Defesa residencial: Espingarda 12ga em comparação a carabina e Pistola .

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Ninjutsu – análise a partir da visão de um leigo.

Eu acompanho o canal de Marco Gimenez no Youtube já há algum tempo e recentemente surgiu uma discussão a partir de um teste de graduação dentro da escola Bujinkan. Ele afirma que o teste é fraudulento, os integrantes da escola afirmam que Marco não o compreendeu. Considerei interessante ver como dentro do meio marcial é possível ainda encontrar tanta divergência frente a opiniões contrárias e sectarismo em prol da própria escola e em detrimento a quem está fora.

Seguem os dois vídeos e logo em seguida meus comentários.

Sakki Test desvendado? Habilidade Ninja ou Maracutaia???

Respostas NINJA para haters mal educados!

Eu vi a discussão, tanto no Facebook, quanto aqui. Aguardei para escrever, pois esperava que alguém mencionasse, mas algo não foi mencionado esse tempo todo. A Bujinkan possui, dentre suas bases, o que chamam ”refinamento espiritual”.

1 – Há sim um conteúdo que (de certo modo) reflete a religiosidade xintoísta japonesa. Meditação, culto, honra etc. mesclam-se com a arte marcial. Eu não sei exatamente como estão abordando isso agora, mas quando me aproximei havia a clareza por parte dos instrutores de que era uma organização marcial e filosófica (não mística). Uma escola de luta e de pensamento.

2 – Sua informação está correta, a Bujinkan é a única organização com reconhecimento do governo japonês a atribuir a si própria a ”preservação da arte ninja”. Mas e o que isso significa? Equivale a aqui apresentar-se como curador de obra imaterial tombada ou algo do tipo.

3 – A Bujinkan é imensa, conta com escolas por todo o mundo. Ao apresentar algo contra seu líder, você afetou a credibilidade da escola como um todo. E como toda grande organização, seus integrantes são orientados a preservar a marca e a imagem da empresa.

4 – Em adendo, Masaaki Hatsumi chegou a esse posto todo por ser o último sucessor do Budo Taijutsu. Resumindo uma longa história, ele é o líder sucessor (SOKE) de 9 (sim, nove) escolas de artes marciais e as unificou sob um nome só. Daí seu grande prestígio, inclusive no meio internacional.

5 – Nomenclaturas:
SOKE – Líder sucessor.
SHIHAN – Mestre graduado líder local.
SHISHO – Mestre graduado, instrutor.
SENSEI – Professor, de um modo geral.
BUDO – ”Caminho do guerreiro”, a parte filosófica da coisa.
KOBUDO – Antiga arte da guerra (uso de armas)
KARATE – Luta com mãos nuas.

6 – Minha contribuição:
Creio que se as informações que apresentei agora tivessem sido elencadas, a discussão teria sido mais fértil: a Bujinkan preza muito por seu nome não apenas pelo lado comercial, mas também por representar oficialmente o Ninjutstu HISTÓRICO (patrimônio cultural japonês), também por sua FILOSOFIA (xintoísta) interna e também pela imagem do mestre (seu representante).

Houve maracutaia? Não sei. O que esperei que dissessem era: “O objetivo do SAKKI é detectar a intenção de ataque do oponente por seu KI (energia interna). Ao perceber que seus alunos não estavam conseguindo detectar, o SOKE percebeu que não havia intento maligno em sua espada. Ele mesmo não tinha intenção de matar em seu golpe. Portanto decidiu aumentar o uso de KI e fazer-se simular como um agressor real. O salto seria então um mero ato reflexo não intencional ao impor mais energia ao golpe. Aos olhos externos ele deveria ter dado nova oportunidade aos primeiros alunos, mas como é uma cerimônia tradicional, possui regras e etiqueta próprias, logo naquele momento não foi possível.”

Mas não vi nada disso partindo dos integrantes.
Lamento que não tenha havido um diálogo construtivo.
E lamento a Bujinkan ter manchado sua reputação dessa forma…


Editado: 15/06/2019

Esta é a melhor resposta contrária:

Sakki-Test: A polêmica do ninjutsu

Produto/serviço vendido e o desejo de consumo

Concordo e gostaria de compartilhar uma experiência correlata:

Há alguns anos, convidado por um amigo, fui para um estúdio (Mo Gun) de Wing Chun. Sempre tendo desejado aprender artes marciais desde pequeno e agora já sendo dono de meu próprio nariz, aproveitei a oportunidade como adulto.

Lá chegando, minha primeira experiência foi bastante interessante, pois o local e o treinador tinham (têm) toda uma roupagem ultra-tradicionalista, com símbolos chineses, genealogia completa, fotos de um monte de orientais etc. A imagem era (é) exatamente o que um leigo espera ao adentrar pela primeira vez um local de treino: um portal de teletransporte para a China. E tal linhagem faz questão de se diferenciar dos demais estilos e escolas concorrentes tanto na estética quanto nos costumes e no comportamento esperado do praticante. Levam seu nome bem a sério.

Só que…

A ideologia apóia-se exatamente no discutido em outros vídeos do canal acima: ”no ouvir dizer”, ”na tradição oral”, ”na autoridade do mestre” etc. Como filósofo, a impossibilidade de questionar e auferir dados é um empecilho para abraçar uma idéia ou aceitar um argumento. Como halterofilista, tenho uma personalidade do tipo ”vai e faz”. Portanto, um pensamento ou atividade que se sustenta em subterfúgios ou na abordagem indireta de um problema não me atrai. Então parei com poucos meses de treino (o que lá ”deve ser sempre chamado de prática, nunca de treino” – ”porque o mestre prefere assim”).

Disso posto, a experiência: certa vez, meu mestre (ou melhor ”facilitador, pois o mestre de verdade era o mestre dele e não ele mesmo”) estava falando de costumes chineses e repassando o melhor meio de abordagem de uma situação, segundo a escola. Então eu o questionei, dizendo: “‘Tá, mas não estamos na China, nem somos chineses. Estamos no Brasil e somos brasileiros. Aqui a gente faz diferente.”

Esta minha crítica sempre foi respeitada naquela escola, nunca fui posto de lado ou tratado de forma diferente. Pelo contrário, eu gostei e ainda gosto muito de lá (fui e ainda sou muito bem tratado). Mas minha própria natureza não se adequou aos ensinamentos e optei por sair. Com isso quero dizer que o problema não está na academia, no mestre ou no sistema. Muito menos no praticante, neste caso eu mesmo. O problema está na sintonia entre o que é passado e no que é esperado. No ensinamento e no anseio do aluno. No produto/serviço vendido e no desejo de consumo.

Ameaças veladas e pacifismo

Vídeos para reflexão sobre o comportamento e posicionamento ”modelo” preconizado pelos meios de comunicação e pelo nosso governo.