Como diagnosticar e tratar uma criança autista?

Sobre o autismo

Recentemente, em outubro de 2025, a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil elaborou um relatório atualizado com as mais recentes descobertas e parametrizações de tratamento referentes ao autismo em crianças. Aqui tenho que ser pedante e dizer que o relatório está cheio de erros de português… Independentemente disso, é de muito valor divulgar essas informações para auxiliar pais que tiveram seus filhos recentemente diagnosticados com o transtorno, ou que suspeitam que suas crianças sejam autistas.

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A primeira e mais importante informação a você, pai/mãe que caiu por estas páginas, é a de que internet não é médico. Doutor Google não serve para tratar ninguém. É necessário procurar ajuda profissional, um psicopedagogo, um psiquiatra ou neurologista infantil, alguém que possa efetivamente diagnosticar o autismo e orientar como iniciar o tratamento. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento (intervenções), melhores são os resultados na qualidade de vida e desenvolvimento da criança.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que se manifesta nos primeiros anos de vida por comportamentos que incluem: dificuldades na interação social/comunicação e presença de comportamentos repetitivos e interesses restritos. A última atualização do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais — 5.ª Edição (DSM- 5) aboliu vários subgrupos existentes  e simplificou o diagnóstico com o termo Transtorno do Espectro Autista [não se trabalha mais com síndrome de Asperger, por exemplo — agora tudo é um grande espectro, desde o retardo mental gravíssimo e incapacitante até os comprometimentos mais sutis, que levam à depressão ou suicídio]. Adicionalmente, estabeleceu níveis de gravidade de acordo com a necessidade de suporte do indivíduo, variando de pouco suporte (nível 1) até muito suporte (nível 3).

Para o diagnóstico, as características clínicas devem estar presentes desde o início do desenvolvimento, em diversos contextos sociais, com uma clara evidência de prejuízo na adaptação ou na qualidade de vida da criança. Além disso, os sintomas não podem ser mais bem explicados pela deficiência intelectual (Transtorno do Desenvolvimento Intelectual) ou pelo atraso global no desenvolvimento neuropsicomotor (ADNPM).

Talvez esse seja o principal fator para corretamente diagnosticar o autismo: o evidente prejuízo cognitivo e social. Com sua banalização e romantização oriunda de filmes e séries, parece que o autismo perdeu no grande público o significado de ser um transtorno, passando a ser vinculado a pessoas ”inteligentes e anti-sociais”. Não é o caso. O autismo é um problema psiconeurológico de largo espectro e ainda não totalmente compreendido. Não se sabe ao certo o que o causa e por que há tanta diferença entre os acometidos. A escala varia desde aqueles que podem passar despercebidos aos que precisarão de suporte integral a vida toda.

O autismo é caracterizado por acometer duas características humanas: a habilidade de comunicação social e a forma de interação com o ambiente. Pessoas normais também podem apresentar comportamentos parecidos, “sintomas” à primeira vista, o que dificulta o diagnóstico e causa falsos positivos. Não basta ler a tabela abaixo e achar que tal indivíduo tem autismo. São necessários vários testes e acompanhamento profissional por meses antes de se estabelecer o diagnóstico. Existem por volta de 50 marcadores que caracterizam o autismo e a maioria da população apresentará ao menos 25 deles. Porém só quando esses sintomas tornam-se incapacitantes para a vida ou clinicamente prejudiciais para o bem-estar geral do paciente, pode-se definir que está estabelecido o quadro autista.

Independentemente do diagnóstico, aproveitar a janela de plasticidade neuronal da primeira infância para proceder às intervenções é essencial para minimizar os prejuízos. Tão breve você ou o pediatra que acompanha seu filho note que a criança tem algum atraso no desenvolvimento, é preciso iniciar a abordagem terapêutica correta.

Dificuldades Sociais e de Comunicação

  • Dificuldade para iniciar e manter conversação
  • Dificuldade para iniciar ou responder uma interação social
  • Dificuldade em demonstrar e reconhecer corretamente as emoções
  • Isolamento social
  • Pouco contato visual ou contato visual pouco sustentado
  • Expressão e compreensão empobrecida da linguagem corporal e expressão facial.
  • Ausência ou dificuldade em estabelecer amigos ou pouco interesse pelos pares
  • Inabilidade em ajustar o comportamento aos contextos sociais
  • Dificuldade para entender ironia, metáforas ou piadas
  • Dificuldade em se colocar no lugar do outro (teoria da mente)
  • Dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas
Interesses Restritos e Repetitivos

  • Estereotipias motoras e/ou vocais
  • Alinhar, girar ou demais movimentos repetidos com objetos
  • Sofrimento ou desconforto frente às mudanças
  • Dificuldade com transições de ambientes ou atividades
  • Padrões rígidos de pensamento e comportamento
  • Rituais de saudação e outros contextos
  • Necessidade de fazer o mesmo caminho ou outros padrões de rigidez
  • Interesse extremo ou restrito a um assunto
  • Apego incomum a determinado objeto
  • Hiporreatividade ou hiper-reatividade aos estímulos sensoriais (por exemplo, texturas ou barulhos)
  • Cheirar ou manipular objetos
  • Seletividade alimentar em padrões atípicos.

Como diagnosticar?

O diagnóstico somente pode ser dado por um profissional especializado com experiência clínica prática no atendimento a crianças autistas. Há uma miríada de problemas no desenvolvimento de crianças e o autismo é apenas mais um deles. Por exemplo, pouco se fala na demência infantil, que você pode conferir aqui: Demência infanto-juvenil

A avaliação é feita por uma série de testes que irão mensurar a escala e rastrear os sintomas. É necessário identificar e distinguir os sintomas de autismo de outras morbidades, tais como TDAH, TOC, TOD etc. Esses testes estão em constante aprimoramento e não há um teste “unificado”, “definitivo” ou “infalível”. Uma vez comprovada a suspeita, passa-se então a estabelecer qual é o nível de suporte necessário ao autista. Esse nível de suporte pode variar com o tempo, dependendo de como o paciente reaja ao tratamento psicoterapêutico.

Embora haja uma certa relação entre gravidade de sintomas observados nas duas esferas de sintomatologia do TEA, a diferenciação entre os níveis reflete mais a ideia de prognóstico, por consistir em avaliar a necessidade que o paciente requer para as atividades da vida cotidiana e a sua independência funcional. Para tanto, vale ressaltar que os níveis de suporte requerem, pelo menos, uma certa idade e tempo de evolução para serem estabelecidos, devido às próprias características inerentes ao desenvolvimento infantil. Portanto, não é recomendável classificar crianças recém- diagnosticadas ou muito pequenas, pois a gravidade dos sintomas pode variar com a abordagem terapêutica e a maturidade do cérebro.

Não se espante se o seu médico solicitar uma bateria de exames complementares, pois é necessário afastar a suspeita de várias outras possibilidades. Embora não haja marcadores genéticos conhecidos para o autismo, várias síndromes apresentam sintomas parecidos. Também serão solicitados exames neurológicos, oftalmológicos, auditivos etc.

Como tratar?

Não há cura. Então, se alguém lhe prometer “curar o autismo”, ou “reverter o quadro”, ou “remédio para autismo”, ou “dieta para autismo”, ou qualquer coisa parecida, está tentando tirar seu dinheiro. Lidar com charlatões fará parte de sua rotina como pai/mãe de autista.

O tratamento consiste em abordagens e intervenções psicoterapêuticas individualizadas sob medida para cada paciente. A freqüência, a carga e a intensidade das sessões variam de paciente para paciente. E como você que está lendo este texto muito provavelmente é brasileiro, saiba que são poucos os profissionais especializados nestas terras atrasadas. Você vai sim precisar participar ativamente do tratamento da criança. Vai precisar aprender algumas técnicas, participar de treinamentos etc. E vai sim precisar de acompanhamento médico. Não tente aprender sozinho alguma técnica que viu na internet e fazer em casa: você precisa de treino especializado. Sua função é ajudar os parcos médicos especialistas, não é prejudicar ainda mais a criança.

Atualmente as abordagens com maior evidência de eficácia e benefício são baseadas na ciência da Análise do Comportamento Aplicada (ABA – Applied Behavior Analysis), associada a terapias eficazes, como fonoterapia, terapia ocupacional com integração sensorial e outras […]

E os remédios?

Os médicos muito provavelmente receitarão vários remédios que podem auxiliar a minimizar os inconvenientes sintomas. Eles não tratam o autismo em si, mas os sintomas que aquele paciente específico pode apresentar, como irritabilidade, distúrbios do sono (muito comum em autistas), hiperatividade etc. Antipsicóticos são úteis nesses casos mais graves e, como em qualquer caso psiquiátrico, precisam ser usados sob supervisão médica. Por vezes, apenas suplementação de melatonina pode ajudar.

Canabidiol?

O canabidiol ainda é objeto de muita especulação e tem sido investigado em vários estudos, com resultados ora positivos, ora negativos ou inconclusivos, ainda sem a qualidade metodológica necessária para aprovação das agências regulatórias e indicação de prescrição. Possivelmente, novos estudos que estão por vir poderão indicar ou não a eficácia do canabidiol e outros derivados da cannabis para uso em pacientes com TEA. Indicar uso de canabidiol em indivíduos com TEA deve ser considerado, até o momento, experimental e sem garantia de eficácia, baseado na relação do médico-paciente-família, preferencialmente após assinatura de termo de autorização e consentimento.

Para saber mais a fundo sobre o assunto, eu deixo aqui o relatório da SBNI (tanto o hyperlink quanto o arquivo) e um vídeo. Procure fontes confiáveis e lembre sempre que “médico não é casamento”. Se você estiver insatisfeito com a abordagem de um especialista, procure uma segunda ou terceira opinião. Sempre busque as fontes, sempre questione se aquele conteúdo é verídico ou não. E fuja de curas milagrosas, que não existem.

Texto completo: Recomendações SNBI para o Transtorno do Espectro Autista 2025

Fonte: https://sbni.org.br/recomendacoes-e-orientacoes-para-o-diagnostico-investigacao-e-abordagem-terapeutica-do-transtorno-do-espectro-autista/

Eu particularmente não gostei de algumas partes do vídeo a seguir, porém seu autor procura deixar claro que o autismo é um transtorno que causa prejuízos importantes ao seu portador. É uma condição limitante, que não deve ser romantizada.

Você Conhece os 12 Padrões de Comportamento e Interesses no Autismo? | Luna ABA
Quais são os comportamentos e interesses restritos mais comuns em crianças autistas? Neste vídeo, Lucelmo Lacerda explica de forma clara e objetiva os 12 padrões mais frequentemente descritos na literatura científica, ajudando pais, professores e profissionais a entenderem o que de fato caracteriza o Transtorno do Espectro Autista. Ao longo do vídeo, ele aborda desde prejuízos na comunicação social, movimentos repetitivos e sofrimento diante de mudanças, até hiperfocos intensos, padrões rígidos de pensamento, seletividade alimentar e alterações na sensibilidade sensorial. Lucelmo também esclarece por que esses comportamentos não devem ser interpretados como “manias”, “birra” ou falha na educação, mas sim como manifestações clínicas do desenvolvimento neurológico. Um guia direto, baseado em ciência, para reconhecer esses padrões com mais precisão, reduzir julgamentos equivocados e promover intervenções mais adequadas e respeitosas.

Em tempo: não tenho vínculos com o apresentador, tampouco aprovo, recomendo ou incentivo a aquisição de seus produtos e serviços.

Desabafo de um autista adulto cansado de ser invalidado | Rodrigo Diesel

DESABAFO DE UM AUTISTA ADULTO CANSADO DE SER INVALIDADO | Rodrigo Diesel
Meu nome é Rodrigo Diesel e eu sou autista. Gravei esse vídeo, em forma de desabafo, para responder às pessoas que me invalidam diariamente e que não entendem o que é viver o autismo na pele desde criança. É importante ressaltar que o vídeo representa a minha experiência enquanto pessoa autista, não represento todos os autistas. O autismo é um espectro e cada um é diferente.
Obrigado para quem assistir ao vídeo do começo ao fim, vocês estão no meu coração.

Autismo em apenas um (1) de gêmeos idênticos.

Esta história é um fragmento da vida de Josie. Irmã gêmea de Carrie, Josie possui autismo com certo grau de severidade. Nos vídeos a seguir, veja como foi feito parte de seu tratamento, ministrado pelo Dr. Kamp, e como sua vida seguiu dos 4 aos 10 anos de idade. O Professor Doutor L. N. J. Kamp, professor de psiquiatria infantil da Universidade de Utrecht, Holanda, demonstra as técnicas que era usada à época, muito similares às técnicas usadas atualmente.

E não: você não pode dar os remédios do vídeo para seu filho. O vídeo é da década se 1960, quando estavam ainda descobrindo medicamentos.

A primeira parte do documentário está em um canal e as três seguintes noutro. Embora haja trechos repetidos, cada parte tem ênfase em determinado aspecto do autismo de Josie. As quatro partes seguem em ordem abaixo:

Na primeira parte, vemos as principais diferenças no comportamento entre Josie e sua irmã Carrie. O evidente comportamento estereotipado de repetição, falta de interesse em pessoas, incompreensibilidade da fala, maior interesse na forma do objeto do que em sua função, fobias, ansiedade e ambivalência de sentimentos quanto a suas próprias ações.  Esta primeira parte trata com mais ênfase dos primeiros anos de Josie e sua dificuldade com ações básicas.

Na segunda parte, vemos algumas outras estereotipias. O a fobia de Josie com relação a pedaços e seu relacionamento com isso é mais evidente. Também vemos mais uma vez sua fixação por dentes e objetos destrutivos. Na terceira parte, vemos algumas formas de tratamento, bem como a relação de Josie com a água. Vemos como ela passou por fases de fobia e interesse, fases em que teve medo de sair da cama, fases em que sentia muita insegurança. Na quarta parte, vemos com mais detalhe o interesse fixo de Josie em roupas, bem como o jogo de Crocolin, onde podemos perceber a inadequação de seu comportamento e sua ansiedade/dificuldade em  lidar com as próprias ações.

Autism in one of two identical twins 1961 documentary Part 1 of 4 | Snacky Grape Pika Mirror

Autism in one of two identical twins. 1961 documentary part 2 of 4 |Mental Health Treatment

Autism in One of Two Identical Twins | 1961 Documentary (Pt. 3 of 4) | Mental Health Treatment

Autism in One of Two Identical Twins | 1961 | Mental Health Treatment

Por que a representação do autismo na ficção é tão problemática?

Por que a representação do autismo na ficção é tão problemática? | PSICOLOGIA | Minutos de Sanidade
No vídeo de hoje, o psicólogo Ricardo Chagas vai opinar sobre como a síndrome do espectro autista é retratada na ficção, em séries de TV e filmes de hollywood. Seriam o autismo e os autistas representados de maneira fidedigna?
Psicólogo Ricardo Chagas, CRP: 06112895

O que causa o autismo?

O que causa o autismo? | Mayra Gaiato | Autismo e Desenvolvimento Infantil

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Adultos com autismo

Adultos com Autismo | Asperger – Saiba 10 sinais de autismo em adultos | Neuropsicóloga – Larissa Beatriz Cossalter

Sabia que ainda tem muitos adultos com autismo sem o diagnóstico? Muitos se sentem diferentes, mas ainda não sabem o que tem. E como podemos identificar autismo em adultos? Neste vídeo comento sobre 10 sintomas que podem estar presentes em adultos com autismo.

Dificuldade de interação social, na reciprocidade social, para identificar pistas sociais, para identificar e compartilhar emoções…. Quais são os outros sinais? Assista o vídeo até o final e confira.

Infelizmente muitos sofreram bullying na escola e agora sofrem na faculdade, no trabalho ou na família. Muitos chegam para a avaliação com outros diagnósticos (ex: Fobia social, Síndrome do Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno Obsessivo-Compulsivo), sendo que nunca foi levantada a hipótese de Autismo / Síndrome de Asperger.

Você conhece algum adulto que apresenta a maior parte desses sintomas? Compartilha esse vídeo para que essas informações cheguem a mais pessoas!

Transliteração:

“Autismo em adultos, quais são os sinais de que um adulto pode ter autismo?

Oi pessoal, hoje eu vou falar sobre alguns sinais de autismo em adultos, é um tema que poucas as pessoas falam, e eu sei que tem muita gente querendo saber, porque ainda tem muitos adultos sem o diagnóstico.

Bom, quando a gente fala de adultos com autismo que ainda não foram diagnosticados, geralmente a gente está falando do que , há alguns anos atrás a gente chamava de síndrome de Asperger, que atualmente faz parte do transtorno do espectro autista.

É sempre importante lembrar de que o autismo é um espectro, então ele varia tanto no nível de gravidade quanto no nível de apresentação, na forma de apresentação, então as pessoas vão ter um conjunto de características diferente uma das outras.

Vamos começar por uma das dificuldades que é uma das mais conhecidas, que é a dificuldade de interação social, de iniciar e manter relacionamentos, isso pode ser manifestar desde a ausência de interesse em interagir socialmente, de não ter curiosidade sobre os assuntos das outras pessoas, de não ver motivo para interagir, até aquela pessoa que interage mas tem uma abordagem inadequada, tem dificuldade para entender qual o comportamento seria apropriado para aquela determinada situação, o que que você pode falar em público, pode ser aquela pessoa que “vive dando fora”, fala coisas no momento que não deveria, algumas pessoas podem preferir a interação com pessoas mais novas ou mais velhas, por considerar que é mais fácil conversar com essas pessoas.

Uma outra dificuldade que a pessoa pode apresentar é uma dificuldade na reciprocidade socioemocional, que está relacionada com o que eu acabei de falar, iniciar e responder interações sociais, pode iniciar a interação de uma forma inadequada, às vezes não sabe quando e como entrar em uma conversa, o que dizer, quando dizer, pode ter dificuldade para compartilhar interesses, para estabelecer uma conversa normal, então às vezes quando vai interagir pode conversar sobre assuntos que às vezes interessam só para ela, mas não percebe que as outras pessoas às vezes não estão interessadas naquele assunto.

Uma outra dificuldade seria na comunicação não-verbal, os sinais não-verbais, pista sociais, então está relacionada a tudo isso que eu falei até agora, a pessoa pode ter uma dificuldade na comunicação não-verbal durante a interação social. Interpretar os gestos das pessoas, o tom de voz, as expressões faciais.
Outra dificuldade seria com sentimentos e emoções, em identificar se o outro está triste, está feliz ou está com raiva, tanto pelas expressões faciais quanto pelo tom de voz da pessoa, pode ter dificuldade em expressar suas próprias emoções, seus sentimentos, às vezes não sabe explicar o que que tá sentindo, e essas dificuldades também podem estar relacionadas em ver as coisas na perspectiva do outro, que é o que a gente chama de teoria da mente, algumas pessoas podem falar para esses adultos com autismo que a pessoa não tem empatia mas isso é devido a essa dificuldade de teoria da mente.

Também podem interpretar o que as pessoas falam de uma forma muito literal, podem ter dificuldade para entender ironia, sarcasmo, duplo sentido, metáforas, para entender quando as pessoas estão mal intencionadas.

Também podem apresentar um interesse restrito, que também é chamado de hiperfoco, algumas pessoas podem ter interesses altamente focados, altamente restritos em um mesmo assunto, então podem falar só sobre esse assunto, ler só sobre esse assunto, colecionar coisas, objetos, sobre esse assunto, sobre esse tema, ou podem ter uma preocupação ou um apego com objetos incomuns, esses interesses podem continuar ao longo da vida, mas também podem mudar, e, ao contrário, do que muita gente acha, interesses de pessoas com autismo não é só dinossauro, computadores ou astrologia, cada pessoa tem o seu interesse.

Outra característica é o que a gente chama de comportamentos ou movimentos repetitivos, que também são chamados de estereotipias motoras, então a pessoa pode ficar fazendo movimentos com as mãos, com os dedos, com a boca, pode usar objetos de forma repetitiva, então ficar alinhando ou girando objetos, e essa repetição também pode ser demonstrada na fala, a pessoa pode ter uma fala repetitiva.

Algumas pessoas podem ter preferência a rotina e resistência a mudanças, então, por exemplo, podem preferir ficar em casa, porque geralmente fora de casa as regras e as expectativas sociais podem ser difíceis de tolerar, e lidar com essas mudanças requer muito esforço da pessoa, sendo assim, tem a preferência por rotinas, geralmente fazem as suas atividades no mesmo horário, na mesma sequência, da mesma forma, porque muitas vezes a rotina pode reduzir a chance de situações confusas, isso pode ajudá-los a se sentir mais seguros, então tem problemas com mudanças na rotina, não gostam que mudam suas coisas de lugar, que mudem o que tinham planejado, não reagem bem com essas mudanças repentinas, quando algo inesperado acontece. E alguns também tem rituais, de organizar, tocar ou acumular coisas, e é mais provável que os rituais sejam relacionados às áreas de vida diária da pessoa então, por exemplo, a pessoa tem uma rotina, um ritual, para se vestir, um jeito de fazer o café da manhã, um ritual para comer e relacionada essa dificuldade com mudanças, com coisas repentinas, chegamos ao nosso próximo item, onde alguns adultos com autismo sentem uma necessidade de planejar até os detalhes, quando vão fazer uma coisa nova ou uma coisa diferente no futuro, por exemplo, quando vão algum lugar novo, algum lugar que sabe que vai ter pessoas que não conhece ou quando vão fazer alguma atividade nova.

Outra dificuldade que pode estar presente é com relação aos estímulos sensoriais, as pessoas com autismo podem experimentar os estímulos sensoriais em um nível diferente do que a maioria das pessoas, podendo ser mais sensíveis ou menos sensíveis a esses estímulos, então pode tanto não gostar desses estímulos, como pode ter fascinação por esses estímulos, e isso pode acontecer com relação a sons, pode ficar muito incomodado com barulho, por exemplo, estar em um shopping ou pode ficar incomodado com barulhos específicos, por exemplo, uma campainha, latido de cachorro ou um barulho de moto passando, ou podem ser muito sensíveis a sons muito baixos que geralmente ninguém consegue escutar, também podem não gostar de muita luz, muita claridade ou gostar de luz, de luzes coloridas, pode ter dificuldade com o tato, o toque na pele, pode não gostar de algum tipo de tecido de roupa, pode preferir roupas mais largas ou roupas mais justas, pode ficar incomodado com um tipo de cheiro específico, a textura de algum tipo de alimento, pode ter uma preferência muito específica para determinados alimentos e isso pode levar até uma seletividade alimentar, e tudo isso também pode acontecer com relação a dor, pode ter uma reação muito intensa algo que causaria pouca dor, ou pode ter uma reação muito tranquila para algo que deveríamos sentir muita dor, também pode acontecer com temperatura, inclusive essa alteração na sensibilidade do frio ou do calor, pode até influenciar na saúde da pessoa, assim como a sensibilidade a dor.

Outras características muito comuns, mas que não são critérios para o diagnóstico de autismo, de síndrome de Asperger, é a presença de déficits motores, então a pessoa pode ser mais desajeitada ou pode ter problemas com a coordenação motora, também é muito comum que tenham alterações no sono, que tenham dificuldade para explicar fatos ou histórias, e geralmente essas pessoas relatam que elas se expressam melhor escrevendo do que falando, e que apresentem sintomas ou às vezes já chegam até com um diagnóstico de depressão ou de ansiedade. Por conta de todas essas dificuldades, geralmente, esses adultos com autismo sofrem ou sofreram bullying na escola, na faculdade ou no trabalho podem ser vistos pelas outras pessoas como uma pessoa estranha e geralmente os adultos com autismo relatam que eles sempre se sentiram fora da sociedade, sempre se sentiram diferentes.

Bom, se você se identificou com algum desses sinais ou identificou esses sinais em alguma pessoa que você conhece, compartilha sua experiência comigo aqui nos comentários, até o próximo vídeo!”

Comportamento atípico de autistas

Compartilhado originalmente em 16/07/2017

O comportamento atípico de autistas varia conforme seu grau no espectro. Respeite quem é diferente.

Neste vídeo, o garotinho tem dificuldade para entender que o pote está aberto, pois o lacre não foi completamente removido. Essa dificuldade em operar conceitos (no caso, aberto/fechado) de forma ampla, extrapolar informações e abstrair idéias, faz parte em maior ou menor grau do espectro autista.

Em tempo: há um erro na tradução. Quando ela diz: “I love it” (Eu amo isso.), ele responde “Yes, you do.” (Sim, você ama.). Autistas também têm dificulade em usar o conceito ”nós”.

 

Saiba mais: https://www.psicoedu.com.br/2018/09/funcoes-executivas-psicologia.html

Tippytalk – Aplicativo para comunicação com crianças autistas

Compartilhado originalmente em 04/05/2017
Atualizado em 03/07/202: recolocado vídeo removido pelo Facebook.

“Este papai criou algo realmente incrível para ajudá-lo a se comunicar com sua filha não-verbal.”

https://www.facebook.com/131929868907/videos/10155216407443908

Autismo – Saiba mais sobre o transtorno – Especial TV Aparecida

Arquivo A: autismo | TV Aparecida

 

Conheça um pouco mais sobre o autismo nas crianças

Conheça um pouco mais sobre o autismo nas crianças | Balanço Geral Curitiba