Desgosto intelecual

Estou profundamente chateado com o fato de que neste país atrasado, em especial nesta arrogante e presunçosa cidade, não temos nada (ou quase isso…).

Sinto-me agastado/enfadado ao deparar-me com a dificuldade em obter informações para aprender coisas novas. Para um autodidata, a carência de boas fontes é muito desagradável. Sempre que procuro conhecimento ou boas referências sobre assuntos “alternativos”, só acho em inglês. E coisas nos EUA. Eu realmente não consigo encontrar (com a facilidade esperada) informação fidedigna vinda de terras tupiniquins.

A exceção foi marcenaria, que realmente dispõe de informação muito boa em português. Mas de resto, é lixo em demasia. Tem que garimpar muito para achar algo que preste. Oásis no deserto intelectual de mediocridade e/ou vulgaridade chamado Brasil… A quantidade de gente que resolve colocar um inútil vídeo que se resume a “Fala, galera! Beleza?” é enorme. Alcunhar a produção de conteúdo intelectual ou informativo como deficitária é elogio. O nível de analfabetismo funcional específico é assustador.

Por hora, estou aprendendo programação de computadores.  Daí descobri um sujeito que diz ensinar Python e chama ‘*’ de “Astrelisco”. Apenas um exemplo dentre os incontáveis que há na rede. Pessoas que nem ao menos dominam seu próprio idioma, querendo ensinar o que também não entendem.

Não espero que tais “programadores” chamem o símbolo “&” de eitza (pronúncia: “éitssa”), ou que reconheçam o “¬” como negação lógica. Já concluí que isso seria pedir demais. Mas, ao menos que entendam minimamente do que estão falando, ou estudem um pouco o assunto antes de se exporem como ignorantes perante o resto do mundo.

Quer aprender sobre ciência? O sujeito tenta “lacrar” (verbo da moda) falando de política.
Quer aprender como se trabalha com Arduino? Não tem.
Quer aprender como se trabalha com Rapsberry? Não tem.
Quer aprender a personalizar seu teclado mecânico? Não tem.
Quer aprender algo de alguma comunidade legal? Não tem.
Quer aprender mais sobre artes clássicas (pintura, escultura, música)? Não tem.
Quer aprender mais sobre caravanas e rulotes? Muito pouco.
Quer aprender mais sobre esportes que não sejam futebol? Praticamente não tem.
Levantamento de peso? Nem pensar!
Levantamento básico? O que é isso?!

Quer aprender mais sobre qualquer coisa? Procure em inglês.

Antes de criticar-me: é claro que há conteúdo. E há fontes realmente muito boas, saliento. Minha queixa é ao fato de esse conteúdo ser muito escasso e/ou pouco aprofundado se comparado ao conteúdo em inglês. Em português, a didática também peca em vários pontos. Cogito isso ser reflexo da inópia de nosso sistema educacional…

A falta de cultura deste país me enoja. E ainda pior é a invisível barreira quase metafísica para obter os recursos, caso eu queira experimentar algum desses “inusitados” projetos. Entenda isso como entraves ou empecilhos para descobrir uma nova afecção (ou se preferir o termo em inglês: hobby). Simplesmente “não tem no Brasil”. E “se tiver no Brasil, só em São Paulo”. E “se tiver no Rio de Janeiro, só nos confins da cidade”.

Meu breve contato com o Levantamento de Peso findou infrutuoso em parte por causa disso. Encontrei um treinador que estava disposto a me treinar gratuitamente, mas não segui no esporte pela distância física até os centros de treinamento.

Não sendo isso bastante, se você se interessar por qualquer coisa que não faça parte da vidinha comum, da mesmice em que a sociedade chafurda e em que o homem comum se contenta, além de ter de aprender a lidar com os olhares de menoscabo / curiosidade / desdém / repúdio (caso dê valor à opinião alheia) e com a ignorância coletiva previamente mencionada, também terá de lidar com a imperante escassez de acesso a recursos e o exorbitante preço das ferramentas/materiais.

Uma ou outra marca por aqui ou acolá comparado com dúzias de dúzias de marcas variadas no exterior. Preços surrealmente aleatórios, completamente desvinculados do valor de uso das mercadorias, capazes de enrubescer o mais avarento dos atravessadores. Isso se tem e quando tem. Na maior parte das vezes, terás de aprender como funciona o maravilhoso processo de importação e fiscalização alfandegária.

Conheci uma empresa americana que exporta para o mundo todo. Menos para o Brasil. Alegam que o mercado consumidor daqui é prejudicial aos negócios de lá. As taxas são abusivas e para eles não vale a pena comercializar. Eles até fazem, mas você, caro brazuca, precisa aceitar termos especiais.

Informações, produtos e serviços. Parece que nada que procuro tem fácil acesso!

Normal indagar a partir de minha personalíssima dificuldade em lidar com a sociedade a que involuntariamente pertenço se o problema estaria em mim… Por minha vida até o presente momento já fui surpreendido por questões vindas doutrem que demonstram minha estranheza a seus olhos. Já me perguntaram se eu era testemunha de jeová, rabino, japonês, autista e tantas outras coisas que nem lembro!

No que pergunto: será que sou tão diferente assim? Será que o problema sou eu? Por várias vezes, em relação a outros temas, cheguei à mesma conclusão e, em ato por sinal satisfatoriamente benéfico à minha saúde, mudei de hábitos. Porém, neste caso é diferente. O problema não está em mim. Está na anestesia coletiva que enfrento diariamente. Que seja: mesmo com todas as dificuldades, não deixarei de lado as coisas de que gosto para adequar-me à deplorável exigüidade dos demais.

Avaliação prognóstica – Parte 2

HISTÓRIA DA AVALIAÇÃO: DO EXAME À AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA
Jussara Gabriel dos Santos

O presente trabalho, HISTÓRIA DA AVALIAÇÃO: DO EXAME À AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA, é resultado de um estudo realizado através do levantamento bibliográfico sobre os instrumentos avaliativos e sobre a avaliação na disciplina de Didática do curso de Pedagogia, que pretende resgatar o histórico da avaliação, mencionando sua origem, sua função, seus desafios e suas perspectivas no âmbito escolar, para entender o motivo da sua atual configuração que se encontra em bases anti-democráticas e também tentar (re)significar o conceito, a posição e a prática avaliativa, tendo como subsídio a avaliação diagnóstica – instrumento de avaliação – que atua como proposta esquivadora, a fim de vencer o atual sistema avaliativo por meio da inclusão e da democracia.

Texto completo: SA08-20949


Fonte: https://ssl4799.websiteseguro.com/swge5/seg/cd2008/PDF/SA08-20949.PDF

Retroprogramming Games – Uma arte (não) esquecida

Vídeo demonstrando as dificuldades técnicas de se programar com poucos recursos. Um lembrete para respeitarmos e admirarmos o trabalho dos programadores do passado.

How we fit an NES game into 40 Kilobytes – Morphcat Games


Ver também: https://pedrofigueira.pro.br/2018/12/22/como-eram-feitos-os-graficos-e-sons-nos-jogos-eletronicos-de-primeira-geracao/

Avaliação prognóstica – Parte 1

AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO: UMA DISCUSSÃO DE ALGUMAS QUESTÕES CRÍTICAS E DESAFIOS A ENFRENTAR NOS PRÓXIMOS ANOS
Domingos Fernandes

Neste artigo discutiram-se quatro questões críticas da avaliação: a) avaliação formal e informal; b) a avaliação como (trans)disciplina; c) avaliação e qualidade; e d) avaliação e discernimento pragmático. A finalidade da discussão era contribuir para desenvolver práticas de avaliação que pudessem responder melhor aos desafios dos sistemas educacionais. A discussão pareceu mostrar que a avaliação a desenvolver nos próximos anos tem que ser um processo com melhor integração teórica e melhor articulação entre diferentes visões epistemológicas e metodológicas que influenciam as práticas avaliativas. De igual modo, mostrou que, cada vez mais, a avaliação tem que ser um esforço partilhado por investigadores e avaliadores da diversidade de disciplinas que sejam indispensáveis para descrever, analisar e interpretar a realidade a avaliar.

Texto completo: aop_0113


Fonte: www.scielo.br/pdf/ensaio/v21n78/aop_0113.pdf

Quarta dimensão explicada por Carl Sagan

Quarta dimensão explicada por Carl Sagan

Processos de avaliação: material complementar – Parte 1

Eu fiquei hesitante em postar os acessos abaixo. O material é bom e pertence ao governo de Minas Gerais. Porém, a página quase sempre está fora do ar. E mudam o  endereço de acesso constantemente… De qualquer modo, a quem por aqui passar, procure o ‘‘Centro de referência virtual do professor” do governo de Minas Gerais. Se estiver disponível, vale a pena salvar em seu PC as páginas em que tiver interesse.

Dois endereços possíveis do portal seguem abaixo:

http://crv.educacao.mg.gov.br/

http://www2.educacao.mg.gov.br/leis/service/1581-centro-de-referencia-virtual-do-professor-crv

Como a linguagem modela a maneira como nós pensamos?

Atualizado em 04/09/2021: acrescentado vídeo pertinente ao final.

How language shapes the way we think | Lera Boroditsky

Em acréscimo ao exposto na apresentação, também gostaria de contribuir com algumas de minhas considerações.

Acredito que essa diferença na estrutura e na forma de pensamento esteja interligada na estrutura e na forma da linguagem. Observemos alguns exemplos:

Em inglês os adjetivos vêm antes dos substantivos. Isso reflete uma característica cultural das sociedades que usam tal linguagem, segundo a qual os acidentes são mais importantes do que a forma, o que pode ser observado em comportamentos que vemos como frívolos ou superficiais.

Em português (nas línguas latinas de modo geral) os adjetivos vêm após os substantivos. Isso reflete outra característica cultural, segundo a qual se dá mais valor à substância do que às contingências. Nestas sociedades, demonstra-se um traço geral em que o foco maior recai sobre a essência o objeto observado, não suas qualidades adicionais, acessórias, secundárias.

Em inglês, não se faz uso de oração sem sujeito. Toda oração tem um sujeito, ainda que indeterminado. Toda ação possui um agente. Nas línguas latinas isso não é necessário. Em nosso idioma, uma ação é apenas uma ação. Não é necessário um agente. Exemplo: “chove” e “it rains”. O pronome ”it” é obrigatório em inglês e não faz sentido em português.

Observemos outros exemplos: a língua japonesa possui uma gramática muito pobre em comparação com as línguas latinas. A ordem de uma frase é praticamente sempre a mesma: Sujeito + Predicado + Ação. Há pouquíssima conjugação verbal. E essa ausência de conjugação verbal relaciona-se, ao meu ver, com uma estrutura de pensamento que valoriza mais a ação propriamente e o tempo no qual ela foi tomada do que o agente verbal.

Isso reflete uma estrutura de pensamento que prima pelo pragmatismo e pela abordagem direta das questões. Outra característica da linguagem japonesa é o uso de pronomes de tratamento hierárquicos para cada tipo de pessoa com a qual se fala. O reflexo do sistema hierárquico de relações sociais no Japão se apresenta mesmo em ambientes familiares e informais.

Na língua chinesa a entonação de cada uma das dezenas de formas de vogais muda o sentido das palavras e o significado do que se quer dizer. A isso podemos relacionar os complexos sistemas de relacionamento sociais, no qual as pessoas acabam não abordando diretamente os assuntos, usando estratégias subentendidas ou dissimuladas para abordar assuntos relativamente simples aos nossos olhos.

A língua russa também é um exemplo interessante. Nela não há verbo de ligação: a cópula ocorre diretamente pelo contexto em que se fala. Na linguagem dos esquimós, há dezenas de nomes diferentes para cada tipo de neve. Assim como povos do deserto têm nomes diferentes para os vários tipos de areia. A população das ilhas Malvinas tem uma grande quantidade de nomes relacionados a cavalos e à vida eqüestre. Além é claro da imensa quantidade de vocábulos intraduzíveis de um idioma para outro.

De todo modo, isso não é um indicativo de que esta ou aquela linguagem seja melhor ou pior. Cada linguagem apenas reflete uma estrutura de pensamento, de tomada de decisões, de formação de juízos de valor e de fato, bem como de organização social.

Mais sobre o assunto:
O missionário que viveu com índios, virou ateu e desafiou conceitos sobre linguagem |Ouça 10 minutos | BBC News Brasil

Pirahã: The Amazonian Tribe That Challenges Everything We Know About Language | SLICE
Deep in the Amazon rainforest, the Pirahã people speak a language that defies everything we thought we knew about human communication. No words for colors. No numbers. No past. No future. Their unique way of speaking has ignited one of the most heated debates in linguistic history.

For 30 years, one man tried to decode their near-indecipherable language—described by The New Yorker as “a profusion of songbirds” and “barely discernible as speech”. In the process, he shook the very foundations of modern linguistics and challenged one of the most dominant theories of the last 50 years: Noam Chomsky’s Universal Grammar.

According to this theory, all human languages share a deep, innate structure—something we are born with rather than learn. But if the Pirahã language truly exists outside these rules, does it mean that everything we believed about language was wrong? If so, one of the most powerful ideas in linguistics could crumble.

Documentary: The Amazon Code
Directed by: Randal Wood, Michael O’Neill
Production : Essential Media, Entertainment Production, ABC Australia, Smithsonian Networks & Arte France

Desafios da avaliação – Parte 5

LUCKESI, C. L. Avaliação da Aprendizagem Escolar– estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 2011.

(Observação: destaque para a Parte IV: Planejar, Executar e Avaliar – condições de sucesso na aprendizagem escolar – p. 121– 188.)

Disponível em: http://www.derita.com.br/antigo/comunicados_2013/anexo_255_avaliacao_da_aprendezagem_escolar.pdf

Atualização 08/08/2019:
Lamento, mas a fonte direta acima foi removida.

As outras fontes que encontrei possuem edições mais antigas. A 19º edição, tal como no link acima pode ser vista nas fontes abaixo, mas é necessário cadastramento…

Caso encontre uma versão com acesso direto, por favor, envie-me uma mensagem para eu acrescentar à lista abaixo.

 


Fonte: n/a

Dez fatos sobre Sun Wukong, o Rei Macaco

Editado em 28/08/2021: por algum motivo senti vontade de adaptar a tradução do vídeo abaixo.

10 Facts About Sun Wukong the Monkey King | ghostexorcist

 

Tradução:

Macaco de pedra, Belo Rei Macaco, Guardião dos Cavalos Celestiais, Grande Sábio igualando-se ao Paraíso, Peregrino, Vitorioso Buda Guerreiro. Sun Wukong é conhecido por muitos nomes.

Esse personagem muito amado é um marco da cultura popular moderna, aparecendo em inúmeros filmes, programas de televisão, videogames e outras mídias relacionadas. A adaptação mais famosa é, claro, Son Goku, da franquia Dragon Ball, mas ele é mais conhecido por suas aventuras no grande clássico chinês do século XVI, Jornada para o Oeste. Nesse vídeo, exploraremos dez fatos que até mesmo os super-fãs do romance podem não saber sobre a história do Rei Macaco. As referências de cada fato estão disponíveis na descrição. [copiadas abaixo desta transliteração]

Vamos começar?

Número 10, ele não é chinês

A província de Jiangsu na China é o lar do Parque Huaguoshan, uma atração turística popular anunciada como a casa do Rei Macaco, mas o romance descreve a Montanha de Frutas e Flores [lar do Rei Macaco] estando localizada em um vasto oceano na fronteira do pequeno país Aolai que fica a leste do continente Purvavideha oriental.

A geografia cósmica do budismo indiano apresenta esse continente [Purvavideha] ao leste, e também o continente Godaniya ao oeste, o continente Uttarakuru ao norte e o continente Jambudvipa ao sul, todos ao redor das quatro direções cardeais do monte Sumeru, uma montanha gigante que serve como o axis mundi do cosmos.

Cada continente é separado por um oceano, tornando muito difícil viajar entre eles. A dita geografia tradicionalmente associa o sul, Jambudvipa, à Índia ou ao mundo conhecido aos antigos povos do sul da Ásia. Mas o romance coloca a China dentro do continente sul e associa a Índia ao continente oeste, Godaniya. Isso significa que o lar dos macacos está localizado bem ao leste da China. [algo para além do Japão]

 

Número 9: seu sobrenome faz referência tanto a macacos, quanto à imortalidade taoísta

A tradução mais exata da palavra Husun é ”neto do bárbaro”. Essa palavra faz referência às tribos nômades que constantemente atormentavam a fronteira norte da China antiga. Os chineses acreditavam que essas pessoas eram menos do que humanas, com características animalescas. O termo Husun se refere ao Macaco Rhesus, uma espécie de macaco do velho mundo nativa da Ásia. Os chineses acreditavam que esse macaco também tinha qualidades animais e humanas.

É por isso que as palavras para ”bárbaro” e ”neto” incluem o radical ”animal”. A semelhança do Rei Macaco com esse macaco é destacada ao longo do romance. Por exemplo, as muitas características demoníacas usadas para descrever nosso herói são compartilhadas com o primata, incluindo um rosto peludo e ciumento com olhos de fogo, um nariz quebrado ou achatado, um bico em forma de boca com presas salientes, longas orelhas.

Após escolher o sobrenome do macaco, o mestre remove o radical ”animal” e fornece um ideograma completo para o personagem, dividindo-o em seus componentes individuais e associando-os a Zi e Xi. Zi significa ”menino” e Xi significa ”bebê”. E esse nome está exatamente de acordo com a doutrina fundamental do bebê menino.

Essa doutrina se refere ao Shengtai , ou ”embrião sagrado”, isto é, o estado realizado da imortalidade. A alquimia interna taoísta vê o corpo humano como um caldeirão vivo capaz de fundir essências vitais em um elixir imortal. Esse processo envolve a manipulação do sêmen, chi e espírito dentro do corpo, combinando-os para produzir o embrião sagrado.

A conquista da vida eterna é às vezes simbolizada em tratados alquímicos como um bebê no estômago do praticante, donde a menção do bebê menino pelo mestre.

 

Número 8: ele é o sucessor literário de um imperador lendário

O nascimento do Rei Macaco a partir de uma pedra espelha lendas associadas ao nascimento de Yu, o Grande, um lendário imperador da dinastia Xia e um semideus famoso por lutar contra a fabulosa inundação mundial, bem como matar muitos demônios da inundação no processo.

Até mesmo seu filho diz-se ter nascido de uma pedra. Um conto particular da Dinastia Han diz assim:

[…] Quando Yu foi apaziguar as enchentes, ele atravessou a montanha Huanyuan e se transformou em um urso. Anteriormente, Yu havia dito para sua esposa grávida Tushan: ”ao som do tambor, por favor, traga-me comida”. Mas durante seus esforços Yu pulou em uma rocha e um pedaço dela caiu, batendo no tambor por engano. Tushan trouxe a comida como prometido e viu o urso. Sentindo-se envergonhada e amedrontada, ela fugiu até o sopé da montanha Songgao, onde ela foi transformada em uma pedra. Yu disse a ela: ”devolva meu filho”. A pedra se abriu na direção norte e deu luz a Qi [filho de Yu].

Além disso, Sun Wukong futuramente empunha ”a régua cósmica” de Yu, que é o seu famoso bastão dourado. Portanto o romance apresenta o macaco como um grande herói, literalmente moldado do mesmo molde que Yu, o Grande.

 

Número 7: ele é muito baixo

A mídia moderna freqüentemente retrata Sun Wukong do tamanho de um homem. Um excelente exemplo é sua representação no popular videogame on-line SMITE, como um guerreiro corpulento com músculos enormes. No entanto o romance descreve sua forma base como sendo muito baixo e magro. Por exemplo, uma passagem no capítulo 20 diz:

[…] o velho monstro deu uma olhada cuidadosa e viu a figura diminuta do Rei Macaco com menos de um metro de altura e com bochechas pálidas. Ele disse com uma risada: “Muito mau! Muito mau! Eu pensei você era uma espécie de herói invencível, mas você é apenas um fantasma doentio com nada mais do que seu esqueleto sobrando.”.

Isso mesmo: O Grande Sábio igualando-se ao Paraíso, O Conquistador do Exército Celestial é do tamanho de uma criança. É por isso que Sun Wukong é tão baixo no filme de Stephen Chow Journey to the West — conquistando os demônios (2013).

 

Número 6: ele antecede o romance Jornada para o Oeste em centenas de anos

Histórias sobre um macaco peregrino remontam à Dinastia Song. Isso antecede o romance e até mesmo o nome Sun Wukong em séculos. Tais contos teriam sido contados em barracas de contação de histórias (como mostra essa famosa pintura do século XII) ao longo do rio durante o festival Qingming.

Registros dos primeiros repertórios não existem, mas felizmente evidências pictóricas de duas grutas de cavernas budistas na província de Gansu na China sobreviveram. Uma pintura do século XI na caverna número 2 exibe um macaco e seu mestre prestando homenagem a Buda. Ela mostra um macaco guanino sendo retratado com sua famosa tiara dourada. Uma pintura do século XII na caverna Ulan número 3 retrata os dois homenageando o consorte de Buda, Samantabhadra. Nosso herói é retratado com uma aparência mais semelhante à de um macaco, mas não possui sua tiara.

 

Número 5: sua tiara dourada é baseada em um objeto real

Essa faixa de cabeça que induz ao autocontrole é baseada em um dos oito objetos rituais historicamente usados por Yogis budistas esotéricos. Esses itens são mais bem exemplificados por uma escultura em relevo do século XIII de um macaco encontrada em Quanzhou na província Fujian da China.

A fonte esotérica que menciona esses itens, diz:

[…] O praticante deve usar brincos divinos, um aro circular na cabeça, em cada pulso uma pulseira, uma cinta ao redor da cintura, tornozeleiras nos tornozelos, braçadeiras ao redor dos braços e uma guirlanda de ossos ao redor do pescoço; seu manto deve ser de pele de tigre e sua comida os cinco néctares.

A fonte menciona que o círculo simboliza Akshobhya, um dos cinco Budas esotéricos. Essa divindade é conhecida por seu voto de atingir o estado de Buda por meio de práticas moralistas como fala e ação corretas. Portanto a bandana ritual serve como um lembrete físico de autocontrole, assim como a tiara faz no romance.

 

Número 4: ele originalmente lutava com dois bastões

O Rei Macaco aparece em um texto precursor de Jornada para o Oeste, datado século XIII, chamado: Mestre da Lei, Tripitaka do grande Tang, procura as escrituras.

Nesse breve romance de 17 capítulos, o supremo deva Vaisravana lhe dá um Khakkhara mágico [cajado de monge com anéis], como aquele freqüentemente retratado com figuras búdicas. Ele usa esse cajado na batalha contra o tigre demônio branco e transforma a arma em um Yasha titânico empunhando uma clava, depois o Rei Macaco transforma o bastão em um Dragão de Ferro para lutar contra um grupo de dragões de nove cabeças e depois da derrota deles ele usa um bastão de ferro emprestado do Paraíso para espancá-los como punição.

Os contadores de histórias fariam mais tarde a combinação desses dois cajados para criar a arma característica do Rei Macaco. Os anéis de ouro do cajado do monge foram presos às extremidades do cajado de ferro, criando um porrete com a capacidade de crescer ou encolher de acordo com o desejo do usuário.

 

Número 3: ele tem irmãos e uma esposa

O Rei Macaco aparece na peça teatral Jornada para o Oeste, do século XV, que antecede o romance de Ming de mesmo nome em quase duzentos anos. Em seu diálogo de abertura para o ato 9, o Rei Macaco descreve ser um de vários irmãos:

[…] Somos cinco irmãos e irmãs minhas. Minhas irmãs mais velhas, a venerável mãe do Monte Li; minha segunda irmã é o sábio espírito da água; meu irmão mais velho é o Grande Sábio igualando-se ao Paraíso; eu mesmo sou o Grande Sábio alcançando o Paraíso; e meu irmão mais novo é Shuashua Sanlang.

A peça chama o Rei Macaco de o Grande Sábio alcançando o Céu, enquanto seu irmão mais velho é conhecido como o Grande Sábio igualando-se ao Céu. Um estudioso sugere que o irmão mais velho é o resultado da confusão de títulos semelhantes dados ao macaco durante a longa história de seu ciclo de fábulas.

No entanto, cada uma das irmãs tem sua própria história. A Venerável Mãe de Monte Li foi historicamente adorada como uma divindade pelo menos desde a Dinastia Song, e os mitos freqüentemente a associam com a criação ou com a deusa da conquista do dilúvio Nuwa. O sábio espírito da água, mais comumente conhecido como Wuzhiqi, é um macaco demônio da inundação do lago que apareceu em histórias já na dinastia Tang. Então ambas as irmãs estão associadas a macacos e inundações.

A esposa do Rei Macaco é a Princesa do País do Caldeirão Dourado. É apresentada no ato 9 e canta uma música revelando como o imortal a seqüestrou e a forçou a ser sua noiva. Ela acaba sendo resgatada por Devaraja Li Jing e seu filho, o príncipe Nezha, que aparecem no romance subseqüente.

A afinidade do Rei Macaco para com mulheres não termina aí. Por exemplo, no ato 19, ele tenta seduzir a princesa Leque de Ferro para obter acesso a seu mágico leque de folha de palmeira. Ao conhecê-la, o macaco recita um poema repleto de insinuações sexuais:

“os discípulos não são tão superficiais; a mulher não é tão profunda; você e eu vamos cada um colocar um item adiante e fazer um pequeno demônio”.

 

Número 2: ele é adorado como um deus

A província de Fujian na China tem uma longa história de adoração de macacos. Por exemplo, uma fonte do século XII menciona um monge budista pacificando o espírito vingativo de uma Rainha Macaca adorada pela população local, como o espírito que protegia colinas e bosques. Estudiosos relutam em vincular a adoração de Sun Wukong a esse culto histórico de macaco, mas mostra que a fé evoluiu no mesmo ambiente cultural.

A evidência mais antiga da adoração do Rei Macaco vem do início da dinastia Qing. Um relatório do século XVII, por exemplo, descreve o Rei Macaco aparecendo nas nuvens e expulsando piratas japoneses invasores da costa de Fujian durante o precedente século XVI. Estudiosos sugerem que a publicação de Jornada para o Oeste em 1592 desempenhou um grande papel no desenvolvimento de seu culto e na disseminação de seu mito.

Imperadores chineses durante as dinastias Ming e Qing nunca reconheceram oficialmente o Grande Sábio ou construíram templos em sua homenagem devido à natureza rebelde do Rei Macaco. No entanto, devido à popularidade do romance, seu culto se espalhou de Fujian para outras áreas do sul da China, Taiwan e Singapura.

O mapeamento moderno GIS mostra templos dedicados a ele nas planícies do Putian do aglomerado da Costa de Fujian nas terras altas do norte onde residem comunidades mais pobres e menos educadas. É importante lembrar que o Rei Macaco é adorado sob seu título rebelde de Grande Sábio igualando-se ao Céu em vez de seu nome budista Wukong.

Portanto o Rei Macaco pode ter sido historicamente atrativo para uma comunidade mais pobre porque ele tinha o poder de resistir a um governo injusto, talvez um governo que favorecesse os mais ricos que os pobres. Portanto essa classe de pessoas pode ter sido responsável pela disseminação de seu culto para além da China.

O templo Wanfu é um dos muitos exemplos de templos dedicados ao Rei Macaco em toda a Ásia. Ali ele é adorado como um poderoso exorcista e curandeiro. O culto ao Rei Macaco reconhece um panteão de grandes sábios, desde uma Santíssima Trindade, até gerentes administrativos e humildes soldados macacos. Os adeptos visitam o local todos os dias para prestar seus respeitos e orar por bênçãos.

No vídeo vemos membros do Templo celebrando o aniversário do Grande Sábio. Eles deixam ofertas de frutas e doces e queimam incenso e papel-moeda como forma de retribuir ao Rei Macaco sua generosidade. Médiuns espirituais desempenham um grande papel na vida religiosa do templo, dando aos adoradores acesso direto ao divino. Duas vezes por semana, um médium espiritual chama o Grande Sábio do Céu para ter audiência com os crentes em busca de bênçãos. No vídeo, vemos o Grande Sábio por meio do médium usando incenso para desenhar talismãs mágicos no corpo de um bebê, começando pela frente e, em seguida, espelhando o desenho nas costas. Ele então escreve uma série de talismãs de papel usando o mesmo incenso. Um é dobrado e colocado dentro de uma bolsa vermelha para ser usado como amuleto da sorte; o segundo é embalado para ser posteriormente queimado e as cinzas combinadas com uma folha de chá para ser dado ao bebê como uma bebida mágica; finalmente o terceiro talismã é aceso e passado sobre a cabeça do bebê e ao redor de seu corpo.

 

Número um: havia um monge real chamado Wukong

Eruditos sugerem que o Rei Macaco pode ter recebido seu nome a partir de um monge budista real originalmente chamado Che Fengchau. Ele nasceu em 731, aproximadamente 90 anos depois que o histórico Xuanzang retornou da Índia para a China. Ele foi educado para se tornar um diplomata da Corte de Tang e foi escolhido para fazer parte de uma missão real para a Caxemira em 751. Uma doença o impediu de retornar à China em 753, e então ele foi deixado aos cuidados de um monge budista famoso e acabou sendo também ordenado como um monge com o nome religioso Fajie ou ”Reino do Dharma”.

Ele viveu na Índia por décadas antes de retornar à China em 790. Lá ele presenteou O imperador Tang Dezong com vários sutras traduzidos e uma relíquia de dente de Buda. O imperador ficou tão satisfeito que renomeou o monge Wukong ou ”o despertar para o vazio”.


Fontes:

This video covers ten facts about Sun Wukong that even super fans of Journey to the West (1592) may not know. The presented information comes from my blog Journey to the West Research. https://journeytothewestresearch.word… References: No. 10 * https://journeytothewestresearch.word… No. 9 * https://journeytothewestresearch.word… * https://journeytothewestresearch.word… * https://journeytothewestresearch.word… No. 8 * https://journeytothewestresearch.word… No. 7 * https://journeytothewestresearch.word… No. 6 * https://journeytothewestresearch.word… No. 5 * https://journeytothewestresearch.word… No. 4 * https://journeytothewestresearch.word… * https://journeytothewestresearch.word… No. 3 * https://journeytothewestresearch.word… * https://journeytothewestresearch.word… * https://journeytothewestresearch.word… No. 2 * https://journeytothewestresearch.word… * https://journeytothewestresearch.word… * https://journeytothewestresearch.word… No. 1 * https://journeytothewestresearch.word… Thank yous and extra info: The whimsical drawings of Sun Wukong in the beginning and on each title card are by Sammy Torres on Twitter. Please send her some love. https://twitter.com/Animator_Sammy The background music is “Nirvana Shatakam”, an ancient 9th-century Hindu chant honoring Shiva. It is sung by Sadhguru. His organization was gracious enough to give me permission to use the song. https://isha.sadhguru.org/us/en/blog/… A different, angelic version of the same chant appears in this gorgeous 3-hour-long collection. Check it out. https://www.youtube.com/watch?v=YrO8q… Music : Ancient Chants from India Artist : Mahakatha Meditation Mantras To download this mantra visit : https://store.mahakatha.com/ancient-c… The timelapse video is by mifen67. https://www.youtube.com/watch?v=wNCX4…

 

 

Desafios da avaliação – Parte 4

ROTINAS DE PENSAMENTO
Cesar Nunes

Os educadores do projeto “Pensamento Visível” reconhecem que as rotinas não são importantes apenas para o corpo e para a mente. As rotinas ajudam a que nos organizemos como grupos, principalmente na escola.

A escola tem rotinas que vão sendo apreendidas desde cedo e não requerem maiores explicações com o passar do tempo: alunos separados em classes, controle de presença, horários de entrada e saída, tarefas de casa, avaliações, trabalhos em grupo, leituras de texto, etc. Essas rotinas são parte da cultura da escola.

A entrada do ensinar a pensar na sala de aula fica mais fácil se também virar rotineiro, se um mesmo protocolo for repetido de forma semelhante várias vezes por vários professores. No momento em que viram rotina esses protocolos têm o potencial de serem incorporados à cultura da escola.

Texto completo: Rotinas de pensamento.pdf


Fonte: NUNES, C. Rotinas do pensamento. 2011.
http://livrozilla.com/doc/394400/rotinas-de-pensamento