Como a linguagem modela a maneira como nós pensamos?

Atualizado em 04/09/2021: acrescentado vídeo pertinente ao final.

How language shapes the way we think | Lera Boroditsky

Em acréscimo ao exposto na apresentação, também gostaria de contribuir com algumas de minhas considerações.

Acredito que essa diferença na estrutura e na forma de pensamento esteja interligada na estrutura e na forma da linguagem. Observemos alguns exemplos:

Em inglês os adjetivos vêm antes dos substantivos. Isso reflete uma característica cultural das sociedades que usam tal linguagem, segundo a qual os acidentes são mais importantes do que a forma, o que pode ser observado em comportamentos que vemos como frívolos ou superficiais.

Em português (nas línguas latinas de modo geral) os adjetivos vêm após os substantivos. Isso reflete outra característica cultural, segundo a qual se dá mais valor à substância do que às contingências. Nestas sociedades, demonstra-se um traço geral em que o foco maior recai sobre a essência o objeto observado, não suas qualidades adicionais, acessórias, secundárias.

Em inglês, não se faz uso de oração sem sujeito. Toda oração tem um sujeito, ainda que indeterminado. Toda ação possui um agente. Nas línguas latinas isso não é necessário. Em nosso idioma, uma ação é apenas uma ação. Não é necessário um agente. Exemplo: “chove” e “it rains”. O pronome ”it” é obrigatório em inglês e não faz sentido em português.

Observemos outros exemplos: a língua japonesa possui uma gramática muito pobre em comparação com as línguas latinas. A ordem de uma frase é praticamente sempre a mesma: Sujeito + Predicado + Ação. Há pouquíssima conjugação verbal. E essa ausência de conjugação verbal relaciona-se, ao meu ver, com uma estrutura de pensamento que valoriza mais a ação propriamente e o tempo no qual ela foi tomada do que o agente verbal.

Isso reflete uma estrutura de pensamento que prima pelo pragmatismo e pela abordagem direta das questões. Outra característica da linguagem japonesa é o uso de pronomes de tratamento hierárquicos para cada tipo de pessoa com a qual se fala. O reflexo do sistema hierárquico de relações sociais no Japão se apresenta mesmo em ambientes familiares e informais.

Na língua chinesa a entonação de cada uma das dezenas de formas de vogais muda o sentido das palavras e o significado do que se quer dizer. A isso podemos relacionar os complexos sistemas de relacionamento sociais, no qual as pessoas acabam não abordando diretamente os assuntos, usando estratégias subentendidas ou dissimuladas para abordar assuntos relativamente simples aos nossos olhos.

A língua russa também é um exemplo interessante. Nela não há verbo de ligação: a cópula ocorre diretamente pelo contexto em que se fala. Na linguagem dos esquimós, há dezenas de nomes diferentes para cada tipo de neve. Assim como povos do deserto têm nomes diferentes para os vários tipos de areia. A população das ilhas Malvinas tem uma grande quantidade de nomes relacionados a cavalos e à vida eqüestre. Além é claro da imensa quantidade de vocábulos intraduzíveis de um idioma para outro.

De todo modo, isso não é um indicativo de que esta ou aquela linguagem seja melhor ou pior. Cada linguagem apenas reflete uma estrutura de pensamento, de tomada de decisões, de formação de juízos de valor e de fato, bem como de organização social.

Mais sobre o assunto:
O missionário que viveu com índios, virou ateu e desafiou conceitos sobre linguagem |Ouça 10 minutos | BBC News Brasil

Pirahã: The Amazonian Tribe That Challenges Everything We Know About Language | SLICE
Deep in the Amazon rainforest, the Pirahã people speak a language that defies everything we thought we knew about human communication. No words for colors. No numbers. No past. No future. Their unique way of speaking has ignited one of the most heated debates in linguistic history.

For 30 years, one man tried to decode their near-indecipherable language—described by The New Yorker as “a profusion of songbirds” and “barely discernible as speech”. In the process, he shook the very foundations of modern linguistics and challenged one of the most dominant theories of the last 50 years: Noam Chomsky’s Universal Grammar.

According to this theory, all human languages share a deep, innate structure—something we are born with rather than learn. But if the Pirahã language truly exists outside these rules, does it mean that everything we believed about language was wrong? If so, one of the most powerful ideas in linguistics could crumble.

Documentary: The Amazon Code
Directed by: Randal Wood, Michael O’Neill
Production : Essential Media, Entertainment Production, ABC Australia, Smithsonian Networks & Arte France

A máfia da Academia 2 – Relações de poder no mundo acadêmico.

Finalmente, após tanto tempo garimpando, consegui reencontrar o vídeo do professor Clóvis de Barros Filho que segue nesta postagem.
Este é um excerto de 20 minutos extraídos do vídeo original “O começo das relações políticas”, aula com mais de 2h30min.
Eu perdi a conta de quantas e quantas vezes eu coloquei este vídeo em meu site. Ocorre que TODAS as vezes o vídeo é removido das plataformas de compartilhamento. Youtube, Dailymotion, Vimeo, até o extinto Videolog. Eu não sei qual o motivo por que este vídeo especificamente foi removido de tantos canais, enquanto que os demais vídeos do mesmo curso são amplamente divulgados. Então resolvi eu mesmo enviar uma cópia em meu canal particular e ver o que acontece.

Em tempo, repetindo-me: não sou fã do autor, não concordo com muitas de suas propostas. Mas o conteúdo (teor) deste excerto reflete a quarta parte do motivo pelo qual optei por não seguir pelo mundo acadêmico.

A primeira questão é a imposta falta de liberdade de escrita;
A segunda questão é minha defesa de um direcionamento mais amplo da produção acadêmica (funcionalidade, curiosidade, afetividade) em lugar da produção para cumprir requisitos burocráticos;
A terceira questão é o melindre dos brios dos membros da academia;
A quarta questão é exatamente a relação de poder que o vídeo explica com clareza.

O que é ”Programação orientada a objetos”

Computer programming: What is object-oriented language? | lynda.com overview

Object-oriented Programming in 7 minutes | Mosh

Como funciona uma CPU?

How does a CPU work?

Jacque Fresco – A story of change

Jacque Fresco – A story of change

Ensino, avaliação e aprendizagem – Parte 5

Vídeo: Cognitivismo e Humanismo – Aprendizagem Significativa

Metodologia para o ensino superior: material complementar – Parte 7

Vídeo: EVS – Aprendizagem Baseada em Problemas – UNIVESP

Metodologia para o ensino superior: material complementar – Parte 6

Vídeo: Diálogos – Formação de professores – TV UNESP

 

 

Como eram feitos os gráficos e sons nos jogos eletrônicos de primeira geração?

Como eram feitos os gráficos e sons nos jogos eletrônicos de primeira geração?

How “oldschool” graphics worked Part 1 – Commodore and Nintendo

How “oldschool” graphics work, part 2 – Apple and Atari

How Oldschool Sound/Music worked

Metodologia em ação (laboratórios) – Parte 2

Recurso Audiovisual Público – Com ciência parte 1
Fonte: RAVIOTELEVISÃO CABOVERDIANA .Com ciência parte 1.

Recurso Audiovisual Público – Com ciência parte 2
Fonte: RAVIOTELEVISÃO CABOVERDIANA .Com ciência parte 2.

Recurso Audiovisual Público – Com ciência parte 3
Fonte: RAVIOTELEVISÃO CABOVERDIANA .Com ciência parte 3.


Aquele momento em que Cabo Verde está anos-luz à frente do Brasil…