Católicos comunistas?

Em 12 de outubro de 2018, tive uma conversa com o amigo Jorge, que foi assim:

Você é evangélico, talvez não saiba esse detalhe, mas em 1949, o Papa Pio XI expediu pelo Santo Ofício a declaração de que é absolutamente incompatível ser comunista e ser católico. Autodeclarar-se comunista equivale à excomunhão automática. São, pois, apóstatas, aos quais se recusam os sacramentos. Isso é cânone da igreja, reiterado por duas vezes desde então.

> Não sabia mesmo. Mas como tem padre atualmente que declara apoio a estes comunistas?

Dissidências dentro da Igreja Católica. Lembre que a Igreja Católica não é apenas um grupo religioso, mas também parte da Santa Sé, isto é, Estado representado pelo Vaticano. Há várias facções teológicas e políticas dentro da igreja, tais como a Renovação Carismática, Teologia da Libertação, a Opus Dei, a Maçonaria etc, num paradoxal caldeirão de heresias e dogmas. Nas igrejas evangélicas, quando há dissidência de interpretação/doutrina, há liberdade para a criação de uma nova congregação. Daí serem mais atraentes no contexto contemporâneo.

Porém a Igreja Católica Apostólica Romana mantém em seu cânone e tradições milenares que ela mesma é a legítima representante e descendente direta do apóstolo Pedro, ”a quem Jesus outorgou a criação da primeira igreja em seu nome”. Por isso evitam-se dissidências. E o jogo político interno toma forma… Mas a palavra final sempre é do Papa. Quatro Papas confirmaram o repúdio ao comunismo, incluindo (de forma muito mais branda) Papa Francisco. Isso está na atual Catequese (1992) e na Doutrina Social da Igreja.

Não tenho informações sobre a Igreja Ortodoxa, que seguiu os traços do Cristianismo Primitivo. Mas considerando que foram praticamente extintos pelo comunismo, devem ser doutrinariamente contra também… (?)

Se você ainda tiver dúvida quanto ao assunto, pode ir diretamente à fonte:

SOBRE O COMUNISMO ATEU
CARTA ENCÍCLICA DIVINIS REDEMPTORIS DE SUA SANTIDADE PAPA PIO XI
https://www.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19370319_divini-redemptoris.html

A oposição ao comunismo já foi tema de repúdio da Igreja desde Pio IX em sua Nostis et nobiscum (1849), repúdio repetido na Quanta cura (1864), e na Rerum novarum de Leão XIII (1891). A encíclica acima (1949) foi a resposta da Igreja Católica às eleições parlamentares italianas  de 1948, nas quais mais de 30% do parlamento italiano foi constituído por uma coalisão comunista. Esse repúdio foi novamente estabelecido em 1959 por João XXIII com a proibição de votar em partidos ou candidatos que ajudam comunistas, mesmo se tais partidos ou candidatos têm doutrinas inofensivas ou se autodeclarem cristãos.

Resumindo: se você for comunista, é excomunhão automática. Padres comunistas são apóstatas, seus sacramentos e homilias são inválidos.


VERGONHA! – CNBB se entrega ao PT! | Bernardo Küster | Bernardo P Küster


Foi perguntado à Suprema Sagrada Congregação:

    1. Se é permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira?
    2. Se é lícito publicar, divulgar ou ler livros, revistas, jornais ou tratados que sustentam a doutrina e a ação dos comunistas, ou escrever neles?
    3. Se fiéis cristãos que consciente e livremente fizeram o que está em 1 e 2, podem ser admitidos aos sacramentos?
    4. Se fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e sobretudo os que defendem ou propagam, incorrem pelo próprio fato, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica?

Os Eminentíssimos e Reverendíssimos Padres, responsáveis pela proteção da fé e da moral, tiveram o voto dos Consultores, na reunião plenária de 28 de junho de 1949, e responderam decretando:

    1. Quanto a 1.: Não; o comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de fato, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo.
    2. Quanto a 2. Não, pois são proibidos pelo próprio direito (cf, Código de Direito Canônico, cân. 1399);
    3. Quanto a 3.: Não, segundo os princípios ordinários determinando a recusa dos sacramentos àquele que não tem a disposição requerida.
    4. Quanto a 4.: Sim.

No dia 30 do mesmo mês e ano, o Papa Pio XII, na audiência habitual ao assessor do Santo Ofício, aprovou a decisão dos Padres e ordenou a sua promulgação no comentário oficial da Acta Apostolicae Sedis. De Roma, dia 1 de Julho de 1949.

Nos anos seguintes, o Santo Ofício continuou a emitir condenações:

    • Excomunhão do padre Jan Dechet, que foi nomeado bispo pelo governo comunista checoslovaco, a 18 de fevereiro de 1950.
    • Filiação a organizações da juventude comunista, a 28 de setembro de 1950
    • A usurpação de funções da Igreja pelo Estado, a 29 de junho de 1950
    • Ilegitimação de bispos ordenados pelo Estado, a 9 de abril de 1951
    • Publicações favorecendo o comunismo totalitário, a 28 de junho e 22 julho de 1955

Em 4 de abril de 1959, o Papa João XXIII autorizou a publicação do Dubium, um documento do Santo Ofício de 25 de março, que confirmava o decreto contra o Comunismo de 1949. Neste documento de 1959, reafirmou-se que não era permitido aos católicos darem o seu voto a partidos ou candidatos que sejam comunistas ou aliados dos comunistas. O texto do Dubium, escrito em latim, pode ser livremente traduzido da seguinte maneira:

Foi perguntado à Suprema Sagrada Congregação se é permitido aos cidadãos católicos ao elegerem os representante do povo, darem o seu voto a partidos ou a candidatos que, mesmo se não proclamam princípios contrários à doutrina católica e até reivindicam o nome de cristãos, apesar disto se unem de fato aos comunistas e os apoiam por sua ação. Resposta:

Dia 25 de Março de 1959

Os Eminentíssimos e Reverendíssimos Padres, responsáveis pela proteção da fé e da moral, responderam decretando:

Não, segundo a directiva do decreto do S. Ofício de 1º de julho de 1949, n. 1 (A.A.S., vol. XLI, 1949, p. 334).

No dia 2 de abril do mesmo ano, o Papa João XXIII, na audiência ao Cardeal Pró-secretário do Santo Ofício, aprovou a decisão dos Padres e ordenou a sua publicação dia 4 de Abril de 1959. Segundo fontes tradicionalistas, o decreto de 1949 teria sido confirmado mais uma vez pelo Papa João XXIII no dia 3 de janeiro de 1962, quando foi anunciado que Fidel Castro fora excomungado por liderar a revolução comunista em Cuba.

 

O anel mágico, e outros contos.

O anel mágico

Desenho animado soviético criado em 1979 pelo diretor-animador Leonid Nosyrev. O desenho animado foi criado com base no conhecido conto de fadas de mesmo nome de Boris Shergin. Muitas frases do desenho animado foram analisadas em citações.

O menino camponês Vanka queria comprar um presente para sua mãe e decidiu vender seu chapéu, mas não o vendeu, mas o trocou por um gato. Da próxima vez pela última camisa, ele trocou o cachorro, depois a jaqueta – pela cobra. Assim, graças à sua bondade, e tendo passado por muitas provações, tendo sobrevivido à traição e apreciando a verdadeira amizade, triunfou sobre o estúpido e prudente rei e sua família.

Волшебное кольцо | Мультики студии Союзмультфильм [Anel mágico | Desenhos animados do estúdio Soyuzmultfilm]

A costureira e a preguiça

Duas meninas moravam na mesma casa — a Costureira e a Preguiça — e com elas uma babá. A Costureira era uma moça esperta: levantava cedo, vestia-se sozinha, sem babá, punha-se a trabalhar. Atiçava o fogão, amassava o pão, riscava a choça, alimentava o galo e depois ia ao poço buscar água. E a Preguiça, enquanto isso, ficava deitada na cama. Ela dizia acordada: “Babá, coloque minhas meias! Babá, amarre meus sapatos!”. Ela só comia e depois contava as moscas. Até que o vovô inverno viu o que acontecia…

Мороз Иванович О рукодельнице и ленивице |  Elena Krasovskaya [Moroz Ivanovich Sobre a costureira e a preguiça]

A Camurça mágica

O enredo é baseado em um antigo conto popular uzbeque. A camurça mágica ajuda o pobre Hassan a ficar rico, mas a riqueza o torna cruel e ganancioso. Serna o castiga… O desenho animado nos ensina a ser mais modestos em nossos desejos, a ser mais gentis e humanos. As tradições do Oriente sempre carregaram a sabedoria antiga, que é lindamente expressa nesta caricatura soviética.

Волшебная серна (1980). Поучительный мультфильм для детей | Золотая коллекция | СМОТРИМ. Русские мультфильмы [Camurça mágica (1980). Desenhos animados instrutivos para crianças | Coleção de ouro | PROCURANDO. desenhos russos]

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Eleições 2022 – parte 11 (Segurança e moral.)

Zona… eleitoral

Favelados molambentos gritando como se fosse carnaval, mulheres porcas, um drogado tossindo nas minhas costas (literalmente), insipiência quanto ao conceito primário de formação de uma fila, indivíduos carecendo de noções rudimentares de civilidade incapazes de respeitar o espaço pessoal de outrem esbarrando em mim o tempo todo, corruptos fazendo boca de urna e papelzinho do inferno sujando o passeio público com o dinheiro público, todos os botequins abertos e sufragistas calibradamente alcoolizados, uma urna que dá pane e só volta a funcionar depois de uma hora. Culminado com o barulho multifônico indiscernível tal como chiado de estática, onipresente, perfurando meus tímpanos e inundando meu cérebro que, após uma hora de espera em tal lugar, já estava fervendo meu líquido cefalorraquidiano.

As eleições brasileiras recepcionam indivíduos que, apenas pelo semblante, se percebe que são inaptos para o exercício político (não sou lombrosista). Cada vez mais se aproxima o tempo de eu publicar meu texto ”A falácia sobre a democracia”. Não quero publicá-lo. Não quero acreditar que estou certo. Porém, quanto mais o tempo passa, mais me decepciono com a sociedade em que me encontro.

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Em tempo: acabo de descobrir que o e-mail do Hotmail rejeitou minhas postagens sobre eleições. Não aparecem nem na caixa de spam. Provavelmente o mesmo aconteceu com quem tem Yahoo ou Gmail. Ou seja, já estamos sob censura ditatorial: só temos acesso ao que eles permitem que vejamos, mesmo em conversas privadas.

 

Eleições 2022 – parte 10 (Pedagogia eleitoral)

Eleições 2022 – parte 9 (Artimanhas e engodos)

Faltam 15 dias para as eleições gerais 2022. Poderíamos e deveríamos ter eleições limpas, fidedignas e acima de quaisquer suspeitas.

Seguem as palavras de Felipe Gimenez, Procurador do Estado do Mato Grosso do Sul, ao Congresso Nacional em 2018.

Seguem as palavras de Benedito Gonçalves ao candidato ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que o indicou ao cargo enquanto era Presidente da República.

Tal como publiquei em 24/09/2018: se em quinze dias o Brasil piscar, é o próximo.

Mensagem nº 357

“Alguém em sua vida precisa ouvir que é importante. Que é amado. Que tem um futuro. Seja esse alguém a dizer isso.”

“Someone in your life needs to hear that they matter. That they are loved. That they have a future. Be the one to tell them”

Ronnie Merle McNutt
* 23/05/1987 Mississippi, + 31/08/2020 Mississippi

Mensagem nº 356

“O ferro nunca mente para você. Você pode sair e ouvir todo tipo de conversa, ouvir que você é um deus ou um completo bastardo. O ferro sempre vai te expor a verdade. O ferro é o grande ponto de referência, o onisciente doador de perspectiva. Sempre lá como um farol no breu. Descobri que o ferro é meu melhor amigo. Ele nunca tem ataque nervoso, nunca foge. Amigos podem ir e vir. Mas cem quilos sempre são cem quilos.”

Henry Rollins – IRON, artigo na Details Magazine, janeiro de 1993.

“The Iron never lies to you. You can walk outside and listen to all kinds of talk, get told that you’re a god or a total bastard. The Iron will always kick you the real deal. The Iron is the great reference point, the all-knowing perspective giver. Always there like a beacon in the pitch black. I have found the Iron to be my greatest friend. It never freaks out on me, never runs. Friends may come and go. But two hundred pounds is always two hundred pounds.”

Henry Rollins IRON, article in Details Magazine, January 1993

Eleições 2022 – parte 8 (o que esperar de um presidente?)

Metodologia de governança costa-riquenha:
“Quem manda aqui sou eu e a partir de agora é assim. Meus eleitores mandaram eu fazer isto e isto estou fazendo. Não gostou? Foda-se.”

É fato notório que eu, de apoiador do presidente Bolsonaro, tornei-me seu crítico. Não critico seu programa de governo, uma vez que é o mais alinhado ideologicamente com minha perspectiva política, mas critico sua forma de governar.

Bolsonaro mostrou-se um homem frouxo. Na frente da multidão que o apóia, brada ferozmente contra tudo e contra todos, deleitando os ouvintes carentes por alguém que dê voz e visibilidade às tão conhecidas queixas de nossa nação. Insulta magistrados alopécicos, auto-intitula-se imbrochável (como se sua vida sexual fosse-nos importante) e passeia de moto escoltado por bajuladores.

Porém, uma vez à frente dos mesmos a quem acusa de serem detratores da pátria, trata-os com deferência digna de lacaios. Não enfrenta quem diz enfrentar, nem o que diz enfrentar. Permite, por omissão, que nossa Constituição seja sistematicamente desrespeitada, que nossos direitos sejam tolhidos, que nossas vidas se tornem um inferno sob curatela da corja de marxistas infiltrada em todas as instituições.

Não farei um texto longo, aqui, apenas registrarei a realidade dos fatos. Nossa Constituição é uma bosta, mas é a nossa bosta e precisamos usá-la se quisermos resolver o problema democraticamente. Ela se baseia no princípio de tripartição de poderes (colocando o Ministério Público, as Procuradorias, as Auditorias etc. numa espécie de limbo; Tribunais de Contas são auxiliares do Legislativo, Tribunais Eleitorais são jabuticabas administrativas…). Nesse sistema, se um dos poderes erra, cabe aos demais corrigi-lo.

Perceba, porém, que não há poderes: há servidores públicos investidos em funções governamentais. Não são ”poderes” que erram, são servidores públicos que mal uso fazem das atribuições que lhes foram concedidas pelo povo.

Quando os servidores do Poder Judiciário abusam de seu poder, há dois remédios constitucionais que podem ser usados. O remédio dito ”típico” é função do poder Legislativo, e se apresenta na forma de decreto-lei. O congresso tem a atribuição exclusiva de defender alterações na lei.

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
XI – zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes;

Por que então nossos congressistas não enfrentam os desmandos do poder judiciários? Porque nós caímos no círculo vicioso da pior jabuticaba de nosso sistema: o foro privilegiado. Segundo essa joça, somos todos iguais perante a lei, pero no mucho. Alguns são menos iguais que outros e são julgados por seus amiguinhos. Juízes são julgados por seus pares e, caso matem, estuprem, seqüestrem, prevariquem etc. podem ser brutalmente condenados à aposentadoria com salário integral. (exagero meu, mas, se você tiver meio neurônio, entendeu a crítica) Senadores só podem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal e os ministros do STF só podem ser julgados pelos Senadores.

Neste país em que todos os brasileiros desconfiam de todos os políticos, é natural que haja uma grande desconfiança de que se formou ali uma organização criminosa em que ambos os lados se protegem juridicamente das acusações que pairam sobre si. Originalmente o foro privilegiado era para impedir que todo mundo fosse processado o tempo todo por qualquer coisa por seus adversários políticos. Imagine: o presidente indica seus ministros e todos sofrem uma enxurrada de processos em longínquos tribunais, factualmente impedindo-os de exercerem suas funções. Uma arma que certamente seria utilizada pelos incontáveis micropartidos políticos para confundir ainda mais o já confuso sistema administrativo brasiliense.

Ocorre que em lugar de organizar a suruba governamental, essa gambiarra parece ter sido desvirtuada para servir como instrumento de impunidade aos que se encontram no poder. O sentimento popular é de desconfiança total em nossos governantes e em como eles são escolhidos para governar.

Mas se é assim, como a gente resolve? Nisto se apresenta o segundo remédio constitucional, dito ”atípico”, isto é, quando um dos poderes extrapola suas atribuições originais. Estamos vendo o Congresso inerte frente às ações do STF. Portanto, cabe ao Executivo, que tem o PODER-DEVER de agir para fazer cumprir a Constituição (sua função originária), sanar o problema. E esse poder está descrito no artigo 142 de nossa Constituição.

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

O quê esse homem espera para fazer cumprir a Constituição? O que ele espera para cumprir o juramento que fez quando assumiu a Presidência desta república de bananas? O que ele espera para presidir este país?

Em tempo, apenas uma curiosidade vernacular: superior significa ”o que está acima”, máximo significa ”o que está acima de todos”, supremo significa ”o que está acima de tudo”. Nossos constituintes escolheram pessimamente o nome de certos órgãos administrativos…