Bala na bunda alheia é refresco.

Bala na bunda alheia é refresco.

//Hate mode ON//

Outro dia um fretista estava comentando comigo algumas coisas que via de errado em nosso país. Por exemplo, você batalha e com algum esforço compra sua casinha própria. Paga todos os impostos (se não pagar, tomam sua casa), trabalha, junta dinheiro e finalmente compra um galão de tinta para pintar a fachada. Fazer uma reforma, cuidar do patrimônio, essas coisas.

Daí aparece um pichador e suja toda a frente da sua casa. Ele é um jovem, vítima da sociedade e das circunstâncias, sem acesso à educação e ao lazer. Menor de idade (17 anos e 11 meses, uma criança, ‘tadinho…), crime de menor potencial ofensivo: não pode ser preso! Deve ser delicadamente acolhido, advertido e encaminhado para setores responsáveis.

Quanto a você, foda-se: vá pintar de novo a sua casa. E ai de ti se resolver bater naquele desorientado jovem! Aquela pobre vítima de nossa sociedade capitalista estava apenas demonstrando seu descontentamento com a vida, exercendo a liberdade de expressão artística e deve ser protegida contra monstros como você, contribuinte, que acredita que preservar seu patrimônio é mais importante do que a integridade física dos jovens, o futuro de nossa nação.

Ou seja, se você descer o cacete num sujeito desses, o errado é você.

Esse comentário do fretista me fez lembrar outros casos similares. Por exemplo, a “Campanha do Desarmamento”. Tirar armas de fogo da população com vistas a diminuir a criminalidade. Só esqueceram um detalhe: faltou avisar os bandidos… Você não pode se defender, como já ensinara o grande filósofo Mestre Dal:
Vídeo 1: http://www.youtube.com/watch?v=fHlII0hlQPE
Vídeo 2: http://www.youtube.com/watch?v=kxwau6Yz-gg

Mas os vagabundos podem te foder à vontade, que não lhes acontece nada.

Mais recentemente (o que demonstra que nada mudou) tivemos mais um surto de arrastões nas praias do Rio de Janeiro. Todo mundo sabe que esses bandidos vêm nas linhas tal, tal, tal; todo mundo sabe que eles vêm das favelas tal, tal, tal; todo mundo sabe que no trajeto tem a Delegacia tal, tal, tal; e ninguém faz nada. Até que aparecem na TV turistas chorando porque foram assaltados, e resolvem adiantar a “Operação Verão”.

Ou seja, só tem arrastão no verão: no resto do ano a população que se dane.

Daí meia dúzia de MMA (que é a nova moda, antes era o pessoal do BJJ, no fundo é a mesma coisa), vendo que o Estado é omisso, combinam de sentar a porrada nos vagabundos e são duramente repreendidos por todo mundo. Aparece Governador, Prefeito, Imprensa, Ministério Público, Polícia Federal, Interpol, CIA, KGB, Coréia do Norte, todo mundo dizendo que nãããããão, não pode! Porque justiça com as próprias mãos é feio! Ai, ai, ai!

E outra meia dúzia (agora das instituições de Direito) vai à TV DEFENDER o direito de ir e vir de pivetes e vagabundos. Sim, porque eles têm o direito de ir e vir tranqüilamente. Nós não.

Se um cara vem pichar minha casa e eu descer o cacete nele eu vou preso porque ele é um coitadinho, e o uso da força não se justifica. Se um cara pular o muro de minha casa, entrar no meu quintal e eu meter bala nele, eu vou preso por excesso de força. Primeiro ele tem que atirar. Se eu sobreviver, aí sim eu posso atirar de volta, mas devo tomar cuidado para não machucá-lo muito. Eu sou obrigado a pagar a passagem da condução, para dois pontos depois subirem 40 mulambentos pela porta de trás, roubarem minhas coisas e irem passear na praia.

E eu não posso fazer porra nenhuma, porque senão o errado sou eu.
Porque defender a si mesmo é selvageria.
Porque matar bandido é errado.
Porque seria eu sufocado pela verborragia de políticos e de esquerdistas alienados e doutrinados, feministas, maconheiros, LGBT’s com paranóia de perseguição, uma escória que segue cartilhas falidas de um Marxismo há muito refutado pela realidade.

Porque o lugar dos homens de bem está atrás das grades de sua própria casa, de onde só pode sair para pagar impostos aos ladrões de cima, enquanto eles e suas famílias servem de alvos para os ladrões de baixo. E que também fiquem calados, pois reclamar é agora é taxado de pessimismo.

//Hate mode OFF//

Desopilado com as palavras acima, parto agora para uma análise mais séria do que se passa em nossa sociedade. Pretendo brevemente nas próximas linhas explicar porque defendo minha posição de que podemos (e talvez até devamos) reagir a assaltos quando possível, e porque defendo a afirmação de que a imprensa manipula a formação da opinião do cidadão comum. Por favor, note que este texto está publicado em blog e, pelo formato da mídia, aqui não aprofundarei mais o tema.

Tomarei como exemplo a cidade do Rio de Janeiro, onde vivo, para todo o texto, mas as idéias são aplicáveis a todos os lugares.

1º Fundamento, o número de policiais.

A cidade do Rio de Janeiro, somando todos os habitantes permanentes, as pessoas de outros municípios que vêm aqui só para trabalhar e retornam para suas cidades ao final do dia (movimentação pendular), e os turistas, perfazem um total de aproximadamente 8 milhões de pessoas.

A Jamaica (o país inteiro) tem menos de 3 milhões de pessoas. O mesmo ocorre em relação a Noruega, Croácia, Nova Zelândia ou Irlanda. Nossa cidade tem mais pessoas do que países inteiros.

Temos um efetivo de 52.000 policiais militares. Não para a cidade, mas para todo o Estado do Rio de Janeiro e seus 17 milhões de habitantes. Não é necessário ser um especialista em logística para ver que a conta não é muito boa.

2º Fundamento, as condições de trabalho dos policiais.

Um policial militar ganha uma remuneração indigna para passar o dia na mira de bandidos, com medo por si e por sua família, em um serviço extremamente estressante, violento, por vezes insalubre e ocasionador de doenças psíquicas: R$ 2.500,00.

Esse salário insuficiente para se suster leva muitos soldados a terem dupla ou tripla jornada de trabalho, sendo-lhes impossível a dedicação exclusiva ao quartel. É um soldo muito baixo para homens que, por vezes, sentem-se oprimidos pela violência que os cerca ao ponto de terem medo de brincar com os próprios filhos, com medo de machucá-los sem querer.

Fora a remuneração, as próprias condições de trabalho são impróprias. O material é sucateado, o treinamento é insuficiente e a demanda (violência urbana) está além das suas forças. Não preciso entrar em detalhes quanto a isso, pois é de conhecimento público:

As armas das forças públicas são de menor potencial do que as utilizadas por marginais (por vezes estes usam armas restritas ao uso militar);
O transporte (viaturas) é inadequado (e houve uma semana este ano mesmo em que as viaturas não puderam rodar por falta de gasolina);
As verbas são insuficientes para manutenção dos quartéis e equipamentos;
Os soldados novos são treinados por apenas 3 meses antes de serem enviados para o fronte, por vezes em áreas de conflito como as UPP’s;
O número de ocorrências é superior ao que se consegue administrar;
Agentes públicos, em especial do Legislativo e do Judiciário, criam barreiras e empecilhos para o livre desempenho de ações policiais, como exemplificado no caso recente dos arrastões.

3º Fundamento, o resultado do trabalho.

A cada 10 homicídios, apenas 1 é solucionado. A criminalidade está em constante aumento.

A falta de preparo e controle das tropas permite que bandidos se infiltrem no quartel, fazendo-se passar por policiais. A falta de moralidade dentro da própria tropa e a certeza da impunidade causada pelo sentimento geral da população, compartilhado por policiais, leva vários deles a comportamentos desviantes, amplamente divulgados pela imprensa.

O comportamento criminoso de parte dos policiais mancha a imagem de toda a corporação, que não passa mais à população em geral qualquer noção de segurança, integridade ou moralidade. Policiais passam a ser vistos ou como bandidos, pelos crimes dentro da corporação, ou como incompetentes, pela atuação insuficiente fora dela.

Tendo isso em mente, vejamos agora o lado da população.

1º Fundamento, a cultura do medo.

A violência urbana é sistematicamente mostrada na televisão, nos noticiários e em programas policialescos. A imprensa nutre-se da barbárie e exibe, de forma cada vez enfática e explícita, todo tipo de brutalidade concebível e praticada pela torpeza humana. Isso causa duas conseqüências. A primeira é a “anestesia”. De tanto vermos desgraças, elas tornam-se comuns. A banalidade da violência, ou ao menos a banalidade como ela é tratada, torna normal o que não é. A segunda conseqüência é o medo. As pessoas vivem com um medo contínuo. Não sabem se serão as próximas. Caminham esperançosas pelo melhor. Pedem proteção divina. É um medo latente, contínuo, mas que lhes permite seguir suas vidas.

2º Fundamento, a verborragia da civilitude.

Acompanhando as notícias sobre violência, a imprensa, novamente de forma sistemática, repete exaustivamente que não devemos reagir. Repete exaustivamente, em todos os canais e meios, que não podemos revidar a violência. Repete exaustivamente que o melhor é permitir os roubos e assaltos. Repete exaustivamente que não devemos praticar a justiça com as próprias mãos. Repete exaustivamente que revidar é uma atitude bárbara.

Repete exaustivamente que por sermos civilizados devemos baixar a cabeça para os bandidos. E tem como único fundamento para esse argumento o mesmo medo que mencionei: se revidar, será ainda pior, ainda mais perigoso, ainda mais violento.

Tudo isso posto, quero agora explicitar minha opinião sobre o tema.

O verdadeiro motivo pelo qual se pede que você não reaja à violência urbana, não é a sua segurança. Se as autoridades tivessem realmente interesse em sua segurança, haveria mais investimento, treinamento, capacitação, material e efetivo nas ruas.

O verdadeiro motivo pelo qual se pede que você não reaja à violência urbana, não são os brios de civilitude. Se as autoridades tivessem realmente interesse em construir uma sociedade melhor, haveria mais organização social, econômica e educacional.

O verdadeiro motivo pelo qual se pede que você não reaja à violência urbana é que se as pessoas passarem a reagir e fazer justiça com as próprias mãos, o pouco controle que ainda resta acaba. Observe:

a) Somente 1 em cada 10 crimes são resolvidos. Se as pessoas passarem a reagir e a fazer justiça por conta própria, não haverá meios para que o já precário sistema de segurança averigúe todos os casos. Será impossível discernir se uma ação foi legítima ou se um assassinato foi mascarado como “legítima defesa”.

b) Se a população passar a reagir por conta própria, pode considerar que não precisa mais do sistema de segurança pública. Podem-se formar grupos de milícias armadas. Esses grupos tanto podem se auto-intitular justos, quanto podem aproveitar o caos e se formarem como novos grupos criminosos.

c) A população não tem o preparo necessário para averiguar crimes. Linchamentos e ataques a pessoas inocentes podem acontecer facilmente, enquanto que crimes reais podem ser ocultados pelo excesso de violência.

d) Se o pouco de segurança que temos for dispensado pela população, há o risco de que a cidade sucumba a um estado de barbárie, em que a atuação do Estado de Direito não seja mais possível, sendo necessário, para manutenção da ordem pública, um Estado de Exceção. Isso seria o colapso de todo o sistema social construído e desejado pela ampla maioria desta sociedade.

O segundo motivo pelo qual se pede que você não reaja à violência urbana é a manutenção da cultura do medo e a verborragia da civilitude. Observe:

a) Você sai de sua casa todo dia com medo da violência urbana. Tem medo por si, por seus filhos, por seus pais, por seus amigos. Você tem medo do que pode lhe acontecer. Mas, como eu disse, não é um pânico generalizado, como no estado de barbárie que citei há pouco. É um medo leve, sutil, que permeia seu cotidiano.

Você trabalha, estuda, viaja, passeia, consome, paga seus impostos. Faz de tudo. Mas com medo. E enquanto tem medo, não pensa em outras coisas. Uma pessoa com medo não pensa em política. Uma pessoa com medo não pensa em gastos públicos. Uma pessoa com medo não pensa no futuro. Não pensa nas grandes questões da humanidade. Uma pessoa com medo só pensa em sua segurança de agora.

E não é só a segurança pública. O transporte, a saúde, a educação. Você está tão preocupado em como vai ser voltar para casa naquele trânsito horrível, em como vai pagar as contas do mês, em como vai ser se ficar doente e não ter hospital, em como a escola do filho está ruim, que não pensa muito em como resolver os problemas sociais. Afinal, como pensar no resto da sociedade quando a própria vida está à beira do caos?

A manutenção desse estado de contínuo medo e desordem social é boa para quem está no poder. Enquanto a massa aproveita as migalhas que vez ou outra são dispensadas para conter os ânimos, eles continuam se fartando em laudos banquetes custeados pelo sofrimento do povo.

b) A verborragia da civilitude talvez seja ainda mais sutil do que a cultura do medo. Está sendo culturalmente enraizado à força na mente do povo brasileiro que armas são ruins. Eu defendo o contrário. Defendo que armas são ruins nas mãos de homens ruins e que armas são boas nas mãos de homens de bem. Defendo que um povo armado é um povo livre não só de extorsões de forças estrangeiras, mas também é um povo livre dos desmandos de seu próprio governo.

Como teriam sido os protestos de julho de 2013 se a população fosse armada? Não teriam sido. Se o povo brasileiro fosse um povo armado, não haveria necessidade de protestos.

Também defendo que o aumento de armas não se refletiria no aumento de homicídios. Enquanto que no Brasil desarmado a taxa de homicídios é de 25/100mil, nos EUA a taxa é de 5/100mil. Cinco vezes menor. Claro, lá ocorrem corriqueiramente chacinas, mas eles defendem que qualquer um pode ter arma. Eu defendo que apenas homens de bem possam tê-la.

Defendo que são eles, os bandidos, que deveriam temer os homens de bem. São os bandidos que deveriam ser enjaulados, não nós. São os bandidos que deveriam ser punidos, não nós.

Por esses motivos apresentados, defendo que podemos sim reagir a assaltos e a violência urbana, se possível. Bravura e imprudência andam bem próximas, é preciso saber discernir. Mas se a pessoa possui preparo e treinamento, se possui meios para tanto, e se por instinto pressente que há condições de agir, não vejo motivos para permitir que esses crápulas façam o que bem entenderem.

Eles matam, roubam, estupram, ferem, aleijam, zombam da moral. E em sua perversão regozijam-se do sofrimento alheio. Mesmo se você não reagir, nada garante que sairá vivo. Mesmo entregando seus pertences, ainda assim pode ser morto, violado, humilhado. E por medo, o próprio homem de bem se condena a uma vida de ainda mais medo.

Defendo que precisamos enfrentá-los. Mas sozinho é impossível, nada posso. Quando o mal torna-se maioria, os homens de bem sofrem. Quando o poder está nas mãos de homens frouxos e covardes, quando os melindres de intelectualóides falam mais alto do que o bom senso, quando os valores da moral e da família são subvertidos por populismos baratos, pouco resta a não ser questionarmos se é isso mesmo o que queremos para nossa sociedade e para nosso país.

Quero deixar uma última coisa clara. Eu não desejo que as pessoas tenham armas em casa. Eu desejo viver num mundo em que não precisemos mais de armas, em que não haja mais guerras ou violência. Mas até eu viver nesse mundo, me recuso a viver com medo.

O que falta aos homens desta terra são colhões.

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