Adendo à falácia sobre a Educação

Em casa de ferreiro o espeto é de pau. Fiquei de fazer a revisão gramatical de meu primeiro artigo independente: ”A falácia sobre a educação”. E desde 2017 estava para fazê-la. Publiquei um monte de coisas depois, fiz até revisão de doutoramento. E cadê a revisão do meu artigo???

Com todo o atraso do mundo (que me é natural) eis aí:

Texto completo: Edição independente 001.1 – versão revisada e ampliada

Em 07 de março de 2018, tomei um táxi na porta da UERJ para vir para casa. Estava conversando com o taxista André Luiz Ferreira sobre o texto. Após explicar minha posição, ele me perguntou: “E quando a educação não vem de casa?”. Ou seja, e quando não há condições de os pais educarem seus filhos?

Temos hoje jovens que, como diria certo amigo professor (omiti seu nome para não prejudicá-lo), carecem até mesmo das mais rudimentares noções de civilidade. E os pais por vezes são ainda piores!

Seguindo a argumentação de meu artigo, advém a pergunta: ”Caberia ao Estado educar as crianças quando seus pais não podem ou até mesmo não querem educá-las?”.

Finalmente, após tantos anos, tenho a resposta: sim. O Estado pode sim interferir na educação e na proteção da criança, mesmo contra a vontade de seus pais. A função do Estado é proteger os direitos e as liberdades do indivíduo, não de um ou outro grupo social, incluindo a própria família.

Se o comportamento familiar é prejudicial, nocivo ou perigoso à criança, o Estado pode e deve sim interferir contra a vontade dos pais. Nisto se fundamenta a defesa da criança contra o aborto, a violência doméstica, o abuso sexual, a mutilação religiosa e qualquer outro fato que fira sua integridade, bem como lhe retire o livre-arbítrio, a livre escolha, o direito de decidir sobre si, seu corpo e sua própria vida.

Como a criança e o jovem ainda estão com suas personalidades em formação, precisam de tutela, pois não têm maturidade para decidir muitas coisas sozinhos. Cabe ao Estado, se necessário, impedir que haja abusos por parte da família dela, quando de ações contrárias à moral e aos bons costumes. Bem como cabe ao Estado suprir a educação das noções básicas de civilidade e respeito, qualidades bem quistas na formação de seus cidadãos.

Exemplo de escola japonesa:

 

Resposta ao “Paradoxo de Epicuro”

Originalmente publicado em 04/11/2017 no Facebook.
Reproduzido em 04/11/2020 em PedroFigueira.pro.br
Texto reescrito e atualizado em 29/11/2020.


Em resposta (não solicitada 😉) à figurinha  com a qual vez ou outra a gente tromba nas redes sociais:

O problema da existência do mal atribuído ao filósofo grego Epicuro de Samos (que não era ateu).

1º – Não é um ”paradoxo”. Paradoxo indica algo com conceito intrinsecamente contraditório. A proposta epicurista afirma que um deus não pode ser ao mesmo tempo onipotente, onisciente e bondoso, conforme os argumentos apresentados na figura. Paradoxo seria se houvesse a afirmação de ”deus é bom pois é cruel”, ou algo do tipo. O ”paradoxo de Epicuro” é um conjunto de argumentos em que, segundo uma vez aceitos, aí sim, a afirmação de um deus todo-poderoso e bondoso resulta num paradoxo, pois um deus não pode ter as três atribuições mencionadas concomitantemente.

2º – O conhecimento de uma qualidade contingente só é possível por contraposição a seu oposto. O Mal é necessário para que se conheça o que é o Bem. Disso resulta que é impossível reconhecer a bondade se não houver a maldade. Só se pode afirmar que um deus todo-poderoso é bondoso se houver maldade que se lhe contraponha.

3º – O argumento cristão da ”emanação” afirma que o Bem é o que está mais próximo da divindade, enquanto que o Mal é aquilo que se encontra afastado dela. De acordo com a gênese abraâmica, os anjos seriam emanações da divindade. Quanto mais próximos, mais elevada sua posição na hierarquia angelológica. Quanto mais afastado, menos relação com o divino. Daí a noção de formas etéreas (anjos), formas materiais com almas (homens) e formas materiais brutas (rochas, água etc.). Os anjos a partir da própria luz divina, os gênios cujo princípio é o fogo, e os homens feitos de terra (Adam / Adão) e o sopro de vida (Eva) formam os seres sencientes segundo essa cosmogonia. (Essa visão antropocêntrica se contrapõe ao animismo de outras religiões, como o Xintoísmo.)

4º – A natureza divina é incognoscível à razão humana, ou seja, os homens, por serem finitos, não podem compreender a grandeza e transcendência da divindade. Os homens, sendo falhos e incompletos, não conseguiriam julgar o ethos divino, que está acima das leis e do entendimento humanos. A supremacia divina não é submissível ao escrutínio moral advindo dos homens; de modo que não cabe à criatura julgar seu criador.

5º – Ser onipotente não significa ter de exercer sua onipotência. Clássico exemplo: ”Posso criar uma pedra que não poderei levantar?”. Claro que sim! Mas o fato de poder fazer, não significa precisar fazer. O ”direito” ou ”poder” de abdicar da própria onipotência não precisa ser exercido. Uma entidade pode ser onipotente sem precisar manifestar todos os aspectos de sua onipotência. Adjunta à substância da onipotência está a vontade (poder de escolha / livre-arbítrio). Segundo a doutrina cristã, os homens foram criados à semelhança divina, logo, possuem dela esse livre-arbítrio para escolher o que fazer em suas vidas.

6º – Onisciência e Onipotência são praticamente sinônimas, pois um conceito implica o outro. Depreende-se que, ao separá-los na lista de argumentos da figura, há uma noção limitada dos mesmos, o que implica em fragilidade de argumentação.

7º – Há correntes cristãs, como o Kardecismo, que atribuem à vida a condição de ser um sofrimento passageiro ou a noção de ser uma forma de aprendizado. Desse modo, aquilo que vemos como sendo algo ruim aos olhos humanos, visto por olhos divinos transcendentes e não presos à materialidade na realidade é um caminho de evolução espiritual.

Em suma, há vários pontos contrários. Mas a análise epicurista faz muito sentido num mundo materialista.

Independentemente da existência ou não de deus, cabe ao ser humano fazer o bem. Não interessa se há ou não uma divindade superior. O que interessa é o que fazemos com nossas vidas. Não devemos esperar do céu um ”salvador”, mas nós mesmos nos salvarmos, fazendo o bem entre nós mesmos, deixando um mundo melhor do que aquele que encontramos.

Se há ou não um deus, não importa. O que importa é: qual é o bem que fizeste hoje?

A religião marxista e o papado Lulopetista no país de Paulo Freire

Esta postagem é uma promoção de meu último texto!
Nesta terceira parte, levanto hipóteses sobre os motivos que levam alguém a defender a esquerda no Brasil.

Leia em: Discussão e debate no país dos analfabetos: Parte 3 de 3

O mau caráter coletivo brasileiro e sua ignorância específica

Esta postagem é uma promoção de meu último texto!
Nesta segunda parte, analiso a conjuntura sociocultural brasileira e explico alguns conceitos sobre argumentação.

Leia em: Discussão e debate no país dos analfabetos: Parte 2 de 3

Fonte: https://www.flickr.com/photos/markcarey/2310361322/

A ignorância coletiva brasileira

Esta postagem é uma promoção de meu último texto!
Nesta primeira parte, analiso o problema do analfabetismo funcional juntamente com a manipulação falaciosa de dados estatísticos pelo governo.

Leia em: Discussão e debate no país dos analfabetos: Parte 1 de 3

Por que a beleza importa? – Roger Scruton

Why Beauty Matters? (Por que a beleza importa?) Roger Scruton

Produzido pela BBC, este programa apresenta o filósofo Roger Scruton num provocante ensaio sobre a importância da beleza nas artes e nas nossas vidas.
Scruton argumenta que no século XX, a arte, a arquitectura e a música viraram as costas à beleza, fazendo um culto à fealdade e levando-nos a um deserto espiritual.
Usando o pensamento de importantes filósofos, Platão e Kant, e conversando com os artistas Michael Craig-Martin e Alexander Stoddart, Scruton analisa onde a arte correu mal e apresenta sua apaixonada proposta para restaurar a beleza à sua posição tradicional no centro da nossa civilização.

Ariano Suassuna, Mathias Ayres e a cultura brasileira.

Ariano Suassuna valoriza cultura brasileira durante Conferência de Desenvolvimento Regional

O que é filosofia?

Atualizado em 20/04/2020 (consertei a data no arquivo… |:^p)

Algo interessante ocorre-me nesta semana. Eu já havia de há muito decidido que a forma avaliativa que eu adotaria caso fosse chamado a ministrar um curso de filosofia (em nível médio ou superior, tanto faz) seria o pedido de redação por parte dos alunos de um texto filosófico. E para minha surpresa a vida devolveu-me exatamente tal experiência. Apesar de ter profundamente ponderado sobre o meio avaliativo mais adequado segundo as especificidades da cátedra, não havia me colocado na posição do aluno a ser avaliado.

Conforme escrevi outrora, estou cursando matéria de filosofia na Faculdade de Direito da UERJ. A cadeira faz parte da lista dos cursos aptos para contagem no programa de capacitação dos funcionários, uma obrigatoriedade enquanto servidor da casa. E o professor solicitou como trabalho de avaliação exatamente a confecção de um texto tendo por título ”O que é filosofia?”.

Considero que filosofia não seja para todos. Cito (adapt.):

“O real significado do termo “Ensino Superior” vai muito além do de ensino de terceiro grau, como ficou popularizado principalmente após as reformas das décadas de 60 e 70. O saber superior deve ser adquirido mediante o uso de codificações, sistemas, modelos e símbolos da semântica científica e, por isso, foge à praticidade do dia-a-dia e se reserva aos que disponham de condições especiais para abordá-lo. Por isso não pode ser democraticamente acessível a todos como muitos querem. É um ensino, por natureza, elitista, para uma minoria capacitada intelectual e culturalmente e não no sentido trivial de pessoas socioeconomicamente bem postas na comunidade.”

(Estrutura e Funcionamento do Ensino Superior Brasileiro – Paulo Nathanael P. Souza)

Para além dos supostos requisitos intelectuais e culturais prévios (o que é questionável), defendo que o estudo de filosofia depende muito mais de uma inclinação pessoal íntima, de uma vocação peculiar ao seu estudo. Perceba que filosofia em si não é matéria. Não é um tema, um recorte, uma área científica  (pré-)determinada ou (pré-)delimitada. Filosofia em si mesma é o gosto de aprender. Aprender o quê? Tudo! É o amor ao conhecimento, ao próprio aprendizado; é olhar a vida encantadoramente pujante; é perceber, quanto mais se aprende, que menos se sabe sobre o mundo e sobre o universo que nos cercam; e que cada vez que se aprende mais, sabe-se menos. É manter a mente aberta, sem limitações, sem amarras, sem dogmas.

A Filosofia que se ensina nas escolas e nas faculdades não é filosofia. É matéria. Muito mais para o aluno passar de ano do que para fazê-lo refletir sobre alguma coisa. Mais historiografia da filosofia do que filosofia mesma. Assim é ensinada. E assim é pesquisada, como se fosse possível fazer pesquisa sobre filosofia – o próprio conceito não faz sentido… Mas é o que há no ensino superior e é por meio disso que acadêmicos e alunos ganham seus rolinhos comprobatórios de que estudaram/ensinaram. Toda essa burocracia é útil para quem se dedica à área. Mas e para quem não é dela? Qual utilidade tem a filosofia para um aluno de ensino médio? Ou para um profissional de outra carreira?

E então? Agora já formado e pós-formado, como respondo à primeira questão que nos fazem assim que entramos na faculdade? Assim o segue:

Texto completo para baixar: Edição_Independente_002.2

Escola do Trabalhador

A Escola do Trabalhador é um programa do Ministério do Trabalho (MTb) para a qualificação de trabalhadores brasileiros e o combate ao desemprego. Os cursos são online, gratuitos e sem necessidade de escolaridade prévia. A inscrição é fácil e rápida: basta se inscrever e começar o curso!

Você começa seu curso logo após a inscrição e o recebimento de um e-mail de confirmação. Por serem totalmente online, o horário de estudo é o que for mais conveniente para você. Ao final do curso, os alunos que concluíram o curso com a nota mínima de cinco pontos e responderam à avaliação do curso recebem um certificado da Universidade de Brasília (UnB), como cursos de extensão.

Os cursos são divididos em em doze eixos temáticos, focados nas necessidades do mercado de trabalho brasileiro, conforme a imagem abaixo. Para se matricular em um curso, você deve clicar no link “inscrever” que está na tela de cada curso.

Acesso em: http://escola.trabalho.gov.br/cursos/

Como os estrangeiros vêem o Brazil (com ”z”)

É sempre interessante conhecer qual é a visão de um estrangeiro sobre nós. Nós temos nossa própria percepção sobre nosso idioma (nosso maior patrimônio) e nosso país, mas uma perspectiva vinda do lado de fora mostra-nos qual é a imagem que passamos.

Conhecer essa imagem só é possível a partir do diálogo com o outro. Quem está do lado de fora tem uma ótica diferente, uma perspectiva diferente, uma forma de ver o mundo diferente, pois o modo como e ao quê atribui valores é diferente.

Estes vídeos servem para refletir: essa é a imagem que queremos passar?