Mensagem nº 198

“A grandeza de uma nação e seu progresso moral podem ser julgados pela maneira como seus animais são tratados.”

Mohandas Karamchand Gandhi
*Porbandar, 02/10/1869 + Nova Déli, 30/01/1948
Advogado e fundador do Estado Indiano

Mensagem nº 297

“Tenha fé, tanto nos bons quanto nos maus momentos.”

Mensagem nº 296

“Quando não há tigres na montanha, o macaco é rei.”

Provérbio

Mensagem nº 295

“Melhor do que mil palavras vazias é uma única palavra que traga paz.”

Sidarta Gautama
* Lumbini, séc. VII AEC + Kushinagar, séc. VI AEC
Monge e professor indiano.

Brasil, Pátria Achacadora 4 – Uma nova cagada.

Brasil é um país que só começa após o Carnaval: festa da carne, regada a álcool e gravidezes indesejadas. Gringos de todo o mundo vêm para cá para ver (e consumir) o que temos de melhor a oferecer: bundas.

Então, vemos a grande mídia debruçar-se sobre a história de uma debruçada loira cavala que em si injetava anabolizante de cavalo em doses cavalares. Nossa protagonista, lamentavelmente vítima de sua própria vaidade, (ou melhor, seu cadáver) serve de banquete farto aos midiáticos carniceiros de nossa amada imprensa, obcecados por loiras e bundas. A trágica e evitável morte de nossa desassistida e desorientada irmã é o de menos: o que importa é encontrar suas fotos de biquíni, preferencialmente fio-dental, e mostrar sua generosa e metacrilada bunda.

Eu particularmente não admiro tanto mulher cavala, mas fazer o quê? Estampam capas de revista e aparecem em programas de TV porque essa é a preferência da grande maioria de nossos compatriotas, e, portanto, matéria (ou material) de interesse nacional por maioria de votos. Viva a democracia! Aliás, quem se importa com o sofrimento alheio, se podemos ter bundas, não é? E a irreparável perda da bunda da loira é sim motivo de concentrar toda a atenção pública sobre o que realmente importa: …

… não sei. Realmente não sei. (De verdade, durante a produção deste texto, neste parágrafo mesmo, travei. Eu não sei mais o que importa para o povo brasileiro.)

Durante todo o ano de 2015, a gente ficou reclamando de crise: que a crise isso, que a crise aquilo… Daí vieram as festas de fim de ano, e a crise não foi impedimento para o povão comprar um monte de tralhas no Natal e encher o rabo de comes e bebes. E continuamos a reclamar da crise, para fazer milionária festa de ano com milhões na praia, com direito a foguetório e mais comes e bebes no rabo. Duas semanas antes da festa pagã, o Brasil em polvorosa, preparando, e por vezes já consumindo, seus comes e bebes e bundas. Cadê a crise?

Janeiro, “período entre festas”, mês de férias e praia e aumento de encargos sagazmente enrabados no ora de porre contribuinte, já passou. Esquecemos completamente a crise, pois agora é Carnaval. Ou a crise não é tão grave assim, ou o povo e a imprensa não têm noção ou definição de prioridades. Ninguém mais se importa com impeachment, esqueceram o Eduardo Cunha, esqueceram a tragédia em Mariana, esqueceram as preparações para as Olim-piadas, esqueceram até que este é ano de eleição!

Sei bem que esse surto de amnésia seletiva coletiva passará após a ressaca da quarta-feira de cinzas, que só acontece na segunda-feira seguinte, após o desfile das campeãs. Mas e aí? Podemos realmente esperar alguma mudança?

Historicamente sabe-se que todos os países que sediaram tanto a Copa da FIFA, quanto os Jogos do COI, sofreram com graves recessões econômicas. O Brasil teve a brilhante idéia de sediar ambos em menos de dois anos. Já estamos em recessão, agravada pela Copa e que possivelmente piorará com os Jogos. Inflação galopante, preço do petróleo em queda livre, dívida externa impagável, desvalorização monetária humilhante, perda de lastro, isolamento econômico, contas públicas quebradas. O Brasil faliu. E ainda não chegamos ao fundo do poço!

Crise política anunciada: uma presidente incompetente, péssima gestora, gerindo uma equipe desequipada, durante um terceiro turno que está durando mais de um ano. “Nunca antes na história deste país” houve homem tão honesto quando o Santo Molusco, sua co-mandatária cara metade, hoje envolvida em escândalos fiscais. Já o Duduzinho está feliz da vida, pois o esqueceram por enquanto, e pode aproveitar o recesso do Congresso com sua esposa e o treinador de tênis.

Em nossa esburacada cidade, que se prepara para receber os Jogos, multam mijões e guimbeiros, enquanto flanelinhas extorquem em vias públicas; expulsam pobres e põem favelas abaixo para construir condomínios de luxo; o Favela-Bairro torna bairros em favelas; as UPP’s espalham bandidos pela cidade; a Lagoa está imunda (e o resto também).

Como é possível que tenham esquecido isso? Esqueceram até o Ebola! Mas isto tem um motivo: o Ebola está matando pretos pobres desnutridos na África. Eles lá que se danem. Já o Zika está fazendo crianças brancas ricas bem nutridas daqui nascerem com problemas. Aí é importante e por isso sai na manchete. Mas não precisamos mais nos preocupar: lembra quando o Ebola atingiu a Europa? Em dois meses criaram vacina. Pois se já nasceu uma criança seqüelada nos Estados Unidos, então a cura é próxima.

No que pergunto: quais são os valores e as prioridades da gente? Será que a dor humana está tão banalizada? Será que o sofrimento de um irmão desconhecido vale tão pouco? Estamos mesmo em crise ou não? Há clima para festa e Carnaval?

O que é importante, afinal?

Esqueceram o laudo da explosão em São Cristóvão, esqueceram do garoto que bateu com a cabeça na ambulância no Salgado Filho, esqueceram a enfermeira que morreu de piti, esqueceram o Palace 2, esqueceram a Cidade da Música, esqueceram as vigas da Perimetral, esqueceram a crise na saúde e, infelizmente, também esquecerão a bunda da loira cavala.

Nossa protagonista, até outrora próxima desconhecida, conseguiu a fama que almejava, pagando com sua própria vida. Mas ao que parece, sua tragédia não é mais importante que sua bunda. Teve seus 15 minutos. E sua curta e triste vida será em breve esquecida… “E vivas ao Carnaval!”…

Pelos céus… no que estamos nos tornando?

Mensagem nº 294

“Madeira podre nunca é usada para pilares.”

Provérbio

Um cão educado

Demóstenes tivera grandes problemas em sua juventude por conta de seu problema de fala. Sua dificuldade tornou-se sua grande obsessão. Determinado a aprender a falar belamente, conta-se que ia todos os dias à praia, colocava pedras em sua boca e treinava incessantemente. Após algum tempo, Demóstenes tornou-se o maior orador grego de sua época e todos ficavam maravilhados com seus discursos.

Seu discípulo, Licurgo, não ficou atrás. Orador excepcional, dotado de imaginação brilhante, de excelente memória e de voz fascinante, seu público amava seus discursos. Toda a Atenas parava para ouvi-lo em seus debates.

Certo dia, convidaram Licurgo para fazer um discurso sobre Educação. Após ponderar um pouco, pediu seis meses para se preparar. Os anfitriões prepararam tudo e deram-lhe o tempo pedido, mas estranharam o prazo. Para que tanto tempo? Licurgo era capaz de discursar imediatamente sobre qualquer tema, bastar-lhe-ia apenas um ou dois dias para preparar a palestra e memorizá-la! Por que esperar tanto?!

Não tardou e o alvoroço público se fazia impaciente. “Licurgo discursará após seis meses!” “O que ele dirá?!” Todos conheciam sua fama e, ansiosos, esperaram pelo grande dia.

Licurgo apresentou-se à platéia. Todos atentos esperavam seu discurso, mas em seu lugar apresentou sobre o palco quatro caixas de madeira. Licurgo pediu que abrissem a primeira caixa. Era um cão. Ele saiu correndo pelo palco, latiu, fez bagunça, sujou, enfim, um caos. O público não entendeu nada.

Em seguida, Licurgo pediu que abrissem a segunda caixa. Era uma lebre. O cão imediatamente pôs-se a persegui-la. Capturou-a e a matou em frente a todos. O público continuou sem entender o que se passava.

Retirados o cão e a lebre morta, Licurgo pediu que abrissem a terceira caixa. Era outro cão. Mas este estava quieto em seu lugar, bem comportado, sem latir, sem correr. Licurgo pediu então que abrissem a quarta caixa. Era outra lebre. O segundo cão foi cheirá-la e, para surpresa do público, começou a lambê-la e a brincar com ela.

E após seis meses, Licurgo fez seu mais curto discurso:
“Eis aí o que é Educação. Ambos os cães, da mesma raça, de mesma saúde, nasceram no mesmo dia e foram alimentados da mesma forma. A única diferença entre eles é um ter sido educado e o outro não.”

Pedro Figueira – Histórias recontadas

Mensagem nº 293

“O cavalo não correrá rapidamente se você não o deixar pastar.”

Provérbio

O braço esquerdo

Um menino de dez anos havia perdido seu braço esquerdo em um acidente. Ele contava apenas com seu braço direito. Mesmo com todas as dificuldades que disso decorrem, apesar do fato de ter apenas um braço, ele decidiu que iria aprender Judo.

Ele entrou em um Dojo e procurou o mestre do lugar. Este o recebeu e perguntou o que o menino queria. O menino lhe respondeu que havia decidido aprender Judo e fez uma reverência ao mestre com sua única mão à frente.

O mestre fitou o menino com seriedade. Observou com bastante atenção a manga solta de sua camisa, balançando pela falta de um braço a sustentá-la. Ponderou por alguns instantes sem dizer uma única palavra. O menino manteve-se em posição de reverência, esperando a resposta do mestre. O mestre, após esses instantes, o aceitou como seu discípulo.

Passados três meses de intenso treinamento, o mestre havia ensinado ao garoto um único golpe. O menino continuou treinando o mesmo movimento o dia inteiro, todos os dias. De novo, de novo, de novo. Mesmo sem entender o motivo, o menino continuou acreditando em seu mestre e continuou treinando aquele único golpe.

Muitos meses mais tarde, o mestre levou o menino para seu primeiro torneio. Não havendo separação por idade ou peso, o menino lutaria contra adolescentes e adultos. Apesar de ser o mais jovem, o menor e ter aprendido apenas um único golpe, o menino surpreendeu-se ao conseguir vencer facilmente seus primeiros oponentes.

E seguiu seu caminho até as finais do torneio. E venceu.
Após retornar ao seu Dojo, o menino finalmente tomou coragem e perguntou:

– Mestre, como pude vencer o torneio conhecendo apenas um único golpe?

Sem hesitar, o mestre lhe respondeu:

– A única forma de seu oponente defender-se desse golpe é segurar seu braço esquerdo.

Pedro Figueira – Histórias recontadas

Mensagem nº 292

“Seja qual seja a provação que experimentes;
por maior que se faça a dor que atravesses;
por muitas quedas que porventura hajas sofrido;
mesmo ante a perda dos entes mais caros;
enquanto suportes enormes inquietações;
nas mais difíceis probabilidades de sobrevivência;
sob prejuízos que jamais esperaste;
varando atribulações incontáveis;
embora vivendo entre espinhos e entraves;
não desanime.
Ama, trabalha, serve e segue adiante na certeza de que amanhã surgirá outro dia.”

Francisco Cândido Xavier
*Pedro Leopoldo, 02/04/1910 + Uberaba, 30/06/2002
Escritor filantropo brasileiro
Adaptado de “Seara de fé”