Carta aberta a um funcionário patriota.

Atualizado em 20/04/2020.

Seguem DOIS textos. Um jocoso, outro sério. Abaixo da carta, segue Héracles e o chiqueiro contemporâneo.

Prezado, estimado, caríssimo Jairzinho,

O estágio probatório de Vossa Senhoria encerrou. Com 15 meses de serviços prestados, há longe foi o tempo para ambientação. Tendo ingressado no quadro efetivo de colaboradores, é tempo de analisar o desempenho apresentado.

Vossa Senhoria veio à nossa empresa pleitear o cargo de Limpador de Chiqueiro, e vosso currículo foi escolhido dentre os de apenas dois candidatos por indicar longa experiência em trabalhar próximo a bosta produzida em larga escala sem se sujar. Se bem lembro, o outro candidato chamava-se Helenão ou algo parecido e estava todo cheio de bosta… Todavia parece que sua expertice na área tem sido insuficiente para lidar com a crescente quantidade de bosta manufaturada diuturnamente nesta empresa.

Vossa Senhoria e vossa equipe apresentam boa iniciativa desde o início dos trabalhos. Entretanto percebo que está havendo sérias dificuldades em lidar com nossos estábulos de suínos e eqüinos. Eles continuam sendo exageradamente alimentados e geram uma imensa quantidade de bosta, muito mais do que os senhores estão sendo capazes de limpar.

Bem sabemos que os ruminantes continuam ruminando suas ruminações. É da natureza deles, e não creio que isso mude. Contudo ficou claro que essa ruminância toda impacta negativamente atingir as metas de limpeza de bosta, principalmente quando aquelas imundas bestas empacam e impedem o expediente não apenas de vosso grupo de trabalho, como também dos demais colaboradores.

Para além desse constante empacamento, que está conseguindo empacar ainda mais esta já longamente empacada e embostada empresa, creio que Vossa Senhoria não tenha dado a devida atenção a outros sórdidos produtores de bosta. Refiro-me aos morcegos-velhacos (raça típica daqui) que pairam sob as vigas estruturais de nossas instalações. Apesar de sua pouca quantidade, aqueles encapados seres especiais são capazes de originar muito mais bosta do que as centenas de bostificadores reunidos no chiqueiro. Note que os quadrúpedes mantêm as quatro patas atoladas na bosta o tempo todo, já aquelas pestes voadoras praticamente não se sujam com a bosta que fazem e lançam abaixo.

Outro problema que percebo é o inconveniente barulho que se sucede dentro e fora dos chiqueiros. Os relinches que vêm de dentro são ecoados pelos mugidos que vêm de fora. É natural que todo lambão reclame durante seu período de desmame, bem sabemos disso, entretanto Vossa Senhoria contribui para que esses embostadores façam ainda mais barulho ao não lhes impor disciplina, como se faz com qualquer animal xucro. Com isso não apenas fazem mais balbúrdia, como também, excitados, produzem ainda mais bosta.

Bem sabemos que vosso ingrato trabalho é muito difícil. Quanto mais bosta limpa, mais bosta aparece para limpar. Nossos funcionários anteriores contribuíram em muito para que chegássemos à lastimável situação em que nos encontramos. Por um lado, eu e a grande maioria dos demais colaboradores estamos muitíssimo satisfeitos com o empenho de Vossa Senhoria e de vossa equipe para a queda nos índices de desvio de recursos de trabalho. Estão mostrando serem capazes de fazer mais com menos.

Por outro lado, não podemos deixar de notar o incremento no volume de excrementos excretados dentro e fora dos chiqueiros. A quantidade de bosta chegou a níveis tão críticos atualmente que encontramos até mesmo saquinhos de bosta onde não deveriam estar. Em especial, há cinco saquinhos de bosta que merecem atenção mais cuidadosa, pois estão sujando muito mais do que o previsto.

Um saquinho de bosta bem recheado foi posto num lugar onde se acreditava que auxiliaria o processo de limpeza, mas estourou e espalhou bosta para todo lado. Outro saquinho de bosta foi colocado com propósito semelhante no lugar dum saco de bosta velho e sujo, mas cresceu rápido demais e também embostou tudo. Temos um saquinho de bosta encapado que não deveria estar onde está e que serve de calço para outros inconvenientes sacos de bosta. E, do lado de fora dos três chiqueiros, vemos dois sacos de bosta que estão crescendo, crescendo, crescendo… E fedendo. Agora já até afetam a locomoção dos colaboradores.

Compreendo que Vossa Senhoria não se sinta à vontade para esvaziar os chiqueiros. Porém a cada dia mais e mais bosta aparece em todo lugar. Fora a bosta que é produzida do lado de dentro, agora também estamos importando bosta da China. Enquanto os saquinhos de bosta atravancam nossa ordem e nosso progresso, e uma manada inutilmente útil se refastela no mar de bosta, nós (colaboradores) estamos saturados desse fedor de bosta que demora a passar.

Até onde nosso setor de RH tenha sido informado, sabemos que já teve um saquinho de cocô removido. E que o cândido e sereno sorriso de sua senhora indica que o outro saquinho está funcionando perfeitamente bem. Rogo, pois, que o use para outros fins não tão diversos a esse. Digo… Já tem experiência em remover saquinho de bosta.

Ainda dá tempo de limpar.

Um forte abraço, ‘tá ok?
Pedro Figueira – Um brasileiro bolado.
Assistente não-administrativo desta empresa chamada Brasil.


Héracles e o chiqueiro contemporâneo.

Um dos hercúleos trabalhos foi limpar os estábulos do Rei Áugias, que não eram limpos há mais de 30 anos.

Agora sem metáforas.

Bolsonaro foi eleito como um grande protesto contra o status quo. Seu ácido discurso fez ouvir o que estava entalado na garganta de milhões de brasileiros há tempos. “Vagabundo tem mais é que se foder, porra!“. Vagabundos pulga-de-bunda e de colarinho branco. Além disso, contava com o raríssimo fato de não estar envolvido em esquemas de corrupção. De fato, era (e ainda é) o único candidato limpo. Foi eleito para não roubar e é o que está fazendo. Só nisso o país avança a passos largos.

Era visto como um homem energético, impetuoso, talvez até louco. A situação no país era tão grave que optamos por colocá-lo lá. Chega dessa corja! Joguemos então no ventilador! Era tudo ou nada. E graças aos céus a outra opção não venceu.

Nós, o povo brasileiro, estávamos tão mal acostumados a vida toda a eleger políticos que nunca cumpriam suas promessas eleitorais que nos deparamos com algo inusitado. Algo tão estranho a nossos olhos que ficamos perplexos, paralisados, estupefatos. Elegemos alguém que está de verdade cumprindo aquilo que prometeu. (!)

No que depender de mim…” tal, tal, tal…; “Cumprirei a Constituição…”; “Respeitarei a separação de poderes…“. E não é que ele está fazendo isso mesmo? A perplexidade popular lentamente foi digerida e as pessoas finalmente compreenderam que Bolsonaro está fazendo aquilo que é visto em nossa cultura com péssimos olhos, cujo nome mesmo remete à negatividade: “operação padrão”. Ele está trabalhando corretamente, exatamente como deve ser. E um político fazer isso no Brasil é novidade.

Essa inesperada conduta converteu a perplexidade em duas vertentes: uma numa aborrecida meia-frustração, outra num largo sorriso.

Acostumados com políticos que nunca cumprem o que dizem, aqueles que elegeram Bolsonaro esperando radicais mudanças, tão radicais quanto seus discursos, se depararam com um homem cuja própria integridade o impede de virar a mesa.

Nosso governo é um tripé com duas pernas quebradas. Congresso e Supremo são suspeitos de estarem irremediavelmente corrompidos por uma rede criminosa que se sustenta e se protege utilizando essas próprias instituições: eles fazem as leis e forçam seu cumprimento. Além, é claro, de serem os responsáveis pela própria correição.

E Bolsonaro está lá como um volante novo num carro com o motor quebrado. A população que quer o bem do país já percebeu que o carro não andará enquanto não se trocarem as peças. Maia e Alcolumbre bem sabem disso. Sem embargo, associados com Toffoli, os três sujinhos do planalto mandam e desmandam, mamando nas mamas do erário público, avessos e impassíveis ao sentimento popular. Dois podres poderes contra um isolado idealista sonhador (como tantos e tantos brasileiros).

Bolsonaro é um idealista. Ele quer provar que é possível governar com a verdade, governar pelo exemplo. Quer mostrar que dá para fazer o que é certo e que as coisas vão melhorar assim. De fato, isso é. O problema não está na ideologia, mas onde ele está tentando aplicá-la. E ironicamente nos frustramos não com alguém que mentiu, mas com alguém que está cumprindo o que prometeu. E não somos os únicos a perceber essa realidade.

Quando Bolsonaro foi eleito, a alegria mais a esperança de finalmente vencermos a grande mancha negra (ou vermelha, como queira) que pairava sobre a nação encheram os corações do lado direito do país. Já quem estava do outro lado não passava uma agulha por seu orifício posterior. Até hino nacional em presídio teve.

As semanas e meses foram passando. Discursos e narrativas de ditadura, de estado de exceção, de opressão etc. não colavam mais, pois todo aquele medo se mostrou infundado. O discurso radical de Bolsonaro comprovou-se residir apenas em suas idéias, não em suas ações. E, aproveitando-se de estarmos em uma república de bananas, sorridentes hipócritas agora fazem bananada do presidente. Pois o lado contrário não é um lado de idéias, mas sim de ações.

A mídia, em especial a Rede Globo e agora a Comunista Rede Band, sistematicamente ataca cada passo, cada suspiro, cada peido do presidente. Qualquer coisa que ele faça sempre está errada. Não importa o que seja, nem qual relevância para o país isso tenha. Qualquer decisão é criticada pela imprensa. Qualquer crítica à imprensa é um ataque. Mudar de idéia é um recuo. Não mudar é incompetência. E, por mais incrível que pareça, a população assiste (achei que todo mundo tinha combinado de não assistir mais a Globo, não foi?).

Podres poderes estão crescendo para derrubá-lo. E isso não é apenas no Brasil. Observemos: Trump e Bolsonaro, anticomunistas eleitos nos dois maiores países da América, lideram uma onda ”anti-esquerdismo” no continente logo após a aparente falência dos planos do Foro de São Paulo. Na Europa, o mesmo se deu com o Reino Unido: cansado dos mandos e desmandos da União Européia, ele saiu do grupo que cerceava sua soberania política. Daí, nesse contexto, quando a China comunista lidava com seguidos protestos por liberdade em Hong Kong, surge esse vírus chinês para arruinar a saúde econômica mundial que já estava no início de uma grave recessão pelos recentes eventos políticos supracitados.

Ou você, caro leitor, realmente acredita que foi coincidência essa doença (mais uma) vir da China (de novo) durante um período em que esse país (de novo) enfrenta críticas políticas (de novo) e que tudo indica (de novo) que ele sairá economicamente fortalecido (de novo) quando o problema passar. Fortalecidos não só a China comunista, como também seus asseclas ao redor do mundo.

Vírus do PCC: Partico Comunista Chinês.

É só ligar A com B. A ”esquerda” no mundo todo está reagindo e estão dispostos a fazer qualquer coisa para retomar o controle do poder político. Inclusive utilizar a tragédia de uma pandemia para fins escusos. Seja individualmente como trampolim eleitoral, seja coletivamente como instrumento de ampliação de rede de influência político-econômica. Nacionalmente ou supranacionalmente (como na ONU e OMS). Além de lucrarem com a venda de material médico defeituoso…

A grave crise pública causada pelo vírus chinês não se restringirá apenas às questões de saúde e de saneamento, mas principalmente afetará a economia. Uma gravíssima recessão está por vir e virá não tão distante da última, que estávamos confiantemente enfrentando. Esse é o cenário ideal para as falsas promessas marxistas encontrarem solo fértil nos corações dos mais vulneráveis.

Eu não escondo que sou favorável a uma limpeza completa. Eu não acredito em nosso sistema eleitoral, não acredito que muitos dos que lá estão no Congresso receberam de fato tantos votos. E não acredito que Bolsonaro tenha tido apenas 60 milhões de votos. Temos um terço (1/3) dos congressistas sob suspeita de corrupção, assim como membros do Supremo Tribunal Federal. E essa novíssima crise que desponta no horizonte fortalecerá ainda mais aqueles que intentam usurpar os frutos do trabalho honesto de milhões. Esses têm em seus discursos e ideologias uma cortina de fumaça para esconder suas más ações e sua ganância por riqueza e poder.

Não é possível limpar um chiqueiro com os porcos dentro”, diz o adágio. E não é possível vencer uma guerra apenas com boa vontade. Ainda mais quando o outro lado não mede (ou se importa com) as conseqüências de suas ações. Ou Bolsonaro usa os colhões para fechar aquele pardieiro e fazer uma devassa nas contas públicas, ou talvez o sistema corrupto que permitiu sua entrada garantirá sua saída. Com um largo sorriso…