Mensagem nº 349

Defender a igualdade de oportunidades é sinônimo de esperança e de boa vontade.
Defender a igualdade de resultados (equality of outcome) é igual a hipocrisia e/ou estupidez.

 


Meu amigo Veber comentou:

“Se a base da educação é a mesma, as oportunidades também serão”.
Esse é dos slogans mais canalhas que já vi um governo produzir.
Maioria não tem ideia do que está acontecendo, hoje, com a educação. Pública e privada.

De fato, publicidade governamental não é das mais críveis práticas humanas, porém considero que o teor do argumento tem seu sentido e seu mérito. Ao estabelecermos um ideal de educação que busque a eqüidade (não a igualdade), propiciamos que todos, independentemente de sua origem sócio-econômica, obtenham os meios necessários para ingressar competitivamente no mercado de trabalho em igualdade de condições.

Cabe ainda ressalvar que uma proposta de educação igualitária (que busca a igualdade) somente é válida quando a mesma efetivamente proporciona os conteúdos intelectuais e morais necessários à capacitação equiparável entre indivíduos por meio de uma base comum sólida e significativa.

A falácia estaria na indicação da igualdade de resultados (ascensão e alocação sociais igualitárias a todos em todos os níveis). Para assegurar uma igualdade de resultados seria necessária a hipotética (e impossível) subdivisão da sociedade ad individuus, garantindo uma ordenação absoluta de todos os resultados sociais. Quem defende igualdade de resultados ou é ignorante, ou é hipócrita, ou é estúpido mesmo. Mas isso é tema para outro texto…

Voltando à palavra de propaganda, notamos que podemos encontrar facilmente alguns problemas:

  • Quem disse que a base é boa o suficiente?
  • Quem disse que escolaridade em si resulta necessariamente em oportunidade de emprego? E a economia?
  • Quem disse que todas as crianças precisam de uma base igual? E as superdotadas? E as com déficit intelectual?
  • E quanto às diferenças regionais?
  • E quanto à individualidade dos professores?
  • Quem definiu essa base? E a consulta popular? Quem define o que deve ser ensinado?
  • etc. etc. etc.

Como podemos notar, há numerosos problemas nessa proposta educacional, tal como está sendo implementada e nos custa, como brasileiros, crer em algo que nosso estimado governo propõe (mesmo que o teor da proposta caracterize-se com a melhor das intenções)…

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