Uma vez preparado o conteúdo e com os alunos devidamente instruídos sobre como ocorrerá a disciplina, é interessante relembrá-los de que a única diferença entre o curso presencial e o curso à distância é a sincronicidade entre os participantes. Num curso presencial, praticamente tudo é síncrono: professores e alunos se reúnem fisicamente no mesmo ambiente, as aulas ocorrem, os trabalhos são feitos mais ou menos nos mesmos microciclos (semanas ou dias) etc. Num curso à distância, a maioria das atividades tende a ser assíncrona, ou seja, cada um faz conforme seu próprio cronograma.
Para quem tem dificuldades em gerenciamento do tempo (como eu |:^/ ) essa flexibilidade de horário acaba sendo um revés em lugar de ser algo bom. Seja chato e enfadonho com isso: repita tantas vezes quantas puder aos alunos para não deixarem acumular conteúdo. De uma semana para outra e para outra, o curso se torna uma grande bola de neve. E se antes o aluno se via com disponibilidade de horário, passa a se ver numa corrida contra os prazos. (eu tenho pesadelos com isso – literalmente…)
2 – Comunicação escrita
O uso extensivo de recursos audiovisuais e tecnológicos não é exclusivo de cursos à distância. O uso desses recursos, porém, não deve desestimular o trabalho escrito. O desenvolvimento da escrita em ambiente acadêmico é imprescindível para o bom desenvolvimento profissional em tal ambiente. Meu trabalho em docência é vinculado ao drástico problema brasileiro do analfabetismo funcional em nível superior (aproximadamente 80% dos pós-doutores no Brasil são analfabetos funcionais).
Uma das principais vantagens num sistema de aprendizado à distância é exatamente a possibilidade de escrever e desenvolver a capacidade de se comunicar por texto. A constituição de um fórum no qual tanto alunos quanto professores possam escrever é uma excelente ferramenta para troca de informações baseadas em tópicos, bem como um ambiente para treinar a escrita formal. A troca de correspondência eletrônica também o é, mas em segundo plano, pois e-mails não são agregadores propriamente: são uma ferramenta de correspondência formal entre apenas poucos correspondentes, imprópria para discussão entre vários participantes.
A barreira virtual criada entre a tela e o interlocutor facilita em muito a comunicação de pessoas introvertidas. Muitas vezes, pessoas tímidas conseguem se expressar com clareza e desenvoltura à distância, o que seria impensável se elas precisassem apresentar algum trabalho na frente da classe. Há pessoas que não gostam de se expor, o que deve ser respeitado. O ambiente à distância permite que elas consigam trabalhar individualmente sob suas próprias condições, de forma segura.
Estimule a comunicação por escrito com seus alunos. É uma forma de avaliar continuamente tanto a participação quanto os possíveis problemas de aprendizagem que venham a apresentar. Possui natureza assíncrona, o que permite ao aluno pensar sobre suas próprias idéias antes de responder, sem a possível pressão de uma comunicação em tempo real.
3 – O problema do plágio
Eu tenho aversão à Academia. A própria existência do termo ”autoplágio” me causa espécie 1 . Porém inquestionavelmente concordo com a necessidade de defesa da paternidade da obra, de dar a cada um o reconhecimento de autoria. Sendo eu mesmo autor, permito que tudo o que escrevo seja usado livremente, desde que me citem como fonte. Faço o mesmo neste website: tudo o que não for minha autoria tem suas fontes citadas.
Essa é uma regra que precisa ser aferida com bastante cautela em cursos à distância. Normalmente feitos pelo computador, a facilidade de ”copiar e colar” textos é tentadora para alunos que não compreendem a importância do direito autoral. Há ferramentas para a detecção do plágio, mas considero ser mais importante ensinar aos alunos os motivos pelos quais é uma atitude errada, por que seu combate é parte integrante da ética acadêmica. Essa é a primeira diretriz do CNPq: “O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam diretamente seu trabalho.“.
A forma mais simples de combater o problema são os meus três C’s: “cite as fontes, cite a si mesmo, cite tudo”. Sempre que escrever qualquer coisa diga de onde tirou a informação. Se for sua, diga que é sua. Assim ninguém vai poder reclamar depois. É importante indicar aos alunos que pretendem seguir pelo caminho acadêmico ver as diretrizes completas do CNPq, que nortearão seu trabalho de produção no ensino superior. Pode vê-las aqui: https://www.gov.br/cnpq/pt-br/composicao/comissao-de-integridade/diretrizes
“O autoplágio se configura como sendo a publicação de uma pesquisa já publicada como algo novo e original. Do ponto de vista dos direitos do autor, não parece ser um crime, mas do ponto de vista da integridade acadêmica é considerado antiético ou má conduta.”(https://www2.ufjf.br/mestradoedumat/discentes/plagio-e-autoplagio/) ↩
Quando nos deparamos com alunos que nunca tiveram contato ou experiências com aulas à distância, precisamos tão breve quanto possível explicar-lhes as diferenças entre o estudo presencial e o estudo à distância. A principal recomendação que faço é a de que nós mesmos, enquanto docentes, também tenhamos experienciado cursos à distância, pois assim poderemos passar nossas experiências pessoais para eles. É necessário darmos aos nossos alunos informações claras e precisas sobre como a disciplina ocorrerá, o horário correto das aulas e de encontros síncronos (caso existam), quais materiais serão usados, como será feita a avaliação, enfim, todas as informações pertinentes de modo que possam criar expectativas realistas sobre como serão os trabalhos e assim possam preparar-se para o curso.
Lembre-se de que nossos alunos muitas vezes não têm como hábito o ensino à distância e estão mais acostumados com o professor ”puxando pela mão”. Há pessoas mais disciplinadas, outra menos; mais independentes, outras menos etc. Assim como nas aulas presenciais, nem todos os alunos conseguem acompanhar o ritmo da turma. Num ambiente à distância, isso ainda é pior, pois os alunos não necessariamente têm ciência de como está o progresso dos demais. Além disso, cada pessoa é um aprendiz diferente, com necessidades diferentes:
Cursos à distância são baseados em heutagogia, aprendizado no qual o próprio aluno é responsável pelo seu desenvolvimento. Nós como professores servimos como repositórios vivos de informações, devendo estar à disposição para responder às dúvidas dos alunos pelos meios ofertados no curso (quando for o caso). Cabe a nós prover a maior quantidade de meios possível para que diferentes tipos de alunos possam aproveitar a mesma classe. Precisamos extrair o melhor das ferramentas audiovisuais que os atuais meios de comunicação nos provêem.
Também é preciso que o aluno seja instruído sobre como poderá melhor gerenciarar sua própria formação. É importante que ele seja ensinado a identificar seus próprios hábitos de aprendizagem. Uma forma simples é responder a um questionário auto-avaliativo. Desse modo, o próprio aluno pode perceber quais pontos precisa trabalhar para melhor aproveitar um curso à distância. Procure apresentar os questionários auto-avaliativos separadamente da ”resposta”. Sempre há quem procure marcar esta ou aquela pontuação com fins de chegar a certo objetivo (auto-engano/auto-sabotagem). O objetivo do questionário é servir como ferramenta auxiliar de autocompreensão, não como uma ”prova de ser um bom aluno”.
The Transistor: a 1953 documentary, anticipating its coming impact on technology | AT&T Tech Channel
Feito entre a invenção do transistor em 1947 no Bell Labs e a concessão do Prêmio Nobel de Física a seus criadores em 1956, este documentário é menos sobre a descoberta em si do que sobre seu impacto antecipado na tecnologia e na sociedade. A intenção do filme era claramente dar ao público daquela época sua primeira compreensão do que era um transistor e por que ele era tão importante.
Feito para o público em geral, o filme oferece uma apresentação clara e concisa sobre os desenvolvimentos tecnológicos que começaram com o tubo de vácuo, mostrando diferentes tipos de transistores e explicando o significado de sua substituição final dos tubos.
Estão incluídas visões de “coisas por vir”, conceitos e criações de como o pequeno transistor pode liberar um mundo sobrecarregado: o rádio de pulso, semelhante ao de Dick Tracy, mas com um alto-falante chique usado como uma flor na lapela; um aparelho de TV portátil, que deve ter parecido surpreendente na época, devido aos enormes e pesados armários necessários para acomodar a infinidade de tubos dentro das TVs dos anos 1950; e a “máquina de calcular”, ou computador, cujo tamanho, dizem, um dia será tão reduzido por causa dos transistores que exigirá apenas “uma sala de bom tamanho” em vez de um espaço do tamanho do Empire State Building. O conceito de como os pequenos computadores poderiam ser ainda estava a décadas de distância.
Embora a visão do futuro do Transistor pareça um tanto estranha em retrospecto, ela captura um momento no tempo antes de o transistor se tornar onipresente; uma época em que a Bell Labs queria que o mundo soubesse que algo importante havia ocorrido, algo que estava prestes a trazer uma tremenda mudança para a vida diária de todos.
Tradução
Esta imagem é sobre o transistor. Existem três transistores aqui nesta coleção de pequenas peças eletrônicas: o tipo de contato de ponto original, o tipo de junção e o fototransistor. E aqui está um tipo mais complexo de transistor. Isso é chamado de tetrodo de junção.
Esses minúsculos transistores estão destinados a desempenhar um papel importante em nossa era eletrônica. Eles tornarão possível dispositivos eletrônicos menores e mais compactos, necessitarão de menos manutenção e terão uma vida útil mais longa.
Mas para compreender plenamente a importância desses novos membros da família eletrônica, vamos relembrar as maravilhas possibilitadas pelo tubo de alto vácuo, o tubo de rádio comum.
As raízes da era eletrônica remontam aos primeiros anos do nosso século. Em 1907, o Dr. Lee de Forest descobriu que uma grade de fios finos colocada entre um filamento e uma placa de metal em um tubo de vácuo poderia controlar o fluxo de elétrons entre o filamento e a placa, e o tubo poderia ser feito para amplificar, bem como detectar a onda elétrica. Ele chamou esse tubo amplificador de Audion. Sinais fracos aplicados à entrada ou grade do Audion fizeram com que sinais semelhantes e muito mais fortes fluíssem da placa ou saída.
Alguns anos depois, dois cientistas, o Dr. Arnold da Bell Telephone Laboratories e o Dr. Langmuir da General Electric, trabalhando independentemente, descobriram que bombeando o tubo Audion para criar um vácuo muito alto, eles obtinham maior fidelidade e estabilidade.
Aqui está uma das primeiras válvulas de alto vácuo que nos iniciou no caminho para as maravilhas da nossa era eletrônica.
Em 1915, físicos e engenheiros de pesquisa telefônica conseguiram desenvolver métodos de fabricação de um tubo de vácuo com características suficientemente uniformes para que centenas deles fossem instalados como amplificadores, possibilitando assim a primeira linha telefônica entre Nova York e São Francisco. E as chamadas telefônicas transcontinentais de 3.000 milhas tornaram-se uma realidade.
No mesmo ano de 1915, em Arlington, Virgínia, os engenheiros de telefonia conectaram 500 tubos de vácuo para gerar energia de rádio suficiente para enviar a voz humana através do Atlântico pela primeira vez na história. Palavras faladas em um transmissor de rádio em Arlington foram ouvidas por engenheiros que escutavam na Torre Eiffel em Paris e também em Pearl Harbor, no Havaí.
1920 trouxe o início da transmissão de rádio, quando um receptor de rádio de tubo de vácuo era um verdadeiro luxo. Então, os próximos 10 anos nos deram filmes falados, demonstrações de serviços telefônicos de rádio transoceânicos, e telefonia de navio para terra.
Com nossa era eletrônica em pleno andamento, o cabo coaxial, o tubo de raios catódicos, o iconoscópio e o ortocone de imagens, auxiliado por centenas de tubos de vácuo mais convencionais, deu-nos a televisão, radar para a guerra, radar para a paz.
E, em seguida, retransmissão de rádio de microondas para acelerar centenas de chamadas telefônicas, bem como programas de televisão de costa a costa. O coração de todos esses sistemas eletrônicos tem sido o tubo de vácuo.
Mas os Bell Telephone Laboratories acrescentaram um coração totalmente novo e diferente aos sistemas de comunicação modernos. O transistor. Operando em um princípio novo e diferente decorrente da pesquisa básica sobre substâncias sólidas e como os elétrons dentro delas se comportam. Como tudo aconteceu?
Bem, os Doutores Shockley, Bardeen e Brattain, e seus associados nos Bell Telephone Laboratories, estavam trabalhando em um problema de pesquisa pura, investigando as propriedades superficiais do germânio, uma substância conhecida por ser um semicondutor de eletricidade. Seus estudos sugeriram uma maneira de amplificar uma corrente elétrica dentro de um sólido sem vácuo ou elemento de aquecimento. E depois de meses de cálculos, experimentos, testes, nasceu o transistor. O transistor – um novo nome, um novo dispositivo que pode fazer muitos dos trabalhos feitos pelo tubo de vácuo, e muitos que o tubo não pode fazer. Vamos ver como o transistor e o tubo se comparam.
Em primeiro lugar, o tubo de vácuo consome muita energia. Embora um tubo como esse geralmente exija um watt ou mais de eletricidade, um milionésimo de watt é suficiente para o transistor. Mesmo uma bateria improvisada de papel mata-borrão úmido enrolada em uma moeda pode alimentar o transistor.
[Tom de sinal eletrônico]
O tubo de vácuo fica muito quente. Às vezes um pouco quente demais. É por isso que em dispositivos complexos os tubos devem ser espaçados o suficiente para uma ventilação adequada. Como os transistores permanecem frios, eles podem ser agrupados em um pequeno espaço. Também em tamanho, confiabilidade e robustez, o minúsculo transistor tem muitas vantagens. E a pesquisa prossegue para torná-lo ainda mais útil.
Muitos tipos novos e aprimorados de transistores provavelmente são modelos iniciais, mas os transistores não são mais apenas um experimento. Aqui eles estão sendo produzidos na fábrica da Western Electric em Allentown, Pensilvânia, a unidade de fabricação e fornecimento do Sistema Bell. Tipos diferentes para finalidades diferentes. O pessoal da Bell Telephone tem muitos trabalhos em fila para eles, trabalhos baseados na capacidade do transistor de amplificar os sons da fala desta maneira:
[Homem demonstrando, voz baixa] “É assim que minha voz poderia soar em uma linha telefônica de 75 milhas que não possui dispositivo de amplificação. [Voz mais alta] Agora com um amplificador de transistor na linha, minha voz é amplificada para que você possa me ouvir distintamente.”
Isso, por exemplo, fará com que em fazendas isoladas, longe das centrais, o transistor, direto no telefone, torne mais fácil para o fazendeiro ouvir e ser ouvido em seu telefone rural. E os transistores podem substituir muitos dos tubos de vácuo usados no fornecimento de serviços telefônicos de longa distância. Por serem tão minúsculos, os transistores possibilitaram a miniaturização de muitos tipos de equipamentos eletrônicos. Este equipamento requer menos espaço e custará menos para manter.
Os transistores também podem ser usados na telefonia multicanal, o que aumenta o número de chamadas que podem ser realizadas ao mesmo tempo nas linhas telefônicas. Quando você disca direto de sua cidade para uma cidade distante, os transistores neste seletor de rota podem estar ajudando a marcar o caminho ao longo do qual sua chamada irá.
Os transistores podem algum dia ir para o fundo do mar, embutidos em cabos telefônicos subaquáticos. Mas os transistores vão bem com muitas outras indústrias também. Muitos fabricantes foram licenciados para produzir transistores e desenvolver novas aplicações. Através de seus esforços, você pode obter música com um movimento de seu pulso do chamado rádio Dick Tracy. E com um aparelho de televisão portátil, você poderá desfrutar de entretenimento em vídeo onde quer que vá. Para os militares, o transistor abre possibilidades fantásticas, a maioria delas em estágio inicial de desenvolvimento para serem comentadas.
Os transistores ocuparão seu lugar nas complexas máquinas de calcular que muitas vezes foram chamadas de cérebros eletrônicos, porque permitem ao homem economizar dias, meses e até anos na resolução de problemas matemáticos. É claro que não podemos construir uma máquina de calcular tão flexível quanto o cérebro humano, mas mesmo um computador feito pelo homem projetado para fazer centenas de trabalhos de cálculo poderiam precisar de um Empire State Building para abrigá-lo e de uma Catarata do Niágara para fornecer energia e resfriá-lo, se tubos de vácuo fossem usados em sua construção. Substituindo transistores por válvulas, uma máquina tão versátil poderia caber em uma sala de bom tamanho e as necessidades de energia e resfriamento seriam relativamente baixas.
Com o transistor, o homem avançou muito no sentido de igualar parte da capacidade do cérebro humano. Ele tem feito isso com imaginação, com a inventividade e o trabalho em equipe dos cientistas da Bell Phone que estão ansiosos pela era um pouco além da Era da Eletrônica.
Transliteração:
This picture is about the transistor. There are three transistors here in this collection of small electronic parts: the original point contact type, the junction type, and the photo transistor. And here’s a more complex type of transistor. This is called the junction tetrode.
These tiny transistors are destined to play a big part in our electronic age. They will make possible smaller more compact electronic devices, and will need less maintenance and have a longer life. But to grasp fully the importance of these new members of the electronic family, let’s recall the wonders made possible by the high vacuum tube.
The common radio tube. The roots of the electronic age reach back into the early years of our century. In 1907 Dr. Lee de Forest discovered that a grid of fine wire placed between a filament and a metal plate in a vacuum tube could control the flow of electrons between the filament and plate and the tube could be made to amplify as well as detect the electrical wave. He called this amplifying tube an Audion. Weak signals applied to the import or grid of the Audion caused similar and much stronger signals to flow from the plate or output.
A few years later two scientists, Dr. Arnold of Bell Telephone Laboratories and Dr. Langmuir of General Electric working independently, found that by pumping out the Audion tube to create a very high vacuum, they obtained greater fidelity and stability. Here’s one of the first high vacuum tubes that started us on the way to the wonders of our electronic age.
By 1915 telephone research physicists and engineers had succeeded in developing methods of manufacturing a vacuum tube with sufficiently uniform characteristics so that hundreds of them were installed as amplifiers thus making possible the first telephone line between New York and San Francisco. And 3,000 mile transcontinental telephone calls became a reality.
The same year 1915 at Arlington, Virginia telephone engineers hooked together 500 vacum tubes to generate enough radio power to send the human voice across the Atlantic for the first time in history. Words spoken into a radio telephone transmitter at Arlington were heard by engineers listening at the Eiffel Tower in Paris and also at Pearl Harbor, Hawaii.
1920 brought the beginning of radio broadcasting when a vacuum tube radio receiver was a real luxury. Then the next 10 years gave us talking motion pictures, trans-oceanic radio telephone services television demonstrations, and ship to shore telephony.
With our electronic age in full swing the coaxial cable, the cathode ray tube, the iconoscope and the image orthocon, aided by hundreds of more conventional vacuum tubes, gave us television, radar for war, radar for peace. And then microwave radio relay to speed hundreds of telephone calls as well as television programs from coast to coast. The heart of all these electronic systems has been the vacuum tube.
But the Bell Telephone Laboratories have added an entirely new and different heart to modern communication systems. The transistor. Operating on a new and different principle arising from basic research on solid substances and how the electrons inside them behave. How did it all come about?
Well, Doctors Shockley, Bardeen and Brattain, and their associates at the Bell Telephone Laboratories, were working on a problem in pure research, investigating the surface properties of germanium, a substance known to be a semiconductor of electricity. Their studies suggested a way to amplify an electric current within a solid without a vacuum or a heating element. And after months of calculations, experiments, tests, the transistor was born. The transistor – a new name, a new device that can do many of the jobs done by the vacuum tube, and many the tube can’t do. Let’s see how the transistor and tube measure up.
First off, the vacuum tube is power hungry. While a tube like this generally demands a watt or more of electricity a millionth of a watt is enough for the transistor. Even a makeshift battery of moist blotting paper wrapped around a coin can power transistor.
[Electronic signal tone]
The vacuum tube gets pretty hot. Sometimes a little too hot. That’s why in complex devices the tubes must be spaced far enough apart for proper ventilation. Since transistors remain cool they can be crowded together in a small space. In size, reliability and ruggedness too, the tiny transistor has many advantages. And research goes on to make it still more useful.
Many new and improved types of transistors are probably early models, but transistors are no longer just an experiment. Here they are being produced at the Allentown, Pennsylvania plant of Western Electric, the manufacturing and supply unit of the Bell System. Different types for different purposes. The Bell Telephone people have lots of jobs lined up for them jobs based on the transistor’s ability to amplify speech sounds in this way:
[Man demonstrating, voice low] “This is how my voice would sound over a 75 mile telephone line that has no amplifying device. [Voice louder] Now with a transistor amplifier in the line, my voice is amplified so that you can hear me distinctly.”
This, for example, will mean that in isolated farmhouses far from central exchanges the transistor, right in the telephone, will make it easier for the farmer to hear and be heard on his rural telephone. And transistors can replace many of the vacuum tubes used in providing long distance telephone service. Because they are so tiny transistors have made it possible to miniaturize many types of electronic equipment. This equipment requires less space and will cost less to maintain.
Transistors may also be used in multi-channel telephony which increases the number of calls that can be carried at the same time along telephone lines. When you dial direct from your town to a distant city, transistors in this route selector may be helping to mark out the pathway along which your call will go.
Transistors may some day go under the sea, built right into underwater telephone cables. But transistors go well with lots of other industries too. Many manufacturers have been licensed to produce transistors and devise new applications. Through their efforts you may be able to get music with a flick of your wrist from the so-called Dick Tracy radio. And with a portable television set you may be able to enjoy video entertainment anywhere you go. For the military the transistor opens up fantastic possibilities, most of them in too early a stage of development to be talked about.
Transistors will take their place in the complex calculating machines that have often been called electronic brains, because they enable man to save days, month, even years in solving mathematical problems. Of course we cannot build a calculating machine as flexible as the human brain, but even a man-made computer designed to do hundreds of brain-like calculating jobs might need an Empire State Building to house it and a Niagara Falls to power and cool it, if vacuum tubes were used in its construction. Substituting transistors for tubes, such a versatile machine could fit into a good-sized room, and power and cooling needs would be relatively low.
With the transistor man has drawn far toward matching some of the capacity of the human brain. He has done it with imagination, with the inventiveness and teamwork of the Bell telephone scientists who are looking forward to the age just beyond the Age of Electronics.
Psicólogo vê risco de retrocesso para humanidade com vício em telas | DW Brasil
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso abusivo da internet aumentou drasticamente nos últimos 20 anos. Esse aumento veio associado a vários casos de conseqüências negativas para a saúde. Também a rolagem infinita, pensada para proporcionar uma melhor experiência ao usuário, acabou, na opinião de muitos, se tornando um pesadelo por ser altamente viciante. O próprio inventor da rolagem infinita, Aza Raskin, se arrependeu de sua criação e hoje afirma que ”estamos colocando toda a humanidade no maior experimento psicológico já feito.
Para entender melhor o assunto, a DW Brasil entrevistou o coordenador do Núcleo de Dependências Tecnológicas da USP, Dr. Cristiano Nabuco.
No hospital onde atende, Dr. Nabuco recebe adolescentes de todas as regiões do país que chegam a ficar conectados na Internet mais de 55 horas de forma ininterrupta. ”Eles não se alimentam, não vão sequer ao banheiro”, conta.
Para o psicólogo que já publicou 15 livros sobre psicologia, saúde mental e uso abusivo de tecnologia, as redes sociais podem produzir, pela 1º vez na história da humanidade, a interrupção da consolidação do conhecimento.
On Life, Luciano Floridi – La vita al tempo del digitale. Il filoso di Oxford e la nuova etica | La Repubblica
O segundo dia de compromissos Onlife, o primeiro evento Repubblica dedicado à sociedade digital ao vivo do Politécnico de Milão, acolhe entre outros o encontro com o filósofo Luciano Floridi intitulado “A vida na era digital. O filósofo de Oxford e a nova ética”
Quem somos nós? E qual é o nosso papel no universo? A tecnologia da informação está mudando radicalmente não apenas a forma como lidamos com o mundo e o compreendemos, ou interagimos uns com os outros, mas também como olhamos para nós mesmos e entendemos nossa própria existência e responsabilidades. O professor de filosofia Floridi ( @Floridi ) vai falar sobre o impacto da tecnologia da informação em nossas vidas e em nosso autoconhecimento; ele nos levará ao longo da revolução copernicana, da revolução darwiniana, da revolução freudiana até a revolução de Turing: um mundo de informações em um ambiente global feito, em última instância, de informação. Floridi falará sobre a expansão de nossa abordagem ecológica e ética para as realidades naturais e artificiais, a fim de lidar com sucesso com os novos desafios morais impostos pela tecnologia da informação.
Lutero, o monge católico que abriu portas para surgimento de igrejas evangélicas | BBC News Brasil
Incomodado com o monopólio da fé que a Igreja Católica detinha, sobretudo com a mercantilização de indulgências, Martinho Lutero, acadêmico respeitado e influente do século 16, abriu as portas para outras vertentes do cristianismo. Ouça áudio de reportagem de Edison Veiga.
O MANIFESTO ONLIFE
Sendo humano em uma era hiperconectada Luciano Floridi et all.
Em termos de uma visão geral do conteúdo do livro, nas próximas páginas argumentamos que o desenvolvimento e uso generalizado das TICs estão tendo um impacto radical na condição humana. Mais especificamente, acreditamos […] que as TICs não são meras ferramentas, mas sim forças ambientais que estão afetando cada vez mais:
nossa autoconcepção (quem somos);
nossas interações mútuas (como nos socializamos);
nossa concepção de realidade (nossa metafísica); e
nossas interações com a realidade (nossa agência).
Em cada caso, as TICs têm uma enorme importância ética, legal e política, mas com a qual começamos a lidar apenas recentemente.
Também estamos convencidos de que o impacto mencionado exercido pelas TICs se deve a pelo menos quatro transformações principais:
a. o borrão da distinção entre realidade e virtualidade;
b. o borrão da distinção entre humano, máquina e natureza;
c. a inversão da escassez de informações para a abundância de informações; e
d. a mudança da primazia das coisas autônomas, propriedades e relações binárias, para a primazia das interações, processos e redes.
O impacto resumido em (1) –(4) e as transformações por trás desse impacto, listadas em (a)–(d), estão testando as bases de nossa filosofia, no seguinte sentido. Nossa percepção e compreensão das realidades que nos cercam são necessariamente mediadas por conceitos. Eles funcionam como interfaces através das quais experimentamos, interagimos e semanticamos (no sentido de dar sentido e significado), o mundo. Em resumo, compreendemos a realidade por meio de conceitos, então, quando a realidade muda muito rapidamente e dramaticamente, como está acontecendo hoje em dia por causa das TICs, estamos conceitualmente em desvantagem. É uma impressão generalizada que nossa caixa de ferramentas conceituais atual não está mais adequada para enfrentar os novos desafios relacionados às TICs. Isso não é apenas um problema em si. É também um risco, porque a falta de uma compreensão conceitual clara de nosso tempo presente pode facilmente levar a projeções negativas sobre o futuro: tememos e rejeitamos o que não conseguimos dar significado. O objetivo do Manifesto e do restante do livro que contextualiza, portanto, é contribuir para a atualização de nosso quadro conceitual. É um objetivo construtivo. Não pretendemos incentivar uma filosofia de desconfiança. Pelo contrário, este livro pretende ser uma contribuição positiva para repensar a filosofia sobre a qual as políticas são construídas em um mundo hiperconectado, para que possamos ter uma chance melhor de entender nossos problemas relacionados às TICs e resolvê-los satisfatoriamente. Redesenhar ou reengenhar nossas hermenêuticas, para colocar de forma mais dramática, parece ser essencial, a fim de ter uma boa chance de entender e lidar com as transformações em (a) – (d) e, portanto, moldar da melhor maneira as novidades em (1) – (4). É claramente uma tarefa enorme e ambiciosa, para a qual este livro só pode aspirar a contribuir.
A implantação das tecnologias da informação e comunicação (TICs) e sua adoção pela sociedade afetam radicalmente a condição humana, na medida em que modifica nossos relacionamentos conosco, com os outros e com o mundo. A cada vez mais crescente onipresença das TICs abala os quadros de referência estabelecidos por meio das seguintes transformações:
o borrão da distinção entre realidade e virtualidade;
o borrão das distinções entre humano, máquina e natureza;
a inversão da escassez de informações para a abundância de informações; e
a mudança do primado das entidades para o primado das interações.
O mundo é apreendido pelas mentes humanas por meio de conceitos: a percepção é necessariamente mediada por conceitos, como se fossem as interfaces pelas quais a realidade é experimentada e interpretada. Os conceitos fornecem uma compreensão das realidades circundantes e um meio de apreendê-las. No entanto, a caixa de ferramentas conceituais atual não está adequada para lidar com os novos desafios relacionados às TICs e leva a projeções negativas sobre o futuro: tememos e rejeitamos o que não conseguimos compreender e dar significado. A fim de reconhecer essa inadequação e explorar outras conceptualizações, um grupo de 15 estudiosos em antropologia, ciência cognitiva, ciência da computação, engenharia, direito, neurociência, filosofia, ciência política, psicologia e sociologia instigou a Iniciativa Onlife, um exercício coletivo de pensamento para explorar as conseqüências relevantes para políticas dessas mudanças. Esse exercício de reengenharia conceitual busca inspirar reflexão sobre o que acontece conosco e repensar o futuro com maior confiança. Este manifesto tem como objetivo lançar um debate aberto sobre os impactos da era computacional nos espaços públicos, na política e nas expectativas da sociedade em relação à formulação de políticas no âmbito da Agenda Digital para a Europa. Mais amplamente, este manifesto tem como objetivo iniciar uma reflexão sobre como um mundo hiperconectado exige repensar os quadros referenciais sobre os quais as políticas são construídas. Isso é apenas o começo…
1 Game Over para a Modernidade?
Idéias que prejudicam a capacidade de formulação de políticas para enfrentar os desafios de uma era hiperconectada
1.1 A filosofia e a literatura há muito tempo desafiaram e revisaram algumas das suposições fundamentais da modernidade. No entanto, os conceitos políticos, sociais, jurídicos, científicos e econômicos e as narrativas relacionadas à formulação de políticas ainda estão profundamente ancorados em suposições questionáveis da modernidade. De fato, a modernidade tem sido uma jornada agradável para alguns ou muitos, e tem dado frutos múltiplos e grandes em todas as áreas da vida. Ela também teve seus lados negativos. Independentemente desses debates, nossa visão é que as restrições e possibilidades da era computacional desafiam profundamente algumas das suposições da modernidade.
1.2 A modernidade foi um momento de relação tensa entre humanos e natureza, caracterizado pela busca humana por desvendar os segredos da natureza, ao mesmo tempo em que considera a natureza como um reservatório passivo e infinito. O progresso foi a utopia central, acompanhada pela busca por uma postura onisciente e onipotente. (Por postura, queremos dizer a noção dual de posição e de se fazer ver ocupando uma posição.) Os avanços no conhecimento científico (termodinâmica, eletromagnetismo, química, fisiologia, etc.) trouxeram uma lista interminável de novos artefatos em todos os setores da vida. Apesar da conexão profunda entre artefatos e natureza, ainda se presume uma suposta divisão entre artefatos tecnológicos e natureza. O desenvolvimento e a implantação de TICs contribuíram enormemente para borrar essa distinção, a ponto de continuar a usá-la como se ainda fosse operacional ser ilusório e se tornar contraproducente.
1.3 A racionalidade e a razão desencorporadas foram atributos especificamente modernos dos humanos, tornando-os distintos dos animais. Como resultado, a ética era uma questão de sujeitos autônomos, racionais e desencorporados, e não uma questão de seres sociais. E a responsabilidade pelos efeitos causados pelos artefatos tecnológicos era atribuída ao seu modelador, produtor, vendedor ou usuário. As TICs desafiam essas suposições, convocando noções de responsabilidade distribuída.
1.4 Finalmente, as visões de mundo modernas e as organizações políticas foram impregnadas de metáforas mecânicas: forças, causalidade e, acima de tudo, controle tinham uma importância primordial. Os padrões hierárquicos eram modelos-chave para a ordem social. As organizações políticas eram representadas pelos Estados de Westphalian, exercendo poder soberano em seu território. Dentro desses Estados, os poderes legislativo, executivo e judiciário eram considerados para equilibrar um ao outro e proteger contra o risco de abuso de poder. Ao permitir sistemas multi-agentes e abrir novas possibilidades para a democracia direta, as TICs desestabilizam e exigem uma revisão das perspectivas de mundo e metáforas subjacentes às estruturas políticas modernas.
2 No canto de Frankenstein e do Grande Irmão
Medos e riscos em uma era hiperconectada
2.1 É digno de nota que a dúvida cartesiana e as suspeitas relacionadas sobre o que é percebido pelos sentidos humanos levaram a uma dependência cada vez maior do controle em todas as suas formas. Na modernidade, o conhecimento e o poder estão profundamente ligados ao estabelecimento e manutenção do controle. O controle é tanto buscado quanto ressentido. Medos e riscos também podem ser percebidos em termos de controle: muito dele – em detrimento da liberdade – ou falta dele – em detrimento da segurança e da sustentabilidade. Paradoxalmente, nestes tempos de crise econômica, financeira, política e ambiental, é difícil identificar quem tem controle sobre o quê, quando e dentro de qual escopo. Responsabilidades e obrigações são difíceis de atribuir claramente e endossar de forma inequívoca. Responsabilidades distribuídas e interligadas podem ser erroneamente entendidas como uma licença para agir de forma irresponsável; essas condições podem ainda tentar líderes empresariais e governamentais a adiar decisões difíceis e, assim, levar à perda de confiança.
2.2 Experimentar a liberdade, a igualdade e a alteridade em esferas públicas se torna problemático em um contexto de identidades cada vez mais mediadas e interações calculadas, como perfilagem, publicidade direcionada ou discriminação de preços. A qualidade das esferas públicas é ainda mais prejudicada pelo aumento do controle social por meio da vigilância mútua ou lateral (sousveillance), que nem sempre é melhor do que a vigilância do “Grande Irmão”, como cada vez mais o cyberbullying mostra.
2.3 A abundância de informações pode resultar em sobrecarga cognitiva, distração e amnésia (o presente esquecido). Novas formas de vulnerabilidades sistêmicas surgem da crescente dependência das infra-estruturas informacionais. Jogos de poder em esferas online podem levar a conseqüências indesejáveis, incluindo o desempoderamento das pessoas por meio da manipulação de dados. A repartição de poder e responsabilidade entre as autoridades públicas, agentes corporativos e cidadãos deveria ser equilibrada de forma mais justa.
3 O dualismo está morto! Viva as dualidades!
Compreendendo os desafios
3.1 Ao longo de nosso esforço coletivo, uma pergunta continuou retornando ao palco principal: “o que significa ser humano em uma era hiperconectada?” Essa pergunta fundamental não pode receber uma única resposta definitiva, mas abordá-la provou ser útil para abordar os desafios de nosso tempo. Pensamos que lidar com esses desafios pode ser mais bem feito privilegiando pares duais em vez de dicotomias opositivas.
3.1 Controle e Complexidade
3.2 No mundo Onlife, os artefatos deixaram de ser meras máquinas que simplesmente operam de acordo com as instruções humanas. Eles podem mudar de estado de maneiras autônomas e podem fazê-lo cavando na riqueza exponencialmente crescente de dados, tornados cada vez mais disponíveis, acessíveis e processáveis pelas TICs em rápido desenvolvimento e cada vez mais pervasivas. Os dados são registrados, armazenados, computados e retroalimentados em todas as formas de máquinas, aplicativos e dispositivos de maneiras novas, criando infinitas oportunidades para ambientes adaptativos e personalizados. Filtros de muitos tipos continuam a erodir a ilusão de uma percepção objetiva e imparcial da realidade, ao mesmo tempo em que abrem novos espaços para interações humanas e novas práticas de conhecimento.
3.3 No entanto, é precisamente no momento em que uma postura de onisciência/onipotência poderia ser percebida como alcançável que se torna óbvio que é uma quimera, ou pelo menos um alvo em constante movimento. O fato de o ambiente ser impregnado por fluxos e processos de informação não o torna um ambiente onisciente/onipotente. Ao contrário, ele pede novas formas de pensar e agir em múltiplos níveis, a fim de abordar questões como propriedade, responsabilidade, privacidade e autodeterminação.
3.4 Em certa medida, a complexidade pode ser vista como outro nome para a contingência. Longe de desistir da responsabilidade em sistemas complexos, acreditamos que há uma necessidade de reavaliar as noções recebidas de responsabilidade individual e coletiva. A própria complexidade e entrelaçamento de artefatos e humanos nos convidam a repensar a noção de responsabilidade nesses sistemas sociotécnicos distribuídos.
3.5 A clássica distinção de Friedrich Hayek entre kosmos e taxis, ou seja, evolução versus construção, estabelece uma linha entre ordens espontâneas (supostamente naturais) e o planejamento humano (político e tecnológico). Agora que os artefatos tomados globalmente escaparam do controle humano, mesmo que tenham originado das mãos humanas, metáforas biológicas e evolutivas também podem ser aplicadas a eles. A perda resultante de controle não é necessariamente dramática. Tentativas de recuperar o controle de forma compulsiva e não reflexiva são um desafio ilusório e destinado a falhar. Portanto a complexidade das interações e a densidade dos fluxos de informação não são mais redutíveis apenas a taxis. Por isso intervenções de diferentes agentes nesses emergentes sistemas sociotécnicos exigem aprender a distinguir o que deve ser considerado como kosmos, ou seja, um ambiente dado que segue seu padrão evolutivo, e o que deve ser considerado como taxis, ou seja, ao alcance de uma construção que responda efetivamente às intenções e/ou propósitos humanos.
3.2 Público e Privado
3.6 A distinção entre público e privado freqüentemente foi compreendida em termos espaciais e opostos: o lar versus a ágora, a empresa privada versus a instituição pública, a coleção privada versus a biblioteca pública, e assim por diante. O uso das TICs tem aumentado o ofuscamento da distinção quando expressa em termos espaciais e dualísticos. A internet é uma extensão importante do espaço público, mesmo quando operada e de propriedade de atores privados. As noções de públicos fragmentados, de terceiros espaços e de bens comuns, e o foco crescente no uso em detrimento da propriedade, todos desafiam nossa compreensão atual da distinção público-privado.
3.7 No entanto, consideramos que essa distinção entre privado e público é mais relevante do que nunca. Hoje, o privado está associado à intimidade, autonomia e abrigo do olhar público, enquanto o público é visto como o domínio da exposição, transparência e responsabilidade. Isso pode sugerir que o dever e o controle estão do lado do público, e a liberdade está do lado do privado. Essa visão nos cega para as deficiências do privado e para as oportunidades do público, onde este último também é um componente de uma vida boa.
3.8 Acreditamos que todos precisam tanto de abrigo do olhar público quanto de exposição. A esfera pública deve fomentar uma gama de interações e engajamentos que incorporam uma opacidade capacitadora do eu, a necessidade de auto-expressão, a performance de identidade, a chance de se reinventar, bem como a generosidade do esquecimento deliberado.
4 Propostas para Melhor Servir as Políticas
Mudanças Conceituais com Conseqüências Relevantes para a Governança Onlife
4.1 O Eu Relacional
4.1 É um dos paradoxos da modernidade que ela ofereça duas abordagens contraditórias sobre o que é o eu. Por um lado, no âmbito político, o eu é considerado livre e “livre” freqüentemente entendido como sendo autônomo, descorporificado, racional, bem-informado e desconectado: um eu individual e atomístico. Por outro lado, em termos científicos, o eu é um objeto de estudo entre outros e, nesse aspecto, é considerado totalmente analisável e previsível. Ao focar em causas, incentivos ou desincentivos numa perspectiva instrumental, esse tipo de conhecimento frequentemente busca influenciar e controlar comportamentos, em níveis individuais e coletivos. Assim, há uma oscilação constante entre uma representação política do eu, como racional, descorporificado, autônomo e desconectado, por um lado, e uma representação científica do eu, como heterônomo e resultante de contextos multifatoriais plenamente explicáveis pelas várias disciplinas científicas (sociais, naturais e tecnológicas).
4.2 Acreditamos que é hora de afirmar, em termos políticos, que nossos eus são simultaneamente livres e sociais, ou seja, que a liberdade não ocorre no vácuo, mas num espaço de possibilidades e limitações: juntamente com a liberdade, nossos eus derivam e aspiram a relacionamentos e interações com outros eus, artefatos tecnológicos e o restante da natureza. Como tal, os seres humanos são “livres com elasticidade”, para emprestar uma noção econômica. A natureza contextual da liberdade humana responde tanto pelo caráter social da existência humana quanto pela abertura dos comportamentos humanos que permanecem, em certa medida, obstinadamente imprevisíveis. Moldar políticas no âmbito da experiência Onlife significa resistir à suposição de um eu racional e descorporificado e, em vez disso, estabilizar uma concepção política do eu como um eu livre inerentemente relacional.
4.2 Tornando-se uma Sociedade Digitalmente Literata
4.3 A utopia da onisciência e da onipotência muitas vezes envolve uma atitude instrumental em relação ao outro e uma compulsão para transgredir fronteiras e limites. Essas duas atitudes são sérios obstáculos para pensar e experimentar esferas públicas na forma de pluralidade, onde os outros não podem ser reduzidos a instrumentos e onde a autodisciplina e o respeito são necessários. As políticas devem se basear em uma investigação crítica de como os assuntos humanos e as estruturas políticas são profundamente mediados pelas tecnologias. Endossar a responsabilidade em uma realidade hiperconectada requer reconhecer como nossas ações, percepções, intenções, moralidade, até mesmo corporalidade estão interligadas com as tecnologias em geral e as TICs em particular. O desenvolvimento de uma relação crítica com as tecnologias não deve visar a encontrar um lugar transcendental fora dessas mediações, mas sim uma compreensão imanente de como as tecnologias nos moldam como seres humanos, enquanto nós humanos moldamos criticamente as tecnologias.
4.4 Achamos útil pensar na reavaliação dessas noções recebidas e no desenvolvimento de novas formas de práticas e interações in situ na seguinte frase: “construindo a jangada enquanto nadamos”.
4.3 Cuidando de Nossas Capacidades de Atenção
4.5 A abundância de informações, incluindo os desenvolvimentos de “big data“, induzem grandes mudanças em termos conceituais e práticos. Noções anteriores de racionalidade presumiam que acumular informações e conhecimentos conquistados levaria a uma melhor compreensão e, portanto, a um melhor controle. O ideal enciclopédico ainda está presente, e o foco continua principalmente na adaptação de nossas capacidades cognitivas, expandindo-as na esperança de acompanhar uma infosfera em constante crescimento. Mas essa expansão infinita está se tornando cada vez menos significativa e menos eficiente em descrever nossas experiências diárias.
4.6 Acreditamos que as sociedades devem proteger, valorizar e nutrir as capacidades de atenção dos seres humanos. Isso não significa desistir de buscar melhorias: isso sempre será útil. Ao contrário, afirmamos que as capacidades de atenção são um ativo finito, precioso e raro. Na economia digital, a atenção é abordada como uma mercadoria a ser trocada no mercado ou a ser canalizada nos processos de trabalho. Mas essa abordagem instrumental à atenção negligencia as dimensões sociais e políticas dela, ou seja, o fato de que a capacidade e o direito de focar nossa própria atenção é uma condição crítica e necessária para a autonomia, responsabilidade, reflexividade, pluralidade, presença engajada e sentido. Na mesma medida em que órgãos não devem ser trocados no mercado, nossas capacidades de atenção merecem tratamento protetor. O respeito à atenção deve ser vinculado a direitos fundamentais, como privacidade e integridade corporal, pois a capacidade de atenção é um elemento inerente do eu relacional pelo papel que desempenha no desenvolvimento da linguagem, empatia e colaboração. Acreditamos que, além de oferecer escolhas informadas, as configurações padrão e outros aspectos projetados de nossas tecnologias devem respeitar e proteger as capacidades de atenção.
4.7 Em resumo, afirmamos que mais atenção coletiva deve ser dedicada à atenção em si como um atributo humano inerente que condiciona o florescimento das interações humanas e as capacidades de se engajar em ações significativas na experiência Onlife. Este manifesto é apenas o começo… Este capítulo é distribuído sob os termos da Licença Creative Commons Attribution Noncommercial, que permite qualquer uso não comercial, distribuição e reprodução em qualquer meio, desde que os autores originais e a fonte sejam creditados.
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