Impávido Colosso

Impávido Colosso
Em toda sua majestosa glória, erguido como novo símbolo nacional…

Ao descobrir a existência de um falo artificial com as cores pátrias, não tive outra reação além de cair na gargalhada. Os tons verde e louro, que herdamos da casa de Orleans e Bragança, romanticamente e carinhosamente atribuídos às nossas riquezas naturais, dão mote ao nome do inusitado… ”dispositivo”: Impávido Colosso.

A crise de riso, que durou alguns minutos, instigou-me a escrever, mas faltava-me o momento apropriado para tanto. Meu último texto, Héracles e o chiqueiro contemporâneo, teve apenas 4 leitores, mesmo eu tendo me esforçado para divulgá-lo manualmente em várias comunidades (e levado dias para escrever). Concluindo que raros se importam, resolvi então esculachar. Eis o momento oportuno.

Chegamos amanhã a mais um 22 de abril. Quinhentos e vinte anos em que este barco à deriva segue desgovernado, com revezamento ao manche e mudança de curso a cada capitão.

Nenhuma mudança veio por força do povo.

  • A ascensão à capital do Império veio do governo.
  • A Independência veio do governo.
  • A Abolição da escravatura veio do governo.
  • A República veio do governo.
  • O Estado Novo veio do governo.
  • O fim do Estado Novo veio do governo (e o povo pediu bis).
  • O Regime Militar veio do governo.
  • As Diretas-já foram um fracasso.
  • A reabertura foi pelo governo, que pôs o Sarney porque Tancredo ”morreu”.

E enfim o povo pôde votar novamente. Collor (impedido), 2x FHC, 2x Lula, 2x Dilma (impedida). O que demonstra a capacidade de escolha do povo e a politicagem do processo de impedimento. Os protestos de 2013 foram um fiasco, não mudaram nada, não resolveram nada, e mostraram que o povo tem um lugar especial como contínuo observador, mero espectador, talvez consulente, nunca consultado. Houve Copa, houve Olim-piadas, houve superfaturamento, houve corrupção.

Bolsonaro foi posto lá há pouco mais de um (1) ano. E todas as pautas que o levaram ao Planalto se perderam no meio deste caminho, barradas pelo Congresso e pelo STF. O povo então pede para que sejam fechados e ele veementemente recusa.

Porém lembro ouvi-lo dizer que ”as minorias devem se curvar à maioria”. Como pode um deputado (Rodrigo Maia) que teve 57 mil votos ter autoridade para impedir a vontade de 57 milhões? Como podem governadores e prefeitos terem mais poder do que o presidente da república? Como podem 11 juízes exercerem tanto poder político sem se submeterem à corregedoria externa?

Ao optar por seguir o ”caminho democrático”, Bolsonaro automaticamente colocou seu cargo e a esperança de milhões de brasileiros nas mãos da corja a que foi ”contratado para limpar”. E ele não está errado. Está apenas mostrando que tivemos um singelo e inocente sonho de que as coisas poderiam mudar nesta Pátria Achacadora. Porque se ele fizer algo fora da lei e das instituições que jurou proteger e servir, será o mesmo que admitir que este país nunca poderá dar certo pelo regime democrático. Que o povo nunca terá poder de verdade. Só que isso é verdade.

O povo não tem forças para fazer nada. Desarmado e desorganizado, está tão infestado de corruptos quanto Brasília. Nossos políticos são apenas reflexo do povo que os elegeu. Hipócritas que reclamam do governo e se deleitam com o auxílio-emergencial não diferem dos que pegam dinheiro público em maior volume apenas porque ”podem”.

O máximo que o impotente cidadão de bem pode fazer é desferir impropérios, ovos podres ou tortas na cara de políticos conforme gosto e matiz. E ser preso ou por isso, ou por caminhar por aí enquanto criminosos são soltos.

entra o Impávido Colosso. (ui!) Tingido com as cores de nossa flâmula, representa em sua imagem as mil palavras chulas que definem a política brasileira de hoje: é o que muitos desejam a políticos; é como muitos políticos tratam o povo; é como se dá o respeito ao lábaro e à pátria; é a orgia com o dinheiro público; é a devassidão com os valores nacionais.

Feliz 22 de abril a todos nós, filhos da pátria! Celebremos a esbórnia! Uma última valsa antes de o barco afundar…


  • — A Constituição Brasileira diz claramente que o Brasil em suas relações sexuais..
  • — Espere aí, não tem nada de ”sexuais” na constituição!
  • — Então porque o brasileiro sempre leva atrás?

Piadinha infame da época de faculdade reflete bem a relação sexual entre Brasil e China. E, sem nenhuma surpresa, a culpa novamente é dos comunistas. E quem toma… *cof *cof prejuízo somos nós.

Cansado após mais um dia de baixaria.

Eu tenho um texto em elaboração há anos (”A falácia da democracia”). Publicarei somente quando chegar o tempo oportuno. Estou apenas esperando para estar errado.