Jacque Fresco – A story of change

Jacque Fresco – A story of change

Suicídios na UERJ – Uma questão ainda não solucionada.

Atualizado em 06/08/2019

O problema dos suicídios na UERJ

A UERJ, meu local de trabalho, é um trampolim de suicidas. Os números verdadeiros são ocultados pelo governo e isso não é ”teoria de conspiração”: o número divulgado repetidas vezes nunca passa de 16, sendo que eu mesmo, durante estes anos em que fui aluno e agora funcionário, tive ciência de 10, estive presencialmente em 6 eventos, dos quais vi 3 cadáveres e testemunhei uma garota saltando. Nessa ocasião, eu estava em sala de aula e a vi caindo em velocidade. Alguns instantes após, o retumbante som oco do impacto no chão.

A parte mais interessante é, sem dúvidas, o julgamento póstumo. Pois após o ocorrido todos se tornam especialistas em psiquiatria, psicologia, psicanálise e derramam suas mórbidas psicoses no morto, agora réu coletivo de inúmeros juízes altamente competentes, capacitados, habilitados e esclarecidos, de moral irrepreensível e ávidos por sentenciá-lo segundo suas convicções e preconceitos.

Ó, quão maravilhoso seria o mundo se pudéssemos trocar de vidas! Afinal, as pessoas sempre sabem resolver o problema dos outros, têm solução para tudo. Menos para os próprios problemas.

E julgam de todas as formas e modos concebíveis as ações alheias, olvidando hipocritamente suas próprias faltas e falhas. Conhecedores profundos do assunto (profundeza com a fundura de um fio de cabelo) não se obstam a, ironicamente, sentenciar o agonista ao báratro, como se criminoso fosse.

Assim, após a tragédia, o julgamento póstumo pelos subitamente doutos doutores das dores alheias é ainda pior que o julgamento de si mesmo enquanto doente.¹

Isso apenas aumenta ainda mais o tabu. As pessoas têm medo da morte e de tudo o que envolve a morte. Incluindo falar da morte. Morte morrida é mais branda. Morte matada é mais grave. Mas a morte matada-por-si-mesmo tem um tratamento diferenciado. Religiões a tratam como pior que o homicídio. Os julgamentos morais desses falsos ”imaculados” em nada ajudam o doente. E todos os estereótipos somados à desinformação e à informação falsa tornam a luta contra esse mal da sociedade moderna ainda mais difícil.

Por anos sempre vi o núcleo CVV da UERJ estar com as portas fechadas (permanecem abertos agora). Mas quantos procurariam na última hora essa ajuda presencial, se não conseguiram antes nem falar sobre o que estavam sentindo? Quantos sabem que ali no andar do RH dos funcionários tem um grupo CVV? E dos que sabem, quantos deixaram de lá adentrar com vergonha ou receio de serem visados? Essa última linha de defesa é absurdamente mal aproveitada, mal implementada e mal divulgada.

Outra ”solução” (menos que paliativa) apresentada por quem de dever foi a instalação de redes de proteção em algumas rampas, desconsiderando que a arquitetura de beleza inexistente e acinzentada propicia todo o prédio ser apto a tais intentos. Arquitetura com passagens labirinticamente estreitas e salas quase (se não de fato) ocultas, sobre as quais ouvimos falar serem cenários de casos de assaltos à mão armada (roubo), furtos e estupros. E (aí sim, teorias conspiratórias) há quem diga que nem todos os saltos são ”suicídios”, e que se aproveitam da visibilidade quase nula de certas partes do prédio para de lá cometer o crime de lançar outrem para baixo.

O assunto é um tabu por si mesmo e as estruturas (concreta e abstrata) difusas da UERJ não ajudam em nada a lidar com o problema. Tanto o concreto armado convidativo aos saltadores, quanto a mentalidade do local em que sinto ninguém dar muito valor a qualquer coisa além de seus próprios interesses.²

E qual é minha proposta para lidar com essa situação?

Eu acredito que a UERJ poderia se utilizar de sua própria estrutura acadêmica para lidar com o problema. A Lei de Diretrizes e Bases  estipula que uma Universidade tem três (3) atribuições: Ensino, Pesquisa e Extensão.

Ensino é a função básica de toda instituição do tipo. Pesquisa é obrigatória numa Universidade e Extensão é o trabalho que a instituição realiza com a comunidade na qual está inserida. Ora, por que não usar o problema para desenvolver no Instituto de Psicologia e no Instituto de Medicina um trabalho conjunto de pesquisa sobre o tema que ocorre NO PRÓPRIO LOCAL de ensino, preparando novos psicólogos e médicos psiquiatras para lidar com essa questão? Esse trabalho de pesquisa também pode ser executado em conjunto com atividades informativas e orientativas direcionadas à comunidade, em campanhas permanentes de esclarecimento sobre doenças psicossomáticas e sobre a importância do atendimento psicológico e psiquiátrico.

Isso não ocorre.

Há sim, campanhas esporádicas. E a inspiração para este texto veio de mais um folhetim que recebi em minha repartição. Volta e meia o assunto vem à tona. E esta é a questão que levanto: se o evento não tem data marcada para ocorrer, por que campanhas tão intermitentes? Não seria melhor uma campanha permanente? Não seria melhor que se assumisse na doutrina institucional esse problema, que é de facto integrante da cultura da UERJ*?

Desse ponto de vista doutrinário, o Estado, representado pela UERJ, não apresenta institucionalmente uma postura eficiente de combate e prevenção ao suicídio. Esse é um problema que se arrasta há anos (há quem diga que ocorre desde sempre, quando ainda era Universidade do Estado da Guanabara) e não há ações peremptórias, apenas pontuais (campanhas esporádicas), paliativas (instalação de um CVV), mitigatórias (eventos religiosos ecumênicos) ou até mesmo dissímulas (redes de proteção). Essas ações não são inúteis, porém não se mostraram eficientes para solucionar a origem do problema.

Considero que as ações mais eficientes para tanto são: o esclarecimento da depressão e do suicídio como doenças psicossomáticas; e a orientação ao enfermo e à família sobre como proceder nesses casos tão sensíveis.

 


Depressão como doença do cérebro.

Recentemente o Dr. Dráuzio Varella iniciou mais uma campanha informativa acerca do tema. Ver: Drauzio Varella no Fantástico – Não tá tudo bem, mas vai ficar

Não me estenderei explicando pormenorizadamente o assunto. Simplificarei com os seguintes exemplos:

Suponha que você encontre uma pessoa com um problema de saúde:

a) A perna está quebrada.
Você diz: ”Ora isso não é nada! Faz uma força aí e ande normalmente!”

b) Está com febre gravíssima, uma infecção.
Você diz: ”Ora isso não é nada! Faz uma força aí e abaixe a sua febre!”

c) Está com depressão.
Você diz: ”Ora isso não é nada! Faz uma força aí…”

Do mesmo modo que é natural você não dizer para alguém com a perna quebrada para fazer força e andar ou para ignorar uma infecção NÃO DIGA A UM DEPRESSIVO PARA FAZER FORÇA!

Depressão não é preguiça, não é frescura, não é bobagem. Depressão é uma doença neurológica.

O fígado é um órgão. Quando ele falha, uma série de problemas bioquímicos acontecem no corpo.
Os rins são órgãos. Quando falham, o sangue pára de ser filtrado e o corpo sofre danos.
O pâncreas é um órgão. Qual ele falha, você fica diabético e tem vários problemas de saúde.
O coração é um órgão (músculo). Quando ele falha, você sofre os efeitos da arritmia e pode até morrer.
O cérebro também é um órgão. Então por que as pessoas insistem em tratá-lo como se não fosse? Por que problemas bioquímicos no cérebro são tratados como um tabu?

O cérebro é um órgão e é responsável por várias atividades de nossa mente (consciência, memória, volição). Se ele falha, sua consciência fica alterada, isto é, sua capacidade de perceber a realidade ao seu redor fica comprometida. Sua memória fica alterada, isto é, você pode perder memórias, ter memórias confusas, ou informações desencontradas. Sua volição fica alterada, isto é, sua capacidade de fazer escolhas fica danificada e VOCÊ NÃO CONSEGUE FAZER AS ESCOLHAS CERTAS, POR NÃO TER AS MEMÓRIAS SOB CONTROLE NEM A CAPACIDADE DE ENXERGAR A REALIDADE AO SEU REDOR.

Uma pessoa com depressão muitas vezes não se percebe doente. E caso se perceba doente, muitas vezes é incapaz de perceber que precisa de ajuda. Como a doença afeta exatamente o órgão responsável pela tomada de decisões racionais, essa tomada de decisões é em muito prejudicada. Por vezes inviabilizada.

Caso perceba que há algo de errado com alguém, tenha uma atitude pró-ativa em favor dessa pessoa. E informe-se. Talvez pior que essa doença, sejam a falta de informação, a desinformação e a má informação sobre ela. Boa vontade apenas não é suficiente. Tanto não é como no caso da perna quebrada ou de uma infecção. Você tentaria colocar uma tala no braço quebrado de alguém sem saber como fazer? Ou daria remédios sem saber qual tomar?

Abaixo segue uma cartilha com indicações básicas. Mas jamais permita que a situação passe em branco. Faça o possível para convencer a pessoa a procurar tratamento psiquiátrico. Lembre que ela não está em perfeitas condições para decidir, pois seu cérebro está doente e muitas vezes não é capaz de perceber por si mesma que precisa de ajuda.


  • Em tempo: este texto está de acordo com as restrições que tenho enquanto servidor público de escrever e publicar artigos críticos aos órgãos de Estado.

https://web.facebook.com/pffilosofia/posts/1174987689215070

DECRETO Nº 2479 DE 08 DE MARÇO DE 1979

APROVA O REGULAMENTO DO ESTATUTO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS CIVIS DO PODER EXECUTIVO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CAPÍTULO III
Das Proibições

Art. 286 – Ao funcionário é proibido:

I – referir-se de modo depreciativo, em informação, parecer ou despacho, às autoridades e atos da Administração Pública, ou censurá-los, pela imprensa ou qualquer outro órgão de divulgação pública, podendo, porém, em trabalho assinado, criticá-los, do ponto de vista doutrinário ou da organização do serviço;

1- Tragédia. Agonista. Ágon = guerra, luta, batalha. Protagonista, Antagonista. Báratro.

2- Este é um sentimento que venho trazendo já há algum tempo, não só da UERJ, como de meus locais de trabalho e estudos anteriores, e que se afina com os relatos de amigos que afirmam o mesmo ocorrer em suas vidas. As notícias, os relatos, tudo aponta para o mesmo: a humanidade empurra sua vida com a barriga.

A força de um homem – Valentin Dikul

Atualizado em 08/08/2019.

Para você, que se queixa por qualquer coisa: vá treinar. E ajudar os outros também.

Valentin Dikul usou seu conhecimento sobre o corpo humano para desenvolver um método para ajudar deficientes físicos a recuperar seus movimentos. Seu trabalho é voluntário e visa ajudar os demais. Seu verdadeiro amor é a arte circense, de onde obtém recursos para manter seu centro de reabilitação. Seu método pode ser aprendido e replicado pelo mundo afora, mas parece que poucos se interessaram até o momento.

Abaixo segue cópia do vídeo acima, caso o Youtube o remova.

https://web.facebook.com/pedrofigueira.pro.br/videos/388999438467405/

Páscoa.

“Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; – ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. – E, quando houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria. A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; – não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade.”

(Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, cap 13, vv 1 a 7 e 13.)

Conscientização sobre a saúde mental.

Nada e ninguém nos preparam para ver como lenta e inexoravelmente se apaga a vela da pessoa que você mais amou, aquela que lhe deu a vida.
Ver os seus olhos perderem o brilho, o olhar divagar nos cantos mais remotos do subconsciente, estranhos a tudo o que a rodeia… Não há palavras para descrever a dor que sentimos ao cuidar dos nossos pais, no sofrimento da perda de sua saúde mental (demência senil, Alzheimer, etc.).
Que tristeza, quando aqueles que deram tudo para a sua família um dia te perguntam: “Quem és?” Não por um esquecimento voluntário, mas por degradação mental que, aos poucos, os faz perderem todas as suas lembranças. Os problemas de saúde mental são devastadores e paralisam as pessoas doentes, desestabilizando os familiares ao seu lado.
Além da demência, a depressão, a psicose, a desordem bipolar, etc. Condições que ninguém escolhe, simplesmente se apresentam e não só a pessoa sofre, mas também a família.
Vamos buscar ajuda! A perda da saúde mental não é “fraqueza”, mas sim um problema que todos nós poderemos ter um dia.

Este é o mês da consciência sobre doenças mentais.