Como saber se você está com depressão?

É ano novo e você está catando na internet sobre depressão. Bem-vindo. Você não está sozinho nessa. E não finja que está tudo bem.

Se você estiver se sentindo mal agora, por favor, leia imediatamente o seguinte artigo: Suicídios, setembro amarelo e vida que segue.

Em tempo:

Se você estiver estudando o assunto, fiz um alerta de como a pandemia inevitavelmente iria afetar em massa a vida emocional da população mundial: A segunda pandemia: ansiedade, pânico e depressão

E uma crítica ao modo como ela é lidada em meu local de trabalho: Suicídios na UERJ – Uma questão ainda não solucionada.

Vídeos selecionados da página https://www.youtube.com/c/didatics/videos

10 COISAS QUE A DEPRESSÃO NOS LEVA A FAZER | didatics

5 SINAIS OCULTOS DE DEPRESSÃO | didatics

8 SINAIS DE QUE ALGUÉM ESTÁ ESCONDENDO A DEPRESSÃO | didatics

6 SINAIS DE DEPRESSÃO NA ADOLESCÊNCIA | didatics

Opinião no ar (21/10/20) Completo

Opinião no ar (21/10/20) Completo | RedeTV! Jornalismo

Rápida aula com
Bruno Garschagen – Cientista político
Kaíke Nanne – Diretor de Redação da Revista Oeste

Dr. Alessandro Loiola no Programa Coliseum

Editado em 15/12/2020: problemas na visualização do vídeo.

Dr. Alessandro Loiola no Programa Coliseum | Programa Coliseum

Para ver meus argumentos sobre a pandemia, ver também meu texto:

Guia da pandemia: o vírus corona no Brasil e no mundo.

Adendo à falácia sobre a Educação

Em casa de ferreiro o espeto é de pau. Fiquei de fazer a revisão gramatical de meu primeiro artigo independente: ”A falácia sobre a educação”. E desde 2017 estava para fazê-la. Publiquei um monte de coisas depois, fiz até revisão de doutoramento. E cadê a revisão do meu artigo???

Com todo o atraso do mundo (que me é natural) eis aí:

Texto completo: Edição independente 001.1 – versão revisada e ampliada

Em 07 de março de 2018, tomei um táxi na porta da UERJ para vir para casa. Estava conversando com o taxista André Luiz Ferreira sobre o texto. Após explicar minha posição, ele me perguntou: “E quando a educação não vem de casa?”. Ou seja, e quando não há condições de os pais educarem seus filhos?

Temos hoje jovens que, como diria certo amigo professor (omiti seu nome para não prejudicá-lo), carecem até mesmo das mais rudimentares noções de civilidade. E os pais por vezes são ainda piores!

Seguindo a argumentação de meu artigo, advém a pergunta: ”Caberia ao Estado educar as crianças quando seus pais não podem ou até mesmo não querem educá-las?”.

Finalmente, após tantos anos, tenho a resposta: sim. O Estado pode sim interferir na educação e na proteção da criança, mesmo contra a vontade de seus pais. A função do Estado é proteger os direitos e as liberdades do indivíduo, não de um ou outro grupo social, incluindo a própria família.

Se o comportamento familiar é prejudicial, nocivo ou perigoso à criança, o Estado pode e deve sim interferir contra a vontade dos pais. Nisto se fundamenta a defesa da criança contra o aborto, a violência doméstica, o abuso sexual, a mutilação religiosa e qualquer outro fato que fira sua integridade, bem como lhe retire o livre-arbítrio, a livre escolha, o direito de decidir sobre si, seu corpo e sua própria vida.

Como a criança e o jovem ainda estão com suas personalidades em formação, precisam de tutela, pois não têm maturidade para decidir muitas coisas sozinhos. Cabe ao Estado, se necessário, impedir que haja abusos por parte da família dela, quando de ações contrárias à moral e aos bons costumes. Bem como cabe ao Estado suprir a educação das noções básicas de civilidade e respeito, qualidades bem quistas na formação de seus cidadãos.

Exemplo de escola japonesa:

 

Como ter uma casa off-grid (fora da malha)?

Então você se cansou de morar na cidade? Ou se cansou das famigeradas empresas distribuidoras de água e energia? Bem-vindo ao mundo dos aventureiros!

Dizemos que a ”malha” ou ”grid” é a rede de distribuição de insumos (água, energia, comunicação e gás) operada por empresas seja no campo, seja na cidade. Habitações fora dessa rede não contam com saneamento básico, iluminação noturna etc. (fornecidos por outrem) e são sinônimos de uma vida difícil. Tolo engano! É perfeitamente possível viver muito bem fora da malha.

Viver fora da malha é uma escolha de vida de que quem traz para si toda a responsabilidade de suprir-se o conforto do mundo contemporâneo. Quem se acostumou a ter logo ali nas paredes a fonte das facilidades do século XXI dificilmente optará por deixar essas benesses para trás. Afinal, por que passar pelas mesmas dificuldades de nossos bisavós, se hoje já há tecnologia para tudo? Mas essa escolha pela facilidade da tecnologia causa uma grande dependência de empresas e pessoas e coisas. Quando você resolve assumir o controle, na verdade o que está buscando é a liberdade de não ter de depender de ninguém!

Para isso, conhecimento é fundamental. Você terá de aprender como funciona toda a cadeia seqüencial de fornecimento desses insumos básicos para reproduzi-la, em menor escala, para sua própria casa. Embora comunicação e gás sejam interessantes, o essencial de que você precisará será energia elétrica e, especialmente, água (bem como tratar a água utilizada).

Energia elétrica

A forma mais custosa de ter energia em sua casa fora da malha é comprar um gerador a combustível e ligá-lo quando precisar. Vai gastar óleo diesel cada vez que usar, fazer um barulhão e durar pouco tempo. Se quiser uma alternativa permanente, a sugestão é usar uma fonte de energia melhor como o Sol ou uma mini-usina hidroelétrica.

A montagem de uma mini-hidroelétrica dependerá de haver um riacho com queda d’água próximo de onde vai morar. Você monta um moinho ou turbina e aproveita a energia da queda d’água, lembrando que não pode fazer represa. Ou você esquece todo esse problema de gerador e usina e vai direto para a solução mais recomendada que é a da energia solar.

As placas de energia solar hoje são muito mais baratas que antes e já é possível abastecer sua casa com condicionador de ar e chuveiro quente só com elas. Você vai precisar das placas, baterias (para armazenar a energia do Sol para a noite), um inversor (para transformar a corrente contínua da bateria para a alternada dos aparelhos domésticos) e um controlador.

Uma vez montado o sistema, serão anos e anos sem preocupações com contas, além de ter todos os benefícios da cidade, como geladeira e TV. Também pode ter um sistema comunicação para ter acesso à internet banda larga por satélite.

Abastecimento de água

O mais precioso dos bens que você terá de obter é a água. Você aprenderá a dar muito (muito) valor à água.

Em alguns lugares há restrições legais para a perfuração de poços artesianos, então para essa opção você talvez precisará de autorização prévia. Se estiver longe de uma fonte natural de água, como rio ou lago, a forma mais simples é contratar um caminhão-pipa para se abastecer, encher seu reservatório de tempos em tempos e cuidar da salubridade da água. Mas considere que aprender a reaproveitar a água da chuva, ou de uso doméstico vale muito a pena. A opção mais complexa é montar sua própria estação de tratamento de esgoto doméstico para reutilização da água. É um empreendimento muito caro e talvez não valha a pena para uma casa só…

Salubridade e saneamento

Não ter rede de esgoto disponível é um chamariz para todo tipo de doenças. Evite soluções medíocres e vá direto para a mais eficiente de todas: monte uma fossa biodigestora (<< clique no link). Neste caso, a água não é reutilizável (potável), mas é completamente limpa de todos os contaminantes antes de ser devolvida à natureza. Não contamina o solo de sua casa e possíveis poços artesianos que queira construir.


Vídeos de exemplo:

O modelo industrial da máquina abaixo pode fornecer água para uso doméstico (banho, limpeza) em escala. O modelo do vídeo é para consumo (água de beber).
WATEAIR – MÁQUINA DE FAZER ÁGUA 96º PROGRAMA TV FACENS

Tratamento Alternativo de Esgoto e Produção de Água de Reúso | Saneamento Rural Unicamp

Turbina hidroeléctrica puede dar energía a poblaciones | upsocl.com

Generador de energía hidráulica ultrapequeño | Japan Video Topics – Español

A Casa Off-Grid Sustentável – Conhecendo David Rocha – Parte 2 | Pés Descalços | Biodigestor e Solar

Metodologia prática para educação infantil

 

Originalmente publicado em 21/11/2016

Matemática e imaginação

Embora muitos tenham em mente que a matemática seja uma ciência lógica, exata e racional, a matemática por si mesma é um grande exercício de imaginação humana. Das relações mais simples entre os números aos cálculos mais complexos, a matemática é essencialmente a contemplação do mundo das idéias.

Esse é um tema pouco explorado pelos professores de ciências exatas. Preocupados em ensinar as fórmulas, suas demonstrações e possíveis aplicações, esquecem-se de estimular os alunos a imaginar por si mesmos outras possíveis relações entre o conteúdo apresentado e o restante da matemática.

As leis matemáticas são universais. Suas regras têm de funcionar sob todos os pontos de vista. Analisar o problema é a principal parte da resolução do mesmo. Muito se instiga o aluno a decorar métodos de resolução, mas pouquíssimo se estimula que ele mesmo perceba o problema e encontre dentro do imenso universo matemático, alguma forma de resolução (independentemente se é a mais simples ou a mais eficiente).

Abaixo seguem dois problemas (um aritmético e outro geométrico) que muito estimulam a imaginação matemática.

Why do prime numbers make these spirals? | 3Blue1Brown

The hardest problem on the hardest test | 3Blue1Brown

Cinco de novembro de 2020

Possível fraude nas eleições dos EUA.
Furacão Eta destruiu boa parte da América Central.
Mutação do vírus corona na Dinamarca e possível sacrifício em massa de martas.
Israel ordena maior demolição em massa de casas palestinas.
Protestos políticos e ideológicos na europa oriental.
Maior transação suspeita de Bitcoin da história, durante o maior valor da criptomoeda já registrado.
Este tem sido um ano muito difícil.


O mundo está mergulhado em um grande período de caos. Religiões diversas falam de períodos de transformação como este, que anunciam grandes mudanças vindouras. Mas todas as perturbações que ora ocorrem no mundo são oriundas do próprio descaso do homem.

A natureza cobra pelo desrespeito com força e indiscriminação. A vida na Terra sobreviveu a várias grandes extinções em massa e sempre se regenerou frente a graves eventos cosmológicos. Aquecimento global, poluição e desequilíbrios ambientais não são um perigo ao planeta, são sim um perigo à própria humanidade. O homem em seu egocentrismo e megalomania crê que pode fazer frente ao universo, quando na verdade suas ações fazem mal a si mesmo. A natureza se reequilibrará à força se necessário. Talvez essa necessidade também se aplique à moralidade do homem.

O século XX foi marcado por uma grande crise moral. Os valores que trouxeram a humanidade até ali foram questionados por causa dos horrores das guerras que trouxeram consigo. Porém, em lugar de serem reformados, tais valores foram suplantados por outros. O individualismo tomou o lugar dos valores familiares, o materialismo tomou o lugar da religião, a contestação tomou o lugar do respeito mútuo, o consumismo de momento tomou o lugar da preservação para posteridade.

Há duas formas de lidarmos com o mundo ao nosso redor. Reformar, que é a idéia de paulatinamente ajustar o que está errado e conservar o que está certo – mentalidade norteada pelo saudosismo; ou revolucionar, que é a idéia de destruir o que aí está para construir algo novo do zero – mentalidade norteada pelo futurismo. E a ideologia que melhor representa essa variante espúria da filosofia humana é o Marxismo. Baseado no materialismo consumista individual em que “a religião é o ópio do povo”, prega exatamente a idéia de revolução.

Nela a construção do ”homem novo” se dá pela rejeição das liberdades individuais e entrega total e submissão do indivíduo a um Estado todo-protetor, que guia cada passo, diz o que fazer, o que dizer, o que pensar. E esse Estado é o Partido, o grupo de indivíduos ”sábios” que lideram a humanidade.

A esquerda falaciosamente criou uma dicotomia entre o bem social e o mal individual. De modo que todas as coisas boas como acesso à saúde, à educação, à segurança pública, proteções contra violências e preconceitos etc. seriam da esquerda. Falaciosamente se apropriaram da função de ”salvadores do mundo”. Já o culpado por todos esses problemas é a direita e sua exploração, opressão e discriminação.

O capitalismo seria contra o bem da ”coletividade social”, logo tudo o que vem acompanhado dele é ruim também. O modelo de sociedade ocidental seria, portanto, a caixa de Pandora, a fonte de todos os males do mundo. Liberdades individuais, propriedade privada, competitividade econômica, religião, família, tudo isso é ruim. Isso mesmo: religião e família. Eis um exemplo da perniciosidade da ideologia: sustentar uma narrativa para ocultar seu real objetivo.

Para massificar o homem é necessário retirar dele qualquer outro ponto de apoio que não seja o Estado (o Partido). Separar todos, um por um. Dividir para conquistar.

Daí colocar brancos contra negros, ricos contra pobres, pais contra filhos, criar discursos de opressão, repudiar preceitos religiosos, tornar libertina a conduta sexual (mais íntima faceta humana), até mesmo negar a existência de sexos (homem e mulher), atacar a mente e o caráter em formação das crianças. Tornar todos iguais perante o Estado, mas os mantendo diferentes e incompatíveis entre si. Em nome da ”coletividade”, isolar as pessoas umas das outras. Sem poderem se reunir como irmãos, sobra apenas o grande e benevolente Partido para proteger seus direitos, amparar-lhes na vida e orientar (determinar) seus passos.

Ética e moral são conceitos in natura metafísicos. A estrutura de valores, sejam eles quais forem (humanistas ou religiosos), necessariamente parte do pressuposto de que há algo além da mera mundanidade cotidiana. O marxismo é por sua natureza materialista, inexiste em sua mentalidade o conceito de moralidade. Tudo é válido, desde que atinja seu objetivo.

O que vemos hoje é exatamente o reflexo de mais de 200 anos dessa maligna corrente ideológica iniciada por Hegel, tendo sido desenvolvida, enraizada e alastrada no mundo. Hoje alcunhamos seus seguidores genericamente de ”esquerda”. Há nuances nas variantes, mas o núcleo, a espinha dorsal, o modus operandi são os mesmos.

A esquerda é muito bem organizada, disciplinada, orientada e estratégica exatamente porque tal ideologia preconiza massificação e ordenança. Já a direita liberal, por definição, é difusa e complexa, permitindo o autoquestionamento. Embora em menor número, a esquerda foi capaz de se situar em pontos influentes da sociedade (cultura, informação, educação e política), numa estupenda tática de guerra assimétrica. Eles dominaram os centros de divulgação de idéias e tornaram sua narrativa o status quo.

A direita nem percebe que isso já está impregnado até na forma de falar. Toda vez que alguém usa os termos ”classe” para se referir à profissão, ”bem-estar social” para se referir a políticas públicas, ”fobia” para igualar repúdio a discordância, ”gênero” para falar de sexo, ”normatividade” para desqualificar a moralidade, ”exploração” para mencionar remuneração por trabalho, ”privilégio” para designar conseqüências históricas etc. está usando a terminologia da própria esquerda. Ao dominar as palavras com as quais se formulam os pensamentos, a ideologia os controla e os molda.

Retomando o argumento da crise moral, os valores que trouxeram a sociedade ocidental até onde chegamos são três: a cultura grega (as pessoas não têm idéia, mas os valores que portamos são os mesmos desde a guerra de Tróia), a lei romana (as próprias noções de direitos e deveres), e a moralidade cristã (embora de um ponto de vista humanístico tal moralidade seja per se defensável). Essa é a base de nossa sociedade, que tem seus defeitos e suas boas qualidades.

Hoje há apenas três formas de Estado no mundo. A direita liberal cristã, a esquerda socialista ateísta e a teocracia mulçumana. Todos os governos dos países orientais, por conta da colonização, também fazem parte dessa tríade. Isso significa que temos dois grandes inimigos à liberdade: os comunistas e os fundamentalistas islâmicos.

Essas três sociedades são incompatíveis entre si. São valores morais antagônicos, imiscíveis, inconciliáveis. E, infelizmente, exatamente pela falta de norteamento claro, de uma liderança firme, ora vemos o mundo livre ocidental cair no caos. Não foi de um dia para o outro. Há décadas os valores vêm sendo ruídos, pouco a pouco. Utilizando-se exatamente a ”abertura para o diálogo” e a ”divergência de opiniões”, foi-se dando voz e vez aos que querem destruir a possibilidade de se dar voz e vez aos outros.

Como os imigrantes mulçumanos na Europa, absurdamente protestando em passeatas contra a liberdade de expressão. Ou como a ”classe artística” e grande imprensa, massificando mensagens deletérias à juventude, mensagens de libertinagem, de desrespeito à autoridade, contra a fé de seus pais. Foi porque os homens livres não se opuseram, foi porque desejaram preservar a liberdade, concederam-na aos algozes que querem tomá-la. Resultado: estes a usurparam.

A ruína da sociedade dos EUA simboliza exatamente a queda do último bastião que protegia e liderava (capengamente) os homens livres contra essas ameaças à vida e à liberdade. Tal como na alegoria de Adão e Eva (terra e vida), a sociedade foi tentada por uma astuta serpente (marxismo) que prometeu a grandeza divina de uma sociedade perfeita, mas nos desviou do bom caminho. Hoje a família humana cresceu. E tal como Caim e Abel, invejosos (esquerdistas) atacam seus irmãos, acreditando que, fazendo mal a eles, poderão fazer bem a si mesmos.

O egoísmo, o individualismo, o materialismo tomaram o lugar do amor, da família, da fé. A ideologia de um impossível futuro utópico suplanta lentamente o sofrido legado de nossos pais. Somos a ruína de nós mesmos, por ação ou omissão. Falhamos enquanto sociedade e aguardamos dos céus a solução para nossos problemas, um ”dilúvio” para o fim de nossos próprios conflitos, para limpeza do mundo, para um novo recomeço.

E olvidamos que isso não ocorrerá. Que somos responsáveis por nosso próprio destino. Que com nosso livre-arbítrio somos responsáveis por tudo de bom ou ruim que nos ocorra. Esperamos um salvador e nos esquecemos de salvar a nós mesmos, de cuidar do que temos. “E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.” Gênesis 2:15

Como minha mãe me ensinou: “cada um colhe o que planta e paga o que deve”.

Nós, como o coletivo humano, falhamos enquanto humanidade, enquanto grande família humana. E agora estamos pagando por isso.


E mais uma vez a vida imitando a arte…

Resposta ao “Paradoxo de Epicuro”

Originalmente publicado em 04/11/2017 no Facebook.
Reproduzido em 04/11/2020 em PedroFigueira.pro.br
Texto reescrito e atualizado em 29/11/2020.


Em resposta (não solicitada 😉) à figurinha  com a qual vez ou outra a gente tromba nas redes sociais:

O problema da existência do mal atribuído ao filósofo grego Epicuro de Samos (que não era ateu).

1º – Não é um ”paradoxo”. Paradoxo indica algo com conceito intrinsecamente contraditório. A proposta epicurista afirma que um deus não pode ser ao mesmo tempo onipotente, onisciente e bondoso, conforme os argumentos apresentados na figura. Paradoxo seria se houvesse a afirmação de ”deus é bom pois é cruel”, ou algo do tipo. O ”paradoxo de Epicuro” é um conjunto de argumentos em que, segundo uma vez aceitos, aí sim, a afirmação de um deus todo-poderoso e bondoso resulta num paradoxo, pois um deus não pode ter as três atribuições mencionadas concomitantemente.

2º – O conhecimento de uma qualidade contingente só é possível por contraposição a seu oposto. O Mal é necessário para que se conheça o que é o Bem. Disso resulta que é impossível reconhecer a bondade se não houver a maldade. Só se pode afirmar que um deus todo-poderoso é bondoso se houver maldade que se lhe contraponha.

3º – O argumento cristão da ”emanação” afirma que o Bem é o que está mais próximo da divindade, enquanto que o Mal é aquilo que se encontra afastado dela. De acordo com a gênese abraâmica, os anjos seriam emanações da divindade. Quanto mais próximos, mais elevada sua posição na hierarquia angelológica. Quanto mais afastado, menos relação com o divino. Daí a noção de formas etéreas (anjos), formas materiais com almas (homens) e formas materiais brutas (rochas, água etc.). Os anjos a partir da própria luz divina, os gênios cujo princípio é o fogo, e os homens feitos de terra (Adam / Adão) e o sopro de vida (Eva) formam os seres sencientes segundo essa cosmogonia. (Essa visão antropocêntrica se contrapõe ao animismo de outras religiões, como o Xintoísmo.)

4º – A natureza divina é incognoscível à razão humana, ou seja, os homens, por serem finitos, não podem compreender a grandeza e transcendência da divindade. Os homens, sendo falhos e incompletos, não conseguiriam julgar o ethos divino, que está acima das leis e do entendimento humanos. A supremacia divina não é submissível ao escrutínio moral advindo dos homens; de modo que não cabe à criatura julgar seu criador.

5º – Ser onipotente não significa ter de exercer sua onipotência. Clássico exemplo: ”Posso criar uma pedra que não poderei levantar?”. Claro que sim! Mas o fato de poder fazer, não significa precisar fazer. O ”direito” ou ”poder” de abdicar da própria onipotência não precisa ser exercido. Uma entidade pode ser onipotente sem precisar manifestar todos os aspectos de sua onipotência. Adjunta à substância da onipotência está a vontade (poder de escolha / livre-arbítrio). Segundo a doutrina cristã, os homens foram criados à semelhança divina, logo, possuem dela esse livre-arbítrio para escolher o que fazer em suas vidas.

6º – Onisciência e Onipotência são praticamente sinônimas, pois um conceito implica o outro. Depreende-se que, ao separá-los na lista de argumentos da figura, há uma noção limitada dos mesmos, o que implica em fragilidade de argumentação.

7º – Há correntes cristãs, como o Kardecismo, que atribuem à vida a condição de ser um sofrimento passageiro ou a noção de ser uma forma de aprendizado. Desse modo, aquilo que vemos como sendo algo ruim aos olhos humanos, visto por olhos divinos transcendentes e não presos à materialidade na realidade é um caminho de evolução espiritual.

Em suma, há vários pontos contrários. Mas a análise epicurista faz muito sentido num mundo materialista.

Independentemente da existência ou não de deus, cabe ao ser humano fazer o bem. Não interessa se há ou não uma divindade superior. O que interessa é o que fazemos com nossas vidas. Não devemos esperar do céu um ”salvador”, mas nós mesmos nos salvarmos, fazendo o bem entre nós mesmos, deixando um mundo melhor do que aquele que encontramos.

Se há ou não um deus, não importa. O que importa é: qual é o bem que fizeste hoje?

Discurso do Ministro Ernesto Araújo

Ministério das Relações Exteriores — Brasil