp.org/artigos/paulo-freire-o-patrono-do-fracasso-educacional-brasileiro/

Projeto de lei 7.180/2014 – Escola sem partido

Repasso a quem interessar possa, em especial professores, para acompanhamento, votação e inteiro teor.

Projeto de lei 7.180/2014
Proposta de inclusão do parágrafo abaixo na Lei de Diretrizes e Base:

XIII – respeito às convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis, tendo os valores de ordem familiar precedência sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa, vedada a transversalidade ou técnicas subliminares no ensino desses temas.” (AC)

À época desta postagem, poucos dias após as novas eleições presidenciais, o tema está para ser discutido e analisado mais uma vez na câmara de deputados, com possibilidade de votação ainda este ano.

Disponível em:

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=606722

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/564891-ADIADA-VOTACAO-DO-PROJETO-DA-ESCOLA-SEM-PARTIDO.html

Etapas de um projeto – Parte 2

Aprendizado baseado em projetos visa preparar melhor alunos para o século 21; conheça as características da metodologia

por Patrícia Gomes 22 de janeiro de 2013

Bastam dois dedos de conversa com pessoas interessadas em inovações educacionais ou poucas horas em um evento que reúna professores interessados em tendências e lá vai estar ele. Pode ser que seja entre professores de educação infantil discutindo as descobertas das crianças em seu último trabalho ou entre docentes da área médica mostrando os resultados dos seus alunos. De uma ponta à outra, ele tem aparecido cada vez com mais frequência e em mais formas diferentes. Adivinhou? Sim, é o aprendizado baseado em projetos – o project-based learning, ou simplesmente PBL.

Não há uma data exata em que a metodologia tenha começado a ser usada, diz Jennifer Klein, consultora em educação global que capacita professores a usarem a aprendizagem baseada em projetos. Mas, segundo a especialista, na década de 70 ou 80, mesmo sem ter sido assim batizada, muitas escolas já se utilizavam da lógica para educar crianças e jovens. Muito do que hoje se faz, inclusive, se apoia no pensamento do brasileiro Paulo Freire, ferrenho defensor de que os alunos deveriam construir seu próprio conhecimento.

E o que está por trás do conceito é simples: em vez de serem estimulados por aulas tradicionais, os estudantes devem buscar respostas a questões complexas, muitas vezes multidisciplinares, e devem apresentar um produto final como resultado de suas pesquisas. Nesse meio tempo, enquanto planejam, organizam e executam o projeto, eles se deparam, na prática, com situações em que precisam trabalhar harmonicamente em grupo, lidar com opiniões diferentes, comunicar aquilo que estão pensando, defender seu ponto de vista e criticar os que não consideram ser adequados. Tal qual na vida.

“Essa metodologia está se tornando muito popular. Parte disso é devido às facilidades que a tecnologia trouxe. Mas só parte. A questão é que, com essas avaliações padronizadas, estamos matando o amor que as crianças têm por aprender. A aprendizagem baseada em projetos é uma resposta a isso”, diz Klein, citando o próprio exemplo. Muito antes de a tecnologia estar disponível como está hoje, ainda como aluna, a educadora teve a oportunidade de estudar numa escola em que os próprios alunos organizavam viagens de aprendizado. Nessas ocasiões, eles aprendiam não só biologia, matemática e ciências, mas também organização de projetos, trabalho em grupo e orçamento.

Hoje, com a disseminação de práticas pela internet e a facilidade de trocar informação, claro, essa abordagem tem sido facilitada. Outro exemplo que a educadora dá é de uma escola americana que pediu que os alunos desenvolvessem asas capazes de voar. No início do projeto, o professor falou para os jovens: “Em 24 de março, vocês vão estar na frente dos seus colegas, pais e uma banca de engenheiros. Vão dizer: ‘Esse é o nosso design de asa, esse é o que a gente recomenda e essa é a razão’. Vocês vão ter dados, gráficos, uma apresentação e regras”. Veja vídeo, em inglês, que mostra os professores combinando como será a avaliação do projeto.

Os alunos precisaram estudar matemática, física e bases de engenharia para as asas funcionarem. E funcionaram. Ao fim, um dos jovens que participou do projeto falou: “É muito melhor fazer uma coisa sua. Se o professor te diz como fazer, você pode se lembrar disso depois de duas semanas. Se você descobre como fazer, você vai se lembrar disso a vida toda”, afirmou o rapaz. Para Klein, essa é a essência do aprendizado baseado em projetos.

Ainda de acordo com a especialista, é possível trabalhar com essa abordagem em qualquer disciplina e em qualquer idade, mas o trabalho é muito maior quando vários professores estão envolvidos em um mesmo projeto. Para quem está interessado em começar, o Buck Institute for Education, uma associação norte-americana especializada em disseminar práticas desse tipo de aprendizagem, fez um diagrama explicando os pré-requisitos para um bom programa de aprendizagem baseada em projeto. Conheça os oito os pontos principais.

Ter conteúdo relevante. O objetivo da abordagem é trabalhar os conceitos-chave das disciplinas acadêmicas a partir de um projeto.

Desenvolver habilidades para o século 21. Ao longo do projeto, os alunos deverão buscar uma resposta a um problema. Para isso, eles deverão buscar referências em diferentes fontes de informação, precisarão de pensamento crítico, habilidade de resolução de problemas, colaboração e várias formas de comunicação – habilidades mais refinadas que a simples memorização.

Ter espírito de exploração. Isso faz parte do processo de aprender e criar algo novo com curiosidade e motivação.

Organizar-se em torno de questões abertas. Aqui o foco está em estimular o aprendizado mais aprofundado, debates, desafios e problemas.

Criar a necessidade de saber. O fato de ter que apresentar um produto ao fim de um período serve também para criar a expectativa de aplicar o que se está aprendendo e fazer com que os alunos criem laços com seu trabalho.

Dar oportunidade de voz e escolha. Os alunos aprendem a trabalhar independentemente e assumir riscos quando eles são instados a fazer escolhas e mostrar sua voz. Isso faz com que aumente também o engajamento dos estudantes.

Incluir processos de revisão e reflexão. Os estudantes aprendem a dar e receber feedback para melhorar a qualidade do produto no qual estão trabalhando.

Apresentar para o público. Ao mostrar o produto de seu esforço para outras pessoas, pessoalmente ou on-line, aumenta-se a motivação dos alunos a fazerem trabalhos de melhor qualidade.


FONTE DO TEXTO ACIMA:

http://porvir.org/porfazer/desafiar-pesquisar-descobrir-produzir-apresentar/20130122