Cinco de novembro de 2020

Possível fraude nas eleições dos EUA.
Furacão Eta destruiu boa parte da América Central.
Mutação do vírus corona na Dinamarca e possível sacrifício em massa de martas.
Israel ordena maior demolição em massa de casas palestinas.
Protestos políticos e ideológicos na europa oriental.
Maior transação suspeita de Bitcoin da história, durante o maior valor da criptomoeda já registrado.
Este tem sido um ano muito difícil.


O mundo está mergulhado em um grande período de caos. Religiões diversas falam de períodos de transformação como este, que anunciam grandes mudanças vindouras. Mas todas as perturbações que ora ocorrem no mundo são oriundas do próprio descaso do homem.

A natureza cobra pelo desrespeito com força e indiscriminação. A vida na Terra sobreviveu a várias grandes extinções em massa e sempre se regenerou frente a graves eventos cosmológicos. Aquecimento global, poluição e desequilíbrios ambientais não são um perigo ao planeta, são sim um perigo à própria humanidade. O homem em seu egocentrismo e megalomania crê que pode fazer frente ao universo, quando na verdade suas ações fazem mal a si mesmo. A natureza se reequilibrará à força se necessário. Talvez essa necessidade também se aplique à moralidade do homem.

O século XX foi marcado por uma grande crise moral. Os valores que trouxeram a humanidade até ali foram questionados por causa dos horrores das guerras que trouxeram consigo. Porém, em lugar de serem reformados, tais valores foram suplantados por outros. O individualismo tomou o lugar dos valores familiares, o materialismo tomou o lugar da religião, a contestação tomou o lugar do respeito mútuo, o consumismo de momento tomou o lugar da preservação para posteridade.

Há duas formas de lidarmos com o mundo ao nosso redor. Reformar, que é a idéia de paulatinamente ajustar o que está errado e conservar o que está certo – mentalidade norteada pelo saudosismo; ou revolucionar, que é a idéia de destruir o que aí está para construir algo novo do zero – mentalidade norteada pelo futurismo. E a ideologia que melhor representa essa variante espúria da filosofia humana é o Marxismo. Baseado no materialismo consumista individual em que “a religião é o ópio do povo”, prega exatamente a idéia de revolução.

Nela a construção do ”homem novo” se dá pela rejeição das liberdades individuais e entrega total e submissão do indivíduo a um Estado todo-protetor, que guia cada passo, diz o que fazer, o que dizer, o que pensar. E esse Estado é o Partido, o grupo de indivíduos ”sábios” que lideram a humanidade.

A esquerda falaciosamente criou uma dicotomia entre o bem social e o mal individual. De modo que todas as coisas boas como acesso à saúde, à educação, à segurança pública, proteções contra violências e preconceitos etc. seriam da esquerda. Falaciosamente se apropriaram da função de ”salvadores do mundo”. Já o culpado por todos esses problemas é a direita e sua exploração, opressão e discriminação.

O capitalismo seria contra o bem da ”coletividade social”, logo tudo o que vem acompanhado dele é ruim também. O modelo de sociedade ocidental seria, portanto, a caixa de Pandora, a fonte de todos os males do mundo. Liberdades individuais, propriedade privada, competitividade econômica, religião, família, tudo isso é ruim. Isso mesmo: religião e família. Eis um exemplo da perniciosidade da ideologia: sustentar uma narrativa para ocultar seu real objetivo.

Para massificar o homem é necessário retirar dele qualquer outro ponto de apoio que não seja o Estado (o Partido). Separar todos, um por um. Dividir para conquistar.

Daí colocar brancos contra negros, ricos contra pobres, pais contra filhos, criar discursos de opressão, repudiar preceitos religiosos, tornar libertina a conduta sexual (mais íntima faceta humana), até mesmo negar a existência de sexos (homem e mulher), atacar a mente e o caráter em formação das crianças. Tornar todos iguais perante o Estado, mas os mantendo diferentes e incompatíveis entre si. Em nome da ”coletividade”, isolar as pessoas umas das outras. Sem poderem se reunir como irmãos, sobra apenas o grande e benevolente Partido para proteger seus direitos, amparar-lhes na vida e orientar (determinar) seus passos.

Ética e moral são conceitos in natura metafísicos. A estrutura de valores, sejam eles quais forem (humanistas ou religiosos), necessariamente parte do pressuposto de que há algo além da mera mundanidade cotidiana. O marxismo é por sua natureza materialista, inexiste em sua mentalidade o conceito de moralidade. Tudo é válido, desde que atinja seu objetivo.

O que vemos hoje é exatamente o reflexo de mais de 200 anos dessa maligna corrente ideológica iniciada por Hegel, tendo sido desenvolvida, enraizada e alastrada no mundo. Hoje alcunhamos seus seguidores genericamente de ”esquerda”. Há nuances nas variantes, mas o núcleo, a espinha dorsal, o modus operandi são os mesmos.

A esquerda é muito bem organizada, disciplinada, orientada e estratégica exatamente porque tal ideologia preconiza massificação e ordenança. Já a direita liberal, por definição, é difusa e complexa, permitindo o autoquestionamento. Embora em menor número, a esquerda foi capaz de se situar em pontos influentes da sociedade (cultura, informação, educação e política), numa estupenda tática de guerra assimétrica. Eles dominaram os centros de divulgação de idéias e tornaram sua narrativa o status quo.

A direita nem percebe que isso já está impregnado até na forma de falar. Toda vez que alguém usa os termos ”classe” para se referir à profissão, ”bem-estar social” para se referir a políticas públicas, ”fobia” para igualar repúdio a discordância, ”gênero” para falar de sexo, ”normatividade” para desqualificar a moralidade, ”exploração” para mencionar remuneração por trabalho, ”privilégio” para designar conseqüências históricas etc. está usando a terminologia da própria esquerda. Ao dominar as palavras com as quais se formulam os pensamentos, a ideologia os controla e os molda.

Retomando o argumento da crise moral, os valores que trouxeram a sociedade ocidental até onde chegamos são três: a cultura grega (as pessoas não têm idéia, mas os valores que portamos são os mesmos desde a guerra de Tróia), a lei romana (as próprias noções de direitos e deveres), e a moralidade cristã (embora de um ponto de vista humanístico tal moralidade seja per se defensável). Essa é a base de nossa sociedade, que tem seus defeitos e suas boas qualidades.

Hoje há apenas três formas de Estado no mundo. A direita liberal cristã, a esquerda socialista ateísta e a teocracia mulçumana. Todos os governos dos países orientais, por conta da colonização, também fazem parte dessa tríade. Isso significa que temos dois grandes inimigos à liberdade: os comunistas e os fundamentalistas islâmicos.

Essas três sociedades são incompatíveis entre si. São valores morais antagônicos, imiscíveis, inconciliáveis. E, infelizmente, exatamente pela falta de norteamento claro, de uma liderança firme, ora vemos o mundo livre ocidental cair no caos. Não foi de um dia para o outro. Há décadas os valores vêm sendo ruídos, pouco a pouco. Utilizando-se exatamente a ”abertura para o diálogo” e a ”divergência de opiniões”, foi-se dando voz e vez aos que querem destruir a possibilidade de se dar voz e vez aos outros.

Como os imigrantes mulçumanos na Europa, absurdamente protestando em passeatas contra a liberdade de expressão. Ou como a ”classe artística” e grande imprensa, massificando mensagens deletérias à juventude, mensagens de libertinagem, de desrespeito à autoridade, contra a fé de seus pais. Foi porque os homens livres não se opuseram, foi porque desejaram preservar a liberdade, concederam-na aos algozes que querem tomá-la. Resultado: estes a usurparam.

A ruína da sociedade dos EUA simboliza exatamente a queda do último bastião que protegia e liderava (capengamente) os homens livres contra essas ameaças à vida e à liberdade. Tal como na alegoria de Adão e Eva (terra e vida), a sociedade foi tentada por uma astuta serpente (marxismo) que prometeu a grandeza divina de uma sociedade perfeita, mas nos desviou do bom caminho. Hoje a família humana cresceu. E tal como Caim e Abel, invejosos (esquerdistas) atacam seus irmãos, acreditando que, fazendo mal a eles, poderão fazer bem a si mesmos.

O egoísmo, o individualismo, o materialismo tomaram o lugar do amor, da família, da fé. A ideologia de um impossível futuro utópico suplanta lentamente o sofrido legado de nossos pais. Somos a ruína de nós mesmos, por ação ou omissão. Falhamos enquanto sociedade e aguardamos dos céus a solução para nossos problemas, um ”dilúvio” para o fim de nossos próprios conflitos, para limpeza do mundo, para um novo recomeço.

E olvidamos que isso não ocorrerá. Que somos responsáveis por nosso próprio destino. Que com nosso livre-arbítrio somos responsáveis por tudo de bom ou ruim que nos ocorra. Esperamos um salvador e nos esquecemos de salvar a nós mesmos, de cuidar do que temos. “E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.” Gênesis 2:15

Como minha mãe me ensinou: “cada um colhe o que planta e paga o que deve”.

Nós, como o coletivo humano, falhamos enquanto humanidade, enquanto grande família humana. E agora estamos pagando por isso.


E mais uma vez a vida imitando a arte…