Supertotal

Incompleto

Novembro 2016

Muitas pessoas acabam sofrendo o mesmo problema: após começarem uma viagem, ficam tão insortas no trajeto que acabam esquecendo por que começaram a viajar. Comparam-se aos demais transeuntes, como se estivessem numa corrida (talvez reflexo de nossa correria do dia-a-dia, ou da Lei de Gerson, quem sabe?) . E tendo esquecido por que começaram a viajar, se perdem, pois não sabem mais para onde querem ir.

Há dois ditados em português que se aplicam bem nestas ocasiões.

“Quando não se sabe aonde se quer chegar, todos os caminhos estão errados.”

“Não saber aonde se quer chegar é a melhor forma de ir aonde nunca se esteve.”

Ao iniciarmos qualquer projeto novo, enveredamo-nos por sendas desconhecidas para nós, mas conhecidas por outrem. Essas estradas além de nossa cartografia são bem mapeadas por quem já as trilhou. Mas quem sabe quais eram suas origens e seus “destinos”?

Dar-se a oportunidade de descobrir, permitir-se experimentar, errar e aprender é uma excelente forma de conhecer o novo, despertar novas curiosidades, criar sua própria história, sua própria viagem.

Porém é aconselhável não esquecer por que começamos a viajar. Até para poder mudar de idéia no meio do caminho, dar meia volta e tentar outra coisa. Não ficar preso num caminho sem volta. Ter sempre novos atalhos, contornos, evitar abismos, encontrar novas pousadas, novos campos, novos portos donde recomeçar novas viagens.

Acredito que seja importante não viver no piloto automático. Ele serve como instrumento de navegação, não como capitão da nau. Os oceanos à nossa frente são delicados e inóspitos, tranqüilos e arredios, rasos, quentes, congelados, demasiadamente profundos. Escondem riquezas e perigos. Monstros e sereias. Talvez essas as mais perigosas.

Saber por que está trilhando determinado caminho não é suficiente. Ter consciência do porquê é fundamental para manter o curso ou mudar a rota.

Fim das metáforas.


Quando comecei no esporte de musculação, meu objetivo era o mais comum possível: ter uma barriga tanquinho. Não consegui. E sinceramente acho que não vai dar mesmo, pois fazer dieta é muito chato.

Então me lembrei de minha adolescência. E me lembrei de minha infância. E me lembrei de um motivo muito importante para mim, que sempre esteve latente, apenas esperando reaflorar. E decidi não o esquecer mais.

Eu sempre me considerei uma pessoa fraca. Mais fraco que os garotos de minha idade, mais fraco que meus colegas de faculdade, mais fraco que meus colegas de trabalho, mais fraco que os homens que vejo na rua, mais fraco que os outros freqüentadores de academia. Sempre me senti mais fraco. Não sei se é impressão, neura, complexo de inferioridade ou alguma outra coisa a ser averiguada com terapeuta. Mas sempre me vi mais fraco e frágil que os outros.

Eu cansei de ser fraco.

E estabeleci um único objetivo: tornar-me mais forte.

Não tenho interesse em competições, não tenho interesse em fama, não tenho interesse em dinheiro, não tenho interesse em exibição, não tenho interesse em admiração. Eu quero força. Força bruta. E apenas isso. (Estranho para um filósofo nerd geek cheio de frescuras, mas é muita testosterona reprimida aqui)

E usando minhas habilidades nerdísticas, lá fui eu estudar (é a segunda coisa que faço melhor, a primeira é escrever). E fui descobrir coisas diferentes, ver como é, ver coisas novas. E continuo aprendendo coisas novas a cada dia de treino que passa.

E claro, por vezes, já me peguei me desviando da rota original. Por exemplo, minha dificuldade no Overhead Squat levou-me a cogitar usar um calçado próprio para a execução do movimento. Mas um professor de educação física ensinou que isso apenas mascararia uma dificuldade e o mais correto é corrigi-la. Optei continuar com sapatos minimalísticos.

Daí chegamos à primeira das conclusões: meu objetivo não é levantar mais peso, e sim ficar mais forte.

Parece contraditório, não? Só parece. Há técnicas específicas que permitem ao atleta mover mais carga, mas isso não significa necessariamente que ele tenha desenvolvido mais força ou desenvolvido melhor seu atleticismo. Mover mais peso não significa se tornar mais forte. Significa buscar um número na prancheta.

Outra coisa que já me peguei pensando foi no tempo de desenvolvimento. Afinal, não sou mais um adolescente com hormônios em fúria, capaz de me recuperar em dois dias como se nada tivesse acontecido. Há uma diferença entre forçar o corpo a alcançar um patamar mais alto e estimular o corpo a se desenvolver melhor. Treinar com dor ou com objetivo de dor não me parece plausível. Meus ganhos são lentos, bem mais lentos do que se eu treinasse até a falha, mas prefiro os ganhos lentos e consistentes aos rápidos e passageiros.

Concluo também que: meu objetivo é estimular-me a ficar mais forte, não me matar no processo. PORÉM SEM BATOTA.

E é claro, todo dia, eu sempre acabo me comparando aos outros. E lá vem a vozinha chata na cabeça que compara meu desenvolvimento ao de outro praticante. Acho que isso não tem jeito, pois tem a ver com meu sentimento de ser mais fraco. E o motivo pelo qual comecei tudo isso. Tenho plena consciência de que é absurdo comparar-me com outras pessoas, pelo simples fato de que o meu corpo é diferente, logo, jamais poderá haver qualquer correlação entre meu desenvolvimento e o de outrem.

E a terceira conclusão é: danem-se as cargas alheias, preocupo-me com as MINHAS CARGAS, o MEU progresso.

E é isso. A única coisa que quero é me tornar mais forte.


Incompleto

Dezembro 2016

Mas o que é força?

Não é o conceito da explicação física de que força é o produto da massa pela aceleração. Eu desejo força bruta. É um tanto difícil explicar em português, pois usamos a mesma palavra para designar vários tipos de força (em inglês existe a divisão entre strength, power e force), mas vamos lá.

Há três tipos de força humana (este é um conceito que eu desenvolvi)

  • Força de tração – capacidade de mover um objeto
  • Força explosiva – capacidade de mover um objeto velozmente
  • Força inercial – capacidade de transferir movimento a outro objeto

Eu quero as três. As duas primeiras podem ser desenvolvidas por meio de exercícios resistidos. A terceira não pode ser desenvolvida pela musculação, somente por meio de artes marciais ou atletismo de campo. Por hora, estou me desenvolvendo nas duas primeiras. No futuro, a terceira será acrescida.

 


07/01/2017

How to deadlift

Many people tend to overthink weightlifting. I was one of them.

Whenever someone starts lifting weights, they have mostly two options. One is to look for help of someone more experienced. That was my first option. Obviously, it is easier to ask help from someone who has already dealt with all those steps, knows the “path of rocks”, and can guide us showing the already known best way, than to try by yourself, hitting the wall every once in a while, making fool mistakes, bad turnovers and keeping doubts throughout all the journey.

The first option was made unavailable for me unfortunately sadly shortly. Then I went for the second option: go by myself. As a maniac paranoid nerd, the first thing I looked for was information. It was not a matter of couple months, I studied weightlifting training for 3 years before starting lifting weights more seriously. Programs, periodization, techniques, physiology, biomechanics, nutrition, cases and more. Books, magazines, scientific publications, videos, specialized websites. I worked out my brain for good.

When I started lifting weights, none of that info seemed plausible after all. All those studies, sure, gave me an idea of what was the sport, but nothing more than that. And ideas can easily be contrasted with reality itself.

The manuals state that you need to add tension to your body before lifting the weight. That your form must be flawless in order to avoid injuries. That you need to think in every minimum detail of your body movement. That your attention is required to each small part of your body positioning in order to increase torque in your joints and excel efficiency of application of force.

Then I started lifting weights.

How do I lift? I approach the barbell and set up my body in position. There is no tension at all. Even when some muscles contract in order to be in position, they are all relaxed. My body becomes as fluid as water. Next, I do the simplest movement someone alive can do. I take a deep breathe. And go for it.

The moment I grab the barbell, all my muscles fire at the same time. The hair in my feet get tight to the shoes to add stability. My sphincters contract to avoid wet and shit my pants (most of times) and puke (not so often). My ears contract to give me more aerodynamics. My body is not made of parts, it is now an unified system with the barbell. I finish the lift and release the breathe. That is it: as simple as a single breathe.

When I unrack the barbell if needed and feel its weight, I perceive it is not trying to smash me. In its brief instant, it is a part of me, which wants to make the other parts stronger.

The result: I do not overthink anymore. Lifting weights to me is somehow natural. Instinctive. No strategies, no calculations, no ideas. Just lifting. Quoting Bruce Lee “before lifting, a squat was more than a squat and a deadlift more than a deadlift; after starting, a lift is no more than a lift”. There are no secrets, no fantasies, no mysteries. Just pure reality of raw strength.

With this, what to I want to say is that no one can teach you how to lift. Because your way of lifting is only yours. No one can lift the weight for you and no one knows how exactly you feel it. It is your body moving, your mind doing. Only you individually alone by yourself. Do not try to copy other people. What works for them may not work for you. What is good for them may not be good for you. It can even be harmful.

For me, there are no mysteries anymore. The fantasies are gone, however something even better come into place: strength.

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Como levantar peso

Muitas pessoas tendem a pensar em demasia sobre levantamento de peso. Eu era uma delas.

Quando alguém começa a treinar com pesos, tem na maioria das vezes duas opções Uma é procurar ajuda de alguém com mais experiência. Essa foi minha primeira opção. Obviamente, é mais fácil pedir ajuda a quem já lidou com todos esses passos, conhece o “caminho das pedras”, e pode nos guiar mostrando o já conhecido melhor caminho, do que tentar por si mesmo, batendo cabeça vez ou outra, cometendo erros tolos, fazendo más escolhas e ficando com dúvidas por toda a jornada.

Infelizmente, rapidamente, tristemente, a primeira opção foi indisponibilizada para mim. Então eu segui a segunda opção: treinar sozinho. Em sendo um cdf maníaco e paranóico, a primeira coisa que fiz foi buscar informações. E não foi uma questão de poucos meses, eu estudei musculação por 3 anos antes de começar a treinar mais seriamente. Programas, periodização, técnicas, fisiologia, biomecânica, nutrição, exemplos e mais. Livros, revistas, publicações científicas, vídeos, páginas especializadas. Eu malhei o cérebro muito bem.

Quando eu comecei o levantamento de peso, nenhuma de toda aquela informação parecia plausível. Todos aqueles estudos, claro, me deram uma idéia do que era o esporte, mas nada mais que isso. E idéias podem facilmente ser contrastadas com a realidade.

Os manuais estipulam que você deve gerar tensão em seu corpo antes de proceder ao levantamento Que sua forma deve ser impecável para evitar lesões. Que você deve pensar em cada mínimo detalhe de seu movimento corporal. Que sua atenção é requerida a cada pequena parte de seu posicionamento com vistas a aumentar o torque em suas articulações e melhorar a eficiência da aplicação de força.

Daí eu comecei a praticar halterofilismo.

Como eu pratico? Eu me aproximo da barra e fico em posição. Não há qualquer tensão. Mesmo quando os músculos se contraem para ficar em posição, estão todos relaxados. Meu corpo se torna fluido como água. Então, eu faço o mais simples movimento que alguém vivo pode fazer. Eu respiro profundamente. E caio dentro.

No momento em que eu seguro a barra, todos os meus músculos se ativam ao mesmo tempo. Os pêlos dos meus pés se agarram aos sapatos para dar mais estabilidade. Meus esfíncteres se contraem para evitar que eu molhe ou borre as calças (a maioria das vezes) ou vomite (algumas vezes). Minhas orelhas se contraem para me dar mais aerodinâmica. Meu corpo não é feito de partes, é agora parte de um sistema unificado com a barra. E é isso: simples como um suspiro.

Quando eu tiro a barra do apoio se necessário e sinto seu peso, eu a percebo que ela não está tentando me esmagar. Nesse breve instante, ela é uma parte de mim, que quer tornar as outras partes mais fortes.

O resultado: eu não penso mais. Levantamento de peso é para mim algo natural. Instintivo Sem estratégias, sem cálculos, sem idéias. Apenas levantamento. Parafraseando Bruce Lee “antes do halterofilismo, um agachamento era mais que um agachamento e um levantamento terra mais que um levantamento terra; após o halterofilismo, um peso não é mais que um peso.” Não há segredos, fantasias ou mistérios. Apenas a pura realidade de força bruta.

Com isso, o que eu quero dizer é que ninguém pode ensiná-lo a levantar peso. Porque sua maneira de levantar é somente sua. Ninguém pode levantar o peso para você e ninguém sabe exatamente como você o sente. É o seu corpo em movimento, sua mente fazendo. Só você sozinho por si mesmo e sem acompanhamentos. Não tente copiar outras pessoas. O que funciona para elas pode não funcionar para você. O que é bom para elas pode não ser bom para você. Pode até ser prejudicial.

Para mim, não há mais mistérios. As fantasias se foram, no entanto algo ainda melhor ficou no lugar: força.

Blank mind? Yep, it looks like I felt in love with weightlifting…
And in my case, love is a feeling of freedom.
You see, you do not think in what you are doing when you fall in love. Love makes you stupidly retard. You just go there and make some mess around. You do not think when you eat a good meal. You just taste it and enjoy. You do not think when you watch the stars. You just look ahead and feel the beauty of the night sky.
I would like to add that in the brief instant of the lift, my mind becomes blank. And I have an opportunity to experience a feeling precious to me. A feeling so dare to me because it is difficult to reach: easiness of mind. I do not think. I do not need to think. Not a single thought. In these seconds, I finally get myself freed from my own mind.
It may be difficult to understand, but as a scientist and a philosopher, I think of science and society all the time. Even in my dreams (which I remember all of them) my mind keeps studying. It has been non-stop since I started to read and write at age 3. I really cannot explain how this sensation of freedom is, but it feels as a form of meditation that keeps my brain turned off to think about polidimensional mathematics, government administration or comic books.

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