31 anos se passaram…
A data limite profetizada chegou…
O ano está acabando e até agora cadê os moleques com telecinese? rsrsrs
Nesta postagem quero fazer menção às predições que o ”futuro” seria horrível, como era costume na segunda metade do século XX. Ainda sob a sombra da Guerra Fria, se recuperando das Grandes Guerras, com a paulatina rejeição dos pilares tradicionais por parte da juventude, o mundo enxergava o futuro como uma grande incógnita, normalmente sob uma perspectiva ruim. De ”Mad Max” a ”Matrix”; de ”Terminator” a ”Water World”; nosso futuro parecia condenado ao caos.
Pois bem, aqui estamos! Passou milênio, passou meteoro, passou profecia Maia e nossa maior preocupação é o pacote de internet… Rogo a meus parcos leitores mais pensamento positivo! Mais alegria!
Afinal, guerras e combates só são divertidos em filmes de ação.
Editado em 22/09/2020: reposto vídeo.
Editado em 05/12/2020: adicionada transcrição adaptada.
É inegável a presença das histórias em quadrinhos na cultura contemporânea. Elas fazem parte da formação de crianças e jovens em boa parte do mundo. Introdução ao gosto pela leitura, leveza e entretenimento. Estes dois trechos que selecionei nos vídeos abaixo trazem uma reflexão sobre a influência de personagens fictícios sobre a construção da moral no público infanto-juvenil.
Também é um alerta sobre a responsabilidade dos roteiristas frente aos jovens. As conseqüências e os impactos das histórias que criam contribuem em muito para moldar a perspectiva de seus leitores quanto ao mundo real. O mundo fantástico e colorido é atraente, e também é uma lente através da qual se pode ver melhor ou deturpar a realidade.
Quando criadores de conteúdo com tamanho alcance são cooptados a promover narrativas ideológicas deletérias à formação moral da juventude, os estragos são difíceis de reparar. Afinal, não são os heróis (super ou não) os modelos a seguir?
“Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades…”
(Que originalmente foi dita por um político estadunidense… Mas esta é uma outra história! |:^D)
A religião dos super-heróis | Prof. Nelmar Nepomuceno
A ideologia dos Super heróis | Prof. Nelmar Nepomuceno
Transcrição adaptada:
Os super-heróis dos quadrinhos são de longe os personagens favoritos de crianças e jovens em todo o mundo desde a época de nossos pais e avós. Esses personagens fantásticos influenciam enormemente aquele público ainda em fase decisiva de formação da personalidade, tanto que muitos adultos e até mesmo anciões de hoje em dia continuam demonstrando comportamento de fãs de seus heróis favoritos.
Tal quais os primeiros heróis da antigüidade clássica, os super-heróis contemporâneos desempenham importante papel na formação moral das novas gerações. Através de seu carisma e seu apelo fantástico, eles influenciam seus fãs a fazerem a opção pelo bem, a enfrentarem o mal, a socorrer os mais fracos, a corrigir as injustiças, a buscar o melhor que há dentro de cada um.
Quando o assunto é religião, os super-heróis nos ensinam uma importante lição: por mais que cada um tenha a sua fé, sua crença, em nada isso os impede de trabalharem juntos para combater o mal e tornar o mundo um lugar melhor. Também não perdem seus preciosos tempos tentando afirmar sua religião sobre as dos outros, nem denegrindo ou fazendo desacreditar a religião dos demais.
Uns apenas seguem suas vidas pelos caminhos aprendidos em sua formação religiosa. Outros, devotos que são, buscam em suas práticas, em sua fé, a força de que necessitam para cumprir seus propósitos. Nessa senda, todos compartilham a crença de que nenhuma religião é mais importante que a opção pelo bem, nenhuma religião é mais sagrada do que o combate ao mal, e que a formação moral e ética segundo uma tradição religiosa, seja ela qual for, é o primeiro passo na trajetória que pode levar alguém a ser de fato um herói.
Com poderes capazes de transformar o mundo e uma total entrega no combate ao mal em defesa dos mais fracos e vulneráveis, os super-heróis dos quadrinhos, com suas lutas coreografadas, suas roupas coloridas e sua identidade visual, chamam a atenção de crianças e jovens, inspiram consumo e influenciam pensamentos e atitudes especialmente naqueles em fase tão decisiva de formação da personalidade.
Através de seu carisma e seu apelo fantástico, eles influenciam seus fãs a fazerem a opção pelo bem, a enfrentar o mal, a socorrer os mais fracos, corrigindo as injustiças e buscando o melhor que há dentro de cada um.
Assim como quanto à religião, os super-heróis nos ensinam uma importante lição com relação à política: todos reconhecem que existem problemas no mundo e, com base em seus pontos de vista, procuram fazer o melhor para solucioná-los.
Sua luta é contra os males que assolam a humanidade, não contra quem enxerga soluções diferentes para os problemas comuns. Não apregoando culpas pelas mazelas do mundo, mas sim fazendo cada um a sua parte para superá-las.
Eles não salvam o mundo escondendo-se atrás de uma tela, espalhando ofensas, semeando a discórdia. Eles dão suas faces a bater e enfrentam os seus desafios com valor e com honra.
A grande lição que aprendemos sobre política com esses personagens é que, depende da forma como você enfrenta os problemas que enxerga no mundo, se você é de fato um herói ou um covarde vilão.
Ah, sim… A seguir, uma das cenas da minha infância:
Atualizado em 20/04/2020 (consertei a data no arquivo… |:^p)
Algo interessante ocorre-me nesta semana. Eu já havia de há muito decidido que a forma avaliativa que eu adotaria caso fosse chamado a ministrar um curso de filosofia (em nível médio ou superior, tanto faz) seria o pedido de redação por parte dos alunos de um texto filosófico. E para minha surpresa a vida devolveu-me exatamente tal experiência. Apesar de ter profundamente ponderado sobre o meio avaliativo mais adequado segundo as especificidades da cátedra, não havia me colocado na posição do aluno a ser avaliado.
Conforme escrevi outrora, estou cursando matéria de filosofia na Faculdade de Direito da UERJ. A cadeira faz parte da lista dos cursos aptos para contagem no programa de capacitação dos funcionários, uma obrigatoriedade enquanto servidor da casa. E o professor solicitou como trabalho de avaliação exatamente a confecção de um texto tendo por título ”O que é filosofia?”.
Considero que filosofia não seja para todos. Cito (adapt.):
“O real significado do termo “Ensino Superior” vai muito além do de ensino de terceiro grau, como ficou popularizado principalmente após as reformas das décadas de 60 e 70. O saber superior deve ser adquirido mediante o uso de codificações, sistemas, modelos e símbolos da semântica científica e, por isso, foge à praticidade do dia-a-dia e se reserva aos que disponham de condições especiais para abordá-lo. Por isso não pode ser democraticamente acessível a todos como muitos querem. É um ensino, por natureza, elitista, para uma minoria capacitada intelectual e culturalmente e não no sentido trivial de pessoas socioeconomicamente bem postas na comunidade.”
(Estrutura e Funcionamento do Ensino Superior Brasileiro – Paulo Nathanael P. Souza)
Para além dos supostos requisitos intelectuais e culturais prévios (o que é questionável), defendo que o estudo de filosofia depende muito mais de uma inclinação pessoal íntima, de uma vocação peculiar ao seu estudo. Perceba que filosofia em si não é matéria. Não é um tema, um recorte, uma área científica (pré-)determinada ou (pré-)delimitada. Filosofia em si mesma é o gosto de aprender. Aprender o quê? Tudo! É o amor ao conhecimento, ao próprio aprendizado; é olhar a vida encantadoramente pujante; é perceber, quanto mais se aprende, que menos se sabe sobre o mundo e sobre o universo que nos cercam; e que cada vez que se aprende mais, sabe-se menos. É manter a mente aberta, sem limitações, sem amarras, sem dogmas.
A Filosofia que se ensina nas escolas e nas faculdades não é filosofia. É matéria. Muito mais para o aluno passar de ano do que para fazê-lo refletir sobre alguma coisa. Mais historiografia da filosofia do que filosofia mesma. Assim é ensinada. E assim é pesquisada, como se fosse possível fazer pesquisa sobre filosofia – o próprio conceito não faz sentido… Mas é o que há no ensino superior e é por meio disso que acadêmicos e alunos ganham seus rolinhos comprobatórios de que estudaram/ensinaram. Toda essa burocracia é útil para quem se dedica à área. Mas e para quem não é dela? Qual utilidade tem a filosofia para um aluno de ensino médio? Ou para um profissional de outra carreira?
E então? Agora já formado e pós-formado, como respondo à primeira questão que nos fazem assim que entramos na faculdade? Assim o segue:
Não é de hoje que gosto de animações. Há várias postagens neste sítio sobre animações de um modo geral. Estudo esporadicamente não apenas as técnicas de animação, mas também a história da animação. Considero uma forma de arte muito interessante, tanto pelo complexo trabalho de produção quanto pela capacidade de exibir idéias de forma muito mais livre, sem as restrições naturais de filmes comuns.
Há uma grande quantidade de filmes instrucionais na mídia estadunidense. Uma grande quantidade já entrou em domínio público e pode ser acessada gratuitamente em plataformas como o Youtube. Vídeos instrucionais das forças armadas americanas são realmente muito bons, muito superiores à baixíssima qualidade dos ”youtubers” de hoje em dia. Naquela época, conteúdo era produzido de forma clara, eficiente e bastante didática sobre os mais variados temas.
E também há as animações, como já postei anteriormente neste exemplo sobre como funciona o sistema de refrigeração. Ao vermos os exemplos de animações e como as mesmas evoluíram tanto as técnicas quanto a temática ao longo do século XX, temos um retrato do pensamento de uma época.
Estes quatro excertos demonstram a forma de pensamento americana ao longo da primeira parte do século XX. Uma sociedade capitalista, altamente patriótica, consumista e principalmente voltada à cultura automobilística. Traços que, sem dúvida, permanecem em maior ou menor grau até hoje.